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segunda-feira, 4 de novembro de 2024

O País e as pessoas pelo primeiro ministro

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Segundo uma sondagem da Universidade Católica a Aliança Democrática venceria se as eleições fossem hoje, mas a distância para o Partido Socialista não é muita, terá recebido alguns da Iniciativa Liberal que desceu um pouco e uns poucos do PS.


É o que se esperava. Depois de distribuir euros por tudo quanto movimentava e não movimentava, a euforia AD poderá sido desencadeada. É o bater de palmas de alguns, só de alguns, aqueles que o Governo pretende cativar para mais uns votinhos. Alguns pensionistas e reformados aplaudem os euros extra que já receberam, para eles é o milagre dos pães.


Há muitos outros que gratos ficaram pelas benesses concedidas a que mesmo aquelas a que tinham direito. Tudo propaganda no seu melhor. Daí o prémio de uns pontos dados nas intenções de voto. O anterior Governo PS não se pode escusar do que não fez e poderia ter feito em altura própria, oportunidades não lhe faltaram.


A palavra pessoas passou a ser utilizada nas intervenções de elementos do Governo, nomeadamente o primeiro-ministro e do seu propagandista oficial Leitão Amaro quando se referem a algo que fizeram ou dizem ter feito têm usado e a abusado da palavra “pessoas”.


Esta palavra que parece parafrasear a célebre frase de Bill Clinton: “É a economia, estúpido” a qual podemos substituir por são as “pessoas estúpido”.


Luís Montenegro parece estar a redimir-se e a fazer uma contrição do que disse em fevereiro de 2014, quando era líder parlamentar do PSD no governo de Passos Coelho que “A vida das pessoas não está melhor, mas a do País está muito melhor”.


Talvez por isso, Montenegro, agora nas suas intervenções, sempre que é oportuno refere a palavra “pessoas”. Vejamos alguns casos:


Discurso de encerramento do 42.º Congresso do PSD, o líder do PSD a prometia que o "foco no essencial foco dos problemas que afetam as pessoas…”. “Foco na condição de vida das pessoas e foco especial no apoio aos mais desprotegidos.”. (outubro de 2024).


Em maio de 2022 à pergunta feita pela LUSA “Se pudesse ser congelado hoje e acordar daqui a 500 anos, qual seria primeira coisa que ia querer saber?”: “Se aqueles que vieram a seguir a mim, os meus filhos e a geração deles, tinha, de facto, vivido com mais condições do que aquelas com que eu vivo. …Acho que o fim último da política é servir as pessoas, …”.


Numa entrevista à SIC a 8 de outubro de 2024 dizia “eu não governo a pensar naquilo que os partidos dizem no parlamento… eu governo a pensar nas pessoas”.


E, mais uma vez a 31 de outubro Luís Montenegro reagiu à aprovação do OE na generalidade afirmando que esta é uma proposta que “serve os interesses das pessoas e do país”, acrescentou neste caso a palavra país.


E, assim, lá se vai indo também com a ajuda do Ministro da Presidência Leitão Amaro, publicitário do Governo, que vai fazendo anúncios e peças de comunicação que, com algum atabalhoamento e falhas de dicção, divulga as iniciativas do Governo.

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Está em andamento a pesca aos votos

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Todos sabemos que os partidos políticos pretendem, nas circunstâncias que se proporcionem, influenciar os eleitores para recolherem o máximo de votos possíveis. Faz parte das democracias. Utilizam os meios ao dispor para atrair o voto. Para tal o Governo AD tem cedido às reivindicações da maior parte das organizações profissionais, quer do setor privado, quer do setor público seguindo a estratégia de colocar dinheiro em cima das reivindicações sociais e profissionais que se tornem incomodativos. Isto não significa que que não houvesse justeza nas reivindicações.


Quando se aproximam eleições a atividade e as estratégias desenvolvidas pelos partidos entram em efervescência com muita antecedência, quer seja para a manutenção do poder, quer seja para aumentar a sua força negocial, quer seja, ainda, para alcançar o poder.


No momento atual é o OE que serve para a manutenção do poder dado a força parlamentar que apoia o Governo ser ténue e só com negociações e alianças o conseguirá.


Mas outras eleições se aproximam, as autárquicas de 2025 que poderão decidir a continuação, ou não, do Governo AD (PSD e CDS).


Imigrantes e jovens estão na moda e os segundos são um eleitorado alvo apetecível. A maior parte dos partidos fazem entrar nos seus discursos a palavra jovens. Prometem-lhes tudo. Para ficarem e para regressarem, prometem-lhes benesses como o IRS jovem, habitação, transportes, baratos, etc.


O Governo distribui pelos mais variados rendimentos e aos mais diversos grupos de interesse, uns mais legítimos do que outros, para fingir que está a governar.


No dia 5 de outubro, dia das comemorações da Implantação da República, serviu para o Presidente da Câmara de Lisboa fazer também sua propaganda. Anuncia com pompa e circunstância a retirada do espaço da Igreja do Anjos na Av. Almirante Reis dos Sem-abrigo que há anos ali se instalaram. Estes Sem-abrigo foram retirados da zona da Igreja dos Anjos e hospedados em hostels por “tempo indeterminado” a custas dos impostos autárquicos. Este tipo de campanhas de autopromoção não resolve o problema.  Tratou-se apenas duma operação cosmética muito específica no tempo e no espaço. Os que dizem que Portugal precisa ainda mais de imigrantes poderia ver nestes Sem-abrigo uma percentagem significativa de imigrantes que perderam o emprego, não conseguem trabalho ou não têm salário que lhes possibilite pagar um teto para dormir.  


Para os partidos os imigrantes e os jovens estão agora no centro da política e os segundos são um eleitorado alvo apetecível. A maior parte dos partidos têm nos seus discursos a incidência da palavra jovens. Prometem-lhes tudo: habitação, transportes, baratos, e mais um manancial. O IRS jovem é uma bandeira da AD cuja eficácia é fortemente duvidosa conforme alegam vários organismos nacionais e internacionais para além de beneficiar filhos de classe mais altas que darão o nome para a compra para usufruir desta medida e depois fazerem negócios de sublocação ou de aluguer de quartos.


Segundo uma sondagem da RTP mais de metade dos jovens portugueses dos 18 aos 35 anos pensa sair do país. Não é certo que o IRS jovem conseguisse resolver o problema já que esta sondagem de opinião conclui também que os jovens querem carreiras profissionais que permitam ter tempo livre, e conciliar com a vida familiar assim como salários elevados.


Escrevi em março do ano corrente no blogue “A Propósito de Tudo” que “os pais e avós destas gerações não tiveram a vida nada facilitada. Tinham de trabalhar para pagar a habitação a alimentação e a educação dos filhos e em alguns casos até a deles próprios. Não tinham acesso à cultura nem a espetáculos porque o salário era muitas vezes contado para as despesas obrigatórias e os passeios e férias eram condicionados pela disponibilidade financeira.”  “O que vemos nas últimas décadas, sobretudo na época de primavera verão é a organização de concertos por todo país cujos espaços se esgotam e onde há consumo desenfreado de álcool (diga-se que é mais de cerveja), para já não falar das discotecas, restaurantes onde jovens consumem álcool à discrição com dinheiro grande parte das vezes abonados pelos pais.”


Também Filipa Roseta, vereadora da Câmara Municipal de Lisboa escreveu um artigo dito de opinião que o Público aceitou, mas que não é mais do que uma espécie de folheto propagandístico duma qualquer empresa de construção. É uma vulgar propaganda promocional do atual Presidente Carlos Moedas.  Publicado como artigo de opinião, não me pareceu que tal o seja visto que, segundo os mais diversos artigos de investigação em comunicação jornalística é artigo de opinião é um texto dissertativo-argumentativo em que o autor expressa as suas perspetivas e argumentos sobre um tema específico seguido de um desenvolvimento cuja argumentação é construída, culminando numa conclusão que resume a posição do autor e, por vezes, sugere soluções ou apela à ação. Não é o caso. Este artigo é um enumerar de dados estatísticos para preparara as eleições autárquicas do próximo ano.

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Papel da oposição na política - deve a oposição ajudar a governar?

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Desde abril de 2024 que o primeiro-ministro Luís Montenegro disse contar com a “responsabilidade” da oposição, especialmente do PS, para o “deixar trabalhar” este mantra da “responsabilidade” tem sido sistematicamente repetido nas mais variadas circunstâncias e tem vindo em crescendo à medida que se aproxima a apresentação e a discussão do Orçamento de Estado.


Na mesma altura Pedro Nunes Santos do Partido Socialista afirmava que o “PS será ‘oposição de alternativa’ e não ‘bota-abaixo ou muleta’ e em maio avisava que o PS não estaria na oposição “a fazer figura de corpo presente”. Foi a resposta ao desafio do Governo AD. Acrescentou ainda que a “Responsabilidade de apresentar OE e garantir condições de viabilização é do Governo e não do PS.” É evidente que assim deverá ser ou, então, a oposição passaria a ser apenas um coadjuvante do Governo.


Todavia como segundo sondagens ninguém pretende eleições antecipadas há que haver algum sentido de responsabilidade sem desvirtuar o papel que deve ter a oposição. Ninguém pretende uma crise política nem eleições antecipadas, contudo a perceção que temos do que se passa é a de que o Governo parece querer que seja aberta.


Cada partido tem o seu projeto de governo, o seu programa próprio, as suas estratégias, (seja ela boas ou más conforme as perspetivas), o Governo não pode, por isso, impor à oposição que siga propostas e o programa que não seja o seu e acusá-la de bloquear governação.


A oposição tem o dever de questionar e de criticar o Governo pelo que faz e pelas medidas que toma, caso contrário teríamos uma governação AD monolítica com uma oposição de fachada.


