
O que Luís Montenegro pretende é que estas eleições sirvam como uma espécie de moção de confiança que os eleitores deste país lhe outorguem. Por outro lado, pretende ou propõe, já que não pode obrigar, que os temas do debate sejam apenas sobre o que fez e o que pretende fazer, isto é, debates de propaganda.
A propósito de propaganda é o que tem feito Montenegro com apressadas inaugurações, como foi a do dia 31 de março em que falou na sessão de inauguração da Unidade de Saúde Familiar (USF) Feira Sul, em Milheirós de Poiares, uma das três que inaugurou nessa manhã neste concelho do distrito de Aveiro.
Lata não lhes falta! A confusão está instalada e no clima de campanha há confusão entre Estado, Governo e PSD que deveria ser evitada, mas não. Na terça-feira à noite, dia 1/04 a concelhia do Porto do PSD convocou os militantes via SMS para irem cumprimentar não o primeiro-ministro, mas o líder do partido. Eis o SMS que enviaram aos militantes: “Caro(a) militante, informa-se que amanhã, dia 2 de abril, o primeiro-ministro Luís Montenegro estará na cidade do Porto, numa reunião do Conselho de Ministros que assinalará 1 ano de governação. O primeiro-ministro chegará ao Mercado do Bolhão pelas 10h20 e sairá pelas 12h30. Todos estão convidados a ir cumprimentar o nosso Presidente”, pode ler aqui. Não contentes com isto, acresce que, além desta colagem ainda calhou que o balanço da governação se fundisse, ou confundisse, com a confirmação da candidatura de Pedro Duarte à câmara do Porto
A incapacidade que alguns políticos têm para não se verem ao espelho quando acusam outros de algo que eles próprios também fazem, como é o caso de Luís Montenegro e seus acólitos do Governo que, para evitar movimentos sociais e contestações, distribuíram dinheiro por todo o lado como foram os professores e polícias entre outros. Fora de causa está a justeza ou não das medidas. Não gozem connosco por favor!
Os tipos do PSD/AD, ou como é que agora se passou a designar, são uns trapalhões e uns hipócritas. Em relação ao programa de governo apresentado pelo PS dizem agora que tem a “Receita para o desastre”, “grau zero da responsabilidade política” e recuperam para comparação o caso Sócrates, que nada tem a ver, e serve apenas para afastarem do domínio público os arranjinhos que Luís Montenegro tem com as suas empresas.
O PSD é um fazedor de esquecimento para tudo quanto a si próprio diz respeito, mas, tratando-se de outros, a memória de longo prazo aviva-se e encurta-se e, de repente, a AD saca da palavra “Sócrates” isto é um impulso de quê? Esqueceu-se rapidamente que Montenegro processa o CHEGA e pede retirada de cartazes que o associam a Sócrates.
O PSD ter sentido necessidade de recorrer a Sócrates para atacar o programa do PS, mostra quanto a imagem de Montenegro é afetada pelo cartaz do CHEGA a compará-lo com o dito. Uma confissão que terá toda a razão de ser, e da qual será muito difícil descolá-lo.
Em síntese: imediatamente após a entrada em funções o Governo de Luís Montenegro pegou no dinheiro do excedente, resultado do anterior Governo e, para evitar, contestações sociais distribuiu dinheiro ao desbarato por todo o lado. Em resumo: o Governo que cessou funções para além de distribuir por alguns funcionários públicos o excedente que o PS deixou em nada mudou a educação e a saúde que está muito pior e, pelo andar carruagem, se a AD(?) ou será PSD(?) ou PSD/AD(?) formar Governo vamos ter novamente a incompetente da ministra da saúde Ana Paula Martins e estragar o que falta do SNS.
Jogada cheia de habilidades e de falsa ingenuidade é querer que o Governo bata certo com os seus negócios que continue a tratar da sua vida privada como se nada fosse e distribuiu cheques por todo o lado como se não houvesse amanhã para atrair as classes médias e descolar, juntamente com os pensionistas, os eleitores do PS e depois esperar pelos votos a cair. É o poder comprado com meios do erário público.
Após isto o primeiro-ministro Montenegro jogou na queda do Governo porque teve medo de uma CPI na Assembleia da República e por isso conduziu o país para novas eleições.
As palavras do primeiro-ministro Luís Montenegro têm sido bem esclarecedoras para quem o quer escutar quando nesta campanha usa e abusa da palavra “pessoas”, identicamente como ele fazia há mais de dez anos, quando era líder da bancada do PSD, durante um Governo de Pedro Passos Coelho/Paulo Portas. Tem agora razões para repetir que “a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor” porque o país tem as contas em dia, graças ao governo anteriores, mas as pessoas não.
