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quinta-feira, 16 de julho de 2015

A pedra no sapato e a bolha no pé

Passos_Schauble.png


Esperemos que a forma como a questão da Grécia tem sido tratada por Passo Coelho e António Costa não seja uma pedra no sapato do primeiro e uma bolha no pé do segundo.


A minha perceção sobre as intervenções do tipo mestre-escola do primeiro-ministro Passos Coelho sobre a Grécia é simultaneamente de saturação e desorientação ficando sem saber o que pensa de facto sobre o assunto porque avança ou recua consoante o que se vai falando na europa da Alemanha e sobretudo as do ministro das Finanças alemão.


Até para Schäuble parece que o problema da Grécia é mais complicado e que não se resolve apenas com mudanças de Governo nem com pressões exercido sobre partidos que governam e de quem não se gosta e continua a firmar creio que apenas para agora jogar com a vontade do povo grego se manter no euro.


Hoje Schäuble que pôs sobre a mesa no Eurogrupo a ideia de uma saída temporária da Grécia do euro durante cinco anos, sublinhou hoje numa entrevista rádio pública Deutschlandfunk que essa hipótese não era uma obrigação nem uma proposta para Atenas mas que a ideia se baseava no pensamento de muitos economistas, também na Grécia, que duvidam que o país possa solucionar os seus problemas sem um corte da dívida, que, precisou, é impossível de fazer no âmbito da união monetária.


Não parece ser inteligível que, como diz o ministro das finanças alemão, não existe a possibilidade de corte da dívida no âmbito da união europeia, como é que ele coloca a hipótese da Grécia sair do euro, mesmo que temporária, se essa hipótese não está contemplada nos tratados europeus.


Algo vai acontecer dentro de alguns meses e isto é uma forma de começar a preparar a opinião pública da Alemanha e da Europa.


Também hoje Draghi disse ser "incontroverso que o alívio da dívida é necessário e acha que ninguém ainda contestou isso". E acrescentava que "A questão é saber qual a melhor forma de alívio da dívida dentro da nossa estrutura, dentro do nosso quadro institucional legal. Eu acho que devemos concentrar-nos neste ponto nas próximas semanas."


Draghi disse ainda que o BCE continua a agir na suposição de que a Grécia era e continuaria a ser um membro da zona do euro.


Terá Washington pressionado nos últimos meses para haver um acordo que mantenha a Grécia no euro e que inclua o alívio da dívida do país?


Um relatório do FMI vem dizer que a restruturação proposta pelos credores europeus é insuficiente para responder à crise da dívida grega e aponta a deterioração dramática da sustentabilidade da dívida torna necessário o alívio da dívida a uma escala que teria de ir bem para além do que foi pensado até agora – e do que foi proposto pelo Mecanismo de Estabilidade Europeu”, diz o relatório.


 


 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Calar a verdade e esconder a realidade

Mentiras de Passos.png


 


A conferência de imprensa de Passos Coelho após a reunião do Eurogrupo, provavelmente encomendada, foi mais uma manobra sem vergonha de manipulação da opinião pública portuguesa. Num olhar distanciado a conferência de imprensa foi fastidiosa por ser extensa e repetitiva. Foi mais uma forma de propaganda e de autoelogios ao Governo.


Quem se der ao trabalho de a rever com cuidado encontra-se perante uma confusão e repetição de argumentos e auto elogios, onde se misturam uma mesquinhez política e uma falta de sentido de Estado sem precedentes.


Explorando os sentimentos mesquinhos duma população pouco informada sobre o tema da Grécia, solta o que ele sabe fazer de melhor, explorar a mesquinhez e acicatar o divisionismo latente contra um país em dificuldades que é tão membro da U.E. como o é, e está Portugal. A redundância discursiva sobre a ajuda de Portugal à Grécia em mil milhões de euros aproxima-o das raias do ridículo.


Repetiu várias vezes que os portugueses já contribuíram com os seus bolsos para ajudar a Grécia, mas o que ele não completou é que a Grécia também contribuiu quando entrámos em situação de resgate em 2010, pois foi neste ano que Portugal contribuiu assim como outros países para ajuda à Grécia.


