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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Como eu gosto de ser emocionalmente instrumentalizado!

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A instrumentalização em política é o uso de pessoas, grupos de pessoas duma sociedade para atingir determinados fins e está ligada a emoções, sentimentos, atitudes e comportamentos inerentes ao ser humano que variam em função da cultura, família, etnia, entre outros.

A atitude política tem uma componente afetiva e é uma resposta emotiva face a determinado acontecimento social, pessoa, seja ela política, ou não, e apresenta-se sob a forma de ideia favorável ou desfavorável em relação a essa pessoa ou acontecimento e pode ter uma componente que se costuma confundir com afeto, emoção e sentimento. Os três conceitos referem-se ao que sentimos, mas distinguem-se pelo modo como são expressos.

Como podemos associar estes sentimentos a tomadas de decisões eleitorais. Os comportamentos eleitorais são ações e decisões de indivíduos ou grupos durante um determinado período que se revelam como votamos, porque apoiamos determinados candidatos ou partidos e por que os apoiamos e sobre os quais somos afetados pelas influências que moldam as nossas escolhas.

Há vários estudos publicados sobre o comportamento eleitoral dos eleitores como por exemplo “Emoções e Comportamento Eleitoral em Portugal” de José Manuel Rivera Otero, Nieves Lagares Diez, Erika Jaráiz Gulías, Patrício Costaé publicado em novembro de 2025, edição do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa que coloca as emoções no centro da explicação do comportamento político e eleitoral em Portugal. É crucial para entender a dinâmica da participação e da representação política, pois revela padrões no envolvimento dos eleitores e os fatores subjacentes que impulsionam os resultados eleitorais.

A atitude eleitoral é complexa porque faz também parte dum conjunto complexo de sentimentos, crenças e disposições individuais que os eleitores têm em relação à política, aos partidos e aos candidatos que ajudam a moldar o seu comportamento e a escolha do voto. Estas escolhas são muitas vezes enraizadas por fatores psicológicos, identidade social, confiança, ou até lealdade partidária, tradições culturais que funcionam como um atalho para a tomada de decisões.

Contudo, em política não existem apenas lógica, racionalidade e ideologia, há também outros aspetos emocionais usados como estímulos pelos políticos consoante os objetivos, as pessoas ou grupos sociais, tendo em vista motivar atitudes políticas e eleitorais.

Durante as campanhas muitos políticos utilizam as emoções dos potenciais eleitores como ferramenta de mobilização. Frequentemente constroem e manipulam emoções de forma estratégica, utilizando discursos, imagens e narrativas para incitar sentimentos como o medo, raiva, compaixão ou orgulho nacional. Essas emoções podem ser usadas não apenas para fortalecer a coesão social, mas também para legitimarem decisões políticas ou mobilizar a população em torno de causas específicas. Por exemplo, imagens de tragédias ou discursos de vitimização são frequentemente empregues para gerar empatia e apoio, veja-se o caso do Primeiro-Ministro Luís Montenegro que, mais do que uma vez, usou essa estratégia com sucesso, nomeadamente aquando da apresentação de uma moção de confiança ao Parlamento sobre o caso Spinumviva.

Mas, temos ainda visitas de candidatos a locais religiosos que têm grande impacto na religiosidade das populações tal como fez Marques Mendes durante a sua visita a Fátima onde se deixou fotografar junto a imagens religiosas. A hipocrisia parece estar validada nos políticos e na política.  O uso da família para obter vantagem eleitoral tem sido para Marques Mendes, comentador- mor, um ato de propaganda eleitoral. Em Leiria, durante um almoço com empresários, Sofia Marques Mendes, mulher do candidato presidencial, subiu ao púlpito para uma declaração de amor: “Todos os dias consegues surpreender com a tua generosidade e sentido de missão.” “Amo-te”, declarou em frente a todos os convidados.

Mas esta participação na campanha não ficou por aqui. Segundo o jornal Público, numa breve mensagem que leu do telemóvel, Sofia Marques Mendes começou por referir que gosta de “passar despercebida”, mas que desde a primeira hora não podia “ser egoísta” e decidiu estar “fisicamente” ao lado do candidato durante a campanha e “mostrar publicamente o orgulho” que tem nele. E mete ao barulho o resto da família dizendo que “realmente sente” que Luís Marques Mendes é a “pessoa mais certa” para o cargo de Presidente da República, “pelos filhos e netos de todos nós”. De resto, o neto mais novo do candidato, de apenas um mês, esteve presente na iniciativa.

Este é um exemplo de como o provocar emoções pode desempenhar um papel central e multifacetado na política influenciando a formação de atitudes e opiniões públicas, a mobilização coletiva e a legitimação de políticas. O uso das emoções passou a ser reconhecidas como elementos fundamentais para compreender a estrutura para a chegada ao poder.

As emoções estão intimamente ligadas à polarização partidária e à formação de identidades políticas. Sentimentos como raiva, medo e ansiedade podem ser usados como incentivos para angariação política, mas também para o aumento da intolerância e da divisão social. A combinação de várias emoções em torno de um evento ou numa narrativa de campanha eleitoral é frequentemente utilizado para criar identidades políticas e mobilizar massas.

Escândalos, discursos emocionais e imagens que tenham impacto são usados para influenciar a opinião pública e direcionar o debate político, assim como o uso estratégico das emoções pela comunicação social tanto pode fortalecer como enfraquecer a confiança nas instituições e nos próprios meios de comunicação. Veja o caso da estratégia de André Ventura do partido “Chega”.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

O princípio da harmonia partidária

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O princípio da harmonia partidária procura evitar contradições e criar uma relação coesa e benéfica entre os componentes envolvidos num determinado sistema político ou numa interação social. Este princípio irá tornar Marques Mendes, o comentador, se chegar a ser Presidente da República a ser subordinado, que já é, e enquanto o Governo for do seu partido. É o dilema dos comentadores que chegam a altos cargos políticos, distanciarem-se da sua ideologia partidária. Isto é humano, não há isenção nem independências absolutas. Veja-se então o caso concreto de quando foi aprovada a Lei da Nacionalidade na Assembleia da República.

Em 29 de outubro, um dia após o PS ter pedido a fiscalização preventiva ds lei da nacionalidade Marques Mendes disse em Leiria que viu como positiva a provação da Lei da Nacionalidade só lamentou que o consenso não tivesse incluído o PS.

Afirmou então “Eu vejo que não há razões para enviar esta lei ao Tribunal Constitucional. Não me parece que haja aqui suspeitas de inconstitucionalidade.

Chegados a dezembro o que diz o Tribunal Constitucional: chumba a nova Lei da Nacionalidade. Os juízes entendem que o princípio da igualdade não está garantido porque a legislação diferencia entre portugueses naturalizados e os que obtiveram a nacionalidade há menos ou mais de dez anos, A lei que terá de regressar ao Parlamento recebeu para aprovação luz verde de PSD, Chega, IL, CDS e JPP, mas os deputados do PS enviaram um pedido de fiscalização preventiva.

