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terça-feira, 8 de outubro de 2024

Está em andamento a pesca aos votos

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Todos sabemos que os partidos políticos pretendem, nas circunstâncias que se proporcionem, influenciar os eleitores para recolherem o máximo de votos possíveis. Faz parte das democracias. Utilizam os meios ao dispor para atrair o voto. Para tal o Governo AD tem cedido às reivindicações da maior parte das organizações profissionais, quer do setor privado, quer do setor público seguindo a estratégia de colocar dinheiro em cima das reivindicações sociais e profissionais que se tornem incomodativos. Isto não significa que que não houvesse justeza nas reivindicações.


Quando se aproximam eleições a atividade e as estratégias desenvolvidas pelos partidos entram em efervescência com muita antecedência, quer seja para a manutenção do poder, quer seja para aumentar a sua força negocial, quer seja, ainda, para alcançar o poder.


No momento atual é o OE que serve para a manutenção do poder dado a força parlamentar que apoia o Governo ser ténue e só com negociações e alianças o conseguirá.


Mas outras eleições se aproximam, as autárquicas de 2025 que poderão decidir a continuação, ou não, do Governo AD (PSD e CDS).


Imigrantes e jovens estão na moda e os segundos são um eleitorado alvo apetecível. A maior parte dos partidos fazem entrar nos seus discursos a palavra jovens. Prometem-lhes tudo. Para ficarem e para regressarem, prometem-lhes benesses como o IRS jovem, habitação, transportes, baratos, etc.


O Governo distribui pelos mais variados rendimentos e aos mais diversos grupos de interesse, uns mais legítimos do que outros, para fingir que está a governar.


No dia 5 de outubro, dia das comemorações da Implantação da República, serviu para o Presidente da Câmara de Lisboa fazer também sua propaganda. Anuncia com pompa e circunstância a retirada do espaço da Igreja do Anjos na Av. Almirante Reis dos Sem-abrigo que há anos ali se instalaram. Estes Sem-abrigo foram retirados da zona da Igreja dos Anjos e hospedados em hostels por “tempo indeterminado” a custas dos impostos autárquicos. Este tipo de campanhas de autopromoção não resolve o problema.  Tratou-se apenas duma operação cosmética muito específica no tempo e no espaço. Os que dizem que Portugal precisa ainda mais de imigrantes poderia ver nestes Sem-abrigo uma percentagem significativa de imigrantes que perderam o emprego, não conseguem trabalho ou não têm salário que lhes possibilite pagar um teto para dormir.  


Para os partidos os imigrantes e os jovens estão agora no centro da política e os segundos são um eleitorado alvo apetecível. A maior parte dos partidos têm nos seus discursos a incidência da palavra jovens. Prometem-lhes tudo: habitação, transportes, baratos, e mais um manancial. O IRS jovem é uma bandeira da AD cuja eficácia é fortemente duvidosa conforme alegam vários organismos nacionais e internacionais para além de beneficiar filhos de classe mais altas que darão o nome para a compra para usufruir desta medida e depois fazerem negócios de sublocação ou de aluguer de quartos.


Segundo uma sondagem da RTP mais de metade dos jovens portugueses dos 18 aos 35 anos pensa sair do país. Não é certo que o IRS jovem conseguisse resolver o problema já que esta sondagem de opinião conclui também que os jovens querem carreiras profissionais que permitam ter tempo livre, e conciliar com a vida familiar assim como salários elevados.


Escrevi em março do ano corrente no blogue “A Propósito de Tudo” que “os pais e avós destas gerações não tiveram a vida nada facilitada. Tinham de trabalhar para pagar a habitação a alimentação e a educação dos filhos e em alguns casos até a deles próprios. Não tinham acesso à cultura nem a espetáculos porque o salário era muitas vezes contado para as despesas obrigatórias e os passeios e férias eram condicionados pela disponibilidade financeira.”  “O que vemos nas últimas décadas, sobretudo na época de primavera verão é a organização de concertos por todo país cujos espaços se esgotam e onde há consumo desenfreado de álcool (diga-se que é mais de cerveja), para já não falar das discotecas, restaurantes onde jovens consumem álcool à discrição com dinheiro grande parte das vezes abonados pelos pais.”


Também Filipa Roseta, vereadora da Câmara Municipal de Lisboa escreveu um artigo dito de opinião que o Público aceitou, mas que não é mais do que uma espécie de folheto propagandístico duma qualquer empresa de construção. É uma vulgar propaganda promocional do atual Presidente Carlos Moedas.  Publicado como artigo de opinião, não me pareceu que tal o seja visto que, segundo os mais diversos artigos de investigação em comunicação jornalística é artigo de opinião é um texto dissertativo-argumentativo em que o autor expressa as suas perspetivas e argumentos sobre um tema específico seguido de um desenvolvimento cuja argumentação é construída, culminando numa conclusão que resume a posição do autor e, por vezes, sugere soluções ou apela à ação. Não é o caso. Este artigo é um enumerar de dados estatísticos para preparara as eleições autárquicas do próximo ano.

