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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Alimentar o blog é preciso

 Alimentar o blog é preciso


Reli um texto que escrevi em janeiro de 2019 noutro meu blogue
"A fruta mais ácida". Porque continua a ter atualidade aqui vai com algumas pequenas alterações.


Se estão à espera que vá falar de nutricionismo, comida saudável, dietas ou coisas e tal, tirem o cavalinho da chuva. Vou falar é da alimentação do blog. Sim, ele coitado, também tem necessidades alimentares. Isto de alimentar um blog é quase como ter de alimentar um animal doméstico. Bem, com alguma diferença, é que o animal doméstico ladra, ou mia, se for cão ou gato (não estou a pensar em outros animais de estimação como sejam os do tipo exótico).
Sobre a desnutrição do blog poucos ou nenhuns reclamariam, e outros até agradeceriam a fome que o fizesse passar. O blog se não for alimentado não protesta, mas perde-se nas brumas do ciberespaço e transforma-se em lixo virtual.
A alimentação do blog não depende de mim, depende das minhas musas. A falta de musas inspiradoras é terrífica, e elas cada vez rareiam mais. Gostaria que as minhas musas fossem como as do José Rodrigues dos Santos, um dos apresentadores do telejornal da RTP1, que em média apresenta um livro de mais de quinhentas páginas a cada um ou dois anos, ou menos. Puxa! Quem me dera que as minhas musas fizessem um striptease com a mesma voluptuosidade plena de inspiração literária como as dele. É certo que as dele já começam a padecer de monotonia na inspiração do prolifero autor. Apesar de tudo mais vale ter mau hálito do que não ter nenhum, o que era sinal de que estaria morto e não queremos nada disso. As minhas musas, coitadinhas, pelo contrário, são muito inibidas e não se despem integralmente para me inspirarem senão não haveria quem me parasse.
A propósito de estar morto, recordo-me de uma estória verídica que se passou na minha presença após assistir a uma missa do sétimo dia. Há sempre uma missa do sétimo dia, talvez seja porque a Terra e o Universo levaram seis dias a criar e o sétimo foi para descansar. Deve ser por isso. Como estava dizendo, ao sair da igreja, como é habitual, amigos e familiares juntam-se à porta a conversar. Eis, senão quando, se aproxima um familiar do falecido que se lamenta da morte do ente querido. Então uma das pessoas presentes, também ela familiar, vira-se e disse numa frase eloquente e exclamativa: «Olha, não estejas assim! Sabes, o céu é tão lindo!!!». Numa ação reativa alguém lhe pergunta: «Olha lá, já lá estiveste para saber?». O rubor que lhe surgiu na face foi para todos visível e esclarecedor.
Este tema da morte não tem piada nenhuma, mas recebi agora mesmo uma notícia que dizia que frio e gripe provocam mortes acima do normal. Vamos lá ver se nos entendemos ainda ontem diziam que este ano a gripe estava pouco ativa em relação ao ano anterior. Afinal em que ficamos?
No meio desta treta toda já nem sei onde é que ia! Está próximo da hora de jantar. Deve ser da vontade de comer. A propósito, sabem que aqui ao pé da minha rua há um pequeno restaurante que fechou há algum tempo e que se chamava “Fome”? A sério! Podem confirmar na net. Nunca lá fui, mas pelos preços e pela ementa deve ser verdade.
Estão na moda os restaurantes com estrelas Michelin, geridos por cozinheiros, desculpem-me, “Chefs” de alto coturno, isto é, “cozinheiros” de linhagem nobre da cozinha, onde quem lá vai, ou já vai jantado ou passa fome e paga muito.
Reparem na imagem onde o apetite não pode ir além de uma pequenina costeleta de cabrito, ou será borreguinho? Mas não me digam que a decoração está mal?
Quero dizer, quem fala assim sou eu, um português de gema, que me empanturro à hora de almoço com comida e quando vou para pegar ao serviço passo o tempo a lamentar-me: «Ai que Deus! Ai que Deus, não me apetece nada ir trabalhar.».  É mentira, não passem palavra, porque isto é apenas um desabafo falso do tipo “fake news”, estão a ver?   

