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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Sou sexy e no CDS seremos todos sexy

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O CDS deve estar a sofrer da síndrome de charme e não é de agora. Já em 2018 Assunção Cristas, ainda sem sonhar o que lhe iria acontecer, disse numa entrevista alto e bom som que “estava preparada para ser primeira-ministra”.


Ela procurava atrair a atenção dos eleitores mesmo quando sabia que o poder não estaria ao seu alcance, mas poderia tirar alguma vantagem. Uma espécie de prazer como é o ritual da conquista e por pensar ser desejada pelos portugueses para líder do governo do país.


Aliás, a líder centrista elogiou os atributos do candidato centrista durante as eleições para o Parlamento Europeu quando por entre sorrisos da assistência afirmou que o CDS “tem uma cara engraçada”, referindo-se a Nuno Melo, tentando contrapor a diferença com o candidato socialista. O termo sexy, enquanto sinónimo de encanto sedutor e pessoa sexualmente atraente e possuir também um caráter erótico que estimula o desejo sexual e excitante, parece que vai  passar a fazer parte do ideário e do programa do CDS.


O novo líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, disse na sua intervenção no 28º congresso que “Seremos um partido que se tornará sexy” e que promete devolver a “identidade” ao partido. Será de presumir a identidade sexy?


Ter a arte da sedução e do encanto parece passar a fazer parte do envolvimento político do partido. Temos de ter cuidado senão arriscamo-nos a ser seduzido pelo sexy do CDS.


Voltar a “andar no terreno com uma identidade clara e um rosto visível” são os desejos do “Chicão”, como se o partido, nos últimos tempos, não tivesse um rosto visível quando esses rosto até afirmava que estava preparada para ser primeira-ministra.


A explicação para ser um partido sexy está ali, como nunca. Ele, o novo rosto do partido, diz assim ser por passar a utilizar estratégias de comunicação acutilantes, disruptivas e atuais. Este foi o momento mais sexy do partido. Será sexy também, mas não por defender os valores que não são nossos, disse. Esperem lá, se eu não defender, ao nível partidário, os valores dos outros serei sexy? Humm!


Estamos entendidos, quem quiser apanhar uma dose de erotismo partidário corra ao CDS.


O CDS precisa de construir pontes e não erguer muros, disse, Rodrigues dos Santos, pelo menos ficamos a saber que é suposto estar contra os muros de Trump. Mas é estranho, porque o novo líder do CDS, quando André Ventura sugeriu no Facebook que a deputada Joacine do Livre devia ser "devolvida" ao país de origem, Francisco Rodrigues dos Santos, recém-eleito líder do CDS, depois de uma audiência com Marcelo Rebelo de Sousa, também comentou a relação entre a deputada do Livre e o partido com a frase: “no CDS não existem Joacines". O Livre, partido de esquerda, vê nestas afirmações da direita “contínuos ataques de caráter e referências de índole racista".


Será isto também o sexy a que Rodrigues dos Santos se refere?


As reações sucedem-se e, desta feita, também Adolfo Mesquita Nunes do CDS deixou o seguinte comentário nas redes sociais:


“André Ventura sugere deportar uma deputada à conta de uma proposta discutível e há quem, nos comentários ao meu post anterior, veja na sugestão dessa deportação a verdadeira direita e, o que é pior, nela veja a direita dos valores do CDS. Acham-se muito corajosos e chamam-me de cobarde, como agora é moda. Pois a esses, os da coragem na ponta da língua, só tenho a dizer o seguinte: não quero saber se acham que são de direita ou se acham que são cristãos ou se acham que tudo vale desde que seja para malhar na esquerda, porque cada um acha-se o que quiser, mas há uma coisa de que eu jamais prescindirei, que é do princípio da dignidade da pessoa, princípio estruturante da matriz judaico-cristã e a raiz da igualdade entre os Homens. Cobardes são os que prescindem de princípios estruturantes sempre que a esquerda os enerva, e só porque a esquerda os enerva".


Será que o novo líder centrista vai seguir de perto o Chega deixando a matriz de partido de direita e passar a adotar a da extrema-direita racista e xenófoba? A ver vamos.

sábado, 4 de maio de 2019

O partido no fundo do poço

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Será que o CDS “votou para descongelar, não votou para pagar”?


Paulo Portas ao sair da liderança e da vida política do partido deixou o CDS/PP com um défice de liderança efetivo e de coerência. O carisma da liderança de Paulo Portas opõe-se drasticamente à falta dela na atual liderança de Assunção Cristas.


Fazer oposição é saber estar, saber dizer, saber pensar, ter a capacidade de política da antevisão numa perspetiva estratégica. Assunção Crista ou nada percebe de política ou, então, tem maus conselheiros. Fazer oposição pela oposição é mostrar fraqueza nas suas convicções e falta de projeto político para o país.


Ter um programa cheio de propostas ocas não chega.


Procurar casos aqui e ali, numa espécie de correria de barata tonta, para fazer umas declarações vazias e sem conteúdo de facto a não ser a espuma do dia para aparecer nos canais de televisão não chega.


Dizer o que foi errado ou o que está mal não chega.


Regressar simplesmente ao passado que já não justifica o presente não chega.


Assunção Cristas irá fazer pagar o partido a sua fatura de incompetência enquanto líder da oposição de direita. Assunção procura aqui e ali os casos do dia para cavalgar a onda da oposição de direita que não lidera.


Procura, sem olhar a meios, tudo onde possa fazer para buscar votinhos, mesmo que isso seja em prejuízo do país.


Clama de mentiroso a quem lhe desmonta as suas próprias mentiras. Viu-se no caso das declarações após a ameaça de demissão feita por António Costa. Há uma coisa que não pode negar é que o CDS votou as propostas sobre o descongelamento das carreiras dos professores juntamente com o BE e do PCP. No caso de Catarina Martins teve ainda o desplante de dizer que a proposta não custa um cêntimo ao país. Mas para Cristas a proposta do CDS era apenas uma questão de método. Pergunto-me se então tudo aquilo era fogo de vista e nada era para cumprir. Ou será que está a gozar com aquilo que os professores reivindicam? Ou será que o CDS pela voz de Assunção quis dizer que “votou para descongelar, não votou para pagar”?


Agora, para limpar a face, escreve cartas aos militantes a explicar o inexplicável e a justificar o injustificável da votação dizendo mentiras e adulterando conteúdos por todos já reconhecidos. Apenas se justificaria uma carta se a sua declaração fosse baralhada, titubeante, com argumentos despropositados e incoerentes e pouco esclarecedora das posições do CDS que necessitasse, agora, de enviar cartas aos militantes. A carta de Assunção Cristas aos militantes apenas confirma o desplante e a fraqueza ea incoerência das palavres da líder do CDS.


A carta, segundo o jornal Público, diz, a certa altura: “Num último subtítulo – “as mentiras que correm” – a líder do CDS tenta contrariar um dos argumentos que poderia ser mais negativo para o partido – o de que foi o voto dos centristas que aprovou o “pagamento” de mais de nove anos de tempo de carreira congelado aos professores”.


Esperem lá! Então não foi aprovado e votado pelos partidos PSD, CDS, BE e PCP um documento final que vai ser apresentado para ser votado no Parlamento daqui a duas semanas para o pagamento aos professores? Mais tarde ou mais cedo, é claro, mas vai sair dos bolsos dos contribuintes!


Segundo o jornal Público “Assunção Cristas acaba a semana a dar explicações aos seus militantes depois de não ter secundado a posição do seu vice-presidente Nuno Melo sobre o Vox e de ter de desautorizar uma proposta do partido para pintar com as cores do arco-íris passadeiras em Lisboa como forma de assinalar o Dia Internacional da luta contra a Homofobia e Transfobia. É caso para dizer que foi uma semana horribilis para a líder do CDS-PP”.

sábado, 16 de março de 2019

Casos ao acaso de Assunção Cristas

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Vou dedicar este tema a Assunção Cristas, líder do CDS/PP, porque lhe acho graça, faz-me rir e, sobretudo, porque sabe cozinhar arroz com atum, um prato muito popular da gastronomia de Cabo Verde que ela apresentou há semanas no programa da Cristina Ferreira na SIC.


Cristas é uma gracinha, disse em Fevereiro numa entrevista à Voz da Galícia que está preparada para assumir a liderança do país e, mais disse, que mantém a  esperança de que haja uma mudança política no país e que está "preparada para ser primeira-ministra, e também para fazer pactos com o PSD, como já aconteceu no passado, mas jamais com António Costa". Para tal ainda terá muito que “pedalar” para, com os seus 8% que lhe dão as sondagens, o conseguir. Nem Paulo Portas, com quem discordei e discordo apesar de o considerar um hábil político, o conseguiu ao longo dos anos. Para Cristas só se for um milagre. Pense talvez numa peregrinação a um lugar de culto religioso.


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Continuando com Assunção Cristas é de salientar a hipocrisia e falta de memória propositada que, por vezes, a assaltam. Em abril do ano passado quando falava sobre a Lei do Arrendamento Urbano mais conhecida por lei das rendas ou lei Cristas defendeu-se passando culpas para isto e para aquilo. Primeiro disse que “Leis perfeitas não existem”. Bem me parecia, por isso é que as fazem com buracos para possibilitar tudo. E não sabíamos que ela resolveu o grande problema da cidade de uma Lisboa envelhecida onde havia “um centro histórico desabitado em que não havia vida”. Ficamos esclarecidos: foi graças a ela que tudo mudou.


O mais risível foi que apesar de em 2012 a Lei Cristas, chamada lei dos despejos, fez disparar as rendas e os despejos, desrespeitou, afligiu inquilinos, desestabilizou e descredibilizou o arrendamento ela venha agora afirmar que a lei ficou «equilibrada e protegeu situações de maior fragilidade económica e social», principalmente, tendo em conta as circunstâncias em que foi negociada. Recorda culpando a troika porque «não queria ouvir falar nem de velhinhos nem de carência económica. O que queria era passar logo para o regime liberalizado», e que a lei foi decidida em situações de difícil negociação e «assinado pelo PS explicou, reforçando que a medida estava inscrita no memorando da troika». Percebemos: quem estava nas negociações era apenas o PS, o PSD e o CDS não estavam lá – talvez de férias – e que Passos Coelho nunca disse que tínhamos de ir para além da troika.


