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domingo, 29 de março de 2026

Guerra da informação e da contrainformação

 


A guerra promovida por Israel contra os palestinianos e outros povos não é de agora, mas sem ser tão violenta como a que se desenrola com o beneplácito dos EUA de Trump.

A disputa territorial remonta à criação do Estado de Israel em 1948 que, após a partilha da Palestina pela ONU em 1947, Israel declarou independência em 1948, o que levou à Primeira Guerra Árabe-Israelense. Muitos países árabes vizinhos não aceitaram a presença de Israel, resultando num estado de conflito contínuo.

Os argumentos que Israel tenta passar para a opinião pública internacional são as “ameaças existenciais” a que está sujeito frequentemente e justifica as suas ofensivas militares como medidas de defesa contra grupos militantes como Hamas e o Hezbollah e outras nações que não lhe reconhecem direito à sua existência e, portanto, procuram a sua extinção tornou-se o eixo central da sua comunicação externa. O tipo de coligação EUA-Israel vê como uma ameaça direta o programa nuclear e a influência regional do Irão que há muito financia grupos inimigos de Israel, alguns deles terroristas, o que resulta em ataques a alvos iranianos e a aliados do Irão. Mas, do meu ponto de vista o seu verdadeiro objetivo, o fundamental, é a ganância de espaço vital para a sua expansão e também, se possível, extinguir  povos que lhe possam fazer frente e o ameaçam (pode ler aqui o trauma social da perseguição).

O facto é que estamos em presença de uma guerra, por enquanto regional, que o presidente dos EUA Donald Trump ajudou a iniciar contribuindo previsivelmente para o seu alargamento num curto espaço de tempo. Se estivermos atentos às notícias que nos chegam pelas televisões e pela imprensa as declarações das partes em litígio, e também no interior de cada uma das partes, observamos que são, a maior parte das vezes, contraditórias. É uma espécie de círculo vicioso de informação e contrainformação numa Sequência de eventos negativos que se autorreforça e repete, gerando um impasse, por vezes, de difícil compreensão.

A guerra trava-se também no plano da informação. Num mundo em rede, a velocidade com que os dados circulam transformou-se simultaneamente numa arma e num escudo. A desinformação, a propaganda, as operações psicológicas e a manipulação estratégica deixaram de ser exceções e passaram a integrar, de forma estrutural, a política externa e a gestão, e ou, a má gestão das crises internacionais como temos verificado nas contradições sobretudo do Presidente dos EUA.

O processo “informação-desinformação” e “contrainformação” em tempo de guerra circulam no espaço onde se cruzam no ar plenas de contradições e de negações. Nega-se hoje o que se disse ontem.  A contra informação e a desinformação, assim como a propaganda, as operações psicológicas e a manipulação estratégica tornaram-se parte integrante da política externa e da gestão ou má gestão das crises internacionais. Os conceitos de contra informação e a desinformação são algo distintos. A contrainformação, muitas vezes ligada ao conceito de contra-narrativa ou operações psicológicas defensivas, refere-se às medidas tomadas para combater, negar ou neutralizar a desinformação do inimigo. A desinformação segundo a ONU é a disseminação deliberada de informações falsas, manipuladas ou fora de contexto com o objetivo de enganar, causar danos, manipular a opinião pública ou desmoralizar o inimigo.

Há uma competição informacional entre EUA-Israel e o Irão que se desenrola também ao nível interno de cada país assim, cada governo empenha-se em controlar a narrativa interna, garantir a coesão social e justificar decisões militares perante a população e a gestão das perceções de ameaça.

No caso da teocracia autoritária do Irão o poder político está intrinsecamente ligado à autoridade religiosa xiita. O controle estatal dos meios de comunicação permite uma narrativa homogénea e alinhada com os interesses do regime. Em contraste, tanto em Israel como nos Estados Unidos, a pluralidade mediática, (que nem sempre é plena, pode eventualmente sofrer restrições), podendo fomentar disputas internas e divergências de opinião que podem ser exploradas por adversários externos e até internos para enfraquecer a unidade nacional ou criar instabilidade política.

Na questão do Médio Oriente, que é ao nível regional a informação é usada como instrumento estratégico para influenciar aliados e rivais, por isso os três intervenientes procuram moldar perceções sobre a legitimidade dos ataques e operações militares através de narrativas da “resistência” ou da “segurança” numa competição por uma liderança simbólica. Esta guerra de informação, desinformação e contrainformação serve para consolidar ou desafiar alianças, ampliar influência política e militar, e promover ao nível das populações interpretações que favoreçam os respetivos interesses estratégicos.

Cada um dos intervenientes tenta enquadrar o conflito em distinções conforme o seu interesse para justificarem as suas ações bélicas usando vocábulos como “defesa”, “resistência”, “terrorismo”, “agressão” ou “direito internacional” a fim de legitimarem as suas ações e deslegitimar as do adversário. O impacto desta disputa ultrapassa fronteiras, influenciando decisões diplomáticas, sanções, apoios internacionais e a própria percepção do conflito por parte de audiências globais, tornando a gestão da informação um elemento central da estratégia de cada interveniente.

Na guerra entre Israel-EUA e o Irão ainda, e por enquanto, predominantemente regional, foi claramente agravado pela ação política dos Estados Unidos, contribuindo para uma rápida escalada das tensões. A informação que chega ao público através dos meios de comunicação é frequentemente contraditória, não apenas entre as partes em litígio, mas também no interior de cada uma delas. Declarações são desmentidas, versões são revistas e o discurso oficial adapta se ao ritmo dos acontecimentos, criando um círculo vicioso de informação e contrainformação que dificulta qualquer leitura consistente da realidade. Mais do que uma guerra aberta, trata-se dum confronto permanente onde a ambiguidade estratégica é deliberadamente cultivada.

Fazendo uma breve síntese podemos afirmar que a guerra entre Israel-EUA e o Irão não se trava apenas com drones, mísseis, bombardeamentos ou sanções. Trava-se também com palavras, imagens, símbolos e interpretações. A informação tornou-se um recurso estratégico tão importante quanto o poder militar.

Num mundo saturado de informação, a capacidade de a distinguir da contrainformação é um exercício que também nos compete a nós que diariamente vemos e ouvimos as notícias nos canais dirigidas ao grande público, mas também nas redes sociais que nos mentem a cada instante com informações deturbadas e enganadoras. A disputa pela narrativa continuará a moldar não apenas a percepção do conflito, mas também as condições para a sua escalada em vez da resolução.


sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Não basta acreditar e partilhar é preciso verificar

Faces da desinformação.png


Quando o jornalismo sensacionalista se sobrepõe à verdade e noticia narrativas como sendo a verdade dos acontecimentos e, como no caso do hospital em Gaza, toma como verídica apenas a informação de um dos lados, o Hamas, sem o confirmar nem validar com outras fontes, então está a trabalhar no sentido da propaganda e da desinformação proveniente de apenas um dos lados fazendo com que as suas narrativas vençam.


Por entre as guerras com mais visibilidade como são a da Ucrânia e a do Israel-Hamas há uma outra guerra que se desenrola fora do campo de batalha que envolve uma disputa pela mente e pela emoção das pessoas. É uma outra guerra que passa para o meio social que reage consoante o ambiente informativo.


