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sábado, 17 de maio de 2025

Verdade e ficção em tempo de eleições

Eleições verdade e ficção.png


Há políticos que raramente dizem a verdade, sobretudo em tempo de campanhas eleitorais. Preferem falar em hipotéticas promessas com narrativas próximas da ficção. Isto porque a ficção pode ser mais simples de assimilar pelos potenciais eleitores, enquanto a verdade é tendencialmente complicada porque a realidade que a representa é também complicada. É mais fácil convencerem-se os eleitores de que tudo será simples e fácil com demagogia plena de ficção do que dizerem a verdade porque esta é, por vezes, dolorosa e perturbadora e se a tornam mais reconfortante e suavizadora deixa de ser verdade. Assim, um discurso mais ficcional é mais irrealista, maleável e demagógico e sem qualquer sustentabilidade com a realidade é mais produtivo para a captação de votos. Daqui a necessidade duma análise atenta às suas intervenções.  

segunda-feira, 26 de março de 2012

Críticas injustas ao governo de Passos Coelho

 



 


Ouve-se todo o tipo de pessoas dizer mal, por todo o lado, do primeiro ministro e de alguns dos seus ministros mais afoitos, porque outros passam entre os pingos da chuva. Todos se queixam da crise!!


É uma injustiça que se faz a Passos Coelho e ao seu governo. Crise para aqui, crise para ali, o governo isto, o governo aquilo, eu sei lá!...


Quanto às nomeações, as criticas que têm sido feitas são ainda mais injustas. Foram feitas menos nomeações, mas todas elas necessárias e apenas "oferecidas" a personalidades da maior competência. Vejam-se, por exemplo, os casos do Dr. Santana Lopes e da Drª.Celeste Cardona e alguns mais... Podem não perceber nada sobre o cargo que ocupam, mas isso não é objeção que se ponha, pois a sua "capacidade de adaptação" e de liderança a qualquer "cargo" é de grande nível e mais do que suficiente! O caso do Dr. Catroga é diferente por que se enquadra noutro "perfil de nomeações"!    


Não é  justo, portanto, criticar este governo e Passos Coelho porque estão a fazer tudo para salvar Portugal da bancarrota. Salvam Portugal quando abrem excepções, melhor dizendo ajustamentos,  aos cortes nos subsídios em algumas empresas, como a CGD, TAP entre outras, enquanto os outros têm e devem contribuir com sacrifícios, porque deles depende a sobrevivência de Portugal.


Quando falamos do pagamento excessivo das portagens das auto-estradas estamos a insultar o governo, o que é injusto! Se não vejamos, critica-se o preço das portagens e o tráfego descomedido de carros de baixa cilindrada que aumentava nos fins de semana não deixando circular outros acima dos limites de velocidade. Esse problema acabou! O custo dos combustíveis e as portagens vieram moderar o tráfego, por isso já se pode circular muito melhor e com menos risco... e ainda nos queixamos?! Devemos apoiar este governo também nesta matéria porque agora já se circula melhor. O caso das estradas alternativas? Isso não interessa para aqui agora! As autoestradas diminuiram o tráfego. Os utentes que agora por elas circulam agradecem, e as empresas concessionárias também, uma vez que estas recebem do Estado o valor correspondente à diferença em relação à diminuição do tráfego, que foi inicialmente estimado quando do contrato. Isto significa que os que já não têm possibilidade de circular por elas estão a pagar para os que fazem delas as suas autoestradas privadas!


Contudo irrompe a minha perplexidade ao observar o reverso da medalha.


A realidade é que estes lamentos e as situações atrás descritas fazem-se sentir com mais frequência à mesa de restaurantes, muitos deles cheios à hora de almoço nos dias de semana, já para não falar nos fins de semana. Ah! a crise na restauração, é verdade! Esses que dizem estar em crise por causa do aumento do IVA não contam, por que não têm "chefs" nem ofertas gourmet! Não vale a pena gastar tempo com eles visto serem frequentados por classes gastadoras que não sabem poupar!


De facto os portugueses são piegas! Criticam-se medidas do governo como o aumento do IVA em bens essenciais e na restauração, o corte de pensões e subsídios, o novo código de trabalho, a atualização sistemática do IRS, o aumento dos combustíveis, etc. mas a realidade é continuarem a viver como se nada os afetasse. Os jovens reivindicam o não pagamento de propinas mas continuam a levar uma vida de concertos rock, discotecas e restaurantes aos fins de semana.


Excluo deste cenário os desempregados de longa duração e os com mais de 40 anos  além de outros cidadãos em situação difícil, sem esquecer os jovens que procuram o primeiro emprego. Para todos os outros a crise passa ao lado!