O que Passos e Cavaco Silva não explicam é porque Portugal, necessitando ele mesmo de ajuda, se propôs a ajudar a Grécia como dizem. Solidariedade? Não, não foi!


Mas ainda o mais evidente da manipulação engendrada foi que as perguntas colocadas por três dos jornalistas foram na prática cópias umas das outras dando a possibilidade a Passos Coelho de poder repetir e de salientar até à exaustão o que já tinha dito por várias vezes (terá sido combinado?).


Portugal participou no passado em empréstimos à Grécia e à Irlanda, com uma quota calculada de acordo com a sua participação no capital do Banco Central Europeu. Com a assinatura do seu próprio acordo de empréstimo, Portugal já não participa nesses programas de ajuda.


Passo Coelho e Paulo Portas com a ajuda de Cavaco Silva têm vindo a repetir que Portugal vai pagar antecipadamente parte da dívida para mostrar que Portugal não é a Grécia, mas apenas dizem metade da verdade e escondem a outra parte da realidade, valendo-se da falta de informação de muitos portugueses sobre este assunto.


O que acontece é que foram colocados no mercado títulos de dívida pública a um juro mais baixo do que aquele que estamos a pagar pelo empréstimo da troika. A dívida não diminuiu, o que acontece é estarmos a pagar juros mais baixos.


Se pedirmos a alguém, por exemplo, 10 milhões e nos cobram juros de 3,5% temos uma dívida de 10 milhões mais os juros. Se conseguirmos que alguém empreste 10 milhões a juros de 2,3% podemos pagar ao primeiro credor os 10 milhões que pedimos emprestados mas ficamos na mesma com uma dívida de 10 milhões a outro credor apenas com juros mais baixos, mas a dívida mantem-se no mesmo montante. Claro que se tira sempre a vantagem de juros mais baixos, mas apenas isso.


Foi isto que aconteceu, portanto, enganam os portugueses premeditadamente fazendo-lhes passar mensagens deturpadas da realidade.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Contradições e mentiras

Verdade e mentira.png


Passos Coelho, mais uma vez, tentou deturpar o sentido das suas afirmações e mentiu ao afirmar que nunca tinha sido contrário à intervenção do BCE quando foi questionado sobre a medida anunciada por Mario Draghi para estimular a economia europeia nomeadamente através da compra de dívida. O primeiro-ministro não manifestou muito interesse nem deu muito relevo ao cas. Ora a verdade é que o primeiro-ministro disse esta sexta-feira que é "bem-vinda" a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de comprar dívida pública e que espera que ela "seja tão eficaz quanto se deseja".


 


Contudo, a 16 de Maio de 2014, Passos Coelho tinha dito em entrevista à CNBC, afirmou na altura da saída da troika, que apesar do importante papel do Banco Central Europeu (BCE), não era partidário de um mandato diferente” para esta instituição, que “contribuiu para a frágil, mas ainda assim recuperação na Europa.



Explicou que discordava da compra de obrigações: “Este tipo de política não é normal para o BCE, que já dispõe, por exemplo, de mecanismos de intervenção para evitar a fragmentação financeira”.


À semelhança dos partidos do Governo que aproveitam sempre a oportunidade para recuarem ao passado também é agora a nossa vez de recordar o que em junho de 2012, no Parlamento, em resposta ao então líder do PS António José Seguro, Passos Coelho disse ao opor-se à compra de dívida por parte do BCE e explicava também porquê.


Leia-se o que ele disse naquela data na Assembleia da República:


 


O que é que o Sr. Deputado quer significar com «um papel mais ativo do BCE»? Se o Sr. Deputado, como o Partido Socialista tem vindo a expressar, entende que o BCE deve atuar em mercado secundário, com programas mais intensos, de compra de títulos de dívida soberana dos diversos países, se entende que o BCE, com um papel mais ativo, deve ser o financiador dos défices gerados pelos Estados, sendo, portanto, nessa medida, um prestamista de última instância de cada soberano da zona euro, Sr. Deputado, se é isto que entende, deixe-me dizer-lhe que não concordo e não preciso de pedir licença a ninguém, nem em Portugal, nem na Europa, para lhe dizer aquilo que penso.