Em tempo de guerra a desinformação surge em enxurrada e agrava-se com a contrainformação feita pelos Estados. A desinformação, algumas vezes gerada por ignorância, outras por premeditação pelas partes em confronto na tentativa de captar para as suas razões as opiniões públicas em vários países e a maior parte das vezes toma posições antagónicas.


É uma estratégia complementar à contrainformação cuja finalidade é enganar e fornecer informações falsas ou distorcidas, para confundir, desorientar ou desmoralizar. O seu objetivo é moldar a perceção pública da realidade e influenciar o decurso das operações captando a atenção do público. Associada à desinformação tem o efeito de poder ser aproveitada por cada uma das partes para levar o público a tirar ilações e interpretações consoante os seus interesses e, em tempos de conflito, tornou-se uma tendência para aproveitar mensagens provenientes de personalidades com influência. É por isso que devemos estar atentos aos riscos e à manipulação mediática que podem atingir a democracia, os direitos humanos e até a paz mundial.


Vem ao caso o discurso do Secretário-Geral António Guterres no Conselho de Segurança da ONU, a 24 de outubro, sobre a guerra entre Israel e o Hamas onde afirmou que “um tsunami de desinformação que está a alimentar a polarização e a desumanização. Devemos enfrentar as forças do antissemitismo, do fanatismo muçulmano e de todas as formas de ódio”, palavras que levaram Israel a exigir a sua demissão do cargo de secretário-geral das Nações Unidas. A partir de um discurso ou de uma opinião é sempre possível fazerem-se várias leituras consoante os pontos de vista que se pretendam evidenciar.


Os media (órgãos de comunicação social: imprensa, rádio, televisão e internet, sobretudo as redes sociais) têm um papel fundamental na difusão da informação podendo contribuir para a manipulação da opinião pública de modo a corresponder aos pontos de vista de cada uma das partes envolvidas num conflito.


A informação, quando fornecida em termos de propaganda, assenta na difusão de ideias, valores e informações com o objetivo de influenciar a opinião pública e o comportamento das populações e, frequentemente, tem a tendência para distorcer a realidade, criando falsas expectativas ou ilusões sobre o andamento ou o possível desfecho dum conflito/guerra.


Se, por um lado, numa situação de conflito bélico a comunicação social tem o dever de informar e esclarecer sobre os acontecimentos da guerra, por outro lado, também pode servir para influenciar o moral dos militares envolvidos nas operações e da população civil assim como mobilizar apoios e denunciar atrocidades e contribuir para a difamação dos inimigos. Durante a Segunda Guerra Mundial, com meios de comunicação muito mais rudimentares comparativamente aos de hoje, foi utilizada a propaganda para influência da opinião pública sobre os vários países envolvidos.


A comunicação social, sobretudo os canais de televisão, é um elemento essencial e poderoso da propaganda que possibilita influenciar e explorar os sentimentos de patriotismo, medo, ódio, esperança e até de culpa. Por outro lado, pode gerar ansiedade, pânico, ódio, preconceito e até violência contra os inimigos ou grupos minoritários dos elementos em confronto.


Assim, surge a contrainformação com a estratégia de enganar o adversário e as opiniões públicas das nações em confronto ao fornecer informações falsas ou distorcidas, para confundir, desorientar ou desmoralizar através da rádio, jornais, panfletos, cartazes, televisão e internet. As redes digitais passaram a fazer parte das operações militares nos conflitos armados podendo interromper o funcionamento de infraestruturas essenciais e serviços vitais para a população civil. Veja-se o que está a acontecer no conflito Israel-Hamas onde foram cortadas infraestruturas de água, energia e também de redes de comunicação com consequências devastadoras associadas a danos por bombardeamentos que afetam hospitais e outros serviços que deixam de funcionar total ou parcialmente para a população civil.


Os hackers são outros elementos que estão a contribuir para a desinformação. Como não são militares não agem de acordo com instruções oficiais das autoridades, mas tornam-se elementos participantes importantes na guerra moderna, a ciberguerra, e não se abstêm de cometer crimes de guerra se consideramos as "leis da guerra cibernética” criadas pela Cruz Vermelha que parece ninguém cumprir.


Não apenas em tempos de guerra, mas também quando há polarização entre estados ou grupos sociopolíticos os hackers podem apoiar voluntariamente um lado ou outro do conflito através operações nas redes digitais globais para combater o inimigo e gerar desinformação. Pode ser, por exemplo, piratear para recolher informações ou operações de sabotagem para destruir bases de dados importantes, ou ainda espalhar desinformação. Os hackers militares podem fazer tudo isto, mas obedecem a ordens, têm comando e representam uma das partes do conflito.


Para combater a manipulação através da desinformação restaria a censura aos diversos canais de informação, como parece estar a acontecer na Federação Russa, para restringir ou proibir informações e notícias consideradas perigosas, ofensivas ou subversivas para um Estado, um governo ou para a sociedade, mas isso é algo que não se pretende. A censura pode estabelecer-se por decreto e estar implícita em algumas redações de órgãos de informação onde se evitam algumas designações como, por exemplo, as que são feitas como ser o Hamas terrorista, como é o caso da BBC.


A BBC não atribui ao Hamas a designação “terrorista” o que é justificado por um artigo no site da BBC News onde o autor escreve que: “Mas isso não significa que devamos começar a dizer que a organização cujos apoiantes os levaram a cabo é uma organização terrorista, porque isso significaria que estávamos a abandonar o nosso dever de permanecer objetivos.


Ao confundir-se isenção e neutralidade com objetividade parece de algum modo estar a confundir a opinião pública para lavar a face daquela organização. O facto é que foi mesmo um ato terrorista.


O Conselho de Segurança das Nações Unidas em outubro de 2004 na resolução 1566 considerou os atos de terrorismo “como atos criminosos, nomeadamente contra civis, cometidos com o intenção de causar morte ou lesões corporais graves, ou fazer reféns, com o propósito de provocar um estado de terror no público em geral ou num grupo de pessoas ou determinadas pessoas, intimidar uma população ou obrigar um governo ou uma organização internacional praticar ou abster-se de praticar qualquer ato que constitua crimes no âmbito e conforme definidos nas convenções internacionais e protocolos relativos ao terrorismo, não são em circunstância alguma justificáveis por considerações de ordem política, filosófica, ideológica, racial, étnica, religiosa ou outros de natureza semelhante, e apela a todos os Estados para que evitem tais atos e, se não prevenidos, para garantir que tais atos sejam punidos com penas compatíveis com a sua natureza grave.


Independentemente do que o Hamas defenda o facto é que praticou um ato terrorista no dia 7 de outubro passado. Não podemos disfarçar ou esconder uma ação explícita não a nomeando ou fazendo esquecê-la. Chamar terrorismo à ação executada pelo Hamas não é perder a objetividade. Neste caso específico, como entre outros, a independência não é ser neutro porque neste caso o ser neutro é estar a favor das atrocidades cometidas.


