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quinta-feira, 26 de maio de 2022

As eleições diretas no Partido Social Democrata

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Espantoso que o PSD dos cortes na função pública e nos salários e que sempre alertou para o peso do Estado na economia e nos salários da função pública venha agora, demagogicamente, apresentar propostas de alteração ao Orçamento do Estado para atualizar os salários da função pública em 4%, em linha com a taxa de inflação. Sobrecarregar o orçamento com despesa poderá ser um dos objetivos do PSD condicionando o partido do Governo a gasta mais para cair em déficit excessivo. Não se discute a justiça da proposta, o PCP e o BE também já o fizeram, mas para o PSD parece mais ser uma estratégia demagógica para atrair os trabalhadores da função pública e para causar o desastre nas contas públicas.


O PSD está em campanha para a escolha do novo líder e no próximo dia 28 de maio, parece coincidência, é também o dia do golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 que posteriormente veio a dar lugar à instauração do Estado Novo e é nesta data que vão ser realizadas as eleições diretas no PSD para o novo líder. O que esta última data tem a ver com as eleições no PSD. Provavelmente nada, apenas uma coincidência.


Destas eleições nada de novo se esperará visto que os dois candidatos que se apresentam estiveram ao lado de Passos Coelho. Luís Montenegro como deputado e líder parlamentar do PSD na Assembleia da República entre 2011 e 2017; Jorge Moreira da Silva assumiu em 2013 a pasta do Ambiente no executivo de coligação PSD/CDS chefiado por Passos Coelho e é reconduzido no governo saído das legislativas de 2015, cujo programa acabou chumbado no Parlamento e caiu. Em 2016 é nomeado diretor-geral de Desenvolvimento e Cooperação da OCDE, o que o levou a abandonar a vice-presidência do PSD.


Dos dois, como se costuma dizer, venha o diabo e escolha porque ambos foram cozinhados no caldeirão dos governos neoliberais “troiquianos” de Passos Coelho, e são ambos “passistas” o que quer também dizer que são do passado.


Escrevia Pacheco Pereira no Público acerca dos candidatos que “avaliações da sua preparação para a competição com o PS, em que um aparece mais confrontacional e o outro menos agressivo, mas mais sólido.” E acrescentava que “há o problema das biografias que impedem os dois candidatos de irem mais longe: ambos são descritos como “passistas” e não são capazes de analisar o papel do Governo Passos-Portas-troika na crise estrutural do PSD. Isso significaria porem-se em causa e terem que defrontar o sebastianismo de Passos, que permanece como uma sombra sobre quem queira discutir o que se passou. Na verdade, sejamos justos, há uma parte relevante na crise que é herança de Passos, mas a decadência do partido vai muito mais atrás, até Cavaco Silva.”.


Montenegro é saudosista do passado. Na sua campanha para a liderança não se situa no projeto que tem para o partido e para Portugal. Umas vezes ataca o Governo e, para tal, recupera a palavra “austeridade” dos tempos de Passos Coelho para a utilizar no ataque ao PS que acusa também de ter um orçamento de austeridade. Outras vezes procura frases populistas, demagógicas e pomposas como “O meu passado chama-se Passos, o passado de Costa chama-se Sócrates”. Isto é, faz associações torpes, pelo que se vê bem o caráter político deste potencial líder ao PSD e também candidato a futuro primeiro-ministro se vier um dia a ganhar eleições. Implicitamente, Luís Montenegro, está a considerar que a maioria dos portuguese são estúpidos porque, por associação que faz com o seu objeto de pensamento, nas últimas eleições, votaram em força no passado Sócrates. Quem poderá regressar ao passado são os militantes saudosistas da austeridade se votarem em Montenegro. Passos Coelho é o seu passado, foi quem acusava os portugueses de gastadores e de viverem acima das suas possibilidades, esses eram os maus portugueses, os outros, os que, de facto, gastavam luxuosamente e passaram incólumes eram os bons portugueses.


Foi nesse passado com que, como diz Montenegro se identifica, se formou o embrião do partido CHEGA e do qual ainda não disse claramente que se afastava.


Apesar de incluir no documento das suas propostas medidas sociais para atrair o público PSD ideologicamente mais social-democrata é na senda do passado que, com alguns ajustes, Montenegro seguirá se for eleito e chegar a ser primeiro-ministro.