Aplausos do PSD e do CDS-PP.


E digo-lhe por que é que não aceito essa visão, Sr. Deputado! Não aceito essa visão, em primeiro lugar, porque não cabe ao BCE, em circunstância nenhuma, exercer um papel de monetização dos défices europeus;… O Sr. João Galamba (PS): — Falso!


O Sr. Primeiro-Ministro: — … em segundo lugar, porque o BCE ç, talvez, a instituição, ao nível da União Europeia, com mais credibilidade e mais força para atuar em momentos tão críticos como os que atravessamos e, por isso, qualquer descredibilização do seu papel, face àqueles que são os seus objetivos e àquele que é o seu mandato, corresponderia ao fim do euro e da União Europeia, tal como a conhecemos; ….


 


Em síntese:


“Se o senhor deputado entende que o BCE deve atuar em mercado secundário com programas mais intensos de compra de títulos de dívida soberana dos diversos países; se é isto que o senhor deputado entende deixe-me dizer-lhe: não concordo e não preciso de pedir licença a ninguém - nem em Portugal, nem na Europa – para lhe dizer aquilo que penso. Não aceito essa visão porque em primeiro lugar não cabe ao BCE em circunstância nenhuma exercer um papel de monetização dos défices europeus”


 


Segundo o jornal Público, no seu editorial, também mostra que há menos de um ano, no Parlamento, o primeiro-ministro disse no Parlamento que seria "errado" o BCE comprar dívida pública o que seria "impossível, inconcebível"…


Por sua vez os partidos da coligação, ainda segundo o jornal Público, "não se manifestaram muito efusivamente com a iniciativa de Mario Draghi nem ao menos a ideia de poderem vir a potenciar os seus efeitos benéficos sobre a vida dos portugueses".


 


Como é sabido Angela Merkel não é nem nunca foi favorável a esta decisão de Mario Draghi e continua a dizer que as políticas até agora seguidas foram e continuarão a ser as melhores, ideias que são seguidas com rigor e submissão por Passos Coelho ao posicionamento da Alemanha contra estas medidas que designam intrusivas, e, pelos vistos, também, pelos grupos parlamentares da maioria.


Há um germanismo político seguidista e subserviente pelo primeiro-ministro, pelo seu Governo e pela maioria que o sustenta preferindo submeter Portugal em vez de o defender.


Nas próximas eleições também deveremos ter isso em conta.


 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Consagração ao ajustamento neoliberal




Um tal Professor de Economia Ricardo Reis a exercer na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, de quem até hoje e enquanto leigo mas atento a questões de economia tinha ouvido falar, veio, no suplemento Dinheiro Vivo do Diário de Notícias, tecer elogios ao ajustamento português, como se ele o tivesse sentido na pele. Em democracia tem todo o direito de dar a sua opinião, mas sobre observações teóricas já cá temos muitos a fazê-las tão bem ou melhor do que ele. Por isso, pode ficar por lá porque aqui não precisamos dos seus comentários e por lá sempre está na sua zona de conforto. Aqui já há muitos! Ser jovem e falar do alto da cátedra é sempre fácil quando nos mantemos confortavelmente numa zona intocável.


Diz então o dito professor Fernando Reis que:


a)      “… o programa de ajustamento português funcionou.”. Talvez quisesse dizer programa de empobrecimento. Não diz é à custa de quem e quais os que participaram mais e com que sacrifícios.


b)      “O desequilíbrio externo desapareceu”. Penso que este economista deve andar desatualizado sobre o caso português porque, embora tenha havido uma continuação do que já se verificado antes de este governo tomar posse, atualmente tem vido a estar em queda embora ainda pequena. Como ele deve saber tem a ver também com a economia europeia para onde exportamos.


