O Jornal Público de 9 de Outubro de 2012, sob o título “Associações lançam campanha pelo reconhecimento do trabalho sexual” noticia a posição das “associações e pessoas que trabalham na chamada indústria do sexo” e cujo mote é “Trabalho sexual é trabalho” no sentido da defesa do reconhecimento de um tipo de profissão que denominam de trabalho sexual e que abrange um leque vasto de atividades que se relacionam com o sexo.
Não sou preconceituoso nem pessoalmente tenho nada contra nem a favor de quem exerce aquele tipo de atividade, a não ser a exploração a que muitas vezes essas pessoas são sujeitas a que, por vezes, o desemprego obriga. Contudo acho preocupante, nos tempos que correm, que se venha pretender estimular indiretamente este tipo de atividade através do seu reconhecimento como se de uma profissão idêntica a tantas outras onde muitos ganham o seu sustento e o das suas famílias com honestidade e dignidade. Tomando em conta o desemprego dos jovens pode ser um até pré-anúncio estimulante para a entrada naquele tipo de profissão.
Talvez esteja a ser dada a este governo uma oportunidade para que, ao reconhecer a profissão sexual e ao colocá-la no mesmo nível de outras proceder, consequentemente, à cobrança de mais impostos. Por outro lado, também pode ser um alívio da pressão no desemprego. Reconhecendo o trabalho sexual como uma profissão ao nível das outras, pode ser uma forma implícita de sugerir que dezena de milhares mulheres incluindo as jovens que neste momento se encontram em dificuldades devido à falta de emprego, sigam esta profissão como potencial e financeiramente compensadora e da qual o estado poderá tirar os seus frutos e, simultaneamente, poder minimizar o desemprego feminino. Mas vejam lá! Com o alargamento da crise, também a esta profissão, poderão que considerar a hipótese do pagamento de fundo de desemprego e também de reformas! A captação de votos a qualquer preço pode ser uma tentação.
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