Se analisarmos qual deve ser o papel da oposição ou das oposições, como lhe queiramos chamar, nos regimes democráticos liberais verifica-se que depende de diferentes pontos de vista e das finalidades na execução dessa oposição. Em democracias e nos regimes parlamentares pluripartidários a oposição é essencial. Em países onde existem simulacros de eleições e onde a oposição é apenas manobra de fachada ou onde se eliminam liminarmente os adversários políticos não podemos dizer que haja democracia.


Numa determinada legislatura os partidos que se encontram na oposição são frequentemente colocados no quadro de irresponsabilidade pelo governo ou pelos partidos que o apoiam. Este tipo de mensagem é normalmente passado pelos apoiantes do Governo, isto por que, não acatam seguir a mesma linha de atuação decisória seguida pelo governo em funções.


No geral, podemos concluir que a responsabilidade da oposição se desdobra em torno do desempenho da responsabilidade do governo e em torno dos objetivos estratégicos partidários da oposição.


Em sistemas democráticos parlamentares não existe um sistema onde o governo possa sobreviver contra a vontade do parlamento. A existência de representantes eleitos que se opõem ao governo é uma marca da democracia parlamentar moderna quer no que se refere à responsabilidade do governo, quer face ao parlamento que em Portugal é designado por Assembleia da República.


A oposição parlamentar critica o governo, expressa dissidência em relação às suas ações e serve como uma voz para as opiniões minoritárias relativamente ao Governo. O que distingue da oposição parlamentar, no entanto, é que, ela procura desafiar, o governo. O mecanismo mais direto durante uma legislatura pelo qual a oposição pode acabar com o governo é o voto de desconfiança, mas nem sempre isso é viável.


Espera-se que dos partidos políticos que estão na oposição que desenvolvam uma alternativa política ao Governo. Os eleitores que olham para uma oposição que decide cooperar com o Governo, esta a deve ser capaz de explicar porquê e em que medida essa cooperação faz sentido no contexto do seu programa político.


Em Matos Correia do PSD escrevia no Expresso que “Luís Montenegro tem deixado claro que a missão do PSD, enquanto principal partido da oposição, não é constituir muleta do governo socialista. É afirmar uma alternativa.” Ora aqui está, veja-se agora o reverso da medalha, o PS deve, e bem, seguir o mesmo slogan.


O que se passa com o Governo AD é que pôs em funcionamento uma máquina propagandista que chega à saturação. Tomou medidas de cópia pegando no que o PS deixou em aberto e não executou e noutras que copiou como foi o caso daquelas do bónus a alguns pensionistas valendo-se dos excedentes orçamentais dos governos PS.


Quanto à crise na saúde nada de novo, continua o descalabro devida à incompetência de uma ministra arrogante que tenta face às críticas, perante a câmaras das televisões fazer esgares de sorrisos simpáticos.


A oposição não serve para dar abraços ao Governo, mas para criticar as suas medidas no sentido da melhoria e fazê-lo cumprir o que prometeu desde que não colida com o próprio programa da oposição. Não queremos um parlamento do tipo  União Nacional, mas também não queremos sem mais dar aquela palha eleições sem uma forte justificação plausível.

quinta-feira, 7 de março de 2024

Os regressados do além e o cumprimento de promessas

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Luís Montenegro parece estar determinado em mostrar um PSD com um olhar para o futuro, mas mostra ter mais confiança no passado a que recorre na campanha eleitoral. Estes, os que ele chamou, são escolhas do passado para atrair os solitários militantes ou eis militantes do partido que nada terão para oferecer a não ser comentar políticas clubistas partidárias.


Se a AD ganhar quem vai perder seremos todos. Uma coisa é certa, a direita terá maioria na Assembleia da República, sim, porque não nos podemos que esquecer que os votos no Chega também contam.


Luís Montenegro está focado em olhar para o futuro, mas parece querer um regresso às políticas do passado. As propostas que ele diz poder executar são uma ficção tendo em conta a adversidade que pode ocorrer devido aos conflitos internacionais que poderão condicionar o Orçamento do Estado. Há que ter em conta a rubrica destinada à defesa que já foi debatida na U.E. que terá de ser aumentada restando menos para o cumprimento de promessas. Se essa adversidade acontecer, o que é o mais provável, Montenegro terá uma desculpa para não poder executar essas promessas.


Não basta dizer nem prometer, é saber se se pode fazer e cumprir. Se a velha AD ganhar a ver vamos se as promessas se cumprem! Se assim for, de qualquer modo, teremos de esperar sentados porque só lá para 2028, antes de novas eleições.

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

A morte anunciada de um Orçamento Estado

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Logo após a notícia do chumbo do Orçamento de Estado para 2022 veio-me à memória o de livro de Gabriel Garcia Marquez, Crónicas de uma Morte Anunciada do qual faço uma sinopse: um jovem vítima da denúncia falaciosa de uma mulher repudiada na noite de núpcias, foi condenado à morte pelos irmãos da sua hipotética amante, como forma de vingar publicamente a sua honra ultrajada sob o olhar cúmplice ou impotente da população expectante de uma aldeia colombiana. O enredo do livro, baseado numa história verídica nada tem a ver com política, mas serviu-me como raciocínio através do qual inferi de uma semelhança não comprovada um facto de semelhança comprovado, a morte anunciada do orçamento.


O destino do O.E. já seria conhecido de antemão por todos e apenas um milagre ou passe de magia poderia salvá-lo embora muitos acreditassem anda que poderia passar.  O chumbo do Orçamento despertou a indignação de uns, a satisfação de outros e a tentativa de distorção do facto por outros. A indiferença, o desprezo e o egoísmo partidário e introvertido levaram a que dois partidos, o BE e o PCP, acabassem regendo o processo que culminou simbolicamente na morte da vítima que é o interesse do país e dos portugueses.


Antes da votação final a morte anunciada do O.E. despertou nas pessoas, comentadores e analistas políticos sentimentos diversos e conflituantes por entre visões diferentes, especialmente nos atores durante a discussão do objeto do litígio.


Alguns ouvintes e observadores da trágica anunciação colocaram-se em posição de descrença, acreditando devotamente que os executores da sentença de morte não levariam o seu plano adiante. Para outros, o ódio nutrido pela vítima, leia-se orçamento, resultou numa posição de indiferença quanto ao resultado provável, a sua morte. De qualquer modo o que se observou, em quase todas as reações, foi que, a despeito da trágica notícia da morte ser por todos previamente conhecida, ninguém agiu exceto a já conhecida vítima o protagonista no sentido de evitar o resultado final.


Quem provocou a crise não foi a direita, mas ajudou, foram as esquerdas radicais. A direita foi honesta. Desde o início que O.E. se não fosse alterado não era o que aprovariam, e, muito menos, após os ajustes dados como benesses aos dois partidos à esquerda do PS.  Por outro lado, um entendimento à direita foi logo rejeitado por António Costa ao dizer em agosto que “No dia em que a subsistência deste Governo depender de um acordo com o PSD, nesse dia este Governo acabou”. Pois foi, acabou pelas mãos dos antigos parceiros do PS.


A ideia inicial de acabar com os muros que, ao longo dos anos, marginalizavam os partidos à esquerda do PS foi democrática, idealistas, romântica.  Depositavam-se muitas esperanças na aproximação. Todavia, pareceu uma ingenuidade da parte de António Costa e de alguns setores do PS meterem-se na cama com o “assassino”, nome de filme um cujo título é “Dormindo com um Assassino”. Em 2015 alguém disse que aqueles dois partidos não eram de fiar.


Com a assombração da perda de votos nas eleições que os penalizaram posteriormente ao acordo o PCP e o BE começaram a ver no PS o seu principal inimigo e direcionaram a sua tática para o combater a qualquer preço.


A estabilidade e a sobrevivência política que se viveu até ontem foi baseada num paradigma que, em vez de olhar para o futuro, visava apenas o combate à herança de Passos Coelho que agora ameaça regressar. O que prevaleceu no final foi o desprezo pelos interesses do país em favor dos dogmas partidários das esquerdas radicais Bloco e PCP que só sobrevivem do protesto, das greves e do combate ao modelo social e económico europeu, da aversão ao mercado e ao liberalismo europeu que um partido social-democrata como o PS perfilha.


É o regresso à praia preferida do PCP e do BE onde, só aí, sabem surfar e conseguem sobreviver às ondas da democracia. Neste aspeto há semelhanças com a extrema-direita que se congratula, a única que ganhar porque prospera por entre os pântanos políticos.


Os políticos pressionados pelos seus partidos têm o centro do olhar no seu umbigo, com um sectarismo cego obediente às estratégias partidárias. Na política as estratégias são necessárias quando o objetivo é o de chegar ao poder deixando os interesses da maioria do povo para segundo plano. A extrema-esquerda não têm esta ambição porque estes partidos sabem que, isoladamente e através de eleições, nunca chegarão ao poder. A sua política centra-se na instabilidade usando tudo o que a democracia lhes permite como manifestações, greves, movimentos sindicais. Se estas estratégias há tempos eram apenas das extremas-esquerda hoje em dia as extremas-direita adotaram as mesmas e infiltrações em manifestações para provocarem instabilidade.


A política como atividade ocupacional que nós todos pagamos deveria ter a função de conseguir articular equilíbrios o que exige a capacidade de julgamento, visão de conjunto, prudência, intuição, sentido de tempo e de oportunidade, jeito e disposição para tomar decisões sobre assuntos sobre as quais não existem certezas absolutas. A falta destas qualidades revelou-se nos políticos de todos os partidos à esquerda do PS ao chumbarem o Orçamento de Estado com exceção do PAN e das deputadas não inscritas.


A política não serve apenas para gerir objetivos governativos ou de oposição tem mais que ver com ponderação sobre o significado social das decisões, certas ou erradas, que se tomam assim como da sua oportunidade e do modo como podem afetar as pessoas. É disto que o PCP e o BE têm falta, - e não apenas estes - centrando-se, como já afirmei, no seu umbigo partidário dogmático mesmo em situações cuja gravidade nos afetará a todos. A questão ideológica está entranhada no inconsciente revolucionário daqueles partidos que vem do passado, é uma espécie de arquétipo que se sobrepõe à racionalidade e ao bom senso.


