Mostrar mensagens com a etiqueta ano novo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ano novo. Mostrar todas as mensagens

sábado, 6 de janeiro de 2024

Um verdadeiro Ano Novo precisa-se

Ano Novo 2024.png


Já passaram as festas de Natal e do Ano Novo e o seu início desde já promete ficar cada vez mais corrompido pelo debate confronto político que se degrada à medida que se aproximam as datas das eleições previstas para este ano, penso eu.


Pelo início deste novo ano nada faz prever que mude, diz o meu oráculo. Comentadores políticos com a redundância assumida aceleram nas suas teses. São horóscopos que defendem com argumentos bem delineados, mas enganadores e intencionalmente dirigidos para defesa dos seus pontos de vista. Imaginam estes oráculos cenários, os piores possíveis, críticas a todas as políticas, sem exceção, de quem cessa funções e preconizam o nascer de sóis resplandecentes e alinham com a execução das promessas dos que se perfilam para a obtenção do poder, mesmo sabendo que elas são inexequíveis por um governo que pertença às suas filiações ou simpatias partidárias.


Os vaticínios que me são transmitidos são cantos enaltecidos e apologéticos. São promessas transitórias das direitas e das extremas-direita a elevarem-se na imprensa e nos espaços televisivos das notícias selecionadas e rigorosamente alinhadas com o que foi “dito”, mais do que o não “dito” e omitido, pelas intervenções dos responsáveis partidários das oposições de direita, tendencialmente contra o ainda Governo que cessa as suas funções exatamente a 7 de janeiro do presente ano.


O meu oráculo diz-me que os media recorrerão ao passado martelando e martirizando os ouvidos e os olhos dos telespectadores com as “maldades” várias do governo anterior e as mesmas “tags” (etiquetas) de sempre: corrupção, compadrio, favores, peculato, acompanhadas com fragmentos de peças do passado com casos e figuras mostrados insistentemente e escolhidos a dedo consoante os interesses partidários e orientações das vozes dos donos para garantia de influência mediática, em favor dos seus interesses partidários.


A saúde, sobretudo as urgências hospitalares, cuja principal causa está da epidemia gripal, terão diariamente palco, até à exaustão, nas aberturas dos jornais televisivos, como se isso fosse resolver os problemas que a direita não se atreve a dizer como resolver, porque sabe que não o conseguirá.  


Segundo o meu oráculo, as oposições, sobretudo as de direita, com a cooperação de denominados jornalistas de investigação, irão à busca de casos triviais mesmo que criticáveis são lançados para a opinião pública como sendo casos extraordinários mostrados ao modo de investidas dramáticas.


 O PCP fará dessas trivialidades ouvidos moucos porque, para eles, os desse partido, não são esses os principais problemas de que o país e o povo enfermam. Para eles o povo, os trabalhadores, os salários e as pensões são uma espécie de cassete em contínuo.


Dizem-me os meus oráculos que neste novo ano, até às eleições, continuarão comentadores e “opinadores” de serviço, sobretudo os simpatizantes da direita a direcionar as suas críticas pessoalizadas aos atores do adversário que mais os faz tremer. No entanto passam a achar que os jornalistas devem escavar, para escavacar a vida pessoal dos políticos, mas apenas quando calha a outros que não os da sua simpatia político-partidária. Se assim não for passarão logo a defender o escrutínio justiceiro pelos media e a considerar que esse deve ser também o seu papel. Assim falam porque Montenegro ultimamente está sob suspeita. João Miguel Tavares assim escreveu primeiro num ato de justificação, e depois Paulo Rangel do PSD a entrar no ato da defesa do líder.


O primeiro coloca em comparação Pedro Nunes Santos com Luís Montenegro porque, escreveu ele, que “Como eleitor, essas informações interessam-me, porque me ajudam a construir o perfil de um candidato”. Para tal desenvolve sobre os bens pessoais de cada um como sendo indicadores indispensáveis do perfil dos candidatos, Para Miguel Tavares parece que o perfil dos políticos em evidência de avaliasse pelos bens pessoais que possuem ou já possuíam ou como se o miserabilismo fosse o perfil adequado para o exercício da atividade política. Compara o que um tem e gosta com o que o outro tem e gosta, tornando-se óbvio e claro qual a intenção e o objetivo.