Num conflito como é o do confronto entre Israel e da força militar do Hamas em que este último praticou um ato de terrorismo o jornalismo e a prestação da informação ao público, seja ele que media utilize, imprensa, rádio ou televisão tem a obrigação de verificar e validar as fontes e ter a precaução necessária quando não tem certezas. Quando o jornalismo sensacionalista se sobrepõe à verdade e noticia narrativas como sendo a verdade dos acontecimentos e, como no caso do hospital em Gaza, e toma como verídica apenas a informação de um dos lados, o Hamas, sem o confirmar nem validar com outras fontes, então está a trabalhar no sentido da propaganda e da desinformação proveniente de apenas um dos lados fazendo com que as suas narrativas vençam. Um órgão de comunicação que trabalhe assim estará a trabalhar pro bono para disseminar a propaganda como pretende a organização político militar Hamas, ou, como alguns lhe chamam, Movimento da Resistência Islâmica. Se for assim, a narrativa do Hamas já venceu, e isso pode ser um enorme problema para todos nós.


Combater a desinformação é um dos maiores desafios num mundo onde proliferam informações falsas que se espalham rapidamente. Para tal, deve ser incrementar o desenvolvimento crítico do pensamento em relação à informação que consumimos. Outro ponto importante é o da verificação de fontes de uma informação antes de acreditar e compartilhar. Esta verificação deve ser conferida através de se fonte confiável e se essa informação foi corroborada por fontes independentes e respeitáveis e não partilhar informações duvidosas ou sensacionalistas.


Combater a desinformação é uma responsabilidade que requer os nossos esforços e os da comunicação social.  A atenção e o cuidado preventivo no sentido de se estar vigilante e comprometido no sentido de se promoverem informações precisas e verificadas.


 

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

As esquerdas radicais e as narrativas de inversão do contexto

Inversão do contexto e esquerdas.png


"Manifestações pró-Hamas em toda a Europa são horripilantes". "As manifestações pró-Hamas em massa nos Estados Unidos e na Europa são horríveis porque significam que há apoio positivo ao Hamas mesmo nas sociedades ocidentais". Irina Tsukerman


"Israel não está a tentar punir os civis de Gaza, está a tentar derrotar o Hamas e um exército que luta contra outra força pode privá-los de comida". Professor Eugene K..


A dialética do avesso é a dialética dos radicais de esquerda, (auto negação do negativo e negar que o ataque do Hamas não foi terrorista foi ato de libertação), ativando a intencionalidade de propagação do negativo para que se torne positivo. É a culpabilização da vítima e com apologia do agressor.


É a inversão de papéis. É o ato de virar do avesso algo que estava na posição certa. Isto é, “colocar do avesso” os factos é deixar que o que antes estava certo seja colocado de forma contrária. É criar um sentido que é contrário aos dos factos É virar do avesso as posições de cada um dos atores em presença na tentativa de modificar a aparência e a essência enquanto ideia principal da realidade.


Relatar histórias e divulgar factos que se desviam das convenções e expectativas típicas de um determinado acontecimento, sobretudo em situações de guerras ou agressões terroristas são uma forma de narrativa política verificada em contextos de confronto político e ideológico. São narrativas de inversão que visam, frequentemente, desafiar normas estabelecidas, provocar reflexão por mudança de sentido e oferecer perspetivas contrárias ao tema ou facto que se desenrolam.


Uma das formas mais comum de manifestação duma narrativa de inversão por parte da informação por organizações, movimentos ou partidos políticos é a da inversão de papéis. Esta inversão verifica-se sempre que duas fações, uma nação ou povo estão em confronto, sobretudo em situação de guerra, e também quando há uma beligerância que depende dum grupo de rebeldes dotados duma organização que controla parte de um território assim como a sua população e colocam em causa a legitimidade dum governo ou dum povo.


De acordo com os elementos duma narrativa tradicional, escrita ou verbalizada, o protagonista é normalmente o personagem com quem o público simpatiza e apoia, enquanto o antagonista se opõe aos objetivos do protagonista. Estes “atores” em cena, conforme os ângulos e perspetivas político-ideológicas, podem trocar de posições segundo os vários pontos de vista. Considerando o atual contexto de guerra de Israel contra a organização terrorista Hamas esta situação está a verificar-se.


Assim, em política desenvolvida sobretudo em ocasião de guerra, criam-se narrativas de inversão em que os papéis dos “atores” são invertidos. O antagonista (o mau) pode tornar-se o protagonista (o bom) e o protagonista (o bom) pode tornar-se no antagonista (o mau). Isso pode levar a uma mudança na perceção do público orientando-o a reconsiderar as suas noções preconcebidas e a ter empatia pelos personagens que inicialmente consideravam vilões.


É com tentativas de inversão que as esquerdas radicais em todo o Mundo, em Portugal representados pelo PCP, pelo BE e outros esquerdistas, pretendem instigar o público a colocar-se em situação crítica para com os israelitas  


Veja-se o caso da guerra da Ucrânia em que a Rússia pela voz do seu presidente Vladimir Putin e dos seus porta-vozes quando atribuem a causa da invasão daquele país ao Ocidente (EU, EUA e NATO) associada à pretensão destes pretenderem invadir e bloquear a Rússia.


As narrativas de inversão desafiam os papéis tradicionais, as normas e as dinâmicas de poder num determinado contexto e ainda subverter as expectativas sociais. Ao fazê-lo, promovem o pensamento crítico e a reflexão sobre estas normas no sentido de incentivarem o público a questionar e, potencialmente, a mudar as suas próprias perspetivas.


As narrativas de inversão podem empregar outras técnicas, como reviravoltas na enredo de opiniões e no desenvolvimentos inesperados de atitudes para desafiar as expectativas e criar surpresa ou tensão.


Os dispositivos para a inversão e adulteração de factos ocorre sob a forma de comentários, opiniões, documentários, peças jornalísticas e manifestações com narrativas que ajudam a envolver o público e a mantê-lo na dúvida sobre a ocorrência. Podem provocar reflexão, encorajar a empatia e promover uma compreensão oposta sobre questões complexas.


No geral, as narrativas de inversão em caso de guerras de agressão pretendem fornecer a visão contrária à veracidade do facto comprovado (inversão) atribuindo aos agredidos a responsabilidade de atos por eles não praticados transformando as vítimas em culpados, subvertendo as expectativas em favor de um dos lados, desafiando as abordagens convencionais. São as guerras paralelas de informação e contra informação no sentido de confundir o público.


Caso típico da inversão da narrativa é o caso do PCP que, sem condenar explicitamente o Hamas pelo ataque terrorista, tenta responsabilizar o ocidente pelo acontecido e reforçando a narrativa dos «crimes de guerra em curso na ação de massacre de Israel à Faixa de Gaza».


Nas redes sociais radicais de esquerda, sectários, antissemitas, falsos apoiantes e defensores dos palestinianos debitam frases hediondas, convocam manifestações anti Israel e clamam morte aos judeus, quais nazis do tempo de Hitler. Nas televisões são emitidos vídeos amadores captados por telemóveis em que se fazem proclamações de vingança e ódio contra Israel e o seu povo, acusando-o de barbárie ao mesmo tempo que esquecem a barbárie terrorista perpetrada pelo Hamas e o ataque ao Hospital Al-Ahli Arabi, na cidade de Gaza, que, supõe-se, terá sido efetuado pela Jihad Islâmica da Palestina, apesar de não haver a certeza de como este último facto aconteceu. A política de inversão de causas é diariamente arquitetada pelas forças hostis a Israel e emitida pelos mais diversos canais.


