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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Profissionais da falsidade na política

Catroga_3.jpg


 


 


 


Votar na coligação é o mesmo que jogar na roleta apostando no 36 vermelho e o croupier anunciar que saiu o 13 preto. Resta depois hipotecar tudo o que se tem e não tem para pagar ao dono do casino por mais quatro anos.


MR


Há uma desilusão e um descrédito na sociedade relativamente aos políticos, daí a desmobilização das pessoas em relação ao voto no qual a abstenção é um dos indicadores mais relevantes.


Somos um país premeditadamente desinformado sobre a atuação política do Governo. O canal Parlamento é onde podemos seguir com mais pormenor o que se vai passando. O que vamos sabendo é apenas pela voz dos que defendem em causa própria a aplicação das políticas de quem nos governa. Como já escrevi em textos anteriores, entre eles estão também os comentadores afetos aos partidos do Governo que ocupam os canais de televisão generalistas sem que haja, ao mesmo nível de horário, a possibilidade de contraditório.


Ouvimos a maior parte das vezes os mesmos pontos de vista defendidos até à exaustão que as audiências absorvem como verdades porque não possuem a informação suficiente para a validarem.


Os argumentos que utilizam são muitas vezes baseados em informação com incorreções, falsidades e distorção da verdade para iludir quem os escuta. Com exceção de alguns mais interessados ou informados a maioria não tem a possibilidade de confirmação.


Um dos que está nesse alinhamento é Eduardo Catroga que foi premiado por serviços prestados quando da negociação do memorando com a troika e pela venda da EDP à empresa estatal chinesa, China Three Gorges Corporation. Ocupou de imediato o cargo de Presidente da EDP em representação daquela empresa com remuneração milionária.


Catroga, bem instalado na vida com remunerações escandalosas para um país empobrecido como é Portugal, é compreensível que seja um dos carros de combate do atual PSD. É um digno representante do pensamento político e ideológico, ainda mais radical do que o próprio Governo que apoiará para que a coligação continue a governar.


Disse Eduardo Catroga que o Governo se atrasou no processo de redução da despesa pública e que, em vez do colossal aumento de imposto, deveria ter feito uma enorme redução na despesa. Lança isto mentindo descaradamente, aliás seguindo as pesadas do líder do seu partido.


Vamos ver os verdadeiros números para podermos aferir se deveremos ou não votar nesta coligação que nos engana sustentada por uma vanguarda que nos pretende continuar a enganar.


 


Consolidação orçamental:



  • Diminuição da despesa primária de 7,4 mil milhões de euros. (Despesa efetiva excluindo a rubrica de juros e outros encargos)

  • Aumento da receita de 4,5 mil milhões de euros.

  • Redução da despesa de 2/3 da consolidação.

  • Aumento da receita 1/3 da consolidação.

  • Ao contrário do que Eduardo Catroga diz o enorme aumento de impostos foi inferior ao enorme corte na despesa.                     


Os dois momentos do ajustamento foram:


Primeiro momento



  • Corte brusco na despesa que reduziu mais de 10 mil milhões de euros.

  • Quebra na receita de 2,7 mil milhões de euros.

  • Decisão do Tribunal Constitucional: eliminados 3 mil milhões de euros de corte na despesa. Se não fosse esta decisão a economia estaria ainda neste momento com uma recuperação ainda mais débil.


Segundo momento



  • O tal aumento enorme de impostos com a subida de receita de 6,2 mil milhões de euros.


Como o corte na despesa foi anterior ao enorme aumento dos impostos apenas este ficou registado na memória das pessoas devido ao matraquear constante dos comentadores e da comunicação social produzindo na opinião pública uma falsa perceção dos factos propositadamente criada.


Catroga como muitos outros radicais que apoiam estes neoliberais do Governo acreditam numa austeridade expansionista que apenas existe no país da Alice. Desculpam-se com o interesse do país (julgando-se as únicas pessoas que o habitam) mas olham apenas para o seu umbigo que, em qualquer circunstância, sabem que fica sempre preservado de todas as contingências.


