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O senhor ministro que andava de lambreta quando era deputado, mas que agora “pia mais fino”, de seu nome Mota Soares, resolveu dar mais um ar da sua graça. A semana passada, perante as câmaras de televisão, quis revelar-se como um novo Robim dos Bosques moderno e dinâmico dizendo que iria retirar às pensões superiores a mil euros para aumentar as inferiores a seiscentos euros. Pondo de parte as pensões acima do dois mil euros e por aí acima até às reformas milionárias conseguidas como todos sabemos, o que o senhor Mota Soares vai fazer é tirar aos menos pobres e aos remediados, empobrecendo-os também, para dar uma côdea aos outros. Ele é muito amigo dos pobres por isso, está a contribuir para que cada vez haja mais.
Mas há outro pormenor que me parece mais grave e intencional que foi o de colocar os pensionistas portugueses, uns contra os outros, por causa de uma ninharia de ajustamento das pensões mais baixas. Mas isto é o que tem vindo a fazer este governo noutros domínios e, nisto, o sr. primeiro-ministro é sábio. O que ele mais deseja é dividir o mal por muitos, e o bem apenas por alguns.
Ninguém, no seu tino, está contra o aumento das pensões mais baixas mas nunca à custa daqueles que têm apenas um pouco mais conduzindo também a uma pré-pobreza nivelando por baixo.
É bom recordar que o sr. Paulo Portas do partido CDS/PP a que Mota Soares pertence, insurgiu-se na altura contra o sr. Sócrates dizendo que era inadmissível que, quem recebia mil e quinhentos euros de pensão fosse considerado rico. Agora, para o sr. Mota Soares passaram a ser ricos aqueles que ganham mil euros. Onde está agora o sr. Paulo Portas que ninguém o ouve.
O atual ministro do trabalho e da segurança social, a que não ficaria mal a designação de ministro do desemprego e da insegurança social, terá sido o pior, neste ministério, após o 25 de novembro de 1975.
Claro que, para estes senhores, quem critica só pode ser um perigoso esquerdista, mas não pensam que, muitos portugueses, que nunca tiveram nada a ver com a esquerda, já começam a ficar fartos.
Estão tão enganados, quando aqueles senhores despertarem para a realidade, nem sabem em que inferno se vão encontrar.
Por favor não façam dos portugueses totós.
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