O Ministro da Educação pode ser, e é, Doutorado em
Economia pelo Birkbeck College (Universidade de Londres) e até professor da
Universidade do Minho, mas tenho dúvidas que perceba algo sobre o Sistema
Educativo.
O conceito central da Teoria do Caos é a sensibilidade
às condições iniciais, isto é, pequenas variações no início de um acontecimento
ou fenómeno podem gerar consequências gigantescas e imprevisíveis a longo
prazo.
O Ministério da Educação, (ou melhor o ministro da
educação), do Governo de Luís Montenegro, mas não só, está a gerar
consequências desastrosas no sistema educativo.
Como pequeno grande exemplo o caso do Ministério da
Educação é paradigmático. Neste ministério parece reinar o caos com os exames e
avaliações com as transformações não testadas. E quando tudo falha, e está a
falhar, a responsabilidade nunca cabe a quem decidiu dar uma passada maior do
que a perna; cabe ao sistema informático, às abstratas dificuldades técnicas, e
segue-se uma averiguação que há de vir, mas que já nada resolve.
A norma é: destrói-se primeiro e depois reforma-se.
Para este Governo e para este ministério destruir será sinónimo de reformar?
Parece que a culpa é de todos menos de quem tem responsabilidades políticas.
A Educação voltou a estar no centro da instabilidade
política e social em Portugal. Entre a falta persistente de professores, a
contestação sindical, as dificuldades na organização dos exames e as sucessivas
reformas anunciadas pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, a perceção
pública é a de um setor em permanente sobressalto. O Governo insiste que há
resultados e medidas em curso, mas nas escolas, entre alunos, famílias e
docentes, continua a sentir-se uma realidade marcada por incerteza, desgaste e
desconfiança.
Há um stress que se agravou com as críticas à correção
digital dos exames nacionais e ao funcionamento das plataformas associadas. O
Governo rejeita a ideia de caos generalizado e garante que o processo decorre
dentro da normalidade. Já estruturas sindicais e vários docentes têm denunciado
falhas, atrasos e dificuldades de acesso. Mesmo que parte dos problemas seja
localizada, a questão política é mais profunda: num sistema já fragilizado,
qualquer falha tecnológica ou administrativa ganha dimensão simbólica e reforça
a ideia de que o Ministério está a experimentar soluções sem garantir
previamente a sua robustez.
O caos na Educação não se resume ao Ministério.
Reflete também uma dificuldade mais ampla do Governo em transformar anúncios em
resultados visíveis no quotidiano das pessoas. A comunicação política apresenta
planos, metas e balanços positivos. A distância entre o discurso oficial e a
experiência no terreno é perigosa, porque corrói a autoridade política e
aprofunda a descrença nas instituições, neste caso a Educação.
Hoje fico-me por aqui. Mas, há mais muito mais…

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