Quando o dr. Eduardo Catroga e outros que tais dizem que se deveria ter cortado ainda mais na despesa, estão fixados no ataque sistemático aos salários e às pensões, quadro donde de encontram a salvo, já que tudo quanto possam ainda dizer sobre corte na despesa é um logro.


A economia não se recupera com esperança num futuro risonho que não chega, nem apenas com cortes nos rendimentos das famílias. Em qualquer sistema capitalista e de economia de mercado a economia vive à base do "pilim" se este se corta ou limita às empresas e às famílias o fundo está à vista.


Acreditar e manter a esperança nesta gente que, mais uma vez, nos pretende iludir é o mesmo que jogar na roleta apostando no 36 vermelho e o croupier anunciar que saiu o 13 preto. Resta depois hipotecar tudo o que se tem e não tem para pagar ao dono do casino por mais quatro anos.


  


Diz Pedro Adão Silva no Expresso:


Se o tema são os pedidos de desculpa, a maioria devia, então, começar por pedir desculpa às famílias


dos 400 mil portugueses que emigraram


aos 400 mil que viram os seus empregos destruídos;


às 65 mil crianças que deixaram de ter inglês no 1º ciclo;


aos milhões de idosos que tiveram as suas pensões cortadas.


 É que, em importante medida, tudo isto foi consequência de uma estratégia de “ir além da troika”, assente na crença mágica de que um corte abrupto na despesa teria um efeito salvífico


 


Fontes: jornal Expresso; Governar com a Troika - Políticas Públicas em Tempo de Austeridade, Almedina

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Políticas e ações do Governo através de desenhos


  1. A privatização da ANA-Aeroportos de Portugal


Não perceberam porquê? Eu faço um desenho.


 


 


 


 



 


Fontes:Expresso e MST


2. EDP-Aumento de preços


 


Também não percebeu? Então aqui está o desenho.


 



 


 Fontes:Expresso e MST


3. E sobre a Banca?


 


Não percebe? Então veja mais um desenho


 


 



 


 


 


 


 


4. A descida dos salários do setor privado? Pois! Veja mais este boneco


 


sábado, 27 de abril de 2013

Que país é este onde vivemos?


 



Até onde chega a cumplicidade entre os monopólios e os governos que se deixam enredar por lobbies e, consequente, pressões sobre o Estado.



 


As remodelações do Governo são de facto peças de teatro de má qualidade e para inglês ver. Tal e qual como na obra de Miguel Sousa Tavares, Equador, em que o governador de S.Tomé, a mando do Rei D. Carlos, tentava demonstrar ao Cônsul Inglês que não se praticava escravatura no território.


Trata-se aqui da demissão do Secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, em Março de 2012, devido a pressões do lobby da energia. De acordo com o Jornal i Henrique Gomes foi demitido após ter “elaborado um relatório sobre os cortes das rendas excessivas no sector elétrico previstos no Memorando de entendimento.”.


Henrique Gomes foi então na altura impossibilitado de de fazer uma intervenção no ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão) sobre o tema das rendas pagas às empresas elétricas.


Ainda segundo o mesmo jornal Henrique Gomes denunciou que o relatório com as “propostas de cortes e a impossibilidade de um imposto especial sobre as rendas excessivas, foi enviado para o gabinete do primeiro-ministro” tendo chegado quase de imediato à administração da EDP cujo responsável é António Mexia. Caso inquietante, revelado por Henrique Gomes, é que a sua demissão do Governo foi festejada com champanhe numa empresa do setor que, sendo única só poderia se a EDP.


No Jornal de Negócios da passada terça-feira Henrique Gomes e sobre o mesmo assunto diz que “Esses privilégios traduzem-se em rendas excessivas, financeiramente insustentáveis, económica e socialmente ilegítimas e, no caso das rendas, ilegais. Politicamente são um desastre.”


Até onde chega a cumplicidade entre os monopólios e os governos que se deixam enredar por lobbys e, consequente, pressões sobre o Estado. Será que não é possível por fim a isto?


Para bom entendedor meia palavra basta…    

Que país é este onde vivemos?