Imagem da revista Máxima.pt

As redes sociais são locais ótimos onde se reproduzem “fake news” são tal e qual como coelhos que dão à luz as suas crias. Por isso é que se diz que, tal ou tal, se reproduzem como coelhos. Não é por acaso que os caçadores quando lhes limitam o número de animais a caçar refilam e, com razão, argumentam que se não os deixam caçar os coelhos à vontade qualquer dia são eles, os ditos coelhos, que os comem.
Veja-se por exemplo o que se tem passado com o caso do Bairro da Jamaica e a PSP, pelo que se ouve e o que nos dizem já ninguém sabe o que é verdadeiro ou é falso. Qualquer dia temos de construir tabelas de verdade para tirar alguma conclusão. Tabelas de verdade são essas coisas que se utilizam na lógica matemática e que agora resolveram introduzir nos programas de filosofia do secundário para baralharem os coitados dos alunos. Talvez seja uma forma de os impedir de pensar e refletir sobre questões sociais que deviam merecer reflexão.

Fico lixado quando a PSP ou a GNR me multam, por isso é que estou sempre contra eles, e a minha raiva é tanta que até lhes chamo bófias. Vou a alta velocidade e ponho os outros condutores a desviarem-se de mim; não fazem mais do que a sua obrigação, estou com pressa e pronto. É então que apanho a polícia e multa-me. Bebo uns copitos a mais e, lá por ver duas estradas, o que até é bom, porque assim tenho mais espaço, a polícia vê e prende-me. Estou a conduzir e a enviar mensagens pelo telemóvel à minha garina, sou apanhado e multam-me. Bolas não há quem aguente! Estava para dizer “não há cu que aguente”, mas desisti porque isso é má educação. Como é que eu hei de estar do lado deles! Mesmo que fosse racista estaria sempre contra a polícia mesmo quando para pacificar um local é atacada e corrida à pedrada.
A virada para a quase política não estava prevista, desculpem-me o sintoma, mas já passou.


Hoje acho que vou ficar por aqui e como não tenho, por agora, mais nada para dizer termino enchendo chouriços com coisas da moda. Assim, os saldos estão quase a acabar e a exposição das coleções de primavera/verão estão aí, prontas para ir para as vitrines.








Nota final: Eu nem me conheço! Estou a falar de moda? Estou-me a passar-me ou quê?

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

A confraria das barbichas e dos bigodinhos

Jovens e barbichas.png


A moda dos jovens adolescentes e pós-adolescentes que prolifera apresentando um estilo com barbicha, bigodinho e cabelo levemente despenteado e puxado para a frente  a pretender mostrar que são sujeitos originais, modernos, diferentes e com muita personalidade. Estão a topar cotas?


O penteadinho do cabelo ligeiramente ondulado e puxado para a frente faz-me pensar se será para ajudar a tapar uma calvície precoce que lhes vai surgindo.  


Para falar a verdade não vejo nada disso. Imagino a arte necessária para manter uma barbicha dessas com tesoura a aparar os pelos da penugem ou então imagino que vão a barbeiros que entenda a psicologia particular desses meninos que adubam essa penugem na cara. Quem precisa de terapia com um barbeiro desses?


Os ‘barbichados’ estão em alta. Vestem-se quase igual, penteiam-se quase igual e salientam a penugem do buço e da perinha quase igual.


Se juntarem um grupo destes tipos jovens mais parecem terem saído duma confraria das barbicas e bigoditos. Olho para a cara dum desses sujeitos e às vezes fico fascinado começo a imaginar donde lhes veio esta ideia, mas sem o conseguir. Eles lá sabem com quem se prtendem identificar.


Para complementar tudo isto um ligeiro corte na sobrancelha vem a calhar com um adjuvado piercing, um brinco na orelha, alguma coisa furando o canto dos lábios, alguma coisa espetando a narina. É uma imagem do passado ancestral das tribos cuja antropologia tem estudado ao longo dos tempos. Vejam-se os índios originais, dos poucos que ainda sobrevivem na Amazónia, vestem-se e decoram-se à moda.


