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domingo, 8 de junho de 2025

A estratégia do embuste no diálogo político

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Uma das formas para percebermos o que alguns dos nossos interlocutores informados, sabedores, que se julgam infalíveis e exímios em dar cartas e depois baralhar de novo nos dizem é percebermos ao que se referem quando falam.


Vem isto a propósito de comentários que alguns leitores deixaram a um artigo que li há algum tempo num jornal diário relativamente à despesa pública e ao déficit mais folgados que o atual Governo herdou do anterior governo socialista que, em vão, tentei localizar, mas o que ainda tenho presente serve para o pretendido


A mentira e a desinformação são armas utilizadas para enganar alguns que, por não perceberem nada do assunto, acreditam em tudo, o que lhes dizem ou leem nas redes sociais.


Quando alguém aponta a esses referidos, plenos de verdades absolutas, algo que sai fora das suas falacias absolutas, mudam de agulha, trocam as voltas e, para confundir, utilizam outro tipo de estratégia para baralhar o seu interlocutor. Pode então verificar-se uma das seguintes situações: ou não se refuta o que diz por não termos bagagem para o contradizer, ou o argumento é tão faccioso e disparatadamente óbvio que não vale a pena contrariá-lo mais valendo deixá-lo ficar convencido de que enganou mais um papalvo que manipulou.


A forma mais comum de manipulação envolve tentar dominar ou mudar um ponto de vista ou opinião, isto é, a perspetiva ou crença que alguém mantém sobre alguma coisa e serve como ponto de referência para a visão que cada um de nós tem sobre qualquer situação.


Veja-se um exemplo. Imagine que você está a trocar impressões sobre política económica e que o seu interolocutor chama para a discussão a dívida publica e o défice. Coloque como princípio que o seu interlocutor tem como objetivo criticar a governação, por exemplo, do governo socialista, que terá cometido muitos erros, mas a quem se poderia atribuir ter conseguido baixar a dívida e o défice. Então, o seu interlocutor argumenta que esse governo socialista deixou uma dívida pública enorme e um défice também colossal. Você mostra que os valores são avaliados pelo rácio dívida/PIB, que é a medida da dívida ou do déficit como percentagem do Produto Interno Bruto, indicador utilizado por diversas entidades, que afirmam o contrário e que o governo pode vir a entrar em derrapagem orçamental por estar a gastar mais do que deveria.


Face aos dados inegáveis e como a comparação é feita em percentagem do PIB a resposta do seu interlocutor chega célere: não, não, isso é em valor relativo, em valor absoluto são milhões. Certo o seu interlocutor tem razão. Mas a comparação é sempre em valores relativos, o que facilita a comparação.


Ora, o nosso interlocutor, para defender a sua tese, ou melhor, a sua causa distorcida, utiliza esse argumento incorreto porque, ao comparar a dívida pública e os défices, é essencial reconhecer que estes indicadores são fundamentalmente diferentes na natureza e que o uso de medidas relativas geralmente fornece uma imagem mais clara do que olhar apenas para números absolutos. Isto é, não seguindo este critério o nosso interlocutor está deliberadamente a enganar-nos com a finalidade de defender o seu ponto de vista com valores absolutos que “enchem o ouvido”.


Ah! mas há as cativações exclama ainda! As cativações é outro conceito muito utilizado pelos detratores adversários e para enganar quem esteja pouco familiarizado com este tema. As cativações funcionam como se cada um de nós pegasse em parte do dinheiro que tem disponível para gastar e o guardasse numa gaveta para quando for necessário. Ou melhor, é como se o ministro das Finanças pegasse em parte do orçamento aprovado pela Assembleia da República para um determinado serviço público e guardasse o dinheiro numa gaveta.


Dizem: Ah! mas as cativações prejudicam alguns setores que necessitam de verbas. É uma meia-verdade usada pelos que são por natureza facciosos, porque isto das cativações é uma prática comum já com vários anos, aplicada quer pelos Governos socialistas quer pelos da direita ou centro-direita. Um caso concreto e mais recente é o do Governo de Luís Montenegro que tinha, em novembro de 2024, 789 milhões de euros em cativações por libertar.


