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quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Mais do mesmo e o bluff da maioria absoluta

Bluff das esquerdas (1).png


Neste blog já abordei o tema do temor de maiorias absolutas manifestado pelo PCP e pelo BE. A propósito entrou na calha a vez a Jorge Cordeiro, membro da comissão política do PCP, defender, quinta-feira 11 de novembro, que uma maioria absoluta aproximaria o PS de uma política de direita e premiaria o partido que "devia ser castigado" ao mesmo tempo que acusa António Costa de apropriação de propostas apresentadas pelo PCP.


Acusa e tenta descredibilizar António Costa ao afirmar que ele fez bluff nas negociações porque queria eleições legislativas antecipadas e acusa ainda o PS de se apropriar “indevidamente” de propostas do PCP para as incluir no programa eleitoral com que se apresentará ao eleitorado nas eleições de 30 de janeiro. Permitam-me duvidar de Jorge Cordeiro. Será que o bluff vem só de um lado? Durante todo o debate sobre o OE para 2022 o bluff partiu do PCP.


Como pode ler aqui as maiorias absolutas são, para o BE e para o PCP, uma obsessão fóbica. Estes partidos e os seus dirigentes têm um medo patológico de carácter obsessivo de que se possa vir a concretizar uma maioria absoluta do PS o que se torna evidente quando Jorge Cordeiro concretiza que “o PS tinha um objetivo: alcançar a maioria absoluta, porque imagina que com essa maioria absoluta pode ficar mais livre para fazer aquilo que quiser”.  


A pergunta que também que se pode colocar é: e se a direita conseguir uma maioria absoluta já não há problema? A atitude anti PS é uma visão das esquerdas radicais que parece indiciar que, para elas, é pior uma maioria absoluta do PS do que uma maioria absoluta da direita PSD sem ou em coligação com outros partidos como já se verificou no passado quando o BE e o PCP votaram ao lado da direita abrindo alas ao governo de Passos Coelho.


O empenho em recuperar votos perdidos é tal que o bom senso se perde na verborreia partidária do PCP e do BE. Uma coisa é fazer campanha para fazer passar uma mensagem com propostas concretas ao eleitorado para captar votos, outra é fazer campanha com ataques sistemáticos, sem fundamento válido. É evidente o objetivo. O partido de onde poderão captar alguns votos, por algum descontentamento, é o PS.  A atitude anti PS do PCP não é nova. No passado o seu alvo de ataque era também o PS. Aliás, Jorge Cordeiro não se acanha em afirmar isso mesmo: “as eleições são uma oportunidade para o reforço da CDU com a garantia de que com mais deputados poderemos ter melhores condições para assegurar uma trajetória política no país que valorize salários, direitos e o SNS”. Nada de novo, as ferramentas mobilizadoras do PCP para melhorar e fazer crescer o país são os sucessivos aumentos de salários, aumentar direitos e ao mesmo tempo reduzir deveres e menos horas de trabalho. A demagogia no seu melhor. Tudo isto é socialmente justo desde que isso não possibilite debilitar empresas, aumentar o desemprego e quebrar o país. Quanto ao SNS, o BE e o PCP nada concretizam, a direita também faz oposição utilizando os mesmos argumentos, portanto, também aqui nada de novo o que nos apresentam aqueles partidos.


Quando há eleições, como os portugueses já se habituaram, o objetivo assenta na tónica do ataque ao PS. Para aqueles partidos o alvo não é a direita. A direita, para o PCP e o BE, transforma-se então numa aliada.


Tal e qual como diz Fernando Rosas num artigo de opinião com o título Tempo dos Oráculos onde critica comentadores que, segundo ele, “sentenciam que a esquerda consumir-se-á no fogo dos infernos e o regresso ao bloco central ou à direita desenha-se certo nos despojos da razão.” Nem a propósito,  porque para se ter o voto dos eleitores o que importa são as intervenções que o intimidem e manipulem. O voto pelos projetos para o país, muitas vezes inexequíveis, ficam para segundo plano.  

domingo, 23 de dezembro de 2018

Concretização das críticas da oposição em prendas de Natal

Oposição de direita.png


Em democracia uma das funções da oposição seja, de direita ou de esquerda, é a de criticar o governo que esteja em exercício. O dia da falhada manifestação dos coletes amarelos aqui em Portugal, imitação grosseira dos “gilets jaunes”, leva-nos a refletir sobre as reivindicações, também elas imitação grosseira do que fizeram em França.