Ao analisarmos o artigo de João Miguel Tavares verificamos que, para atestar algo contra o Governo PS, defende o escrutínio rigoroso pelos media sobre a vida pessoal e posses dos políticos.


Paulo Rangel, numa entrevista que deu à Rádio Renascença e divulgada pelo jornal Público veio em defesa do líder do seu partido e afirmou sobre o caso Montenegro que “estranha “coincidências” e que “há” mão invisível contra Montenegro”.


Torna-se evidente a desculpabilização de Montenegro por Rangel já que atribui a culpa ao Governo. Vejam-se as perguntas e as respostas:


“O inquérito teve origem em denúncias anónimas. Há aqui uma mão invisível para atrapalhar a vida do líder do PSD?”


“Acho que há. Isto começou a surgir quando houve grandes problemas com o Governo.”


“Faz essa associação?”


“Estou a fazer uma associação puramente objetiva. A verdade é que aconteceu. Ao mesmo tempo é uma coincidência temporal, mas depois cada um interpreta como quiser. Mas o que mais admirei na posição de Luís Montenegro foi a não-vitimização, aguardar o inquérito e não fazer pressões para que decorra depressa ou devagar ou à tarde ou à noite.”


À pergunta sobre se “O líder do Chega dizia que Luís Montenegro tem de dar uma explicação cabal sobre o que está em causa no inquérito, inclusivamente mostrar os documentos. Como é que responde a isso? Luís Montenegro disse que não ia mostrar nada e entregar ao Ministério Público”.


“Uma comunicação social responsável não devia dar palco a esse tipo de populismo. É evidente que as vidas das pessoas, especialmente os seus detalhes, não têm que estar na comunicação social.”


Afirma o meu oráculo que o fator da crise das democracias, e também no caso português, é a política democrática estar sujeita a uma transformação pela sucessão contínua entre os media e a política. A autonomia das decisões políticas fica em risco e é condicionada pelos mecanismos dos media.


 


 


o domínio da política democrática pela sua transformação num contínuo político-mediático, que diminui a autonomia da decisão política e a torna cada vez mais dependente dos mecanismos da comunicação social e da sua evolução.


A atual necessidade de rapidez competitiva entre os media leva necessariamente à falta de rigor, à agressividade, à culpabilização antes da prova, à falta de racionalidade no que é escrito, dito e mostrado leva ao superficial, ao vulgar que arrasta neste círculo vicioso a própria política.


Verifica-se um fenómeno que é o de não se ter a política, os partidos e os políticos temos uma espécie de mescla o que é política, partidos e políticos com os media, neste caso considerando a imprensa, a rádio e a televisão que se influenciam mutuamente pela opinião pública.


Não foi o meu oráculo que me murmurou ao ouvido que “os factos, as opiniões, as interpretações são moldados por mecanismos mediáticos em que participam políticos e jornalistas, cada vez mais com uma cultura de acção semelhante e dependente de efeitos comunicacionais tais como a novidade, o timing, o tipo de resposta, a rapidez, a frase assassina, a falta de estudo e de rigor. As redes sociais e novas formas de acesso àquilo que passa por ser informação…”, foi Pacheco Pereira que escreveu no Público.


O meu oráculo diz-me que os que escrevinham artigos de opinião nos principais órgãos de comunicação, assim como os comentadores de serviço que são inspirados por “divindades intermediárias” irão traçar destinos maléficos, ou benéficos, consoante os interesses, tendentes a influenciar os votantes nas próximas eleições. Uns irão assinalar os recados enviados indiretamente nas intervenções da mais alta individualidade da nação que irão tomar como críticas ao Governo já em processo de demissão, mesmo que não o sejam e irão continuar a responsabilizá-lo por nada fazer. Utilizarão estribilhos muito queridos às esquerdas radicais e farão críticas, sem apresentarem soluções, centrando-se nos discursos do acesso à saúde, habitação e educação à qual acrescentam a justiça cuja reforma não lhes interessa, mas que nas bancadas gritam por não ter sido feita. Ouço eu. E, quando chegados ao poder, nada fazem. Interessa-lhes que tudo se mantenha na mesma, penso eu.


