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domingo, 7 de maio de 2017

Mulher maravilha e girassol da economia e finanças

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Atenção a todos o que se atrevam a comentar positivamente a política económica do atual Governo e os seus resultados, fiquem sabendo que não estão habilitados a tal. Apenas instituições nacionais e internacionais e europeias, independentes e iluminadas se podem dar a essa magnificência, embora saibamos que são políticas, mas Maria Luís Albuquerque quer dar a entender que são independentes.


Senhor Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, veja lá se tem tento, porque isso de falar sobre a economia do país não é para si, aliás, nem devia falar em nada do que se passa no país, porque o Senhor não tem competência, tá a ver!? O senhor não deve falar em nada, deve ficar lá no seu buraquinho caladinho e, quando falar, deve fazê-lo criticando, apenas, e só, o Governo. Está é uma das formas como podemos interpretar o que Maria Luís Albuquerque, Mulher Maravilha e girassol da economia e finanças, disse numa entrevista. Tal como o girassol ela é um heliotrópico (segue o movimento do sol) que indica o seu caráter solar de esplendor derivado da forma radiada da flor, aplicado às finanças e à economia.


Lamentável a prosápia desta senhora quando, em entrevista em 2016 ao jornal de Negócio, de direita, “critica o modelo económico que está a ser seguido pelo atual Governo, baseado no consumo interno. “O modelo económico não funciona” e “já tinha sido demonstrado no passado”. “O erro deste modelo não é matéria sujeita a opinião. Estamos a falar de factos”.


Agora que parece estar a funcionar mantém-se na dela juntamente com o seu grande amigo líder do ex-governo em que participou.


No Olimpo dos deuses da economia e das finanças só alguns tecnocratas de direita podem penetrar porque só a eles pertencem as verdades absolutas, inflexíveis, invariáveis e inalteráveis. Maria Luís acrescenta maior esplendor ao seu prestígio com a auréola da candidatura pelo PSD à Assembleia Municipal de Setúbal. O seu esplendor não a irá abandonar!


 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Cómicos da política

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O candidato à Presidência da República Marcelo é um cómico que anda pelo país a fazer o quê? Segundo São Marcelo disse, durante uma das suas digressões, que a proximidade com as pessoas "é muito importante mas que em rigor não caça votos nenhuns, isto é, as pessoas já têm na cabeça o voto ou não voto, à distância de dez, nove, oito dias já ninguém muda de voto". Mas então para que gasta ele tempo e dinheiro? Será para aproveitar e fazer turismo? Veja-se a arrogância do senhor que viveu mais de dez anos a autopromover-se e a fazer a cabeça a muitos portugueses. Só não percebe isto quem não quer.


Marcelo é um candidato da história de certa direita portuguesa. Quando intervém regressa ao seu passado político e professoral, (vejam só, 25 mil alunos, importante para ser bom Presidente) sem clarificar o que pensa sobre o futuro e nisso compete com Maria de Belém.


Num futuro mais ou menos próximo o mais provável é apostar na conivência com as propostas da oposição geridas pelo anterior Governo. Está-lhe no gene político-partidário. O objetivo pode ser tentar jogadas para empossar, através de eleições antecipadas, um novo Governo de direita, e a direita apostou nisso quando perdeu a esperança com Cavaco Silva. Será que Marcelo vai dizer que as decisões que tomar são apenas de forma e não de conteúdo como ele várias vezes disse enquanto comentador político para com nada se comprometer ou descomprometer.


Defende aqui e ali que o seu projeto é unir os portugueses que estão divididos mas não esclarece o conceito. Em democracia há consensos mas também há divisões maiores ou menores, é normal. Só existe união em regimes de partido único em condições de obrigação.


Consideremos que o pretende fazer, não diz é como, a menos que algum produtor de cola-tudo o ajude com matéria-prima (ironia). Será que a estratégia, se chegar a Presidente, é obrigar o Partido Socialista e a atual direita neoliberal que controla o PSD a aliarem-se contra "potenciais inimigo"? Cavaco Silva também tentou ou quase exigiu isso mesmo. Se assim for, Marcelo está contaminado pelo vírus do pensamento cavaquista. Marcelo é um cómico da política. Parece que a sua candidatura serve também para preparar o fim da sua carreira para obter mais uma série de regalias vitalícias que o cargo lhe irá proporcionar.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A galinhola e o pássaro

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Marcelo é como um pássaro que se prepara para capturar os peixes que o contemplaram durante anos num aquário em forma de aparelho de televisão.


Há dois candidatos em campanha eleitoral para a presidência da república que têm condições para serem apoiados pela direita. Um deles ora diz ser da esquerda, do centro, da direita e do centro-direita, a outra não o diz mas repete até à exaustão o seu "currículo vitae" como se o estivesse a defender num concurso para o exercício de funções numa qualquer empresa.


A candidata Maria de Belém, apesar de ter o apoio difuso do PS, tem também o apoio de alguma direita que não vê em Marcelo o seu candidato. Maria de Belém tem um discurso monótono, vago, cansativo e sem conteúdo significativo, refugia-se com argumentos desinteressantes e meramente pessoais. É uma espécie de galinhola que debica aqui e ali para apanhar alguns bichinhos que andam por aí perdidos.


O candidato Marcelo Rebelo de Sousa, com o seu já maçador discurso de comentador de televisão sem contraditório, não se saiu bem nos debates televisivos com os candidatos que mais lhe poderão fazer frente. Marcelo é um mito criado pela televisão com a ajuda semanal dum(a) jornalista, um "entertainer" da política cujas propostas quer destinar a todos os quadrantes mas que, se for eleito, não saberemos o que fará. Quem se coloca numa posição ambígua e de equilibrismo alguma vez terá que cair para algum lado e não será para o lado contrário ao dele, a direita.


Ainda há portugueses que votam por representações que têm sobre os candidatos, se é ou não conhecido. Não votam em políticas, em ideias, em projetos, porque também os desconhecem, mas em pessoas. Rejeitam presidentes como Cavaco, mas são capazes de apoiar, sem o saber, candidatos cujas ideias são iguais.


As campanhas de Marcelo e de Maria de Belém para o cargo de Presidente da República têm apenas servido para exibir impotência (já mostrada por Cavaco Silva). Não basta fotogenia e presença sucessiva na comunicação audiovisual, para tal há por aí vários palhaços e humoristas. Um candidato a Presidente da República não pode passar mensagens como se de um cangalheiro se tratasse, suspenso sobre o passado, e dissimuladamente fugindo ao elogio dum defunto que já foi enterrado.