No dia 16 de outubro o jornal Público noticiou que Paulo Raimundo do PCP «acusa a UE de ‘hipocrisia e cinismo’ no conflito entre Israel e Hamas quando apresentou as conclusões da reunião do comité central. Paulo Raimundo criticou a ‘clamorosa hipocrisia e cinismo’ em torno do conflito entre Israel e o Hamas, considerando que aqueles que ‘estiveram calados anos sucessivos’ sobre a ocupação da Palestina por Israel ‘também se calaram’ agora perante os ‘crimes de guerra em curso na ação de massacre de Israel à Faixa de Gaza’». A pergunta que podemos fazer ao PCP é a de saber e resolver o problema que avançam e tendo a Palestina sido ocupada por Israel e ao mesmo tempo se quer devolver o território às populações originais, o que fazer ao povo de Israel?


Não venham as esquerdas radicais criticar opiniões e comentários que se fazem sobre o conflito israelo-palestiniano e que condenam o atentado terrorista do Hamas apenas porque são feitos por orientações de direita e capitalistas e que apoiam os EUA e o ocidente.  


Maria João Marques, com quem nem sempre estou de acordo escreveu no Público que «A hipocrisia da extrema-esquerda (por cá representada pelos setores ligados ao PCP e ao BE) ficou totalmente exposta. Não é possível passar a vida a gritar com estrépito supostamente em prol dos direitos humanos de minorias cada vez mais exíguas e, logo a seguir, aplaudir e defender todos os regimes onde são terraplanados os mais básicos direitos das mulheres, dos gays e lésbicas e das minorias étnicas ou religiosas. Podem dar as voltas retóricas que entenderem, que a hipocrisia fica com rabo de fora.»


Maria João continua escrevendo que a «Extrema-esquerda, manancial de ódio (e de perigo). É este o padrão da esquerda dita progressista olhando para o resto do mundo fora da Europa e Estados Unidos. Já estamos habituados. Porém, nas reações ao absolutamente desumano e absurdamente cruel ataque terrorista do Hamas a Israel, este viés hiperbolizou-se na esquerda radical para o mais acirrado ódio ao Ocidente, ao nosso modo de vida e aos nossos valores. Incluindo a democracia.»


E acrescenta que «Também percebemos: o que move esta esquerda radical não é a defesa de algo positivo (concorde-se ou não). É o ódio ao Ocidente por aquilo que é: capitalista, iluminista e rico por ser capitalista. E livre. Já dizia Orwell, no mesmo prólogo (traduzo): “A russomania corrente é só um sintoma do enfraquecimento da tradição liberal ocidental.” Não se é liberal nem democrata quando se defende regimes totalitários ou iliberais.», e que: «Em Stanford, um professor chamou aos alunos judeus “colonizadores”​ e menosprezou o Holocausto. Quanto antissemitismo. Associações de alunos de Harvard, em comunicado, culparam Israel pelos assassinatos, violações e raptos do Hamas. Manifestações antissemitas, celebrando até a “criatividade”​ do Hamas, foram avistadas em vários campus».


E termina afirmando «Que somos fracos, claro, e tão imbecis que cantamos louvores a qualquer violência não-branca. Que celebramos e nos aliamos a terroristas. Aplaudimos violência sobre quem tem modo de vida igual ao nosso — quem vai para um festival dançar, ouvir música, divertir-se, namorar, procurar parceiro para umas noites e criar boas memórias. No fundo, que merecemos a mesma violência».


Lendo os comentários ao artigo que criticam a autora ficamos a perceber da parte de onde vêm e que são absolutamente sectários. Esclareço, contudo, que não estou absolutamente do lado da política colonialista e expansionista de Israel, mas tenho em conta que atos de violência terrorista apenas agudizam os problemas. Até podemos considerar que este ato hediondo do Hamas tenha tido outras causas próximas que não tenham somente a ver com a questão israelo-palestiniana, mas que terceiros terão utlizado para gerar outros conflitos regionais para conseguirem os seus objetivos noutras áreas. Esta última parte é apenas uma hipótese, ou, se quiserem, uma espécie de teoria da conspiração que tem o valor que tem.


 

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Será este o assustador pensamento de Putin?

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Na segunda-feira 4 de abril as forças ucranianas continuaram, aparentemente, a derrotar os invasores russos, apesar de no domingo 3 de abril de 2022 um artigo de Sergeytsev publicado pelos media oficiais russos afetos ao regime de Putin alega que o “ukronazismo”, neologismo utilizado pelos fanáticos de Putin, é uma ameaça mais considerável para o mundo do que o Partido Nazista de Hitler e pedindo uma completa tomada russa do território e da cultura ucraniana. Refere-se ainda a Bandera um nacionalista ucraniano que liderou um movimento de guerrilha nas décadas de 1930 a 1950 pela independência da Ucrânia cujas ideias eram controversas. Faleceu em 1959.


A estratégia comunicacional do Presidente Vladimir Putin é a de recuperar ideologia nazi de Hitler, ainda presentes nas populações, de modo a promover um efeito de revolta acusando os ucranianos de nazis para que se revoltem contra o povo ucraniano e mostrando Putin como o grande opositor ao nazismo. Isto é, sendo ele mesmo uma espécie de nazi travestido de democrata.


O artigo que transcrevo na íntegra tem apenas pequenos ajustamentos ao português, revela o pensamento assustador de Putin e é manifestamente de incitamento à guerra e à violência contra o povo ucraniano e não só, o que foi explícito na prática pelas ações criminosas do exército ocupante que está patente em frases como estas:


“No entanto, além do topo, uma parte significativa da massa popular, que são nazis passivos, cúmplices do nazismo, também é culpada”.


“… mas incluindo e acima de tudo o totalitarismo ocidental, programas impostos de degradação civilizacional e desintegração, mecanismos de subordinação à superpotência do Ocidente e ESTADOS UNIDOS.”


“… A Rússia fez todo o possível para salvar o Ocidente no século XX. Implementou o principal projeto ocidental, uma alternativa ao capitalismo, que derrotou os estados-nação, o projeto socialista e vermelho.”


“O último ato de altruísmo russo foi a mão estendida da amizade russa, para a qual a Rússia recebeu um golpe monstruoso da década de 1990.” O autor refere-se aqui ao colapso da URSS.


O que a Rússia deve fazer com a Ucrânia


O artigo da autoria de Timofey Sergeytsev foi publicado num media da Rússia às 08:00 de 03.04.2022 (atualizado: 19:36 05.04.2022).


Ucrânia e Putin ideólogo.png.jpg


Timofey Sergeytsev


Em abril do ano passado, escrevi sobre a inevitabilidade da desnazificação da Ucrânia. Não precisamos de uma Ucrânia nazista, baseada em Bandera, inimiga da Rússia e um instrumento do Ocidente para destruir a Rússia. Hoje, a questão da desnazificação mudou-se para o plano prático.