Enfim, para serem diferentes dos seus antecessores são capazes de tudo até de se fazer passar por ridículos.

sábado, 14 de dezembro de 2013

O luxo da pobreza



 


 


 


  







 


As fotografias que tirei no dia 4 de dezembro de 2013 pelas 16 horas no decurso das minhas deambulações por Lisboa mostram um rosto do verdadeiro Portugal que contrasta com a exibição de luxo.


É possível repousar em Portugal tendo como abrigo as montras da luxuosa marca PRADA sem nada pagar. O espaço PRADA abriu em Lisboa em junho de 2010 e tem as suas instalações na Av. da Liberdade 206-210. É umadas mais caras e luxosas loja de moda a quem apenas alguns, muito poucos, têm acesso. É, dizem outros, um orgulho para a capital ter lojas de luxo como esta entre outras que proliferam naquela avenida.


Angolanos, chineses e outros estrangeiros, mas também alguns portugueses endinheirados, são os clientes mais frequentes. Entre os portugueses haverá, por acaso, alguns que se endividam para mostrar aos amigos e amigas as suas compras na PRADA.


Num país como Portugal, onde a pobreza tem proliferado há os que aproveitam para repousar por debaixo do nome PRADA o que não é para todos, mas "O Diabo Veste PRADA".


 


 


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Moda para quem?

Quando pensamos em moda associamos de imediato à adoção e utilização de um determinado modelo ou estilo de vestuário. Contudo pode ser também, uma cor, um determinado objeto, palavra, uma atitude, etc. que se generalizou. Dizemos então que está na moda. 


A moda é também um conceito estatístico que representa o valor que mais frequentemente ocorre num conjunto de valores, isto é, são o elemento ou elementos numéricos mais frequentes numa série estatística e pode ser unimodal quando apenas se refere a uma valor, ou multimodal quando os valores se agrupam em distribuições com várias modas.


Vejam-se dois exemplos: 2,2,3,7,8,8,8,9,10 a moda é 8; 2,2,4,4,4,6,6,7,8,8,8,9 a moda é 4 e 8.


Considerando o número de pessoas que adotou um determinado estilo de vestuário ou de tendência, podemos então associar de acordo com conceito utilizado pelo senso comum que é o estilo mais frequente usado no meio de uma população.


Os estilistas bombardeiam-nos todos os anos com novos modelos no vestuário e calçado, condicionando os fabricantes a seguir as tendências que irão impor aos consumidores. Podemos facilmente efetuar uma análise comparada de moda através de catálogos de moda de várias épocas quer nos estilos, quer noa padrões. Pode então constatar-se que, para o cidadão comum, a moda torna-se repetitiva de década para década e às vezes até menos. De tempos a tempos os estilistas (antigamente denominados costureiros, quando a confeção era dominada por senhoras a que se chamava costureiras de alta costura), vão recuperar a moda, há muito tempo caída em desuso e, com mais ou menos nuance, lançam como nova e que apelidam de “vintage”. Renascidas das cinzas estão as calças à boca-de-sino, usadas nos anos 60 e 70 por pais e avós dos jovens atuais. Felizmente a moda não pegou muito, mas ainda está por aí como se pode ver.


 



 


“Seguindo a regra do estilo hippie que voltou com tudo, a tendência é que as calças boca-de-sino (ou Jeans Flare) e Pantalonas aquelas que usávamos na década de 70, serão tendência forte já confirmada…”


Fonte da image: http://sandaliamelissa.net/tag/moda-2012/


 


 As calças sem fundilho, que muitos rapazes também usam no formato “jeans”, e mais não são do que as chamadas calças de harém onde ao ditadores da moda se inspiraram e que já se usavam no tempo do Ali Babá, se é que alguma vez existiu a não ser nas histórias das 1001 noites.