Nas propostas de ambos os candidatos encontram-se armadilhas, sobretudo na de Luís Montenegro que são em alguns pontos uma espécie de copy paste de programas de partidos de esquerda como o do PS. Fizeram-se algumas alterações, mudou-se a linguagem acrescentando qualquer coisa para satisfazer a ala mais à direita… Sobre gestão da segurança social e das pensões, sobre o SNS nada fica esclarecido, deixam portas abertas para o que der e vier.


Deles pouco ou nada podemos esperar senão o renascimento de políticas da panela onde foram cozinhados. Todavia, se o primeiro vive dois mundos um deles à superfície e outro um micromundo imerso e inacessível. Desde que Luís Montenegro anunciou a sua candidatura à liderança do PSD, emergiu a ligação do ex-líder parlamentar social-democrata à conhecida maçonaria. Quando da sua oposição a Rui Rio para o derrubar Montenegro negou, mas ficou provado que pertenceu a uma loja (Mozart) que foi considerada muito ativa e poderosa, mas que foi desativada.


O segundo, Moreira da Silva, tanto quanto se saiba tem apenas um mundo à superfície é de competência técnica reconhecida, mas de pouca política e nunca se imiscuiu nas guerras internas do PSD ao contrário do seu adversário que pretendeu apear Rui Rio da liderança.


Há uma pedra no sapato do PSD criada por Rui Rio que assobiou para o lado aquando do acordo com o partido Chega nos Açores. Luís Montenegro parece não abandonar a ideia conforme o semanário Expresso no dia 5 de maio o candidato à liderança do PSD Luís Montenegro avisava que não seria “cúmplice da perpetuação do PS no poder” desculpa para não rejeitar diálogo com o partido Chega limitando-se a dizer que neste momento qualquer cenário de diálogo é "imaginário e extemporâneo”. Isto é, como quem diz, tudo é possível para chegar ao poder.


Quanto a Moreira da Silva no início de maio afirmou perentoriamente que não dá para o "peditório" do Chega para um movimento de convergência à direita, reafirmando que com o partido de André Ventura "nunca, jamais, em tempo algum". Apesar disso mantém a situação do Açores que acha ser um caso em que o PSD não tem tido problemas.


Uma das linhas gerais da sua estratégicas da candidatura é refundar o partido, seja lá o que isso queira dizer, e cortar com qualquer ligação ao Chega. Contudo o jornal Público desvenda esse conceito de refundação nas palavras de Moreira da Silva: a ideia de “refundar o PSD” através da atualização das linhas programáticas e da modernização do partido, o ex-diretor para a Cooperação e Desenvolvimento da OCDE deixa a receita para a vitória. “Uma sequência vitoriosa em todos as eleições previstas para os próximos 4 anos pressupõe verdade e inconformismo no diagnóstico dos problemas; inovação e reformismo nas soluções políticas apresentadas; e integridade e credibilidade dos nossos protagonistas. Mas pressupõe também uma dimensão prévia – o espírito de unidade no partido, para o qual todos temos a obrigação de contribuir”, lê-se no texto do Público.


 Quanto a Luís Montenegro em 24 de abril escrevia Ana Sá Lopes que “Ao fugir desta maneira à pergunta claríssima, Montenegro confirma a dúvida. É mesmo ambíguo em relação ao Chega.” Sobre este assunto aconselho a leitura do artigo onde são citadas claramente as respostas de Luís Montenegro às perguntas sobre o Chega AQUI. Parece que a ambiguidade do PSD em relação ao Chega pode vir a ser politicamente vantajoso para o PS. Luís Montenegro diz querer transformar o PSD na "casa dos não socialistas" e captar votos à direita, ou seja, também ao Chega.


Ambos os candidatos parece que ainda não se convenceram de que nada será como dantes, a não ser que os eleitores que se “divorciaram” do PSD, e também do CDS, e optaram por casar com o Chega e com a Iniciativa Liberal podem não voltar atrás a não ser que a vida não lhes tenha corrido como pensaram quando votaram neles. Há muitas coisas em relação às quais não se tem a certeza porque nós pressupomos nos outros uma potencial disposição para se deixarem convencer que é semelhante à que “eles” pressupõem de nós.


O antagonismo político-partidário, óbvio e previsível, na política faz parte do combate pelo poder, mas nesta competição o que está em causa não é a discussão dos assuntos objetivos com interesse para o país, mas encenações de diferenças para se manter ou conquistar o poder.  


No caso da competição para a liderança do PSD temos o que já se sabe sobre as intenções manifestadas pelos dois candidatos, e o que não se sabe, o que só será revelado quando em exercício. Todavia, com Luís Montenegro teremos as ditas reformas neoliberais que recuperados do tempo de Passos Coelho. Quanto a Moreira da Silva criam-se expectativas se serem mais próximas da social-democracia.


