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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Com o papá trinta e oito anos no poder tudo poderia acontecer

Isabel dos Santos.png


Desconfianças havia, mas aqui no nosso país só timidamente se falava nos negócios de Isabel do Santos. Não há capital em Portugal para grandes investimentos, precisamos deles como de pão para a boca, assim, o fazer de conta que nada se passa é a melhor estratégia e a pergunta era: e se a coisa saísse furada? E saiu.


Agora todos falamos dos negócios e das atividades de Isabel dos Santos, das ilegalidades, dos desvios de capitais para paraísos fiscais, acusada de ser a mulher mais rica do continente africano. As televisões recuperam peças gravadas com imagens de Isabel acompanhada por anteriores ministros portugueses de anteriores governos. No parlamento a direita questiona governo sobre a proteção de empresas em que presumivelmente Isabel dos Santos terá participações dando a ideia de que, em caso de ilegalidades, o Governo deveria de entrevir para as proteger, o que aparentemente revelava alguns receios de quem alguém metido ao barulho pudesse ficar prejudicado. Santos Silva respondeu assim: “A melhor maneira de defender [as empresas, os trabalhadores e a economia portuguesa] é cumprindo a lei e sendo implacável no combate a práticas de corrupção, práticas cleptocráticas ou outras práticas indevidas”.


Não existe mal nenhum em ser rico, o mal está como essa riqueza foi obtida. Pode ter sido à custa de espoliar o povo de Angola. E foi. E, como sempre, quando tal acontece, o povo é que paga. 


Como de costume os sujeitos denunciados apressam-se a dar entrevistas onde pretendem negar acusações e mostrar que há objetivos obscuros contra eles. Este caso também não fugiu à regra, Isabel dos Santos, numa entrevista à BBC, nega tudo dizendo que tudo baseia-se em “documentos e informações falsos” e que é coordenada pelo Estado de Angola, de quem acusa de fazer um “ataque político”. Se são documentos falsos então terá de provar que o são ou, então, onde foram obtidos e onde está a falsidade. Argumentou ainda que "as autoridades angolanas embarcaram numa caça às bruxas”.


Isabel vai mais longe e recorre ao argumento do racismo e colonialismo ao dizer segundo o jornal eletrónico ECO que “Hoje com tristeza continuo a ver o ‘racismo’ e ‘preconceito’ da Sic e Expresso, fazendo recordar a era ‘colónias’ em que nenhum africano pode valer o mesmo que um ‘Europeu'”, refere um tweet de Isabel dos Santos publicado escassos minutos antes da publicação desta reportagem no site do jornal Expresso. Caso curioso parece que a SIC e o Expresso são racistas. Algo de que algum africano não gosta ou pelo qual é criticado ou condenado por algo passou a ser racismo. Agora também é racismo denunciar possíveis ilegalidades, fraudes e cleptocracia desde que sejam africanos.


A teia, descoberta pela ICIJ - International Consortium Investigate Journalists iniciou um coro contra Isabel dos Santos a nível mundial e em Portugal. O tema do dia passou a ser o caso Isabel, motivo de comentários e opiniões. Eu, cá por mim, não comento e fico calado sobre o assunto, apesar de sempre me ter questionado sobre como, por obra de varinha mágica, tal pessoa passou a comprar e a ter participações em empresas e a gerar um enriquecimento que geraram valor de muito milhões.


 Sem conhecimento de facto fico por aqui e limito-me apena a divulgar as informações que a ICIJ dá a conhecer, como esta que abaixo transcrevo.


Foi apenas 24 horas depois que publicámos o Luanda Leaks que o presidente da PwC – Pricewaterhouse Coopers, Bob Moritz, disse que estava "chocado e dececionado" porque a sua empresa aconselhou as empresas de propriedade da mulher mais rica da África, Isabel dos Santos.


A reação, que veio à margem do Fórum Económico Mundial em Davos, realça a forma como o Luanda Leaks se estende muito além das fronteiras de Angola.


O nosso repórter-chefe, Ben Hallman, partilha cinco razões pelas quais luanda Leaks é mais do que apenas uma investigação sobre Angola. Apesar do nome, a nossa exposição revela como a indústria offshore (lar de parte da riqueza de Santos) é um problema global. Ele também revela uma rede de contabilistas, advogados e outros especialistas dispostos a ajudar, a mover e a esconder a riqueza ilícita.