Marcelo é como um pássaro que se prepara para capturar os peixes que o contemplaram durante anos num aquário em forma de aparelho de televisão e Maria de Belém esgravata a terra à procura de algo que a alimente.


 

sábado, 2 de janeiro de 2016

O último bafo político do Presidente Cavaco

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Finalmente a mensagem de ano novo do Presidente da República Cavaco Silva foi o último bafo político por ele proferido. Como é habitual e previsível dirigiu-se aos portugueses e ao "amor a Portugal" mas foi na ótica do "eu" que se centrou a mensagem: eu conheci; eu vi; eu valorizei; eu mantive; eu lancei; eu procurei; eu desenvolvi; eu etc., eu etc...


Alguns dos pontos que referiu na sua mensagem nunca lhe ocorreu fazê-los passar quando o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas estava no poder para ocultar a situação do país real.       


Foi uma mensagem com um discurso de hipocrisia já que, há um ano, omitiu muito do que agora disse, como "construir um país melhor e mais solidário, com mais justiça social" quando o Governo que apoiou mais de quatro anos destruiu a coesão, a solidariedade e a aumentou a injustiça social; pede "que o Estado crie condições…" e "que os poderes públicos não estabeleçam entraves à sua atividade, desde a criação de emprego e riqueza até à defesa do património e do ambiente, passando pela inovação social e tecnológica", quando o Governo anterior que apoiou destruiu a investigação em Portugal e não valorizou a inovação tecnológica." Quanto à "inovação social", por se prestar a inúmeras interpretações, está por esclarecer o conceito segundo o evangelho de cavaquista. Talvez se quisesse referir à destruição da classe média e aumento da pobreza e o enriquecimento de outros nos últimos quatro anos. Em relação ao património, foi o que se constatou, porque dinheiro não havia, vem agora alertar para tal.


"Este é o País real, o País verdadeiro, que muitos agentes políticos desconhecem, que a comunicação social tantas vezes ignora e que conheci de perto durante os meus mandatos" disse, referindo-se aos passeios (a palavra é minha) que, sempre acompanhado com "a primeira-dama" que nunca falhava. É certo que visitou empresas, sobretudo no norte, onde estendeu a mão a alguns trabalhadores recrutados para lhe prestarem homenagem, mas não foi decerto ver de perto o que se passava com toda a restante sociedade que o seu dileto Governo foi destruindo por este país. A saúde e a educação foram tabus na sua mensagem, nem uma palavra, e todos sabemos porquê.


Mais adiante vem mostrar preocupação social ao afirmar que "é fundamental combater as desigualdades e as situações de pobreza e exclusão social, que afetam ainda um grande número de cidadãos: os idosos mais carenciados, os desempregados ou empregados precários, os jovens qualificados que não encontram no seu país o reconhecimento que merecem.".


Espanto-me com esta desfaçatez quando, nas suas intervenções antes da campanha pré eleitoral para as legislativas, não fez qualquer referência àqueles aspetos ou, se o fez, foi em pequenos apontamentos escondidos no meio dos seus discursos de fação. Parece dar agora recados ao atual Governo quando, o anterior, nada fez do que Cavaco agora diz ser "fundamental". Ainda há alguns, poucos, portugueses que ainda o escutam, eu incluído porque a isso me obrigo.


Havia muito mais, mas por aqui me fico.


Ainda bem que este tormento está próximo do fim e o sopro deste bafo se vai, enfim, desvanecer.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Parcialidade de um presidente

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Uma breve referência ao que se passou em Paris. Foi um exemplo lamentável do terror praticado contra a democracia e as culturas europeias que causou indignação mundial. Que mais se pode esperar de quem não respeita a sua própria cultura e regressa a um estado de barbárie? Esperemos que estes atos de extrema violência não sirvam de pretexto para que alguns ditadorzecos que por aís andam comecem a gritar aos quatro ventos, agitando os papões da segurança, dando oportunidade para porem em causa a liberdade democrática.


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*   *


Vamos então voltar à nossa República começando pela expressão "ter dois pesos e duas medidas" segundo os Novos Dicionários de Expressões Idiomáticas – Português, Lisboa, Edições João Sá da Costa, 2006, «diz-se de pessoa que não usa de imparcialidade, isenção, equidade em seus juízos, atos, decisões», isto é, julgar de forma parcial duas situações iguais. Aquela expressão aplica-se na íntegra ao atual Presidente da República que tem demonstrado a sua aplicabilidade na prática corrente da sua política.


É o exemplar perfeito da falta de carácter político. Revanchista, tendência para ditador que, infelizmente para ele, não pode exercer como acha que deveria. Utiliza o poder que lhe foi concedido pelos eleitores para impor a sua vontade e do seu partido.


Nas suas intervenções proclamava a instabilidade governativa como prejudicial a Portugal sugerindo esse facto como prejudicial caso a coligação de direita não ganhasse maioria absoluta que agora parece ter deixado de ter qualquer importância. Num regresso ao passado relembra agora que ele, quando primeiro-ministro, e que no tempo de José Sócrates, que agora já serve de exemplo, também houve governos de gestão.


Ainda hoje numa missão de propaganda do ex-governo que protegeu voltou a elogiá-lo e regressou mais uma vez ao passado. Este Presidente não é mais do que uma pouca-vergonha para Portugal. Uma mancha na história da nossa democracia.


Os mercados, os credores já não são relevantes. Provavelmente, Cavaco Silva estaria interessado em que reconhecessem que havia instabilidade governativa para poder justificar as decisões políticas mal-amanhadas que viesse a tomar. Parece que os tais mercados não até hoje não o demonstram porque Lisboa dispara 2,5%. A melhor sessão desde as eleições. Isto também foi devido ao anterior Governo ou ao de gestão de Passos Coelho?


 Onde estão agora os superiores interesses da nação? O que diz e o que faz são antagónicos. "Agrei sempre…, mas sempre de acordo com os interesses superiores de Portugal...", proclama. Mas será? A prática não o confirma.


Cavaco Silva, enquanto Presidente, diz que não é político. Mas que afirmação mais disparatada. Não terá a função de Presidente da República, um dos órgãos de soberania, uma função também política. É um político até de mais agravado pelo seu partidarismo porque age como um Presidente partidário.  

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O que nunca aconteceu não pode acontecer e a teoria do geocentrismo

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O não facto é a direita querer governar nas atuais condições parlamentares mantendo as mesmas propostas de governação.