A cabeça de Assunção Cristas com as eleições a aproximarem-se a passos largos arrisca-se na fuga para a frente na procura de caos e casinhos tudo o que, mesmo sem interesse lhe sirva para fazer oposição e atacar o Governo e, sobretudo, António Costa que para ela é uma sombra de terror face á sua inteligência e habilidade política, coisas de que Cristas tem défice comparativo. Por outro lado, Cristas não aprendeu nada com a habilidade política de Paulo Portas e, por isso, tem ainda muito que se esforçar apesar de dizer que está preparada para assumir a liderança do país.


De facto, só para rir de tanta anedota.


 


 

segunda-feira, 26 de março de 2018

Eleitoralismo e acontecimentos desastrosos

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Na nossa história acontecimentos relevantes tiveram causas remotas e causas próximas. Na nossa história recente acontecimentos graves que se verificaram também tiveram causas próximas da responsabilidade do atual Governo e causas remotas da responsabilidade do anterior Governo, o XIX que saiu das eleições de 2011 com a coligação PSD e CDS liderado por Passos Coelho.


Da composição daquele governo constavam a Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, Assunção Cristas de 21 de junho de 2011 a 24 de julho de 2013, e Ministra da Agricultura e do Mar de 24 de julho de 2013 a 30 de outubro de 2015. De 24 de julho de 2013 a 30 de outubros de 2015 passou a ser Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia Jorge Moreira da Silva. Na Administração Interna tivemos Miguel Macedo 21 de junho de 2011 a 19 de novembro de 2014 e Anabela Rodrigues 19 de novembro de 2014 a 30 de outubro de 2015.


Onde quero chegar com isto é que o anterior governo foi a causa remota dos graves incêndios que assolaram o país entre 2016 e 2017 e que neste último ano causou a vida a mais de 67 pessoas.


As causas próximas poderão der atribuídas a responsabilidades várias do atual Governo. Todavia as consequências do presente devem-se a negligências no que respeita a ordenamento florestal e a medidas de redução de recursos e desatualização de meios e à desmobilização de meios, medidas tomadas pelo governo de Passos Coelho quando Assunção Cristas e Miguel Macedo na Administração Interna e eram responsáveis por áreas essenciais na prevenção e controle de catástrofes causadas por incêndios.


Em agosto de 2013, ainda Assunção Cristas era uma das responsáveis pelo pelouro das florestas, foi o grande incêndio que devastou a Serra do Caramulo e matou quatro bombeiros, deixando 13 feridos, apesar disso nada fez e tudo ficou na mesma. Nessa altura as notícias sobre o acontecimento foram tímidas e moderadas, sem a insistências e não se pediram demissões como o que foi no ano passado em que as condições climáticas desse verão ajudaram a agravar o que em si mesmo já era grave. Em agosto 2014 os autarcas queixam-se na altura de “que há muito ainda por fazer”. É certo que incêndios do ano de 2017 foram muito graves em extensão e em pessoas e bens, mas se, anteriormente, durante aos quatro anos de governação PSD-CDS, se tivesse apostado na prevenção e dado início a medidas para evitar futuras catástrofes em vez disso nada se fizeram. Com que consciência Cristas do CDS e o PSD falam agora e levantam a cabeça quando foram causa remota e histórica dos incêndios.


Apesar disso Rui Rio, atual líder do PSD, aproveita isso mesmo para se fazer impor como oposição fazendo uma visita promocional às zonas ardidas que é a sua primeira “visita oficial” às zonas da tragédia, fazendo-se acompanhar por deputados do partido. Rui Rio, referindo-se à ação de limpeza das matas realizada pelo Governo e pelo Presidente da República, o líder do PSD reconheceu que a ação “tem mérito”, acrescentando, porém, que, “perante um relatório [i] que responsabiliza o Governo, o Governo faz uma ação de marketing”, ao que o Presidente da República respondeu dizendo que “Quem quer que seja governo hoje ou daqui a 4, 8, 12, 16 anos seja governo só ganha com a vitória neste combate. Quem achar o contrário é porque não tenciona ser governo tão depressa.”. Vejo esta afirmação como forma de incentivo aos partidos para virem a fazer campanha a partir da catástrofe.


As consequências das graves ocorrências dos incêndios ainda estão, ao momento, com base no referido relatório estão a ser utilizadas para campanhas promocionais pessoais e partidárias e já como pré-campanha eleitoral, é abjeto para não dizer pior. Há responsabilidades próximas que podem ser em parte da responsabilidade imputadas ao atual Governo, todavia há também responsabilidades, também elas muitas e graves, do anterior governo.


[i] Relatório dito independente proposto pelo PSD; independente apenas porque os seus elementos não são militantes do partido.

quarta-feira, 14 de março de 2018

A metamorfose do CDS-PP ou a energia renovável

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Poucos dias antes do congresso do CDS-PP que se realizou no dia 10 de março em Lamego Assunção Cristas andou agitada, expansiva, exacerbadamente otimista, e arrogante por antecipação, com potenciais vitórias do CDS-PP caso venha a concretizar-se uma subida substancial daquele partido nas próximas legislativas. Se tal acontecer deve ser cobrado a Passos Coelho devido à hesitação na escolha de última hora do candidato, neste caso candidata, para a Câmara de Lisboa em 2017.


Os eleitores do PSD que em 2017 não concordaram com a escolha de Passos Coelho para a Câmara de Lisboa terão votado no CDS-PP o que resultou numa subida substancial das suas votações conseguiu 20,59%. No mesmo anos o PSD sozinho obteve apenas 16,07%. Em 2013 o CDS-PP, em coligação com o PSD, obteve 22,37%. Em 2009 a coligação PSD.CDS-PP obteve 38,69%. Portanto o CDS tem andado até agora atrelado ao PSD, ou se coliga ou retira-lhe votos.


O 27º Congresso do CDS-PP confirmou Assunção Cristas como líder e o seu objetivo será o de recolher os votos dos neoliberais (órfãos de Passos) descontentes com a nova direção e orientação ideológica do PSD. Cristas com o seu partido pretende ser líder aglutinadora das direitas e quer liderar a oposição.


Se o PSD com Rui Rio pretende ser o centro-direita o CDS-PP abandona sua a democracia cristã e diz querer também ocupar o espaço do centro direita. Por outro lado, Assunção Cristas poderá vir a perder votos dos desalojados da direita mais conservadora e democrata cristã. Veremos se o CDS-PP irá delinear, ou não, uma estratégia populista, mas tudo aponta para que sim a ver com um programa que parece prestar-se para isso.


Após o congresso do PSD temos assistido a uma espécie de competição entre das direitas que se vão digladiando com vista às próximas eleições.


Assunção Cristas, senhora com cara de menina, quer jogar forte durante o chá canasta que ela pensa irão ser as eleições legislativas e vai dizendo que o CDS-PP é um partido dos ricos, mas do povo, e “faz de conta que o representa”. É certo que, para muitos, emana simpatia, mas isso não chega para governar. Assunção é o engodo para os que votaram em Passos Coelho e não veem com bons olhos a viragem do partido com Rui Rio à sua frente.



Assunção Cristas quer substituir-se ao PSD como grande partido nacional e diz querer fazer do partido a única alternativa "de centro e de direita" às “esquerdas encostadas”, e quer que o CDS-PP seja “o primeiro partido no espaço do centro e da direita sem hesitações sem complexos”, apontando o dedo ao Governo e deixando um recado implícito ao PSD. Em resumo Cristas quer crescer à custa do PSD e afirmou que o tempo de maiorias de um só partido já lá vai! Se o tempo das maiorias de um só partido já lá vai não é o mesmo que dizer que o CDS não terá maioria e que, portanto, terá de fazer alianças? Antecipa no futuro uma possível aliança com o PSD? Assunção Cristas quer mostrar por um lado que o CDS será um partido progressista, mas ao mesmo tempo assume que é a “casa do centro e da direita das liberdades, juntando conservadores e liberais”.  


Assunção Cristas assumiu-se como a “primeira escolha” alternativa ao PS. A líder do CDS definiu já os eixos programáticos para as legislativas de 2019: demografia, economia digital e a coesão território como os eixos estratégicos da sua agenda para os próximos dois anos. Nada de novo nestes eixos parecem um plágio de pontos estratégicos de outros partidos nomeadamente os do Partido Socialista.


Após o congresso comentadores políticos conotados como liberais de direita tentam descredibilizar Rui Rio para fazer sobressair Assunção Cristas de modo a contribuir a que Rio perca votos nas próximas eleições. Para tal estão a postos os neoliberais do PSD como Montenegro, os companheiros de infortúnio de Passos Coelho e outros que já estão na fila e que insistem em prejudicar o partido em que militam. O Partido Socialista pode ir consolidando a sua posição.


No PSD, ou há unanimidade e consenso em torno do novo líder Rui Rio, ou vão contemplar, com grande desgosto, o CDS de Assunção Cristas ocupar o seu lugar no espetro eleitoral.


Em fevereiro, segundo o jornal Público, Rio dizia querer vincar é precisamente a ideia de uma “não cedência”. Segundo a nova direção do PSD a ideia do novo presidente é a de “fazer uma rutura com o passado próximo”, ou seja, com a liderança de Passos Coelho - e que “não se desvia do seu objetivo”. Veremos!

sexta-feira, 2 de março de 2018

A virtude da direita passou a estar no centro-direita

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A direita PSD e CDS não querem ser de direita, negam que haja qualquer ideologia nas suas opções e colocam-se ambos no centro-direita do leque partidário. Alguns teóricos e militantes do PSD já o fizeram, coube agora a vez do CDS-PP.


A ideologia é um sistema de ideias, valores e princípios que definem uma determinada visão política do mundo, fundamentando e orientando a forma de agir de uma pessoa ou de um grupo social, seja partido ou movimento político, seja grupo religioso ou quaisquer outros.


O princípio que orienta certa direita portuguesa, segundo a voz de alguns dos seus militantes e apoiantes, é que atualmente a ideologia está fora de questão na governação não interessa dentro do partido. Não se pensa em termos ideológicos, mas em termos de realizações e de práticas. Como se, em política, a pragmática estivesse afastada da ideologia! Por mais que neguem existe ideologia de direita assim como há a da esquerda, do centro, seja qual for o arrumo político.


Parece-me ser isto uma iliteracia cultural, muito comum nas últimas décadas no meio de certas juventudes partidárias de direita ou em políticos delas oriundos, para além de ser também uma aberração intelectual que vai até contra o senso-comum. A ideologia é intemporal, sempre existiu e não há o exercício da política sem ideologia. As religiões têm as suas específicas ideologias de ordem teológica.