O presidente da PwC, Bob Moritz, não foi a única pessoa a responder a Luanda Leaks nos últimos dois dias. A administração do banco português Eurobic, na qual Isabel dos Santos detém uma participação de 42,5%, encerrou a sua relação comercial com a empresária e "pessoas intimamente relacionadas" a ela. Em Angola, o procurador-geral disse que iria usar "todos os meios possíveis" para levar dos Santos de volta ao país. Outros países estão agora debruçados sobre a nossa investigação.


Supondo que vocês tenham conhecimento das nossas histórias principais, destaca-se o trabalho da nossa equipe de pesquisa para revelar mais de 400 empresas ligadas com Santos e o seu marido – que podem baixar e explorar por vocês mesmos! Se os documentos são mais a sua coisa, então você pode ler cerca de 100 documentos do leak que foram publicados.


 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Injeção atrás da orelha

 



 


Escrever politicamente correto não chega à maioria das pessoas. Por vezes há que chamar as coisas pelos seus nomes, sem disfarces que apenas servem para mascarar as realidades do se passa na política e nos condena a um suplício sem fim qual mito de Sísifo. Austeridade, mais austeridade, sacrifícios, mais sacrifícios, promessas em vão, austeridade, mais austeridade... num sem fim.


Agora começou a surgir nos debates políticos um ex-dirigente do CDS, José Ribeiro e Castro, da ala direita mais radical. Desta vez vem dizer que não existe austeridade mas sim rigor. Ao que chamará este senhor sacrifício? Prazer?


De acordo com o último programa prova dos nove da TVI24, para ele não está a haver austeridade mas sim rigor. É extraordinário como aquele senhor vem agora defender o indefensável com argumentos do passado, mais do que estafados, que grande parte dos portugueses já estão fartos de ouvir.


O primeiro-ministro depois das autárquicas anda agora em campanha pró-governo e está preocupado em "trilhar um caminho sustentável de crescimento e de prosperidade para todos os portugueses”. A palavra crescimento que é um vai e vem na gíria de Passos Coelho e do governo, volta novamente à baila a par da prosperidade que será num futuro tão longínquo que mal se vislumbra. Procura realizar por palavras e artes mágicas de comunicação, diga-se péssima, o que não consegue na realidade. A terra prometida do leite e do mel que ele promete é que tarda em aparecer com as políticas por ele impostas.


Para Passos Coelho o programa da "troika" já não é o do PSD mas deve ser nacional e, como tal, "não se trata apenas de escolhas de um Governo, nem sequer de uma coligação de partidos, mas de escolhas verdadeiramente nacionais". Assim, apela ao envolvimento do sistema na coesão político-constitucional, isto é, o envolvimento do Tribunal Constitucional com o Governo, o que significa que devem ser colocadas de parte as leis fundamentais do país, à boa maneira do terceiro-mundo, e de países que, apesar do seu grande crescimento, mantêm uma política repressiva, na prática destituída de direitos básicos. Para ele a coesão deve existir apenas entre o Tribunal Constitucional e o Governo.


A verdadeira coesão nacional, no seu todo, tem sido por ele destruída ao lançar a divisão entre grupos sociais e profissionais de portugueses na mesma medida em que lança outros para o empobrecimento, normalmente os mais frágeis, sem capacidade reivindicativa ou de qualquer forma de pressão. É um Governo cobarde que apenas desafia os mais fracos. Esta é a linha da insensibilidade social, escondida atrás dos memorandos da "troika", que é defendida pelo grupo que atualmente controla o PSD e que está no Governo


No mesmo envelope de Passos Coelho e do PSD podemos colocar Paulo Portas cujo cinismo e a falta de palavra foram já postos à prova. Analise-se com cuidado a conferência de imprensa dada por Paulo Portas sobre a oitava e nona avaliação da "troika" e os anúncios que se seguiram sobre a austeridade sempre sobre os mesmos. Um especialista em leitura da expressão facial detetaria um certo cinismo no sorriso ao anunciar, "nada", na referida conferência de imprensa.