Se os últimos quatro anos não tivessem tido o prejuízo que a coligação de direita neoliberal causou ao país o milagre de entendimento ao nível parlamentar à esquerda do PS dificilmente teria acontecido.


Para a direita o que nunca aconteceu jamais poderá acontecer. Na altura em que o geocentrismo foi posto em causa por Galileu que defendia o heliocentrismo logo foi declarado suspeito de heresia, o que lhe valeu julgamento pelo tribunal a que chamavam na altura Santa Inquisição. Foi condenado a prisão perpétua porque ter provado que a teoria tradicional estava errada e que devia ser alterada. Disse então  "… e no entanto ela move-se!”. Para os conservadores tradicionais da época segundo a tradição deveria continuar a ser a terra, o ponto em torno da qual todos os astros se moviam.


É este o pensamento da direita portuguesa a mais retrógrada da União Europeia. E repito, para esta direita o que nunca aconteceu não pode acontecer, nem vir a acontecer.


O lamentável é que algumas cabeças pensantes deste país enevoadas com a defesa do indefensável pensam desta forma e querem que o país todo pense da mesma forma. O que dão a entender é que o neoliberalismo devia ser o sistema dominante e predominante e o caminho para o uni-partidarismo.


O Presidente Cavaco Silva é a prova de que mudam-se os tempos mudam-se as vontades (leia-se neste caso os interesses) porque em 1999 apoiou a moção de rejeição ao programa de Governo de António Guterres que, pela segunda vez, tinha ganhos as eleições sem maioria absoluta e disse então: “Quem no PSD não entende que é assim que o partido pode regressar às vitórias das duas uma: ou tem pouca visão de futuro ou já absorveu a linguagem da pretensa responsabilidade que o PS quer impor à oposição”.


A estratégia da coligação de direita era atrair o Partido Socialista para o seu lado de modo a validar a sua continuidade no poder e manter e até agravar as políticas seguidas. O PS seria o partido dos tontinhos que se aliavam à direita e ao seu programa a troca de uns lugares nas cadeiras do governo. A direita seria o centro da política e o PS o seu satélite.


Para convencer rebuscam argumentos dizendo que a vontade dos portugueses, demonstrada nas urnas, foi de apoio a um acordo do PS com a direita coligada. Deixem-se de torneios e expliquem como perderam 819148 votos entre 2011 e 2015 e para onde foram, como e porquê a esquerda no seu todo ganhou 448140 votos.


Em 2009 o PSD mais o CDS tiveram em conjunto 2246443 votos e quantos obtiveram em 2015? Resposta: 19993921 votos.


A coligação de direita neoliberal ganhou as eleições é o facto. Outro facto é que os portugueses validaram como negativa a política em que anteriormente tinha votado (2011). O não facto é a direita querer governar nas atuais condições parlamentares mantendo as mesmas propostas de governação.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O reflexo das imagens e a distorção da política

 


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O jornal i publicou um artigo de opinião de Carlos Carreiras, conhecido militante do PSD, intitulado "La grande bouffe" onde escreveu: "A esquerda está esfomeada. Quer poder. Quer tomar conta do aparelho de Estado. Como os homens do filme, vai comer até não poder mais". É o que ele acha.


Todos podem, eu incluído, dizer os disparates mais disparatados, desculpem a redundância propositada.


Olhemos para o espelho por onde a coligação de direita está a ver os outros e olhemos para o seu reflexo. As principais propriedades de um espelho plano são a simetria entre os pontos objeto e a imagem, e que a maior parte da reflexão que acontece é regular. Algumas superfícies apresentam retro reflexão. A estrutura destas superfícies é tal que a luz volta na direção de onde veio.


Façamos então a releitura a partir do reflexo do espelho por onde Carlos Carreira se mira. A direita está empanturrada. Mas quer manter o poder. Quer continuar a tomar conta do aparelho do Estado. Como os homens do filme comeu até não poder mais. Quer ainda mais. O que sucedeu é que, como os homens do filme, morreram com tanto comer.   


À falta de melhor a direita neoliberal agarra-se agora à que sempre foi a sua tábua de salvação: O Presidente da República Cavaco Silva. Vêm nele o porto de abrigo que elimine qualquer solução por mais estável que seja. Não tem em conta os superiores interesses de Portugal como tantas vezes tem afirmado. Vê os interesses do seu partido em primeiro lugar e a sua revanche não tem limites pelo que dele tudo se espera.  


Cavaco Silva tem um desrespeito por Portugal e pelo povo ao colocar prioritariamente o passeio à Madeira, como se isso fosse inadiável, preferindo adiar Portugal. Coisa nunca vista em nenhum Presidente da República responsável.


É o Presidente do pensamento único, virado para o passado do partido único. Coloca em primeiro lugar a sua imagem e a coligação que apoia, apesar de estar pelas ruas da amargura, e Portugal em segundo.


Não se pode queixar da falta de tempo porque foi ele que decidiu marcar a data para as eleições. Ou será que ele o fez propositadamente, sabendo ele, e já o disse, previu todas as hipóteses? Se assim for agiu premeditadamente. Nos julgamentos os crimes premeditados acarretam penas agravadas. Neste caso quem vai sofrer a pena vai ser Portugal, vamos ser todos, devido à visão estrábica, egoísta, passadista e autofágica da política.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Em políticas, dois, mais, dois, podem não ser quatro, isso depende dos expoentes

Penso que ninguém tem dúvidas de que as eleições foram ganhas pela coligação PaF constituída pelo PSD+CDS com 38,55% dos votos o que não foram suficientes para obter uma maioria absoluta. O Partido Socialista teve 32,38%, o Bloco de esquerda com 10,22% e a CDU coligação PCP com os Verdes 8,27%.   A diferença entre a coligação e o PS foi de 6,17%. Quanto a isto nada a dizer. Quanto a deputados eleitos o mesmo se pode dizer quanto aos números de deputados com 104 para a coligação PSD+CDS, 85 para PS, ficando o BE com 19 e a CDU com 17.


Como não se vota para eleger primeiros-ministros, mas sim deputados para a Assembleia da República e se estivessem em presença apenas estes dois partidos não haveria quaisquer dúvidas que a coligação poderia governar porque tem de facto a maioria e poderia então formar um Governo estável a longo prazo. Mas a realidade óbvia não é esta.


Como existem outras forças políticas também eleitas democraticamente pelos portugueses a configuração política e partidária obedece a outros contornos.