Marques Mendes “Não me parece que haja razões aqui desde logo constitucional por ser uma lei mais equilibrada e menos polémica do ponto de vista, desde logo, constitucional… acho que não há razões par enviar esta lei ao Tribunal Constitucional”.

Este é o candidato a comentador Presidentes de alguns portugueses, os do Governo AD.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Candidatos à presidência e o comentador

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Livrem-nos de mais um comentador político de televisão na Presidência. Marques Mendes, o comentador candidato à Presidência, não faz campanha, faz comentário, até mesmo nos debates. Estou a vê-lo e a ouvi-lo tal e qual como era na SIC.

Marques Mendes é o candidato do PSD e do CSD, vulgo AD. A família SIC nos comentários após os debates coloca Marques Mendes com classificações acima das do adversário. Outra coisa não seria de esperar. Quando era comentador ele fez parte da família SIC ligada ao PSD. A sua “deformação” profissional como comentador não o vai abandonar o que tem sido evidente nos debates. Se for eleito será um Presidente comentador, mais do que Marcelo. Será um Presidente versão comentador 2.0.

Durante a campanha eleitoral não se desligou dos “tics” de comentador e os argumentos vão na mesma linha. Imagine-se Marques Mendes no papel de Presidente da República a comentar e a pronunciar-se tal e qual como se estivesse numa entrevista e lhe colocassem a pergunta de qual deve ser o papel do Presidente. É um fartote!

A originalidade está a faltar-lhe. Os comentadores da família SIC, especialmente a ancilosada João Avillez, espero não me ter enganado, será com dois “ll”?, espreme-se toda em elogios e em notas altas a Marques Mendes como se fosse o seu aluno preferido.

Marques Mendes não será um Presidente isento, isso vai contra a sua natureza, aliás, não há isenções ideológica elas ficam marcadas no ADN em políticos como Marques Mendes, assim como em outros.

Alguém acha que haverá isenção com Catarina Martins, António Filipe e Cotrim de Figueiredo entre outros? Provavelmente não! Em política, “isenção”, refere-se principalmente ao dever de imparcialidade, apartidarismo e não tirar proveito pessoal das funções públicas. Quem foi político e ideologicamente dedicado a partidos a imparcialidade será muito difícil de conseguir. Exemplos foram poucos ao longo dos cinquenta anos de democracia, mas eram outros tempos e essa exigência era imprescindível.

O “fofinho” António José Seguro levanta as mãos para mostrar que as tem limpas. Ao despertar do seu sono letárgico da política diz que tem a experiência política necessária, ele que é professor universitário e também um pequeno empresário, como se definiu num debate com Gouveia e Melo.

Entre Marques Mendes e Seguro quem se venha a escolher para presidente não se ganha nada. É comentador contra político adormecido. Mas se para si a política e o futebol são a mesma coisa então pode votar em André Ventura, este também comentador que foi comentador, mas de futebol e transferiu o mesmo ânimo para a política. Dará um bom Presidente se for para decidir quem terá chutado a bola para o canto e passará a ser um árbitro que irá marcar falta sempre aos mesmos.

Parece não haver dúvidas de que quem sempre esteve na política, foi dirigente ou militou em partidos políticos terá grande dificuldade com o distanciamento exigido pelo cargo. O esforço pela independência não chega.

Ao longo de quase meio século apenas houve um presidente da república que se partidarizou, mas após ter saído da presidência. Recordam-se de António Ramalho Eanes que em 1985 que estava a cumprir o seu segundo mandato iniciado em 1981 e terminando em março de 1986, e que após esse período esteve ligado à fundação do Partido Renovador Democrático (PRD), que surgiu em 1985, quando ele ainda era Presidente da República, tendo liderado o partido brevemente após deixar Belém.

 

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

De comentador a presidente ex-comentador vai um passo

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Acerca das presidenciais já fiz a minha escolha por entre os candidatos e decidi em quem vou ‘apostar’. Apesar de haver muitos comentadores e colunistas a dar opiniões sobre os candidatos às presidenciais que não revelam as suas preferências e o seu envolvimento nas campanhas e estratégias dos candidatos lá vão por entre linha elogiando os seus preferidos e fazendo por desacreditar outros.  Por isso pretendo ser eu a fazer próprio a minha análise a partir de informação disponível e dos pontos de vista de cada um dos candidatos.


A primeira experiência que tivemos com a eleição dum Presidente da República que passou a ser comentador de política na televisão foi Marcelo Rebelo de Sousa, militante do PSD. Rebelo de Sousa fez comentário político na TVI entre 2000-2004, na RTP entre 2005-2010 e novamente na TVI entre 2010 e 2015. No entanto, sendo militante do PSD não se desfiliou do seu partido, tendo suspendido a militância quando concorreu pela primeira vez à Presidência da República.  Não existe um requisito legal explícito que obrigue um Presidente da República a desfiliar-se do seu partido, assim, um candidato à Presidência da República pode manter a sua filiação partidária.


O que está estabelecido na Constituição da República Portuguesa é que o Presidente da República deve atuar com total independência e imparcialidade para representar a unidade nacional, o que, na prática, significa que deve assumir uma posição de neutralidade e representação de todos os cidadãos, pelo que a sua ligação a um partido político deve ser separada do exercício do cargo presidencial. Contudo, a desvinculação ao partido a que pertence é uma consequência natural e necessária para garantir a sua atuação enquanto Chefe de Estado.


Em síntese, o Presidente da República, após eleição, deve exercer as suas funções com a independência e imparcialidade exigidas pelo cargo, que é um órgão de soberania acima dos interesses partidários, mas a sua filiação a um partido não é um impedimento legal, tal como um candidato a presidente ter sido comentador político de televisão não é impeditivo.


A desfiliação do partido a que pertencem pelos candidatos a presidentes da república parece ser apenas uma formalidade para salvar as aparências. É claro que a sua orientação do ponto de vista partidário-ideológico não se altera considerando que a sua ideologia seja o seu sistema de ideias, crenças e princípios e a visão sobre como a sociedade deve ser organizada e de como os objetivos devem ser alcançados.


Não tenho dúvidas de que os comentadores de política nas televisões têm a sua ideologia política e os seus partidos preferidos. Temos um Presidente da República que já foi comentador, e há atualmente um candidato que também já o foi e não duvido que estes continuam a ter preferência pelo PSD.


A pergunta que podemos colocar é: devemos ignorar textos e cometários de opinião apenas pela sua suposta ideologia política? Artigos de opinião ou comentários políticos devem ser lidos tendo em conta o enviesamento, isto é, o desvio ou deformação na maneira de ver, julgar ou agir, e, por isso, o leitor deve lê-los e ouvi-los com alguma cautela.


Assim, temos de encarar as campanhas dos vários candidatos à presidência da república, cujas campanhas parecem querer mostrar uma aparente imparcialidade e que se afastam de qualquer ponto de vista ideológico com a cautela necessária.