As cativações são uma espécie de cautela orçamental para possibilitar que não haja derrapagens da despesa, porque ao condicionar a libertação da verba à autorização do ministro das Finanças, a fim de evitar que os serviços gastem sem ter primeiro concretizado um nível de receitas suficiente


Bem, fico por aqui, porque de finanças só percebo das minhas e, quanto à públicas é o que dizem por aí os especialistas e os trabalhos académicos de macroeconomia.


Divirtam-se e sejam facciosos porque o que está a dar para polarizar as sociedades são as verdades ditas alternativas, isto é, não factos, como dizer, a minha verdade é uma alternativa à sua que mesmo que seja um facto.


E, já agora, factos alternativos podem ser falsidades, inverdades, ilusões. Um facto é algo que realmente existe, são a realidade ou verdade. Uma alternativa é uma das escolhas em um conjunto de opções dadas e, normalmente, as opções são opostas uma da outra. Portanto, falar sobre factos alternativos é falar sobre o oposto da realidade (que é ilusão) ou o oposto da verdade (que é a mentira).


Também é usado como uma ‘interpretação alternativa’ de um facto para servir um qualquer propósito político ou ideológico.


Se essa interpretação alternativa é ou não válida normalmente depende do facto em questão e de como ele foi interpretado (ou mal interpretado).

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Contas certas: Prof. Cavaco! Diga-nos mais sobre este conceito que diz não existir

Cavaco contas certas.png


O Prof. Cavaco Silva precisa mais de repousar do que fazer política falsa e populista apenas por vingança e não por convicção. Entrou em desvario político quando disse que as “contas certas” foram uma manobra de diversão.


Os argumentos de Cavaco são inspirados pelos pontos de vista das extremas-esquerda esquecendo-se que o governo de José Sócrates foi criticado por ser despesista porque aumentou muito a dívida pública, o défice orçamental e as despesas do Estado e que pediu a demissão em 2011 depois de o Parlamento rejeitar o seu plano de austeridade.


A crise financeira em Portugal teve um impacto negativo na economia, no emprego, na dívida pública e nas condições de vida da população. Portugal teve de pedir um resgate financeiro à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional em 2011 o que implicou medidas de austeridade e reformas estruturais1.


É importante notar que Cavaco Silva, em várias ocasiões, criticou os governos socialistas, incluindo o de José Sócrates. Por exemplo, afirmou que o governo do PS liderado por José Sócrates “deixou o país na bancarrota” e o governo de António Costa, apesar dos apoios europeus, "vai deixar ao próximo Governo uma herança extremamente pesada". Que herança? As contas certas?


Aníbal Cavaco Silva parece ter entrado em delírio político e esquecimento próprios da idade causada por arteriosclerose porque se esqueceu de que   os seus governos nada foram de especial porque nas mesmas circunstâncias se uma qualquer personagem de banda desenhada fosse primeiro-ministro entre 1985 e 1995 os resultados não seriam muito diferentes e talvez esta última possibilidade nos tivesse poupado ao governo cavaquista. 


Cavaco Silva que disse estar fora das funções políticas sabe como o povo tem memória curta, mas convém recordar convém recordar as cargas policiais que estudantes do secundário e das universidades levaram, convém recordar que polícias foram obrigados a confrontar outros polícias no Terreiro do Paço, no famoso episódio de secos contra molhados.


Segundo o DN há cerca de 34 anos uma manifestação de polícias foi reprimida com bastonadas, cães e canhões de água, ficando conhecida como "secos e molhados". Os polícias manifestaram-se para exigir, sobretudo, liberdade sindical, uma folga semanal, transparência na justiça disciplinar com direito de defesa, melhores vencimentos e instalações.