Antes de continuar há um ponto prévio que gostaria de colocar é que foi o arrasto do CDS pelo PSD o que levou a coligação a ganhar as eleições, caso contrário o PSD teria uma votação na casa dos vinte e poucos por cento. Se fizermos apelo à nossa memória curta verificamos que em 2011 os PSD+CDS tiveram 50,37% e o PS teve apenas 28,05%. Para se ver a diferença entre 2011 e 2015 basta fazer as contas. Quem cresceu e quem baixou afinal? Mas, repito, o facto é que em 2015 a coligação PSD+CDS ganhou as eleições.


Face a esta situação óbvia, concreta, e de acordo com o número 1.do Artigo 187º da Constituição da República, será a coligação que deve formar Governo, embora com apoio parlamentar minoritário (104 deputados contra 121).  


Voltando a fazer apelo à memória curta em 2011 foi a direita do PSD, CDS, BE, PCP e Verdes que derrubaram o Governo socialista de apoio minoritário de José Sócrates. A situação atual tem hoje sinal contrário. Que estabilidade governativa pode a coligação prometer com tal representação parlamentar?


Sendo um institucionalista convicto, o que em algumas situações é conveniente, o Presidentes da República Cavaco Silva deveria indigitar Passos Coelho como primeiro-ministro para formar um governo da coligação, pois assim tem sido sempre, e fá-lo-á com certeza desta vez com uma consequência já certa: o derrube do Governo arrastando outras que daí advêm.


Que fará depois o Presidente da República? Convocar eleições gerais antecipadas? Renegociar com os partidos políticos a formação dum novo Governo? Indigitar como primeiro-ministro o segundo partido mais votado se houver um acordo de governação politicamente estável com apoio parlamentar?


A ver vamos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Ocultismo na campanha eleitoral da coligação PPD-PSD . CDS-PP

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A campanha eleitoral da coligação PaF do PPD-PSD e do CDS-PP no que reporta ao seu programa a aplicar no futuro caso venha a ser governo é uma espécie de ciência oculta. O ocultismo consiste no estudo e prática de ciências que se rodeiam de mistério. O programa de governo para a próxima legislatura é uma coisa sobre a qual se vai reger a coligação PPD-PSD e CDS-PP ainda não foram explicadas. É um conhecimento destinado apenas para certas pessoas e que deve ser mantido escondido. Isto é, oculto


Passos Coelho antes de ir para o Governo mentia, agora oculta.


A dita coligação passou o tempo todo a falar do programa de outros partidos que há muito se conhecem e não apresentou claramente o seu. Criam medo com os outros partidos mas ocultam o que aí vem se eles ganharem. É o culto do ocultismo.


Parece que até o Presidente da República Cavaco Silva já aderiu a esta nova ciência do ocultismo político. Passo Coelho diz que o Presidente da República "é transparente" e rejeitou qualquer desconforto pelo facto de o Presidente não ter sido mais explícito para si sobre o que vai fazer no pós-eleições. Mas o próprio Presidente diz saber "muito bem aquilo que vai fazer" mas não diz. Oculta. Todos els praticam uma ciência que se rodeia de mistério.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Cobertor precisa-se

Apesar de continuar no campo a política não me larga. O senhor Presidente da República Cavaco Silva sentiu necessidade de apoiar a decisão da recondução de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal. Mais uma vez demonstrou descaradamente a sua colagem e identificação com o Governo. Se alguma vez alguém teve dúvidas desta vez pôde tirá-las. Já agora poderia confirmar se é apenas Presidente de alguns portugueses.


Conhecendo com certeza as conclusões da comissão de inquérito parlamentar e das posições desfavoráveis tomadas em março por alguns elementos do Governo em relação a Carlos Costa qual terá sido a necessidade de Cavaco Silva vir agora em defesa daquela nomeação. Sendo apenas da competência do Governo nada teria a dizer, e ponto.


Foi ainda mais longe. Qual professor primário do antigamente disse aos “meninos” que não concordaram com a nomeação que estudassem o que se passa noutros países. Pois é, relativamente a muito do que saiu da sua lavra, mais parece que, quem não estudou foi o senhor Presidente.   


Esta imediata tomada de posição por Cavaco Silva “trás água no bico”. Até parece que também precisa dum cobertor para se tapar do frio. Mas querem enganar quem?

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Os jogos de brincar à política para crianças

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Passos Coelho parece estar num jogo de crianças a brincar à política. Disse esta semana ao jornal Sol que "Não há qualquer hipótese de um Governo com o PS". Isto é, está a inverter as posições. Então não foi ele e o seu parceiro de coligação, a primeira vez ainda no tempo de António José Seguro, que andaram atrás do PS para fazerem um pacto de regime ou um entendimento, abençoado pelo Presidente da República?


Não tenho qualquer procuração para defender o PS, o que manifesto é a minha perplexidade quando ouço, neste caso leio, o que Passos Coelho afirmou que é o contrário do que antes propunha. Não há partido que se entenda com outro sem que haja cedências de ambos os lados e, muito menos, se têm posições opostas em relação a pontos fundamentais da execução político ideológica.  


Um entendimento de governo com este PSD de Passos Coelho parece ser coisa que agrade apenas ao CDS/PP que se agarrou a uma tábua de salvação para, no caso pouco provável da coligação ganhar as eleições, ficar no poder, evitando ao mesmo tempo a vergonha de ser reduzido a um partido sem representação significativa.


 


 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

O amado líder

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O discurso do Presidente da República Cavaco Silva no Parlamento nas comemorações do 25 de abril de 2015 foi ovacionado pelos partidos PSD e CDS que sustentam o Governo. Foi uma manifestação de apoio ao discurso do amado líder, educador e orientador do maior partido que faz parte do Governo e, pretensamente, de todo o povo, na proximidade de eleições legislativas.


Mais pareciam aquelas manifestações de apoio ao líder na pretensa Assembleia Popular Suprema da Coreia do Norte. Há contudo uma grande diferença, é que, felizmente, em democracia nem todos são obrigados a aplaudir quando não se concorda, ao contrário do regime daquele país coreano.



A maior parte da intervenção do Presidente da República foi orquestrada em prol do Governo numa quase campanha eleitoral e, mais uma vez, de colagem ao que Passos Coelho e o seu Governo têm vindo enganosamente a lançar para a opinião pública.


Ao fazer apelo ao consenso nesta fase política só não seria perder o bom senso se, como se depreendeu e verificou posteriormente, não fosse conseguido entre os partidos da própria maioria.