A essência ideológica dos partidos da esquerda radical ainda se mantém, contudo, personalizou-se, deu lugar simultaneamente à personalização da decisão que é aceite por um “mercado” eleitoral amorfo e ideologicamente desinteressado. O eleitor vota por vezes no sujeito A ou no sujeito B e não da ideologia que move os partidos em que votou.  

terça-feira, 26 de outubro de 2021

As intenções na negociação política

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Quando não se pretende que uma negociação entre vários elementos com interesses divergentes não resulte, ou não chegue a bom termo, basta que entre os participantes seja suficiente que, pelo menos um, apresente propostas que à partida sabe que são inaceitáveis, fica o caso arrumado. Acabam-se os acordos. Esta é a estratégia.


O nome do título sugere uma intenção que pode ser um propósito com um móbil por trás das intenções manifestadas que são desconhecidos por uma das partes.


Os partidos da extrema-esquerda, etiqueta de que estes não gostam, pretendem agora justificar o injustificável e apelam às emoções de quem os ouve. Um, o PCP, baseia-se no choradinho dos salários baixos e no salário mínimo, porque sabe que é por aí que capta pessoas. Outro, o BE, pela voz da Catarina Martins, com aquela modulação na voz, mais ou menos comicieira que parece irá chorar clama e insiste para que o Governo explique porque não os aceita os pontos que tem apresentado. Então Catarina, a sua falácia parece ser de quem tem estado desatenta. Não tem ouvido que no momento há situações que não podem ser ultrapassáveis? Catarina e Jerónimo não devem estar a falar para o país, mas para dentro dos partidos de para os seus adeptos.


Quando não se pretende que uma negociação entre vários elementos com interesses divergentes não resulte, ou não chegue a bom termo, basta que entre os participantes seja suficiente que, pelo menos um, apresente propostas que à partida sabe que são inaceitáveis, fica o caso arrumado. Acabam-se os acordos. Esta é a estratégia.


O que está realmente em jogo é que os litigantes não estão a falar entre eles, (refiro-me neste caso mais à veemência do BE e do PCP do que à do PS). Pelo contrário, dirigem-se principalmente a um público por cuja aprovação competem através de uma retórica construída com uma narrativa que pensam ser persuasiva, mas que se torna repetitiva, sem inovação argumentativa, enfim, aborrecida.


O BE e o PCP captam meras ocasiões oportunas para elevarem o seu prestígio aos olhos do público/potencias eleitores que são os verdadeiros destinatários da sua comunicação. Os seus discursos, e também de outros partidos, não têm servido para discutir ou tentar convencer o adversário(s) para arranjar soluções possuem mais um caráter plebiscitário à opinião pública que os possa legitimar.


Os políticos daqueles dois partidos têm a tendência para exagerarem e enfatizarem a eventuais polémicas estremando posições e pouco verosímeis. Estes tipos de atores vivem da controvérsia e do desacordo com o objetivo de obterem a atenção da opinião pública, mas também a manutenção da sua liderança dentro dos partidos e dos seus adeptos que permeiam a firmeza, mesmo que isso prejudique o país.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

A chantagem como arma política e partidária

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As máfias tipo Cosa Nostra funcionavam com sua hierarquia estrutura vertical e centralizada o que é incompatível com a flexibilidade negocial exigida hoje em dia pelos negócios de qualquer organização mesmo que mafiosa.


Os pedidos de favores que forem concedidos terão um custo que é a contrapartida que, quando necessário, e oportuno, os favorecidos terão que pagar através de um preço por vezes demasiado alto que não será apenas monetário. Para tal a “organização” exerce pressão sob a forma de chantagem.


Recordo-me de um filme muito antigo que vi em 1962 quando era jovem, Mafioso, realizado por Alberto Lattuada e protagonizado por Alberto Sordi no papel de Antonio Badalamenti. Nino, (Alberto Sordi), reencontra Don Vincenzo (Ugo Attanazio) o chefe da “organização”. Durante a narrativa fílmica vemos como, por pequenas etapas, uma armadilha fecha-se, pouco a pouco, sobre Nino, a partir do pedido do diretor da fábrica onde trabalhava para que ele leve um presente ao homem rico da sua aldeia. Em síntese: em vez de ir caçar perdizes e lebres, como pensava Nino é levado a “caçar” outro homem sob pena dele próprio e da sua família se transformarem em caça caso não o fizesse. Nino acabava de ser escolhido para realizar uma missão para a máfia. Mas nada lhe é dito abertamente, fica tudo subentendido em meias palavras.


O que é que o filme tem a ver com a aprovação do O.E.? Nada. Mas o facto é que podemos estabelecer uma analogia com o que se está a passar com os partidos da extrema-esquerda PCP e BE que têm feito, ao longo das últimas semanas, uma espécie de chantagem. Durante os dois últimos anos prestaram “favores” ao Governo PS aprovando orçamentos (no último apenas aprovado pelo PCP) , agora, como retorno desse favor, exigem-lhe um preço demasiado alto utilizando como arma (a chantagem) a possibilidade de não aprovação do Orçamento de Estado para 2022 que, nesta hora em que escrevo já foi anunciada. Pretendiam como objetivo final a obtenção de todas as exigências algumas delas impossíveis de cedência por colocarem em risco a sustentabilidade financeira e económica do país. Numa espécie de hooliganismo partidário não facilitaram nem possibilitaram qualquer espécie de consenso passando o Orçamento ser o da extrema-esquerda BE e PCP que passaria a ser uma mera amostra da razoabilidade do inicial.


 

sábado, 31 de outubro de 2020

Consensos ou não eis a questão

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Uma democracia não é um regime de acordos é conseguir conviver em condições de profundo desacordo, mas os desacordos por vezes são mais conservadores do que os acordos daí que a posição do BE seja estranha.


O orçamento para 2021 foi aprovado apenas pela maioria relativa do Partido Socialista já que os partidos PSD, Chega, Iniciativa Liberal e o Bloco de Esquerda votaram contra e a abstenção de duas deputadas não elegíveis e do PCP. Quanto a isto nada de novo, todos já sabemos.


Levanta-se aqui a questão dos consensos em democracia tão necessários nesta fase que atravessamos devido à covid-19, mas que falharam porque alguns olham para a sua capelinha para obtenção de ganhos, leia-se votos.


Quando há maioria absoluta quem decide é apenas um partido, com uma maioria relativa todos os partidos têm voz, mas é uma estrutura frágil daqui a importância de negociações e de consensos.


O que aconteceu com o orçamento para 2021 foi um autêntico conluio não formalizado entre os vários partidos para conseguirem, como num leilão, as melhores vantagens dum eleitorado neste momento mais preocupado com a pandemia do que com as birrinhas partidárias.


Fazer política em tempos normais não é o mesmo nos tempos em que se exigem consensos mínimos quando tem de se enfrentar uma crise pandémica profunda, complexa e com consequências difíceis de antecipar.


Os tempos são muito exigentes e de respostas várias e variadas quando não se pode chegar nem dar respostas simultâneas com a mesma intensidade orçamental. Os tempos recomendam diálogo e capacidade para se fazerem concessões e não de entrar em guerrilhas e discordâncias movidas com o intuito de mostrar presença e força ao seu eleitorado.


Antes da aprovação do OE21 e de acordo com uma sondagem recente, da Aximage para o JN e para a TSF, 60% dos portugueses eram da opinião que o PCP e o Bloco de Esquerda deveriam viabilizar o Orçamento do Estado para 2021.  Entre os eleitores do BE 68% pensam o mesmo e apenas 15% defenderam o chumbo e 20% não têm ou não quiseram dar opinião bem como 61% dos comunistas e 67% dos inquiridos rejeitam uma demissão do Governo. Isto poderá vir a ter no futuro custos eleitorais para o BE.


Há incapacidade de aceitar, sobretudo para o BE, que não existe apenas uma verdade e uma forma de fazer as coisas. Este é o momento para aliviar a crispação e a tensão num contexto em que as pessoas exigem que os políticos se ponham de acordo para darem resposta aos seus problemas cujas propostas não podem ser de tal modo inexequíveis que possam vir a transformar um doente num morto.


Apesar de se ouvir dizer muitas vezes nos meios mais populares que os partidos não se entendem é preciso dizer que uma democracia não é um regime de acordos é conseguir conviver em condições de profundo desacordo. Devemos também dizer que os desacordos por vezes são mais conservadores do que os acordos daí que no que se refere ao orçamento já aprovado a posição do BE foi estranha. Ser fiel aos próprios princípios é notável, mas ao defendê-los sem flexibilidade condena-se à estagnação.


Os desacordos têm um prestígio relativo e exagerado. Radicalizar as posições é o procedimento a que mais se recorre para dar nas vistas, é um combate pelo protagonismo e pela visibilidade, é um recurso que é muito caro aos populistas, sobretudo os da extrema-direita. Veja-se quem está sempre em descordo com tudo no nosso Parlamento com a justificação de não pertencer ao sistema, mas faz os possíveis para fazer parte dele concorrendo por lugares que dele são parte integrante.  


Numa ocasião como esta que atravessamos estar contra é uma prática menos imaginativa do que chegar a um acordo. A discordância no caso do BE pareceu ser dirigida a um público por quem compete ao nível eleitoral e por ser a ocasião para falar apenas para eles e não para o seu interlocutor que é o Governo e para o bem do país.  


Os partidos mais radicais vivem da controvérsia e do desacordo porque dessa forma obtêm a atenção da opinião pública e publicada e também para o interior do próprio grupo, que premeia intransigências, a vitimização e a firmeza.