Muitos candidatos abandonam a sua militância no partido em que militaram, tal como fez o ainda atual Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, que tentou mostrar que se afastou da sua ideologia política e de qualquer outra. Não há que omitir que política e ideologia andaram sempre a par visto que as democracias revigoram-se com a livre discussão de ideias e com a pluralidade de opiniões e perspetivas de solução dos problemas.


É natural que candidatos que foram comentadores políticos enfrentem desvantagens tais como suspeitas de parcialidade, falta de experiência executiva e confusão entre análise e ação política. Podemos analisar as principais desvantagens associadas a candidatos presidenciais que anteriormente atuaram como comentadores políticos.


Os comentadores são frequentemente associados a posições ideológicas explícitas que podem comprometer da imagem de imparcialidade esperada para um presidente. A transição do comentário para a política ativa pode ser vista como oportunista, especialmente se o comentador criticava partidos que depois passa a deixar de criticar.


Há um caso evidente que foi o do jornalista português, na altura com 28 anos, Sebastião Bugalho que de comentador político se transformou em candidato, pela AD, ao Parlamento Europeu.  Este caso faz parte de uma lista entre outros que, partindo do jornalismo, se lançaram em percursos políticos partindo do comentário político na televisão. Mas, em democracia e num país livre, qualquer um pode tomar as decisões que entender mesmo que entrando em contradição.


Há muitos comentadores e até alguns candidatos que afirmam que não ter experiência em cargos executivos ou legislativos é uma lacuna importante para o exercício da presidência, argumento que utilizam para justificar a sua preferência e o desprestigio em relação a outros candidatos.


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Os que afirmam, por exemplo, que o Almirante Gouveia e Melo não tem experiência política esquecem-se, ou não se recordam que o General Ramalho Eanes não tinha experiência política significativa antes de ser presidente, a não ser alguma experiência política formal limitada. Ter posições de destaque na sua carreira militar como Chefe do Estado-Maior do Exército e a sua participação no controlo do golpe do 25 de novembro de 1975, assumindo somente, como seria de esperar um papel político operacional e estratégico na transição democrática. Ter também exercido o cargo de relevância pública como presidente da RTP após o 25 de Abril, antes de ser eleito para a presidência não pode ser considerada uma grande experiência política como tal.


Outro caso foi o de Soares Carneiro candidato presidencial nas eleições presidenciais de 1980, cuja intervenção política não era conhecida, a não ser o de ter o apoio da Aliança Democrática na altura.


Do mesmo modo o Almirante Gouveia e Melo também teve um exercício político inerente aos cargos militares que desempenhou, tal como o General Ramalho Eanes que foi Presidente numa época politicamente conturbada e ideologicamente polarizada.


Há sempre vantagens e desvantagens entre candidatos que têm ou tiveram notoriedade como comentadores e militantes de partidos e os sem histórico como comentadores. Os que foram comentadores têm a desvantagens da perceção que transmitem de parcialidade, falta de experiência institucional, contradições públicas em relação a afirmações nos comentários, confusão entre análise e ação política. Pelo contrário, os que não têm histórico no cometário político têm desvantagem porque têm uma menor visibilidade mediática e, por isso, têm necessidade de construir notoriedade e dependência de apoios partidários.


Quanto ao ainda Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e ao candidato à presidência Marques Mendes fizeram do comentário político nas televisões um trampolim para uma intervenção pública, neste caso ao mais alto nível.


Os que têm histórico como comentadores passam uma perceção de imparcialidade      questionada associada a posições ideológicas explícitas, os que não foram comentadores estão geralmente menos expostos a acusações de parcialidade mediática, como é o caso de Gouveia e Melo. A propósito de Gouveia e Melo já começou, por parte de alguns comentadores e jornalistas, porque estarão mais próximos de outros candidatos, a procura de potenciais falhas ou contradições que ele possa cometer para as ‘escavarem’ e repetirem até à exaustão.


O contraste de Marques Mendes com os outros candidatos é apenas e, mais uma vez, o seu percurso político no PSD depois no comentário político em televisão para se colocar na ‘pole position’ na corrida para qualificação para a corrida à presidência.


Quando o comentário político televisivo ao longo de muito tempo garante notoriedade televisiva e até pode garantir visibilidade, mas tem a desvantagem de levantar dúvidas sobre a profundidade do compromisso político e as propostas que defende, esvaziando a credibilidade em futuras carreiras políticas.


Há muitos comentadores e colunistas a dar opiniões sobre as presidenciais sem revelarem as suas lealdades e o seu envolvimento ativo nas campanhas e estratégias dos candidatos. Os comentadores podem ser vistos como bons comunicadores, mas não são, necessariamente, bons gestores ou líderes institucionais.


O Almirante Gouveia e Melo não foi comentador, mas apenas homem que se mostra autêntico. O seu papel não é o de analisar e criticar e, enquanto não político, mostra a vontade de propor, aconselhar e executar ainda que esta posição possa gerar desconfiança sobre a capacidade de transformar no terreno porque não faz parte das competências dum Presidente da República.


Por outro lado, notabilidade televisiva pode garantir visibilidade, mas também levanta dúvidas sobre a profundidade do compromisso político. Esta exposição constante nos meios de comunicação pode criar uma perceção pública favorável e facilitar o reconhecimento imediato do candidato, contudo, não substitui a necessidade de demonstrar coerência e convicção nas propostas que apresenta. A partir daqui candidatos que emergem do comentário televisivo enfrentam o desafio de provar que a sua presença mediática não se limita ao espetáculo, mas está sustentada por um verdadeiro compromisso com o serviço público e capacidade para liderar com seriedade, afastando a ideia de que apenas procuram capitalizar popularidade sem apresentar soluções relevantes para o país. O que afirmo demonstram que declarações passadas podem ser recuperadas e gerar crises de credibilidade, como no caso de Sebastião Bugalho que anteriormente referi, que dizia não ter ambições políticas.


Tal como Marques Mendes que em 20 de outubro de 2016, já lá vão seis anos, afirmava que «Não sou candidato a coisíssima nenhuma. A nada». Na altura Luís Marques Mendes repetiu, por várias vezes, que não iria “candidatar-se a primeiro-ministro na conferência “Portugal em Exame”.


Em setembro de 2022, declarou que não pretendia ser candidato nem tinha essa ambição. Já em agosto de 2023 Luís Marques Mendes, antigo presidente do Partido Social Democrata (PSD), não descartava a hipótese de se candidatar a Belém ao afirmar que «Se um dia achar que, com uma candidatura à Presidência da República, posso ser útil ao país, que é isso que conta, ter utilidade para o país, tomarei essa decisão». Ainda na mesma data passou a admitir a hipótese de se candidatar, dizendo que “se um dia achar que é útil, não excluo”. Ou seja, houve uma evolução: primeiro rejeitou categoricamente a ideia, mas depois deixou a porta aberta, até chegar ao momento atual em que é de facto candidato apoiado pelo PSD.