Quando as direitas usam nas suas intervenções aqueles slogans fazem-me recordar as palavras da canção de Sérgio Godinho (1974), palavras de ordem da extrema-esquerda após o 25 de Abril, estimulantes à rebelião popular,


Só há liberdade a sério


Quando houver


A paz, o pão, habitação


Saúde, educação


Só há liberdade a sério quando houver


Liberdade de mudar e decidir


Só lhes falta acrescentar:


Quando pertencer ao povo o que o povo produzir


E quando pertencer ao povo o que o povo produzir


 


Recuperar e revigorar o passado passará a ser o foco das direitas que, vendo reduzir ou desaparecer o seu espaço eleitoral, vão juntar-se na mesa para decidirem e tecerem estratégias para o banquete eleitoralista no sentido de obterem uma maioria parlamentar, ou senão, ocuparem o poder e dividir pelouros num futuro governo.


Uma Aliança Democrática versão 2024, PSD+CDS+PPM, parece destinada ao fracasso e poderá não ter efeito significante nos resultados eleitorais, digo eu. A dinâmica dos saudosos Francisco Sá Carneiro, Diogo Freitas do Amaral e Gonçalo Ribeiro Telles, quando a política era mesmo política e não era induzida pelos media, falha nesta AD forçada com líderes, especialmente como o do CDS, não vai resultar.


Poderemos vir a ficar surpreendidos ao percebermos o efeito marginal que esta aliança terá no eleitorado se mantiver o até agora discurso partidário pela negativa e pelo ataque sem nada para oferecer, sem programa claro e objetivo, com as promessas do costume se forem um potencial governo utilizando as mesmas capacidades retóricas populistas próximas do CHEGA.


O meu prenúncio para a justiça, e mais concretamente, para o desempenho do Ministério Público e da PGR não é animador devido à série de coincidências que se tem verificado entre o tempo da política e o tempo da justiça. A PGR não faz política, mas há muitas formas de manifestar os seus pareceres sobre política e as circunstâncias e as ocasiões e a forma como lança para a comunicação social o que está a investigar, e a escolha do tempo para o fazer pode vir a dar lugar a dúvidas sobre os métodos de que se serve.


Precisamente na véspera do dia da demissão do Governo que se limitará à prática dos atos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos os media tornam público dados que consideram serem novos e, estranhamente, sobre António Costa, exatamente no dia do início do 24.º Congresso Nacional do Partido Socialista. Estranhas coincidências na justiça, disse-me o oráculo.


Na política internacional continuarão muitos continuarão a perorar nas redes sociais (mas também alguns generais comentadores de política de guerra), talvez dissimuladamente defensores da invasão da Ucrânia pelo ditador Putin, a que tecem elogios.


À pergunta porquê responde-me a pítia do oráculo que é tudo por causa   da expansão da NATO ao Leste Europeu, à possibilidade de adesão da Ucrânia àquela aliança militar, à contestação ao direito da Ucrânia à soberania independente da Rússia e ao desejo de Vladimir Putin de restabelecer a zona de influência da antiga União Soviética, mas esquecem-se aqueles que  e é importante lembrar que a invasão violou o direito internacional e a soberania da Ucrânia, além de ter causado muitas mortes e deslocamentos . Tudo com a ajuda da influência da opinião pública por fatores como os media, a propaganda e a desinformação que Putin consegue por no terreno.


E acrescenta o oráculo porque aquelas pessoas são contra o imperialismo ocidental, mas que, ao mesmo tempo, apoiam o imperialismo estalinista de Putin na Rússia, digo eu. Estes mesmos também dizem ser defensores do povo palestiniano, sem que saibamos se, afinal, estão do lado da ala militar para a libertação da Palestina, o Hamas, organização, pró-terrorista que dizem estar do lado do povo e que, por isso, praticam atos terroristas e porque são contra os EUA. Esta organização é entendida por muitas nações como terrorista, e controla a Faixa de Gaza de maneira autoritária, dizem alguns analistas.


A pitonisa que profetisa o oráculo que consultei disse-me que o povo judeu, após o fim do holocausto e depois do Estado de Israel ter sido criado, graças à proposta da ONU de dividir o território da Palestina em duas nações, passou de vítima a agressor. São agora apontados por genocídio dos palestinianos, dizem uns, é o direito à defesa que a isso os obriga, dizem outros.