Todavia, para a direita, interessa que este tipo de mensagem passe. Há uma estratégia que vai no sentido de evitar o pensamento e a reflexão ideológicos para afastar qualquer comparação entre os conteúdos programáticos ou medidas políticas tomadas pelos partidos que não sejam apenas “pragmática”.


Fazer política sem uma base ideológica baseada apenas no pragmatismo que desemboque numa espécie de era pós-ideológica parece-me impossível. A prática e o exercício da política são direcionados para as pessoas e para as nações e afetam as suas vivências sociais e pessoais que, por si só, têm já uma carga socioideológica devido a diferentes visões do mundo. A negação da ideologia não é mais do que uma inadequação desta atitude às necessidades sociais pela prática política.


A atual negação da ideologia pelos partidos de direita relaciona-se com um preconceito porque era um conceito considerado marxista no século XIX.  Este preconceito é devido à ignorância cultural dos jovens políticos de direita e está fora do racional porque tudo o que falamos, pensamos e fazemos está marcado por um conjunto de ideias produzidas ou não por cada um de nós. Ainda que sejamos meros reprodutores de reflexões alheias, ainda aí, no âmbito do senso comum, está presente um conjunto de pensamentos que tomamos por verdades especialmente em política.


A negação da ideologia pelos partidos de direita não é mais do que uma pressuposta imposição hegemónica dum outro tipo de ideologia, não manifesta e insidiosa, porque não oculta, como única forma de pensamento possível e de valores tomados como absolutos que parte de um imutável senso-comum. É uma não-ideologia mistificada pela lógica da estabilidade política associada a uma democracia sem densidade onde dominaria o poder financeiro. Sabemos bem onde esta falta de ideologia nos poderá levar.


Assim, a direita ao mesmo tempo que pretende desvalorizar o conceito e se identifica politicamente com a área liberal está, por inclusão, a defender uma ideologia, a sua. A ideologia está em toda a parte, não vale a pena escondê-la porque mais tarde ou mais cedos ela revela-se.


Antes do congresso do congresso do PSD em novembro de 2017 discutiam-se opções ideológicas do partido e Santana Lopes falou em “liberalismo” e procurou fugir aos rótulos ideológicos. Pediu um partido que respeitasse a sua “identidade” e o seu “programa”, mas, sobretudo, “próximo das pessoas”, (confira-se com a posição de Assunção Cristas na sua moção ao congresso do CDS), houve até quem afirmasse que “O PSD é um partido catch-all. Tem vários setores”.


O CDS está a preparar o congresso para março e também, à semelhança do PSD, o CDS pretende esconder a ideologia da sua matriz inicial e substituí-la por outra o exemplo é a moção de estratégia de Assunção Cristas ao próximo congresso que situa o CDS-PP como um partido do centro-direita omitindo a sua matriz democrata-cristã.


Também a questão ideológica é rejeitada por Assunção Cristas apesar de constar na moção da líder recandidata que contrasta com outras moções globais e rejeita a acusação e assume a opção de não carregar a moção com ideologia e a preferência pelo pragmatismo argumentando que essa explicitação doutrinária já consta da sua moção ao congresso de 2016. Mas no partido há quem assuma a posição ideológica e defenda como Lino Ramos, ex-secretário-geral, que defende que “este é seguramente o momento de afirmar o CDS, de regressar às suas origens e de afirmar a democracia-cristã”. Está então aqui a assunção ideológica essencial para as políticas que defende.


A direita PSD e CDS vêm de momento desvantagem assumirem-se como partidos de direita querendo mostrar-se ao eleitorado como sendo de centro-direita.  A moção de estratégia global de Assunção Cristas ao congresso coloca o CDS-PP como uma força de “centro-direita”, mas é omissa quanto à matriz democrata-cristã do partido. Isto é, nega que haja uma questão ideológica e, ao mesmo tempo, pretende redirecionar o partido no sentido do centro-direita. Mas afinal o que é isto senão uma tomada de posição ideológica.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Rui Rio líder do PSD: até quando?

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A liderança do PSD ficou entregue a Rui Rio após as eleições diretas do passado dia 13. Nas televisões comentadores diziam que Rio ganhou por uma maioria folgada. Considero que uma diferença com Santana Lopes de 8,7% nas circunstâncias em que o PSD se encontra não chega para dar volta ao partido. Repare-se que uma sondagem em dezembro dava a Rui Rio 70,5% e apenas 26,8% a Santana Lopes.


Dar a volta não é, como alguns dos apoiantes de Santana Lopes afirmaram durante a campanha, transformar o PSD num partido socialista, mas colocar o partido numa rota da social democracia, do centro ou do centro direita libertando-se do laço do neoliberalismo.


A renovação do PSD vai ser difícil de fazer mesmo com Rui Rio. As pressões internas, vindas de setores que ocupam lugares que Passo Coelho deixou como legado, para que o partido continue na mesma deriva ideológica, mesmo no contexto da atual conjuntura política e partidária, irão tentar sobreviver. Repare-se que alguns dos mais antigos do partido que apoiaram o PSD de Passos que apoiaram Santana Lopes querem manter os cargos e, por isso, irão resistir. Rui Rio foi claro na sua intervenção após a sua eleição ao dizer que “O PSD não foi fundado para ser um clube de amigos ou agremiação de interesses individuais”. Aliás um desses dos mais antigos apoiantes num debate sobre o resultado das eleições refugiou-se, mais uma vez, no passado e em elogios a Passo Coelho que dizia foi uma altura muito difícil que atravessou obrigado pela troika. Memória curta premeditada de Carlos Carreiras, atual Presidente da Câmara de Cascais, omitindo que Passos pretendeu fazer vingar medidas, e conseguiu, que foram muito para além da troika.


Não foi por acaso que Miguel Relvas, apoiante assumido de Santana Lopes, um dos braços direito de Passos Coelho e ex-membro do seu governo, afirmou durante a campanha que “Vamos ter um líder do PSD para dois anos, se ganhar as eleições continua, se não ganhar será posto em causa”. Deveria estar a referir-se a Rui Rio. Relvas já está a antecipar uma derrota do PSD visto que uma vitória vai ser muito difícil em 2019. Sonha, claro está, com a repetição de uma maioria absoluta para o partido.


O CDS-PP, pela voz de Cristas, qual espécie de fera à espera, já se perfila para futuras alianças direitistas, e vai dizendo que “está empenhada em "contribuir" para "uma alternativa séria ao governo das esquerdas unidas”. Quer voltar ás direitas unidas, claro que o poder sabe bem quando se ganha, mas é amargo quando se perde a maioria absoluta.


Disse Assunção Crista que "O CDS não está acantonado, o CDS está a crescer, o CDS está a dar mostras da sua vivacidade, queremos falar mais para todos os portugueses e a nossa estratégia é claríssima, é isso que queremos dizer aos portugueses". Pois é, numa sondagem em janeiro o CDS obtém, 6,2% das intenções de voto, muito abaixo do Bloco de Esquerda e próximo do PCP.


 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O que eles desejariam para 2018

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Habitualmente a comunicação social avança com prognósticos de como os políticos vêm o novo ano. Como seria de esperar, quer a esquerda e a maioria que apoia o Governo, quer a direita têm visões diferentes para os seus prognósticos. Quanto aos primeiros não vale a pena falar porque são sempre positivos e os partidos mais à esquerda querem “prendas” para 2018 ainda maiores.


Dedico-me, portanto, aos pessimismos da direita que já vêm desde a célebre frase do “vem aí o diabo” quando o atual Governo tomou posse.


O jornal Público colocou algumas perguntas aos candidatos a líder do PSD e à centrista Assunção Cristas sobre como viam o ano que entrou em termos de oposição. Santana Lopes recusou responder, assim, apresento apenas as respostas mais representativas da direita PSD e CDS sobre como pensam vir a fazer oposição em 2018.


 


Santana Lopes ao formalizar ontem a sua candidatura à liderança do PSD, demonstrou falta de originalidade e colou-se à mensagem de Ano Novo do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa quando disse que “é preciso reinventar o futuro”. Santana, para além de se colar oportunisticamente ao discurso do Presidente, inscreve o termo no texto da sua moção.


Se podemos perceber, ou até imaginar, a mensagem que o Presidente Marcelo pretendeu o mesmo não se pode dizer com o que Santana pretendeu com o “reinventar o país” já que o conceito é aplicado de forma tão pouco clara, vaga e descontextualizada quanto a sua moção o é. Sabemos que “pretende honrar o passado e perspetivar o futuro”. Não sabemos a que passado se refere Santana Lopes, se ao passado longínquo do PSD ou ao passado mais recente. Frases vagas plenas de ambiguidades.


 


Rui Rio, candidato à liderança do PSD prevê para 2018 um maior desgaste do Governo, uma pressão maior dentro da coligação parlamentar com confrontos ao nível da Assembleia da República assim como ao nível do movimento sindical. E, como seria de esperar, para Rio haverá seguramente um PSD mais atuante depois “deste demasiado longo período de tempo dedicado à substituição da liderança”.


Quanto às prioridades para 2018 “ganhar as eleições internas no PSD. Se tal acontecer,


a construção de uma alternativa de governo à solução parlamentar atual”. Que base serão propostas nessa alternativa de governo é que ficamos sem saber. Será mais do mesmo do passado recente?


Para Assunção Cristas, presidente do CDS-PP, entusiasmadíssima com os 21% alcançados em Lisboa, diz que tem os pés bem assentes na terra e estar “otimista para a construção alternativa para os portugueses”, mas também ficamos sem saber qual é. Ao nível interno diz que 2017 foi um ano trágico e fala, mais uma vez, dos incêndios tragédia de que ela tão bem soube tirar partido. Diz ainda que o país (o deles, lá do CDS, digo eu), “deve estar particularmente atento ao que o Governo vai ou não fazer em matéria de prevenção e combate aos incêndios, nomeadamente se cumpre as promessas que fez”. Veremos quando o ordenamento do território e da floresta forem levados para a frente pelo Governo, se o forem, se o CDS estará na disposição de contribuir paral tal ou se atuará de forma reacionária e conservadora contra as medidas que forem tomadas.