Em 2 de fevereiro de 2025 Marques Mendes despediu-se do seu espaço de comentário no ‘Jornal da Noite’ da SIC quatro dias antes da sessão de apresentação da sua candidatura às eleições presidenciais de 2026.


A conclusão a tirar é a perceção de que a sua passagem pelo comentário político serviu de trampolim para a intervenção pública ao mais alto nível e revela a constatação de que a cobertura mediática tende a privilegiar rostos conhecidos, o que pode distorcer a representatividade e favorecer alguns candidatos.


Portugal não precisa de presidentes comentadores e de políticos profissionais, precisa, isso sim, dum presidente que se mostre independente e com a neutralidade e imparcialidades necessárias, assumidas e continuadas.


 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Agora somos todos contra

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Aqui está ele de novo, José Miguel Tavares, que diz ser um liberal e de direita, dependendo dos dias. Não sei se ser liberal ou ser de direita é necessariamente a mesma coisa. Tenho que aprofundar isso, tenho muitas dúvidas, tantas quanto o seu parceiro de direita Paulo Núncio.


Quem ler o artigo de João Miguel Tavares e não for liberal nem de direita (?) (a minha dúvida persiste), fica absolutamente pasmado, mas, ao mesmo tempo agradado, com grande parte do que defende, parece até um liberal socialista a falar (esta é outra dúvida que tenho. Não sei se este conceito existe). Até não concorda com os seus amigos de direita que dizem achar que há muito populismo e demagogia nesta coisa dos offshores.


Vai ainda mais longe parecendo um “esquerdalho”, desculpem-me esta terminologia que não pretende ser ofensiva, mas que, para facilidade de expressão, resolvi utilizar para designar todos os que não pertencem ao grupo dos eleitos das verdades absolutas do capitalismo quando falam entre si, (já agora mais um parêntesis para que fique claro que não sou anticapitalista, nem contra a iniciativa privada).


José Miguel Tavares fala sobre offshores dizendo em abstrato ser contra, contudo sem referência clara ao caso concreto que está na ordem do dia e se passou quando os neoliberais estiveram no poder e, talvez por isso, seja contra, em abstrato.


Acha provável que haja fugas ao fisco nas 14484 transferências e infere que “pelas coincidências estatísticas apresentadas por Rocha Andrade”, cita um socialista para defender a sua tese e até aponta as razões de António Costa neste caso. Tavares manifesta-se contra os muito ricos que, segundo a bíblia neoliberal, que é a dele, é necessário que sejam ainda mais ricos para que os pobres o sejam menos, (desculpem-se mais este parêntesis, mas não tenho nada contra os ricos tenho é contra a patranhada desta teoria para confundir quem os ouve). Quem acompanhe o que tem escrito defendendo quase incondicionalmente a causa dos liberais fica agora pasmado porque, ao ler o seu artigo, só um insensível não estará de acordo com ele e, por isso, nada me impede de colocar em dúvida a sua sinceridade.  Vejamos então o que João Tavares escreve:


“Ainda que não tenham existido fugas ao fisco ou falcatruas nas tais 14.484 transferências – o que parece altamente improvável, a avaliar pelas coincidências estatísticas apresentadas por Rocha Andrade –, o simples não-tratamento de 10 mil milhões de euros é uma vergonha exactamente pelas razões apontadas por António Costa: a única forma de manter a moralidade do regime em tempos de vacas magras é ter, pelo menos, a mesma exigência com fortes e fracos. E a única forma de manter a salubridade do capitalismo é não permitir as desigualdades chocantes que as offshores promovem. Acho muito bem que, consoante o talento e os méritos de cada um, haja quem seja mais rico e menos rico. Só que as offshores promovem uma desigualdade inaceitável – são um privilégio só ao alcance de milionários. Como dizia António Lobo Xavier, com alguma graça, não há guichês para offshores. Não há um sítio onde a gente possa ir bater à porta e colocar 1000 euros nas ilhas Caimão, só para experimentar. Ora, se apenas os muito ricos podem pagar menos impostos, isso só pode ser classificado de uma forma: absolutamente escandaloso. E a quem parecer que isto é simples demagogia e populismo, só tenho uma coisa a dizer: quero mais.”


Com ele todo o grupinho de comentadores transforma-se, neste caso, em grande oposicionista aos offshores e avança com pedidos de investigação a fundo sobre o caso; viram-se contra Paulo Núncio quando, na semana anterior, o defendiam. Veja-se o caso de Assunção Cristas ao corrigir o tiro de enaltecimento a Paulo Núncio ao dizer que o país lhe deve muito, pede agora para se investigar tudo sobre o caso. Marques Mendes o político tarólogo de direita de serviço na SIC, vem dizer que há mais dúvidas do que certezas no caso dos offshores e que pode haver matéria criminal.  Segundo o jornal i, “acho que pode ser um caso de polícia", afirmou hoje Luís Marques Mendes no seu comentário semanal na SIC. E, pasme-se, no seu álbum fotográfico o PSD e o CDS estão mal na fotografia! Quem diria! Desconfiando que isto possa dar para o torto, ratos, ratinhos e ratões afastam-se e correm para a rua mostrando que não são os primeiros a fugir quando o barco de está a fundar, refugiam-se publicamente no investigue-se e esclareça-se tudo a fundo.


É que, na voragem iniludível de agarrar novamente o poder, a direita quer fazer esquecer o que fez e disse no passado.


 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Oposição e comentário político

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A oposição de direita ao Governo não é feita apenas pelos deputados dentro da Assembleia da República e pelos responsáveis partidários fora dela. Faz-se também por militantes dos seus partidos que, com aparência de credibilidade e isenção, são contratados pelos canais de televisão que lhes paga para fazer o dito comentário político. São comentadores partidários, propagandistas do PSD que, uma vez por outra, para darem ar de isentos, criticam também a oposição de que fazem parte.


Um destes comentadores ditos “isentos” é Marques Mendes que comenta no canal de notícias da SIC. Para ele o Governo está esgotado, porque os acordos estão esgotados, está parado porque nada faz. Gostaríamos de saber se, para ele, governar é simplesmente legislar por tudo e por nada sem qualquer efeito mediato ou imediato, sem reflexão sem estudo, sem debate, como fazia o líder do seu partido quando incentivou a divisão entre portugueses e fez atropelos sucessivos à Constituição. Como ele gostaria de ser o Trump português!


Se alguma coisa urgente há que fazer, é conter a dívida pública e dinamizar a economia e o crescimento. Como Marques Mendes muito bem sabe, o crescimento depende, em grande parte, de fatores exógenos a Portugal, que agora com Donald Trump na calha, e com a Europa no estado em que está nunca se sabe o que poderá acontecer.


Aquela personalidade do PSD faz oposição disfarçada de comentário, olhando tendencialmente para o negativo da solução governativa e ocultando o que é positivo.


Aliás o relatório da OCDE que ontem foi divulgado é mais objetivo do que as interpretações por vezes abusivas de quem faz comentários que mais parecem oposição.