Se fosse votante nesta área partidária e ideológica neste momento decisivo para o PSD, não teria dúvidas no candidato que escolheria para líder do partido e potencial primeiro-ministro: Jorge Moreira da Silva.

sábado, 11 de janeiro de 2020

No PSD é tudo uma gracinha e Montenegro é uma delas

Eleições PSD.jpg


Imagem alterada a partir do original do jornal Público


Os candidatos à eleições internas no PSD dão voltas à cabeça para arranjarem argumentos convincentes para convencerem os militantes que vão votar. As voltas são tantas que saltam do partido para fora e centram-se no partido do Governo. Como nada têm agarram-se ao que está à sua volta. É o caso de Montenegro que dá a volta à praça e, numa atitude de recusa em aceitar uma realidade empiricamente verificável, acusa outros daquilo que foi feito pelo seu próprio partido quando nos últimos anos esteve no governo e ele, na altura, era líder parlamentar do PSD.


Essa atitude negacionista e de esquecimento intencional leva-o a declarações provocatórias como as que fez num encontro de militantes em Leiria: “Este é o Governo com maior insensibilidade social de que há memória”. Que insensibilidade? – Cortar salários e pensões, aumentar impostos, reduzir ou eliminar subsídios a classes mais desfavorecidas, empobrecimento das pessoas, aumento do desemprego, entre outras? Onde esteve a insensibilidade social?


Montenegro justifica com omissões e mentira descarada quando diz que o partido da austeridade e da “troika” é o PS. Quem pressionou a vinda da “troika” foi Passos Coelho. Compreende-se que tenha sido devido aos destemperos financeiros do tempo de Sócrates, mas será que a insensibilidade social a que Montenegro se refere e que atribui ao atual governo significa que se deveria voltar ao tempo dos desregramentos financeiros de Sócrates que levaram Passos ao poder?


Grave também foi Luís Montenegro ter afirmado querer o PSD um partido "à Cavaco". Apesar de ser frase ser mais para fazer campanha para atrair as hostes cavaquistas que ainda proliferam no partido a afirmação diz muito do que Montenegro pretende se algum dia chegar a primeiro-ministro.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Para onde caminhará o PSD?

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Quando não há argumentos de peso numa eleição à liderança partidária, caso do PSD, buscam-se argumentos geracionais e etários para desacreditar os adversários sustentados igualmente por jornalistas simpatizantes. É o que está a acontecer no PSD. Comparações de idades, por um lado os quarentões a que chamam jovens, como Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz e dizem pretendem rejuvenescer o partido, e, por outro, o de mais idade, mas com experiência que é o sexagenário Rui Rio.


Isto é o argumento falacioso da idade, com a falta de outros que sejam significantes para o debate e que serve apenas para atrair rapazolas sem qualquer ideologia consistente no que à política diz respeito, esquecendo-se que os grandes líderes de relevo mundiais e regionais sempre tiveram, e têm, idades superiores aos cinquenta anos e revelam experiência política correspondente a muitos anos de prática.


Renovar geracionalmente o partido colocando à frente rapazolas sem carisma e sem experiência por apenas perfilharem o liberalismo sem saberem para onde podem conduzir a eles e ao país! Tivemos exemplos destes nos parlamentares do PSD no tempo de Passos Coelho. Tenham paciência, os portugueses já deram para esse peditório e muitos militantes do PSD também.


Será que pretendem deixar o centro para ser ocupado PS a troco de congregar uma direita liberal e neoliberal que tem andado órfã e cujos simpatizantes desertaram lá para os lados das iniciativas liberais e dos chegas?


Torna-se evidente uma cobiça pelo poder dos que querem derrubar Rui Rio com a desculpa das eleições perdidas fazendo acreditar que, caso se encontrassem nas mesmas circunstâncias, teriam ganho essas eleições. Duvido que assim fosse. Mas quem sou eu para duvidar? O que acho é que essa avidez de poder tem por detrás projetos de tramoia a que, aliás, Rui Rio já aludiu ao dizer que quer evitar que o PSD seja tomado “por grupos organizados (…) de perfil pouco ou nada transparente”. Mas não só, também quer impedir a “grave fragmentação” do partido, com consequências imprevisíveis para o seu futuro, e defender a “social-democracia”.