c)      “O Estado pode de novo financiar-se a taxas baixas.” Parece desconhecer que a baixa das taxas de juro em nada tem a ver com o Governo porque elas têm estado a descer em todos os países, mesmo naqueles que estão ou já estiveram intervencionados, Grécia, Irlanda, Espanha… E, Tal é devido à intervenção do BCE para evitar especulações…


d)     Diz ainda que foram “graduais os cortes que este governo conseguiu fazer”. Acho que é preciso ter “lata”. Se foram graduais como seria de fossem precipitados? A França e a Espanha estão afazê-las num prazo mais alargado e, mesmo assim, veja-se o descontentamento.


e)      Critica os acórdãos do Tribunal Constitucional. Claro é mais um… a fazê-lo. Nada de original.


f)       Continua reafirmando que “as taxas de juro da dívida pública provavelmente não teriam descido tanto como aconteceu nos últimos meses.” Voltamos à alínea c). A baixa das taxas de juro dos últimos meses em nada tem a ver com este governo. O mesmo se verifica noutros países intervencionados como se pode confirmar consultando a evolução destas taxas nos mercados europeus.


g)      Não professor, a questão da TSU não foi, como diz, apenas “para baixar salários”, o que se pretendia era aumentar a TSU ao trabalho, reduzindo-a aos empresários o que, obviamente, reduzia o salário líquido do trabalhador. Era uma transferência de verbas do empregado para o empregador.


h)      “…as mudanças de impostos deste governo foram sempre muito progressivas.”. Por isso é que a classe média foi a mais penalizada com o aumento dos impostos e, apesar dos rendimentos mais altos serem também penalizados isso não se fez sentir porque a riqueza de alguns aumentou, mas a pobreza aumentou muito mais. Efeitos positivos do ajustamento dirá!


i)        Para terminar o jogo de hipóteses colocadas sobre desvalorização e inflação são meramente, e neste momento, académicas porque sabe muito bem que não temos escudo e a desvalorização da moeda por efeito cambial não é possível. 


Todavia, o tema da inflação que é o mote para o referido artigo é a única parte que, do meu ponto de vista, encaro como isento porque real e objetivo. Quanto ao resto não é mais do que um ponto de vista de ajuda ao governo em funções dando uma ajudinha para as eleições. A economia, sendo uma ciência social, também pode ser utilizada, sempre que convenha, para fazer política, digo, propaganda ideológico-partidária, e as eleições europeias estão à porta.


domingo, 9 de março de 2014

Eleições europeias e o neoliberalismo



Há quem não queira ver um rosto neoliberal neste PSD e CDS que estão no governo e se refugie em explicações para demonstrar a invalidade deste conceito da teoria económica. Mas a realidade é que ele é uma consequência mais moderna do clássico liberalismo. A escola liberal clássica defendia a abolição da intervenção do governo em matérias económicas e ser o comércio livre o melhor caminho para o desenvolvimento das economias nacionais.


O neoliberalismo é uma nova espécie de liberalismo que foi incentivado pela rápida globalização da economia do tipo capitalista e centra-se fundamentalmente na obediência aos seguintes princípios:


a)      Libertação do setor privado de qualquer obrigação imposta pelo governo (o Estado) mesmo causando danos sociais. Redução de salários e do papel dos sindicatos deixando os trabalhadores desprotegidos com eliminação dos direitos obtidos durante muitos anos.


b)      Redução ou eliminação da despesa pública destinda aos serviços sociais como educação, cuidados de saúde, redução da rede da segurança de minimização da pobreza.


c)       Passagem da exploração e manutenção das redes de comunicação terrestre para entidades privadas pagos com os impostos.


d)      Privatização da energia e da água, tudo em nome de redução do papel do Estado. Ao contrário de atribuições sociais, o neoliberalismo não põe em causa o pagamento de subsídios do Estado a entidades privadas ao mesmo tempo que evita taxar os benefícios do negócio.


e)      Redução da regulação por parte do governo de tudo quanto possa diminuir os lucros, incluindo a proteção e segurança ambiental e a proteção do emprego.


f)       Venda das empresas e serviços públicos a investidores privados. Isto inclui bancos, indústrias-chave, transportes públicos, portagens, eletricidade, escolas, hospitais e água potável, cujo argumento é a maior eficiência dos serviços, justificado pelo efeito da prosperidade. Conduz à concentração em apenas algumas mãos.


g)      Eliminação do conceito de bem público e de comunidade que são substituídos pela responsabilidade individual.


h)      Pressão sobre grande parte da sociedade, mesmo sobre os mais pobres da sociedade para eles próprios encontrarem soluções para a falta de cuidados de saúde, educação e segurança social, deixando-os a cuidar de si mesmo e, se falharem, acusando-os de serem "preguiçosos".


