
António Costa alertava no Financial Times que a “a Rússia deve ser encarada como ameaça global”, para acrescentar que a Europa deve negociar uma nova arquitetura de segurança que encare Moscovo como “uma ameaça não apenas para a Ucrânia”, escreve o Público no dia 18 do corrente. Talvez omitisse os EUA de Trump por motivos diplomáticos. Mas, o perigo não vem só da Russia como diz Costa.
O presidente dos EUA gostou da declaração de Vladimir Putin quando disse que, após o seu regresso à Casa Branca, a Europa “ficará aos pés de seu mestre”. A publicação da CNBC, que incluía a citação correspondente, foi republicada por Trump na sua página da rede social, como se enfatizasse que tudo será exatamente como o presidente russo disse.
Notícias, artigos e comentários sobre negociações de paz para a terminar com guerra na Ucrânia na linha definida por Donald Trump são vários e contraditórios. Afirmações, declarações e contradições de Trump aparecem diariamente nos media de vários países que já lhe perdemos a conta.
Afinal o que devemos entender por negociações para a paz segundo a ciência política? É um tipo específico de negociação tendo em vista acabar com conflitos, guerras e estabelecer a paz a longo prazo, abordar as causas subjacentes do conflito e criar acordos que previnam violência futura. Normalmente envolve países, governos ou até fações envolvidas em conflitos armados que visam a paz, a estabilidade e a reconstrução. Assim, têm como objetivo cessar as hostilidades. Em síntese, as negociações de paz visam especificamente a resolução de conflitos e o estabelecimento de uma paz duradoura.
No conflito da Ucrânia as partes diretamente envolvida foram este país e, até ao momento, a Rússia que invadiu aquele país soberano, embora Putin o negue e agora também Trump usando argumentos falaciosos. A União Europeia, o Reino Unido e os Estados Unidos da América auxiliaram a Ucrânia, desde o início da invasão, com apoio em armamento e recursos financeiros. Com a invasão da Ucrânia o que o autocrata/ditador da Rússia pretendia era instalar na Ucrânia um governo fiel a Moscovo.
Trump, na sua rede social Truth Social de desinformação que, para ele, passou a ser palavra proibida, chamou a Zelensky um “comediante modestamente bem-sucedido”. Trump como os da sua equipa têm memória curta. Ele deve recordar-se que começou a tornar-se conhecido como proprietário dos concursos de beleza Miss Universo, Miss EUA e Miss Teen EUA e alcançou maior projeção como criador e apresentador do reality show “O Aprendiz”, do qual fez parte entre 2004 e 2015. O programa mostrava executivos competindo por uma posição numa das empresas do apresentador e produtor do programa que era Donald Trump. Assim ele foi também uma espécie de comediante num show televisivo que lhe rendeu muito dinheiro.
Mais grave ainda são as mentiras que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na sua rede social ao afirmar que o presidente ucraniano é “um ditador sem eleições”, o mesmo que já tinha sido afirmado por Putin e voltou a acusar aparentemente a Ucrânia de ser responsável pela guerra com a Rússia numa onda de alegações sem fundamento e desconhecedor do tema, talvez para agradar ao seu amigo Putin. Putin também já tinha acusado a Ucrânia de ter dado início à guerra. O facto é que a Rússia lançou uma invasão em grande escala na Ucrânia em fevereiro de 2022, e já tinha anexado a Crimeia em 2014. “Foram eles que começaram a guerra em 2014”, disse o presidente russo, Vladimir Putin, numa entrevista ao apresentador de talk show americnao Tucker Carlson em fevereiro de 2024.
O que não há dúvidas é que, em 22 de fevereiro de 2022, a Rússia começou a guerra invadindo a Ucrânia. As tropas russas invadiram a fronteira com o objetivo explícito de derrubar o governo de Zelensky em Kiev que é pró-ocidente com o objetivo de poder de lá colocar um presidente fiel a Moscovo.
Neste segundo mandato Donald Trump tem adotado uma abordagem diferente em relação à ajuda à Ucrânia. Condicionou a ajuda dos EUA à Ucrânia em troca de direitos sobre recursos minerais, de terras raras, que são essenciais para a indústria eletrónica. Trump pretende bloquear verbas e o auxílio militar à Ucrânia. Apesar de ter tomado
Donald Trump tomou uma postura no sentido de iniciar conversações para a paz na Ucrânia, mas as negociações são de facto complexas e deveria envolver várias partes interessadas. Desde o início da invasão russa em 2022 houve várias tentativas de negociação que falharam. Recentemente houve vários anúncios sobre um telefonema de Trump com o presidente russo, Vladimir Putin, anunciando que as negociações de paz começariam imediatamente. Mais recentemente, houve um novo impulso diplomático com a participação de altos responsáveis dos EUA e da Rússia em reuniões na Arábia Saudita sem, no entanto, a Ucrânia não ter sido convidada para essas reuniões, o que gerou críticas de Zelensky que expressou a sua insatisfação com a exclusão da Ucrânia dessas negociações e afirmou que Kiev não reconhecerá qualquer acordo alcançado sem sua participação.

As ações de Donald Trump de tentar negociar a paz na Ucrânia, sem a presença das outras partes interessadas e propondo negociações diretas com Vladimir Putin, tem gerado controvérsias. Este tipo de atitude de Trump pode levantar desconfiança já que se desconhece o conteúdo da conversa telefónica com Putin e porque a sua relação com ele parece ser comprometedora tendo em conta relações políticas e de amizade com ele próprio já tinha expressado anteriormente. Após a tomada de posse para o segundo mandato de Trump, Putin anunciou com entusiasmo que “os líderes europeus ficarão do lado do mestre e acabarão por abanar a cauda carinhosamente”.
Mas há mais, o presidente russo, Vladimir Putin, elogiou o seu homólogo Donald Trump numa entrevista publicada no domingo 2/2/2025, dizendo que Trump em breve “restaurará a ordem” na Europa.
A comparação de Trump com Putin aproxima-se porque ele proíbe uma agência noticias de entrar na Casa Branca. Recentemente a administração Trump proibiu a entrada de jornalistas da agência de notícias Associated Press (AP) na Casa Branca e no Air Force One. Esta decisão foi tomada porque a AP continuou a usar o termo “Golfo do México” em vez de “Golfo da América”, conforme exigido por uma ordem executiva de Trump. A Casa Branca defendeu a sua decisão, afirmando que a recusa da AP em cumprir a mudança de nome era um compromisso com a desinformação. A medida foi amplamente criticada por várias organizações de media e é vista como uma violação da Primeira Emenda. Ridículos, decisão de Trump, a proibição e os motivos.
Os EUA estão a caminho duma autocracia, nome bonito para ditadura, e ainda não sabem.
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