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segunda-feira, 7 de abril de 2025

A manutenção do poder por Montenegro estará assegurada?

Montenegro e governo.png


O que Luís Montenegro pretende é que estas eleições sirvam como uma espécie de moção de confiança que os eleitores deste país lhe outorguem. Por outro lado, pretende ou propõe, já que não pode obrigar, que os temas do debate sejam apenas sobre o que fez e o que pretende fazer, isto é, debates de propaganda.


A propósito de propaganda é o que tem feito Montenegro com apressadas inaugurações, como foi a do dia 31 de março em que falou na sessão de inauguração da Unidade de Saúde Familiar (USF) Feira Sul, em Milheirós de Poiares, uma das três que inaugurou nessa manhã neste concelho do distrito de Aveiro.


Lata não lhes falta! A confusão está instalada e no clima de campanha há confusão entre Estado, Governo e PSD que deveria ser evitada, mas não. Na terça-feira à noite, dia 1/04 a concelhia do Porto do PSD convocou os militantes via SMS para irem cumprimentar não o primeiro-ministro, mas o líder do partido. Eis o SMS que enviaram aos militantes: “Caro(a) militante, informa-se que amanhã, dia 2 de abril, o primeiro-ministro Luís Montenegro estará na cidade do Porto, numa reunião do Conselho de Ministros que assinalará 1 ano de governação. O primeiro-ministro chegará ao Mercado do Bolhão pelas 10h20 e sairá pelas 12h30. Todos estão convidados a ir cumprimentar o nosso Presidente”, pode ler aqui. Não contentes com isto, acresce que, além desta colagem ainda calhou que o balanço da governação se fundisse, ou confundisse, com a confirmação da candidatura de Pedro Duarte à câmara do Porto


A incapacidade que alguns políticos têm para não se verem ao espelho quando acusam outros de algo que eles próprios também fazem, como é o caso de Luís Montenegro e seus acólitos do Governo que, para evitar movimentos sociais e contestações, distribuíram dinheiro por todo o lado como foram os professores e polícias entre outros. Fora de causa está a justeza ou não das medidas. Não gozem connosco por favor!


Os tipos do PSD/AD, ou como é que agora se passou a designar, são uns trapalhões e uns hipócritas. Em relação ao programa de governo apresentado pelo PS dizem agora que tem a “Receita para o desastre”, “grau zero da responsabilidade política” e recuperam para comparação o caso Sócrates, que nada tem a ver, e serve apenas para afastarem do domínio público os arranjinhos que Luís Montenegro tem com as suas empresas.


O PSD é um fazedor de esquecimento para tudo quanto a si próprio diz respeito, mas, tratando-se de outros, a memória de longo prazo aviva-se e encurta-se e, de repente, a AD saca da palavra “Sócrates” isto é um impulso de quê? Esqueceu-se rapidamente que Montenegro processa o CHEGA e pede retirada de cartazes que o associam a Sócrates.


O PSD ter sentido necessidade de recorrer a Sócrates para atacar o programa do PS, mostra quanto a imagem de Montenegro é afetada pelo cartaz do CHEGA a compará-lo com o dito. Uma confissão que terá toda a razão de ser, e da qual será muito difícil descolá-lo.
Em síntese: imediatamente após a entrada em funções o Governo de Luís Montenegro pegou no dinheiro do excedente, resultado do anterior Governo e, para evitar, contestações sociais distribuiu dinheiro ao desbarato por todo o lado. Em resumo: o Governo que cessou funções para além de distribuir por alguns funcionários públicos o excedente que o PS deixou em nada mudou a educação e a saúde que está muito pior e, pelo andar carruagem, se a AD(?) ou será PSD(?) ou PSD/AD(?) formar Governo vamos ter novamente a incompetente da ministra da saúde Ana Paula Martins e estragar o que falta do SNS.