E, para Assunção Cristas o país, (a vigilante do país deles, os do CDS, digo eu, mais uma vez) “deve estar particularmente vigilante em relação às tentações de uma governação eleitoralista, a par de um escrutínio grande da qualidade dos serviços públicos, cuja degradação é notória. Esqueceu-se, esta vigilante em nome do país, de dizer que a degradação dos serviços públicos foi devido ao contributo que o seu partido deu quando esteve no governo de coligação de direita PSD/CDS que originou tal degradação e que, depois da terra queimada, é difícil a reconstrução instantânea.


Vigilante relativamente às tentações eleitoralistas? Dr.ª Assunção lembramo-nos bem do seu eleitoralismo quando das eleições autárquicas em Lisboa.


Para Cristas as prioridades para 2018 à semelhança de Rio “é afirmar-se como uma alternativa sólida e credível ao Governo das esquerdas unidas, através de uma oposição firme e construtiva”. Mas vai mais longe, quer que o CDS seja a primeira escolha dos portugueses.  Com que projeto de governação é que também não sabemos. Ah! Já sei, o projeto é “Ouvir Portugal” como ela diz. Desejos há muito, é como os chapéus também há muitos.


Para terminar e numa antevisão do jornal Público O julgamento de José Sócrates poderá


começar ainda em meados de outubro de 2018 ou, na pior das hipóteses, em 2019, como anteciparam em outubro próximo passado vários juristas ligados ao processo Operação Marquês.  No final do pré-julgamento o juiz Carlos Alexandre decidirá se leva os arguidos todos a julgamento ou se arquiva o caso, se entender não haver indícios suficientes que possam conduzir à sua condenação pelos crimes que constam da acusação do Ministério Público.


Se assim for esta antecipação mostra que, mais uma vez, está-se a conjugar tudo para a proximidade das próximas eleições legislativas. Ou será mais uma vez uma invetiva da minha parte quando tenho escrito que, no que respeita ao caso Sócrates, há um calendário judicial alinhado com o calendário político?

domingo, 22 de outubro de 2017

Oportunismo político ou indignação?

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O populismo tem vindo a crescer nos países da UE sendo mais marcante dos partidos da extrema direita. Em Portugal o fenómeno começa a estrear-se pela voz da direita conservadora representada pelo CDS com apoio clericalista. A exploração política e oportunista através da tragédia dos incêndios e das suas vítimas foi demonstrada já mais do que uma vez culminando com a notícia com grande pompa da moção de censura ao Governo que aquele partido vai apresentar no parlamento.


Não deixou respirar a nação, havia que não deixar refrear as emoções, aproveitar o momento, para fazer uma ofensiva política, era crucial sem o que não teria mais oportunidades. Esta seria a sua prova de vida após ter subido uns pontitos nas eleições autárquicas à custa do revés que o PSD causou a si próprio. E assim será até que a situação interna do PSD se clarifique e apresente um novo programa ao país se assim for.


O CDS encontrará no populismo a arma com que irá espadeirar em todas a direções. É assim que os conservadores democratas-cristãos, que de social e cristão nada têm, sabem agir. Têm atrás de si a força clerical que os poderá ajudar a levar a água ao seu moinho.


A Assunção Cristas coube-lhe a sorte de poder estar a capitalizar a perda do eleitorado que temporariamente saiu do PSD assim coimo a tragédia dos incêndios, fazendo de Paulo Portas um menino de coro. Fala alto e põe-se em bicos dos pés e diz: - Olhem! EU estou aqui!


O PSD está, por razões justificáveis em fase de hibernação até à escolha de novo líder e, talvez por isso, vai andado a reboque do partido de Cristas. Pelo menos é que se depreende da posição tomada sobre a moção de censura ao Governo. Não se conhece ainda o teor da moção de censura do CDS, mas prevê-se que será mostrar uma atitude de manifesta indignação pelo sucedido e pelas mortes provocadas pelos incêndios. Apesar disso nega ser oportunismo político. Se não fosse uma situação tão trágica daria lugar a sorriso.


Falso argumento, uma moção de censura pressupõe a queda de um governo pois que as indignações não se manifestam por atos deste tipo que tão pouco resolvem os problemas das mortes de pessoas. Se a moção de censura não fosse só um ato de oportunismo político então deveriam dizer claramente aquilo que o governo não fez e não apenas que é um mero ato de indignação. Por outro lado, deveria apresentar alternativas, coisa que não fez.  Quando uma moção de censura é apresentada deve dizer ao que vem não sendo assim temos o oportunismo.


Houve um debate sobre o tema na Assembleia da República destinado ao tema dos trágicos acontecimentos e para se escutar o que se poderia fazer. Qual foi a atitude do CDS e de Assunção Cristas? Nada a apresentar. Curiosamente veio ontem dizer que tem propostas, as que se ouviram são as mesmas que já foram propostas pelo Governo. Talvez falta de inspiração!


O PSD desorientado apressou-se a dizer que apoia o CDS. Acho que fez muito bem em mostrar-se colado ao partido que lhe retirou uma parte significativa do eleitorado, pelo mesmo em Lisboa. A estratégia do CDS parece ser a de isolar ou arrastar o PSD aproveitando a fase ambígua que está a atravessa.


Talvez o PSD já se tenha apercebido porque hoje em conferência de imprensa o vice-presidente do partido afirmou: “O grupo parlamentar do PSD e o PSD gostariam de saudar o Governo pelas medidas que foram ontem [sábado] anunciadas de combate a estes flagelos que nos têm assaltado, que são os incêndios. O Governo tomou estas medidas e pode contar da parte do PSD com toda a colaboração necessária para que as mesmas sejam levadas a cabo”, afirmou Abreu Amorim segundo o jornal Público.


O que acho estranho é esta reviravolta do Amorim que sempre foi um dos radicais que mais se opôs ao Governo e à “geringonça” e defendia sem hesitação Passos Coelho. Será que ele do grupo que entra no ditado que diz Só os burros é que não mudam, frase atribuída a Mário Soares para justificar o facto de ter "metido o socialismo na gaveta" e de lá nunca mais o ter tirado.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Memória precisa-se

Se quer ficar esclarecido sobre a atuação de Assunção Cristas quando esteve no governo leia este artigo. Se não acredita então vá pesquisar nos Diários da República ou no centro de documentação do Ministério do qual ela foi tutelar. E, talvez por isso, Assunção Cristas, segundo o autor merece uma única sentença — culpada.


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Artigo de opinião de Ascenso Simões


Jornal Público 20 de outubro de 2017, 6:53


Eu acuso


A moção de censura apresentada por Assunção Cristas é um ato político miserável.


Desde 2009, altura em que saí do governo, que recuso pronunciar-me publicamente sobre matérias relativas aos departamentos que tutelei. Trata-se de uma obrigação de urbanidade e de decência política. Esta regra só não foi cumprida por duas vezes e por razões que estiveram ligadas à obrigação de conceder o meu contributo para o debate institucional.


A moção de censura apresentada pela prof. Assunção Cristas leva-me, porém, a interromper, por momentos, esse meu comportamento. Porque se trata de uma total falta de vergonha, porque estamos perante um ato político miserável. 


Numa altura em que o fogo ainda se encontra em rescaldo e a tristeza profunda ainda se vê nos olhos dos portugueses, a líder do CDS merece uma severa condenação, uma atitude firme perante o oportunismo politico. São estes os quesitos da minha acusação:



  1. A prof. Assunção Cristas encontrou, em 2011, uma Autoridade Florestal Nacional, há muito reivindicada pelos agentes do setor, com uma estratégia assente nas fileiras florestais, na gestão florestal e na defesa da floresta. Acabou com ela, reduziu as suas estruturas e eliminou a defesa da floresta das preocupações governamentais;

  2. O governo do PSD/CDS encontrou, em 2011, um Código Florestal aprovado pela Assembleia da República carecendo, unicamente, de regulamentação. Se não concordava com esse instrumento legislativo podia ter promovido a sua revisão, mas não, acabou com ele e as florestas voltaram à legislação de 1903, sim, 1903;

  3. A prof. Assunção Cristas encontrou, em 2011, 608 Planos de Utilização dos Baldios, 241 mil hectares. O que fez? Nem mais um plano, nem mais uma aprovação ou qualquer hectare, e em troca iniciou a privatização dos baldios;

  4. O governo do PSD/CDS encontrou, em 2011, um processo de combate às pragas e doenças, em especial na fileira do pinho. O que fez? Nada. Em 2015 esta fileira era a que mais preocupação apresentava no que se refere aos incêndios florestais e à rendabilidade da floresta;

  5. A prof. Assunção Cristas encontrou, em 2011, um sentido para o Fundo Florestal Permanente que deixava de ser um saco azul do ministério para assumir opções em cinco áreas prioritárias — sensibilização, prevenção, planeamento e gestão, sustentabilidade e investigação. O que aconteceu? Ninguém passou a saber para onde ia a verba e a quem era entregue;

  6. O governo do PSD/CDS encontrou, em 2011, uma estrutura jurídica de acompanhamento da gestão florestal que impedia a selvajaria das novas plantações e obrigava à responsabilidade pessoal dos projetistas. O que aconteceu? Revogou esse regime.