Pretende mostrar uma atitude de colocação acima da política e dos políticos, mas sempre que intervém está fazer política, e da má.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Monarquia republicana ou a nomeação de um sucessor

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Coloquei há dias no Facebook um comentário dizendo o seguinte:


Não vale a pena gastar mais do que 80 palavras, e já são demais, para falar da intervenção do Presidente Cavaco Silva sobre a dívida de Passos Coelho à Segurança Social. Afirmar que dívidas do cidadão que é primeiro-ministro são querelas partidárias está tudo dito. Não é o cheiro a pré-campanha eleitoral é o cheiro a um presidente politicamente moribundo. É já um presidente em fase terminal da função. É como um pneu gasto de um carro em segunda mão.


 


Mas a provocação que Cavaco Silva, el presidente, faz às nossas inteligências é tal que não resisti a gastar o meu tempo com mais algumas palavras. Se este senhor continuar assim até às eleições não vou conseguir conter-me e lá vou que quebrar a minha promessa.


Bem pode Cavaco Silva, o Presidente da República do Governo e de Passos Coelho, vir declarar publicamente, com o seu sorriso mais ou menos hipócrita, que interpretaram mal a leitura que fizeram do prefácio do Roteiros IX quando dizem que definiu um perfil para o próximo presidente da república que não engana ninguém. Não nega que o fez lançando as culpas para a má interpretação que dele fizeram. Treta do costume.


O que o Presidente disse está bem claro quando escreve "É por tudo isto que, nos tempos que correm, os interesses de Portugal no plano externo só podem ser eficazmente defendidos por um Presidente da República que tenha alguma experiência no domínio da política externa e uma formação, capacidade e disponibilidade para analisar e acompanhar os dossiês relevantes para o País.".


Repare-se na frase onde o advérbio "só" o verbo "podem" seguidos de "ser eficazmente defendidos" a que se segue "por um Presidente da República que tenha" repare-se sobretudo no presente do conjuntivo do verbo ter "que tenha".


Penso que fica bem claro que Cavaco Silva estabelece um perfil, mais do que óbvio, julgando-se um monarca que quer passar a sucessão a um outro que terá em vista dentro seu alinhamento político. Haverá muitos em quem possamos pensar no perfil por tecido? Vale a pena que façam um exercício, porque eu recuso a colocar aqui o nome em que estou a pensar.


Fica mais do que evidente no mapa seguinte que o jornal Público publicou na sua edição impressa de 10 de março do corrente a experiência externa de Cavaco Silva.  


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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Presidente da República acabado Silva igual a Governo

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O discurso de ano Novo do Presidente da República foi um discurso de banalidades conhecidas  propagadas pela propaganda do Governo às quais, como sempre, se atrelou.


Foi um discurso de um Presidente da República acabado e sem nada de novo para dizer ao país. Nada de novo a não ser a parcialidade, a falta de independência e a traição aos compromissos assumidos para com o povo português.


Centrado nas eleições fez campanha eleitoral velada contra o PS. Para ele talvez fosse melhor não haver eleições, pois então!


Se por um lado afirma que "os partidos políticos são essenciais para a qualidade da democracia e para a expressão do pluralismo de opiniões", por outro apela a que os partidos abdiquem dos seus programas e dos seus projetos ao dizer que "Não é só no dia a seguir às eleições que se constroem soluções governativas estáveis, sólidas e consistentes…". Será que são soluções pré-eleitorais semelhantes à de partido único com alinhamento absoluto com os partidos do Governo conduzindo a uma oposição despicienda?


Avisa, implicitamente, que, se a direita não ganha, voltamos ao passado e que a via a seguir é só uma, a do Governo ao dizer que "A economia está a crescer, a competitividade melhorou, o investimento iniciou uma trajetória de recuperação e o desemprego diminuiu." Estes são os argumentos estatísticos apresentados pelo Governo.


Quanto ao desemprego estamos conversados, sabemos bem como foram criados dezenas de milhar de falsos postos de trabalhos para os retirar das estatísticas. Uma coisa é certa, a maior fatia não foi criada pelo investimento privado pois este está estacionário ou, em alguns casos, até diminuiu. Onde estão as medidas que o incentivassem?


O Presidente da República Cavaco Silva ficará para a história como o pior presidente em quem os portugueses votaram. Fazer das eleições de 2015 a parte principal da sua mensagem de Ano Novo não seria o esperado. Parafraseando os bonecos do antigo programa de sátira humorística Contra Informação da RTP, este é mesmo o acabado Silva.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O grande iluminado cavaquismo



Em cena durante as últimas semanas, este circo da política foi prejudicial ao país. Tudo se teria evitado se comunicação do Presidente da República fosse unicamente aquela que fez no último domingo.


Poderemos perguntar-nos se a proposta apresentada pelo P.R. teria cabimento, sabendo-se há muito quais as posições assumidas pelo Partido Socialista. Foi uma tentativa falhada de entalar o PS querendo associá-lo à incompetência do Governo e querendo que passasse um cheque em branco sobre futuras medidas que, eventualmente, viessem a ser preparadas.


Apesar da maioria absoluta da coligação Passos Coelho e o seu Governo precisavam de uma moleta. É verdade que o Partido Socialista assinou o primeiro memorando de assistência, assim como o fizeram o PSD e o CDS/PP e, desde aí, muita coisa mudou.


Não nos esquecemos que, naquela altura, após ter provocado a crise política, Passos Coelho afirmava que iria resolver os problemas do país e mentiu ao eleitorado. Obteve uma maioria e, como tal, deve cumprir sozinho a sua legislatura e ser ele o protagonista da salvação nacional. Ele assim o prometeu, já lá vão dois anos.


A solução do Presidente da República de querer colocar os três partidos num saco, misturar, e sair um grupo que falasse em uníssono ao país, como ele gostaria, era o mesmo que dizer como já o disse uma vez a cavaquista Manuela Ferreira Leite suspender a democracia. Depois logo se veria desde que beneficiasse o partido maioritário do Governo.


Cavaco lançou a rede para ver se, no lago governativo, já poluído pelos partidos do Governo, pescava alguma coisa. Mas o peixe rasgou-lhe a rede e fugiu.


A maior parte dos portugueses não se esqueceu de que, quem criou mais prejuízos ao país nos últimos dois anos foi a tónica de apoio sistemático dado por Cavaco Silva ao Governo.


Passos Coelho continua, após saber que vai continuar a desgraçar o que resta do país, a querer agarrar-se à boia de salvação do PS. Poderemos continuar questionar-nos porque será?