Por detrás destas guerrinhas é capaz de estar Miguel Relvas que em algumas intervenções, sem dar nas vistas, tem vindo a fazer declarações. Não apoia Rui Rio porque poderá haver alguns interesses estratégicos no apoio a outros candidatos para as suas atividades relacionadas com a(s) empresas a que está ligado se os liberais do partido ganharem as eleições para liderança do PSD.


Lobo Xavier confirmou isso mesmo no programa Circulatura do Quadrado ao afirmar que “Rui Rio disse coisas que eu espero que tenham consequências. Ele disse que se candidatava para evitar grupos, a intervenção de grupos, de negócios, de redes de tráfico de influência, da influência da maçonaria no partido. E eu quero dizer o seguinte: isso existe”, confirmou António Lobo Xavier. E acrescentou:  “existem redes mafiosas de tráfico de influência ligadas a políticos e ex-políticos que fazem negócios, que fazem pressões, que fazem ameaças, que envolvem gente do mundo da justiça, que envolvem gente do mundo dos jornais, que envolvem gente política.”, que pode confirmar no Público. Devemos, contudo, acautelar que Lobo Xavier, sendo do CDS, partido de direita, poderá ter algum interesse partidário nestas afirmações?


Rui Rio já disse e não me parece que isso seja posição de mero confronto ou de pré campanha que:   “O PSD precisa de uma liderança que defenda a social-democracia e mantenha o partido no centro político, não permitindo que ele se transforme numa força partidária ideologicamente vazia ou de perfil eminentemente liberal”, e teme que levem de novo o PSD para o lado do liberalismo.


Pinto Luz promete fazer renascer o partido através de “um projeto político capaz de ser alternativa ao projeto socialista que asfixia os sonhos dos portugueses e limita a liberdade de escolha”. Como se, sem o PSD, não houvesse liberdade de escolha nem iniciativa privada!


As pistas neoliberais estão lá, não há dúvida de que projeto se trata, nada mais nada menos do que a renovação na continuidade passista, senão pior ainda.

domingo, 7 de janeiro de 2018

O grande apostador

Santana_aposta.png


 Na convenção promovida por Santana Lopes no sábado passado coloca-se a Pedro Passos Coelho e diz ao partido que esteve sempre lá.  Passos Coelho, diz Santana, “não pôde fazer mais e fez um trabalho absolutamente excecional”.


A razão desta colagem, na minha opinião, faz parte da sua estratégia na campanha eleitoral à liderança do PSD. E porquê? Poderá perguntar-se. Primeiro, porque Passos Coelho ganhou as eleições em 2011 embora com maioria relativa pelo qual teve de se coligar com o CDS. Segundo, porque Passos Coelho também ganhou as eleições em 2015, perdendo votos, ficando com o CDS com minoria parlamentar face à esquerda. Assim, Santana Lopes acha que os “fãs” de Passos Coelho o verão, a ele, Santana Lopes, como um futuro e potencial vencedor nas próximas eleições legislativas. A estratégia de colagem a Passos Coelho por Santana pode ser a de vir a conseguir captar a direita mais conservadora que se afastou para o CDS, contudo, esta pode ser espada de dois gumes virando-se contra ele porque alguns consideraram que Passos e as suas políticas já não teriam futuro.


Após o frente a frente entre Rui Rio e Santana Lopes, um dos comentadores que analisou o debate, José Manuel Fernandes, afirmou, em determinada altura, que as orientações ideológicas do partido para as eleições não interessam nada porque as pessoas iriam votar em pessoas e não em ideologias. É, também neste ponto, que Santana se apresenta pensando que, quem irá votar, é uma espécie carneirada destituída de qualquer ideologia e que irá votar apenas pelo “look” do candidato. É nisto que Santana aposta. Aliás, parece que apostas são com ele porque aprendeu enquanto esteve à frente da Santa Casa da Misericórdia que, segundo parece, até desempenhou bem a função, exceto no caso da intervenção no capital do Montepio e foi ainda um dos motores para a abertura do Casino de Lisboa.


Para bom entendedor meia palavra basta. Se Santana Lopes ganha o PSD teremos um novo Passos Coelho, mas para pior, se, por mero acaso, vier a ganhar as próximas legislativas. E os neoliberais do PSD estarão nessa. Se, pelo contrário perder as eleições, o PSD bem pode pedir uma reforma de fundo.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O que eles desejariam para 2018

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Habitualmente a comunicação social avança com prognósticos de como os políticos vêm o novo ano. Como seria de esperar, quer a esquerda e a maioria que apoia o Governo, quer a direita têm visões diferentes para os seus prognósticos. Quanto aos primeiros não vale a pena falar porque são sempre positivos e os partidos mais à esquerda querem “prendas” para 2018 ainda maiores.