Aquele relatório revela potencial existência de "imprevisibilidade, tensões e recuperação lenta da Europa que podem tornar o crescimento mais incerto.”. Há, portanto, causas perigosas que poderão ser derivadas de causas externas. Sobre o Governo de António Costa, o relatório traça elogios à orientação orçamental, mas deixa uma lista de avisos sobre a situação ainda frágil das finanças, sobretudo sobre a “conjuntura externa incerta, a situação da banca que é vulnerável, mas a margem de manobra nas contas públicas é estreita e a dívida pública elevada e o investimento escasso.”. “E o que vê é uma economia a recuperar de forma progressiva, mas onde as “vulnerabilidades estão a aumentar”.


Claro que não existe nenhum mar de rosas depois da coligação de direita ter quase deixado o país destruído a pretexto de “termos que ir para além da troika” e de, juntamente com ela, não ter detetado  mo nevoeiro denso que envolvia a banca ou parte dela.


Se a banca está como está deve-se sobretudo à desgovernação do PSD-CDS com a obsessão por reformas baseadas apenas num sentido, aumento de impostos e cortes de salários e pensões, de resto não passou de rabiscos escritos num papel que para nada serviram.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O comentarista transparente

Marques Mendes4.pngMarques Mendes no seu tempo de antena, aos domingos na SIC, dedica-se à propaganda da oposição do PSD ao Governo. Para ele toda a especulação serve para ter audiências e para se projetar tirando disso proveito de visibilidade. Segue uma estratégia diferente de Medina Carreira que utiliza para quem nada tem solução perdendo-se em gráficos que mostram as catastróficas as finanças, mas a finalidade é mesma.


Marques Mendes é uma divindade profética que fala do olimpo televisivo profetizando sobre política, de forma cada vez mais derrotista. Ele colmata a lacuna necessária para a oportunidade da instabilidade política. Se compararmos os seus comentários de hoje com os do tempo do Governo de Passos Coelho os seus comentários eram, na altura, dignos dum menino do coro celestial se soubesse cantar comentários políticos.


Ele fala sobre tudo, anuncia tudo, tem conhecimento de tudo, faz juízos intencionais, amplifica o mau, esconde o bom, desacredita tudo quanto venha da governação. Para Marques Mendes o Governo está envolto num intenso nevoeiro, nada é transparente, nada está claro, tudo precisa de ser clarificado, nada é transparente porque o Governo esconde, vê intencionalidades ocultas. Fala como se no tempo do Governo do líder do seu partido tudo fosse transparente. Se, revisse a imprensa da época…. Enaltece, valoriza, dá corpo a tudo quanto venha da oposição de direita e sobretudo se vem da oposição de esquerda que, ao mesmo tempo e em certas condições, apoia o Governo. Decide virtualmente demissões de ministros, aconselha sobre quem fica e quem sai.


Marques Mendes faz o jogo da esquerda quando lhe convém para, logo depois, apoiar a direita e embaraçar os dois partidos da esquerda do apoio parlamentar. Não faz comentário, faz oposição ao Governo. Dá uma ajuda pelo comentário à oposição de direita. Quer protagonismo como Marcelo Rebelo teve no seu tempo de comentador, mas nunca lá vai chegar com a técnica das comadres que, duma qualquer janela, dum qualquer bairro popular, juntam as razões para estarem contra a vizinha do terceiro que deita água em cima da roupa lavada.


Para ajudar à festança oposicionista, por vezes sem razões, há jornais que aplaudem e ajudam à visibilidade com parangonas de primeira página.


Saudades do comentador pantomineiro Marcelo Rebelo de Sousa, como eu o designava, e não sei se mais alguém.


Como já várias vezes disse a Caixa Geral de Depósitos – CGD é, para a direita, à falta de melhor, uma forma que encontrou para fazer uma oposição. Para a esquerda é mais um populismo que complementa o jogo da direita. O que a CGD é uma instituição pública com características diferentes das habituais, é um banco que, embora público, tem que competir num mercado concorrencial e, como tal a sua administração tem que ser idêntica à do mercado, tem que ter estabilidade para competir no mercado. Marques Mendes parece não compreender isso. Se não fosse apenas para ter visibilidade, para dizer eu existo, aceitaria que a SIC lhe pagasse um valor abaixo do mercado para fazer comentários?  Se fosse convidado para ocupação dum alto cargo de responsabilidade, como é o da CGD, e lhe oferecessem um salário de primeiro-ministro aceitaria o cargo? Se disser que aceitaria para poder servir o seu país, essa não cola.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Fora da zona de conforto

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  1. A coligação PàF formada pelos partidos PPD-PSD e CDS-PP ganhou as eleições, ponto. Não há volta a dar. O PS perdeu a eleições, também não há volta a dar. Quem conseguiu ganhar em termos de número de votos e deputados foi o Bloco de Esquerda. Quanto a isto, tudo o que se possa depois dizer não são mais do que conversas fiadas e profecias.

  2. A coligação PPD-PSD e CDS-PP ganhou tendo dificuldade de revalidar a sua maioria absoluta.

  3. Mas, uma coisa é a maioria aritmética, outra são as correlações de forças no âmbito da Assembleia da República e a possibilidade de governação sem o conforto da maioria absoluta. Passos Coelho está agora fora da sua "sua zona de conforto".

  4. Sem querer desvalorizar a vitória aritmética da coligação PàF PSD e CDS o que o resultado das eleições nos mostra é que a esquerda ficará com 121 deputados e direita da PàF com 104. Isto pode não querer dizer nada, porque a esquerda não está coligada, todavia mostra uma tendência da escolha dos eleitores.

  5. À beira da maioria absoluta dizem os da PàF mas à beira pode ser um precipício.

  6. Já aqui disse que o PSD e o CDS podem agradecer o contributo da sua votação aos canais televisivos que, com alguma subtileza, acabaram de forma consentida condescender ao poder dos partidos do governo.

  7. A RTP Informação passou a ser RTP3 a partir de ontem, um dia ótimo. Do meu ponto de vista e olhando para a orientação editorial e para quem vai estar presente em diversas rubricas é mais um canal pró governo de direita com o objetivo de cativar as mentes dos cidadãos para os grandes ideais liberais neoliberais.

  8. Por curiosidade: terá alguém reparado que nos dois dias antes do ato eleitoral Judite de Sousa, exemplo do jornalismo isento, amiga de Miguel Relvas com quem passou em família férias no Algarve apresentou-se, no primeiro dia com um vestido laranja, e no dia seguinte com um vestido azul.

  9. Será mera coincidência o regresso de Miguel Relvas a comentador político nos canais da TVI?

  10. Nos canais de televisão os comentadores residentes são todos da mesma área partidária. São eles, por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes e Nuno Morais Sarmento. Deixou de haver contraditório. Os comentários políticos são sempre os mesmos a fazê-los, com exceção de debates pontuais. São elementos dos partidos (PSD) que estão lá a fazer política mais ou menos partidária. É um embuste que está a ser feito aos espetadores fazendo-lhes crer que são comentadores isentos.