Por isso, não há crise nenhuma e devemos continuar a apoiar Passos Coelho na sua difícil tarefa para mudar este país de perdulários. O quê, isto não é assim? Édemagogia?! Pronto... já cá não está quem falou!


 

Críticas injustas ao governo de Passos Coelho

 



 


Ouve-se todo o tipo de pessoas dizer mal, por todo o lado, do primeiro ministro e de alguns dos seus ministros mais afoitos, porque outros passam entre os pingos da chuva. Todos se queixam da crise!!


É uma injustiça que se faz a Passos Coelho e ao seu governo. Crise para aqui, crise para ali, o governo isto, o governo aquilo, eu sei lá!...


Quanto às nomeações, as criticas que têm sido feitas são ainda mais injustas. Foram feitas menos nomeações, mas todas elas necessárias e apenas "oferecidas" a personalidades da maior competência. Vejam-se, por exemplo, os casos do Dr. Santana Lopes e da Drª.Celeste Cardona e alguns mais... Podem não perceber nada sobre o cargo que ocupam, mas isso não é objeção que se ponha, pois a sua "capacidade de adaptação" e de liderança a qualquer "cargo" é de grande nível e mais do que suficiente! O caso do Dr. Catroga é diferente por que se enquadra noutro "perfil de nomeações"!    


Não é  justo, portanto, criticar este governo e Passos Coelho porque estão a fazer tudo para salvar Portugal da bancarrota. Salvam Portugal quando abrem excepções, melhor dizendo ajustamentos,  aos cortes nos subsídios em algumas empresas, como a CGD, TAP entre outras, enquanto os outros têm e devem contribuir com sacrifícios, porque deles depende a sobrevivência de Portugal.


Quando falamos do pagamento excessivo das portagens das auto-estradas estamos a insultar o governo, o que é injusto! Se não vejamos, critica-se o preço das portagens e o tráfego descomedido de carros de baixa cilindrada que aumentava nos fins de semana não deixando circular outros acima dos limites de velocidade. Esse problema acabou! O custo dos combustíveis e as portagens vieram moderar o tráfego, por isso já se pode circular muito melhor e com menos risco... e ainda nos queixamos?! Devemos apoiar este governo também nesta matéria porque agora já se circula melhor. O caso das estradas alternativas? Isso não interessa para aqui agora! As autoestradas diminuiram o tráfego. Os utentes que agora por elas circulam agradecem, e as empresas concessionárias também, uma vez que estas recebem do Estado o valor correspondente à diferença em relação à diminuição do tráfego, que foi inicialmente estimado quando do contrato. Isto significa que os que já não têm possibilidade de circular por elas estão a pagar para os que fazem delas as suas autoestradas privadas!


Contudo irrompe a minha perplexidade ao observar o reverso da medalha.


A realidade é que estes lamentos e as situações atrás descritas fazem-se sentir com mais frequência à mesa de restaurantes, muitos deles cheios à hora de almoço nos dias de semana, já para não falar nos fins de semana. Ah! a crise na restauração, é verdade! Esses que dizem estar em crise por causa do aumento do IVA não contam, por que não têm "chefs" nem ofertas gourmet! Não vale a pena gastar tempo com eles visto serem frequentados por classes gastadoras que não sabem poupar!


De facto os portugueses são piegas! Criticam-se medidas do governo como o aumento do IVA em bens essenciais e na restauração, o corte de pensões e subsídios, o novo código de trabalho, a atualização sistemática do IRS, o aumento dos combustíveis, etc. mas a realidade é continuarem a viver como se nada os afetasse. Os jovens reivindicam o não pagamento de propinas mas continuam a levar uma vida de concertos rock, discotecas e restaurantes aos fins de semana.


Excluo deste cenário os desempregados de longa duração e os com mais de 40 anos  além de outros cidadãos em situação difícil, sem esquecer os jovens que procuram o primeiro emprego. Para todos os outros a crise passa ao lado!


Por isso, não há crise nenhuma e devemos continuar a apoiar Passos Coelho na sua difícil tarefa para mudar este país de perdulários. O quê, isto não é assim? Édemagogia?! Pronto... já cá não está quem falou!


 

terça-feira, 20 de março de 2012

O Estado que vive acima das minhas possibilidades

 


Um bom político


  é aquele  que não tem tempo de fazer


 o seu trabalho, mas tem tempo para
poder falar do muito que  já fez.


J.R.MORA


 


Frequentemente deparamos com o termo demagogia  quando lemos e ouvimos políticos e comentadores acusar de demagógicas uma ou outra afirmação. Ao assistirmos a debates na Assembleia da República, se estivermos atentos e despertos para tal,  não é difícil ouvirmos intervenções e discursos com caráter demagógico.