  7. A prof. Assunção Cristas encontrou, em 2011, uma obrigação de anúncio público e controle da licitação de material lenhoso. O que aconteceu? O ICNF deixou de cumprir as boas regras de gestão;

  8. O governo do PSD/CDS encontrou, em 2011, o primeiro interprofissional do universo das florestas — o da cortiça. O que aconteceu? Abandonou-o à sua sorte;

  9. A prof. Assunção Cristas encontrou, em 2011, um regime de apoio às organizações de produtores florestais e às organizações da caça. O que aconteceu? O apoio público deixou de ser conhecido e passou a ser à peça;

  10. O governo do PSD/CDS encontrou o Plano Estratégico de Reestruturação e Modernização das Industrias de Primeira Transformação de Madeira. Tal plano tinha como objetivo preparar um programa, para os fundos europeus a partir de 2014, que recuperasse a fileira do pinho. O que aconteceu? Ninguém ouviu mais falar do programa nem este se revelou nos fundos europeus pós-2014;

  11. A prof. Assunção Cristas encontrou, em 2011, o território coberto com Planos Municipais e Planos Distritais de Defesa da Floresta com gabinetes técnicos organizados e planos operacionais. O que aconteceu? Nunca mais houve a coordenação nacional do planeamento e da execução;

  12. O governo do PSD/CDS encontrou, em 2011, um programa que criava a “Rede de Salvaguarda do Território Florestal”. Só em 2008 e 2009 foram abrangidos 38 concelhos de seis distritos numa área total de 800 mil hectares. Em 2013 onde estava o programa? Tinha desaparecido;

  13. A prof. Assunção Cristas encontrou, em 2011, mais de 278 mil hectares de área integrada em 36 Zonas de Intervenção Florestal. O que aconteceu? No final de 2015 a área verdadeiramente integrada em ZIF’s era menor;

  14. O governo do PSD/CDS encontrou, em 2011, um Dispositivo Integrado de Prevenção Estrutural (DIPE) que integrava uma Unidade de Coordenação e Planeamento, um Grupo de Analistas e Utilizadores de Fogo, um Grupo de Gestores de Fogo Técnico, o Corpo Nacional de Agentes Florestais e a Estrutura Nacional de Sapadores Florestais. O que fez? Acabou com este dispositivo;

  15. A prof. Assunção Cristas encontrou, em 2011, uma estrutura de 2085 pessoas com responsabilidade na defesa da floresta contra agentes bióticos e abióticos. O que aconteceu? Reduziu a metade e desmobilizou os técnicos com melhor formação;

  16. O governo do PSD/CDS encontrou, em 2011, 263 equipas de sapadores florestais. A meta determinada anteriormente eram 260 e em 2005 só existiam 166 equipas. O que aconteceu? A renovação do equipamento foi insignificante;

  17. A prof. Assunção Cristas encontrou, em 2011, 11 mil km de caminhos florestais beneficiados. O que deixou? Menos de 10%;

  18. O governo do PSD/CDS encontrou, em 2011, 630 pontos de água beneficiados. O que deixou em 2015? Menos de metade em bom estado e os restantes a carecerem de intervenção urgente;

  19. A prof. Assunção Cristas entrou no governo, em 2011, com uma área ardida de 73.298 hectares. Em 2013 atingiu os 152.690. Nada fez, ficou à espera dos anos seguintes e até rezava pela ajuda divina;

  20. O governo do PSD/CDS acabou com os Governos Civis, elementos fundamentais da estruturação de proteção civil e segurança. Deixou o país sem coordenação supramunicipal. E é o que se tem visto...


Identificada a acusação pública que recai sobre um governo e uma ministra, o país assiste a um dos momentos mais negros da nossa vida democrática que é esta moção de censura. É perante ela que se faz esta acusação pública. Assunção Cristas merece uma única sentença — culpada.


O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A direita não tem mãos a medir, tanta coisa boa lhe acontece

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Vejam esta beleza de argumento de David Dinis no editorial de hoje 17 out como justificação dos incêndios iniciados quase em simultâneos em todo o país no último fim de semana:


Com o anúncio de que viriam uns dias de chuva, muitos portugueses resolveram fazer as queimadas do costume, sem pensar duas vezes nas consequências que poderiam trazer.


…………………………………………


Começando pelas queimadas: houve um tempo em Portugal em que os municípios, com a ajuda da GNR, faziam patrulhas para as controlar. Aconteceu desta vez?


A última novidade para a causa dos incêndios foram as queimadas prevendo a aproximação das chuvas e a falta de vigilância da GNR. Estranho que após algum abrandamento dos incêndios bruscamente num fim de semana antes que as chuvas se iniciassem em todo país e quase em simultâneo cerca de 500 fogos, alguns deles poderão ter sido ateados por outros devido a faúlhas. E o seu início?


Claro que a direita e a comunicação social sua apoiante convergem para afastar qualquer espécie de eventual conspiração que seja causa de incêndios, esquecendo-as, preferindo antes colocar a tónica nas consequências como forma de combater e de fazer oposição ao governo visto nada mais terem. Tudo o que acontece serve para explorar emocionalmente as populações e coloca-las do seu lado e contra o governo. A direita e os seus agentes da comunicação procuram à custa seja do que for para abrir brechas na coesão governativa e de apoio parlamentar. O que afirmo está à vista pela prevista moção de censura pelo CDS pela iniciativa dessas “fogosa” e oportunista da política partidária que é Assunção Cristas.


É isso que pretendem. Importam-se lá da desgraça das populações causada pelos incêndios e pela perda dos seus bens e de familiares. Se lhes dão cobertura e exploram emocionalmente as circunstâncias é apenas com o intuito bem disfarçado de minar o que não lhes interessa que funcione. Faço juízos de intenção? Talvez, mas é a minha interpretação do que ouço e leio. E o que se tem dito e escrito desde a formação deste governo com o apoio de outra esquerda conduz-me à animosidade que a direita tem e, por isso a tudo se lança mão. Assim, mesmo que por hipótese tudo funcionasse sem quaisquer falhas iriam descobrir o que quer que fosse para o colocar em causa numa espécie de tudo o que vier à rede é peixe.


É bom recordar de tanta tinta gasta quando houve o incêndio que dizimou a Serra do Caramulo com vítimas humanas que sucedeu no tempo do governo de Passos Coelho. Ninguém pediu a demissão de ninguém, nem a responsável das florestas na altura, Assunção Cristas, foi beliscada pela comunicação social por não ter contribuído nem antes nem após para o ordenamento das florestas e evitar ou minimizar futuras catástrofes, estávamos em agosto de 2013. O maior incêndio de 2013, naquele verão destruiu 2800 hectares de floresta em quatro concelhos da região centro.


Passado um ano, em 2014, a comunicação social falava sobre «o grande incêndio que devastou a Serra do Caramulo e matou quatro bombeiros, deixando 13 feridos. Os autarcas queixam-se que há muito ainda por fazer. Vouzela foi um dos mais afetados e, um ano depois, o presidente da câmara queixava-se que a reflorestação que tem ocorrido está a ser feita à base de eucaliptos. Rui Ladeira diz que já fez o alerta ao secretário de Estado das Florestas e defende que o regime jurídico da rearborização tem que ser mudado».


«Há eucaliptos por tudo quanto é sítio, o que transparece ou resulta naquilo que que nós temíamos: nas áreas ardidas e não ardidas, esta nova legislação facilitou a colocação de espécies de crescimento rápido e muito inflamáveis, o que vai resultar num aumento do risco de incêndio daqui a meia dúzia de anos.».


 


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Uma imagem de 2013 


O autarca de Oliveira de Frades, Luís Vasconcelos, dizia na altura ainda esperar por 20 mil euros.


Jaime Marta Soares considerava que 2014 tem o melhor sistema de sempre de combate a incêndios tinha.


O verão acabou e passou tudo ao lado do Governo de Passos. Quando havia incêndios e as populações se queixavam que não havia ninguém que as ajudasse alguém responsabilizou os ministros da administração interna ou as chefias da proteção civil? NÃO.  Alguém tentou no mínimo avançar com reformas necessárias para o ordenamento florestal para evitar catástrofes futuras? NÃO.


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 Porquê agora se faz tanto alarido para demissões e até se apresentam moções de censura. Porque o caso é muito grave. Pois é, todos os casos de perdas de vida e de florestas são graves, mas são vistos por óculos de diferentes graduações.


Está na cara, não é?   

terça-feira, 14 de março de 2017

Pontos de vista

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  1. Em países da Europa os centros históricos das capitais são os locais onde se concentra a maior para do turismo. Não é preciso ir mais longe, basta conhecer as cidades da vizinha Espanha sobretudo as “plazas mayores” que ficam entupidos de turistas em algumas épocas do ano. Em Portugal, nomeadamente em Lisboa, quando o turismo diminui divaga-se sobre as causas responsabilizando a autarquia. Quando, pelo contrário o turismo cresce divaga-se sobre as dificuldades que o turismo causa à cidade culpabilizando a mesma autarquia. Falava-se da desertificação da baixa. Há certos especialistas que surgem da sombra lamentando que a ”Baixa tenha passado de desertificada a estranha aos lisboetas”. Afinal em que ficamos? Algumas almas lamentam certos espaços terem fechado na Baixa Pombalina. De certo que sim, mas esses lamentam o acontece designando-o como o "último exemplo da barbárie" que, segundo certo sociólogo, “foi o encerramento do restaurante Pessoa”. "… um restaurante típico de Lisboa, aberto desde 1800 que foi remodelado no ano de 1950. Tinha azulejos típicos da época, tinha clientes e, de repente, no verão fechou e não voltou a abrir", descreve o dito. Continua escrevendo que “em frente às portas fechadas e ao prédio em obras na esquina da Rua dos Douradores”. Mas então a decisão de fechar ou não um negócio não depende da iniciativa privada? Os clientes que diz que tinha seriam os suficientes para manter o negócio? Deveria ter sido proibido de encerrar? Ou achará ele, sociólogo, que deveria ser nacionalizado? A câmara de Lisboa subsidiar este tipo de negócios.? O que é de facto uma pena é perderem-se o património dos tais azulejos antigos.   Que solução propõe? Eleições autárquicas da direita a quanto obrigas! Ainda me recordo de quando Nuno Abecassis do CDS, presidente da Camara de Lisboa em coligação com o PSD entre 1979 e 1985 permitiu a demolição da fachada do histórico edifício do teatro e cinema Monumental.

  2. Quando não há nada que valha a pena para criticar o Governo o seu apoio parlamentar inventam-se focos de tensão entre os partidos da esquerda que o apoiam nas circunstancias justificáveis. Esta é a última: “Há um foco de tensão crescente entre o governo e os partidos à esquerda que o apoiam no Parlamento. BE, PCP e verdes querem aprofundar o debate sobre a reestruturação da dívida... O governo não tem sinalizado vontade em escavar o assunto… O PCP marcou para 23 de março um debate ‘urgente’ sobre o tema”. Estes são os factos, a questão é a de saber onde é que está a grande divergência que é, há muito, é conhecida. Todos sabemos que o BE e o PCP têm posições diferentes do governo naquela matéria. Conclusão: quando nada há de novo sobre o tema fala-se de velhos casos como se fossem a grande notícia. Assim funciona a direita!

  3. Saiu um livro que ensina a detetar mentirosos. O autor diz que aprendeu a detetar mentirosos com a CIA e o FBI. Ponham-se a pau políticos e comentaristas da política porque podem agora ser apanhados a mentir quando aparecerem nos ecrãs da televisão. Basta que toque na cara, esfregue as mãos devagar, afasta e cruza os braços nos primeiros quatro minutos de uma conversa, para que muito provavelmente esteja a mentir. A base científica poderá ser válida, mas cuidado com as falsas interpretações dos princípios científicos. Ah! Há mais, para o autor “Existe uma grande probabilidade de ser assim, mas existe uma probabilidade mínima de não ser". A ideia não é julgar as pessoas pelos sinais, mas "criar um caminho de investigação". Boa!