Já quase no final do ano, ao começar a pensar nos pontos de mira em que a direita CDS e PSD, incidirão para fazer oposição ao Governo, encontro apenas casos que se referem a acidentes alguns deles graves, é certo, com perda de vidas humanas  que os canais de televisão se encarregaram de explorar, aprofundando e repetido exaustivamente as mesmas peças. Outros casos que têm sido explorados pela oposição de direita são casos imprevisíveis que não têm procedência em governos sejam eles quais forem.


As críticas da oposição sobre o que de facto interessa ao país são aniquilados pelo nevoeiro envolvente dos casos conjunturais e acidentais lançados pela comunicação social. É uma direita sem programa que se alimenta de casos.


Agora que estamos na época natalícia e prestes a iniciar-se um novo ano seria bom que a oposição de direita pusesse no Cabaz de Natal para oferecer aos portugueses o compromisso de que irá fazer tudo aquilo que, segundo ela, o atual Governo em funções não tem feito e que tem suscitado tantas críticas.


Seria interessante que a direita que tanto critica as iniciativas do Governo, e diz serem apenas de propaganda enganadora fizesse, agora que estamos no final do ano, algumas promessas aos portugueses para cumprir caso venha a ser Governo.


Assim, aqui vão algumas promessas que direita se deve comprometer a cumprir, caso venha a ser Governo após as próximas eleições legislativas tendo em vista o que tem vindo a afirmar ao longo do ano e o mais provável também no próximo.



  • Prometemos baixar ou até eliminar os impostos sobre os produtos petrolíferos.

  • Prometemos aumentar o salário mínimo do público e do privado.

  • Prometemos aumentar todos os funcionários público.

  • Prometemos o descongelamento das carreiras de acordo com as reivindicações dos sindicatos, nomeadamente as pedidas pelos professores.

  • Prometemos melhorar todos os serviços públicos para evitar a sua degradação.

  • Prometemos durante o nosso mandato renovar todas a redes ferroviárias assim como a substituição de todas as composições dos comboios da CP.

  • Prometemos melhores transportes para todos e passes acessíveis a nível nacional.

  • Prometemos exigir a todas as autarquias que reforcem e melhorem a rede rodoviária encerrando as que estão em estado perigoso ou degradado.

  • Prometemos combater e eliminar a corrupção.

  • Prometemos que não haverá mais incêndios florestais.

  • Prometemos baixar impostos às empresas.

  • Prometemos rever os escalões do IRS para que todos paguem menos impostos.

  • Prometemos baixar o IRC para todas as empresas para captar investimento.

  • Prometemos voltar a fazer parcerias com escolas privadas mesmo onde existam escolas públicas mesmo que utilizem os fundos para benefícios pessoais.

  • Prometemos baixar o preço da energia.

  • Prometemos que não mais haverá mortos ou feridos em acidentes por falhas da intervenção do Estado.

  • Prometemos que nada mais falhará na segurança.

  • Prometemos que faremos todas as diligências para satisfazer na íntegra todas as reivindicações dos enfermeiros.

  • Prometemos que baixaremos o IVA em alguns produtos.

  • Prometemos que acabaremos com as listas de espera das intervenções cirúrgicas.

  • Prometemos que iremos melhorar, ampliar e dinamizar o SNS.

  • Prometemos que os hospitais públicos passarão a funcionar em pleno, que nada faltará aos utentes e que serão preenchidas todas as vagas, quer de enfermeiros quer de médicos.

  • Garantimos aumentos e carreiras para todos que pertençam à função pública.

  • Prometemos e garantimos que bombeiros e Proteção Civil nunca falharão.

  • Prometemos não aumentar impostos nem aumentar taxas.

  • Prometemos que eliminaremos todas as taxas e taxinhas.

  • Prometemos triplicar o investimento privado.

  • Prometemos aumentar o investimento público para níveis muito superiores ao do atual governo (críticas em 30 de outubro de 2018).

  • Prometemos reduzir para 60% a dívida pública.

  • Prometemos reduzir o défice para 0%.

  • Prometemos um aumento do crescimento entre 3 a 4% ao ano à semelhança com outros países do Leste.

  • Prometemos reduzir a inflação que agora é de 1,3%.

  • Prometemos habitação condigna para todos e a preços acessíveis, especialmente para os jovens.

  • Prometemos acabar com as bolsas de pobreza ainda existentes.

  • Prometemos ceder às reivindicações dos magistrados.


Em alternativa a direita, se não for governo, poderia convocar através de pressupostas pessoas e pelas redes sociais manifestações de coletes, a cor poderá ser à escolha, transformar estas promessas em caderno reivindicativo e exigir ao Governo o seu cumprimento.


Demagogia? Claro que sim, mas parece que a oposição de direita faz crer que tudo o que critica ao Governo, se estivesse no poder, poderia fazer cumprir com eficácia.