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quinta-feira, 2 de julho de 2026

O ministro da educação economista e a Teoria do Caos simplificada

 

O Ministro da Educação pode ser, e é, Doutorado em Economia pelo Birkbeck College (Universidade de Londres) e até professor da Universidade do Minho, mas tenho dúvidas que perceba algo sobre o Sistema Educativo.

O conceito central da Teoria do Caos é a sensibilidade às condições iniciais, isto é, pequenas variações no início de um acontecimento ou fenómeno podem gerar consequências gigantescas e imprevisíveis a longo prazo.

O Ministério da Educação, (ou melhor o ministro da educação), do Governo de Luís Montenegro, mas não só, está a gerar consequências desastrosas no sistema educativo.

Como pequeno grande exemplo o caso do Ministério da Educação é paradigmático. Neste ministério parece reinar o caos com os exames e avaliações com as transformações não testadas. E quando tudo falha, e está a falhar, a responsabilidade nunca cabe a quem decidiu dar uma passada maior do que a perna; cabe ao sistema informático, às abstratas dificuldades técnicas, e segue-se uma averiguação que há de vir, mas que já nada resolve.

A norma é: destrói-se primeiro e depois reforma-se. Para este Governo e para este ministério destruir será sinónimo de reformar? Parece que a culpa é de todos menos de quem tem responsabilidades políticas.

A Educação voltou a estar no centro da instabilidade política e social em Portugal. Entre a falta persistente de professores, a contestação sindical, as dificuldades na organização dos exames e as sucessivas reformas anunciadas pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, a perceção pública é a de um setor em permanente sobressalto. O Governo insiste que há resultados e medidas em curso, mas nas escolas, entre alunos, famílias e docentes, continua a sentir-se uma realidade marcada por incerteza, desgaste e desconfiança.

Há um stress que se agravou com as críticas à correção digital dos exames nacionais e ao funcionamento das plataformas associadas. O Governo rejeita a ideia de caos generalizado e garante que o processo decorre dentro da normalidade. Já estruturas sindicais e vários docentes têm denunciado falhas, atrasos e dificuldades de acesso. Mesmo que parte dos problemas seja localizada, a questão política é mais profunda: num sistema já fragilizado, qualquer falha tecnológica ou administrativa ganha dimensão simbólica e reforça a ideia de que o Ministério está a experimentar soluções sem garantir previamente a sua robustez.

O caos na Educação não se resume ao Ministério. Reflete também uma dificuldade mais ampla do Governo em transformar anúncios em resultados visíveis no quotidiano das pessoas. A comunicação política apresenta planos, metas e balanços positivos. A distância entre o discurso oficial e a experiência no terreno é perigosa, porque corrói a autoridade política e aprofunda a descrença nas instituições, neste caso a Educação.

Hoje fico-me por aqui. Mas, há mais muito mais…


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Colocação de professores no ensino público e impunidade

Impunidade.png


O que se passa na justiça e na educação não são apenas casos  técnicos mas também de substancia política que o governo e a maioria que o apoiam tentam futilizar, continuando a manter-se na senda da impunidade como se tem visto neste país.


O que está a passar-se no ministério da educação com a colocação de professores é um escândalo e um atentado à vida profissional de um grupo social, não apenas no que se refere aos problemas técnicos, mas sobretudo por ser um caso político nunca visto. Nem no tempo da ministra da educação Maria do Carmo Seabra, no curto governo de Santana Lopes, se verificou tal confusão apesar dos graves problemas na colocação de professores que houve na altura.


Como cientista (?) o ministro Crato deveria saber que, quando se mexe bruscamente na essência de um sistema, pela característica do globalismo ou totalidade, uma ação que produza mudança bruscas e não refletidas numa das unidades dum sistema há uma grande probabilidade de produzir mudanças em todas as outras unidades. Foi o que se verificou quando quis aplicar no terreno ideias pré-concebidas e pouco refletidas mandou executar uma alteração profunda às características do sistema de colocação de professores que estava a funcionar bem. Tomou a decisão de avançar com uma modificação apressada sem acautelar o tempo necessário para a sua implementação e teste em todas as variáveis de funcionamento criando entropias no sistema.


O problema não foi bem estruturado por não ter sido claramente definido, pois uma ou mais das variáveis envolvidas não foram determinadas com confiança, daí a grande probabilidade de falhanço. O ministro Crato criou um problema técnico e, ainda mais grave, um problema político.


O primeiro-ministro entre os seus apoiantes é tido como determinado. Confundem determinação com teimosia e com obstinação na persistência do erro que é a força de vontade dos fracos. Os problemas não se resolvem com quedas de ministros e de governo mas há ministros cuja a noção que têm da responsabilidade é pobre.