 



 


 


O que se diz das calças também se pode dizer do calçado. As sabrinas, usada nos anos 50 do séc. XX, apesar de serem um clássico mais ou menos escondido nos armários, regressaram em força. 


 



Fonte da imagem: http://sandaliamelissa.net/tag/moda-2012/


 


 


Muito haveria a dizer sobre o sobe e desce das saias, o alarga e estreita das calças, a ponta dos sapatos em bico, as solas mais ou menos e grossas e os tacões em cunha já usadas no passado, os vestidos coloridos com ramos e flores do tempo das nossas avós, etc.…


 


 



  


 Fonte da imagem: http://sandaliamelissa.net/tag/moda-2012/


 


 A moda masculina é ainda mais evidente o mesmo “ramerrão” (monotonia e persistência). Os casacos descem, passado tempo sobem, colocam duas rachas atrás, retiram as rachas, passado tempo sobem mas com rachas, depois descem e coloca-se uma racha, volta a descer e sem aberturas, alargam as lapelas, estreitam as lapelas, colocam três botões, retiram os três botões, colocam um botão, colocam dois botões, sobem as lapelas, descem as lapelas e, passado tempo, voltam os três botões com lapelas estreitas, isto num sem fim do tipo eterno retorno!


 




 

 


 


 


Visto que disto não passa sempre podemos optar por vestir casacos como os do José Luís Goucha para irmos para o trabalho.


 


 



 


 


Das gravatas nem vale a pena falar, estreitam, alargam, estreitam; bolas, riscas, bolas; cores sóbrias, cores vivas, cores sóbrias; lisas, com motivos, lisas. Gravatas que se usaram há mais de 20 anos estão outra vez na moda.


Enfim, não há volta a dar, ciclicamente voltamos ao mesmo. Algumas das grandes revoluções na moda deram-se no séc. XX quando as saias das senhoras subiram acima dos joelhos para nunca mais voltarem ao que eram. Depois desceram um pouco e voltaram a subir e o sexo feminino passou a usar calças o que se tornou bastante prático.


O que pretendo dizer com isto tudo é que os estilistas, no que se refere à moda, viram o disco e tocam o mesmo, criando assim uma falsa noção de novidade e propensão para a fúria consumista, apesar da crise financeira, económica e social, gerando uma angústia nas pessoas que, para estarem “in” são induzidas a comprar novas (?) coleções, ao mesmo tempo que os armários se enchem de roupa que acabam por deixar de usar com a angústia de ficarem “out” e, desta forma, assim se vai alimentando uma indústria que, ela também, contribuiu para o endividamento de muitas famílias através dos cartões de crédito.


Estamos à espera de uma grande revolução na moda masculina quando os estilistas conseguirem que, também os homens, passem a usar saias no dia-a-dia. Que tal? É contra natura? Ora! No mundo da moda há tanta coisa contra natura!


 


A moda obedece a uma evolução que pode ser representada por uma curva logística também designada por curva de inovação e aceitação que relaciona o número de aceitantes de uma inovação com o tempo em que ela se vai expandindo. Quando se lança um determinado bem ou serviço no mercado de consumo, por exemplo um tipo de vestuário, no início apenas um número reduzido de pessoas o adota, aumentando ao longo do tepo (linha a vermelha) até atingir um máximo a partir do qual vão sendo cada vez menos até surgir um novo produto no mercado e o ciclo recomeça.


O gráfico seguinte mostra curvas logísticas que teoricamente elucida bem o fenómeno.


 



P é o número de população que adota a inovação (nova moda ou modelo) e T é o tempo durante o qual decorre a aceitação.


 


Há que ter em atenção que uma nova inovação ou moda não se inicia apenas quando está completo o ciclo. Ao fim de algum tempo outra inovação ou moda surge (linha a azul) e recomeça novo ciclo que pode coexistir com o anterior, avançado no tempo, e assim sucessivamente.

Moda para quem?

Quando pensamos em moda associamos de imediato à adoção e utilização de um determinado modelo ou estilo de vestuário. Contudo pode ser também, uma cor, um determinado objeto, palavra, uma atitude, etc. que se generalizou. Dizemos então que está na moda. 


