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sábado, 17 de maio de 2025

Verdade e ficção em tempo de eleições

Eleições verdade e ficção.png


Há políticos que raramente dizem a verdade, sobretudo em tempo de campanhas eleitorais. Preferem falar em hipotéticas promessas com narrativas próximas da ficção. Isto porque a ficção pode ser mais simples de assimilar pelos potenciais eleitores, enquanto a verdade é tendencialmente complicada porque a realidade que a representa é também complicada. É mais fácil convencerem-se os eleitores de que tudo será simples e fácil com demagogia plena de ficção do que dizerem a verdade porque esta é, por vezes, dolorosa e perturbadora e se a tornam mais reconfortante e suavizadora deixa de ser verdade. Assim, um discurso mais ficcional é mais irrealista, maleável e demagógico e sem qualquer sustentabilidade com a realidade é mais produtivo para a captação de votos. Daqui a necessidade duma análise atenta às suas intervenções.  

quarta-feira, 13 de março de 2013

Untitled


Imagem de: http://marx21.com/category/economia-e-politica-no-brasil/page/2/




 


Já lhe chamaram o profeta da desgraça. Sem quaisquer propósitos ofensivos para o Dr. Medina Carreira, sempre que o vejo às segundas-feiras na TVI24, não sei porquê, lembra-me antes aquele tipo de cientista louco das obras de ficção que, nos seu laboratório secreto (no caso dele deve ser o escritório), procura transformar a realidade através de manipulações mirabolantes, quer preparando cadinhos de poções mágicas, quer fazendo operações macabras para dar vida ao que é inanimado. Tal como um Dr. Jekyll/Dr Hyde, de Louis Stevenson, que escreveu a história do médico Jekyll, honesto e virtuoso que se transforma em Mr. Hyde de natureza má, ou um Dr. Frankestein, de Mary Shelley, que pretendia criar vida a partir de corpos inanimados.


 


Ora no caso do Dr. Medina Carreira as suas experiências partem da elaboração de gráficos que prepara de acordo com a sua sabedoria e tempera de modo a criar polémica e entretenimento televisivo. Outras vezes, menos polémico, trás a acalmia às hostes dos seus opositores. Os ingredientes básicos, neste caso os números, com que ele prepara os gráfico, podem estar e estão com certeza certos, apenas lhes faltam outros ingredientes necessários para se fazerem análises macroeconómicas com rigor.


 


Traçar gráficos de linhas de evolução de variáveis ou de barras comparativas é fácil. Qualquer aluno do primeiro ano da universidade quando apresenta os seus primeiros trabalhos é assim que faz. Para que se seja rigoroso o importante é, a partir do histórico determinar as causa, fazer o diagnóstico e, posteriormente, projeções. Não basta lançar gráficos do histórico é também necessário correlacionar as varáveis e indicadores sociais e macroeconómicos, comparar com outros países do mesmo grupo, fazer projeções e arranjar alternativas inovadoras, tudo o resto é mais ou menos tendencioso e não passa de um programa televisivo para subir audiências.


 


Na passada segunda-feira, ao falar das pensões de reforma e de eventuais cortes, foram lançados para a mesa números sobre pensões pagas a partir dos três mil euros, ao que o Dr. Medina Carreira respondeu prontamente que isso de cortar naquelas pensões não adiantava nada, o corte tinha que ser feito nas pensões mais baixas. Claro que, em termos globais, havendo menos pensionistas a receber valores mais elevados a verba será pouco significativa. Mas o espantoso é a forma como rapidamente tentou escusar cortes naquelas pensões. Estando ele reformado, como se pensa, e auferindo possivelmente pensão superior a três mil euros percebe-se.


 


 Não acham genial?  



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Imagem de: http://marx21.com/category/economia-e-politica-no-brasil/page/2/




 


Já lhe chamaram o profeta da desgraça. Sem quaisquer propósitos ofensivos para o Dr. Medina Carreira, sempre que o vejo às segundas-feiras na TVI24, não sei porquê, lembra-me antes aquele tipo de cientista louco das obras de ficção que, nos seu laboratório secreto (no caso dele deve ser o escritório), procura transformar a realidade através de manipulações mirabolantes, quer preparando cadinhos de poções mágicas, quer fazendo operações macabras para dar vida ao que é inanimado. Tal como um Dr. Jekyll/Dr Hyde, de Louis Stevenson, que escreveu a história do médico Jekyll, honesto e virtuoso que se transforma em Mr. Hyde de natureza má, ou um Dr. Frankestein, de Mary Shelley, que pretendia criar vida a partir de corpos inanimados.


 


Ora no caso do Dr. Medina Carreira as suas experiências partem da elaboração de gráficos que prepara de acordo com a sua sabedoria e tempera de modo a criar polémica e entretenimento televisivo. Outras vezes, menos polémico, trás a acalmia às hostes dos seus opositores. Os ingredientes básicos, neste caso os números, com que ele prepara os gráfico, podem estar e estão com certeza certos, apenas lhes faltam outros ingredientes necessários para se fazerem análises macroeconómicas com rigor.


 


Traçar gráficos de linhas de evolução de variáveis ou de barras comparativas é fácil. Qualquer aluno do primeiro ano da universidade quando apresenta os seus primeiros trabalhos é assim que faz. Para que se seja rigoroso o importante é, a partir do histórico determinar as causa, fazer o diagnóstico e, posteriormente, projeções. Não basta lançar gráficos do histórico é também necessário correlacionar as varáveis e indicadores sociais e macroeconómicos, comparar com outros países do mesmo grupo, fazer projeções e arranjar alternativas inovadoras, tudo o resto é mais ou menos tendencioso e não passa de um programa televisivo para subir audiências.


 


Na passada segunda-feira, ao falar das pensões de reforma e de eventuais cortes, foram lançados para a mesa números sobre pensões pagas a partir dos três mil euros, ao que o Dr. Medina Carreira respondeu prontamente que isso de cortar naquelas pensões não adiantava nada, o corte tinha que ser feito nas pensões mais baixas. Claro que, em termos globais, havendo menos pensionistas a receber valores mais elevados a verba será pouco significativa. Mas o espantoso é a forma como rapidamente tentou escusar cortes naquelas pensões. Estando ele reformado, como se pensa, e auferindo possivelmente pensão superior a três mil euros percebe-se.


 


 Não acham genial?