Passos Coelho sabe que não consegue sair sozinho do pântano em que meteu o país, ou que o aconselharam a meter, e, por isso, pede ajuda, em uníssono com o Presidente de República, utilizando até à exaustão o chavão de salvação nacional. A salvação nacional deveria ter começado logo após a intervenção da “troika” evitando conduzir o país a este descalabro. Mas não, Passos Coelho e o seu grupo de terror neoliberal e impreparado do PSD quiseram ir para além da “troika”. Agora querem ajuda!


Porque é que o PSD, no tempo dos PEC’s não negociou com o PS um acordo de salvação nacional porque nessa altura também era disso que se tratava? Apenas porque queria rápido chegar ao poder. Agora está à vista.


Os portugueses, nas últimas eleições, não votaram no PS para salvar o país, votaram e confiaram no PSD, porque acreditavam que seriam merecedores da confiança para salvar o país mas acabaram por enterrá-lo ainda mais.  


A democracia não é, nem nunca foi, a menos que consideremos a União Nacional como um exemplo de democracia, feita de pensamento e acordos sem limites. Sem representantes dos descontentamentos através dos partidos, sem oposição a medidas que são tomadas, sem haver diferenças ideológicas e económicas sobre caminhos a seguir não há democracia.




 

O grande iluminado cavaquismo



Em cena durante as últimas semanas, este circo da política foi prejudicial ao país. Tudo se teria evitado se comunicação do Presidente da República fosse unicamente aquela que fez no último domingo.


Poderemos perguntar-nos se a proposta apresentada pelo P.R. teria cabimento, sabendo-se há muito quais as posições assumidas pelo Partido Socialista. Foi uma tentativa falhada de entalar o PS querendo associá-lo à incompetência do Governo e querendo que passasse um cheque em branco sobre futuras medidas que, eventualmente, viessem a ser preparadas.


Apesar da maioria absoluta da coligação Passos Coelho e o seu Governo precisavam de uma moleta. É verdade que o Partido Socialista assinou o primeiro memorando de assistência, assim como o fizeram o PSD e o CDS/PP e, desde aí, muita coisa mudou.


Não nos esquecemos que, naquela altura, após ter provocado a crise política, Passos Coelho afirmava que iria resolver os problemas do país e mentiu ao eleitorado. Obteve uma maioria e, como tal, deve cumprir sozinho a sua legislatura e ser ele o protagonista da salvação nacional. Ele assim o prometeu, já lá vão dois anos.


A solução do Presidente da República de querer colocar os três partidos num saco, misturar, e sair um grupo que falasse em uníssono ao país, como ele gostaria, era o mesmo que dizer como já o disse uma vez a cavaquista Manuela Ferreira Leite suspender a democracia. Depois logo se veria desde que beneficiasse o partido maioritário do Governo.


Cavaco lançou a rede para ver se, no lago governativo, já poluído pelos partidos do Governo, pescava alguma coisa. Mas o peixe rasgou-lhe a rede e fugiu.


A maior parte dos portugueses não se esqueceu de que, quem criou mais prejuízos ao país nos últimos dois anos foi a tónica de apoio sistemático dado por Cavaco Silva ao Governo.


Passos Coelho continua, após saber que vai continuar a desgraçar o que resta do país, a querer agarrar-se à boia de salvação do PS. Poderemos continuar questionar-nos porque será?


Passos Coelho sabe que não consegue sair sozinho do pântano em que meteu o país, ou que o aconselharam a meter, e, por isso, pede ajuda, em uníssono com o Presidente de República, utilizando até à exaustão o chavão de salvação nacional. A salvação nacional deveria ter começado logo após a intervenção da “troika” evitando conduzir o país a este descalabro. Mas não, Passos Coelho e o seu grupo de terror neoliberal e impreparado do PSD quiseram ir para além da “troika”. Agora querem ajuda!


Porque é que o PSD, no tempo dos PEC’s não negociou com o PS um acordo de salvação nacional porque nessa altura também era disso que se tratava? Apenas porque queria rápido chegar ao poder. Agora está à vista.


Os portugueses, nas últimas eleições, não votaram no PS para salvar o país, votaram e confiaram no PSD, porque acreditavam que seriam merecedores da confiança para salvar o país mas acabaram por enterrá-lo ainda mais.  


A democracia não é, nem nunca foi, a menos que consideremos a União Nacional como um exemplo de democracia, feita de pensamento e acordos sem limites. Sem representantes dos descontentamentos através dos partidos, sem oposição a medidas que são tomadas, sem haver diferenças ideológicas e económicas sobre caminhos a seguir não há democracia.




 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Escapadela à Arrábida

  



Tentei centrar-me novamente na paisagem e na sua geografia.


Já não consegui.


Regressei a Lisboa pensado que Portugal e nós, portugueses, merecemos mais do que esta cambada que, neste dois últimos anos, tem desacreditado a política e a economia.



  


Neste sábado 13 de julho, após a caloraça dos dias anteriores que se abateu sobre lisboa e por todo o país, resolvi procurar um lugar mais fresco para respirar da tempestade política que irresponsavelmente fizeram cair sobre o país e também procurar ares mais frescos e menos irrespiráveis.


Estava um dia nublado e fresco e dirigi-me para um lugar que, por enquanto, ainda deixam que seja paradisíaco, pelo menos no que respeita à paisagem, liberta da pressão da construção de mansões para alguns dos senhores que se julgam donos deste país e da venda a preço de saldo a estrangeiros que, graças à isenção de impostos, vêm comprando o território aos poucos.


Subi a Serra da Arrábida quase até ao cume. Detive-me num ponto onde, em dias de sol, se contempla o mar, a cidade de Setúbal e os arranha-céus dos hotéis que se destacam como monstros na Península e Troia onde pretenso desenvolvimento turístico, destinado apenas aos de muitas posses, afastou daquelas paragens a “ralé” que vive naquela capital de distrito.


Local aproximado onde me detive


 


Ver mapa maior


 


 

 



Imagem parcial da Serra da Arrábida


Em cima: Fotografia tirada em 1938 por Orlando Ribeiro


Em baixo: Fotografia do mesmo local, tirada por Duarte Belo em 2004




Belo, Duarte. 2012. Portugal Luz e Sombra. O País depois de Orlando Ribeiro, Lisboa, Círculo Leitores, Temas e Debates



 


Uma brisa marinha envolta em nevoeiro subia a encosta oeste da serra refrescando-me o corpo e o espírito, esquentado pelos acontecimentos políticos da semana, mas que não deixava descortinar o mínimo que fosse do azul-marinho daquelas águas aparentemente calmas mas de correntes fortes.