A moda é também um conceito estatístico que representa o valor que mais frequentemente ocorre num conjunto de valores, isto é, são o elemento ou elementos numéricos mais frequentes numa série estatística e pode ser unimodal quando apenas se refere a uma valor, ou multimodal quando os valores se agrupam em distribuições com várias modas.


Vejam-se dois exemplos: 2,2,3,7,8,8,8,9,10 a moda é 8; 2,2,4,4,4,6,6,7,8,8,8,9 a moda é 4 e 8.


Considerando o número de pessoas que adotou um determinado estilo de vestuário ou de tendência, podemos então associar de acordo com conceito utilizado pelo senso comum que é o estilo mais frequente usado no meio de uma população.


Os estilistas bombardeiam-nos todos os anos com novos modelos no vestuário e calçado, condicionando os fabricantes a seguir as tendências que irão impor aos consumidores. Podemos facilmente efetuar uma análise comparada de moda através de catálogos de moda de várias épocas quer nos estilos, quer noa padrões. Pode então constatar-se que, para o cidadão comum, a moda torna-se repetitiva de década para década e às vezes até menos. De tempos a tempos os estilistas (antigamente denominados costureiros, quando a confeção era dominada por senhoras a que se chamava costureiras de alta costura), vão recuperar a moda, há muito tempo caída em desuso e, com mais ou menos nuance, lançam como nova e que apelidam de “vintage”. Renascidas das cinzas estão as calças à boca-de-sino, usadas nos anos 60 e 70 por pais e avós dos jovens atuais. Felizmente a moda não pegou muito, mas ainda está por aí como se pode ver.


 



 


“Seguindo a regra do estilo hippie que voltou com tudo, a tendência é que as calças boca-de-sino (ou Jeans Flare) e Pantalonas aquelas que usávamos na década de 70, serão tendência forte já confirmada…”


Fonte da image: http://sandaliamelissa.net/tag/moda-2012/


 


 As calças sem fundilho, que muitos rapazes também usam no formato “jeans”, e mais não são do que as chamadas calças de harém onde ao ditadores da moda se inspiraram e que já se usavam no tempo do Ali Babá, se é que alguma vez existiu a não ser nas histórias das 1001 noites.


 



 


 


O que se diz das calças também se pode dizer do calçado. As sabrinas, usada nos anos 50 do séc. XX, apesar de serem um clássico mais ou menos escondido nos armários, regressaram em força. 


 



Fonte da imagem: http://sandaliamelissa.net/tag/moda-2012/


 


 


Muito haveria a dizer sobre o sobe e desce das saias, o alarga e estreita das calças, a ponta dos sapatos em bico, as solas mais ou menos e grossas e os tacões em cunha já usadas no passado, os vestidos coloridos com ramos e flores do tempo das nossas avós, etc.…


 


 



  


 Fonte da imagem: http://sandaliamelissa.net/tag/moda-2012/


 


 A moda masculina é ainda mais evidente o mesmo “ramerrão” (monotonia e persistência). Os casacos descem, passado tempo sobem, colocam duas rachas atrás, retiram as rachas, passado tempo sobem mas com rachas, depois descem e coloca-se uma racha, volta a descer e sem aberturas, alargam as lapelas, estreitam as lapelas, colocam três botões, retiram os três botões, colocam um botão, colocam dois botões, sobem as lapelas, descem as lapelas e, passado tempo, voltam os três botões com lapelas estreitas, isto num sem fim do tipo eterno retorno!


 




 

 


 


 


Visto que disto não passa sempre podemos optar por vestir casacos como os do José Luís Goucha para irmos para o trabalho.


 


 



 


 


Das gravatas nem vale a pena falar, estreitam, alargam, estreitam; bolas, riscas, bolas; cores sóbrias, cores vivas, cores sóbrias; lisas, com motivos, lisas. Gravatas que se usaram há mais de 20 anos estão outra vez na moda.