Parece que a dificuldade de chegar a um acordo proveio do facto de que qualquer acordo implica cedências e em algumas circunstâncias exige também o sacrifício de algum tipo de princípio e requer que se compreenda que existe uma grande diferença entre conseguir uma aspiração e decidir entre alternativas possíveis o que em política qualquer delas não está isenta de inconvenientes.


Nem sempre é possível fazermos tudo aquilo a que nos propusemos quer ao nível pessoal ou coletivo do que está em primeiro lugar da listas das nossas prioridades e as circunstâncias obrigam a que nos tenhamos de contentar com menos e até por vezes com muito menos, mas o espírito de fação que é intrínseco nos partidos mais radicais termina em polarização e tanto mais quanto há eleições a aproximarem-se convertendo a política numa campanha permanente.


O debate político entre o BE e o Governo, na primeira fase de aprovação do orçamento, fechou a porta ao consenso devido aos sonhadores populistas da extrema-esquerda que parecem desconhecer que a política é levada a cabo numa enorme quantidade de condicionantes que acham devem levantar voo sem quaisquer limitações.


O OE21 tendo sido aprovado na generalidade com algumas alterações devidas a negociações e consensos terá a seguir a discussão na especialidade que se prevê seja algo surrealista. Se não houver consensos à esquerda que tenham uma visão racional para o país em lugar de visões umbilicais partidárias as propostas e a miscelânea de pedidos de alteração vindas dos partidos serão tantas e tais que o orçamento final será uma amálgama impossível de gerir que nos pode levar novamente ao caos político e financeiro. Se assim for não apontem depois o dedo à direita e à extrema-direita. Os únicos culpados serão os parceiros de negociação que desertarem e que não se livrarão do cadafalso eleitoral.

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Quem anda a encher os balões da extrema-direita

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Há circunstâncias em que nunca é demais escrever por outras palavras sobre o que outros já escreveram quando se trata de soluções que, para satisfazerem clientelas e interesses partidários, e que comprometem a vida de todos e que mais tarde pagaremos com sacrifícios como os já suportados no passado com intervenções externas para gerirem os dinheiros que nos emprestaram.


Os últimos quatro anos foram compensadores e recuperamos com credibilidade e acerto das contas públicas e progressiva diminuição do desemprego, e tudo graças ao Governo do Partido Socialista, António Costa e dos partidos à sua esquerda, PCP e BE, estes com grande ginástica partidária.


Em tempo de sacrifícios sociais acrescidos por fatores psicológicos gerados por uma pandemia que nos chegou de fora o BE e o PCP pretendem agora que lhes seja dada a lua e o sol com pretensões de transformar este pequeno país em tamanho numa espécie amostra venezuelana. O governo socialista vai atrás e está a soprar o balão que irá encher o partido de ideias loucas e sem nexo que é o partido Chega. Ideias loucas e sem nexo que não devem nem podem ser desvalorizadas porque há eleitores que ficam sem jeito e vai de votar de seguida só para chatear. O Chega vai fracionar-se e abriu caminho a um novo partido Liga Nacional que vai integrar elementos do Chega e é declaradamente da extrema-direita dizendo que não o é, e até afirma que defende uma “democracia” com o aumento da autoridade do Estado e pretende ainda, diz, ter vontade de conquistar votos em todos os quadrantes políticos.


Mais um partido extremista com que o governo PS e António Costa podem vir a contribuir se continuarem a insuflar aqueles balões.


O perigo está no aproveitamento populista a partir das “deixas” que o primeiro-ministro António Costa e o PS têm andado por aí a sinalizar sem que o BE e o PCP se importem muito com isso visto estarem mais interessados no que se vai passar em relação ao Orçamento de Estado para poderem brilhar com mais um fartar vilanagem de distribuição daquilo há e do que não há já com olhos postos naquilo que para aí deve vir.


O primeiro superavit (excedente orçamental) na nossa democracia vai dar origem a um dos maiores défices da democracia assim como a dívida pública vai disparar sem certezas sobre o crescimento do próximo ano. Apesar deste cenário nada confortável apenas se discutem o interesse por parte dos radicais de esquerda (mais do BE do que do PCP) exigências sobre mais despesa pública, regressões em áreas onde começava a existir estabilidade, refiro-me a medidas no que respeita ao mercado de trabalho. Apenas se ouve falar em subsídios sociais, aumento de funcionários públicos, de investimento, de salário mínimo. Os radicais de esquerdem querem tudo, mais e mais. Isto parece um regresso ao passado troika. Nem aprece que estamos a viver uma das piores crises de sempre.


A inoportunidade de uma crise política que possa ser criada neste momento de crise económica e social nem tudo justifica, fazer concessões é uma coisa irresponsabilidade pelo aumento exagerado e até disparatado da despesa em áreas não essenciais neste momento é outra.


Se lermos as últimas sondagens verifica-se que a imagem do Governo e de António Costa estão em queda. Mas não basta verificar o facto devemos terá curiosidade de saber a causa, o porquê.


Já não refiro aquela estratégia falhada de António Costa aceitar convite para integrar a lista de honra da candidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica nem no afastamento do afastamento de Vítor Caldeira (embora dentro da lei) que teria sido afastado por causa do parecer crítico que o Tribunal de Contas elaborou relativamente à lei das contratações públicas que é outra barracada que abre portas a corrupções e ao fartar vilanagem quando chegarem os dinheiros da U.E., entre outras. Admira-me que esta última tenha tido a cumplicidade de Rui Rio e a aquiescência do Presidente da República.


A menos de um ano de eleições autárquicas é incompreensível a preocupação do Governo em criar mais 600 novas freguesias, 600 novos lugares para os partidos eleitos, o que implica mais presidentes de Junta, mais membros dos partidos eleitos e a que se junta quem faz parte das Assembleias de Freguesia, isto depois de se terem eliminado 1168 freguesias e quase 10 mil cargos poupando dezenas de milhões sem cria problemas ao poder local. Mais um sopro para os balões da extrema-direita poderem berrar aos quatro ventos sobre os lugares criados para clientelas políticas. Mais despesa para o Estado.


Não há almoços grátis e o BE e o PCP são uns dos interessados que já em 2016 tinham entregado no Parlamento projetos de lei para propor a reposição das freguesias extintas ou anexadas ou que se juntaram. Será isto também uma exigência daqueles partidos para fazerem passar o orçamento?


Qual será então a quantidade de cargos que resultará de 600 novas freguesias? Segundo o Polígrafo «a Lei n.º 169/99 estabelece “o quadro de competências, assim como o regime jurídico de funcionamento, dos órgãos dos municípios e das freguesias”. No seu artigo 3.º define-se a composição das assembleias de freguesia: “A assembleia de freguesia é composta por 19 membros quando o número de eleitores for superior a 20.000, por 13 membros quando for igual ou inferior a 20.000 e superior a 5.000, por nove membros quando for igual ou inferior a 5.000 e superior a 1.000 e por sete membros quando for igual ou inferior a 1.000”, pode ler-se. “Nas freguesias com mais de 30.000 eleitores, o número de membros anteriormente referido é aumentado em mais um por cada 10.000 eleitores para além daquele número”». 


Se todas as novas 600 freguesias elegessem o número mínimo de representantes, seriam criados 4.200 novos cargos. No máximo, se todas elegessem 19 representantes, seriam 11.400 cargos. Em qualquer dos casos, o número ascenderia aos milhares. Pode ler mais aqui.


Esperemos que o Presidente da República mantenha o que afirmou ao dizer que não aceitará mexidas nas freguesias em vésperas de eleições autárquicas.


Temo é que António Costa tenha apanhado a covid-19 que lhe atacado a cabeça e lhe tenha provocado um sintoma desconhecido que lhe tenha transtornado a zona do bom senso que sempre teve.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Orçamento de Estado e os caminhos do Chega

Caminhos do Chega.png


Ouvindo os primeiros debates no Parlamento com o primeiro-ministro ficámos a saber pouco, mas o suficiente para considerarmos que algo começa mal. Da parte da oposição de direita, para além do tema da educação relacionado com a retenção de alunos no terceiro ciclo  a que chamaram passagens administrativas, pouco ou nada se tirou como útil das intervenções.


Lamentavelmente, os partidos mais à esquerda para mostrarem serviço ao povo pressionam e criticam tudo o que lhes possa trazer dividendo político e pretendem que tudo seja conseguido a muito curto prazo sabendo que não pode ser possível senão em tempo mais alargado.


O Governo precisa de aprovar o Orçamento de Estado para 2020 e, com uma maioria relativa, é pouco provável que o consiga sem a “companhia” de outros parceiros, os da esquerda.


Segundo o Diário de Notícias Rui Rio, presidente do PSD afirmou há dias "não ter dotes de bruxo" para definir a posição do partido em relação ao Orçamento do Estado para 2020, mas anteviu que será "muito difícil" que coincida com as linhas mestras dos sociais-democratas.


O que poderá ser considerado mais grave é que esse extremista André Ventura do partido Chega está a querer aproximar-se do PSD de Rui Rio para propostas sobre o orçamento para 2020.  


Talvez poucos saibam que Rui Rio e André Ventura estiveram reunidos na quarta-feira na Assembleia da República. Segundo o semanário Expresso o líder do Chega! pediu para falar com o líder do PSD, e Rio não se fez difícil - recebeu-o no seu gabinete no dia do primeiro debate quinzenal da legislatura. Falaram sobretudo do Orçamento do Estado e de eventuais pontos de convergência no que toca a propostas orçamentais para dinamizar a economia. Não fecharam nenhum compromisso, mas mantiveram a porta aberta a novas conversas.


Recordemos que André Ventura foi do PSD no tempo de Passos Coelho primeiro-ministro e aquando das eleições autárquicas era candidato a vereador à Câmara de Loures tendo feito declarações xenófobas consideradas graves sem que Passos, na altura, lhe tivesse retirado a candidatura ao contrário do CDS.