Israel ocupa indevidamente o território que devia ser de ambos os povos, no conceito de dois povos dois estados. Através duma violência que dizem ser pacífica, como se qualquer violência é pacífica, e a que chamam colunatos, expressão invasiva de território potencial e possivelmente palestiniano. Diz-me o meu oráculo que em novembro deste ano os EUA e o Mundo poderão estar em perigo se um certo senhor de perfil ditador nazi venha a ocupar o cargo mais importante daquele país.  Contudo, e pelo seu passado no anterior mandato o senhor Trump diz uma coisa e o seu contrário num curto espaço de tempo, digo eu.


Em 2022 elogiou as ações de Putin em relação à Ucrânia e reconheceu a independência de duas províncias separatistas da


Trump2024.png


Ucrânia, além do envio de tropas russas para entrar no país e para supostamente proteger os enclaves, disse ele,  a ação de Putin era “genial” e Putin entraria na Ucrânia como um pacificador, dizia ele,  condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia, que estava orando pelos ucranianos, passou ele a dizer, talvez por estratégia eleitoral, sobre isto o meu oráculo nada diz.


Para a Paz entre Israel e Palestina teve um plano em 2020 rejeitado pelos palestinos, propunha ele e uma solução de dois estados para o conflito, como ele resolveria o conflito face aos atuais cenários, ele não diz.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Capítulo I - Sem título

Conto de ano novo_1.png


Para o fim do ano abrandemos com a política com um conto de uma autora brasileira, Renata Shermann, que tomei a liberdade de transcrever para o português de Portugal. Descontraiam e divirtam-se com o conto se for caso disso, e tenham uma boa passagem para 2020 e que seja um ANO NOVO MUITO FELIZ e PRÓSPERO.


Conto de ano novo_2.png


Lara apagou do seu email o convite para a festa de sexta. Sentiu um frio na barriga, como se estivesse fazendo algo errado, mas não estava. Sabia que não estava. Tirou o pedaço de papel do bolso como se fosse um amuleto e o analisou como se nunca o tivesse visto antes:


No ano seguinte tudo iria mudar. Ela precisava que mudasse. Ela iria assegurar que mudasse. Afinal, ela tinha um plano! Retirou outra lista do bolso: o plano. Faltava muito para preparar, mas ela ia conseguir. Ela estava certa de não ir à festa.


O primeiro item da lista: Passar o réveillon num lugar mágico.


Tinha que ser numa praia, vários items da sua lista exigiam a presença do mar. Pegou no telefone para fazer um reserva e viu que tinha novas  mensagens no Whatsapp.


Fechada casa na serra!


Já comprei cerveja


Lara, não acredito que tu não vais!


Não respondeu. Precisava de achar um lugar mágico na praia. Ligou para alguns hotéis e descobriu o pacote de fim de ano, estava bem mais caro  do que tinha planeado. Ah, que se lixe! É por uma boa causa! Tirou algum dinheiro da sua singela poupança e fez a reserva.


Primeiro item? Check!


15 dias antes do 31 de dezembro 10 dias antes de viajar, passou a hora do almoço atrás de uma cuequinha multicolorida: vermelho para paixão, rosa para amor, amarelo para dinheiro, azul para saúde, verde para alegria e branco para paz. Ela queria tudo. Procurou por várias lojas, não encontrou, chegou atrasada ao trabalho. Durante a tarde pesquisou na net a tal cuequinha revolucionária mas acabou por imprimir um molde de corte e costura de lingerie. Saiu mais cedo para comprar tecido.


Segundo item? Quase check.


No dia D-14, foi atrás de uma roupa branca. Queria uma que emagrecesse, fosse sexy, não aparentasse que ela se tinha esforçado muito, fosse chique, mas com ar de praia. A hora do almoço não foi suficiente, ligou para o escritório dizendo que não estava a sentir-se bem. Faltavam 13 dias. Foi a uma costureira amiga da sua mãe e implorou que ela copiasse um vestido que ela tinha comprado em azul - não tinha branco, mas era lindo!!! - em branco. Não dava. Muito em cima da hora.