Mais uma, todos nos recordamos que o PS deixou passar o Programa de Luís Montenegro para não criar um impasse no país e que o Orçamento de Estado para 2025 foi aprovado porque o PS o viabilizou, e também todos nos recordamos que foi com a ajuda do PS que foi eleito o Presidente da Assembleia da República Aguiar-Branco. Vem agora esse senhor Leitão Amaro publicitário do Governo AD dizer que “PSD pode não viabilizar governo PS e alega que essa não é a vontade dos portugueses”. Não é essa a vontade dos portugueses? Estará a instituir-se como a voz oficial ou oficiosa dos portugueses? Atrevimento não lhe falta!
Era bom pensássemos e que também não esquecêssemos.
Boa tarde, Manuel
ResponderEliminarO problema do PS e PPD/PSD é que sempre que há um mau resultado, ou uma má governação, a culpa nunca é do Partido, é do Secretário Geral, no caso do PS, ou do Presidente, no caso do PPD/PSD, que estão de serviço no momento.
Outra questão é que nas campanhas eleitorais discutem-se mais as qualidades dos "supostos" candidatos a primeiro-ministro - lá volto à velha tecla que não há candidatos a primeiro-ministro, mas candidatos a deputados - em vez de se discutir programas eleitorais.
Penso, e esta é a minha opinião, que na campanha eleitoral se mostram tão iguais que de facto a diferença entre eles é mesmo a face dos "candidatos a primeiro -ministro".
Outra questão é que eles não são claros, alguns diriam "radicais", nas suas propostas, o PS não se assume como Social-democrata, nem o PPD/PSD se assume com Liberal. E fogem dessa clareza, por que razão? Pelo simples facto que eles querem ser Governo, por ser Governo, e não para porem em prática o seu verdadeiro programa. Então não apelam ao voto por uma causa, apelam "à concentração de votos", como ouvi hoje Pedro Nuno Santos afirmar num canal de televisão.
Gostaria que todos os partidos fossem radicalmente honestos e pedissem os votos de quem acreditasse nos seus programas, e não no "voto útil" que mais não é que um voto inútil - é um voto tirado a um outro partido qualquer porque os dirigentes partidários do PS e do PPD/PSD-CDS/PP (AD) se assumem como únicos possíveis governantes e são acolitados por uma comunicação social - jornalismo - vergonhosa que em vez de esclarecer mais distorce a lei Constitucional.
Depois temos jornalistas, e não vou falar dos entrevistadores na berlinda neste momento, mas de todos aqueles são agressivos para os seus entrevistado, tentando levar os dirigentes não-gratos, a responderem como eles querem e não à resposta que o entrevistado tem para dar.
Enquanto a política for este jogo de enganos não sairemos do Pântano, que já foi denunciado por Guterres desde o orçamento do queijo limiano, em que esta vontade de governar, por governar, e a falta de clareza de alguns partidos se mantiver.
Sei que sou teimoso e radical,
Zé Onofre
Zé Onofre,
EliminarComo agora não tenho tempo vou tentar noutra altura dizer algo sobre isto que escreveu. Quanto a ser radical não acho, mas quem não o é quando se coloca a defender algo por que luta. Quanto a teimoso não acho que seja.
Boa Tarde Zé Onofre,
EliminarO prometido é devido e cá estou eu a dar mais uma achega.
Em primeiro lugar o debate Raimundo do PCP com Montenegro conseguiu que Raimundo ficasse com mais trunfos, aliás o que foi considerado quase unânime por comentadores.
Agora sobre os partidos e as suas intervenções é um facto que todos os partidos, sem exceção, o que pretendem é ganhar mais expressão em votos nas eleições e ao mesmo tempo os que o conseguirem, ganhar eleições. Disto não há dúvida e para tal quais quer artimanhas servem (caso CHEGA).
Quanto jornalistas, há alguns que pensam estar num ring de combate onde pretendem que as respostas dos entrevistados facilitem o partidos do entrevistado, porque não nos iludamos, os entrevistadores votam e votam em partidos, não estou a vê-los a votar nulo ou branco! Esse é outro facto.
Como quela entrevista a Paulo Raimundo por José Rodrigues dos Santos, o tal que escreve livros como quem bebe um copo de água, que foi lamentável.
Para terminar a clareza em política é impraticável, porque estão em causa votos, todos sofrem do mesmo síndrome que é o da falta de clareza, mas todos são assim! Até mesmo o PCP que em alguns aspetos também sobre de ambiguidades e a política de "competição" é plena de ambiguidades e suspensões de pontos de vista!