Há uma linha política e social no PSD, adotada por este Governo que podemos designar por socio-terrorista, que se afasta da matriz essencial do partido, à qual me tenho referido em blogs anteriores,  que apostou no conflito inter-geracional e  na marginalização pelo afogamento económico e financeiro de determinados grupos sociais como pensionistas e reformados, alguns deles já fragilizados, numa espécie de eutanásia lenta.


 



 


Quem viveu os primeiros anos da revolução do 25 de abril ainda se deve recordar do medo que a direita muitas vezes aterrorizava os idosos, através da comunicação social, dizendo que o PCP e na União Soviética lhes davam injeções atrás da orelha para se verem livre deles. Ora bem, a estes indivíduos que nos desgovernam apenas falta a execução física e sumária dos idosos porque já arranjaram uma solução de eutanásia mais subtil que puseram em curso a encoberto da "troika" ao longo destes dois anos e meio.


Já várias vezes escrevi que há uma corja infiltrada no PSD, alguns uma geração de retornados, muitos deles provenientes de "jotas" radicais, selvagens, incultos, neonazis disfarçados, que controlam o partido, que se apresentam como grandes patriotas, e que, se não correrem com eles, destruirão e espoliarão Portugal até à medula na expectativa de benefícios pessoais na carreira política.


Já que se fala em retornados recordo o caso de Rui Machete que pôs em causa a nossa dignidade enquanto portugueses e a separação de poderes do nosso regime político e judicial. Isto não é Angola, a separação de poderes não está apenas no papel. Repare-se na defesa que alguns arautos do PSD e do Governo fazem das declarações de Rui Machete ao dizerem que foi em defesa dos interesses de Portugal e por causa dos investimentos de Angola. De Angola? De uma seita elitista de Angola talvez.


Claro que os jornais angolanos defendem Rui Machete e atacam Portugal. Afinal parece que o ministro dos negócios estrangeiros não está a defender os nossos interesses, mas sim os de Angola. Mas que raio de ministro dos negócios estrangeiros é este?


Alguém se recorda de algum ministro dos negócios estrangeiros, ao longo dos últimos trinta anos estar envolvido em escândalos para além de Paulo Portas, com a questão dos submarino, e agora este de Rui Machete?


 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Os abutres atacam a comunicação social: caso da RTP





O Pesadelo de Relvas cartoon de Henrique Monteiro





 


 


Os abutres atacam a comunicação social


 



 





O que andam as oposições a fazer que não estão a prestar grande atenção ao que se está a passar à volta da privatização da RTP que tem vindo, paulatinamente, a ser preparada. O primeiro ataque à televisão pública já começou com a extinção do programa Câmara Clara” da RTP2.


A maior parte das pessoas desvaloriza e não prevê as consequências da privatização que se está a fazer que é a de preparar uma informação monolítica, pró-governamental que lhes venha a garantir a manipulação da opinião pública. O mais grave ainda é que se prepara a sua venda a estrangeiros, nomeadamente a Angola, apenas por uns trocos, através de empresa com nome disfarçado e situada na europa, país que, como se sabe onde o governo é incorrupto e de uma democracia exemplar.


Entretanto continuaremos a pagar taxas que reverterão para o comprador privado. É por isso que se fala apenas na venda de 49% da RTP mas com direito absoluto na sua administração para que o Estado, ficando com 51%, possa continuar a cobrar taxas de televisão que irão parar às mãos do privado que a comprar.


Não foi por acaso que não foi aprovada, na Assembleia da República, com os votos contra do PSD e o do CDS uma proposta para que se tornassem públicos os nomes de todos os proprietários dos órgãos de comunicação social.


Há uma falta de vergonha deste governo quando, escândalo após escândalo mantém o emplastro Relvas à frente de negociações de setores importantíssimos e estratégicos para a democracia portuguesa.


O mais grave é que o maior partido da oposição, o PS, não se tem vindo a pronunciar com mais veemência e deixando-se de declarações disparatadas como aquelas em José Seguro, afirmou que, caso de a RTP ser privatizada, quando for governo voltará atrás, nacionalizando-a, o que me parece ser insólito, já que, com os contratos que entretanto forem assinados dificilmente poderão ser denunciados.


É agora que todas as oposições se deverem empenhar em que isso não aconteça e não por trancas à porta depois de casa ser assaltada.