 


Como se sabe a aplicação do neoliberalismo tem sido imposto por instituições financeiras como o FMI, o Banco Mundial e o Banco Central Europeu (BCE) a países mais frágeis. Em Portugal são a coligação PSD/CDS e a "troika" que, com agrado e apoiando-se reciprocamente, impõem políticas neoliberais.


Não é por acaso que surgem pressões para a imposição daquelas medidas, a que dão o nome de austeridade, aos países do sul da europa e cujo objetivo é justificado pela necessidade da diminuição dos défices que passaram a ser excessivos.


A crise financeira internacional e da europa que o PSD e o CDS desconsideravam quando se encontram na oposição veio ajudar a submeter alguns países para, sob pressão, procederem a uma viragem para políticas neoliberais. Ao aproximarem-se as eleições europeias começaram a verificar-se intervenções intencionais dirigidas ao nosso país vindas de várias instituições nacionais e internacionais de apoio às medidas do Governo e elogiando o esforço. Entretanto saem estatísticas cujos números que servem e ajudam a completar o discurso.


A política neoliberal que estamos a suportar em Portugal aplicada por este governo á consequente com os princípios anteriormente enunciados que, há cerca de três anos, podem ser comprovados pelos seguintes factos:



  • 12000 Pessoas perdem apoios por mês.

  • Governo cobra cada vez mais e distribui cada vez menos: IRS subiu 35,5% custo de vida 20% mas os apoios caem 7%

  • Mais de 440000 desempregados sem qualquer apoio em 2014.

  • RSI apoia menos 52000 pessoas que em 2013.

  • Em maio de 2013 havia 399000 desempregados com direito a subsídio que recebiam em média 510 euros mensais, em janeiro deste ano os 388000 desempregados recebem 470 euros.

  • O governo conseguiu aumentar as receitas de IRS em 35,5% num só ano. Apesar do empobrecimento das famílias o aumento de receitas de IRS. (Contradições do neoliberalismo?).

  • Em 2010 48% ganhavam até 10000 euros ano. Agora são 66%. Isto é, se em 2010 existiam 2,3 milhões de famílias a ganhar menos de 10000 euros ano (48%) em 2012 contavam-se já 3,04 milhões de famílias nessa situação (66%).

  • Portugal está melhor. Se salários e pensões foram cortados, o custo de vida nos últimos anos aumentou: o preço da eletricidade subiu 23%, o uso de hospitais 19,3% mais caro e o ensino superior subiu 5,1%.

  • Num único mês 50000 crianças perderam o abono de família.


Para tudo isto basta fazer as contas



Fontes: IEFP, Instituto da Segurança Social, Segurança Social, INE, Banco de Portugal


                                                  


O dados apresentados são apenas uma parte do conjunto das pessoas afetadas que poderão ter ficado felizes com o facto de "Portugal estar melhor mas as pessoas não".


Há uma lógica neoliberal que, ao mesmo tempo que provoca crises, protege os responsáveis e força os "peões" que são as vítimas a pagar os custos. Portugal não é original neste sentido mas é o que segue o padrão com mais afinco. Já nem os partidos socialistas se conseguem distanciar. Basta recordar o que se passou com os bancos. As medidas de austeridade também serviram para os reparar do que eles próprios causaram.


A pergunta universal que podemos colocar é: quem ajudará as nações se até os partidos ditos sociais se afastam da sua matriz?


O nível elevado de abstenção que se verifica nos períodos eleitorais é manifesto de uma desilusão pela ineficácia das respostas das políticas vigentes e alternantes, pela falta de escrúpulos políticos e de valores humanos que leva à aplicação cega das teorias do neoliberalismo económico, executadas pelos que nos têm governado há décadas.


