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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O grande educador da classe média e dos “indivíduos” da classe baixa

JMT_defensor da classe média.pngSão várias as artimanhas de que alguns “fabricantes” profissionais de opiniões servem para, demagogicamente, conseguir atingir os seus objetivos pela deturpação de factos dando-lhes contornos falaciosos que levem a opinião pública a concordar com as suas opiniões aceitando-as como verídicas.


É o caso de João Miguel Tavares que hoje escreveu um artigo no jornal Público sobre a denominada “Fat Tax”, imposto que irá ser lançado sobre alguns alimentos considerados com excesso de açúcar e gordura. Diz ele que “São as famílias da classe média e indivíduos da classe baixa que vão à McDonald´s e compram pizzas”.  Reparem só, uns são famílias da classe média, os outros, os da classe baixa, não têm direito à qualificação de família, são indivíduos. Terá sido um   lapsus linguae?


Depois de Arnaldo de Matos do MRPP que dizia ser o grande dirigente e educador do proletariado, e Mao Tse Tung o grande educador do proletariado internacional das nações e povos oprimidos, Miguel Tavares passou a ser o grande defensor da alimentação da classe média e das classes baixas zelando pelo seu interesse contra um imposto cujo valor ainda é desconhecido e se espera não terá peso significativo no preço final do produto. Para ele será o descalabro porque a base da alimentação da classes que pretende defender são o McDonald´s e as pizzas.


Não frequenta de certo os supermercados de média dimensão em dias de promoção para vislumbrar o que estas classes compram. Para o grande defensor daquelas classes a base alimentar encontra-se na frequência de tais restaurantes e na encomenda de pizzas.


Lamentável é que, durante o governo neoliberal de Passos Coelho, raramente ou nunca se tenha empenhado na defesa daquelas classes que agora quer proteger dos malefícios dum tão importante imposto. Pelo contrário, defendia e justificava os cortes e a austeridade sem alternativa para as classes que agora, pretensamente, quer livrar de tão grave imposto.


Para cair no ridículo nem as penas lhe faltam.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Prejudicados, isolados, mas satisfeitos

 



 




Numa população sujeita a determinada política de governação cada elemento centra-se, enquanto cidadão, nos seus interesses individuais, concordando ou discordando de medidas que, politicamente, os possam lesar, ou satisfazer. O somatório de cada um daqueles interesses individuais gera coletivos maiores ou menores aglutinadores de descontentamento ou de satisfação.


Explicando melhor: O sujeito A é prejudicado em X e o sujeito B é beneficiado em Y por determinadas medidas que foram tomadas. O conjunto de todos os sujeitos do tipo A prejudicados com medida X e o conjunto de todos os sujeitos do tipo B beneficiados com a medida Y, embora cada um deles pense individualmente, passam a pertencer a um grupo, ainda que não tenham uma consciência e uma perceção imediatas daquela pertença. Isto é, não há consciência de pertença a uma classe social ou grupo específico. É este um dos motivos que conduz à indiferença e à não participação em protestos ou quaisquer eventos, mesmo que venham de encontro à defesa dos seus interesses.  


Tendo em vista este raciocínio, cada elemento de um conjunto (por exemplo grupo social) ainda que prejudicados por medidas que tenham sido tomadas contra os seus interesses ao elegerem, por meio de voto secreto, uma pessoa ou um partido que os lesou nos seus interesses e direitos básicos, justificados por causas várias, autoflagela-se política e ideologicamente ao manter-se fiel a opções que, na maior parte das vezes, contrariam a sua própria vivência quotidiana.

Prejudicados, isolados, mas satisfeitos

 



 




Numa população sujeita a determinada política de governação cada elemento centra-se, enquanto cidadão, nos seus interesses individuais, concordando ou discordando de medidas que, politicamente, os possam lesar, ou satisfazer. O somatório de cada um daqueles interesses individuais gera coletivos maiores ou menores aglutinadores de descontentamento ou de satisfação.


Explicando melhor: O sujeito A é prejudicado em X e o sujeito B é beneficiado em Y por determinadas medidas que foram tomadas. O conjunto de todos os sujeitos do tipo A prejudicados com medida X e o conjunto de todos os sujeitos do tipo B beneficiados com a medida Y, embora cada um deles pense individualmente, passam a pertencer a um grupo, ainda que não tenham uma consciência e uma perceção imediatas daquela pertença. Isto é, não há consciência de pertença a uma classe social ou grupo específico. É este um dos motivos que conduz à indiferença e à não participação em protestos ou quaisquer eventos, mesmo que venham de encontro à defesa dos seus interesses.  


Tendo em vista este raciocínio, cada elemento de um conjunto (por exemplo grupo social) ainda que prejudicados por medidas que tenham sido tomadas contra os seus interesses ao elegerem, por meio de voto secreto, uma pessoa ou um partido que os lesou nos seus interesses e direitos básicos, justificados por causas várias, autoflagela-se política e ideologicamente ao manter-se fiel a opções que, na maior parte das vezes, contrariam a sua própria vivência quotidiana.