  4. Assunção Cristas parece ter procuração para a lavagem dos meandros de Paulo Núncio. E, sobre a resolução do BES, pasme-se, disse ao jornal Público, sobre a resolução tomada no caso que “nós não discutimos os cenários possíveis no Conselho de Ministros. Aliás, a resolução do BES foi tomada pelo BdP e depois teve de ter um diploma aprovado pelo Conselho de Ministros.”, e continua, “Esse decreto-lei foi aprovado com uma possibilidade regimental que era à distância, eletrónica. Eu estava no início de férias e recebi um telefonema da ministra das Finanças a dizer: “Assunção, por favor vai ao teu email e dá o OK, porque isto é muito urgente, o BdP tomou esta decisão e temos de aprovar um decreto-lei.” Como pode imaginar, de férias e à distância e sem conhecer os dossiers, a única coisa que podemos fazer é confiar e dizer: “Sim senhora, somos solidários, isso é para fazer, damos o OK.” Mas não houve discussão nem pensámos em alternativas possíveis — isto é o melhor ou não —, houve confiança no BdP, que tomou uma determinada decisão.”.

  5. Paulo Baldaia o elo de ligação da direita com o Diário de Notícias, disse que um ano depois mudou tudo para ficar tudo na mesma. E, e o mesmo que terá apoiado Marcelo diz que leva ao colo o Governo e que mais tarde cobrará. Tipo cobrador de fraque pergunto eu? Não conseguindo elogiar Passos Coelho pela oposição que faz Baldaia lá vai dizendo que “deve ser tido em conta a sua larga experiência política que lhe tem permitido manter mais ou menos unido…”. Vimos nos quatro anos que esteve no governo! Via lançando achas entre o BE e o PCP elogiando Catarina como “forte líder sozinha… atuando de fora tem uma grande influência no governo.” Força Baldaia!

  6. Para Baldaia “amortizar a dívida continuou a ser uma miragem”, disse a 13 de março. Ou se enganou ou foi intencional porque Portugal pagou 1.700 milhões de euros ao FMI que permitiram baixar a dívida em mais um ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB)na segunda semana de fevereiro de 2017.

  7. Baldaia acusa o país, ou serão os portugueses de não “cuidarmos de perceber que geringonça não é apenas a coligação parlamentar, é todo o país e a economia que o sustenta”. “Se eu fosse de esquerda estaria decidido a entregar o poder à direita para ela endireitar o país” diz este diretor do Diário de Notícias, acrescentando ainda que “continuamos sem fazer as reformas estruturais do país”. Mas o que são afinal para esta gente reformas estruturais. A direita que ele defende também não diz o que são nem tão pouco as aponta e propõe objetivamente as potenciais reformas que faria se voltasse ao poder. Talvez nem seja necessário porque todos já as conhecemos. É a raiva da direita traduzida sob a forma de jornalismo.


 

sexta-feira, 3 de março de 2017

Lavadores

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Lavador é uma palavra pouco utilizada em política. As investigações judiciárias utilizam uma palavra cuja raiz é a mesma mas aplicada quando se trata de lavagem de dinheiro.


Aqui prefiro utilizar o termo lavador quando se trata do comentário e da atualidade política. O significado de lavador é dado como aquele ou aquilo que lava. É, portando, o adequado para me fazer compreender.


Sempre que algo corre mal para a direita, (também pode ser para a esquerda), surgem os lavadores da imagem política. A direita tem andado verde de raiva, agora parece ter passado a vermelho de vergonha.


A direita sempre que pode gosta de fazer de dama virgem e ofendida. Refiro-me à intervenção



do PSD que se ofendeu com uma intervenção de António Costa sobre o caso dos 10 mil milhões de euros que passaram para offshores e negligenciados pelo filtro das finanças. Costa terá levantado suspeições sobre o anterior governo de Passos Coelho.  A suspeição foi lançada logo que o facto que gerou a notícia foi conhecido. E o facto noticiado aconteceu num tempo bem definido e quando os atores envolvidos se encontravam no exercício do poder. Passos reagiu considerando uma ofensa este ataque. Fez de virgem ofendida, que não é.


No seu comentário semanal na TVI24 também Manuela Ferreira Leite numa espécie de pré-lavagem achou mal a atitude de Costa. Como se o contrário não fosse usual e uma constante nos debates na Assembleia da República.


Surgem então os lavadores da direita para lavar o que, antes de o ser, poderá vir a ser sujidade. Face ao facto e a evidência concreta a negação seria uma atitude pouco sensata. Mesmo assim não se inibem de incluir na sua narrativa imensos “mas”, ou, então, mascaram o facto com outros elementos sem relevância com a finalidade de iludir a opinião pública. Funciona como uma espécie de detergente utilizado na lavagem. Nesta categoria coloco o jornalista António Costa do jornalEco na intervenção que fez na TVI24 num debate com Constança Cunha e Sá. Aquele titubeante jornalista viu-se quase obrigado com algum esforço a concordar com a evidência do facto. Todavia tentou minimizá-lo e reduzi-lo ao acessório em lugar do essencial centrando-se no problema de publicação e de ser uma estatística salientando este ponto como se fosse o tema central que não é.  São assim os liberais apoiantes da direita. É um dos lavadores da imagem da direita.


Mas, o mais espantoso, foi a líder do CDS Assunção Cristas ter necessidade de vir a público dizer na Rádio Renascença (tinha mesmo que ser) sobre Paulo Núncio, que está no centro do facto, que “Portugal deve muito a Paulo Núncio e que o antigo secretário de Estado demonstrou "elevação de carácter" ao assumir responsabilidades políticas no caso dos paraísos fiscais. Assumir todas as responsabilidades política para lavar a imagem dos ministros das finanças a que ele reportava na altura. Cristas é uma lavadeira e ele outro lavador.


Paulo Núncio não teve tanta “elevação de caráter” quando esteve envolvido no polémico caso das listas VIP dos contribuintes especiais e mediáticos, da área política, financeira e económica e até artística, a cujo cadastro terá sido aplicado um filtro que permitia detetar quem lhe acedesse. Estaria a fazer papel de lavador a quem lhe teria dado instruções.


Os lavadores da direita proliferam por aí e escrevem artigos de opinião em jornais. Quando não podem negar as evidências criticam-nas usando disfarces e arranjando argumentos para a desculpabilização. Flagelam-se e batem no peito em atos contrição hipócritas pelos que defendem. Neste rol está José Miguel Tavares que pega em “certos privilégios inaceitáveis de alguns trabalhadores do sector público” e, para fazer comparações, vai buscar subsídios aos motoristas para lavagem de carros do setor público com os offshores.


Como esta comparação era escandalosa que, para mim não passa de uma autolavagem tem o cuidado de dizer no seu artigo que “Agora peço-lhe só para esperar um momento, caro leitor, antes de gritar aos céus: “Como é possível que este tipo compare a gravidade de uma coisa com a outra?” Não comparo. A gravidade é diferente.” É diferente, mas serve-se dela para o seu objetivo. Antes baralha o leitor com questões de morfológicas textuais acerca de conjunções copulativas e disjuntivas.


Ataca uns para defender outros? Não. Ataca ambos porque não tem alternativa ou, então, seria considerado um liberal que defendia os “offshores”. Assim, havia que procurar para o seu argumentário algo para o leitor não se centrar no facto essencial que critica, provavelmente contra sua vontade e que nada tem a ver como o caso. Num ato de inconformismo com o acontecido procura bodes expiatórios incomparáveis.


Este lavador liberal termina dizendo: “não gosto de offshores e não gosto de subsídios para motoristas lavarem os seus carros.”.


Fantástico! Vê-se que tem uma boa formação em lavador e fingimento.


 


Termino com Luís de Camões:


Oh! bem-aventurados fingimentos,


que, nesta ausência, tão doces enganos


sabeis fazer aos tristes pensamentos!


(Luís de Camões. Sonetos)


 


Porém disto, que o Mouro aqui notou,


E de tudo o que viu com olho atento


Um ódio certo na alma lhe ficou,


Uma vontade má de pensamento.


Nas mostras e no gesto o não mostrou;


Mas com risonho e ledo fingimento


Tratá-los brandamente determina,


Até que mostrar possa o que imagina.


(Luís de Camões. Os Lusíadas, Canto I)



 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Da partidarite à politiquice

Birras.pngO PSD apresenta-se atualmente com uma espécie de psicose que se caracteriza por perturbações de raciocínio e de comportamentos contraditórios de que julga ter consciência, mas que está deturpada.


Embora tenha ganho a eleições sem maioria absoluta e com a perda da maioria parlamentar ainda não conseguiu sublimar a frustração através de objetivos que representem um valor social positivo.  


Está no ar a medida da redução da TSU das empresas como compensação do aumento do salário mínimo. Não está em causa se a medida é boa ou má, mas, neste ponto o BE e o PCP têm agora um forte aliado. Estes dois partidos, são contra tudo o que mexa e seja iniciativa ou empresa privada. Está nos seus genes. Já quanto ao PSD o caso é diferente.


Não se compreende, embora muitos daquele partido justifiquem que são a favor da medida, mas…, ao mesmo tempo, também são contra. São contra o quê? Contra o aumento do salário mínimo que pode ser considerado, por alguns, neste momento excessivo? Se assim for compreende-se. São contra a redução da TSU às empresas? Caso assim seja o PSD apresenta uma síndrome amnésica grave. Varreu-se-lhe da memória a tentativa de por em prática o baixar da TSU para as empresas em troca do seu aumento para o setor trabalho quando, em 2012, o partido esteve no governo juntamente com o CDS. Diz agora que era transitório. Mas quem pensam eles que ainda estão a enganar?


O PSD está em falência com a atual liderança, (acho que a culpa não será apenas do líder, mas da sua entourage que lhe quer tirar o tapete), e foi-lhe oferecida de bandeja uma deixa que aproveitou, não a pensar no país mas apenas para fazer chicana meramente partidária.