As suas costureiras assistentes iam ter de fazer horas extras. Sem problemas, ela pagava. Vestido azul + tecido + costureira tinham saído o triplo do que esperava gastar. Mas, era importante....


No dia seguinte, comprou um livro online sobre mitos e lendas do candomblé. Se ela ia dar um presente para Iemanjá, teria de ser “O presente”. Passou o dia fingindo-se compenetrada enquanto lia sobre a rainha do mar. Comprou todos os presentes que ela gostava: colares imita -o de pérolas, brincos prateados, pulseiras em forma de argola prateadas, pentes, escovas para cabelo, perfumes feminino e talco. As [ores compraria lá. Mais um item da lista concluído...


- Lara? Você fez o relatório que eu lhe pedi?


Não tinha feito. Prometeu entregá-lo no dia seguinte.


Agora só faltavam onze dias... Fez o relatório distraída com a receita de um pão de ano novo que se come na Grécia. Dá sorte. E deve ficar ótimo com lentilhas... Não era difícil encontrar os ingredientes! Enviou o relatório a seguir ao almoço e foi atrás da farinha, fermento e sementes.


D-10 era um sábado. Passou o dia a tentar costurar a cuequinha esotérica, perdeu todo o tecido, foi comprar mais, a conta estava negativa, tirou mais dinheiro da poupança, aproveitou e comprou brincos novos para a passagem de ano, fez a prova do vestido - em azul era mais bonito - e depois de mais 4 tentativas a cuequinha ficou pronta. Parou para descansar, olhou para o relógio, 1 da manhã! Tinha perdido a festa da empresa...


O dia seguinte foi dia de cozinhar o pão, comprar champagne - não queria espumante - e de fazer a faxina de fim de ano para receber as boas energias de ano novo.


Faltavam 4 dias para viajar. Nove para o final do ano. Com os preparativos Lara mal tinha dormido no fim de semana. Chegou ao trabalho cansada, ligou o computador, começou a procurar receitas de lentilha e lojas de fogos de artifício quando seu chefe a chamou ao seu gabinete: o relatório estava todo errado. Ouviu uma hora de repreensão sobre responsabilidade, sobre perda de confiança, sobre já não ter a certeza de ser ela era a pessoa certa para o cargo. O seu chefe sairia de férias naquele dia mas ficaria à espera do novo relatório no seu computador.


Lara voltou arrasada para a mesa, ligou o Facebook e viu uma fotografia de Marcos com as malas no carro partindo para a viagem de fim de ano na montanha onde ela não iria. Pensou em como sempre quis passar o fim de ano com Marcos. E isso deu-lhe mais ânimo para seguir o seu plano.


Lentilhas! Escolheu a receita. Fogos de artifício: já sabia onde e qual comprar.


D-7. Como o chefe não estava, Lara não foi trabalhar de manhã para preparar as lentilhas que levaria num tupperware para a praia. À tarde, ligou o computador, abriu o relatório, mas antes deu uma olhadela pelo Instagram: uma fotografia de Marcos, Sónia e Lia a tirar as compras na casa da montanha. Na foto tinha um saco de romãs. Como ela se tinha esquecido das romãs? Olhou para o computador... Ela podia fazer o relatório no dia seguinte.


Romãs? Check! D-6. No trabalho as pessoas despediam-se conforme iam saindo para férias, de retiro, de fugidinha do trabalho. Lara cumprimentava todo mundo e perguntava o que iriam fazer no fim do ano para dar sorte. "Comer 12 passas!" Ela tinha-se esquecido. Acrescentou à lista. "Entrar com o pé direito." Claro... "Colocar moedas no bolso". Ela não tinha bolso.... Saiu a correr, pegou no vestido e pediu para a tia lhe colocar um bolso. "não vai ficar bom..." Não importava.


D-5. Lara nem foi ao escritório. Arrumou as malas, comprou velas, passas, separou moedas, colocou uma panela na mala, embalou bem o champagne, as lentilhas e o pão grego, separou o seu papel de metas e o seu papel com o plano.


D-4. Passou o dia no aeroporto, o voo atrasou, viajou de noite.


