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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Lamparina da opinião

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A imprensa diária de hoje dá relevo de primeira-página e saúda a eleição de António Guterres para Secretário Geral da ONU. A exceção é do Correio da Manhã que faz apenas uma pequena referência em cabeçalho. Para este tabloide os títulos em letras gordas onde se anunciam meias verdades ou verdades tendenciosamente adulteradas são sinónimos de venda. Neste caso não interessa a importância do facto, não é escândalo, não é acidente, não é pânico, não é catástrofe, não é notícia má para Portugal, não provoca instabilidade, não descredibiliza, não é Sócrates. Se não é nada disto, logo, não merece destaque em cacha (notícias mais importantes com direito a um grande título, na primeira página).


Não contesto a importância para Portugal do facto de Guterres ter conseguido por mérito próprio o lugar de Secretário Geral da ONU, nem o prestígio de estar um português naquele lugar e posso até não lhe atribuir a importância que, de facto, tem.  No entanto, há por aí luminárias de comentadores que são conhecidos como adoradores do neoliberalismo a qualquer preço, como João Miguel Tavares, ex-colunista do Correio da Manhã e atualmente do jornal Público, que pretendem ser originais nos artigos de opinião que escrevem por aí e que, por tortuosas prosas, procuram desacreditar pessoas apenas e só porque não são da mesma fação.


Não interessa para o caso se a coluna de opinião que hoje publicou, onde descreve com frieza, indiferença e disfarçado regozijo o facto de Guterres ter obtido o lugar relevante da ONU com alguns senãos pelo caminho.  Mas não é por aí que o estala o verniz. Tavares pode ter a opinião que quiser, o que é extraordinário é o título “Tão bons lá fora, tão maus cá dentro” que dá ao artigo tendencioso e despropositado, pretendendo abranger não apenas Guterres, mas também outros da mesma área política e ideológica.


Mais comentários sobre esta lamparina da opinião são escusados a não ser que seria interessante saber o que escreveu sobre o sombrio caso de Durão Barroso.   

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O diz e o desdiz dum deputado europeu que baralha e volta a dar

 


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Paulo Rangel é um militante e deputado europeu do PSD que pertence ao grupo de direita PP. Quando é questionado num qualquer debate em que participe começa as suas respostas por "bem… vamos lá ver…".


Os seus argumentos são confusos, baralhados, intelectualizados e construídos de modo a confundir opiniões. Até ponho em dúvida que ele próprio os perceba.


"Confesso que Paulo Rangel é uma criatura que me causa irritação. Faz lembrar aqueles meninos com manifestas dificuldades de socialização, que, em consequência disso, se desforram nos serões de família, nos quais encantam as tias velhotas com as mais variadas aptidões não reconhecidas fora de portas." (Miguel Abrantes, 2015)


Declaro que a mim também me causa irritação, coisa que, se ele soubesse, o encheria de orgulho pelos resultados obtidos. 


Rangel parece ser um indivíduo sem convicções e, como tal, não serve para líder do partido. Sobre este assunto e a sua posição no Parlamento Europeu prefiro citar Sebastião Bugalho que escreve no jornal i cujas opiniões leio com algum cuidado e muitas reservas.


Diz Bugalho: "Cinco anos de austeridade, em que Portugal serviu como cartaz de defesa de Berlim e ataque à Grécia, em que ministros portugueses eram aprovados previamente pelo governo alemão, em que políticas defeituosas eram impostas sem escrúpulo, e não se ouviu uma palavra contra Bruxelas. Uma palavra. Cinco anos depois, o patriotismo de Montenegro ressuscita milagrosamente para defender José Manuel Durão Barroso que, como se sabe, é outro apogeu do patriotismo em política.".


Continua dizendo mais à frente: "O patriotismo de Rangel caiu do céu para “defender Durão Barroso”. E o euroceticismo de Rangel nasceu para denunciar uma conspiração “contra António Guterres”. Mas nada disso foi verdadeiro. Foram populismos.


Rangel disse o que disse porque sabe que defender Guterres e fazer voz grossa aos alemães cai bem junto dos portugueses e faz dele uma exceção dentro do PSD. Quer, portanto, ser presidente do partido."


Podem ler o artigo completo em http://ionline.sapo.pt/artigo/523932/a-europa-contra-passos-coelho?seccao=Opiniao_i


 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O que nunca aconteceu não pode acontecer e a teoria do geocentrismo

Órbita da política.png


 


O não facto é a direita querer governar nas atuais condições parlamentares mantendo as mesmas propostas de governação.


Se os últimos quatro anos não tivessem tido o prejuízo que a coligação de direita neoliberal causou ao país o milagre de entendimento ao nível parlamentar à esquerda do PS dificilmente teria acontecido.


Para a direita o que nunca aconteceu jamais poderá acontecer. Na altura em que o geocentrismo foi posto em causa por Galileu que defendia o heliocentrismo logo foi declarado suspeito de heresia, o que lhe valeu julgamento pelo tribunal a que chamavam na altura Santa Inquisição. Foi condenado a prisão perpétua porque ter provado que a teoria tradicional estava errada e que devia ser alterada. Disse então  "… e no entanto ela move-se!”. Para os conservadores tradicionais da época segundo a tradição deveria continuar a ser a terra, o ponto em torno da qual todos os astros se moviam.


É este o pensamento da direita portuguesa a mais retrógrada da União Europeia. E repito, para esta direita o que nunca aconteceu não pode acontecer, nem vir a acontecer.


O lamentável é que algumas cabeças pensantes deste país enevoadas com a defesa do indefensável pensam desta forma e querem que o país todo pense da mesma forma. O que dão a entender é que o neoliberalismo devia ser o sistema dominante e predominante e o caminho para o uni-partidarismo.


O Presidente Cavaco Silva é a prova de que mudam-se os tempos mudam-se as vontades (leia-se neste caso os interesses) porque em 1999 apoiou a moção de rejeição ao programa de Governo de António Guterres que, pela segunda vez, tinha ganhos as eleições sem maioria absoluta e disse então: “Quem no PSD não entende que é assim que o partido pode regressar às vitórias das duas uma: ou tem pouca visão de futuro ou já absorveu a linguagem da pretensa responsabilidade que o PS quer impor à oposição”.


A estratégia da coligação de direita era atrair o Partido Socialista para o seu lado de modo a validar a sua continuidade no poder e manter e até agravar as políticas seguidas. O PS seria o partido dos tontinhos que se aliavam à direita e ao seu programa a troca de uns lugares nas cadeiras do governo. A direita seria o centro da política e o PS o seu satélite.


Para convencer rebuscam argumentos dizendo que a vontade dos portugueses, demonstrada nas urnas, foi de apoio a um acordo do PS com a direita coligada. Deixem-se de torneios e expliquem como perderam 819148 votos entre 2011 e 2015 e para onde foram, como e porquê a esquerda no seu todo ganhou 448140 votos.


Em 2009 o PSD mais o CDS tiveram em conjunto 2246443 votos e quantos obtiveram em 2015? Resposta: 19993921 votos.


A coligação de direita neoliberal ganhou as eleições é o facto. Outro facto é que os portugueses validaram como negativa a política em que anteriormente tinha votado (2011). O não facto é a direita querer governar nas atuais condições parlamentares mantendo as mesmas propostas de governação.