É uma birra de menino a quem não lhe fazem as vontades. Vingançazinha soez, como quem diz: Mamã, aqueles meninos não me deixam brincar, por isso vou-lhes tirar a bola que é minha! Ou, ainda: Ai é? Então agora é que vocês vão ver! Nós votamos contra e vamos ver se funciona a maioria parlamentar que apoia o Governo!


Não servimos de muleta a ninguém dizem, sem propor alternativa. Meninos birrentos que apenas propõem aos portugueses a alternativa do nada. Apenas porque não a têm. E, como não a têm, fazem joguinhos partidários numa espécie de guerra de guerrilha.


Há uma coisa que ninguém lhes tira: é a fama da aliança à extrema esquerda, como eles lhe chamam, apenas e só, para colocar em causa o apoio parlamentar ao Governo.


Não deve ser difícil ao Governo ultrapassar este caso. Não seria o caso, mas estou, no entanto, convicto de que a tal esquerda radical não irá possibilitar, mesmo que tenha que engolir sapos vivos, a queda do Governo para o dar novamente à direita.


O PSD se não retorna à social-democracia bem pode estar a cavar aos poucos e a prazo a sua própria sepultura suicidando-se como partido que devia ser popular. E Assunção Cristas também não lhe está a facilitar a vida, graças ao seu mentor Paulo Porta. Ainda bem!


 

sábado, 3 de dezembro de 2016

Noveleiros da direita

Passos_Noveleiro.pngO PSD com Passos Coelho tem as mãos vazias para fazer oposição. Agora que a novela da CGD está a chegar ao fim procura novos adornos para produzir uma outra versão atualizada para obter protagonismo mediático que lhe possibilite manter-se à tona. Com o pin ao peito a fazer de conta de patriota faz os possíveis para destruir aquilo que, em relação ao sistema bancário, os portugueses mais presam, o banco público. Atrás dele virão novamente neoliberais comentadores e adoradores de Passos titubeando “faits divers” sobre o tema.  


Santana Lopes como candidato à Câmara de Lisboa saiu-lhe pela culatra. Pois claro! Santana pode ter todos os defeitos, mas não é estúpido. O trabalho que está a fazer na Santa Casa está a ser meritório, dá-lhe sossego sem lhe prejudicar futuras andanças na política. Caso fosse candidato pelo PPD/PSD para salvar a imagem de Passos Coelho e perdesse, mesmo por escaços votos a sua imagem poderia voltar a ficara de rastos.


Resta agora a Passos procurar novo candidato ou coligar-se a Assunção Cristas que, estando um pouco chamuscada pelo passado, não parece que queira queimar-se associando-se a a um partido de quem se quer distanciar ainda sem o conseguir apesar do esforço.


Passos Coelho é o seguro de vida duma clique agarrada ao PSD com jovenzinhos de trinta e poucos anos “de alto mérito” como, por exemplo, António Leitão e Duarte Marques, com fracos currículos e que estão na política porque não encontram outros lugares tão bem remunerados em empresas locais. Repare-se que não é minha pretensão fazer cair em descrédito a política nem tenho nada contra os políticos, mas já tenho contra os oportunistas que a utilizam para futuros saltos. Quanto aos antigos, esses calam-se porque ainda não sabem como farão para conseguirem uma saída limpa do imbróglio em que se meteram na ânsia do poder quando apoiarem o atual líder e os seus princípios neoliberais. Mas, como diz o povo, enquanto o pau vai e vem folgam as costas. O discurso da direita está a mudar na UE para se afastar do utilizado pela extrema direita que, em alguns pontos, se apoderou do discurso populista próximo da esquerda e do centro.


O PSD de Passos queria estar no poder? Queria. Tinha em mente manter as políticas que seguiu? Tinha. Tem alguma coisa de novo para se mostrar alternativa? Não. A única coisa que tem nas mãos vazias á a CGD? É. Isso está em consonância com os interesses do país, isto é, com o interesse das empresas e das famílias? Não. Então o que pretende a direita PSD de Passos? Não sabemos.


Os portugueses já não sabem, mas há muitos que para escolherem um partido ligam mais ao aprumo do fenótipo que traz no seu porte elegante e apessoado do seu líder do que ao seu mérito.


À esquerda do PSD há que haver juízo. Como disse ontem Jerónimo de Sousa na entrevista que deu ao jornal Público. As sondagens são cada vez menos fiáveis, lá fora isso verifica-se. Por isso, o PS não pode embandeirar em arco com a subida nas sondagens. Tudo quanto sobe desce e a maior velocidade. Numa aliança parlamentar como é esta duma “geringonça funcional” é o todo que vale. Se um sai pode ser o enterro desta alternativa com a potencial subida da direita de Passos seguido e duma possível vitória ainda que a correlação de forças não se de apresente como tal. O eleitorado é, e pode vir a mostrar-se volúvel. Parece não ser isso que se quer. Não queremos voltar a outros quatro anos de mentiras, trapalhadas e divisões entre quem trabalha, nem quebras de coesão.


Digo eu agora: se não houver juízo por parte da esquerda já sabemos o que pode vir por aí. As sondagens são efémeras!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Os barqueiros rebocadores e os treinadores de bancada


Barqueiros do Volga.png



Treinadores de bancada_1.png



As sanções a Portugal, são um tema arrastado, com o entusiasmo da maior parte dos órgãos de comunicação social. Embora não avancem nada de novo vão especulando e oraculizando medidas, intenções, punições, cumprimento rigoroso das regras europeias apenas para alguns, é claro emparelhando com os partidos da direita, agora sentados no banco da oposição.


As declarações dos partidos sobre as ditas sanções, cujos trâmites se arrastam quais barqueiros rebocadores dos barcos do Volga, mais parecem treinadores de bancada a falar.


Os treinadores de bancada gritam para o ar, e para os seus vizinhos de bancada mais próximos, orientações aos jogadores, faz isto e não aquilo, se eu lá estivesse haviam de ver, vai para a rua e outras censuras. Quando o seu clube perde gritam que foram roubados e a culpa é do árbitro, do treinador e do selecionador.


Assim parece Assunção Cristas líder do CDS e a antiga Ministra das Finanças do Governo de Passos Coelho que apoiam uma direita europeia que está a pressionar o Governo português assim como outros políticos portugueses de outros quadrantes que gostariam de ver descarrilar a estabilidade governativa e social que até agora se conseguiu, vendo nas sanções uma oportunidade para colocar pauzinhos na engrenagem para conquistarem a hegemonia perdida.   


Peroram sobre as sanções que têm como base o défice dos anos de 2013-15, que se refere ao passado, o deles, mas vislumbrando causas para tal no presente e no futuro.


Fazem o mesmo exercício que os treinadores de bancada. Gritando que a culpa é do atual Primeiro-Ministro e do ministro das Finanças que não souberam negociar, deduz-se que deve ser sobre aquilo que eles próprios prometeram e não conseguiram. Se eu estivesse lá não seria assim, grita agora da bancada Maria Luís Albuquerque, etc..


O patriotismo de lapela serve agora como justificativa para prejudicar o país.


Segundo o jornal Público até Cavaco Silva, “estraga unanimidade do Conselho de Estado sobre sanções”. Independentemente do cumprimento rigoroso do que está determinado pelas das regras do Tratado Orçamental, pelo menos internamente há que haver algum decoro na defesa do interesse de Portugal que está a ser palco de experimentações de regras que, até hoje, não foram aplicadas a nenhum país que estivesse em incumprimento.


Claro que a Cavaco, visto não haver um Governo da sua preferência, apoia as sanções, numa tentativa frustrada de aparente imparcialidade. O que fica por provar é se, nas mesmas circunstâncias, e com um Governo da sua fação, tomaria a mesma posição.


Acrescem ainda sábios comentadores de economia como José Gomes Ferreira da SIC, que diz que as sanções vão implicar austeridade e mais medidas que já constam. Se não constam agora irão constar. Lança achas para a fogueira em vez de ajudar a acalmar o fogo em nome de todos. Mas a obsessão da desculpabilização da herança das sanções sobrepõe-se ao interesse e à defesa do país. Não há plano B, mas tem que haver. Se não é agora, é amanhã. Se não for amanhã será no futuro. Mas será. Que desejo mais obsessivo e pleno de contentamento!


As instituições da U.E. mais parecem grupos semelhantes a “bullies”. Estes, como cobardes que são, rodeiam-se de outros, e escolhem sempre os mais fracos para exercer a sua violência, seja ela física, moral e, ou, emocional sobre outros seus pares nos espaços que ambos frequentam.

quarta-feira, 16 de março de 2016

A propósito do congresso do CDS

Cristas e Passos.pngA propósito do congresso do CDS-PP do passado fim de semana que culminou com o discurso de Assunção Cristas, eleita como líder do partido, recuperei da minha memória o congresso do PSD onde foi eleito Passos Coelho com 95% dos votos. Este feito que foi por aí muito notado omitiu contudo outra realidade que foi o facto de apenas 46% ditos sociais-democratas é que votaram.


O ar contido e entristecido de Passos Coelho enquanto assistia ao congresso do seu ex-aliado CDS-PP que pretendia mostrar para as câmaras das televisões o seu ar enternecedor era música para os ouvidos de quem ainda o vê como primeiro-ministro no ativo mas por outro lado alguma preocupação face ao discurso de Assunção Crista


Passos Coelho diz, agora, querer que o PSD regresse à social-democracia numa tentativa de abandonar o seu cunho de direita. Neste mesmo local afirmei várias vezes que o PSD com Passos Coelho tinha abandonado a sua matriz social-democrata, o certo é que o PSD sempre foi de direita. O PSD insere-se no conjunto do Parlamento Europeu, juntamente com o CDS-PP, no agrupamento político e partidário que é o PPE - Partido Popular Europeu onde se encontram partidos do centro-direita e conservadores. O Partido Socialista, por sua vez, pertence ao grupo do PSE onde se encontram os partidos sociais-democratas e socialistas, e também partidos trabalhistas dos estados membros como por exemplo o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e o Partido Social-Democrata da Áustria, entre muitos outros.


O extraordinário Passos Coelho, resta-lhe apenas o ex, afirmou, quando foi eleito líder, que o PSD é um partido “que não quer gerir o dia-a-dia, que não quer andar para trás, que não quer populisticamente procurar aquilo que é mais fácil ou mais demagógico”, mas antes, com “mais algum esforço, um futuro melhor”. Que é isto senão populismo e demagógico! E isso de não querer andar para trás o que é? Quem quis colocar o país aos níveis de há vintes anos atrás? Sim, já sabemos, foram os outros que obrigaram ao resgate.  A direita PSD e CDS-PP utilizam, não raras vezes, para justificarem as suas opções políticas que são em nome dos “altos interesses da nação”. Podemos perguntar quem é, ou o que é para direita o conceito de nação. Será para eles apenas uma pequena parcela da população que pretendem favorecer?