Jogada cheia de habilidades e de falsa ingenuidade é querer que o Governo bata certo com os seus negócios que continue a tratar da sua vida privada como se nada fosse e distribuiu cheques por todo o lado como se não houvesse amanhã para atrair as classes médias e descolar, juntamente com os pensionistas, os eleitores do PS e depois esperar pelos votos a cair. É o poder comprado com meios do erário público.


Após isto o primeiro-ministro Montenegro jogou na queda do Governo porque teve medo de uma CPI na Assembleia da República e por isso conduziu o país para novas eleições.


As palavras do primeiro-ministro Luís Montenegro têm sido bem esclarecedoras para quem o quer escutar quando nesta campanha usa e abusa da palavra “pessoas”, identicamente como ele fazia há mais de dez anos, quando era líder da bancada do PSD, durante um Governo de Pedro Passos Coelho/Paulo Portas. Tem agora razões para repetir que “a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor” porque o país tem as contas em dia, graças ao governo anteriores, mas as pessoas não.


Mais uma, todos nos recordamos que o PS deixou passar o Programa de Luís Montenegro para não criar um impasse no país e que o Orçamento de Estado para 2025 foi aprovado porque o PS o viabilizou, e também todos nos recordamos que foi com a ajuda do PS que foi eleito o Presidente da Assembleia da República Aguiar-Branco. Vem agora esse senhor Leitão Amaro publicitário do Governo AD dizer que “PSD pode não viabilizar governo PS e alega que essa não é a vontade dos portugueses”. Não é essa a vontade dos portugueses? Estará a instituir-se como a voz oficial ou oficiosa dos portugueses? Atrevimento não lhe falta!


Era bom pensássemos e que também não esquecêssemos.

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

O País e as pessoas pelo primeiro ministro

Montenegro pessoas e país.png


Segundo uma sondagem da Universidade Católica a Aliança Democrática venceria se as eleições fossem hoje, mas a distância para o Partido Socialista não é muita, terá recebido alguns da Iniciativa Liberal que desceu um pouco e uns poucos do PS.


É o que se esperava. Depois de distribuir euros por tudo quanto movimentava e não movimentava, a euforia AD poderá sido desencadeada. É o bater de palmas de alguns, só de alguns, aqueles que o Governo pretende cativar para mais uns votinhos. Alguns pensionistas e reformados aplaudem os euros extra que já receberam, para eles é o milagre dos pães.


Há muitos outros que gratos ficaram pelas benesses concedidas a que mesmo aquelas a que tinham direito. Tudo propaganda no seu melhor. Daí o prémio de uns pontos dados nas intenções de voto. O anterior Governo PS não se pode escusar do que não fez e poderia ter feito em altura própria, oportunidades não lhe faltaram.


A palavra pessoas passou a ser utilizada nas intervenções de elementos do Governo, nomeadamente o primeiro-ministro e do seu propagandista oficial Leitão Amaro quando se referem a algo que fizeram ou dizem ter feito têm usado e a abusado da palavra “pessoas”.


Esta palavra que parece parafrasear a célebre frase de Bill Clinton: “É a economia, estúpido” a qual podemos substituir por são as “pessoas estúpido”.


Luís Montenegro parece estar a redimir-se e a fazer uma contrição do que disse em fevereiro de 2014, quando era líder parlamentar do PSD no governo de Passos Coelho que “A vida das pessoas não está melhor, mas a do País está muito melhor”.


Talvez por isso, Montenegro, agora nas suas intervenções, sempre que é oportuno refere a palavra “pessoas”. Vejamos alguns casos:


Discurso de encerramento do 42.º Congresso do PSD, o líder do PSD a prometia que o "foco no essencial foco dos problemas que afetam as pessoas…”. “Foco na condição de vida das pessoas e foco especial no apoio aos mais desprotegidos.”. (outubro de 2024).


Em maio de 2022 à pergunta feita pela LUSA “Se pudesse ser congelado hoje e acordar daqui a 500 anos, qual seria primeira coisa que ia querer saber?”: “Se aqueles que vieram a seguir a mim, os meus filhos e a geração deles, tinha, de facto, vivido com mais condições do que aquelas com que eu vivo. …Acho que o fim último da política é servir as pessoas, …”.