 



Até onde chega a cumplicidade entre os monopólios e os governos que se deixam enredar por lobbies e, consequente, pressões sobre o Estado.



 


As remodelações do Governo são de facto peças de teatro de má qualidade e para inglês ver. Tal e qual como na obra de Miguel Sousa Tavares, Equador, em que o governador de S.Tomé, a mando do Rei D. Carlos, tentava demonstrar ao Cônsul Inglês que não se praticava escravatura no território.


Trata-se aqui da demissão do Secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, em Março de 2012, devido a pressões do lobby da energia. De acordo com o Jornal i Henrique Gomes foi demitido após ter “elaborado um relatório sobre os cortes das rendas excessivas no sector elétrico previstos no Memorando de entendimento.”.


Henrique Gomes foi então na altura impossibilitado de de fazer uma intervenção no ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão) sobre o tema das rendas pagas às empresas elétricas.


Ainda segundo o mesmo jornal Henrique Gomes denunciou que o relatório com as “propostas de cortes e a impossibilidade de um imposto especial sobre as rendas excessivas, foi enviado para o gabinete do primeiro-ministro” tendo chegado quase de imediato à administração da EDP cujo responsável é António Mexia. Caso inquietante, revelado por Henrique Gomes, é que a sua demissão do Governo foi festejada com champanhe numa empresa do setor que, sendo única só poderia se a EDP.


No Jornal de Negócios da passada terça-feira Henrique Gomes e sobre o mesmo assunto diz que “Esses privilégios traduzem-se em rendas excessivas, financeiramente insustentáveis, económica e socialmente ilegítimas e, no caso das rendas, ilegais. Politicamente são um desastre.”


Até onde chega a cumplicidade entre os monopólios e os governos que se deixam enredar por lobbys e, consequente, pressões sobre o Estado. Será que não é possível por fim a isto?


Para bom entendedor meia palavra basta…    

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A recompensa pelos sacrifícios suportados

 



imagem: imediaj.wordpress.com


Estamos em tempo de mobilização geral de todos os jovens, idosos, trabalhadores do público e do privado, reformados e pensionistas. Passei por todas as fases pós revolução do 25 de abril, algumas delas muito más e outras muito boas e muita coisa mudou na nossa sociedade. Problemas gravíssimos conjunturais e estruturais ao longo de todos estes anos e por duas vezes com intervenções do FMI foram sendo resolvidos com a compreensão e o empenho de todos empresários e trabalhadores contribuindo, sem grande queixume, para a sua resolução. Que me recorde, nunca o trabalho e tantos empresários foram tão sacrificados como agora em benefício de algumas empresas e famílias que dominam e querem controlar um Estado cada vez mais fraco e dependente. Afinal para que serve o Estado neste país senão para benefícios de alguns, poucos.


Os portugueses passaram, ao longo do tempo, por vários governos, tirando alguns mais radicais de esquerda, mas não me recordo de assistir a medidas de cariz ideológico neoliberal tão violentas que apenas as posso comparar às tomadas por Margarete Tatcher em Inglaterra nos anos oitenta. Aconselho a leitura do post do anterior blog em


 http://antinomias.blogs.sapo.pt/562.html.


 Sempre critiquei as políticas erradas seguidas pelo anterior governo, chefiado pelo primeiro-ministro José Sócrates. Havia que acabar com as medidas despesistas em tempo de crise. Acusavam-no de mentir e de esconder aos portugueses a verdadeira realidade em que nos encontrávamos o que de certo modo se verificava. Falava sobre a evolução favorável da crise e da recuperação e, na semana seguinte, dizia precisamente o seu contrário. Um dos paladinos de direita no ataque e denúncia era precisamente o atual ministro dos negócios estrangeiros, Paulo Portas sempre em nome do patriotismo. Lembram-se quando ele atacou o anterior executivo ao pretender baixar as reformas dos pensionistas e de quanto atacou os PEC’s (Programa de Estabilidade e Crescimento), que o PSD também combateu? O que vemos agora? Precisamente o contrário do que agora defendem. Não vale a pena enunciar as atitudes destes atuais governantes porque elas são sobejamente conhecidas.


