A guerra promovida por Israel contra
os palestinianos e outros povos não é de agora, mas sem ser tão violenta como a
que se desenrola com o beneplácito dos EUA de Trump.
A disputa territorial remonta à
criação do Estado de Israel em 1948 que, após a partilha da Palestina pela ONU
em 1947, Israel declarou independência em 1948, o que levou à Primeira Guerra
Árabe-Israelense. Muitos países árabes vizinhos não aceitaram a presença de
Israel, resultando num estado de conflito contínuo.
Os argumentos que Israel tenta
passar para a opinião pública internacional são as “ameaças existenciais” a que
está sujeito frequentemente e justifica as suas ofensivas militares como
medidas de defesa contra grupos militantes como Hamas e o Hezbollah e outras
nações que não lhe reconhecem direito à sua existência e, portanto, procuram a
sua extinção tornou-se o eixo central da sua comunicação externa. O tipo de coligação
EUA-Israel vê como uma ameaça direta o programa nuclear e a influência regional
do Irão que há muito financia grupos inimigos de Israel, alguns deles terroristas,
o que resulta em ataques a alvos iranianos e a aliados do Irão. Mas, do meu
ponto de vista o seu verdadeiro objetivo, o fundamental, é a ganância de espaço
vital para a sua expansão e também, se possível, extinguir povos que lhe possam fazer frente e o ameaçam
(pode ler aqui o trauma social da perseguição).
O facto é que estamos em presença de
uma guerra, por enquanto regional, que o presidente dos EUA Donald Trump ajudou
a iniciar contribuindo previsivelmente para o seu alargamento num curto espaço
de tempo. Se estivermos atentos às notícias que nos chegam pelas televisões e
pela imprensa as declarações das partes em litígio, e também no interior de
cada uma das partes, observamos que são, a maior parte das vezes,
contraditórias. É uma espécie de círculo vicioso de informação e
contrainformação numa Sequência
de eventos negativos que se autorreforça e repete, gerando um impasse, por
vezes, de difícil compreensão.
A guerra trava-se também no plano da
informação. Num mundo em rede, a velocidade com que os dados circulam
transformou-se simultaneamente numa arma e num escudo. A desinformação, a
propaganda, as operações psicológicas e a manipulação estratégica deixaram de
ser exceções e passaram a integrar, de forma estrutural, a política externa e a
gestão, e ou, a má gestão das crises internacionais como temos verificado nas
contradições sobretudo do Presidente dos EUA.
O processo
“informação-desinformação” e “contrainformação” em tempo de guerra circulam no
espaço onde se cruzam no ar plenas de contradições e de negações. Nega-se hoje
o que se disse ontem. A contra
informação e a desinformação, assim como a propaganda, as operações
psicológicas e a manipulação estratégica tornaram-se parte integrante da
política externa e da gestão ou má gestão das crises internacionais. Os
conceitos de contra informação e a desinformação são algo distintos. A
contrainformação, muitas vezes ligada ao conceito de contra-narrativa ou
operações psicológicas defensivas, refere-se às medidas tomadas para combater,
negar ou neutralizar a desinformação do inimigo. A desinformação
segundo a ONU é a disseminação deliberada de informações falsas,
manipuladas ou fora de contexto com o objetivo de enganar, causar danos,
manipular a opinião pública ou desmoralizar o inimigo.
Há uma competição informacional
entre EUA-Israel e o Irão que se desenrola também ao nível interno de cada país
assim, cada governo empenha-se em controlar a narrativa interna, garantir a
coesão social e justificar decisões militares perante a população e a gestão
das perceções de ameaça.
No caso da teocracia autoritária do
Irão o poder político está intrinsecamente ligado à autoridade religiosa xiita.
O controle estatal dos meios de comunicação permite uma narrativa homogénea e
alinhada com os interesses do regime. Em contraste, tanto em Israel como nos
Estados Unidos, a pluralidade mediática, (que nem sempre é plena, pode
eventualmente sofrer restrições), podendo fomentar disputas internas e
divergências de opinião que podem ser exploradas por adversários externos e até
internos para enfraquecer a unidade nacional ou criar instabilidade política.
Na questão do Médio Oriente, que é
ao nível regional a informação é usada como instrumento estratégico para
influenciar aliados e rivais, por isso os três intervenientes procuram moldar
perceções sobre a legitimidade dos ataques e operações militares através de
narrativas da “resistência” ou da “segurança” numa competição por uma liderança
simbólica. Esta guerra de informação, desinformação e contrainformação serve
para consolidar ou desafiar alianças, ampliar influência política e militar, e
promover ao nível das populações interpretações que favoreçam os respetivos
interesses estratégicos.
Cada um dos intervenientes tenta
enquadrar o conflito em distinções conforme o seu interesse para justificarem
as suas ações bélicas usando vocábulos como “defesa”, “resistência”,
“terrorismo”, “agressão” ou “direito internacional” a fim de legitimarem as
suas ações e deslegitimar as do adversário. O impacto desta disputa ultrapassa
fronteiras, influenciando decisões diplomáticas, sanções, apoios internacionais
e a própria percepção do conflito por parte de audiências globais, tornando a
gestão da informação um elemento central da estratégia de cada interveniente.
Na guerra entre Israel-EUA e o Irão
ainda, e por enquanto, predominantemente regional, foi claramente agravado pela
ação política dos Estados Unidos, contribuindo para uma rápida escalada das
tensões. A informação que chega ao público através dos meios de comunicação é
frequentemente contraditória, não apenas entre as partes em litígio, mas também
no interior de cada uma delas. Declarações são desmentidas, versões são
revistas e o discurso oficial adapta se ao ritmo dos acontecimentos, criando um
círculo vicioso de informação e contrainformação que dificulta qualquer leitura
consistente da realidade. Mais do que uma guerra aberta, trata-se dum confronto
permanente onde a ambiguidade estratégica é deliberadamente cultivada.
Fazendo uma breve síntese podemos afirmar
que a guerra entre Israel-EUA e o Irão não se trava apenas com drones, mísseis,
bombardeamentos ou sanções. Trava-se também com palavras, imagens, símbolos e
interpretações. A informação tornou-se um recurso estratégico tão importante
quanto o poder militar.
Num mundo saturado de informação, a
capacidade de a distinguir da contrainformação é um exercício que também nos
compete a nós que diariamente vemos e ouvimos as notícias nos canais dirigidas
ao grande público, mas também nas redes sociais que nos mentem a cada instante
com informações deturbadas e enganadoras. A disputa pela narrativa continuará a
moldar não apenas a percepção do conflito, mas também as condições para a sua
escalada em vez da resolução.

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