Dedico-me, portanto, aos pessimismos da direita que já vêm desde a célebre frase do “vem aí o diabo” quando o atual Governo tomou posse.


O jornal Público colocou algumas perguntas aos candidatos a líder do PSD e à centrista Assunção Cristas sobre como viam o ano que entrou em termos de oposição. Santana Lopes recusou responder, assim, apresento apenas as respostas mais representativas da direita PSD e CDS sobre como pensam vir a fazer oposição em 2018.


 


Santana Lopes ao formalizar ontem a sua candidatura à liderança do PSD, demonstrou falta de originalidade e colou-se à mensagem de Ano Novo do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa quando disse que “é preciso reinventar o futuro”. Santana, para além de se colar oportunisticamente ao discurso do Presidente, inscreve o termo no texto da sua moção.


Se podemos perceber, ou até imaginar, a mensagem que o Presidente Marcelo pretendeu o mesmo não se pode dizer com o que Santana pretendeu com o “reinventar o país” já que o conceito é aplicado de forma tão pouco clara, vaga e descontextualizada quanto a sua moção o é. Sabemos que “pretende honrar o passado e perspetivar o futuro”. Não sabemos a que passado se refere Santana Lopes, se ao passado longínquo do PSD ou ao passado mais recente. Frases vagas plenas de ambiguidades.


 


Rui Rio, candidato à liderança do PSD prevê para 2018 um maior desgaste do Governo, uma pressão maior dentro da coligação parlamentar com confrontos ao nível da Assembleia da República assim como ao nível do movimento sindical. E, como seria de esperar, para Rio haverá seguramente um PSD mais atuante depois “deste demasiado longo período de tempo dedicado à substituição da liderança”.


Quanto às prioridades para 2018 “ganhar as eleições internas no PSD. Se tal acontecer,


a construção de uma alternativa de governo à solução parlamentar atual”. Que base serão propostas nessa alternativa de governo é que ficamos sem saber. Será mais do mesmo do passado recente?


Para Assunção Cristas, presidente do CDS-PP, entusiasmadíssima com os 21% alcançados em Lisboa, diz que tem os pés bem assentes na terra e estar “otimista para a construção alternativa para os portugueses”, mas também ficamos sem saber qual é. Ao nível interno diz que 2017 foi um ano trágico e fala, mais uma vez, dos incêndios tragédia de que ela tão bem soube tirar partido. Diz ainda que o país (o deles, lá do CDS, digo eu), “deve estar particularmente atento ao que o Governo vai ou não fazer em matéria de prevenção e combate aos incêndios, nomeadamente se cumpre as promessas que fez”. Veremos quando o ordenamento do território e da floresta forem levados para a frente pelo Governo, se o forem, se o CDS estará na disposição de contribuir paral tal ou se atuará de forma reacionária e conservadora contra as medidas que forem tomadas.


E, para Assunção Cristas o país, (a vigilante do país deles, os do CDS, digo eu, mais uma vez) “deve estar particularmente vigilante em relação às tentações de uma governação eleitoralista, a par de um escrutínio grande da qualidade dos serviços públicos, cuja degradação é notória. Esqueceu-se, esta vigilante em nome do país, de dizer que a degradação dos serviços públicos foi devido ao contributo que o seu partido deu quando esteve no governo de coligação de direita PSD/CDS que originou tal degradação e que, depois da terra queimada, é difícil a reconstrução instantânea.


Vigilante relativamente às tentações eleitoralistas? Dr.ª Assunção lembramo-nos bem do seu eleitoralismo quando das eleições autárquicas em Lisboa.


Para Cristas as prioridades para 2018 à semelhança de Rio “é afirmar-se como uma alternativa sólida e credível ao Governo das esquerdas unidas, através de uma oposição firme e construtiva”. Mas vai mais longe, quer que o CDS seja a primeira escolha dos portugueses.  Com que projeto de governação é que também não sabemos. Ah! Já sei, o projeto é “Ouvir Portugal” como ela diz. Desejos há muito, é como os chapéus também há muitos.