A desnazificação é necessária quando uma parte significativa do povo - provavelmente a maioria - foi absorvida e atraída para a política pelo regime nazista. Ou seja, quando a hipótese de "o povo é bom – o governo é ruim" não funciona. O reconhecimento desse fato é a base da política de desnazificação, de todas as suas atividades, e o fato em si é o seu tema.


A Ucrânia está nessa situação. O facto de o eleitor ucraniano ter votado pela "paz de Poroshenko" e pelo "mundo de Zelensky" não deve ser enganoso – os ucranianos ficaram bastante satisfeitos com o caminho mais curto para a paz através da blitzkrieg, que os dois últimos presidentes ucranianos sugeriram de forma transparente quando foram eleitos. É esse método de "apaziguamento" dos antifascistas internos – através do terror total – que tem sido usado em Odessa, Kharkiv, Dnepropetrovsk, Mariupol, outras cidades russas. E isso serviu muito bem ao ucraniano na rua. A desnazificação é um conjunto de medidas contra a massa “nazizada” da população, que tecnicamente não pode ser punida diretamente como criminosos de guerra.


Os nazis, que pegaram em armas, devem ser destruídos o máximo possível no campo de batalha. Nenhuma distinção significativa deve ser feita entre ESTEIRA e os chamados Natsbats, bem como a defesa territorial que se juntou a esses dois tipos de formações militares. Todos eles estão igualmente envolvidos em extrema crueldade contra a população civil, são igualmente culpados do genocídio do povo russo, e não cumprem as leis e os costumes da guerra. Criminosos de guerra e nazis ativos devem ser punidos de forma aproximadamente e demonstrativa. A eliminação total deve ser realizada. Todas as organizações que se associaram à prática do nazismo foram liquidadas e banidas. No entanto, além do topo, uma parte significativa da massa popular, que são nazis passivos, cúmplices do nazismo, também é culpada. Eles apoiaram e satisfizeram o governo nazista. Uma punição justa dessa parcela da população só é possível como um porte dos inevitáveis fardos de uma guerra justa contra o sistema nazista, conduzida com o maior cuidado e cautela possível em relação aos civis. A desnazificação adicional dessa massa da população consiste na reeducação, que é alcançada pela repressão ideológica (supressão) das atitudes nazistas e da censura estrita: não apenas na esfera política, mas necessariamente também no âmbito da cultura e da educação. Foi através da cultura e da educação que uma profunda nazificação em massa da população foi preparada e implementada, reforçada pela promessa de dividendos da vitória do regime nazista sobre Rússia, propaganda nazista, violência interna e terror, bem como uma guerra de oito anos com as pessoas que se rebelaram contra o nazismo ucraniano Donbass.


A desnazificação só pode ser realizada pelo vencedor, o que implica (1) o seu controle incondicional sobre o processo de desnazificação e (2) o poder de garantir tal controle. A este respeito, um país desnazificado não pode ser soberano. O Estado desnazificante, a Rússia, não pode proceder a partir de uma abordagem liberal para a desnazificação. A ideologia do denazificador não pode ser contestada pelo culpado submetido à desnazificação. O reconhecimento da Rússia da necessidade de desnazificar a Ucrânia significa o reconhecimento da impossibilidade do cenário da Crimeia para a Ucrânia como um todo. No entanto, esse cenário era impossível em 2014 e no rebelde Donbass. Apenas oito anos de resistência à violência nazista e ao terror levaram à coesão interna e a uma recusa em massa consciente e inequívoca de manter qualquer unidade e conexão com a Ucrânia, que se definiu como uma sociedade nazista.


O tempo de desnazificação não pode de forma alguma ser inferior a uma geração, que deve nascer, crescer e atingir a maturidade nas condições de desnazificação. A Nazificação da Ucrânia durou mais de 30 anos, começando pelo menos em 1989, quando o nacionalismo ucraniano recebeu formas legais e legítimas de expressão política e liderou o movimento pela "independência", correndo em direção ao nazismo.


A peculiaridade da Ucrânia nazificada moderna é a amorfo e a ambivalência, que tornam possível disfarçar o nazismo como um desejo de "independência" e um caminho "europeu" (ocidental, pró-americano) de "desenvolvimento" (na realidade - à degradação), para afirmar que na Ucrânia "não há nazismo, apenas excessos isolados privados". Afinal, não há nenhum partido nazista principal, nem Führer, nenhuma lei racial de pleno direito (apenas uma versão truncada deles na forma de repressões contra a língua russa). Como resultado, não houve oposição e resistência ao regime.


No entanto, tudo isso não faz do nazismo ucraniano uma "versão leve" do nazismo dos tempos alemães da primeira metade do século XX. Pelo contrário, uma vez que o nazismo ucraniano está livre de tais estruturas e restrições de "gênero" (político e tecnológico em essência), ele desdobra-se livremente como a base fundamental de todo o nazismo – como europeu e, na forma mais desenvolvida, o racismo americano. Portanto, a desnazificação não pode ser realizada em um compromisso, com base em uma fórmula como "OTAN "Não, a UE sim." O próprio coletivo Ocidente é o designer, fonte e patrocinador do nazismo ucraniano, enquanto os quadros de Bandera Ocidental e a sua "memória histórica" são apenas uma das ferramentas para a Nazificação da Ucrânia. O ukronazismo carrega nada menos do que uma ameaça maior ao mundo e à Rússia do que o nazismo alemão de origem de Hitler.


O nome "Ucrânia" aparentemente não pode ser mantido como um título de qualquer entidade estatal totalmente desnazificada no território libertado do regime nazi. As repúblicas do povo recém-criadas no espaço livre do nazismo devem e crescerão a partir da prática de autogoverno económico e segurança social, restauração e modernização dos sistemas de suporte à vida da população.


Sua aspiração política não pode de facto ser neutra – a redenção da culpa perante a Rússia por tratá-la como inimiga só pode ser realizada em confiar na Rússia nos processos de restauração, reavivamento e desenvolvimento. Nenhum "Plano Marshall" para esses territórios deve ser permitido. Não pode haver "neutralidade" no sentido ideológico e prático compatível com a desnazificação. O pessoal e as organizações, que são um instrumento de desnazificação nas novas repúblicas desnazificadas, não podem deixar de contar com a força direta e o apoio organizacional da Rússia.


A desnazificação inevitavelmente também será a desinrainização – uma rejeição da inflação artificial em larga escala do componente étnico da autoidentificação da população dos territórios históricos de Malorossiya e Novorossiya, que foi iniciada pelas autoridades soviéticas. Sendo um instrumento de superpotência comunista, após a sua queda, o etnocentrismo artificial não permaneceu abandonado. Ele passou nesta capacidade oficial sob o comando de outra superpotência (poder em pé sobre estados) - a superpotência do Ocidente. Deve ser devolvido aos limites naturais e privado de funcionalidade política.


