
Se perguntarmos a especialistas em psicologia ou em psiquiatria o que é uma psicose obteremos respostas tais como conjunto de sintomas que afetam a mente, onde houve alguma perda de contato com a realidade e dificuldade em reconhecer o que é real e o que não é, mesmo face a evidências. Ou ainda uma condição de saúde mental que se caracteriza por uma desconexão da realidade. Ou experimentar sintomas como delírios, isto é, crenças falsas firmemente mantidas apesar de evidências contrárias. Ou ainda outros sintomas que incluem perturbação da mente que causa dificuldades em determinar o que é ou não real e comportamento inapropriado para determinada situação e também perda capacidade emocional.
Posso acrescentar ainda que, a negação da realidade evidenciada pode ser um sintoma de psicose. Esses delírios podem levar à negação da realidade de diversas formas, como acreditar que eventos que não ocorreram realmente aconteceram ou que situações reais não são verdadeiras. A negação das evidências científicas sobre vários temas pode ser um dos sintomas.
Analisando atentamente declarações e fazendo uma análise de conteúdo das intervenções de Donald Trump por um especialista em psicologia ou em psiquiatria desde que concorreu pela primeira vez às eleições nos EUA detetar-se-iam alguns sintomas característicos de psicose.
Contudo, se a pessoa em questão está em estado de negação consciente, isto é, nega as evidências apenas com algum propósito então entramos noutra particularidade que é a intencionalidade do objetivo que tem um fim em vista que é a obtenção de vantagens pessoais quaisquer que sejam, que podem ser políticas e ou de poder.
A psicose não é exclusiva das pessoas que são comumente rotuladas como “loucas”. Na realidade, a psicose pode afetar pessoas de todas as esferas da vida e pode ser uma manifestação de várias condições de saúde mental. Qualquer pessoa pode experimentar um ou vários episódios psicóticos em determinadas circunstâncias como por exemplo, entre outras, experiências traumáticas, sejam emocionais, físicas ou sexuais. Situações de grande stress podem precipitar também episódios psicóticos.
Assim, negar conscientemente as evidências com o objetivo de obter vantagens pessoais que podem ser políticas ou de exercício de poder, pode ser diferente da negação da realidade observada na psicose.
Trump parece estar em estado de negação consciente, por isso, é mais provável que ele esteja a agir de forma intencional e estratégica, possivelmente com motivações egoístas, narcisistas ou a evitar consequências negativas. Essa forma de negação pode estar associada a comportamentos manipulativos ou desonestos, e não necessariamente a uma condição de saúde mental. Portanto, a negação da realidade devido à psicose é uma questão de saúde mental, enquanto a negação consciente da realidade com um propósito específico é uma questão comportamental e ética,
Donald Trump tem sido conhecido por negar várias evidências, especialmente em relação às eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2020. Frequentemente alegou, sem apresentar provas, que houve fraude eleitoral generalizada que resultou na vitória de Joe Biden. Essas alegações foram repetidamente desmentidas por autoridades eleitorais e judiciais, incluindo membros do próprio partido republicano.
Além disso, Trump também foi acusado de interferência eleitoral e de tentar anular os resultados das eleições de 2020. Essas ações e alegações têm sido amplamente discutidas e investigadas, mas até agora, não foram apresentadas evidências concretas que sustentem suas afirmações de fraude eleitoral. Essas alegações foram desmentidas por várias investigações e revisões judiciais.
Donald Trump tem negado várias evidências em diferentes áreas, incluindo questões climáticas e saúde pública. Os exemplos são vários.
Trump chamou frequentemente “farsa” às mudanças climáticas e retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris, que visa combater o aquecimento global; desconsiderou evidências científicas sobre o impacto das atividades humanas no clima.
Durante a pandemia, Trump minimizou a gravidade do vírus e promoveu tratamentos não comprovados, como a hidroxicloroquina, e também criticou e desacreditou especialistas em saúde pública e as suas recomendações, chamando algumas informações “notícias falsas”. Em alguns momentos, defendeu ou mencionou tratamentos que não tinham comprovação científica, o que foi rotulado por muitos especialistas como irresponsável.
Mas há outras evidências como a deslegitimação de fontes ao chamar de “fake news” às informações que divergiam de sua visão ou que criticavam as suas ações. Trump procurou minar a credibilidade dos meios de comunicação e de instituições que apresentavam dados contrários às suas posições.
As atitudes de Trump geraram debates intensos tanto no meio científico quanto na sociedade, levantando preocupações sobre os efeitos que a disseminação de desinformação pode ter na formulação de políticas causando desconfiança na população em relação às informações e dados credenciados.
Tudo isto tem impacto na opinião pública porque o tipo de retórica de Trump pode contribuir para que parte do público se torne menos crítico em relação à análise de evidências, aceitando passivamente informações vindas de fontes de autoridade sem uma verificação aprofundada.
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