E também convém recordar que, no governo do Prof. Cavaco, o dinheiro que veio de Bruxelas para aplicar na conversão e modernização da nossa agricultura foi mal aproveitado os jipes apareciam em vez de terras cultivadas. Incentivou a monocultura do eucalipto, investiu em centenas de quilómetros de autoestradas (não foi de todo mau), mas e se desinvestiu na ferrovia. Foi no seu tempo que o novo-riquismo floresceu.


Agora Cavaco Silva olha para os outros, mas assobia para o lado. Em 1995 o défice público era de -5,2% em percentagem do PIB, atualmente é de -0,3% (nº provisório).


E então, e as contas certas?


Para complementar este discurso das contas certas podem consultar aqui.


 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Porque não te calas? Não somos todos totós!

Cavaco Silva não se cala.png


O que escrevo na parte final do texto sobre as contas certas mostra que o Prof. Cavaco sabe muito bem não ser verdade  o que diz , mas serve para fazer de nós tótós.


Os ex-presidentes-Presidentes Cavaco Silva e Luís Montenegro talvez não tenham percebido que estão a prejudicar o PSD devido aos ímpetos do guru Prof. Cavaco.


Com ressentimentos em relação ao passado e ao situar-se nas trevas da “sua” economia e nos espaços bolorentos do seu entendimento do que é a moderna governação, tenta também enganar-nos. Curioso é que o Prof. Cavaco teça afirmações absurdas, urdidas durante os seus intervalos de letargia política. Senão vejamos. Esclareço desde já que, o que escrevo adaptar-se-ia a qualquer governo, fosse de que partido fosse em função se ao mesmo fossem dirigidas absurdas acusações opinativas.


Afirma aquele douto e ex-professor de economia que as “contas certas” foram uma armadilha montada pelo Governo socialista para “com sucesso, desviar a atenção dos órgãos de comunicação social…”. Parece ser uma afirmação sectária com alguma pinta de senilidade.


A primeira questão que Cavaco Silva não explica é se deve, ou não, qualquer governo defender contas orçamentais certas. Parece que do ponto de vista de Cavaco Silva, ao defender-se o primeiro pressuposto é uma armadilha distrativa para desviar a atenção dos governados e quem não defende o segundo pressuposto cai no despesismo e é criticado na mesma.


Segunda questão: ficamos sem saber se, conforme o ponto de vista do especialista Cavaco Silva, o Governo socialista deveria deixar, ou não, derrapar as contas públicas.


Terceira questão:  caso as contas públicas tivessem derrapado o que diria Cavaco Silva, nas circunstâncias atuais, sobre as contas do Governo?


Quarta questão: é a dúvida que nos levanta a afirmação de Cavaco Silva quando escreveu que “Nos capítulos sobre política orçamental dos tratados de Finanças Públicas, “contas certas” é um conceito que não existe”, e acrescenta “o que estará subjacente à expressão vaga e nebulosa “contas certas” inventada pelo poder socialista?” O conceito pode não existir, mas o que de certeza existe é o equilíbrio das contas públicas, o que vai dar no mesmo que sempre é recomendado. Então, e a redução da dívida pública que também foi diminuída também não interessa?


Expliquem-me por favor para ver se eu entendo: então ele e os seus seguidores da oposição de direita PSD andaram anos a criticar os governos socialistas pelo despesismo do Estado com alertas sobre a bancarrota por que o Estado, por falta de recursos financeiros, pudesse vir a não conseguir cumprir com suas obrigações financeiras. Agora o acerto das contas, as ditas contas certas são coisa que não existe?


Veja-se  o que disse o ex-Presidente da República Aníbal Cavaco Silva em maio de 2023 durante o discurso no Encontro Nacional do PSD: “os dados ‘vergonhosos’ movidos pelo PS foram salvos pelo antigo primeiro-ministro Pedro Passo Coelho que “Tirou o país da bancarrota”. Mas, então o país estava na bancarrota porque tinha contas certas ou foi por que menosprezou o problema das contas certas?


Afirmou ainda que “o governo do PS liderado por José Sócrates “deixou o país na bancarrota” e o governo de António Costa, apesar dos apoios europeus, “vai deixar ao próximo Governo uma herança extremamente pesada”. Mas, então, mais uma vez em que ficamos? Como diz o povo é preso por ter cão e preso por não ter? Não sou economista, mas o meu conhecimento penso ser suficiente para contra-argumentar escritos que facilmente caem no populismo.