Somos todos responsáveis quando, através do voto, escolhemos em função da imagem mais ou menos favorável dos políticos que as televisões nos vendem em lugar de programas de governo e das propostas que apresentam. Quem se abstém também não se isenta de responsabilidades pois contribui para que outros escolham por ele.


O absentismo da política e do exercício da cidadania por parte dos cidadão deve-se, em parte, ao medo da perda do pouco que ainda resta de pertença a uma classe que está em vias de perder tudo em prol de uma outra que vem impondo através do empobrecimento e umas e da exclusão social de outras.


No mesmo contexto a igreja católica portuguesa também não está isenta de responsabilidades porque como já não tem o que evangelizar na europa dota-se agora duma outra função que é a de, subtilmente, apoiar políticas de governos neoliberais, ditos de inspiração cristã, que lhes é mais favorável e dos quais tira vantagens. 




terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Que saudades

Recordo as palavras de Jean Claude Trichet, antigo presidente do Banco Central Europeu, que afirmou em 14 deste mês que “No caso de Portugal e da Grécia, acredito que se o PEC tivesse sido aplicado muito rigorosamente teríamos evitado muitos problemas, muitos problemas, não digo todos os problemas”. 



Um telespectador do programa Opinião Pública de sexta-feira passada, da SIC Notícias confrontou Nuno Melo com uma afirmação sobre o PEC IV que o deixou muito agastado, diria até irritado, o que o levou a dizer agora surgiu a narrativa do PEC IV, mas que antes já tinha havido um PEC I, II e III que iria haver um PEC V e mandou ler o documento e ver o que lá estava escrito (eu já o li e reli). E então que conclusões tira senhor deputado Nuno Melo?


 



O senhor deputado pode querer insinuar que muitas das medidas que lá estavam eram as que o Governo entretanto tomou. Assim sendo, porquê então a pressa e a necessidade de derrubar o governo de José Sócrates e do PEC IV? Que vantagens houve se lá estava tudo o que os senhores fizeram para pior? Pois é senhor deputado Nuno Melo pode lá estar muita coisa, mas ao ser aplicado não o seria a mata cavalos como o tem feito este Governo e o mais provável ser sem as consequências desastrosas e já sem remédio que provocaram no país.


Devemos estar atentos e de olhos bem abertos às armadilhas que esta direita nos está a lançar.


 Volto a repetir: o que esta gente está a prometer a partir de maio é de facto o de um país da fantasia onde tudo é irreal e ao mesmo tempo absurdo. É uma espécie de engodo com açúcar para apanhar moscas incautas.


Devemos estar atentos e de olhos bem abertos às armadilhas que esta direita nos está a lançar.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Políticas e ações do Governo através de desenhos


  1. A privatização da ANA-Aeroportos de Portugal


Não perceberam porquê? Eu faço um desenho.


 


 


 


 



 


Fontes:Expresso e MST


2. EDP-Aumento de preços


 


Também não percebeu? Então aqui está o desenho.


 



 


 Fontes:Expresso e MST


3. E sobre a Banca?


 


Não percebe? Então veja mais um desenho


 


 



 


 


 


 


 


4. A descida dos salários do setor privado? Pois! Veja mais este boneco


 


sábado, 31 de março de 2012

Para além da "Troika" que ensina a governar


 


Desconheço quem batizou de "Troika" as instituições internacionais Comissão Europeia, FMI e Banco Central Europeu que estão a intervir em Portugal. Designação que lembra nomes que se utilizavam no tempo da ex-União Soviética. Também houve quem, inicialmente, tentasse atribuir-lhe o nome de triunvirato, o que fazia recordar os tempos do Império Romano.


Temos que ir para além da  "Troika", afirmou várias vezes e publicamente o primeio ministro Passos Coelho. Ao tentarmos aprofundar e refletir sobre esta afirmação assombra-nos uma dúvida: como é que o governo podendo ir para além da "Troika" teve necessidade de pedir ajuda?


Para ele, Passos Coeho, a explicação será simples, não foi ele que pediu a intervenção da "Troika", foi o governo que o antecedeu. Em qualquer circunstância governativa, a culpa é sempre do seu antecessor desde que não tenha sido da mesma família política.