O que Vítor Gaspar está a fazer, em conjugação com “os primeiros-ministros”, o real e os virtuais que não se vêm mas de vez em quando aparecem, é testar alguns modelos macroeconómicos à custa dos portugueses, com previsões vagas e sem projeção de cenários macroeconómicos possíveis que devem existir em situação de incerteza como aquele em que nós vivemos e servem para se ir progressivamente recuando ou avançando nas medidas tomadas. Isto é, tentar provar que o modelo económico que ele perfilha é que está correto, os outros estão todos errados. Portugal não pode dar-se mais ao luxo de experimentalismos. Aliás, a linguagem utilizada pelo ministro das finanças ultrapassa a linguagem técnica e torna-se num código hermético, que mesmo a ser utilizada numa aula de economia os alunos ficariam na mesma. Talvez fosse útil consultar a sua tese de doutoramento.


Para que serve mais tempo dado pelas instâncias internacionais para diminuir o défice como alguns partidos defendiam quando são tomadas mais gravosas medidas de austeridade? Assim, mais tempo vai apenas prolongar o sofrimento do doente ao mesmo tempo que lhe incute remédios cada vez mais fortes que rebenta com outros órgãos. Claro que me poderia colocar na posição do ministro e arranjaria com certeza justificações diversas para o efeito, nomeadamente a pedagogia do medo (veja em: http://zoomsocial.blogs.sapo.pt/tag/medo) como o primeiro-ministro fez, tentando passar esta mensagem na entrevista na RTP1, posteriormente também acolitada por alguns dos seus correligionários.


Reformas estruturais demoram muito tempo a efetuar. O que precisamos neste momento são reformas, eventualmente temporárias, para ultrapassar esta crise de endividamento e, ao mesmo tempo fazer com que a economia se ressinta o menos possível. Não são as teses de doutoramento nem os modelos e gráficos dos manuais de economia que estudamos que vão resultar porque, cada país, cada sociedade, cada cultura tem as suas especificidades. Na Europa nem todos são alemães, nem holandeses, nem finlandeses ou outros, por isso, as reformas estruturais têm que, forçosamente, ser vistas à luz das culturas e hábitos de cada país que, a este nível, demoram a assimilar, assim como a democracia em Portugal demorou cerca de trinta anos e oito anos a ficar mais ou menos sólida. A Europa tem que se convencer que a unidade económica e monetária não significa obrigatoriamente unidade cultural. Há nichos económicos específicos que só progressivamente podem ser modificados


De acordo com as previsões tudo aponta para piorar. O tipo de ideologia política deste governo o que pretende é uma revolução legislativa ultraliberal de destruição baseada na terra queimada para depois, sobre as cinzas, construir o país que para eles seria o ideal, à boa maneira das revoluções soviética e chinesa do século passado.


Tudo isto serve para dizer que não estamos em tempo de cada um puxar para o seu lado, cada um deve deixar de ser o senhor de lideranças e vanguardismos, um pouco desatualizadas e, por si só pouco eficazes, por afastarem alguns mais temerosos. Devemos começar a pensar sem clubismo partidário. Ser simpatizante ou votar em determinado partido não pode ser para toda a vida, por vezes há que distanciarmo-nos. Devemos todos participar em iniciativas que forem tomadas. Não esperemos que as coisas melhorem porque pelo andar da carruagem vê-se quem lá vai dentro”. Posso acrescentar que em 12 de setembro no parlamento o ministro Vítor Gaspar disse que “este ano ainda existirão algumas medidas temporárias que permitirão diminuir o défice” confirmado pela entrevista de hoje pelo primeiro-ministro. Devemos integrar-nos numa sociedade mais mobilizada e organizada através das várias iniciativas que estão a ser tomadas de modo a serem construídas alternativas, porque elas existem, sem renunciar aos compromissos assumidos como alguns pretendem.


O grito silencioso e isolado, já com a corda na garganta, de nada serve. Só em conjunto os protestos terão efeito sobre o pretendem fazer ao nosso país. Serão estas a reformas estruturais que Passos Coelho prometia antes as eleições e aquelas que continua a pregar? Será que as reformas estruturais da economia incidem apenas sobre os rendimentos trabalho ou passam também pela modernização e estruturação das empresas e ao estímulo à produção?