Os abutres atacam a comunicação social: caso da RTP





O Pesadelo de Relvas cartoon de Henrique Monteiro





 


 


Os abutres atacam a comunicação social


 



 





O que andam as oposições a fazer que não estão a prestar grande atenção ao que se está a passar à volta da privatização da RTP que tem vindo, paulatinamente, a ser preparada. O primeiro ataque à televisão pública já começou com a extinção do programa Câmara Clara” da RTP2.


A maior parte das pessoas desvaloriza e não prevê as consequências da privatização que se está a fazer que é a de preparar uma informação monolítica, pró-governamental que lhes venha a garantir a manipulação da opinião pública. O mais grave ainda é que se prepara a sua venda a estrangeiros, nomeadamente a Angola, apenas por uns trocos, através de empresa com nome disfarçado e situada na europa, país que, como se sabe onde o governo é incorrupto e de uma democracia exemplar.


Entretanto continuaremos a pagar taxas que reverterão para o comprador privado. É por isso que se fala apenas na venda de 49% da RTP mas com direito absoluto na sua administração para que o Estado, ficando com 51%, possa continuar a cobrar taxas de televisão que irão parar às mãos do privado que a comprar.


Não foi por acaso que não foi aprovada, na Assembleia da República, com os votos contra do PSD e o do CDS uma proposta para que se tornassem públicos os nomes de todos os proprietários dos órgãos de comunicação social.


Há uma falta de vergonha deste governo quando, escândalo após escândalo mantém o emplastro Relvas à frente de negociações de setores importantíssimos e estratégicos para a democracia portuguesa.


O mais grave é que o maior partido da oposição, o PS, não se tem vindo a pronunciar com mais veemência e deixando-se de declarações disparatadas como aquelas em José Seguro, afirmou que, caso de a RTP ser privatizada, quando for governo voltará atrás, nacionalizando-a, o que me parece ser insólito, já que, com os contratos que entretanto forem assinados dificilmente poderão ser denunciados.


É agora que todas as oposições se deverem empenhar em que isso não aconteça e não por trancas à porta depois de casa ser assaltada.

Os abutres atacam a comunicação social: caso da RTP





O Pesadelo de Relvas cartoon de Henrique Monteiro





 


 


Os abutres atacam a comunicação social


 



 





O que andam as oposições a fazer que não estão a prestar grande atenção ao que se está a passar à volta da privatização da RTP que tem vindo, paulatinamente, a ser preparada. O primeiro ataque à televisão pública já começou com a extinção do programa Câmara Clara” da RTP2.


A maior parte das pessoas desvaloriza e não prevê as consequências da privatização que se está a fazer que é a de preparar uma informação monolítica, pró-governamental que lhes venha a garantir a manipulação da opinião pública. O mais grave ainda é que se prepara a sua venda a estrangeiros, nomeadamente a Angola, apenas por uns trocos, através de empresa com nome disfarçado e situada na europa, país que, como se sabe onde o governo é incorrupto e de uma democracia exemplar.


Entretanto continuaremos a pagar taxas que reverterão para o comprador privado. É por isso que se fala apenas na venda de 49% da RTP mas com direito absoluto na sua administração para que o Estado, ficando com 51%, possa continuar a cobrar taxas de televisão que irão parar às mãos do privado que a comprar.


Não foi por acaso que não foi aprovada, na Assembleia da República, com os votos contra do PSD e o do CDS uma proposta para que se tornassem públicos os nomes de todos os proprietários dos órgãos de comunicação social.


Há uma falta de vergonha deste governo quando, escândalo após escândalo mantém o emplastro Relvas à frente de negociações de setores importantíssimos e estratégicos para a democracia portuguesa.


O mais grave é que o maior partido da oposição, o PS, não se tem vindo a pronunciar com mais veemência e deixando-se de declarações disparatadas como aquelas em José Seguro, afirmou que, caso de a RTP ser privatizada, quando for governo voltará atrás, nacionalizando-a, o que me parece ser insólito, já que, com os contratos que entretanto forem assinados dificilmente poderão ser denunciados.


É agora que todas as oposições se deverem empenhar em que isso não aconteça e não por trancas à porta depois de casa ser assaltada.