O atual governo e quem o apoia, têm afirmado mais do que uma vez que os portugueses têm sido uns gastadores e que, por isso, temos o défice que temos, e que a culpa é do estado social que não pode continuar. O dinheiro do Estado que os sucessivos governos gerem provêm dos  impostos e não é pelas despesas destinadas ao bem-estar social que o Estado é um gastador.


 



Ideia caoazul


 


A constituição portuguesa define com clareza as funções do Estado, nomeadamente no que respeita às áreas sociais, em cuja intervenção estão implícitos investimentos e despesas tendentes ao bem comum ao nível económico, educativo e social, tudo o resto são despesas que revertem apenas para alguns...


A frase o ESTADO VIVE ACIMA DAS MINHAS POSSIBILIDADES pode ser uma frase demagógica. Sê-lo-á de facto? Mas afinal o que é isso de demagogia? Será que algo que politicamente não nos agrade ouvir o classificamos de imediato como demagógico dando-lhe uma conotação pejorativa?


Como a filosofia não é o meu domínio científico, ou  como dizem por aí, não é a minha praia, recorri a especialistas na matéria, como Adelino Maltez, para me ajudar a clarificar o conceito. 




O conceito foi utilizado por Platão no Livro V da República que chama demagogo a todos aqueles que chamam boas às coisas que lhe agradam e más às coisas que detestam. Aristóteles chamava demagogo a todos os que utilizam a "lisonja e os artifícios oratórios". Etimologicamente o termo de origem grega é o condutor ou educador do povo (demo,povo, e agogo o que conduz), isto é, a arte de conduzir o povo.


Citando Maltez, "na democracia de massa, os chefes políticos utilizam algo que vai além da persuasão e que se inclui na zona do artifício e da manha, gerando-se um populismo que também chegou a ser utilizado pelos instauradores de regimes autoritários e totalitários, mas que também funciona na propaganda democrática, no âmbito da chamada personalização do poder." Excuso-me a falar sobre o populismo visto ter sido por mim abordado noutro blog. Lincoln por outras palavras assinalou que podemos enganar algumas pessoas todo o tempo, enganar todas as pessoas durante algum tempo, mas não podemos enganar todas as pessoas o tempo todo. Para Max Weber em democracia o demagogo é a "figura típica do chefe político no Ocidente". Tudo isto vem a propósito de intervenções que lemos e ouvimos na televisão durante alguns debates, um dos quais passo a relatar como exemplo. No Jornal das nove da SIC do Sr. Mário Crespo, num frente a frente onde estavam presentes o elemento do PSD Luís Arnault e o do PS Carlos Zorrinho, este ia argumentar algo exemplificando com uma notícia que teria vindo a público sobre uma situação que tinha ocorrido com um jovem em determinado hospital. De imediato, antes que Zorrinho terminasse e identificasse a situação, Arnault interrompeu-o dizendo e passo a citar, "…isso é demagogia… isso não é forma de fazer política…". O espectador ficou sem saber o que teria acontecido, já que Zorrinho, inibiu-se deixando passar o facto. Claro que o jornalista, como quase sempre, também deixou que tudo ficasse no ar…


Aqui está um pequeno exemplo em como a Arnault não interessava que o seu interlocutor denunciasse o facto, visto que, não lhe agradaria que fosse dito algo que fosse por ema causa aspetos da governação. Evitou assim que Zorrinho falasse, chamando demagogia ao que iria ser denunciado. Por sua vez, para Zorrinho era uma coisa boa porque lhe agradava que fosse denunciada, embora pudesse ser demagógica.


A questão que se coloca é saber até que ponto  alguém deve ficar calado  quando, conhecendo factos verídicos que poderão interessar à população e possam denunciar práticas que coloquem em causa o poder deve ou não ficar calado com receio da demagogia.


Do meu ponto de vista a demagogia é relativa. O que é demagógico para uns, pode não ser para outros… A demagogia tenta conduzir o povo num determinado sentido. Mas não há demagogia que resista quando a população tem um nível cultural lhe permita assumir de forma clara e consciente as suas opções. Há demagogias tão convincentes no domínio das promessas eleitorais  que nos deixamos levar por elas. E, como costumo dizer, sei que estou a ser enganado, mas deixo-me levar. Há que acabar com este tipo de atitude.




 



 


 


 


 


 

O Estado que vive acima das minhas possibilidades

 


Um bom político


  é aquele  que não tem tempo de fazer


 o seu trabalho, mas tem tempo para
poder falar do muito que  já fez.