Recordei-me das várias incursões que fiz por esta serra nos meus tempos de estudante de geografia que me obrigara a estudar e a investigar no domínio da geografia física, da geologia, da geomorfologia e da biogeografia, sem esquecer o contributo da climatologia no estudo da influência microclimática na biodiversidade daquela região geograficamente original.


Apesar de a minha preferência ir mais para a área da geografia social e de planeamento regional, lá ia cumprindo a minha obrigação no estudo daquelas disciplinas dos primeiros anos da licenciatura que aqui me fizeram relembrar e requisitar ao meu imaginário geográfico tudo quanto aprendi e acumulei das observações e interpretações derivadas dos trabalhos de campo.


A Serra da Arrábida é uma cadeia montanhosa em cujo topo do anticlinal do Formosinho, dobra derivada da elevação das camadas dos estratos geológicos, nos podemos deslumbrar com a paisagem circundante cuja vista se espraia pelos horizontes de Lisboa, morro de Palmela e planalto do cabo Espichel.


Do local onde me situava, a neblina, consequência do contacto por convecção do ar marítimo morno e húmido com o ar mais frio do topo, apenas conseguia observar a vegetação naturalmente mediterrânica da proximidade que grassa por todo aquele espaço. É uma espécie de mata de arbustos com alguns de grande porte em locais mais afastados das arribas. Mais próximo do mar nada mais do que espécies arbustivas como o maquis, arbustos verdes densos e fechados de folha pequena e larga, e o garrigue, formação vegetal de pequenos arbustos dispersos que ocupam solos rochosos calcários.


 


 




 


 


 


 


 

Maquis



Garrigue



 


Ali permaneci mais do que uma hora observando as folhas daquela vegetação e as pequenas gotículas de água que a humidade do ar ali condensara junto à superfície fria. A neblina refrescante que, apressada, caminhava do mar para a serra, nada tinha a ver com o “fumo” nevoeirento, este, nada refrescante e com uma opacidade perturbadora e perigosa que o Presidente da República tinha lançado nessa semana sobre a política portuguesa em defesa da sua pessoa.


Tentei centrar-me novamente na paisagem e na sua geografia. Já não consegui. Regressei a Lisboa pensado que Portugal e nós, portugueses, merecemos mais do que esta cambada que, neste dois últimos anos, tem desacreditado a política e a economia.


 


 


 

Escapadela à Arrábida

  



Tentei centrar-me novamente na paisagem e na sua geografia.


Já não consegui.


Regressei a Lisboa pensado que Portugal e nós, portugueses, merecemos mais do que esta cambada que, neste dois últimos anos, tem desacreditado a política e a economia.



  


Neste sábado 13 de julho, após a caloraça dos dias anteriores que se abateu sobre lisboa e por todo o país, resolvi procurar um lugar mais fresco para respirar da tempestade política que irresponsavelmente fizeram cair sobre o país e também procurar ares mais frescos e menos irrespiráveis.


Estava um dia nublado e fresco e dirigi-me para um lugar que, por enquanto, ainda deixam que seja paradisíaco, pelo menos no que respeita à paisagem, liberta da pressão da construção de mansões para alguns dos senhores que se julgam donos deste país e da venda a preço de saldo a estrangeiros que, graças à isenção de impostos, vêm comprando o território aos poucos.


Subi a Serra da Arrábida quase até ao cume. Detive-me num ponto onde, em dias de sol, se contempla o mar, a cidade de Setúbal e os arranha-céus dos hotéis que se destacam como monstros na Península e Troia onde pretenso desenvolvimento turístico, destinado apenas aos de muitas posses, afastou daquelas paragens a “ralé” que vive naquela capital de distrito.


Local aproximado onde me detive


 


Ver mapa maior


 


 

 



Imagem parcial da Serra da Arrábida


Em cima: Fotografia tirada em 1938 por Orlando Ribeiro


Em baixo: Fotografia do mesmo local, tirada por Duarte Belo em 2004




Belo, Duarte. 2012. Portugal Luz e Sombra. O País depois de Orlando Ribeiro, Lisboa, Círculo Leitores, Temas e Debates



 


Uma brisa marinha envolta em nevoeiro subia a encosta oeste da serra refrescando-me o corpo e o espírito, esquentado pelos acontecimentos políticos da semana, mas que não deixava descortinar o mínimo que fosse do azul-marinho daquelas águas aparentemente calmas mas de correntes fortes.


Recordei-me das várias incursões que fiz por esta serra nos meus tempos de estudante de geografia que me obrigara a estudar e a investigar no domínio da geografia física, da geologia, da geomorfologia e da biogeografia, sem esquecer o contributo da climatologia no estudo da influência microclimática na biodiversidade daquela região geograficamente original.


Apesar de a minha preferência ir mais para a área da geografia social e de planeamento regional, lá ia cumprindo a minha obrigação no estudo daquelas disciplinas dos primeiros anos da licenciatura que aqui me fizeram relembrar e requisitar ao meu imaginário geográfico tudo quanto aprendi e acumulei das observações e interpretações derivadas dos trabalhos de campo.


A Serra da Arrábida é uma cadeia montanhosa em cujo topo do anticlinal do Formosinho, dobra derivada da elevação das camadas dos estratos geológicos, nos podemos deslumbrar com a paisagem circundante cuja vista se espraia pelos horizontes de Lisboa, morro de Palmela e planalto do cabo Espichel.


Do local onde me situava, a neblina, consequência do contacto por convecção do ar marítimo morno e húmido com o ar mais frio do topo, apenas conseguia observar a vegetação naturalmente mediterrânica da proximidade que grassa por todo aquele espaço. É uma espécie de mata de arbustos com alguns de grande porte em locais mais afastados das arribas. Mais próximo do mar nada mais do que espécies arbustivas como o maquis, arbustos verdes densos e fechados de folha pequena e larga, e o garrigue, formação vegetal de pequenos arbustos dispersos que ocupam solos rochosos calcários.


 


 




 


 


 


 


 

Maquis



Garrigue



 


Ali permaneci mais do que uma hora observando as folhas daquela vegetação e as pequenas gotículas de água que a humidade do ar ali condensara junto à superfície fria. A neblina refrescante que, apressada, caminhava do mar para a serra, nada tinha a ver com o “fumo” nevoeirento, este, nada refrescante e com uma opacidade perturbadora e perigosa que o Presidente da República tinha lançado nessa semana sobre a política portuguesa em defesa da sua pessoa.