Enfim, não há volta a dar, ciclicamente voltamos ao mesmo. Algumas das grandes revoluções na moda deram-se no séc. XX quando as saias das senhoras subiram acima dos joelhos para nunca mais voltarem ao que eram. Depois desceram um pouco e voltaram a subir e o sexo feminino passou a usar calças o que se tornou bastante prático.


O que pretendo dizer com isto tudo é que os estilistas, no que se refere à moda, viram o disco e tocam o mesmo, criando assim uma falsa noção de novidade e propensão para a fúria consumista, apesar da crise financeira, económica e social, gerando uma angústia nas pessoas que, para estarem “in” são induzidas a comprar novas (?) coleções, ao mesmo tempo que os armários se enchem de roupa que acabam por deixar de usar com a angústia de ficarem “out” e, desta forma, assim se vai alimentando uma indústria que, ela também, contribuiu para o endividamento de muitas famílias através dos cartões de crédito.


Estamos à espera de uma grande revolução na moda masculina quando os estilistas conseguirem que, também os homens, passem a usar saias no dia-a-dia. Que tal? É contra natura? Ora! No mundo da moda há tanta coisa contra natura!


 


A moda obedece a uma evolução que pode ser representada por uma curva logística também designada por curva de inovação e aceitação que relaciona o número de aceitantes de uma inovação com o tempo em que ela se vai expandindo. Quando se lança um determinado bem ou serviço no mercado de consumo, por exemplo um tipo de vestuário, no início apenas um número reduzido de pessoas o adota, aumentando ao longo do tepo (linha a vermelha) até atingir um máximo a partir do qual vão sendo cada vez menos até surgir um novo produto no mercado e o ciclo recomeça.


O gráfico seguinte mostra curvas logísticas que teoricamente elucida bem o fenómeno.


 



P é o número de população que adota a inovação (nova moda ou modelo) e T é o tempo durante o qual decorre a aceitação.


 


Há que ter em atenção que uma nova inovação ou moda não se inicia apenas quando está completo o ciclo. Ao fim de algum tempo outra inovação ou moda surge (linha a azul) e recomeça novo ciclo que pode coexistir com o anterior, avançado no tempo, e assim sucessivamente.

sábado, 2 de junho de 2012

A moda, a roupa e a crise

 



Fonte:



 

 

Fonte:


 

 

  


 


Em semanas de menos ocupação e com mais paciência deambulo por locais da cidade de Lisboa onde, normalmente, se situam lojas de moda e artigos de vestuário para ambos os sexos parando, aqui e ali, para ver montras e entrando para conhecer as novidade e as últimas coleções. Face ao que espreito nos manequins das montras e nos expositores questiono-me sobre a moda masculina e feminina.


Não sou contra a moda e, dentro das possibilidade, gosto de me vestir bem, mas repugna-me dar centenas, por vezes, milhares de euros por uma fatiota, camisas, calças, sapatos ou maleta de marca que, no dia-a-dia, a maior parte das pessoas não reconhece como tal, a não ser que afixe uma etiqueta da marca em local bem visível. Isto é, pago caro e faço publicidade gratuita através da etiqueta aplicada no vestuário que a marca me obriga a ostentar.


Ao olhar com atenção para os ditos manequins e expositores de moda, constato que os modelos apresentados são de tal forma estreitos, quer acima, quer abaixo da cintura, que sou levado a pensar que foram apenas concebidos para jovens anoréticos e anoréticas.


Por acaso entre nós portugueses, ainda que nos digam que estamos a atingir o limiar da obesidade, há muitos milhares de consumidores de moda que, apesar de manterem uma estatura, peso e medidas equilibradas, por mais que se esforcem não conseguem entrar, nem à força nas medidas que nos apresentam. Pode deduzir-se então que, como já disse, os modelos são destinados aos já referidos consumidores mais jovens que, em princípio, devem ser "elegantes". 