Para terminar e numa antevisão do jornal Público O julgamento de José Sócrates poderá


começar ainda em meados de outubro de 2018 ou, na pior das hipóteses, em 2019, como anteciparam em outubro próximo passado vários juristas ligados ao processo Operação Marquês.  No final do pré-julgamento o juiz Carlos Alexandre decidirá se leva os arguidos todos a julgamento ou se arquiva o caso, se entender não haver indícios suficientes que possam conduzir à sua condenação pelos crimes que constam da acusação do Ministério Público.


Se assim for esta antecipação mostra que, mais uma vez, está-se a conjugar tudo para a proximidade das próximas eleições legislativas. Ou será mais uma vez uma invetiva da minha parte quando tenho escrito que, no que respeita ao caso Sócrates, há um calendário judicial alinhado com o calendário político?

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

No meio do nada encontra-se o PSD

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No programa “Poder Laranja” do último sábado, moderado por Constança Cunha e Sá, foram convidados Feliciano Barreiras Duarte apoiante do Rui Rio, Duarte Marques apoiante de Santana Lopes, António Leitão Amaro sem candidato assumido e Sebastião Bugalho jornalista do jornal i.


Todos eles são militantes ou simpatizantes do PSD. O debate foi um vazio total de ideias, propostas e programas o que já seria de esperar especialmente por parte do apoiante de Santana Lopes. O apoiante de Rui Rio foi o que melhor defendeu a candidatura.


Em vez da defesa das candidaturas e da apresentação das propostas dos candidatos refugiaram-se no ataque ao Governo socialista com argumentos estafados e já por demais utilizados por Passo Coelho, não faltando até a evocação de Sócrates. Mais pareceu um debate sobre a defesa do ainda atual líder e o ataque ao Governo do que a defesa das próprias candidaturas.


A pobreza argumentativa foi evidente centrada na questão da identidade   e na posição do partido dentro do espetro partidário. Não se pode desejar que o PSD seja igual ao partido socialista dizia o apoiante de Santana. Dizia o apoiante de Rui Rio que havia que regressar às origens do partido, a social-democracia. Defendiam-se outros dizendo que o PSD não é de direita, mas do centro-direita ou de centro. No final não se ficou a saber qual é o espetro ideológico do partido. Mas a ideologia não interessa aos portugueses nada lhes diz, como disse o apoiante de Santana, o que querem ver é factos concretos. Já vimos e bastante no passado e o que prometiam para o futuro, diria eu!


Parece que, segundo se pode deduzir pelo debate, ao PSD nada interessa nem sequer a ideologia. A ser assim não se percebe ao que vão nem o que pretendem.


Parece que, segundo eles, lá para a semana vai sair um programa. Como já disse Santana Lopes numa entrevista ainda não há projeto, mas está tudo na minha cabeça.


Apesar de eu já ter escrito várias vezes que o PSD abandonou a sua matriz social-democrata acantonando-se na corrente neoliberal, coisa que refutaram alguns dos presentes no debate. De cada vez que os oiço falar mais me convenço de que não há volta a dar ao PSD, afinal não é social-democrata e não tem vontade de o ser, então, sem dúvida, é um partido de direita e com alguns laivos radicais e populistas que foram nascendo.


Foi um debate de nada, e sobre nada, um vazio total. Quem não estava esclarecido ou tinha dúvidas como eu ainda ficou pior.


Todavia Rui Rio é o único que se afasta um pouco da linha dos outros jovenzinhos que vieram da JSD, agora bem instalados no partido e com cargos políticos que vêm a público dizer balelas ou cantando o refrão do que ouvem por aí. Para mim, uma coisa ficou clara: o apoiante da candidatura de Santana Lopes e Leitão Amaro tentaram fugir ao rótulo de direita que, segundo dizem, lhes foi colocado pela esquerda. Ficámos sem saber no final e apesar de o negarem se não são de direita então o que são afinal…


Hoje a candidatura de Santana Lopes anunciou o seu programa que já tinha dito estar apenas na sua cabeça ao mesmo tempo que um dos elementos que o apoia invoca Deus para vir em seu auxílio ao dizer numa reunião que Santana “graças a Deus vai ser eleito”. É a primeira vez que em política se recorre claramente à religião como fonte aliciadora de almas simples e sãs para uma causa deveria ser estritamente laica.


Não é novidade que a igreja tenta em época de eleições influenciar eleitorado católico para a direita durante as homilias, o inverso para mim é novidade e, tanto mais, que chega já às raias do populismo de baixa ética. Invocar o nome de Deus em vão misturando-o com causas políticas parece ser a transformação duma candidatura dum político que mais parece ser a de uma espécie de seita religiosa.