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

A propaganda do diz que faz, promete, mas não faz

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Após um longo interregno de verão aqui estamos novamente com uma linguagem que todos percebam embora com opiniões com que todos concordem, mas é isso que se pretende, deste vez sobre o Governo e a sua impetuosa propaganda.


O senhor primeiro-ministro Luís Montenegro julga que os portugueses são estúpidos, mas não são. No encerramento da universidade de verão do PSD disse que não ser verdade que as medidas que o Governo tem tomado são eleitoralistas, mas que não são, porque as eleições são só daqui a quatro anos. Frase de Montenegro: “As eleições são só daqui a quatro anos”. É uma tentativa de desviar as atenções da realidade pois ele sabe muito bem, e nós também, que vai haver eleições autárquicas em 2025, importantes para o PSD, e, como tal, a estratégia eleitoralista é evidente. Aliás, a propaganda do Governo em várias frentes está em marcha é a única medida do Governo que funciona.


Em abril de 2023    José Gomes Ferreira e Bernardo Ferrão, esses partidários e vozes do dono da SIC consideravam o Executivo do então o primeiro-ministro António Costa de ter uma “máquina de propaganda”.


O que faz agora Luís Montenegro é o mesmo, mas mais primor. O que hoje observamos é a utilização exaustiva de redes sociais com sucessivos vídeos onde se passam mensagens e discursos de Luís Montenegro e de outros ministros. Os “briefings” com a comunicação social onde se gastam exaustivas e cansativas horas de apresentação de medidas do Governo pelo cansativo e monótono Ministro da Presidência Leitão Amaro, digo, ministro da propaganda, acompanhadas com visualizações em PowerPoint.


O Governo AD não conseguindo nem sabendo lidar com manifestações e contestações sociais e profissionais a única coisa que sabe é “oferecer” dinheiro para calar quem contesta e reclama independentemente das razões justas, ou não, que lhes assistam.


Os graves incêndios verificados em setembro que destruíram bens e vitimaram pessoas têm servido, também, para dar visibilidade à propaganda com iniciativas e promessas de reconstrução dos imóveis ou sua reparação e dos bens destruídos com a rapidez necessária e desejável, mas sem o controle que se impõe, face a potenciais abusos, pois as eleições autárquicas aproximam-se rapidamente.


Outra manobra de propaganda é o anúncio do Governo do plano para os media. Vamos ver o que aí vem. Uma medida de apoio governamental destinado aos media foi tentada pelo anterior Governo socialista que foi contestada por vários órgãos de comunicação social, entre eles o Observador que rejeitou, na altura, o apoio governamental concedido ao abrigo de programa destinado aos media.


 Um dos pilares em que assenta o plano para os media do Governo de Montenegro prende-se com “incentivos ao jornalismo e aos jornalistas, que é uma profissão que está em risco” e, finalmente, o outro pilar relaciona-se com o “combate à desinformação e com a literacia mediática”. Este é o que me parece ser o único que não pretende veicular os media aos interesses do Estado.


Recorde-se que na conferência dos 136 anos do Jornal de Notícias Luís Montenegro afirmou, sobre o plano de ação para os media, algo que me parece ser perigoso por se antever alguma influência do Estado nos media ao admitir financiamento público para a comunicação social. Afirmou ser “possível haver algum financiamento público” para a comunicação social, argumentando que “aqueles que cumprem serviço público naturalmente que devem esperar do Estado o reconhecimento do serviço que prestam”. Não será que isso pode conduzir no futuro ao “yes man” do media aos governos em exercício?


O caso da saúde é um caso típico de precipitações e incompetência da ministra na execução do que promete e na resolução dos problemas do SNS. Até há quem esteja a pedir que Governo tem de considerar demitir a ministra da Saúde para manter o SNS.


Distribuir dinheiro por todo o lado é a forma de fazer calar protestos sobre o que está a ser mal feito e o que não está a ser feito.


O caso do IRS jovem dirigido em proveito dos mais favorecidos é um caso que tem dado que falar e de disputas partidárias. Alguns partidos como a Iniciativa Liberal considera discriminatório. Também o FMI avalia como arriscado e sem garantias de servir para travar a emigração qualificada, havendo até quem sugira que a proposta é inconstitucional.


Outros partidos argumentam ainda que se opõem a esta medida, que é injusta porque não se aplica a 75% dos jovens que recebem mil euros. Aplica-se a quem ganha muito e deixa de fora a grande maioria das pessoas que ganham salários reais em Portugal, que são 1.000, 1.500 euros.


Enfim, há um anseio deste Governo e dos seus elementos para mostrar iniciativas e fazer promessas a executar rapidamente. Em todos os sentidos há mais uma imposição para a procura de divulgar publicamente o que fazem do que em mostrar o que já fizeram com resultados positivos.