Depois do congresso do CDS-PP Passos Coelho passou a ter dois adversários eleitorais de sentidos diferentes. O Partido Socialista é, por princípio, o que agora o preocupa mas, a médio e a longo prazo, vai ter também que enfrentar o seu antigo parceiro de coligação que irá tentar ocupar parte do seu espaço.


O PSD de Passos Coelho não aceitou a mudança e a sua estratégia de oposição irresponsável não terá sido a melhor.


Recordo-me dum livro milenário chinês que é a Arte da Guerra de Sun Tzu que em determinado passo diz: “O general deve conhecer a arte das mudanças. Se ele se fixa num conhecimento vago de certos princípios, numa aplicação rotineira das regras da arte bélica, se os seus métodos de comando são inflexíveis, se examina as situações de acordo com esquemas prévios, se toma as suas resoluções de maneira mecânica, é indigno de comandar.”.


O CDS-PP de Assunção Cristas enquanto partido de direita está a criar espectativas e não será fácil para Passos Coelho lidar com ela quando chegar a altura própria. Ela irá tentar ocupar parte do espaço do seu adversário mais próximo que é o PSD de Passos Coelho.


Ontem, 15 de março, Assunção Cristas foi recebida por Passos Coelho na sede do PSD com muitos beijinhos e abraços. Passos talvez ainda tenha uma vaga esperança de obter uma nova coligação que o leve de novo ao poder. Espera que nas próximas eleições, quando as houver, terá uma votação confortável, mas Assunção Cristas, a menina “bem” e agora a mais que tudo do CDS irá, nessa altura, fazer-lhe frente para lhe captar algum eleitorado. E começou agora com a tomada de posição sobre o atual governador do Banco de Portugal iniciada no congresso por Paulo Portas.  


E termino citando mais uma vez Sun Tzu: “Uma das tarefas essenciais que deves realizar antes do combate é escolher criteriosamente o terreno do campo de batalha. Para isso, é preciso agir rápido. Não permitas que o inimigo tome a dianteira. Ocupa o terreno antes que ele tenha tempo de te reconhecer, antes mesmo que ele possa estar ciente de tua marcha. Qualquer negligência nesse sentido pode ter consequências nefastas. Em geral, só há desvantagem em ocupar o terreno depois do adversário”.

sexta-feira, 11 de março de 2016

O agora, o antes, e o depois


  1. Passos Coelho trocou o velho fato do liberalismo radical pelo fato da social-democracia, muito mal-amanhado pelos seus alfaiates. Vai dizendo por aí que o antigo fato foram as circunstâncias que o obrigaram a vestir. Deambula, falando…, falando…, Faz ainda de primeiro-ministro ou de primeiro-ministro faz de conta, a quem vão faltando as pilhas, mas é preciso que a comunicação social o tenha sempre debaixo de olho. Como quem diz, eu é que devia ser o primeiro-ministro porque ganhei as eleições, como se a coligação com o CDS-PP não existisse e este não tivesse contribuído para a vitória em número, mas não em deputados.

  2. Já agora, recordando os resultados, podemos fazer o seguinte exercício de extrapolação:


Em 2015 o PSD, em coligação, obteve 36,83% dos votos e em 2011, sem coligação, obteve 38,63%.


Entre 2005 e 2011 o CDS-PP obteve as seguintes percentagens de votos:


2005 - 7,3%


2009 - 10,46%


2011 - 11,74%


Supondo que em 2015 o CDS-PP concorria isoladamente às eleições e obteria a mesma percentagem de 2011, isto, é 11,74% qual seria a percentagem de votos do PSD se em 2015 também concorresse sozinho às eleições? E, qual seria o resultado do PSD se fossem retirados por estimativa os votos do CDS-PP da coligação?


Resposta:


O resultado do PSD seria 36,83 - 11,74 = 25,09%


E se o CDS-PP tivesse o mesmo resultado de 2009?


O resultado do PSD isolado seria 36,83 - 10,46 = 26,37%


E se ainda o CDS-PP tivesse o mesmo resultado de 2005?


O resultado do PSD isolado seria 36,83 - 7,3 = 29,53%


Isto é, se o resultado do CDS-PP fosse o mais baixo de todos estes anos, mesmo assim o PSD ficaria apenas com 29,53% dos votos abaixo do PS que obteve 32,38% mesmo assim acima do PSD.


Para que o PSD isoladamente igualasse os votos do PS em 2015, 32,38%, supostamente o CDS teria que obter apenas 4,45% dos votos.


Posto isto, Passos Coelho e o seu partido ou não sabem fazer contas, ou estão querer passar um atestado de menoridade eleitoral de votos ao CDS-PP.



  1. É curiosa a estratégia de Passos e de alguns dos seus deputados que é utilizar os mesmos argumentos utilizados do PS na altura em que era oposição. Um dos casos mais típicos é o tal plano B que terá o Partido Socialista para mais austeridade e que a atual oposição do PSD e do CDS utilizam quando é mais do que sabido que o PSD e o CDS tiveram planos A, B, C que também na altura não revelavam, para além de vários orçamentos retificativos e até devolvidos pelo Tribunal Constitucional.

  2. Alguns comentadores, acérrimos fãs e apoiantes das medidas do então Governo de Passos Coelho, e menciono como exemplo o titubeante e confuso comentador residente da TVI António Costa, que há tempo comentaram a falta de investimento público que não tinha sido comtemplado no orçamento, dizendo que nesse aspeto Portugal fica na cauda da União Europeia. O curioso é que, quando estava em funções o anterior Governo de Passos Coelho, se alguém falava em investimento público, apressavam-se a argumentar que isso não era possível porque estávamos em austeridade e que não havia dinheiro. Mudam-se ideologias mudam-se as vontades. Ou será que, para esses senhores, quando mudam os governos que apoiam mudam-se as suas vontades?

  3. É ainda curioso que os mesmos senhores, e outros que se lhes acrescentam, dizem agora que afinal continua a austeridade. No Governo de Passos Coelho, defendiam a austeridade como inevitável e que até era salutar. É tudo uma questão do antes e do depois.

  4. Os senhores da suinicultura manifestaram-se hoje (11 de março) alegando que passados cem dias de Governo este não os apoia. E mais, que a polícia não os deixou bloquear o trânsito em Lisboa tratando-os como se fossem criminosos. Veio-se a saber que não tinha sido pedida autorização como manda lei. Os suinicultores podem ter razão quanto aos preços praticados, quanto a estarem contra as grandes superfícies, contra os produtores espanhóis, contra o que quiserem. Argumentando ainda que nem um cêntimo foi considerado no Orçamento de Estado para esta atividade.

  5. Mais uma vez, o curioso é que durante o anterior Governo de Passos Coelho, quando na agricultura estava Assunção Cristas não foram tão reivindicativos como agora. Será que os problemas que afetam os suinicultores só surgiram agora que os levasse a um tão forte descontentamento após cem dias do Governo de António Costa?

  6. O que terá feito mover estes empresários? Será a mãozinha da CGTP comandada pelo PCP? Será algo mais subtil manobrado por outros interesses que não exclusivamente os dos suinicultores? Será que… bom o melhor é calar-me!...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Silêncios do CDS e as medidas antissociais

 

Segundo o Jornal Sol, Anacoreta Correia do CDS/PP afirma numa entrevista a este jornal que “o CDS não pode estar numa atitude de rendimento mínimo de governação, gerindo silêncios em matérias problemáticas”. É sabido que aquele partido, com o argumento de não querer provocar uma crise política, está agarrado ao poder, isso é inegável. O PSD estando em maioria relativa está mesmo assim mandatado para governar sem o CDS pelo que teria então que governar através de consensos. O CDS/PP, mantendo-se no governo, está a ser cúmplice de um plano que está a conduzir Portugal ao colapso.


O mais grave é que os ministros que estão ligados ao CDS/PP são os que, tendo também pastas sociais muito sensíveis, têm mostrado muito pouca sensibilidade social e implicitamente concordam com as palavras do primeiro-ministro sobre o desemprego e a pobreza que, para ele, são efeitos colaterais das medidas que toma.


Encontram-se neste caso os ministros Mota Soares e Assunção Cristas, ambos do CDS/PP. Um porque prefere o assistencialismo e a caridade e faz cortes a eito, sem análise das consequências, sobre quem mais precisa. Depois cá estamos nós, alguns, a compensar com a tal taxa de solidariedade de 3,5% para compensar as falhas sociais deste senhor.


Outra é a lei das rendas, conhecida publicamente por lei dos despejos que está a colocar muita gente, nomeadamente os mais idosos, em situação de desespero.


Assunção Cristas, face ao problema afirma que vai procedera sessões de esclarecimento sobre o assunto. Isto é, depois da aplicação da legislação e, lançada a confusão vai então esclarecer! Mas mais, afirma ainda com grande desfaçatez, que os maiores de 65 anos terão mais cinco anos até serem atingidos pelas novas regras e que poderão ser apoiados por subsídios. Ou seja, ao fim dos tais cinco anos, se não tiverem possibilidades de pagar o aumento das rendas são despejados! Deve ser humor negro da senhora ministra. Deve estar à espera que entretanto muitos deles morram (se fizermos bem a ligação aos problemas e às dificuldades com o SNS não é difícil perceber).


Após o tal período de cinco anos muitas das pessoas que têm agora 65 anos terão, na altura,70 anos, logo, o problema subsiste ou até se agrava. Quer dizer, o governo que vier a seguir vai ficar com mais um problema entre mãos. Mais ainda, se a senhora ministra fala em subsídios às rendas para aquelas pessoas, sem dizer se são de apoio aos senhorios ou aos inquilinos, é necessário saber onde vai ela arranjar as centenas de milhões de euros para esses apoios. Claro que, Assunção Cristas, supondo que eventualmente os partidos do governo perderão as eleições assume que os outros que vierem que se amanhem. Esperteza saloia! Não se deveria ter avaliado antes os impactos? Tudo isto seria evitável se estes senhores não fizessem tudo em cima do joelho, embora paguem milhões de euros a escritórios de advogados e a consultores.