D-3. Passou a madrugada em outro aeroporto. Apanhou um táxi, um autocarro, um barco, uma carrinha, chegou ao seu hotel paradisíaco. Faltavam dois dias para o réveillon. Olhou a praia, o seu lugar mágico, pensou em tomar sol, em dar um mergulho, em conhecer o lugar. Mas, ainda precisava fazer o relatório. Ligou o computador. A sua mãe chamou-a pelo Skype. Estava fula da vida porque ela tinha ido viajar sem se despedir. Então chamou o seu pai, uns tios que estavam de passagem, a vizinha que era quase da família. Já era noite. No Facebook, os seus amigos apareciam fazendo churrasco em volta da piscina, Marcos estava abraçado à Sónia. Lara pensou que no próximo ano seria ela.


Levantou-se para rever a lista.


Dia 30. Ligou o computador para escrever o relatório. Marcos estava a beijar a Sónia numa foto no Facebook. Escreveu algumas linhas com ódio. Marcos mudou o status do Facebook: em um relacionamento com Sónia. Fechou o computador com raiva. Saiu do quarto. Foi procurar alguém para fazer uma fogueira no dia seguinte e percorreu a praia em busca do local ideal para a sua noite mágica.


O dia D chegou! Dia 31. O último dia do ano. O dia que mudaria a vida de Lara. E ela estava exausta. E ainda havia tanto para fazer.


Foi comprar flores de Iemanjá, arrumou o barquinho, foi com o homem que ela contratou arrumar a fogueira, discutiu com o gerente do hotel: ali não poderia fazer fogueira. Procurou outro lugar mágico, não era tão bom, mas servia, deu uma gorjeta ao gerente para lhe arranjar taças de champagne - taças? para quantos? - para um. Só para ela. Pediu também para aquecer as lentilhas e o pão grego que já estava meio duro. Faltavam duas horas. Estava saindo para a praia com a mala cheia quando se lembrou das viagens: precisava dar a volta no quarteirão com uma mala vazia. Não havia quarteirão. A mala estava cheia.


Esvaziou tudo, deu um volta correndo no hotel enquanto outros hóspedes se reuniam em volta da piscina, encheu de novo e partiu carregando a mala pesada pela areia com o seu vestido novo, cuequinha colorida e uns brincos velhos porque se tinha esquecido dos que tinha comprado. Organizou o seu canto mágico: fogueira, velas, presente de Iemanjá, passas, romãs, panela, champagne, taça, fogo de artifício. Agora era esperar até... Não tinha relógio.


Tinha deixado o telemóvel no quarto para não ver mais a cara de Marcos. Ao sinal do primeiro fogo de artifício, foi pulando com o pé direito até ao mar comendo as passas, pulou sete ondas comendo romãs, voltou correndo, acendeu o fogo de artifício, comeu uma garfada de lentilhas, mordeu o pão duro, estourou a champagne, gritou Feliz Ano Novo, bateu na panela, colocou o papel com as suas metas no barco para Iemanjá, voltou a correr para o mar, colocou o barco, fez uma oração, voltou para…


Tinha areia nas lentilhas e o champagne tinha caído no chão. Ela estava exausta. Foi dormir. Dormiu durante todo o dia primeiro e noite pegou o avião. Estava morrendo de fome, pediu dois Big Macs, viu mais uma vez a foto de Marcos e de Sónia na piscina, chegou a casa, tentou apanhar um táxi para o trabalho, mas o telemóvel informou que não tinha saldo no cartão, encontrou o seu chefe, ela não tinha feito o relatório.


Moral da história:


Daqui a um ano irá desejar ter começado hoje ou,


Não aposte tudo em superstições...

domingo, 23 de dezembro de 2018

Concretização das críticas da oposição em prendas de Natal

Oposição de direita.png


Em democracia uma das funções da oposição seja, de direita ou de esquerda, é a de criticar o governo que esteja em exercício. O dia da falhada manifestação dos coletes amarelos aqui em Portugal, imitação grosseira dos “gilets jaunes”, leva-nos a refletir sobre as reivindicações, também elas imitação grosseira do que fizeram em França.


Já quase no final do ano, ao começar a pensar nos pontos de mira em que a direita CDS e PSD, incidirão para fazer oposição ao Governo, encontro apenas casos que se referem a acidentes alguns deles graves, é certo, com perda de vidas humanas  que os canais de televisão se encarregaram de explorar, aprofundando e repetido exaustivamente as mesmas peças. Outros casos que têm sido explorados pela oposição de direita são casos imprevisíveis que não têm procedência em governos sejam eles quais forem.