O primeiro-ministro desafiou um dos maiores empregadores nacionais mas não desafiou os outros grupos monopolistas como EDP, Galp, PT e outros a baixar os preços, que são as empresas que mais irão beneficiar das medidas aplicadas porque, por imposição da “troika” há que baixar as rendas excessivas recebidas por algumas dessas empresas há por outro lado que recompensá-las dessas perdas à custa do povo português.

A recompensa pelos sacrifícios suportados

 



imagem: imediaj.wordpress.com


Estamos em tempo de mobilização geral de todos os jovens, idosos, trabalhadores do público e do privado, reformados e pensionistas. Passei por todas as fases pós revolução do 25 de abril, algumas delas muito más e outras muito boas e muita coisa mudou na nossa sociedade. Problemas gravíssimos conjunturais e estruturais ao longo de todos estes anos e por duas vezes com intervenções do FMI foram sendo resolvidos com a compreensão e o empenho de todos empresários e trabalhadores contribuindo, sem grande queixume, para a sua resolução. Que me recorde, nunca o trabalho e tantos empresários foram tão sacrificados como agora em benefício de algumas empresas e famílias que dominam e querem controlar um Estado cada vez mais fraco e dependente. Afinal para que serve o Estado neste país senão para benefícios de alguns, poucos.


Os portugueses passaram, ao longo do tempo, por vários governos, tirando alguns mais radicais de esquerda, mas não me recordo de assistir a medidas de cariz ideológico neoliberal tão violentas que apenas as posso comparar às tomadas por Margarete Tatcher em Inglaterra nos anos oitenta. Aconselho a leitura do post do anterior blog em


 http://antinomias.blogs.sapo.pt/562.html.


 Sempre critiquei as políticas erradas seguidas pelo anterior governo, chefiado pelo primeiro-ministro José Sócrates. Havia que acabar com as medidas despesistas em tempo de crise. Acusavam-no de mentir e de esconder aos portugueses a verdadeira realidade em que nos encontrávamos o que de certo modo se verificava. Falava sobre a evolução favorável da crise e da recuperação e, na semana seguinte, dizia precisamente o seu contrário. Um dos paladinos de direita no ataque e denúncia era precisamente o atual ministro dos negócios estrangeiros, Paulo Portas sempre em nome do patriotismo. Lembram-se quando ele atacou o anterior executivo ao pretender baixar as reformas dos pensionistas e de quanto atacou os PEC’s (Programa de Estabilidade e Crescimento), que o PSD também combateu? O que vemos agora? Precisamente o contrário do que agora defendem. Não vale a pena enunciar as atitudes destes atuais governantes porque elas são sobejamente conhecidas.


O que Vítor Gaspar está a fazer, em conjugação com “os primeiros-ministros”, o real e os virtuais que não se vêm mas de vez em quando aparecem, é testar alguns modelos macroeconómicos à custa dos portugueses, com previsões vagas e sem projeção de cenários macroeconómicos possíveis que devem existir em situação de incerteza como aquele em que nós vivemos e servem para se ir progressivamente recuando ou avançando nas medidas tomadas. Isto é, tentar provar que o modelo económico que ele perfilha é que está correto, os outros estão todos errados. Portugal não pode dar-se mais ao luxo de experimentalismos. Aliás, a linguagem utilizada pelo ministro das finanças ultrapassa a linguagem técnica e torna-se num código hermético, que mesmo a ser utilizada numa aula de economia os alunos ficariam na mesma. Talvez fosse útil consultar a sua tese de doutoramento.


Para que serve mais tempo dado pelas instâncias internacionais para diminuir o défice como alguns partidos defendiam quando são tomadas mais gravosas medidas de austeridade? Assim, mais tempo vai apenas prolongar o sofrimento do doente ao mesmo tempo que lhe incute remédios cada vez mais fortes que rebenta com outros órgãos. Claro que me poderia colocar na posição do ministro e arranjaria com certeza justificações diversas para o efeito, nomeadamente a pedagogia do medo (veja em: http://zoomsocial.blogs.sapo.pt/tag/medo) como o primeiro-ministro fez, tentando passar esta mensagem na entrevista na RTP1, posteriormente também acolitada por alguns dos seus correligionários.