Ao contrário, digamos, Geórgia e países Báltico. A Ucrânia, como a história mostrou, é impossível como um Estado-nação, e as tentativas de "construir" um naturalmente levam ao nazismo. O ukrainismo é uma construção artificial anti-russa que não tem seu próprio conteúdo civilizacional, um elemento subordinado de uma civilização alienígena e alienígena. A desbanderização por si só não será suficiente para a desnazificação – o elemento Bandera é apenas um intérprete e uma tela, um disfarce para o projeto europeu da Ucrânia nazi, de modo que a desnazificação da Ucrânia é também a sua inevitável deseuropeização.


A elite bandera deve ser liquidada, a sua reeducação é impossível. O "pântano" social, que o apoiou ativamente e passivamente pela ação e inação, deve sobreviver às dificuldades da guerra e assimilar a experiência como lição histórica e redenção de sua culpa. Aqueles que não apoiaram o regime nazi, sofreram com ele e a guerra em Donbass desencadeada por ele, deve ser consolidada e organizada, deve tornar-se o apoio do novo governo, no seu vertical e horizontal. A experiência histórica mostra que as tragédias e dramas de tempos de guerra beneficiam os povos que são seduzidos e levados pelo papel do inimigo da Rússia.


A desnazificação como objetivo de uma operação militar especial no âmbito desta operação é entendida como uma vitória militar sobre o regime de Kiev, a libertação de territórios de partidários armados da Nazificação, a eliminação de nazi irreconciliáveis, a captura de criminosos de guerra, bem como a criação de condições sistémicas para a subsequente desnazificação dos tempos de paz.


Este último, por sua vez, deve começar com a organização de órgãos locais de autogoverno, milícia e defesa, purificados de elementos nazistas, o lançamento com base nos processos constituintes da fundação de um novo estado republicano, a integração deste estado em estreita cooperação com o departamento russo para a desnazificação da Ucrânia (recém-criada ou refeita, digamos, de Rossru dotnichestvo), com a adoção sob controle russo do quadro regulatório republicano (legislação). sobre a desnazificação, definindo os limites e o quadro para a aplicação direta da lei russa e da jurisdição russa no território libertado no campo da desnazificação, a criação de um tribunal para crimes contra a humanidade na antiga Ucrânia. A este respeito, a Rússia deve agir como guardiã dos julgamentos de Nuremberg.


Tudo isso significa que, para alcançar os objetivos de desnazificação, é necessário apoiar a população, mudar para o lado da Rússia após a libertação do terror, violência e pressão ideológica do regime de Kiev, após a retirada do isolamento da informação. É claro que levará algum tempo para que as pessoas se recuperem do choque das operações militares, para se convencerem das intenções de longo prazo da Rússia – de que "elas não serão abandonadas".


É impossível prever com antecedência em que territórios, tal massa da população constituirá uma maioria extremamente necessária. É improvável que a "Província Católica" (Ucrânia Ocidental, composta por cinco regiões) se torne parte dos territórios pró-Russos. A linha de alienação, no entanto, será encontrada empiricamente. Manterá uma Ucrânia hostil à Rússia, mas à força neutra e desmilitarizada com o nazismo banido por motivos formais. Os que odeiam a Rússia irão para lá. A garantia da preservação deste Ucrânia residual em um Estado neutro deve ser a ameaça de continuação imediata da operação militar em caso de descumprimento dos requisitos listados. Isso pode exigir uma presença militar russa permanente em seu território. Da linha de alienação até a fronteira russa será o território de potencial integração à civilização russa, antifascista em sua natureza interna.


A operação para desnazificar a Ucrânia, que começou com a fase militar, seguirá em tempos de paz a mesma lógica de estágios da operação militar. Em cada um deles, será necessário alcançar mudanças irreversíveis, que serão os resultados da etapa correspondente. Neste caso, as etapas iniciais necessárias de desnazificação podem ser determinadas da seguinte forma:



  • liquidação de formações nazis armadas (que são entendidas como quaisquer formações armadas da Ucrânia, incluindo as Forças Armadas da Ucrânia), bem como as forças militares, informações, infraestrutura educacional que garante sua atividade;

  • a formação dos órgãos autogovernados e da milícia (defesa e lei e ordem) dos territórios libertados, protegendo a população do terror de grupos nazistas subterrâneos;

  • instalação do espaço de informação russo;

  • o confisco de materiais educativos e a proibição de programas educacionais em todos os níveis contendo ideologias nazistas;

  • ações investigativas em massa para estabelecer responsabilidade pessoal por crimes de guerra, crimes contra a humanidade, a disseminação da ideologia nazis e apoio ao regime nazista;

  • Ilustração e a publicação dos nomes dos cúmplices do regime nazi, o seu envolvimento no trabalho forçado para restaurar a infraestrutura destruída como punição para as atividades nazistas (dentre aqueles que não estarão sujeitos à pena de morte ou prisão);

  • a adoção a nível local, sob a supervisão da Rússia, dos atos normativos primários de desnazificação "a partir de baixo", a proibição de todos os tipos e formas de reavivamento da ideologia nazista;

  • estabelecimento de memoriais, placas memoriais, monumentos às vítimas do nazismo ucraniano, perpetuação da memória dos heróis da luta contra ele;

  • a inclusão de um conjunto de normas antifascistas e desnazificação nas constituições das novas repúblicas do povo;

  • estabelecimento de órgãos permanentes de desnazificação por um período de 25 anos.


A Rússia não terá aliados para a desnazificação da Ucrânia. Porque este é um assunto puramente russo. E também porque não apenas a versão de Bandera da Ucrânia nazi será erradicada, mas incluindo e acima de tudo o totalitarismo ocidental, programas impostos de degradação civilizacional e desintegração, mecanismos de subordinação à superpotência do Ocidente e ESTADOS UNIDOS.


A fim de realizar o plano de desnazificação da Ucrânia para a vida da própria Rússia, ele terá que finalmente de se separar com ilusões pró-européias e pró-ocidentais, para se realizar como a última instância de proteção e preservação desses valores históricos Europa (Velho Mundo), que o merece e que o Ocidente acabou por abandonar, perdendo a luta por si mesmo. Esta luta continuou ao longo do século XX e foi expressa na guerra mundial e na Revolução Russa, inextricavelmente ligadas umas às outras.


A Rússia fez todo o possível para salvar o Ocidente no século XX. Implementou o principal projeto ocidental, uma alternativa ao capitalismo, que derrotou os estados-nação, o projeto socialista e vermelho. Esmagou o nazismo alemão, um produto monstruoso da crise da civilização ocidental. O último ato de altruísmo russo foi a mão estendida da amizade russa, para a qual a Rússia recebeu um golpe monstruoso da década de 1990.


Tudo o que a Rússia fez pelo Ocidente, fez às suas próprias custas, fazendo os maiores sacrifícios. O Ocidente finalmente rejeitou todos esses sacrifícios, desvalorizou a contribuição da Rússia para a resolução da crise ocidental, e decidiu vingar-se da Rússia pela ajuda que forneceu sem egoísmo. Então a Rússia seguirá o seu próprio caminho, não se preocupando com o destino do Ocidente, contando com outra parte de seu legado – liderança no processo global de descolonização.