As críticas da oposição sobre o que de facto interessa ao país são aniquilados pelo nevoeiro envolvente dos casos conjunturais e acidentais lançados pela comunicação social. É uma direita sem programa que se alimenta de casos.


Agora que estamos na época natalícia e prestes a iniciar-se um novo ano seria bom que a oposição de direita pusesse no Cabaz de Natal para oferecer aos portugueses o compromisso de que irá fazer tudo aquilo que, segundo ela, o atual Governo em funções não tem feito e que tem suscitado tantas críticas.


Seria interessante que a direita que tanto critica as iniciativas do Governo, e diz serem apenas de propaganda enganadora fizesse, agora que estamos no final do ano, algumas promessas aos portugueses para cumprir caso venha a ser Governo.


Assim, aqui vão algumas promessas que direita se deve comprometer a cumprir, caso venha a ser Governo após as próximas eleições legislativas tendo em vista o que tem vindo a afirmar ao longo do ano e o mais provável também no próximo.



  • Prometemos baixar ou até eliminar os impostos sobre os produtos petrolíferos.

  • Prometemos aumentar o salário mínimo do público e do privado.

  • Prometemos aumentar todos os funcionários público.

  • Prometemos o descongelamento das carreiras de acordo com as reivindicações dos sindicatos, nomeadamente as pedidas pelos professores.

  • Prometemos melhorar todos os serviços públicos para evitar a sua degradação.

  • Prometemos durante o nosso mandato renovar todas a redes ferroviárias assim como a substituição de todas as composições dos comboios da CP.

  • Prometemos melhores transportes para todos e passes acessíveis a nível nacional.

  • Prometemos exigir a todas as autarquias que reforcem e melhorem a rede rodoviária encerrando as que estão em estado perigoso ou degradado.

  • Prometemos combater e eliminar a corrupção.

  • Prometemos que não haverá mais incêndios florestais.

  • Prometemos baixar impostos às empresas.

  • Prometemos rever os escalões do IRS para que todos paguem menos impostos.

  • Prometemos baixar o IRC para todas as empresas para captar investimento.

  • Prometemos voltar a fazer parcerias com escolas privadas mesmo onde existam escolas públicas mesmo que utilizem os fundos para benefícios pessoais.

  • Prometemos baixar o preço da energia.

  • Prometemos que não mais haverá mortos ou feridos em acidentes por falhas da intervenção do Estado.

  • Prometemos que nada mais falhará na segurança.

  • Prometemos que faremos todas as diligências para satisfazer na íntegra todas as reivindicações dos enfermeiros.

  • Prometemos que baixaremos o IVA em alguns produtos.

  • Prometemos que acabaremos com as listas de espera das intervenções cirúrgicas.

  • Prometemos que iremos melhorar, ampliar e dinamizar o SNS.

  • Prometemos que os hospitais públicos passarão a funcionar em pleno, que nada faltará aos utentes e que serão preenchidas todas as vagas, quer de enfermeiros quer de médicos.

  • Garantimos aumentos e carreiras para todos que pertençam à função pública.

  • Prometemos e garantimos que bombeiros e Proteção Civil nunca falharão.

  • Prometemos não aumentar impostos nem aumentar taxas.

  • Prometemos que eliminaremos todas as taxas e taxinhas.

  • Prometemos triplicar o investimento privado.

  • Prometemos aumentar o investimento público para níveis muito superiores ao do atual governo (críticas em 30 de outubro de 2018).

  • Prometemos reduzir para 60% a dívida pública.

  • Prometemos reduzir o défice para 0%.

  • Prometemos um aumento do crescimento entre 3 a 4% ao ano à semelhança com outros países do Leste.

  • Prometemos reduzir a inflação que agora é de 1,3%.

  • Prometemos habitação condigna para todos e a preços acessíveis, especialmente para os jovens.

  • Prometemos acabar com as bolsas de pobreza ainda existentes.

  • Prometemos ceder às reivindicações dos magistrados.