Tentei centrar-me novamente na paisagem e na sua geografia. Já não consegui. Regressei a Lisboa pensado que Portugal e nós, portugueses, merecemos mais do que esta cambada que, neste dois últimos anos, tem desacreditado a política e a economia.


 


 


 

sábado, 16 de março de 2013

Estes partidos que nos governam



Reprodução: Agência Brasil




 


O que mudou no PSD nos últimos 20 anos que o conduziu a um programa e a políticas que nada têm a ver com a sua matriz ideológica que foi proposta aos portugueses e que nele acreditaram e votaram? A proposta do antigo PSD de um País, um Governo, um Presidente nada tinham a ver com esta falsidade que estes senhores criaram destruindo parte da base do apoio eleitoral do partido.


 


Tendo em conta afirmações de alguns “sujeitos”, há muito infiltrados no PSD que têm publicamente defendido posições políticas neoliberais radicais, podem colocar-se várias hipóteses explicativas e possíveis para a mudança de rumo do autêntico PSD. A que mais se poderá adequar é a de que, no PSD, se encontravam latentes, em alguns dos seus militantes mais antigos, ideias neoliberais radicais que foram catalisadas por outros militantes mais jovens, alguns oriundos da JSD, a quem foram impingidas teorias neoliberais radicais com uma visão distorcida da realidade portuguesa e absorvidas sem qualquer espírito crítico a serem aplicadas num curtíssimo espaço de tempo isto é, se possível numa legislatura de tal modo a impossibilidade de retrocesso, dificultando assim no futuro a governação por outras áreas ideológicas, nomeadamente do Partido Socialista, enquanto parido de alternância.


 


Em “posts” anteriores já associei a política de Passos Coelho àquela que Margarete Tatcher adotou para pôr em prática no Reino Unido nos anos oitenta do século passado que conduziram o país a um desastre social do qual, ao fim de todos estes anos, ainda não se libertou. Temos que ter em conta que, nos anos oitenta, aquelas políticas foram um fracasso apesar de os contextos e as condições políticas internacionais serem mais favoráveis.


 


Desconheço se Passos Coelho tem alguma noção histórica do que foram esses tempos, pois teria apenas uns vinte e poucos anos e se alguma vez se interessou por saber. Tendo em conta alguns economistas da sua área política que dizem que a história não serve para nada, é natural que não saiba. O certo é que ele e os seus protegidos do Governo (resta saber quem protege quem) pondo acima de tudo as ideologias politicas e económicas que professam, estão a conduzir Portugal para um caminho que, a continuar assim, será pior do que o da Grécia. Apenas com uma diferença, é que as políticas seguidas estão a ser implementadas com alguns adiamentos para que estertor não seja tão rápido. O receituário é o mesmo da Grécia, o que difere é apenas a posologia da medicação que passa a ser mais espaçada para que o doente sinta mais tarde os efeitos colaterais da morte.


 


O que é preocupante é que possam ainda existir portugueses que, de boa-fé, ao tencionarem votar no PSD, acham que estão a votar num partido em que acreditavam e que vai resolver os problemas para o desenvolvimento do país. Desenganem-se porque o tempo desse partido já lá vai! Proponho, assim, a mudança do nome de PSD para PUP-Partido Ultraliberal de Portugal para quem ainda tencione votar neste partido.




Estes partidos que nos governam



Reprodução: Agência Brasil




 


O que mudou no PSD nos últimos 20 anos que o conduziu a um programa e a políticas que nada têm a ver com a sua matriz ideológica que foi proposta aos portugueses e que nele acreditaram e votaram? A proposta do antigo PSD de um País, um Governo, um Presidente nada tinham a ver com esta falsidade que estes senhores criaram destruindo parte da base do apoio eleitoral do partido.


 


Tendo em conta afirmações de alguns “sujeitos”, há muito infiltrados no PSD que têm publicamente defendido posições políticas neoliberais radicais, podem colocar-se várias hipóteses explicativas e possíveis para a mudança de rumo do autêntico PSD. A que mais se poderá adequar é a de que, no PSD, se encontravam latentes, em alguns dos seus militantes mais antigos, ideias neoliberais radicais que foram catalisadas por outros militantes mais jovens, alguns oriundos da JSD, a quem foram impingidas teorias neoliberais radicais com uma visão distorcida da realidade portuguesa e absorvidas sem qualquer espírito crítico a serem aplicadas num curtíssimo espaço de tempo isto é, se possível numa legislatura de tal modo a impossibilidade de retrocesso, dificultando assim no futuro a governação por outras áreas ideológicas, nomeadamente do Partido Socialista, enquanto parido de alternância.


 


Em “posts” anteriores já associei a política de Passos Coelho àquela que Margarete Tatcher adotou para pôr em prática no Reino Unido nos anos oitenta do século passado que conduziram o país a um desastre social do qual, ao fim de todos estes anos, ainda não se libertou. Temos que ter em conta que, nos anos oitenta, aquelas políticas foram um fracasso apesar de os contextos e as condições políticas internacionais serem mais favoráveis.


 


Desconheço se Passos Coelho tem alguma noção histórica do que foram esses tempos, pois teria apenas uns vinte e poucos anos e se alguma vez se interessou por saber. Tendo em conta alguns economistas da sua área política que dizem que a história não serve para nada, é natural que não saiba. O certo é que ele e os seus protegidos do Governo (resta saber quem protege quem) pondo acima de tudo as ideologias politicas e económicas que professam, estão a conduzir Portugal para um caminho que, a continuar assim, será pior do que o da Grécia. Apenas com uma diferença, é que as políticas seguidas estão a ser implementadas com alguns adiamentos para que estertor não seja tão rápido. O receituário é o mesmo da Grécia, o que difere é apenas a posologia da medicação que passa a ser mais espaçada para que o doente sinta mais tarde os efeitos colaterais da morte.


 


O que é preocupante é que possam ainda existir portugueses que, de boa-fé, ao tencionarem votar no PSD, acham que estão a votar num partido em que acreditavam e que vai resolver os problemas para o desenvolvimento do país. Desenganem-se porque o tempo desse partido já lá vai! Proponho, assim, a mudança do nome de PSD para PUP-Partido Ultraliberal de Portugal para quem ainda tencione votar neste partido.