Reformas estruturais demoram muito tempo a efetuar. O que precisamos neste momento são reformas, eventualmente temporárias, para ultrapassar esta crise de endividamento e, ao mesmo tempo fazer com que a economia se ressinta o menos possível. Não são as teses de doutoramento nem os modelos e gráficos dos manuais de economia que estudamos que vão resultar porque, cada país, cada sociedade, cada cultura tem as suas especificidades. Na Europa nem todos são alemães, nem holandeses, nem finlandeses ou outros, por isso, as reformas estruturais têm que, forçosamente, ser vistas à luz das culturas e hábitos de cada país que, a este nível, demoram a assimilar, assim como a democracia em Portugal demorou cerca de trinta anos e oito anos a ficar mais ou menos sólida. A Europa tem que se convencer que a unidade económica e monetária não significa obrigatoriamente unidade cultural. Há nichos económicos específicos que só progressivamente podem ser modificados


De acordo com as previsões tudo aponta para piorar. O tipo de ideologia política deste governo o que pretende é uma revolução legislativa ultraliberal de destruição baseada na terra queimada para depois, sobre as cinzas, construir o país que para eles seria o ideal, à boa maneira das revoluções soviética e chinesa do século passado.


Tudo isto serve para dizer que não estamos em tempo de cada um puxar para o seu lado, cada um deve deixar de ser o senhor de lideranças e vanguardismos, um pouco desatualizadas e, por si só pouco eficazes, por afastarem alguns mais temerosos. Devemos começar a pensar sem clubismo partidário. Ser simpatizante ou votar em determinado partido não pode ser para toda a vida, por vezes há que distanciarmo-nos. Devemos todos participar em iniciativas que forem tomadas. Não esperemos que as coisas melhorem porque pelo andar da carruagem vê-se quem lá vai dentro”. Posso acrescentar que em 12 de setembro no parlamento o ministro Vítor Gaspar disse que “este ano ainda existirão algumas medidas temporárias que permitirão diminuir o défice” confirmado pela entrevista de hoje pelo primeiro-ministro. Devemos integrar-nos numa sociedade mais mobilizada e organizada através das várias iniciativas que estão a ser tomadas de modo a serem construídas alternativas, porque elas existem, sem renunciar aos compromissos assumidos como alguns pretendem.


O grito silencioso e isolado, já com a corda na garganta, de nada serve. Só em conjunto os protestos terão efeito sobre o pretendem fazer ao nosso país. Serão estas a reformas estruturais que Passos Coelho prometia antes as eleições e aquelas que continua a pregar? Será que as reformas estruturais da economia incidem apenas sobre os rendimentos trabalho ou passam também pela modernização e estruturação das empresas e ao estímulo à produção?


O primeiro-ministro desafiou um dos maiores empregadores nacionais mas não desafiou os outros grupos monopolistas como EDP, Galp, PT e outros a baixar os preços, que são as empresas que mais irão beneficiar das medidas aplicadas porque, por imposição da “troika” há que baixar as rendas excessivas recebidas por algumas dessas empresas há por outro lado que recompensá-las dessas perdas à custa do povo português.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Não há mais paciência para estes senhores que nos governam

Alguns pensamentos que me ocorrem neste momento:



1.      Dizem que os portugueses têm demasiada paciência perante as imposições do governo.


2.      A austeridade a que nos sujeitam não é para todos. Tentem saber quantos regimes de exceção  existem e para os quais não houve cortes.


3.      O regime de austeridade é apenas para quem trabalha e vive da sua reforma. Se a crise se agrava cada vez mais, conforme tem sido notícia, porque não incluir como regime de exceção os pagamentos às PPP durante um determinado período.


