Luís Montenegro sabe que pode
manter no Governo as incompetências, ou, melhor, os ministros e as ministras, que
quiser, durante o tempo que entender. Sabe também que nenhuma força da oposição
quererá assumir a responsabilidade pela queda do Executivo. O Chega seria
talvez o único partido disposto a arriscar, com a perspetiva de obter alguns
ganhos; contudo, está de pés e mãos atados, porque os seus deputados não são
suficientes para provocar essa queda na Assembleia da República.
Propaganda, promessas e caos nos
serviços públicos e o truque retórico. O primeiro-ministro pode continuar a
propagandear o que faz, o que não faz e aquilo que prometeu fazer, mas não fez.
Quando o caos se instala, pode até desculpar-se, afirmando que tudo é para bem
de todos: das “pessoas”, dos “portugueses” e das “portuguesas”, estas últimas
relegadas para segundo lugar na sua oratória.
Veja-se o caos que o ministro da
Educação conseguiu criar em nome da ação educativa. O mesmo se pode dizer da
ministra da Saúde, perante o enfraquecimento do SNS e as consequências para
muitos cidadãos. Mas, não: a culpa não é dela; é do outro, porque não gostou de
um artigo que ele escreveu, intitulado “Gestão da saúde para totós”.
Tem ainda o truque retórico. Como
um mágico, Montenegro vai tirando coelhos da cartola e apresentando-os como
sinais de que o Governo está a mudar o país. O truque consiste em repetir a
mesma ideia com palavras diferentes para disfarçar o “caos”. Montenegro
utiliza o seu truque verboso que consiste em dizer a mesma coisa com palavras
diferentes. Por exemplo, considerável e
apreciável no mesmo contexto, sempre nas melhorias.
Declarações com perguntas é que
não é outra questão. Luís Montenegro não parece apreciar as perguntas dos
jornalistas.
Na sexta-feira, 19 de setembro, o
Sindicato dos Jornalistas apelou às redações e às direções de informação para
que não enviassem jornalistas às declarações do primeiro-ministro quando não
fosse possível colocar perguntas. O comunicado tinha como título “Se Montenegro
não aceita perguntas, boicotem as declarações”.
Segundo o Sindicato, o chefe do
Governo tornou habitual a realização de declarações públicas sem um período
posterior para responder às questões dos jornalistas. Uma imitação de Trump?

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