André Ventura está desesperadamente a pretender colar-se ao seu anterior partido, histórico da democracia, para tentar lavar a sua face como partido xenófobo, racista e de extrema-direita que o é de facto.


Ventura lá foi dizendo que “há abertura para falarmos”, acrescentando: “Tenho muitos amigos no Grupo Parlamentar do PSD.” Já da parte de Rui Rio parece ter sido afastada qualquer hipótese de uma estratégia conjunta entre ambos os líderes. “Faz parte do jogo democrático” receber outros líderes partidários, disse fonte oficial do PSD.


Esperemos que Rui Rio não caia nessa armadilha. Todavia não deixa de ser expectável que qualquer um dos outros candidatos à liderança do PSD, se ganharem a eleições diretas no PSD, possa não rejeitar acordo com aquele partido.


Para o PS a coisa não está promissora no que se refere a cedências aos partidos à sua esquerda. Há algo de preocupante em afirmações de António Costa no que diz respeito a taxas e impostos. Em resposta à pergunta do deputado do Chega sobre se o primeiro-ministro estava em condições de garantir que não aumentaria impostos diretos ou indiretos, nomeadamente dos combustíveis, António Costa respondeu que não garantia nada, justificando que estamos numa altura em que devido a questões climáticas se tomem medida que venham a estimular o consumo dos combustíveis fósseis.


Foi uma boa desculpa que dá jeito para abrir portas ao aumento dos impostos sobre os combustíveis. Há, contudo, uma situação complexa já que não se vislumbra como, sem soluções alternativas e sustentáveis, sem colocar em causa a economia. Os combustíveis fósseis são ainda a principal fonte de energia que contribui ainda para a mobilidade no contexto da economia. Pelas palavras do primeiro-ministro podemos prever, desde já, que irá haver uma subida do imposto sobre os combustíveis.


Concordo em que os salários, e as pensões, não apenas os da função pública, são muito baixos e necessitam de revisão, mas a função pública com os seus sindicatos absorvedores de recurso financeiros do Estado pelas reivindicações salariais e outras regalias deixam o setor privado em nítido prejuízo, por mais que os sindicalistas façam soar o contrário através dos ventos da comunicação social.


Costumam apontar-se, e com razão, os cortes nos salários, nas pensões e nos direitos do trabalho feitos pelo Governo PSD-CDS no tempo de Passos Coelho. Esse tempo já lá vai, e ainda bem, tendo sido a reposição, ainda que parcial, feita pelo anterior Governo com o apoio Parlamentar da extrema-esquerda a que chamaram geringonça. Há, contudo, uma comparação que podemos fazer: o governo PSD-CDS cortava, o anterior governo repôs e o atual poderá ainda vir a repor pouco mais, mas também poderá vir a retirar através de taxas e impostos para sustentar as reivindicações salariais exigidas pelos sindicatos da função pública e outros que trabalham para o Estado, enquanto há serviços públicos essenciais como a saúde e a educação que se encontram à míngua com falta de recursos humanos e materiais.


Agora são as polícias com reivindicações não menos justas, mas também a quererem tudo já.


Todos temos direito e gostaríamos de ter salários e pensões elevados e é aí que os partidos radicais de esquerda investem sabendo de antemão que dá popularidade. Não é por acaso que esses partidos espalham cartazes onde pretendem fazer passar a mensagem de que os aumentos salariais, ordenados mínimos e pensões são da sua autoria e concretização.


É por demais sabido que quando há aumentos na função pública se verifica o consequente aumento dos bens de consumo necessários no dia a dia.    


Se fossem aceites todos os pedidos o país voltaria a colapsar levando-o novamente ao incumprimento financeiro com a consequente bancarrota é isso que a direita pretende porque sabe que a levaria novamente ao poder só ou aliada a outros que com populismos e propostas irrealistas conseguiram penetrar através das portas da democracia na Assembleia de República.

sábado, 24 de novembro de 2018

Queremos tudo já, não importa como

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Segundo o jornal Público a bancada comunista vai votar a favor das propostas do PSD e do CDS sobre a contagem do tempo de serviço que esteve congelado das carreiras especiais da Função Pública, que incluem os professores, e que pretendem retomar as negociações entre os sindicatos e o Governo. Com esta posição assumida no âmbito do Orçamento do Estado (OE) para 2019.


O PCP tenta assim uma aproximação ao PSD, que é determinante na votação das propostas sobre esta matéria já que o PS deverá votar contra, tendo em conta o decreto-lei já aprovado pelo Governo sobre os professores.


As estratégias partidárias no que respeita ao congelamento das carreiras dos professores o PSD, CDS, BE e PCP e PEV cantam em uníssono já numa espécie de campanha pré-eleitoral onde o objetivo é evitar uma maioria absoluta do PS. Parece ser um entendimento para prejudicar o Governo e fazer uma oposição cínica, como o eram as combinações entre várias famílias da máfia que se juntavam para obterem vantagens em negócios (nesse caso ilícitos)  e depois se matavam entre si.


O PSD e o CDS votaram, ano após ano, o congelamento da carreira dos professores, dizendo expressamente que esses anos de congelamento não contariam como anos de serviço. O governo do PSD e CDS, com Passos Coelho como primeiro-ministro, tomou posse em junho de 2011 e durante o seu mandato de 2011 a 2105 o governo deles nada fez para o descongelamento das carreiras. Por outro lado, também nunca vimos do lado das organizações dos professores, especialmente da FENPROF, qualquer movimento para pressionar esse governo a descongelar as carreiras.



2011



2012



2013



2014



2015



"congelado"



"congelado"



"congelado"



"congelado"



"congelado"



365



366



365



365



365



A 1 de janeiro de 2011, então, a carreira voltou a “congelar”, situação que se mantém ainda hoje. Os professores que vincularam em 2013 e anos seguintes, independentemente do seu tempo de serviço, ficaram no 1.º escalão; há milhares de docentes retidos, há 7 anos, nos 4.º e 6.º escalões por nunca ter sido publicada a portaria de vagas para acesso aos escalões seguintes.


Ninguém lhes tira razão o que está em causa é a exigência temporal do pretendido. Não há dinheiro para tudo. Resta saber como a direita reagiria nas mesmas circunstâncias financeiras ao mesmo problema?


Claro que o CDS e o PSD, quando no governo, que foram os que mais arrasaram em direitos e salários a função pública, incluindo os professores, e muitos outros trabalhadores pretendem agora mostrarem-se os seus defensores, cavalgando a onda para obtenção de mais alguns votos.  Pela mesma e outras razões, mas incluídas na mesma maleta, o BE e o PCP pretendem o mesmo apesar de saberem da estreita margem que possam vir a conseguir. O seu número de votos para o PCP e para o BE não irão aumentar substancialmente e, por isso, adotaram outra estratégia bem definida: evitar a maioria absoluta ao PS, mesmo que, para isso, se aliem por conveniência à direita. Só com uma maioria relativa do PS o PCP e o BE podem conseguir uma aliança parlamentar na futura legislatura. Uma versão dois da “geringonça”. Todavia, segundo sondagem da Eurosondagem no dia 16 de novembro de 2018 e mantendo-se as pequenas oscilações parece que a coisa se complica mais para o PCP do que para o BE.


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Quando começa a verificar-se um ligeiro alívio da crise, sim, apenas ligeiro, que não dá para respirar fundo, as movimentações sindicais e outras inorgânicas da direita e da esquerda querem que tudo seja concedido com uma imediatez impossível. Esquecem-se de que há outros setores que, por não terem capacidade reivindicativa nem de mobilização para manifestações de rua ficam na escuridão vendo outros reclamar para obter o sol. Não são apenas os professores, cada vez são mais os pedem tudo ao Estado quando, no tempo em tudo lhes tiravam, retraíam-se e mesmo quando protestavam nada conseguiam.


Ao contrário do PSD e do CS que congelaram carreiras esquecem-se de que já foram neste momento descongeladas as carreiras de 32 mil professores e que até ao final deste mês,  conforme parece lhes foi prometido, mais 12 mil professores verão a sua carreira descongelada e no próximo ano serão mais 19 mil e até 2020, não haverá nenhum professor que não tenha tido uma progressão na sua carreira. Para quê colocar em perigo as finanças públicas que poderão por em risco aquilo que já foi conseguido e voltar tudo outra vez à mesma. Parece aqui haver uma teimosia dos sindicatos que possa por em causa a autoestima dos seus líderes enquanto dirigentes sindicais.


Para concluir parece que somos um país rico com crescimento económico e PIB exemplares:


Baixar já o IVA das touradas.


Baixar já o IVA dos festivais.


Queremos, já, aumentos salariais acima do razoável.


Queremos, já, integração de precários sem condições.


Querem, já, descongelamento de carreiras e que se conte os anos  e dias dos professores.


Os juízes vão na mesma onda.


Os médicos e enfermeiros também.


A FESAP quer o salário mínimo maior do que no privado. Aqui recordo-me de Passos Coelho quando lançava trabalhadores do público contra o do privado. Teria ele razão?


Etc., Etc.


PCP e BE apoiam. Estarão o PSD e o CDS a reboque?

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

À direita, ao centro, e à esquerda

Tendências de opinião.pngHá uma incessante preocupação da comunicação social pela procura de polémicas e mexericos jornalísticos que lhes cheguam por vias travessas posteriormente divulgados como sendo notícias importantes e essenciais para a informação do público


Talvez eu esteja a fazer uma leitura enviesada dos jornais, mas a sensação que tenho é de que há uma tendência para a procura do que é mau (as más notícias é que vendem é certo) secundada pelo superavit de comentadores que se esmeram no ataque a tudo quanto descubram que possa servir para atacar tudo do que a direita denomina de “geringonça”.