  11. Os partidos e os candidatos temem a comunicação social, especificamente as televisões e, por isso, não os confrontam, nem os criticam pela forma como trabalham a informação. Medo do poder que se tornou capaz de destruir uns e de construir outros mesmo que falsos.

  12. Esta campanha foi excecionalmente tendenciosa quer pelos alinhamentos noticiosos, quer pelos enquadramentos escolhidos das peças selecionadas para emissão, quer ainda pela ênfase positiva que, não raramente, era dada aos partidos quando afrontavam António Costa e o PS.

  13. O Partido Socialista foi o "bombo da festa" e vai continuar a ser, porque tudo quanto está no meio está entalado. O PSD e o CDS vão utilizá-lo a bel-prazer para fazerem passar leis lesivas para a maior parte dos portugueses que também os elegeram. Se votam contra dirão: Estão a ver? Estão a criar instabilidade governativa. Se votam a favor dirão outros: Estão a ver? Nós bem dissemos, estão aliados à direita para destruir os direitos dos trabalhadores.


 


Nota final: Parece que as ofensas que fizeram aos idosos, uma delas chamando-lhes peste grisalha, parece que resultou como elogio.

sábado, 16 de maio de 2015

A casta de comentadores dum olho só

Marques Mendes_3.jpg


Comentadores políticos da área do PSD proliferam que nem coelhos pelo canais generalistas da televisão privada e também na RTP1. Devo andar distraído porque há muito que não vejo nos mesmos canais em horário nobre o contraditório por comentadores de outras áreas de opinião.


Uma das almas que por aí prolifera é Luís Marques Mendes do PSD dando-se ares de isenção política e partidária mas que é um mal disfarçado apoio ao seu partido que está no Governo.


Na revista Visão da semana que hoje termina, na sua habitual rubrica de opinião Marques Mendes tenta estabelecer comparações entre as eleições no Reino Unido e Portugal insinuando que a mudança não é boa e, referindo-se aos trabalhistas diz que "Esqueceram-se de um detalhe: a ideia de mudança é sedutora mas, depois da crise que tivemos, as pessoas não querem aventuras, não acreditam em facilidades, nem aceitam correr grandes riscos.".   


É evidente que no conteúdo da afirmação enunciada é uma comparação implícita ao caso português.


Em linguagem popular é como se estivesse a recomendar aos tolinhos dos portugueses que 'vejam lá tenham cuidado e juizinho com essa coisa da mudança (votar noutros partidos) que pode ser muito bonito mas não se metam em aventuras depois da crise que tivemos (tivemos não, temos!) não acreditem em facilidades'.


O que pretende este comentador senão fazer campanha em prol do Governo e da coligação pensando que são todos ineptos e não sabemos que a crise no Reino Unido e a sua superação nada tiveram a ver com que se passou com o caso português. O Governo de Cameron foi sério credível e honesto para com os seus cidadãos, ao contrário do Governo de Passos Coelho que foi trauliteiro e divisionista do povo.


Andam estes senhores a enodoar as mentes sem que, com a mesma oportunidade, se possamos escutar vozes contraditórias. Não só estamos fartos deste Governo de jumentude como começamos a fartar-nos também desta casta de comentadores que atacaram a comunicação televisiva.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Os ruidosos



O que devemos reter sobre o que se passou a semana anterior em torno caso das pensões é que jamais se deve dar crédito aos elementos deste governo de Passo Coelho e a ele próprio, porque, para esta gente, o que é hoje já não é amanhã. É bom que todos nos lembremos disto quando formos votar, mesmo nas eleições europeias, porque seremos um reflexo na Europa do que formos em Portugal.


 


Estes senhores do faz de conta que governam, experientes em disparates, trapalhadas e enganos, quando os cometem refugiam-se e apressam-se a dizer que houve falha de comunicação e que, o que estava subjacente não era bem isto, mas aquilo… Outras vezes queixam-se do ruído da comunicação que eles próprios criam, propositadamente ou por incompetência. Mesmo tendo colocado Poiares Maduro como responsável pela dita comunicação do governo pouco ou nada melhorou, em alguns casos até piorou tal como se viu na semana anterior.


As declarações do secretário de estado da Administração Pública num "briefing" foram a base para o ruído causado, não digo pela comunicação o social já que ela foi mais ou menos coerente no relato das declarações, mas refiro-me à trapalhada e à atrapalhação de elementos do Governo onde claro está, não poderia deixar de estar incluído o primeiro-ministro Passo Coelho.


Aquela semana foi dominada por declarações contraditórias sobre os cortes de pensões e sobre a sua transformação ou não em definitivos. Os cortes de pensões e de salários são a matéria preferida do Governo, aliás única, sobre a qual conseguiu governar, mal, até hoje.


Quanto ao vice-primeiro ministro, como anda no joguinho do toca e foge, lança umas tantas bocas costumeiras, depois recua para não dar muito nas vistas.


Nesta polémica do diz, que diz, mas não disse o que disse, etc., estiveram no centro da polémica, para além do referido secretário de estado, Passos Coelho falando em prudência, Paulo Portas com o desmentido ao secretário de estado afirmando que foi um "erro" que não devia ter acontecido", Marques Guedes, dizendo que foi um "alarmismo injustificado" e Luís Albuquerque a dizer que nada estava decidido. A confusão e a trapalhada estavam lançadas.


Até Marque Mendes, um dos comentadores pró-governo da televisão, afirmou sobre os cortes nas pensões: "uma trapalhada monumental". “Mais do que um problema de comunicação, esta é uma trapalhada monumental, a grande trapalhada da semana”. 


O que devemos reter sobre o que se passou a semana anterior em torno caso das pensões é que jamais se deve dar crédito aos elementos deste governo de Passo Coelho e a ele próprio, porque, para esta gente, o que é hoje já não é amanhã. É bom que todos nos lembremos disto quando formos votar, mesmo nas eleições europeias, porque seremos um reflexo na Europa do que formos em Portugal.




segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Léxico do politiquês


Marques Mendes na Revista Visão de quinta-feira defende a liberdade de escolha na educação que se prevê ser consubstanciada pelo governo num tal cheque-ensino ao qual nem sequer se refere, pelo menos enquanto conceito. Mas sobre este tema pode ler-se o blog seguinte.


O que achei espantoso, e apenas como um exercício de linguagem politica, foi o senhor propagandista em determinado momento do seu artigo de opinião se referir a uma coligação negativa de uma determinada direita burocrática com a esquerda mais conservadora. Espanto meu! Comecei logo a pensar em rever e reestudar toda a minha linguagem política. Estava perante uma autêntica revolução dos conceitos naquela ciência.


A literatura e jornalismo políticos sempre se referiram à direita como os conservadores (embora direita e esquerda não sejam fáceis de delimitar nos seus espectros políticos). Na Inglaterra há os Trabalhistas e os Conservadores, nos EUA os Republicanos, também denominados conservadores e os Democratas e, em qualquer dos países, segundo eles, os conservadores são assim chamados assumidamente com muita honra. Então fiquei baralhado.