4.      Com os milhões que vão ser distribuídos para dinamizar o emprego jovem quem irá ganhar com isso?


5.      Os nossos impostos estão também a pagar a empresas um valor hora mais caro que depois ao contratarem pessoal pagam menos de metade. Isto é, o Estado paga  8 Euros a uma empresa que contrata trabalhadores, esta por sua vez paga menos de 4 Euros ao trabalhador. Quem delapida os dinheiros públicos?


6.      Há quem diga que as manifestações de protestos não resolvem nada porque tudo fica na mesma. É verdade porque são apenas uns milhares ou dezenas de milhares. Mas se todos formos e passarem a ser centenas de milhar ou milhões numa manifestação acham que tudo ficaria na mesma? Talvez não. E que tal pensar nisto?


7.      Vejam este pensamento brilhante: a política de Passos Coelho assenta na ideia de que a troika nunca se engana, a realidade é que está errada! Explico: as medidas que são tomadas estão certas as consequências que a realidade mostra é que estão erradas. Vale a pena rir!


8.       As alterações estruturais são apenas para alguns. Isto não é política é ideologia pura e simples que está a ser aplicada para tornar os que trabalham sem capacidade de negociação. Ou aceitas as condições de trabalho sem regras e com a remuneração que eu estipulo ou ficas numa miséria pior do que já estás porque não te dou trabalho.


9.      De todos os processo judiciais devido a corrupção quem já foi preso.


10.  A EDP dá lucros astronómicos todos os anos. Como se justifica o aumento da eletricidade? Será para dinamizar a economia e para diminuir o défice?


11.  Em Portugal as empresas monopolistas que são rentáveis e dão lucros enormes são privatizadas, mas os prejuízos são pagos por todos nós através dos impostos que o Estado nos cobrou.


12.  Quem pode explicar-me tudo isto como se fosse totó?  


Até breve

Não há mais paciência para estes senhores que nos governam

Alguns pensamentos que me ocorrem neste momento:



1.      Dizem que os portugueses têm demasiada paciência perante as imposições do governo.


2.      A austeridade a que nos sujeitam não é para todos. Tentem saber quantos regimes de exceção  existem e para os quais não houve cortes.


3.      O regime de austeridade é apenas para quem trabalha e vive da sua reforma. Se a crise se agrava cada vez mais, conforme tem sido notícia, porque não incluir como regime de exceção os pagamentos às PPP durante um determinado período.


4.      Com os milhões que vão ser distribuídos para dinamizar o emprego jovem quem irá ganhar com isso?


5.      Os nossos impostos estão também a pagar a empresas um valor hora mais caro que depois ao contratarem pessoal pagam menos de metade. Isto é, o Estado paga  8 Euros a uma empresa que contrata trabalhadores, esta por sua vez paga menos de 4 Euros ao trabalhador. Quem delapida os dinheiros públicos?


6.      Há quem diga que as manifestações de protestos não resolvem nada porque tudo fica na mesma. É verdade porque são apenas uns milhares ou dezenas de milhares. Mas se todos formos e passarem a ser centenas de milhar ou milhões numa manifestação acham que tudo ficaria na mesma? Talvez não. E que tal pensar nisto?


7.      Vejam este pensamento brilhante: a política de Passos Coelho assenta na ideia de que a troika nunca se engana, a realidade é que está errada! Explico: as medidas que são tomadas estão certas as consequências que a realidade mostra é que estão erradas. Vale a pena rir!


8.       As alterações estruturais são apenas para alguns. Isto não é política é ideologia pura e simples que está a ser aplicada para tornar os que trabalham sem capacidade de negociação. Ou aceitas as condições de trabalho sem regras e com a remuneração que eu estipulo ou ficas numa miséria pior do que já estás porque não te dou trabalho.


9.      De todos os processo judiciais devido a corrupção quem já foi preso.


10.  A EDP dá lucros astronómicos todos os anos. Como se justifica o aumento da eletricidade? Será para dinamizar a economia e para diminuir o défice?


11.  Em Portugal as empresas monopolistas que são rentáveis e dão lucros enormes são privatizadas, mas os prejuízos são pagos por todos nós através dos impostos que o Estado nos cobrou.


12.  Quem pode explicar-me tudo isto como se fosse totó?  


Até breve