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segunda-feira, 20 de abril de 2026

O aconchego do poder

 

O aconchego do poder

 Lembram-se da parte dos Evangelhos segundo São Mateus em que o diabo tenta Jesus? Pois bem, esta é a Boa-Nova segundo Trump.




…Então o diabo conduziu Trump a um avião que viajou muito alto e, mostrando-lhe todas as nações do Mundo com as suas riquezas, disse-lhe: «Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.» Respondeu-lhe Trump: «Estou ao teu dispor se tal me concederes.»  Então o diabo abraçou-o e disse-lhe: «Estarei sempre contigo.» Então, Trump, prestou-lhe culto.

domingo, 29 de março de 2026

Guerra da informação e da contrainformação

 


A guerra promovida por Israel contra os palestinianos e outros povos não é de agora, mas sem ser tão violenta como a que se desenrola com o beneplácito dos EUA de Trump.

A disputa territorial remonta à criação do Estado de Israel em 1948 que, após a partilha da Palestina pela ONU em 1947, Israel declarou independência em 1948, o que levou à Primeira Guerra Árabe-Israelense. Muitos países árabes vizinhos não aceitaram a presença de Israel, resultando num estado de conflito contínuo.

Os argumentos que Israel tenta passar para a opinião pública internacional são as “ameaças existenciais” a que está sujeito frequentemente e justifica as suas ofensivas militares como medidas de defesa contra grupos militantes como Hamas e o Hezbollah e outras nações que não lhe reconhecem direito à sua existência e, portanto, procuram a sua extinção tornou-se o eixo central da sua comunicação externa. O tipo de coligação EUA-Israel vê como uma ameaça direta o programa nuclear e a influência regional do Irão que há muito financia grupos inimigos de Israel, alguns deles terroristas, o que resulta em ataques a alvos iranianos e a aliados do Irão. Mas, do meu ponto de vista o seu verdadeiro objetivo, o fundamental, é a ganância de espaço vital para a sua expansão e também, se possível, extinguir  povos que lhe possam fazer frente e o ameaçam (pode ler aqui o trauma social da perseguição).

O facto é que estamos em presença de uma guerra, por enquanto regional, que o presidente dos EUA Donald Trump ajudou a iniciar contribuindo previsivelmente para o seu alargamento num curto espaço de tempo. Se estivermos atentos às notícias que nos chegam pelas televisões e pela imprensa as declarações das partes em litígio, e também no interior de cada uma das partes, observamos que são, a maior parte das vezes, contraditórias. É uma espécie de círculo vicioso de informação e contrainformação numa Sequência de eventos negativos que se autorreforça e repete, gerando um impasse, por vezes, de difícil compreensão.

A guerra trava-se também no plano da informação. Num mundo em rede, a velocidade com que os dados circulam transformou-se simultaneamente numa arma e num escudo. A desinformação, a propaganda, as operações psicológicas e a manipulação estratégica deixaram de ser exceções e passaram a integrar, de forma estrutural, a política externa e a gestão, e ou, a má gestão das crises internacionais como temos verificado nas contradições sobretudo do Presidente dos EUA.

O processo “informação-desinformação” e “contrainformação” em tempo de guerra circulam no espaço onde se cruzam no ar plenas de contradições e de negações. Nega-se hoje o que se disse ontem.  A contra informação e a desinformação, assim como a propaganda, as operações psicológicas e a manipulação estratégica tornaram-se parte integrante da política externa e da gestão ou má gestão das crises internacionais. Os conceitos de contra informação e a desinformação são algo distintos. A contrainformação, muitas vezes ligada ao conceito de contra-narrativa ou operações psicológicas defensivas, refere-se às medidas tomadas para combater, negar ou neutralizar a desinformação do inimigo. A desinformação segundo a ONU é a disseminação deliberada de informações falsas, manipuladas ou fora de contexto com o objetivo de enganar, causar danos, manipular a opinião pública ou desmoralizar o inimigo.