Como parte desse processo, a Rússia tem um alto potencial de parceria e relações aliadas com países que o Ocidente oprimiu há séculos e que não vão colocar em seu jugo novamente. Sem sacrifício e luta russas, esses países não teriam sido libertados. A desnazificação da Ucrânia é, ao mesmo tempo, a sua descolonização, que a população da Ucrânia terá que entender à medida que começa a se libertar da droga, tentação e dependência da chamada escolha europeia.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

O artificialismo da oposição de direita

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Ah! Senhora, Senhora, que tão rica


estais que, cá tão longe, de alegria


me sustentais cum doce fingimento!


Em vos afigurando o pensamento,


foge todo o trabalho e toda a pena.


 Lírica de Luís de Camões Canção IX


O Governo, ao contrário do que a oposição de direita pretenderia, tem funcionado naquilo que mais interessa aos portugueses com a caminho da consolidação das contas públicas, com a redução do défice, o crescimento económico, o investimento, o desemprego, as exportações,  conseguidos e que reconstruiu a credibilidade de Portugal no exterior sem os arbitrários, cegos e interesseiros cortes perpetrados pelo anterior governo em conluio com a troika, em favor de, sabe-se lá, que outros interesses, terá levado o então primeiro-ministro a dizer alto e a bom som que teria que ir para além da dita.


O desgaste do Governo que a direita pretende provocar à custa da tragédia dos lamentáveis incêndios atiçados por terroristas incendiários venham eles donde vierem, não é para o bem de Portugal nem da sua população, é-o, apenas, por questões exclusivamente de interesses partidário.


A direita quando foi governo esqueceu-se dos enormes incêndios e não descobriu na altura falhanços em SIRESP ou outro, fechava-se em copas indo de férias e a Proteção Civil que se amanhasse. Tendo falhado no compromisso para com os portugueses quer também que este falhe. Esta é a pior direita de que tenho memória (não contando com os tempos quentes de 1975 e 1976), quer nos processos, quer nos métodos de atuação.


Durante os dois anos e meio da chamada geringonça a direita caldeou conspirações e preparou o terreno a vários níveis. O ministério público por exemplo parece um cacifo com caixinhas de surpresas que vai abrindo ao saber de certas agendas políticas quando se aproximam eleições, e fecha aquelas cujo seu conteúdo possa vir a quebrar as telhas de quem tem telhados de vidro. Chama-lhe a isso tempo judicial. Não me recordo de ver o mesmo afã diligente quando se trata de corrupção e outros feitos de políticos ou figuras públicas da direita.


Canais de televisão procuram por todo o lado quem sem credibilidade queira dar a cara para, por tudo por nada, atribuir culpas ao Governo. Veja-se um indivíduo da região de Leiria que a TVI descobriu na altura da catástrofe de Pedrógão Grande atribuindo-lhe tempo de antena na hora nobre. Nada disse, mas serviu para atacar o Governo mesmo sem apresentar provas ou qualquer argumento válido. Tudo serve!  Na anterior legislatura passava-se o inverso, procurava-se tudo e todos os que viessem a dar o seu contributo a favor do governo.


O que se passou, e ainda passa, no último mês não é a favor de Portugal é contra Portugal. É a síndroma da perda do poder por uma direita capaz de “tudo” para recuperar o que, por culpa dela, perdeu, pretendendo voltar a recuperar mesmo sem um projeto definido para apresentar.  Alimenta-se de casinhos por aqui e por ali pata fazer oposição


Sem nada para oferecerem os partidos da eis aliança PáF, PPD/PSD e CDS-PP, cada um por sua vez, ou em simultâneo, voltam-se para acossar o Governo e os seus ministros que, afinal, é uma forma de esconderem as suas próprias fragilidades.


As eleições autárquicas aproximam-se e a preparação do Orçamento de Estado para 2018 já está em curso, há que fazer propaganda. Utilizam todos os canais disponíveis, redes sociais incluídas, para a desinformação e para criar instabilidade.  Não propõem soluções porque as não têm. Fazem um tipo de oposição partidária que recolha alguns dividendos eleitorais e nas sondagens. Os canais de televisão, em conluio, dão uma ajudinha para deitarem lume na fogueira. Não informam, atiçam o lume com a desculpa de ter que servir todas as tendências, é assim a democracia na comunicação social. Verificamos isso pela proveniência dos comentadores selecionados que comentam sem contraditório. Desconheço o critério, mas parece que, segundo eles, os espetadores não têm nada que saber. É comer e calar. São mais de noventa por cento da oposição da direita. As exceções são sempre em debate a dois e poucos todas as outras são monólogos escondidos sob uma falsa isenção. Os jornalistas moderadores muitas das vezes até facilitam tendencialmente a tarefa ao interlocutor. Há exceções, claro. Mas refiro-me uma visão generalista e de conjunto.


A isenção no comentário político não existe. Há sempre uma vinculação quer ideológica quer partidária. É assim, sejam ele da direita ou da esquerda.  Outra coisa é confrontarmo-nos com uma grande maioria de comentadores da direita que falam sem serem contraditados.


À boa maneira da estratégia de comunicação que beberam e que veio do tempo de Salazar têm agora ao seu dispor para a propagar novos meios de comunicação para onde lançam notícias falsas, numa tática de contra informação, deturpando acontecimentos, enganando e cultivando ódios. Utilizam o regime democrático que dizem defender, mas que, nem sempre, perfilham. Isto é, apenas o perfilham, quando lhes é conveniente. Fazem de qualquer acontecimento um sismo de alta magnitude na escala política com a ajuda de alguns servos fiéis e dedicados à causa.


Pelo meio geram-se sinistras e poderosas cumplicidades que acabam por trazer para o debate político casos pontuais que vão desenterrando aqui e ali, mas que nada têm a ver com o debate daquilo que às pessoas interessa, ajudados pelos fiéis instalados nos órgãos de informação que, em vez de informarem, utilizando-os para levar ao público, ele mesmo desinformado, um escrutínio pré condenatório, seja do que for, sem julgamento, ultrapassando o limiar da luz dos factos.


Para a direita há nomes que devem ser queimados a todo o custo. Não vivem bem com a competência à esquerda, preferem que a sua própria incompetência seja a que custo for, mesmo que os portugueses tenham que pagar por ela. Não gostam que a verdade atrapalhe um bom plano desestabilizador.


 


 

terça-feira, 11 de julho de 2017

A orquestração

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Há uma orquestração que tem vindo a ser muito bem dirigida, mas que é duma baixeza e oportunismo partidário a todos os níveis que só direita poderá estar a dirigir com beneplácito dos canais televisivos que, juntamente com comentadores, pouco isentos e partidariamente coniventes, se encarregam de divulgar e amplificar os casos cuja informação prestada ao público por vezes mais parece ser orquestrada à boa maneira da antiga união soviética, já para não dizer da Coreia do Norte. Quem vê televisão tem o sentimento de estar a receber informação imbuída de monolitismo ideológico de direita, com uma ou outra pincelada, aqui e ali, de contraditório que, no meio da pintura, nem nos apercebemos.