Numa entrevista à SIC a 8 de outubro de 2024 dizia “eu não governo a pensar naquilo que os partidos dizem no parlamento… eu governo a pensar nas pessoas”.


E, mais uma vez a 31 de outubro Luís Montenegro reagiu à aprovação do OE na generalidade afirmando que esta é uma proposta que “serve os interesses das pessoas e do país”, acrescentou neste caso a palavra país.


E, assim, lá se vai indo também com a ajuda do Ministro da Presidência Leitão Amaro, publicitário do Governo, que vai fazendo anúncios e peças de comunicação que, com algum atabalhoamento e falhas de dicção, divulga as iniciativas do Governo.

domingo, 15 de abril de 2018

Sobre as críticas das direitas ao Plano de Estabilidade

Costa e Centeno.png


A direita tem toda a legitimidade para fazer oposição, o que não pode é tentar manipular e esconder a realidade e os factos à sua medida esquecendo o seu passado, ainda recente, e a forma como foi destruindo o país que, depois de destruído torna a sua reconstrução é mais lenta e difícil.


 Como habitualmente, após a apresentação em conferência de imprensa do Plano de Estabilidade a apresentar em Bruxelas pelo ministro da Finanças Mário Centeno, os partidos da oposição de direita CDS e PSD, e do BE e PCP, à esquerda do PS, comentaram o conteúdo apresentado.


Como seria de esperar, o CDS pela voz de Mota Soares (não sabemos se após deixar de ser ministro continua a andar de motoreta) não concordou em nada com o plano apresentado. Como seria de esperar para o CDS estava tudo mal e a sua intervenção sem história, resumiu-se a mais do mesmo. E, para testar a esquerda, quer ver votação de resolução no Parlamento. Cinismo do costume!


Quanto ao PSD, cujo comentário foi proferido por essa sumidade, e ainda jovem, Leitão Amaro, 38 anos, resquício da direita liberal radical do PSD que utilizando uma verborreia demagógica, demasiado longa e cansativa, lá foi dizendo, estava tudo errado na sua maior parte. Debitou para o ar uma série de jargões e de falsidades interpretativas já bem conhecidas das suas intervenções sobre a situação financeira e económica do país. E pretendeu com passe mágica verbal fazer-nos acreditar que tudo o que melhorou nas pessoas, e no país, foi devido ao PSD.


Ao ser questionado sobre se previa e pelas críticas que apontava no Plano de Estabilidade esperava que ele recusado por Bruxelas não respondeu e saltitou aqui e ali refugiando-se em partes descontextualizadas do Conselho de Finanças Públicas escolhendo as referências que mais lhe agradam. Quanto a alternativas que teria para apresentar se fossem governo nada disse limitando-se a dizer que seriam outras. Mas nós sabemos quais seriam. Seriam a mesmas que aplicaram durante os seus quatro anos de mandato.


Falou ainda em reformas, que reformas? As que devem ser feitas para as gerações futuras como se as gerações do nosso tempo não tivessem também sido no passado consideradas como gerações futuras. Os portugueses vivem o presente, não vivem do que se deve fazer tendo em vista as gerações futuras, porque essas, quando vierem, muita coisa mudou, entretanto, e, então, serão elas que terão de garantir e tomar as medidas adequadas à sua época. O que as gerações futuras necessitam é que se cuide do ambiente em que irão viver porque, no que respeita às melhores políticas, cada geração saberá cuidar-se e ver o que necessita no momento. Quem é que, no tempo da ditadura do Estado Novo, pensava que as gerações futuras iriam produzir o 25 de abril que acabou com o regime? Salazar bem fez o possível por preparar nesse tempo as gerações futuras para manter o fascismo e o colonialismo. 