Tendencialmente, a direita começou a ganhar cada vez mais espaço em alguns jornais diários onde, não raras vezes, se intercalam opiniões do jornalista vindas, a maior parte delas, através da correia de transmissão dos quadrantes da direita. O jornal Público com a nova direção de David Diniz melhorou substancialmente. Se, por um lado passou a ser um pouco mais pluralista e independente, por outro, em termos de opinião, tornou-se tendenciosamente propagandista das opiniões de direita.


É raro o dia da semana que não pegue naquele jornal diário e, na última página, não me depare com os títulos de João Miguel Tavares, cujos artigos ocupam metade e que me obrigo a ler. Apenas escapa a segunda feira onde, na mesma página, um escaço espaço está reservado à opinião de Rui Tavares.


Longe vão os tempos da malfadados da censura prévia. Hoje em dia não há censura, mas há interesses, favoritismo, pressões das mais variadas origens que conduzem a oportunos reajustamentos. Num regime democrático tem que haver pluralidade de opiniões desde que, sejam válidas, credíveis, construtivas, formativas, justas e não panfletárias, sejam de direita ou de esquerda. A comunicação social não se pode transformar numa espécie de blogue analógico da direita, ou da esquerda se fosse esse o caso. Não pode ser como um blogue virtual que sirva uma qualquer tendência de aplicação de práticas política e onde se pode escrever tudo e se exprimem as mais diversas emoções com calor expositivo liberto de qualquer censura, o que é diferente de dar notícias, fazer comentários, dar opiniões, colocar ideias, pontos de vista, traçar orientações que sirvam todas as tendências. No caso atual não é quem ganhou a eleições que deve ter a primazia de ter mais tempo e espaço na comunicação social, mas quem tem maioria efetiva de representatividade. Mas com isso a direita não consegue conviver.


O que se passou na imprensa que hoje li foi isto:


- João Miguel Tavares escreve em título “É difícil ser de direita em Portugal”. De que se queixa se pode escrever quase diariamente o que lhe apetece na sua meia página do jornal Público. Fala de desigualdade de oportunidades na governação. Voltou outra vez a dezembro de 2015? Diz que há cortes com outro nome. Insinua que antigamente se chamava cortes nas pensões e nos salários de agora se chamam cativações. Cortes? Agora? Será mentira ou verdade? O que diz são falsidades para que conste, e baralhar a opinião pública. O que o irrita é que os sindicatos estejam agora calados quando tudo está tão mal (como a direita pretende fazer crer).  E, espante-se quem for de esquerda moderada ou radical. O senhor Tavares reclama para a direita a igualdade de oportunidades que não existe na política portuguesa. Qual? Simplesmente esta: a esquerda e os sindicatos agora não protestam como protestavam quando a direita de João Miguel estava no poder. Por outro lado, acha que por a direita por estar em baixo a igualdade de oportunidades deve ser reivindicada. É caso para lhe perguntar se a direita deu alguma oportunidade ao governo que derrubou em 2011, com o qual tinha assinado um compromisso tácito para aprovação do Plano de Estabilidade e Crescimento.


- Lançar intrigazinhas entre os partidos da maioria parlamentar passou a ser o prato principal da comunicação social e dos partidos da oposição. O Diário de Notícias, onde o seu diretor Paulo Baldaia, chama a tudo trapalhadas, esquecendo-se também ele, das que houve no tempo de Passos Coelho. As intrigazitas estão lançadas na marcação das suas diferenças entre eles sobre pensões e reformas em vez de marcarem as diferenças com o Governo anterior. Como?  Com o Governo anterior???


Vejam esta achazinha: “numa geringonça em que o instinto de sobrevivência obriga cada um a puxar para o seu lado, mas revela apenas um grau de cansaço que é sempre superior a quem tem de negociar, de forma permanente, agendas que buscam a popularidade.”


E mais esta: “É por isso que os tiros nos pés virão sempre com mais frequência dos membros do governo, sujeitos a uma agenda parlamentar que é preciso driblar. Na CGD, por exemplo, alguém consegue perceber qual foi a participação do Bloco e do PCP nesta história? Zero ou pouco mais do que isso! Não vejas, não ouças, não fales e nada de mal que aconteça é tua responsabilidade. Há coisas que se governam em segredo, para bem da coligação e para mal de quem decide.”


- Já cá nos faltava novamente o abutre e azedo, como diz Ferreira Fernandes, Wolfgang Shcäuble a elogiar o que se tinha feito com o anterior Governo e criticar o atual. Preconceito pura e simplesmente ideológico de uma visão de direita radical que ele quer impor e que ofende os portugueses, cujos seus líderes são eleitos democraticamente por sufrágio universal. Ficou a falar sozinho, é o que merece.


- Tenho azar, também com o Diário de Notícias que, às quintas feiras, apresenta as desvairadas e radicais opiniões de César das Neves que monopolizam mais de meia página. Expectante de potencias instabilidades políticas faz espécie de intrigazinha dizendo que “…comprar a paz social é fácil. Afinal, comprar a paz social é fácil. Veremos por quanto tempo.”


Trabalha e interpreta os números do orçamento para 2017 de forma conveniente e de acordo com os seus interesses ideológicos. Sempre fiel à Opus Dei e á U. Católica.


- A tónica da direita para a oposição enquanto vem e não vem o debate final sobre o Orçamento de Estado é fabricar inventividades sobre austeridades, milhões e mais milhões escondidos sobre os cortes na despesa dos ministérios (escreve uma tal Paula Sá), dramatização sobre missivas de Bruxelas que, afinal, sobre as quais Moscovici disse em Bruxelas que era procedimento normal e que, em princípio, tudo estava bem com o orçamento. Se bem me lembro, como dizia Vitorino Nemésio nas suas palestras, também se ouvia falar no tempo do Governo de Passos que era necessário cortar na despesa dos ministérios. Mas também se ouvia falar no corte de salários, reformas e pensões, etc., etc... No mesmo alinhamento está Maria Luís Albuquerque que pergunta em nome do PSD de Passos Coelho, em que serviços públicos o Governo vai cortar. É descaramento demais fazer esta pergunta que merece uma outra. Onde estava Maria Luís quando era Ministra das Finanças?  Desfaçatez não lhe falta.


A intrigazinha do PSD lá vai falando do silêncio cúmplice da CGTP e da Fenprof. A já conhecida estratégia da direita, lançar achas e intrigas para desestabilizar a maioria parlamentar. Será que poderão esperar sentados? Penso que sim.


- A Ordem dos Advogados daqui a algumas semanas vai eleger o seu bastonário que agora é Elina Fraga. Escavaram, escavaram e alguns lá descobriram um certo plágio numa das suas intervenções. Recordemos que Elina Fraga contestou muitas das medidas de Paula Teixeira da Cruz quando era ministra da justiça, nomeadamente a dita chamada reforma da justiça que na altura foi catastrófica.


Por último, a televisão que alinha com a direita, e segue uma trajetória de consumir tempo dos noticiários à volta da CGD, com cartas de Bruxelas sobre o orçamento, declarações de Shcäuble sobre o antes e o depois de Passos que nada mais serve senão para distrair dos problemas da banca da Alemanha. Estes alinhamentos apenas têm o objetivo de influenciar a opinião pública sobre com aspetos negativos artificialmente criados, à falta doutros argumentos para fazer oposição, que a direita não tem.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

IVA da restauração e o erro de António Costa

Restaurantes.pngEsta minha opinião em termos de notícia já está desatualizada, mas na vida real mantem-se atual. A promessa eleitoral de António Costa de baixar o IVA da restauração de 23% para 13% concretizado a partir de 1 de julho deste ano teve como consequência a quebra de receita cujo efeito no consumidor não se fez sentir e que agora tornou mais problemático a elaboração do Orçamento de Estado para 2017.


Poucos foram os restaurantes que mantiveram os preços, na generalidade, a maior parte deles, até o aumentou, e nos locais frequentados por turistas é melhor nem falar.


O índice de negócios do setor restauração e similares revelou em agosto, já deduzida a sazonalidade, um aumento significativo em comparação com 2015. Todavia, neste mesmo ano, a perceção dos frequentadores de restaurante era de que o negócio estava em alta, o que podia ser verificado pelo aumento da quantidade de pessoas a frequentá-los e pela abertura de novos espaços. Claro que a opinião dos representantes da restauração, como a de quaisquer outros setores, o negócio está sempre mau, mesmo que esteja melhor.


Não tenho a certeza absoluta se houve ou não crise na restauração, mas a perceção é de que houve de facto muitos restaurantes que fecharam e outros abriram com os chamados novos conceitos sobre os quais já me referi noutro “post”.


Em muitos dos restaurantes fora de locais insuportavelmente turísticos a inclusão nas ementas de doses e meias doses e dos chamados menus de refeição, como se verifica em Espanha e em França, pode ser um indicador do setor que a crise terá afetado alguns segmentos do setor.


Costumo andar por aí de norte a sul do país, quer seja de verão quer de inverno, é em Lisboa que passo a maior parte do meu tempo. Nestas deambulações frequento vários tipos de restaurantes dos quais excluo aqueles que são pertença de pretensiosos chefs que as televisões se encarregaram de publicitar com programas de culinária e concursos onde júris, mais ou menos emproados, classificam as iguarias dos concorrentes. Estes não são representativos da maior parte da população frequentadora de restaurantes, são destinados a uma classe que ainda aprecia comer com comodidade e experienciar uma dose de inovação e qualidade, mais do que quantidade, pelas quais pagam um elevado preço. A frequência de restaurantes classificados como casas de pasto, turístico-triviais, familiares, e outros, quer no interior, quer no litoral, e em cidades como Lisboa, leva-me a poder avaliar, embora subjetivamente, os preços e qualidade dos serviços, instalações e ambientes.


Começam a rarear os restaurantes onde podemos degustar uma refeição com mesas cobertas por toalhas de pano que, além de decorativas proporcionam comodidade distinguindo-se das mesas comedouro dos restaurantes abertos à luz de novos conceitos. Curioso é que até os mais populares ainda mantêm a sua tradicional cobertura de toalha de pano, embora com uma proteção de papel.