A direita combate a esquerda por esta ser pelo progresso e pela evolução de uma política mais virada para o social em vez da manutenção das estruturas sociais mais clássicas e conservadoras.  Agora Marques Mendes chama-lhes conservadores. Para ele, com certeza, a palavra conservador, em política, adapta-se consoante os interesses do momento para confundir os patetas dos portugueses que este governo deve considerar mentecaptos. Pelo menos assim parece, de acordo com a baralhada das intervenções do primeiro-ministro, quer pelos termos utilizados quer pelo tipo de leis que manda elaborar e aprovar. Requalificação em vez de despedimentos, poupanças em vez de cortes, convergência em vez de cortes nas pensões, mobilidade especial em vez de deslocações forçadas… São tanta e tais que nem há paciência para escrever todas. Davam um dicionário de coelhês.


Já cá faltava também este com uma novilíngua como a do governo. 


 


 

Léxico do politiquês


Marques Mendes na Revista Visão de quinta-feira defende a liberdade de escolha na educação que se prevê ser consubstanciada pelo governo num tal cheque-ensino ao qual nem sequer se refere, pelo menos enquanto conceito. Mas sobre este tema pode ler-se o blog seguinte.


O que achei espantoso, e apenas como um exercício de linguagem politica, foi o senhor propagandista em determinado momento do seu artigo de opinião se referir a uma coligação negativa de uma determinada direita burocrática com a esquerda mais conservadora. Espanto meu! Comecei logo a pensar em rever e reestudar toda a minha linguagem política. Estava perante uma autêntica revolução dos conceitos naquela ciência.


A literatura e jornalismo políticos sempre se referiram à direita como os conservadores (embora direita e esquerda não sejam fáceis de delimitar nos seus espectros políticos). Na Inglaterra há os Trabalhistas e os Conservadores, nos EUA os Republicanos, também denominados conservadores e os Democratas e, em qualquer dos países, segundo eles, os conservadores são assim chamados assumidamente com muita honra. Então fiquei baralhado.


A direita combate a esquerda por esta ser pelo progresso e pela evolução de uma política mais virada para o social em vez da manutenção das estruturas sociais mais clássicas e conservadoras.  Agora Marques Mendes chama-lhes conservadores. Para ele, com certeza, a palavra conservador, em política, adapta-se consoante os interesses do momento para confundir os patetas dos portugueses que este governo deve considerar mentecaptos. Pelo menos assim parece, de acordo com a baralhada das intervenções do primeiro-ministro, quer pelos termos utilizados quer pelo tipo de leis que manda elaborar e aprovar. Requalificação em vez de despedimentos, poupanças em vez de cortes, convergência em vez de cortes nas pensões, mobilidade especial em vez de deslocações forçadas… São tanta e tais que nem há paciência para escrever todas. Davam um dicionário de coelhês.


Já cá faltava também este com uma novilíngua como a do governo. 


 


 

A noia dos iluminados da liberdade de escolha ou o cheque-ensino


 


Marques Mendes, uma das correias de transmissão de propaganda do governo, veio agora na Revista Visão de quinta-feira defender a liberdade de escolha na educação que se prevê ser consubstanciada pelo governo num tal cheque-ensino. Fala na liberdade de escolha entre ensino público ou privado onde as famílias possam educar os seus filhos, sem sequer, uma única vez, mencionar a palavra cheque-ensino que, ao que parece, é o que está em causa. Talvez para iludir quem o lê.


 Os argumentos que apresenta para criticar o que denomina de coligação negativa que, diz ele, se opõe à liberdade de escolha (leia-se cheque-ensino), são meramente de forma e não de conteúdo.  


Será de facto a questão da liberdade de escolha que se coloca? Se assim for Marque Mendes pressupõe que aquela, até este momento, não existe. Isto é, seguindo aquele raciocínio até agora quem tem filhos não os pode colocar onde achar mais conveniente seja ele no público ou privado, o que é mentira. Seria o tal cheque-ensino que iria possibilitar tal benesse?! Sim, mas aos que menos precisam.


O que se coloca em questão e se deve discutir é a atribuição de uma determinada verba por aluno, paga pelos nossos elevados impostos e pelos cortes que o governo tem feito, para que as famílias possam colocar os seus filhos nas escolas que tenham mais qualidade que, na ótica do governo são as escola privadas, mas para a qual se desconhecem critérios objetivos. E quem não desejaria, face à cada vez maior perda de qualidade da educação pública provocada pelo governo, colocar os seus filhos no privado?


Então vejamos: quer os que têm poucas ou muitas posses, ricos incluídos (não os ricos que, segundo o governo, auferem pouco mais de seiscentos euros), teriam direito a um cheque-ensino por cada filho optando desta forma por os colocarem na escola que achassem ser mais conveniente. Todos teriam então as mesmas oportunidades que, objetivamente, não são mais do que aparentes.


É sabido que, quem tem mais posses ou é rico já coloca os seus filhos no privado ou na escola privada que lhe aprouver, pelo menos a grande maioria. Certo ou errado? O cheque-ensino seria uma verba do Orçamento de Estado colocada à disposição de todos. Então, os de menos posses ou os que tenham salários mais reduzidos, que também pagam impostos, estariam a pagar indiretamente aos ricos uma verba pela qual iriam beneficiar como se não pudessem pagar na íntegra, como já pagam, para terem os seus filhos no ensino privado. Quer dizer, minimizava-se aos de maiores posses o encargo com a educação dos filhos, a troco do engodo de uma cenoura colocada aos restantes que seria o dito cheque-ensino o que, para a maioria, não chegaria para colocar os filhos num estabelecimento de ensino privado.


Pode argumentar-se que os ricos e os que têm mais posses também estão a pagar para os outros através dos impostos. É assim, uns pagam para os outros na proporção dos seus rendimentos. Mas a pergunta que se coloca é a de saber se a verba do cheque-ensino por aluno seria igual para todos. E é aqui que bate o ponto. Se assim for segue de acordo com a é ética e a moral deste governo e dos seus apoiantes que é a de prejudicar alguns para benefício de outros, normalmente os que não precisam.


Do ponto de vista económico poderia ser positivo pois dinamizava o mercado do ensino mas favorecia uma clique oportunista que se iria aproveitar do negócio colocando em segundo ou terceiro plano a qualidade do ensino. Veja-se o que aconteceu quando surgiram as primeiras universidades privadas, que algumas delas já não existem. 

A noia dos iluminados da liberdade de escolha ou o cheque-ensino


 


Marques Mendes, uma das correias de transmissão de propaganda do governo, veio agora na Revista Visão de quinta-feira defender a liberdade de escolha na educação que se prevê ser consubstanciada pelo governo num tal cheque-ensino. Fala na liberdade de escolha entre ensino público ou privado onde as famílias possam educar os seus filhos, sem sequer, uma única vez, mencionar a palavra cheque-ensino que, ao que parece, é o que está em causa. Talvez para iludir quem o lê.