Porque é que o PSD, que participou no acordo, não sugeriu na altura devida que o memorando fosse ainda mais além e o fez após ter ganho as eleições? A explicação viria celere. Porque se desconheciam os "buracos" escondidos!


Por quê ir mais além do que as medidas impostas após a asinatura do memorando edepois das eleições? Terão sido omitidas informações à "Troika" ou será que Passos Coelho estaria já a prever a necessidade de um segundo programa de ajustamento económico e resolveu precaver-se?


O Vice-Presidente do BCE Vitor Constâncio, premiado com esta função pela sua incompetência quando esteve no Banco de Portugal, (recordar casos BPP e BPN), segundo a RTP Notícias, não descartou a possibilidade de Portugal vir a precisar de um segundo programa de ajustamento económico, em declarações aos jornalistas portugueses em Copenhaga,  no final de dois dias de trabalho dos ministros das Finanças da União Europeia e de outros intervenientes no setor financeiro europeu.


A intervenção da "Troika" deveu-se à necessidade de financiamento para o Estado poder cumprir as suas obrigações, porque como tem vindo a ser veiculado pelo governo e pelos partidos que o apoiam, as famílias e as empresas foram gastadoras e não pouparam, e o estado social foi e é um problema! Mas quem sempre nos governou e governa utilizou(a) o Estado, através dos nossos impostos, para gastar o que tinha e o que não tinha e não apenas com a manutenção do estado social.


A "Troika" veio a Portugal ensinar a governar e as aulas de formação costumam ser muito bem pagas!   

Para além da "Troika" que ensina a governar


 


Desconheço quem batizou de "Troika" as instituições internacionais Comissão Europeia, FMI e Banco Central Europeu que estão a intervir em Portugal. Designação que lembra nomes que se utilizavam no tempo da ex-União Soviética. Também houve quem, inicialmente, tentasse atribuir-lhe o nome de triunvirato, o que fazia recordar os tempos do Império Romano.


Temos que ir para além da  "Troika", afirmou várias vezes e publicamente o primeio ministro Passos Coelho. Ao tentarmos aprofundar e refletir sobre esta afirmação assombra-nos uma dúvida: como é que o governo podendo ir para além da "Troika" teve necessidade de pedir ajuda?


Para ele, Passos Coeho, a explicação será simples, não foi ele que pediu a intervenção da "Troika", foi o governo que o antecedeu. Em qualquer circunstância governativa, a culpa é sempre do seu antecessor desde que não tenha sido da mesma família política.


Porque é que o PSD, que participou no acordo, não sugeriu na altura devida que o memorando fosse ainda mais além e o fez após ter ganho as eleições? A explicação viria celere. Porque se desconheciam os "buracos" escondidos!


Por quê ir mais além do que as medidas impostas após a asinatura do memorando edepois das eleições? Terão sido omitidas informações à "Troika" ou será que Passos Coelho estaria já a prever a necessidade de um segundo programa de ajustamento económico e resolveu precaver-se?


O Vice-Presidente do BCE Vitor Constâncio, premiado com esta função pela sua incompetência quando esteve no Banco de Portugal, (recordar casos BPP e BPN), segundo a RTP Notícias, não descartou a possibilidade de Portugal vir a precisar de um segundo programa de ajustamento económico, em declarações aos jornalistas portugueses em Copenhaga,  no final de dois dias de trabalho dos ministros das Finanças da União Europeia e de outros intervenientes no setor financeiro europeu.


A intervenção da "Troika" deveu-se à necessidade de financiamento para o Estado poder cumprir as suas obrigações, porque como tem vindo a ser veiculado pelo governo e pelos partidos que o apoiam, as famílias e as empresas foram gastadoras e não pouparam, e o estado social foi e é um problema! Mas quem sempre nos governou e governa utilizou(a) o Estado, através dos nossos impostos, para gastar o que tinha e o que não tinha e não apenas com a manutenção do estado social.


A "Troika" veio a Portugal ensinar a governar e as aulas de formação costumam ser muito bem pagas!