É vulgar vermos agora mesas de restaurantes com preços elevados, com mesas de madeira cobertas com toalhetes de papel ou sem eles dando à refeição a condição de estar a comer em cima duma tábua de madeira. Espaços há, que se refugiam na designação de tasca, não nos preços, onde se servem os clientes colocando diretamente sobre a mesa de madeira o prato e respetivos acessórios. São os novos conceitos importados de Paris. Baixa qualidade e alto preço. Curiosamente, esses locais de comedoria alguns dias da semana encontram-se plenos de clientela que paga mais do que o que o serviço e a qualidade merecem. Indiretamente, quem fornece o serviço está a chamar otários aos clientes que gostam de os frequentar.


A baixa do IVA da restauração de 23% para 13% foi uma bênção para os proprietários de alguns desses restaurantes que, para além disso, também limitaram a qualidade da oferta. 


No entanto ainda se encontram restaurantes, e são cada vez menos, a preços acessíveis, conceito também subjetivo, que merecem aquilo que se paga tendo em conta o atendimento, a comodidade, a variedade e a qualidade dos ingredientes.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Alerta! Alerta! Contra Costa estão


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Os partidos da direita estão alerta com tudo o que possam aproveitar para obtenção de mais uns votinhos aqui e ali nas próximas eleições legislativas. Até a Câmara de Lisboa serve para o propagandismo eleitoral. Os socialistas e António Costa sabem o que os espera até lá.


Luís Rosa, desde que assumiu a função de diretor do Jornal i, não mudou em nada as suas convicções liberais (ou neoliberais?) e antissocialistas. Não tinha que mudar, é certo, o que, aparentemente, poderá significar coerência política. Entrar numa síndrome do tudo quanto vem à rede é peixe para atacar o que venha dos socialistas e de António Costa não revela muita isenção. Como já seria de esperar o alvo é António Costa a propósito do orçamento da Câmara Municipal de Lisboa para desviar as atenções do Orçamento de Estado 2015 apresentado pelo Governo


No editorial de hoje no Jornal i, jornal que passou para a posse de capitais angolanos, e ainda bem porque o salvaram, Luís Rosa queixa-se do aumento de impostos através de taxas da Câmara de Lisboa. Todos nós no queixaremos sempre destas, e de outras taxas e impostos também criados pelo governo de terrorismo social de Passos Coelho.


Luís Rosa faz ginástica para demonstrar que também nesta gestão da câmara houve aumento de impostos e taxas. Para ele há uma taxa que, sobremaneira, vai afetar o turismo em Lisboa que é a taxa de 1 euro, que transforma em 7 euros, devido pelo desembarque e pelas dormidas por cada turista estrangeiro, que, diz, "vai afetar a competitividade do setor que tem vindo a crescer".


Sejamos claros, será que 1 euro a mais pago por um turista estrangeiro que nos visita vai pôr em causa a competitividade? Para o nível de vida e o poder de compra de quem nos visita mais ou menos 1 euro (é mesmo 1 euro) não terá a mínima importância na despesa total de gastos.


Não tenhamos dúvida os preços dos hotéis que são os mais baixos de outras capitais da europa continuarão a sê-lo sem quaisquer dúvidas e qualquer estimativa honesta não apontará para o prejuízo do crescimento do turismo em Lisboa. Nem no turismo da classe baixa e média e muito mesmo no turismo da classe alta vai ter reflexos no que respeita à competitividade. Tudo isto são criações imaginativas para persuadir crédulos.


Não defendo taxas nem taxinhas nem as decisões tomadas nestas matérias mas, colocando-nos numa posição isenta vemos que nem mesmo os reformados que nos visitam durante a época baixa, a quem nos seus países não cortam reformas e pensões, irão sentir o peso nos seus orçamentos da estadia em Lisboa conforme nos querem fazer crer. Como se o problema do crescimento estivesse nestas taxinhas como lhe chamam.


A leitura que podemos fazer disto é a da já antecipada campanha eleitoral.    

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Quando o criminoso culpa o juiz pelo crime cometido




Não podemos deixar de considerar a situação hilariante quando, senhores com responsabilidades governativas, políticos, comentadores e analistas políticos, atribuem ao Tribunal Constitucional (TC), que considerou como inconstitucional os cortes abusivos e dirigidos apenas a alguns setores da sociedade, a responsabilidade pelo “brutal” aumento de impostos que vai atingir os portugueses a partir de janeiro de 2013, quando o orçamento for aprovado.


O TC exerceu a sua função de fiscalização jurisdicional garantindo a constitucionalidade dos atos normativos confirmando ou infirmando a violação da lei fundamental que é a Constituição Portuguesa ou, então, isto passaria a ser uma república das bananas, que talvez muitos gostariam que fosse.


Quando se levantam aquelas vozes contra a decisão e se imputa ao TC a responsabilidade do que vai acontecer com as novas(?) medidas de austeridade estão a atingir a nossa inteligência. Vem-me logo à cabeça a ideia daquela situação em que o réu, tendo sido comprovada a culpa, após a sentença, considera o tribunal e o juiz, ao tê-lo condenado, como sendo os verdadeiros responsáveis pelo crime que cometeu e por eventuais crimes futuros.


Isto, de facto, se não é triste, é, no mínimo, hilariante. Não brinquem connosco.




Quando o criminoso culpa o juiz pelo crime cometido




Não podemos deixar de considerar a situação hilariante quando, senhores com responsabilidades governativas, políticos, comentadores e analistas políticos, atribuem ao Tribunal Constitucional (TC), que considerou como inconstitucional os cortes abusivos e dirigidos apenas a alguns setores da sociedade, a responsabilidade pelo “brutal” aumento de impostos que vai atingir os portugueses a partir de janeiro de 2013, quando o orçamento for aprovado.


O TC exerceu a sua função de fiscalização jurisdicional garantindo a constitucionalidade dos atos normativos confirmando ou infirmando a violação da lei fundamental que é a Constituição Portuguesa ou, então, isto passaria a ser uma república das bananas, que talvez muitos gostariam que fosse.


Quando se levantam aquelas vozes contra a decisão e se imputa ao TC a responsabilidade do que vai acontecer com as novas(?) medidas de austeridade estão a atingir a nossa inteligência. Vem-me logo à cabeça a ideia daquela situação em que o réu, tendo sido comprovada a culpa, após a sentença, considera o tribunal e o juiz, ao tê-lo condenado, como sendo os verdadeiros responsáveis pelo crime que cometeu e por eventuais crimes futuros.


Isto, de facto, se não é triste, é, no mínimo, hilariante. Não brinquem connosco.




Quando o criminoso culpa o juiz pelo crime cometido




Não podemos deixar de considerar a situação hilariante quando, senhores com responsabilidades governativas, políticos, comentadores e analistas políticos, atribuem ao Tribunal Constitucional (TC), que considerou como inconstitucional os cortes abusivos e dirigidos apenas a alguns setores da sociedade, a responsabilidade pelo “brutal” aumento de impostos que vai atingir os portugueses a partir de janeiro de 2013, quando o orçamento for aprovado.


O TC exerceu a sua função de fiscalização jurisdicional garantindo a constitucionalidade dos atos normativos confirmando ou infirmando a violação da lei fundamental que é a Constituição Portuguesa ou, então, isto passaria a ser uma república das bananas, que talvez muitos gostariam que fosse.


Quando se levantam aquelas vozes contra a decisão e se imputa ao TC a responsabilidade do que vai acontecer com as novas(?) medidas de austeridade estão a atingir a nossa inteligência. Vem-me logo à cabeça a ideia daquela situação em que o réu, tendo sido comprovada a culpa, após a sentença, considera o tribunal e o juiz, ao tê-lo condenado, como sendo os verdadeiros responsáveis pelo crime que cometeu e por eventuais crimes futuros.


Isto, de facto, se não é triste, é, no mínimo, hilariante. Não brinquem connosco.




sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Impostos, rendimento e desigualdade distributiva. Coeficiente de Gini e Portugal

Manuel Rodrigues


 


Impostos, rendimento e desigualdade distributiva


Coeficiente de Gini em Portugal


 


Com o orçamento de estado em discussão pública pareceu-me oportuno efetuar de forma muito simples uma pequena abordagem à distribuição de rendimentos tendo com base as aulas que lecionei numa escola superior na unidade curricular Expressão Gráfica em Geografia no ponto do programa dedicado representação de funções aplicadas à geografia económica.


Apenas com base numa observação numérica de dados sobre a distribuição de impostos não é fácil perceber qual o nível de desigualdade subjacente aos dados apresentados. A partir de um gráfico que represente aquela distribuição de rendimentos e, consequentemente de impostos recolhidos e desde que saibamos interpretar o gráfico será muito mais fácil ter uma perceção mais próxima da realidade.


Uma curva de Lorenz mostra o grau de desigualdade na distribuição de duas variáveis. Embora se possa utilizar em vários tipos de estudos é mais frequentemente usada para ilustrar a extensão em que o rendimento ou a prosperidade são distribuídos desigualmente numa determinada sociedade. É uma curva que representa a desigualdade dos rendimentos em que a área sombreada, mede o desvio em relação à igualdade absoluta, é uma medida do grau de desigualdade da distribuição de rendimentos.


À curva de Lorenz associa-se frequentemente o coeficiente de Gini que é uma medida numérica complementar resumida e rápida para avaliar a desigualdade em que uma variável está relacionada com a outra. Este coeficiente é um número entre 0 e 1 em que a igualdade é perfeita o índice apresenta um coeficiente zero (0) e a desigualdade absoluta apresenta um coeficiente de um (1). Quanto mais próxima de (1) um estiver o valor do coeficiente maior a desigualdade da distribuição de rendimentos. Num caso extremo de 1 uma pessoa teria toda a renda, e as demais nada teriam. São exemplos significativos a Namíbia com 0,70 em 2003 ou a Bolívia em 2006 com 0,59. No caso oposto temos por exemplo a Suécia em 2005 com 0,23 ou a Alemanha em 2005 com 0,28.