 Os argumentos que apresenta para criticar o que denomina de coligação negativa que, diz ele, se opõe à liberdade de escolha (leia-se cheque-ensino), são meramente de forma e não de conteúdo.  


Será de facto a questão da liberdade de escolha que se coloca? Se assim for Marque Mendes pressupõe que aquela, até este momento, não existe. Isto é, seguindo aquele raciocínio até agora quem tem filhos não os pode colocar onde achar mais conveniente seja ele no público ou privado, o que é mentira. Seria o tal cheque-ensino que iria possibilitar tal benesse?! Sim, mas aos que menos precisam.


O que se coloca em questão e se deve discutir é a atribuição de uma determinada verba por aluno, paga pelos nossos elevados impostos e pelos cortes que o governo tem feito, para que as famílias possam colocar os seus filhos nas escolas que tenham mais qualidade que, na ótica do governo são as escola privadas, mas para a qual se desconhecem critérios objetivos. E quem não desejaria, face à cada vez maior perda de qualidade da educação pública provocada pelo governo, colocar os seus filhos no privado?


Então vejamos: quer os que têm poucas ou muitas posses, ricos incluídos (não os ricos que, segundo o governo, auferem pouco mais de seiscentos euros), teriam direito a um cheque-ensino por cada filho optando desta forma por os colocarem na escola que achassem ser mais conveniente. Todos teriam então as mesmas oportunidades que, objetivamente, não são mais do que aparentes.


É sabido que, quem tem mais posses ou é rico já coloca os seus filhos no privado ou na escola privada que lhe aprouver, pelo menos a grande maioria. Certo ou errado? O cheque-ensino seria uma verba do Orçamento de Estado colocada à disposição de todos. Então, os de menos posses ou os que tenham salários mais reduzidos, que também pagam impostos, estariam a pagar indiretamente aos ricos uma verba pela qual iriam beneficiar como se não pudessem pagar na íntegra, como já pagam, para terem os seus filhos no ensino privado. Quer dizer, minimizava-se aos de maiores posses o encargo com a educação dos filhos, a troco do engodo de uma cenoura colocada aos restantes que seria o dito cheque-ensino o que, para a maioria, não chegaria para colocar os filhos num estabelecimento de ensino privado.


Pode argumentar-se que os ricos e os que têm mais posses também estão a pagar para os outros através dos impostos. É assim, uns pagam para os outros na proporção dos seus rendimentos. Mas a pergunta que se coloca é a de saber se a verba do cheque-ensino por aluno seria igual para todos. E é aqui que bate o ponto. Se assim for segue de acordo com a é ética e a moral deste governo e dos seus apoiantes que é a de prejudicar alguns para benefício de outros, normalmente os que não precisam.


Do ponto de vista económico poderia ser positivo pois dinamizava o mercado do ensino mas favorecia uma clique oportunista que se iria aproveitar do negócio colocando em segundo ou terceiro plano a qualidade do ensino. Veja-se o que aconteceu quando surgiram as primeiras universidades privadas, que algumas delas já não existem. 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Os porta-vozes




Os homens de mão do governo ocupam tempos de antena das televisões como comentadores políticos autênticos porta-vozes do governo. Quem tiver paciência para os ouvir facilmente constatará a forma subtil como eles fazem análise política na base da lavagem das declarações do primeiro-ministro fazendo interpretações mais ou menos adocicadas das suas palavras. O mais caricato é que umas vezes critica Passos, noutra defendem-no acerrimamente. São uma espécie de cataventos, ao sabor dos interesses do momento, desejando um mudar de vida para um país mais justo para eles.


Interrogo-me como é possível que haja de facto isenção nestes senhores sendo eles defensores e apoiantes do partido no governo. Nas suas análises mostram gráficos cujas leituras e interpretações podem ser várias em função das variáveis e dados apresentados. Como exemplo bastaria assistir na TVI24 aos comentários de Marques Mendes, sobre as declarações do primeiro-ministro, em que desculpabilizava, deturpando completamente o seu sentido, transformando as suas declarações divisionistas, de quebra da coesão social e lançando gerações contra gerações em boas intenções.


De facto, passámos a ter nos canais de televisão comentários monolíticos de senhores que pretendem lavar-nos o cérebro e fazer pedagogia à boa maneira da ex-soviética e da Coreia do Norte. 

Os porta-vozes




Os homens de mão do governo ocupam tempos de antena das televisões como comentadores políticos autênticos porta-vozes do governo. Quem tiver paciência para os ouvir facilmente constatará a forma subtil como eles fazem análise política na base da lavagem das declarações do primeiro-ministro fazendo interpretações mais ou menos adocicadas das suas palavras. O mais caricato é que umas vezes critica Passos, noutra defendem-no acerrimamente. São uma espécie de cataventos, ao sabor dos interesses do momento, desejando um mudar de vida para um país mais justo para eles.


Interrogo-me como é possível que haja de facto isenção nestes senhores sendo eles defensores e apoiantes do partido no governo. Nas suas análises mostram gráficos cujas leituras e interpretações podem ser várias em função das variáveis e dados apresentados. Como exemplo bastaria assistir na TVI24 aos comentários de Marques Mendes, sobre as declarações do primeiro-ministro, em que desculpabilizava, deturpando completamente o seu sentido, transformando as suas declarações divisionistas, de quebra da coesão social e lançando gerações contra gerações em boas intenções.


De facto, passámos a ter nos canais de televisão comentários monolíticos de senhores que pretendem lavar-nos o cérebro e fazer pedagogia à boa maneira da ex-soviética e da Coreia do Norte. 

Os porta-vozes




Os homens de mão do governo ocupam tempos de antena das televisões como comentadores políticos autênticos porta-vozes do governo. Quem tiver paciência para os ouvir facilmente constatará a forma subtil como eles fazem análise política na base da lavagem das declarações do primeiro-ministro fazendo interpretações mais ou menos adocicadas das suas palavras. O mais caricato é que umas vezes critica Passos, noutra defendem-no acerrimamente. São uma espécie de cataventos, ao sabor dos interesses do momento, desejando um mudar de vida para um país mais justo para eles.


Interrogo-me como é possível que haja de facto isenção nestes senhores sendo eles defensores e apoiantes do partido no governo. Nas suas análises mostram gráficos cujas leituras e interpretações podem ser várias em função das variáveis e dados apresentados. Como exemplo bastaria assistir na TVI24 aos comentários de Marques Mendes, sobre as declarações do primeiro-ministro, em que desculpabilizava, deturpando completamente o seu sentido, transformando as suas declarações divisionistas, de quebra da coesão social e lançando gerações contra gerações em boas intenções.


De facto, passámos a ter nos canais de televisão comentários monolíticos de senhores que pretendem lavar-nos o cérebro e fazer pedagogia à boa maneira da ex-soviética e da Coreia do Norte.