Não é de estranhar que Nuno Crato não seja demitido, pois, de acordo com Luís Osório no editorial do Jornal i diz que, a propósito da Tecnoforma, Passo Coelho "afirmou no parlamento que não levantava o sigilo bancário porque isso seria fazer a vontade voyeurista aos jornalistas". Que ilações se tiram daqui? Que ele ou qualquer ministro podem fazer o que quiserem que ele não satisfará quaisquer vontades mesmo que as mesmas prejudiquem largos setores do país. Olha apenas para a sua imagem (tal como Presidente da República Cavaco cuja dita está de rastos), quer mostrar que tem coragem mas esta não é a prioridade. Por isso, continua Osório, "não é de estranhar que Crato não seja demitido. Acontecerá apenas quando a situação estiver normalizada. Só depois, e seguramente a pedido do ministro…".  Eu direi que não que não demitirá qualquer ministro porque, neste momento não haverá ninguém que queira aceitar qualquer lugar no Governo a menos que se queira autodestruir. Está em causa a sobrevivência do governo que o Presidente da República apoia com ambas as mãos e ao colo, mesmo sabendo que está em cauda a credibilidades das instituições, nomeadamente a educação pública que Crato, talvez por revanche de tudo o que é passado, e com o apoio do seu chefe do executivo, quer fazer implodir e descredibilizar. A impunidade em Portugal está para durar.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Acabem com os sindicatos


Segundo o jornal Público oito sujeitinhos da JSD, deputados no Parlamento, resolveram preguntar ao ministro da Educação, através de uma carta, quanto custam ao Estado os sindicatos de professores.


Esta pergunta não é inocente, pois ela enferma, mais uma vez, de uma intenção de manobra de divisão dos portugueses, desta vez contra os sindicatos. Estes senhores que vivem à custa dos nossos impostos, não precisam de sindicatos que os defenda porque têm o seu posto de trabalho mais do que garantido pelo partido que apoiam.


Há uma pergunta que deviam também fazer que é a de saber quanto custa aos contribuintes manter um apêndice do PSD que apenas serve para criar empregos na política para gente que nunca soube o que é trabalhar numa empresa privada. Se os há, então ocupam cargos e lugares em empresas normalmente de advogados que lhes dão guarida que, muitas das vezes, vivem de encomendas de pareceres pedidos pelo Estado que também são pagos pelos nossos impostos.


Mas o mais grave é o que de fascizante está subjacente a esta pergunta porque, ao dizerem que “no momento em que todos os portugueses fazem sacrifícios, temos de reduzir a despesa do Estado, temos de saber quanto é que custam, quanto é que foi transferido para os sindicatos" pretendem virar a opinião pública contra a queles sindicatos. Isto é o mesmo que afirmar que temos de reduzir a despesa do Estado também à custa dos sindicatos para os tornar cada vez mais fracos. Tatcher também o fez no Reino Unido.


Acabar com eles é uma possível sugestão dos sujeitinhos da JSD.

Acabem com os sindicatos


Segundo o jornal Público oito sujeitinhos da JSD, deputados no Parlamento, resolveram preguntar ao ministro da Educação, através de uma carta, quanto custam ao Estado os sindicatos de professores.


Esta pergunta não é inocente, pois ela enferma, mais uma vez, de uma intenção de manobra de divisão dos portugueses, desta vez contra os sindicatos. Estes senhores que vivem à custa dos nossos impostos, não precisam de sindicatos que os defenda porque têm o seu posto de trabalho mais do que garantido pelo partido que apoiam.


Há uma pergunta que deviam também fazer que é a de saber quanto custa aos contribuintes manter um apêndice do PSD que apenas serve para criar empregos na política para gente que nunca soube o que é trabalhar numa empresa privada. Se os há, então ocupam cargos e lugares em empresas normalmente de advogados que lhes dão guarida que, muitas das vezes, vivem de encomendas de pareceres pedidos pelo Estado que também são pagos pelos nossos impostos.


Mas o mais grave é o que de fascizante está subjacente a esta pergunta porque, ao dizerem que “no momento em que todos os portugueses fazem sacrifícios, temos de reduzir a despesa do Estado, temos de saber quanto é que custam, quanto é que foi transferido para os sindicatos" pretendem virar a opinião pública contra a queles sindicatos. Isto é o mesmo que afirmar que temos de reduzir a despesa do Estado também à custa dos sindicatos para os tornar cada vez mais fracos. Tatcher também o fez no Reino Unido.


Acabar com eles é uma possível sugestão dos sujeitinhos da JSD.