Algumas das afirmações do porta voz do PSD são hilariantes tais como "a solução do PSD para governar o país é diferente" daquela do atual Governo e de "Não nos conformamos em aproveitar os ventos de costas, queremos melhorar a vida dos portugueses", refere ainda que a opção do Governo é de "insistir em manter em Portugal a carga fiscal mais elevada de sempre". Onde é que nós já ouvimos isto?  Leitão deve ter-se esquecido dos cortes que estariam para vir se o PSD daquele tempo ainda estivesse no governo do país, e do “enorme aumento de imposto” que o ministro das Finanças, Gaspar reconheceu durante o governo em que Leitão foi Secretário de Estado da Administração Local no XIX Governo Constitucional, leia-se Governo de Passos Coelho.



Leitão Amaro, vice-presidente da bancada parlamentar do PSD que, como muitos outros, é um dos apêndices dos liberais radicais de Passos Coelho em funções parlamentares fez questão de mencionar que Portugal com o atual Governo é dos países que menos vai crescer economicamente. Mentira descarada por omitir o contexto real, é que as previsões intercalares de inverno de 2018 da Comissão Europeia para o


 


Comissão europeia previsões 2018.jpg


 crescimento em Portugal durante em 2018 e 2019 embora desacelere fica alinhado com o dos países da zona euro e os que mais influenciam a economia da U.E. e outros comparativamente mais ricos como se pode ver no mapa e no gráfico que se apresenta abaixo.


 


Mapa Crescimento 2018.png


 


O que Leitão Amaro não mencionou é que os países que mais crescem com exceção da Irlanda são aqueles onde a direita está a impor-se e a exploração do trabalho apresenta níveis salariais muito baixos. São os países do leste europeu como se verifica quadro abaixo marcados com asteriscos os que não pertencem à zona euro e com dois astericos o que integram a zona euro.


Também não salientou que, devido a uma previsível alteração da conjuntura internacional as previsões da mesma comissão para 2019 são de baixa de crescimento para todos aos países.


  



Comissão Europeia: Previsões de crescimento de outono 2017



Países



2017



2018



2019



Italy



1.5



1.3



1.0



United Kingdom



1.5



1.3



1.1



France



1.6



1.7



1.6



Belgium



1.7



1.8



1.7



Denmark



2.3



2.0



1.9



Germany



2.2



2.1



2.0



Portugal



2,6



2.1



1.8



Euro area



2.2



2.1



1.9



EU



2.3



2.1



1.9



EU27



2.4



2.2



2.0



Austria



2.6



2.4



2.3



Greece



1.6



2.5



2.5



Spain



3.1



2.5



2.1



Netherlands



3.2



2.7



2.5



Finland



3.3



2.7



2.4



Sweden



3.2



2.7



2.2



*Croatia



3.2



2.8



2.7



Cyprus



3.5



2.9



2.7



**Lithuania



3.8



2.9



2.6



*Czech Republic



4.3



3.0



2.9



**Estonia



4.4



3.2



2.8



Latvia



4.2



3.5



3.2



Luxembourg



3.4



3.5



3.3



*Hungary



3.7



3.6



3.1



**Slovakia



3.3



3.8



4.0



*Bulgaria



3.9



3.8



3.6



*Poland



4.2



3.8



3.4



Ireland



4.8



3.9



3.1



**Slovenia



4.7



4.0



3.3



*Romania



5.7



4.4



4.1



Malta



5.6



4.9



4.1



 


Gráfico crescimento UE.png


Fonte: Comissão Europeia - https://ec.europa.eu/info/business-economy-euro/economic-performance-and-forecasts/economic-forecasts/winter-2018-economic-forecast_en#winter-2018-interim-economic-forecast-a-solid-and-lasting-expansion


 


A direita tem toda a legitimidade para fazer oposição, o que não pode é tentar manipular e esconder a realidade e os factos à sua medida esquecendo o seu passado, ainda recente, e a forma como foi destruindo o país que, depois de destruído torna a sua reconstrução é mais lenta e difícil.