Relacionando o preço e o consumo de artigos da moda com o poder de compra dos jovens ficamos perplexos! Porquê? Porque, considerando que 35% da população desempregada são jovens; que os que têm trabalhos a maior parte é precário; que outros estão à procura do primeiro emprego, não se compreende como é que a moda e os modelos dela consequentes, e mudando de estação para estação, são, na sua maior parte, destinados ao mercado jovem. Ou não há crise ou os jovens, apesar de desempregados, não a estão a sentir e continuam a ter poder de compra através das suas famílias


Sobre o assunto das medidas do vestuário os lojistas argumentam que há também outras medidas destinadas aos outros clientes mas não exatamente os mesmos modelos e padrões. A moda não é atualmente pensada para a estatura e peso médios dos homens e das mulheres portugueses, é destinada a atingir um “target” de consumidores que, normalmente, são os mais jovens. Os outros, os de estatura média, que deve ser a maior parte dos que sustentam este país através dos seus impostos, se quiserem andar bem vestidos que emagreçam para conseguirem as formas e o peso dos(as) modelos esqueléticos(as)de pernas esguias e faces encovadas que passam nas “passerelles” os trapos que vão ser a tendência na época seguinte. Estas modas são ditada por estilistas que sentem necessidade de ser conhecidos e de que lhes afaguem o ego, apresentam estravagâncias destinadas a uma “fauna indescritível de relevante saloiice de inutilidade social e cívica” que vive à volta disso.


Inspirados nos mais diversos e desvairados ambientes sociais do passado e do presente lançam inovações que nada têm a ver com o nosso estilo de vida. Imagine-se o(a) leitor(a) a ir para o seu trabalho vestido(a) com as fatiotas apresentadas por aqueles senhores nas passerelles, como por exemplo as calças com fundilho de inspiração muçulmana.


Por último atente-se neste exemplo real passado numa loja de marca bem conhecida que, por motivos óbvios, não vou revelar: um cliente viu na montra da loja, onde se anunciava uma promoção, uma camisa cujo padrão lhe agradou. Ao ser dado o número de medida da camisa pretendida a lojista informou que, sim senhor, tinha a referida camisa com aquele número de colarinho (número médio de pessoa acimado 40 anos mas, cuja cintura não é propriamente de vespa). A lojista, antes de se deslocar para ir buscar a camisa com o número solicitado, hesitou brevemente, olhou para a cintura do cliente e, solicitamente, informou que tinha o número pretendido, mas que talvez não lhe servisse, que talvez fosse melhor experimentar. O cliente, sem estar a perceber bem, perguntou porquê. A resposta veio com um sorriso nos lábios da lojista:


- Sabe… é que… as nossas camisas são cintadas! Se quiser experimentar um ou dois números acima do que pretende eu vou buscar… mas, mesmo assim, não garanto!


Por este exemplo poderemos ser levados a pensar que o cliente era barrigudo. Pois não era não senhor! Apenas não treinava todos os dias com folhas de alface para se poder enfiar dentro de camisas cintadas, criadas pelos tais estilistas e lançadas no mercado para um determinado tipo de consumidor. Mas, com a crise que estamos a passar, talvez em breve o português de estatura média, por contenção alimentar obrigatória, possa vir a enfiar-se em roupa destinada a anoréticos(as) militantes.

A moda, a roupa e a crise

 



Fonte:



 

 

Fonte:


 

 

  


 


Em semanas de menos ocupação e com mais paciência deambulo por locais da cidade de Lisboa onde, normalmente, se situam lojas de moda e artigos de vestuário para ambos os sexos parando, aqui e ali, para ver montras e entrando para conhecer as novidade e as últimas coleções. Face ao que espreito nos manequins das montras e nos expositores questiono-me sobre a moda masculina e feminina.


Não sou contra a moda e, dentro das possibilidade, gosto de me vestir bem, mas repugna-me dar centenas, por vezes, milhares de euros por uma fatiota, camisas, calças, sapatos ou maleta de marca que, no dia-a-dia, a maior parte das pessoas não reconhece como tal, a não ser que afixe uma etiqueta da marca em local bem visível. Isto é, pago caro e faço publicidade gratuita através da etiqueta aplicada no vestuário que a marca me obriga a ostentar.