Em alternativa a direita, se não for governo, poderia convocar através de pressupostas pessoas e pelas redes sociais manifestações de coletes, a cor poderá ser à escolha, transformar estas promessas em caderno reivindicativo e exigir ao Governo o seu cumprimento.


Demagogia? Claro que sim, mas parece que a oposição de direita faz crer que tudo o que critica ao Governo, se estivesse no poder, poderia fazer cumprir com eficácia.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Feliz Ano Novo sem vir o diabo

FelizAnoNovo.pngQuando leio algumas notícias que provêm de declarações do PSD não consigo deixar de sorrir e, até rio com vontade se estou em presença de pessoas conhecidas. Desta vez foi aquela do PSD pressionar o Governo para alargar o pré-escolar.


A exigência para o Governo avançar já em 2017-18, com a generalização da oferta da frequência do pré-escolar aos 3 anos de idade consta de um projeto entregue na Assembleia da República no qual o PSD acusa o executivo de António Costa de não se comprometer com qualquer data concreta para a promessa e acusam-no de propaganda. Aqui eu diria olha quem fala?


Rir, e depois sentir um sentimento de pena para com o PSD, lamentando a tristeza da política que por lá deve andar. Perguntam então os leitores deste “post”, porquê? A resposta é simples.


O alargamento do pré-escolar é uma proposta que consta do programa do PS que António Costa divulgou que é para ser implementado durante a legislatura e que, recordo, vai agora entrar apenas no segundo ano.


Agora o PSD apanha a boleia para a sua azáfama de propaganda e mostra que está muito interessado na educação pré-escolar, como se este projeto pudesse ser implementado em cima do joelho e posto em prática em meia dúzia de meses. Aliás, projetos elaborados em cima do joelho foi o que mais tivemos durante o governo do PSD-CDS. Nada se ouviu nem viu sobre a alargamento do pré-escolar durante os quase cinco anos que estiveram no governo, mas é agora que estão muito interessados na rapidez. Portam-se, como disse em “post” anterior como garimpeiros que, em vez de algo valioso, carregam para o saco umas pedrazinhas que cujo valor nem dão para o esfoço.


Apenas me resta desejar-lhes um Bom Ano Novo gasto à procura do diabo.


 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Presidente da República acabado Silva igual a Governo

cavaco-silva-zen.jpg


 


O discurso de ano Novo do Presidente da República foi um discurso de banalidades conhecidas  propagadas pela propaganda do Governo às quais, como sempre, se atrelou.


Foi um discurso de um Presidente da República acabado e sem nada de novo para dizer ao país. Nada de novo a não ser a parcialidade, a falta de independência e a traição aos compromissos assumidos para com o povo português.


Centrado nas eleições fez campanha eleitoral velada contra o PS. Para ele talvez fosse melhor não haver eleições, pois então!


Se por um lado afirma que "os partidos políticos são essenciais para a qualidade da democracia e para a expressão do pluralismo de opiniões", por outro apela a que os partidos abdiquem dos seus programas e dos seus projetos ao dizer que "Não é só no dia a seguir às eleições que se constroem soluções governativas estáveis, sólidas e consistentes…". Será que são soluções pré-eleitorais semelhantes à de partido único com alinhamento absoluto com os partidos do Governo conduzindo a uma oposição despicienda?


Avisa, implicitamente, que, se a direita não ganha, voltamos ao passado e que a via a seguir é só uma, a do Governo ao dizer que "A economia está a crescer, a competitividade melhorou, o investimento iniciou uma trajetória de recuperação e o desemprego diminuiu." Estes são os argumentos estatísticos apresentados pelo Governo.


Quanto ao desemprego estamos conversados, sabemos bem como foram criados dezenas de milhar de falsos postos de trabalhos para os retirar das estatísticas. Uma coisa é certa, a maior fatia não foi criada pelo investimento privado pois este está estacionário ou, em alguns casos, até diminuiu. Onde estão as medidas que o incentivassem?


O Presidente da República Cavaco Silva ficará para a história como o pior presidente em quem os portugueses votaram. Fazer das eleições de 2015 a parte principal da sua mensagem de Ano Novo não seria o esperado. Parafraseando os bonecos do antigo programa de sátira humorística Contra Informação da RTP, este é mesmo o acabado Silva.