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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O centrar da discussão política da direita em torno das perdas eleitorais do PCP

Boia de salvação do PSD.png


Boia de salvação da direita


Os resultados das eleições autárquicas foram a evidência e, de certo modo a validação das políticas do Governo com o apoio parlamentar do PCP, BE e Verdes.


A direita foi derrotada em quase todas as frentes, exceto nos distritos onde o voto é tradicionalmente de direita por algum atavismo politico, cultural e religioso. O CDS-PP apesar de em Lisboa ficar à frente do PSD canta uma vitória minimalista que Assunção Cristas quer mostrar como sendo uma grande vitória no país.


A direita através dos seus jornalista e comentadores de serviços pretende agora desviar as atenções da sua derrota para o tema da perda de algumas câmaras que a CDU (PCP-PEV) detinha desde 2013, algumas delas importantes, que foram para as mãos do PS. A razão é simplesmente, a de criar tenções entre aqueles dois partidos, fazendo crer que o PCP perdeu com o apoio parlamentar que tem dado ao PS.


As diferenças não foram significativas em Évora e Beja, por exemplo, o PCP-PEV manteve a presidência e os mandatos apesar de alguma perda de votos, e não é claro se as pequenas perdas foram favorecer o PS.  Em Almada perdeu a Câmara, mas manteve o número de mandatos, e a diferença em valores percentuais não é significativa. Em todos os casos em que o PCP perdeu influência poderá fazer acordos com o PS porque há para isso condições.


Deste eventual conflito a direita tiraria dividendos, e as suas Pítias de serviço iriam tentar mostrar que tinham razão sobre o periclitante apoio parlamentar do PCP, que diziam ser traiçoeiro e, como tal, iria desabar.


Se tal se verificasse era uma boia de salvação para a direita e talvez até para Passos Coelho, daí ficar em modo de espera até ver o que isto dá para depois tomar opções.


A direita com objetivo de provocar conflitos entre aqueles partidos quer agora demonstrar que o PCP, ao deter a força sindical, irá provocar contestações e greves para forçar o PS a ceder a cada vez mais exigências. A pergunta que se pode fazer é o que ganharia o PCP com um conflito político neste momento. Avançar para eleições antecipadas que o iriam de certo modo prejudicar? E o que ganharia a direita? Daí que o líder do PSD tenha dito que iria avaliar e refletir.


Sem querer ser também uma Pítia da política suponho que a reflexão de Passos sobre o resultado das eleições não se irá traduzir em demissão e seria bom que não o fizesse porque parece à primeira vista que, quem avançar para a liderança do partido não terá apoios internos suficientes, a não ser que seja um qualquer elemento da linha neoliberal direitista do atual líder. Prevejo com desagrado que o PSD não regressará à verdadeira social-democracia tão cedo. Espero que me engane.


 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Fora da zona de conforto

Zona de conforto.png



  1. A coligação PàF formada pelos partidos PPD-PSD e CDS-PP ganhou as eleições, ponto. Não há volta a dar. O PS perdeu a eleições, também não há volta a dar. Quem conseguiu ganhar em termos de número de votos e deputados foi o Bloco de Esquerda. Quanto a isto, tudo o que se possa depois dizer não são mais do que conversas fiadas e profecias.

  2. A coligação PPD-PSD e CDS-PP ganhou tendo dificuldade de revalidar a sua maioria absoluta.

  3. Mas, uma coisa é a maioria aritmética, outra são as correlações de forças no âmbito da Assembleia da República e a possibilidade de governação sem o conforto da maioria absoluta. Passos Coelho está agora fora da sua "sua zona de conforto".

  4. Sem querer desvalorizar a vitória aritmética da coligação PàF PSD e CDS o que o resultado das eleições nos mostra é que a esquerda ficará com 121 deputados e direita da PàF com 104. Isto pode não querer dizer nada, porque a esquerda não está coligada, todavia mostra uma tendência da escolha dos eleitores.

  5. À beira da maioria absoluta dizem os da PàF mas à beira pode ser um precipício.

  6. Já aqui disse que o PSD e o CDS podem agradecer o contributo da sua votação aos canais televisivos que, com alguma subtileza, acabaram de forma consentida condescender ao poder dos partidos do governo.

  7. A RTP Informação passou a ser RTP3 a partir de ontem, um dia ótimo. Do meu ponto de vista e olhando para a orientação editorial e para quem vai estar presente em diversas rubricas é mais um canal pró governo de direita com o objetivo de cativar as mentes dos cidadãos para os grandes ideais liberais neoliberais.

  8. Por curiosidade: terá alguém reparado que nos dois dias antes do ato eleitoral Judite de Sousa, exemplo do jornalismo isento, amiga de Miguel Relvas com quem passou em família férias no Algarve apresentou-se, no primeiro dia com um vestido laranja, e no dia seguinte com um vestido azul.

  9. Será mera coincidência o regresso de Miguel Relvas a comentador político nos canais da TVI?

  10. Nos canais de televisão os comentadores residentes são todos da mesma área partidária. São eles, por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes e Nuno Morais Sarmento. Deixou de haver contraditório. Os comentários políticos são sempre os mesmos a fazê-los, com exceção de debates pontuais. São elementos dos partidos (PSD) que estão lá a fazer política mais ou menos partidária. É um embuste que está a ser feito aos espetadores fazendo-lhes crer que são comentadores isentos.

  11. Os partidos e os candidatos temem a comunicação social, especificamente as televisões e, por isso, não os confrontam, nem os criticam pela forma como trabalham a informação. Medo do poder que se tornou capaz de destruir uns e de construir outros mesmo que falsos.

  12. Esta campanha foi excecionalmente tendenciosa quer pelos alinhamentos noticiosos, quer pelos enquadramentos escolhidos das peças selecionadas para emissão, quer ainda pela ênfase positiva que, não raramente, era dada aos partidos quando afrontavam António Costa e o PS.

  13. O Partido Socialista foi o "bombo da festa" e vai continuar a ser, porque tudo quanto está no meio está entalado. O PSD e o CDS vão utilizá-lo a bel-prazer para fazerem passar leis lesivas para a maior parte dos portugueses que também os elegeram. Se votam contra dirão: Estão a ver? Estão a criar instabilidade governativa. Se votam a favor dirão outros: Estão a ver? Nós bem dissemos, estão aliados à direita para destruir os direitos dos trabalhadores.


 


Nota final: Parece que as ofensas que fizeram aos idosos, uma delas chamando-lhes peste grisalha, parece que resultou como elogio.