J.R.MORA


 


Frequentemente deparamos com o termo demagogia  quando lemos e ouvimos políticos e comentadores acusar de demagógicas uma ou outra afirmação. Ao assistirmos a debates na Assembleia da República, se estivermos atentos e despertos para tal,  não é difícil ouvirmos intervenções e discursos com caráter demagógico.


O atual governo e quem o apoia, têm afirmado mais do que uma vez que os portugueses têm sido uns gastadores e que, por isso, temos o défice que temos, e que a culpa é do estado social que não pode continuar. O dinheiro do Estado que os sucessivos governos gerem provêm dos  impostos e não é pelas despesas destinadas ao bem-estar social que o Estado é um gastador.


 



Ideia caoazul


 


A constituição portuguesa define com clareza as funções do Estado, nomeadamente no que respeita às áreas sociais, em cuja intervenção estão implícitos investimentos e despesas tendentes ao bem comum ao nível económico, educativo e social, tudo o resto são despesas que revertem apenas para alguns...


A frase o ESTADO VIVE ACIMA DAS MINHAS POSSIBILIDADES pode ser uma frase demagógica. Sê-lo-á de facto? Mas afinal o que é isso de demagogia? Será que algo que politicamente não nos agrade ouvir o classificamos de imediato como demagógico dando-lhe uma conotação pejorativa?


Como a filosofia não é o meu domínio científico, ou  como dizem por aí, não é a minha praia, recorri a especialistas na matéria, como Adelino Maltez, para me ajudar a clarificar o conceito. 




O conceito foi utilizado por Platão no Livro V da República que chama demagogo a todos aqueles que chamam boas às coisas que lhe agradam e más às coisas que detestam. Aristóteles chamava demagogo a todos os que utilizam a "lisonja e os artifícios oratórios". Etimologicamente o termo de origem grega é o condutor ou educador do povo (demo,povo, e agogo o que conduz), isto é, a arte de conduzir o povo.


Citando Maltez, "na democracia de massa, os chefes políticos utilizam algo que vai além da persuasão e que se inclui na zona do artifício e da manha, gerando-se um populismo que também chegou a ser utilizado pelos instauradores de regimes autoritários e totalitários, mas que também funciona na propaganda democrática, no âmbito da chamada personalização do poder." Excuso-me a falar sobre o populismo visto ter sido por mim abordado noutro blog. Lincoln por outras palavras assinalou que podemos enganar algumas pessoas todo o tempo, enganar todas as pessoas durante algum tempo, mas não podemos enganar todas as pessoas o tempo todo. Para Max Weber em democracia o demagogo é a "figura típica do chefe político no Ocidente". Tudo isto vem a propósito de intervenções que lemos e ouvimos na televisão durante alguns debates, um dos quais passo a relatar como exemplo. No Jornal das nove da SIC do Sr. Mário Crespo, num frente a frente onde estavam presentes o elemento do PSD Luís Arnault e o do PS Carlos Zorrinho, este ia argumentar algo exemplificando com uma notícia que teria vindo a público sobre uma situação que tinha ocorrido com um jovem em determinado hospital. De imediato, antes que Zorrinho terminasse e identificasse a situação, Arnault interrompeu-o dizendo e passo a citar, "…isso é demagogia… isso não é forma de fazer política…". O espectador ficou sem saber o que teria acontecido, já que Zorrinho, inibiu-se deixando passar o facto. Claro que o jornalista, como quase sempre, também deixou que tudo ficasse no ar…


Aqui está um pequeno exemplo em como a Arnault não interessava que o seu interlocutor denunciasse o facto, visto que, não lhe agradaria que fosse dito algo que fosse por ema causa aspetos da governação. Evitou assim que Zorrinho falasse, chamando demagogia ao que iria ser denunciado. Por sua vez, para Zorrinho era uma coisa boa porque lhe agradava que fosse denunciada, embora pudesse ser demagógica.


A questão que se coloca é saber até que ponto  alguém deve ficar calado  quando, conhecendo factos verídicos que poderão interessar à população e possam denunciar práticas que coloquem em causa o poder deve ou não ficar calado com receio da demagogia.


Do meu ponto de vista a demagogia é relativa. O que é demagógico para uns, pode não ser para outros… A demagogia tenta conduzir o povo num determinado sentido. Mas não há demagogia que resista quando a população tem um nível cultural lhe permita assumir de forma clara e consciente as suas opções. Há demagogias tão convincentes no domínio das promessas eleitorais  que nos deixamos levar por elas. E, como costumo dizer, sei que estou a ser enganado, mas deixo-me levar. Há que acabar com este tipo de atitude.