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terça-feira, 26 de novembro de 2024

A intolerância dos tolerantes

Jovens e barbichas2.png


Resolvi retirar do Instagram um pequeno texto satírico sobre a moda dos cavanhaques por ter havido quem tomasse isso como ofensa pessoal e intolerante e até o pessoalizasse. Tomar como particular e pessoal aquilo que foi dito como uma análise geral e transitório parece-me ser um equívoco com espetro de dissonância cognitiva.


Parece haver pessoas, poucas, que, em nome da tolerância, demonstram incrível intolerância com os pontos de vista de que divergem. Esta “nova” tolerância representa uma forma peculiar de intolerância.


O “tolerante” deve tomar qualquer opinião como verdadeira, salvo contrário. Não se trata apenas de aceitar ou acatar a liberdade de expressão de opiniões contrárias, ele deve respeitar todas essas opiniões.


A tolerância dos “tolerantes” é bem seletiva e limitada, na prática pois que demonizam todos os outros mais ou menos conservadores, mais ou menos ricos, mais ou menos religiosos, mais ou menos liberais ou neoliberais, mais ou menos discordantes de alguma coisa e, mesmo assim conseguem mostrar-se defensores da diversidade e da tolerância.


Onde está a verdadeira intolerância? Quando todos somos obrigados a aceitar novas modas, todos sermos obrigados a aceitar novos estilo, todos sermos obrigados a achar “lindo” tudo aquilo que os tolerantes acham deve ser lindo e obrigam os outros a aceitar que é lindo? Quem é contra são todos “velhos do Restelo”. Se fosse para usar o conceito tradicional de tolerância, esses que não gostam ou sentem aversão, fobia ou não gostam de algo teriam, sem dúvida, que aceitá-lo e manter o devido respeito. Isso parece-me ser intolerância.


Quem se coloca contra todo o tipo de discriminação ou preconceito é, no fundo, hipócrita. Bastaria uma reflexão rápida e honesta para constatar que esses também discriminam e tem a sua parcela de preconceitos.


Tolerância ilimitada levará ao desaparecimento da tolerância.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Cortes de cabelo inovadores ou o regresso ao passado

amado líder.png


Num curto intervalo da opinião política resolvi dedicar um pequeno espaço aos cortes de cabelo “modernos” masculinos, que de moderno nada têm.  


Pensar que se está na moda por se ter um corte de cabelo dito “in” como os que por aí proliferam pode correr-se o risco de ser caricato. Cortes de cabelo a que esses inventores de estilo de penteado capilar chamam “retro” e que, por isso mesmo, de moderno nada têm.


À falta de inspiração recuam no tempo e “vendem” ideias aos mais novos que desconhecem que alguns dos cortes de cabelo que agora lhes impingem que já foram moda e usados pelos seus bisavôs e avôs nos anos 30 a 50 dos quais se querem distinguir.


Proliferam cabeleireiros saídos das escolas e querem mostrar as suas habilidades nos cabelos dos outros.


 


Cortes de cabelo.png


Alguns dos cortes são ao belo estilo militar da Segunda Guerra ou fazem lembrar os cortes de figuras preminentes do nazismo sem esquecer o famoso corte ao estilo Kim Jong-un, o amado líder da Coreia do Norte, que muitos usam sem o saber acabando por cair no ridículo.


Mas estar na moda nem sempre significa que certo tipo de corte seja adequado ou combine com determinada sua personalidade dando em alguns casos a imagem de foleirice.


Segundo dizem por aí, alguns desses cabeleireiros convencem as suas cobaias a que os deixem treinar cortes “inovadores” porque as “garinas” até gostam e daí vamos em frente com o corte.


Entrou-se num clima quase idêntico às ordens absurdas do ditador Kim Jong-un de um dos regimes mais fechados do mundo fazendo generalizar o mesmo corte de cabelo do que ele (até agora não confirmado) vindo parar ao universo das celebridades. Que tal George Clooney com o corte de cabelo do “Supremo e amado Líder”, como Kim Jong-un é conhecido por lá?