Todas os casos sucessivos que têm vindo a lume nos últimos tempos não me parecem coincidências. Surge-me por isso no espírito uma suspeita de orquestração proveniente da direita, (da esquerda não será com certeza), e com a afabilidade dos canais de televisão. O grave é que instituições, como é o caso da PGR, que deveriam ser isentas, estejam a reboque duma agenda partidária que chega às raias do subversivo. Parece que num repente se abriram as caixinhas onde estava tudo no recato á espera de favorecer a oportunidade partidária da direita. Isto parece-me ser subversão das instituições para benefício partidário.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A justiça na época medieval e na era da aldeia global no século XXI

 


 


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Quem ler este texto poderá associá-lo de imediato ao caso Sócrates, mas não, ele deve ser associado a todos os casos que têm vindo a público nos últimos anos de modo a fazer um exercício de analogia entre a mediatização da justiça no final da Idade Média e a do século XXI.


Na Idade Média a aplicação da justiça e os autos de fé inquisitoriais eram espetáculo e objeto de encenação. A justiça medieval era executada publicamente junto ao pelourinho, com assistência do povo que gritava, ululava e apupava e, não raro, aplicava-a por próprias mãos através de apedrejamentos e outras torturas da época.


Ainda hoje, mulheres e homens são apedrejados até à morte segundo a lei islâmica, também ela medieval.


Os numerosos pelourinhos, símbolo da justiça medieval, que ainda hoje existem como monumentos históricos, a maior parte deles surgem aproximadamente no século XVII, posteriores à época manuelina, já lá vão mais de 400 anos. O pelourinho era o lugar público de uma cidade ou vila onde muitas vezes se puniam e expunham os criminosos julgados, algumas das vezes sumariamente.


Na era das tecnologias da informação e da comunicação os órgãos da comunicação social tem-se encarregado de substituir os pelourinhos concentrando as atenções não apenas num espaço circunscrito de uma vila ou de uma cidade mas ao nível de um país mesmo antes de haver qualquer julgamento é feita a condenação pública.


Fazem-se e promovem-se julgamentos nos pelourinhos da comunicação social. Falam em fugas de informação. Na época medieval a fuga de informação eram os arautos que levavam às populações a notícia do espetáculo da aplicação da pena. Eram a comunicação social da época. Tradicionais boateiros e mensageiros percorriam aldeias, vilas e cidades para darem as notícias que, não raras vezes alteradas e amplificada por transmissão verbal oral sucessiva, chegavam ao destino final com um ruído comunicacional que nada tinha a ver com a ocorrência real do facto.


No século XVII Pascal disse que "o afeto ou o ódio mudam a face da justiça". Hoje confirma-se este pensamento e pode acrescentar-se que, potencialmente, a comunicação social pretende mudar a face da justiça face ao exterior para a poder influenciar.


Na era da comunicação há os que, clandestinamente, veiculam as informações para os mensageiros as poderem colocar a justiça na praça pública através de grandes encenações de espetáculo informativo. São uma espécie de autos de fé medievais ao sabor da aldeia global.


 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Servirão os briefings do Governo para o controle da informação?

Imagem TVI24


 


Não há paciência para isto. Começaram hoje os briefings do Governo, mas tiverem antecedentes. O ministro Poiares Maduro foi empossado para a coordenação dos diversos ministérios do Governo e para ultrapassar os problemas de comunicação com o público, isto é, a forma como o Estado deve comunicar com os portugueses. Para tal encomendou ou vai encomendar mais um estudo desta vez para conhecer a forma de como fazer chegar a mensagem. A ideia é fazer aproximar, em tempo de crise, os cidadãos ao Governo. Como se o problema dos disparates que o Governo tem feito conduzissem ao descontentamento popular devido aos problemas de comunicação.


O problema da comunicação não é novidade porque, comentadores da área dos partidos que sustentam o Governo, face a notícias que vêm a lume que indignam até o cidadão mais apoiante vêm dizer que o que se diz não é bem verdade, o que houve foi um problema de comunicação. Outras vezes quando o primeiro-ministro faz uma declaração, mesmo que tenha sido bem clara, como mais do que uma vez aconteceu, e, posteriormente, entra em contradição, lá começam os “sacristãos” a desdizer o que se disse transformando o erro e a mentira em problema de comunicação. O que se pretende no final é a utilização de técnicas comunicacionais mais eficazes para ludibriar os portugueses.


Não se sabe hoje, momento em que se iniciaram os briefings, se o estudo já foi ou não entregue, se é que alguma vez chegou a ser feito e se aqueles foram uma consequência destes. Mas interessava saber por que eles foram pagos com os nossos impostos e com os “cortes” nos salários e pensões que também contribuíram.


Há uma solução para os problemas de comunicação que se usava muito na ex-União Soviética, e, para quem se recorda também no tempo do Estado Novo, embora de outra forma mas com o mesmo objetivo, é torná-la monolítica através do controle da informação antes de ser divulgada.


Marcelo Caetano, nas suas conversas em família, não tinha problemas de comunicação porque, o que ele dizia era assim e pronto, mesmo que estivesse enganado ou o que anunciasse fosse contra o que o ”público” pensasse ou viesse a dizer…

Servirão os briefings do Governo para o controle da informação?

Imagem TVI24


 


Não há paciência para isto. Começaram hoje os briefings do Governo, mas tiverem antecedentes. O ministro Poiares Maduro foi empossado para a coordenação dos diversos ministérios do Governo e para ultrapassar os problemas de comunicação com o público, isto é, a forma como o Estado deve comunicar com os portugueses. Para tal encomendou ou vai encomendar mais um estudo desta vez para conhecer a forma de como fazer chegar a mensagem. A ideia é fazer aproximar, em tempo de crise, os cidadãos ao Governo. Como se o problema dos disparates que o Governo tem feito conduzissem ao descontentamento popular devido aos problemas de comunicação.


O problema da comunicação não é novidade porque, comentadores da área dos partidos que sustentam o Governo, face a notícias que vêm a lume que indignam até o cidadão mais apoiante vêm dizer que o que se diz não é bem verdade, o que houve foi um problema de comunicação. Outras vezes quando o primeiro-ministro faz uma declaração, mesmo que tenha sido bem clara, como mais do que uma vez aconteceu, e, posteriormente, entra em contradição, lá começam os “sacristãos” a desdizer o que se disse transformando o erro e a mentira em problema de comunicação. O que se pretende no final é a utilização de técnicas comunicacionais mais eficazes para ludibriar os portugueses.


Não se sabe hoje, momento em que se iniciaram os briefings, se o estudo já foi ou não entregue, se é que alguma vez chegou a ser feito e se aqueles foram uma consequência destes. Mas interessava saber por que eles foram pagos com os nossos impostos e com os “cortes” nos salários e pensões que também contribuíram.


Há uma solução para os problemas de comunicação que se usava muito na ex-União Soviética, e, para quem se recorda também no tempo do Estado Novo, embora de outra forma mas com o mesmo objetivo, é torná-la monolítica através do controle da informação antes de ser divulgada.


Marcelo Caetano, nas suas conversas em família, não tinha problemas de comunicação porque, o que ele dizia era assim e pronto, mesmo que estivesse enganado ou o que anunciasse fosse contra o que o ”público” pensasse ou viesse a dizer…