Ao olhar com atenção para os ditos manequins e expositores de moda, constato que os modelos apresentados são de tal forma estreitos, quer acima, quer abaixo da cintura, que sou levado a pensar que foram apenas concebidos para jovens anoréticos e anoréticas.


Por acaso entre nós portugueses, ainda que nos digam que estamos a atingir o limiar da obesidade, há muitos milhares de consumidores de moda que, apesar de manterem uma estatura, peso e medidas equilibradas, por mais que se esforcem não conseguem entrar, nem à força nas medidas que nos apresentam. Pode deduzir-se então que, como já disse, os modelos são destinados aos já referidos consumidores mais jovens que, em princípio, devem ser "elegantes". 


Relacionando o preço e o consumo de artigos da moda com o poder de compra dos jovens ficamos perplexos! Porquê? Porque, considerando que 35% da população desempregada são jovens; que os que têm trabalhos a maior parte é precário; que outros estão à procura do primeiro emprego, não se compreende como é que a moda e os modelos dela consequentes, e mudando de estação para estação, são, na sua maior parte, destinados ao mercado jovem. Ou não há crise ou os jovens, apesar de desempregados, não a estão a sentir e continuam a ter poder de compra através das suas famílias


Sobre o assunto das medidas do vestuário os lojistas argumentam que há também outras medidas destinadas aos outros clientes mas não exatamente os mesmos modelos e padrões. A moda não é atualmente pensada para a estatura e peso médios dos homens e das mulheres portugueses, é destinada a atingir um “target” de consumidores que, normalmente, são os mais jovens. Os outros, os de estatura média, que deve ser a maior parte dos que sustentam este país através dos seus impostos, se quiserem andar bem vestidos que emagreçam para conseguirem as formas e o peso dos(as) modelos esqueléticos(as)de pernas esguias e faces encovadas que passam nas “passerelles” os trapos que vão ser a tendência na época seguinte. Estas modas são ditada por estilistas que sentem necessidade de ser conhecidos e de que lhes afaguem o ego, apresentam estravagâncias destinadas a uma “fauna indescritível de relevante saloiice de inutilidade social e cívica” que vive à volta disso.


Inspirados nos mais diversos e desvairados ambientes sociais do passado e do presente lançam inovações que nada têm a ver com o nosso estilo de vida. Imagine-se o(a) leitor(a) a ir para o seu trabalho vestido(a) com as fatiotas apresentadas por aqueles senhores nas passerelles, como por exemplo as calças com fundilho de inspiração muçulmana.


Por último atente-se neste exemplo real passado numa loja de marca bem conhecida que, por motivos óbvios, não vou revelar: um cliente viu na montra da loja, onde se anunciava uma promoção, uma camisa cujo padrão lhe agradou. Ao ser dado o número de medida da camisa pretendida a lojista informou que, sim senhor, tinha a referida camisa com aquele número de colarinho (número médio de pessoa acimado 40 anos mas, cuja cintura não é propriamente de vespa). A lojista, antes de se deslocar para ir buscar a camisa com o número solicitado, hesitou brevemente, olhou para a cintura do cliente e, solicitamente, informou que tinha o número pretendido, mas que talvez não lhe servisse, que talvez fosse melhor experimentar. O cliente, sem estar a perceber bem, perguntou porquê. A resposta veio com um sorriso nos lábios da lojista:


- Sabe… é que… as nossas camisas são cintadas! Se quiser experimentar um ou dois números acima do que pretende eu vou buscar… mas, mesmo assim, não garanto!


Por este exemplo poderemos ser levados a pensar que o cliente era barrigudo. Pois não era não senhor! Apenas não treinava todos os dias com folhas de alface para se poder enfiar dentro de camisas cintadas, criadas pelos tais estilistas e lançadas no mercado para um determinado tipo de consumidor. Mas, com a crise que estamos a passar, talvez em breve o português de estatura média, por contenção alimentar obrigatória, possa vir a enfiar-se em roupa destinada a anoréticos(as) militantes.