Há vantagens e desvantagens do que ao equilíbrio orçamental diz respeito, assim, os déficits públicos referem-se à diferença entre as receitas e os gastos do governo em um determinado período. Existem vantagens e desvantagens associadas em função do contexto económico e político quando se analisam esses aspetos em função dos tempos de recessão ou desaceleração económica. Os déficits podem ser usados para financiar gastos públicos que estimulem a atividade económica e podem incluir investimentos em infraestrutura, programas de emprego e outros estímulos à economia como financiar investimentos em projetos de infraestrutura, educação e investigação, o que pode contribuir para o crescimento económico a longo prazo e para melhorar a competitividade do país.


Por outro lado, alguma flexibilidade orçamental permite ao governo responder a situações imprevistas, como desastres naturais, crises económicas ou emergências em saúde pública.


Em períodos de baixas receitas fiscais devido a recessões os déficits podem ser usados para manter a prestação de serviços públicos essenciais, evitando cortes severos que poderiam prejudicar a qualidade de vida.


No outro prato da balança encontramos as desvantagens dos déficits:


Endividamento, isto é, déficits frequentes podem levar a um aumento da dívida pública cujo pagamento de juros sobre essa dívida pode consumir parte significativa do orçamento do governo a longo prazo, limitando a capacidade de investir em outras áreas.


Inflação, quando circula muito dinheiro e o aumento nos níveis de preços pode prejudicar o poder de compra dos consumidores e afetar negativamente a economia.


Custos futuros quando o aumento contínuo de déficits pode resultar em custos significativos para o governo e o pagamento da dívida pode tornar-se pesado e levar os governos a ter que implementar medidas impopulares, como aumentos de impostos ou cortes de gastos. Veja-se no tempo de Passos Coelho resultado das políticas atribuídas a José Sócrates.


Necessidade de depender de crédito de empréstimos para financiar déficits e dependência de credores o que pode limitar a autonomia política e económica. Isto o Prof. Cavaco sabe muito bem, mas quer fazer de nós totós.


Por outro lado, é de salientar que a avaliação dos déficits públicos deve ser feita considerando o contexto específico de cada circunstância do país e internacionais. O equilíbrio entre vantagens e desvantagens muitas vezes depende da forma como os déficits são utilizados e da capacidade do governo em gerir suas finanças de maneira sustentável.


Mais ainda, Cavaco Silva recorre a outros economistas para defender a sua tese das ‘contas certas serem um bluff’, (palavra minhas). Um deles que já participou em eventos do BE e PCP, o que não traz mal nenhum, mas que o define como um economista de esquerda, apesar de se auto intitular como social-democrata radical.


Em agosto de 2018 o economista Ricardo Paes Mamede numa entrevista disse: “Sou economista social-democrata radical”. Na mesma entrevista afirmou que “Cavaco teve uma sorte enorme. Ele não é responsável por esse boom, e a parte em que é responsável mais-valia que não o fosse. É um momento verdadeiramente extraordinário na economia internacional, há uma quebra substancial do preço do petróleo, uma desvalorização forte do escudo face ao dólar, taxas de juro baixas e isso em simultâneo com a entrada de Portugal na então CEE, que significa um afluxo enorme de investimento direto estrangeiro ao país, de fundos europeus de coesão, para não falar do facto de que em 83 e 85 se esteve numa crise financeira profunda para haver o ajustamento externo, quando se sai da crise a tendência é para que haja crescimento. Cavaco Silva foi basicamente um sortudo dos diabos”.


Aqui está o que pensa da política cavaquista que enganou o povo durante os seus governos, mas que pretende agora enganá-lo com os seus argumentos falaciosos.


Sobre as contas certas o Prof. Cavaco sabe muito bem não ser verdade o que diz, mas serve para fazer de nós totós. É pena que alguns ainda acreditem