Poderíamos transformar em percentagem este coeficiente e para tal bastava multiplica-lo por 100. Então quanto mais próximo de 100% mais desigual é o país e quanto mais próximo de 0% menos desigual.


 





Curva de Lorenz







Curva de Lorenz e área do coeficiente de Gini




 


Veja-se em primeiro lugar, com um exemplo, como é representada graficamente uma curva de Lorenz e o respetivo coeficiente de Gini, neste caso, o grau de desigualdade em que a variável população está relacionada a o número de alunos matriculados. Contudo, há que ter em atenção que a relação entre as variáveis pode ser outra. No caso que iremos considerar que é desigualdade da distribuição de rendimentos bastaria substituir os valores do eixo do Y a pela percentagem acumulada de rendimentos e os valores do eixo do X pela percentagem acumulada da população.


Para o exemplo acima o cálculo para traçar a curva é simples:



  • Calcular as percentagens em relação ao total para cada uma das variáveis (alunos e população).

  • Posteriormente para cada uma delas calcular as percentagens acumuladas, adicionando cumulativamente as percentagens calculadas no ponto anterior.

  • Com as percentagens acumuladas traçar a curva respetiva.


 


O cálculo do índice de Gini é utiliza uma fórmula bastante complexa para determinar o rácio entre as áreas dentro e fora da curva, isto é, A=A/(A+B)  pelo que não irei deter-me aqui sobre ela.


Como se disse anteriormente quando a área B diminui de tal forma que se aproxime tanto que toque tangencialmente o eixo do x, e do y do lado esquerdo, a desigualdade é absoluta.


Vamos agora ver a evolução do índice de Gini entre o ano 2010 e 2011 nos países da União Europeia.


Como se pode verificar pelos gráficos, se considerarmos os intervalos de 0,20 a 0,29 os países com menos desigualdade e os superiores a 0,30 com mais desigualdade, Portugal, ao apresentar em 2010 um valor de 0,34, encontrava-se entre os países com maior desigualdade distributiva.


 


Gráfico 1


 




Fonte: Statistics on income and living conditions (eu-silc) 2010


 


Gráfico 2


 




Fonte: Statistics on income and living conditions (eu-silc) 2011


 


Breve Descrição: O coeficiente de Gini é definido como a relação dos valores acumulativos da população em função do nível de rendimento disponível correspondente, e a parte acumulativa do rendimento total disponível equivalente por eles recebido.


 


Nota: Não se encontram representados no gráfico alguns dos países da UE porque, até à data, ainda não havia dados disponíveis.


 


Durante o ano de 2011 alguns países reduziram o seu índice de desigualdade, como por exemplo a Eslovénia que passou de 0,28 para 0,24.


As diferenças aparentemente podem parecer pouco representativas, contudo, tendo em conta o máximo e o mínimo do índice, algumas décimas podem ser significativas sabendo que o valor central do intervalo é de 0,5.


A evolução o índice de Portugal no período 2005 a 2011 encontra-se representada no gráfico seguinte que constata uma evolução no sentido da redução da desigualdade na distribuição dos rendimentos até 2010 que, em 2011 inverte esta tendência no sentido da desigualdade.


 


Os gráficos 1 e 2 mostram que Portugal em 2011 encontrava-se com um índice de 0,34 mostrando, embora ligeiramente, acentuada desigualdade. Neste ano, apenas a Letónia se encontrava com o índice mais elevado.


Quando os dados referentes a 2012 forem divulgados poderá, com mais rigor, ver-se qual foi a evolução. Pelos dados macroeconómicos que se preveem para 2013 é de esperar que a desigualdade se venha a acentuar até ao final deste ano. e piorem no final de 2013. 


 


Análise da autoria de Manuel Rodrigues


Gráficos elaborados pelo autor


 


 

Impostos, rendimento e desigualdade distributiva. Coeficiente de Gini e Portugal

Manuel Rodrigues


 


Impostos, rendimento e desigualdade distributiva


Coeficiente de Gini em Portugal


 


Com o orçamento de estado em discussão pública pareceu-me oportuno efetuar de forma muito simples uma pequena abordagem à distribuição de rendimentos tendo com base as aulas que lecionei numa escola superior na unidade curricular Expressão Gráfica em Geografia no ponto do programa dedicado representação de funções aplicadas à geografia económica.


Apenas com base numa observação numérica de dados sobre a distribuição de impostos não é fácil perceber qual o nível de desigualdade subjacente aos dados apresentados. A partir de um gráfico que represente aquela distribuição de rendimentos e, consequentemente de impostos recolhidos e desde que saibamos interpretar o gráfico será muito mais fácil ter uma perceção mais próxima da realidade.


Uma curva de Lorenz mostra o grau de desigualdade na distribuição de duas variáveis. Embora se possa utilizar em vários tipos de estudos é mais frequentemente usada para ilustrar a extensão em que o rendimento ou a prosperidade são distribuídos desigualmente numa determinada sociedade. É uma curva que representa a desigualdade dos rendimentos em que a área sombreada, mede o desvio em relação à igualdade absoluta, é uma medida do grau de desigualdade da distribuição de rendimentos.


À curva de Lorenz associa-se frequentemente o coeficiente de Gini que é uma medida numérica complementar resumida e rápida para avaliar a desigualdade em que uma variável está relacionada com a outra. Este coeficiente é um número entre 0 e 1 em que a igualdade é perfeita o índice apresenta um coeficiente zero (0) e a desigualdade absoluta apresenta um coeficiente de um (1). Quanto mais próxima de (1) um estiver o valor do coeficiente maior a desigualdade da distribuição de rendimentos. Num caso extremo de 1 uma pessoa teria toda a renda, e as demais nada teriam. São exemplos significativos a Namíbia com 0,70 em 2003 ou a Bolívia em 2006 com 0,59. No caso oposto temos por exemplo a Suécia em 2005 com 0,23 ou a Alemanha em 2005 com 0,28.


Poderíamos transformar em percentagem este coeficiente e para tal bastava multiplica-lo por 100. Então quanto mais próximo de 100% mais desigual é o país e quanto mais próximo de 0% menos desigual.


 





Curva de Lorenz







Curva de Lorenz e área do coeficiente de Gini




 


Veja-se em primeiro lugar, com um exemplo, como é representada graficamente uma curva de Lorenz e o respetivo coeficiente de Gini, neste caso, o grau de desigualdade em que a variável população está relacionada a o número de alunos matriculados. Contudo, há que ter em atenção que a relação entre as variáveis pode ser outra. No caso que iremos considerar que é desigualdade da distribuição de rendimentos bastaria substituir os valores do eixo do Y a pela percentagem acumulada de rendimentos e os valores do eixo do X pela percentagem acumulada da população.


Para o exemplo acima o cálculo para traçar a curva é simples:



  • Calcular as percentagens em relação ao total para cada uma das variáveis (alunos e população).

  • Posteriormente para cada uma delas calcular as percentagens acumuladas, adicionando cumulativamente as percentagens calculadas no ponto anterior.

  • Com as percentagens acumuladas traçar a curva respetiva.


 


O cálculo do índice de Gini é utiliza uma fórmula bastante complexa para determinar o rácio entre as áreas dentro e fora da curva, isto é, A=A/(A+B)  pelo que não irei deter-me aqui sobre ela.


Como se disse anteriormente quando a área B diminui de tal forma que se aproxime tanto que toque tangencialmente o eixo do x, e do y do lado esquerdo, a desigualdade é absoluta.


Vamos agora ver a evolução do índice de Gini entre o ano 2010 e 2011 nos países da União Europeia.


Como se pode verificar pelos gráficos, se considerarmos os intervalos de 0,20 a 0,29 os países com menos desigualdade e os superiores a 0,30 com mais desigualdade, Portugal, ao apresentar em 2010 um valor de 0,34, encontrava-se entre os países com maior desigualdade distributiva.


 


Gráfico 1


 




Fonte: Statistics on income and living conditions (eu-silc) 2010


 


Gráfico 2


 




Fonte: Statistics on income and living conditions (eu-silc) 2011


 


Breve Descrição: O coeficiente de Gini é definido como a relação dos valores acumulativos da população em função do nível de rendimento disponível correspondente, e a parte acumulativa do rendimento total disponível equivalente por eles recebido.


 


Nota: Não se encontram representados no gráfico alguns dos países da UE porque, até à data, ainda não havia dados disponíveis.


 


Durante o ano de 2011 alguns países reduziram o seu índice de desigualdade, como por exemplo a Eslovénia que passou de 0,28 para 0,24.


As diferenças aparentemente podem parecer pouco representativas, contudo, tendo em conta o máximo e o mínimo do índice, algumas décimas podem ser significativas sabendo que o valor central do intervalo é de 0,5.


A evolução o índice de Portugal no período 2005 a 2011 encontra-se representada no gráfico seguinte que constata uma evolução no sentido da redução da desigualdade na distribuição dos rendimentos até 2010 que, em 2011 inverte esta tendência no sentido da desigualdade.


 


Os gráficos 1 e 2 mostram que Portugal em 2011 encontrava-se com um índice de 0,34 mostrando, embora ligeiramente, acentuada desigualdade. Neste ano, apenas a Letónia se encontrava com o índice mais elevado.


Quando os dados referentes a 2012 forem divulgados poderá, com mais rigor, ver-se qual foi a evolução. Pelos dados macroeconómicos que se preveem para 2013 é de esperar que a desigualdade se venha a acentuar até ao final deste ano. e piorem no final de 2013. 


 


Análise da autoria de Manuel Rodrigues


Gráficos elaborados pelo autor