Há uma competição informacional entre EUA-Israel e o Irão que se desenrola também ao nível interno de cada país assim, cada governo empenha-se em controlar a narrativa interna, garantir a coesão social e justificar decisões militares perante a população e a gestão das perceções de ameaça.

No caso da teocracia autoritária do Irão o poder político está intrinsecamente ligado à autoridade religiosa xiita. O controle estatal dos meios de comunicação permite uma narrativa homogénea e alinhada com os interesses do regime. Em contraste, tanto em Israel como nos Estados Unidos, a pluralidade mediática, (que nem sempre é plena, pode eventualmente sofrer restrições), podendo fomentar disputas internas e divergências de opinião que podem ser exploradas por adversários externos e até internos para enfraquecer a unidade nacional ou criar instabilidade política.

Na questão do Médio Oriente, que é ao nível regional a informação é usada como instrumento estratégico para influenciar aliados e rivais, por isso os três intervenientes procuram moldar perceções sobre a legitimidade dos ataques e operações militares através de narrativas da “resistência” ou da “segurança” numa competição por uma liderança simbólica. Esta guerra de informação, desinformação e contrainformação serve para consolidar ou desafiar alianças, ampliar influência política e militar, e promover ao nível das populações interpretações que favoreçam os respetivos interesses estratégicos.

Cada um dos intervenientes tenta enquadrar o conflito em distinções conforme o seu interesse para justificarem as suas ações bélicas usando vocábulos como “defesa”, “resistência”, “terrorismo”, “agressão” ou “direito internacional” a fim de legitimarem as suas ações e deslegitimar as do adversário. O impacto desta disputa ultrapassa fronteiras, influenciando decisões diplomáticas, sanções, apoios internacionais e a própria percepção do conflito por parte de audiências globais, tornando a gestão da informação um elemento central da estratégia de cada interveniente.

Na guerra entre Israel-EUA e o Irão ainda, e por enquanto, predominantemente regional, foi claramente agravado pela ação política dos Estados Unidos, contribuindo para uma rápida escalada das tensões. A informação que chega ao público através dos meios de comunicação é frequentemente contraditória, não apenas entre as partes em litígio, mas também no interior de cada uma delas. Declarações são desmentidas, versões são revistas e o discurso oficial adapta se ao ritmo dos acontecimentos, criando um círculo vicioso de informação e contrainformação que dificulta qualquer leitura consistente da realidade. Mais do que uma guerra aberta, trata-se dum confronto permanente onde a ambiguidade estratégica é deliberadamente cultivada.

Fazendo uma breve síntese podemos afirmar que a guerra entre Israel-EUA e o Irão não se trava apenas com drones, mísseis, bombardeamentos ou sanções. Trava-se também com palavras, imagens, símbolos e interpretações. A informação tornou-se um recurso estratégico tão importante quanto o poder militar.

Num mundo saturado de informação, a capacidade de a distinguir da contrainformação é um exercício que também nos compete a nós que diariamente vemos e ouvimos as notícias nos canais dirigidas ao grande público, mas também nas redes sociais que nos mentem a cada instante com informações deturbadas e enganadoras. A disputa pela narrativa continuará a moldar não apenas a percepção do conflito, mas também as condições para a sua escalada em vez da resolução.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

As Inovações Autoritárias de Trump

Vale a pena ler aqui o artigo publicado no Project Syndicate, organização internacional de media sem fins lucrativos que publica, investiga e faz comentários e análises sobre vários temas globais.


Dec 5, 2025


Ruth Ben-Ghiat


Ruth Ben-Ghiat


Ruth Ben-Ghiat, professora de História e Estudos Italianos na Universidade de Nova York, é autora de Strongmen: Mussolini to the Present (W.W. Norton & Company, 2020).


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Durante o seu segundo mandato, Donald Trump juntou-se a uma longa linhagem de autocratas que chegam ao poder por meio de eleições apenas para corroer a democracia, com o objetivo final de instalar um regime autoritário. Mas muito no seu primeiro ano e de volta ao governo assemelha-se mais às consequências de golpes.


NOVA YORK – Todo o aspirante a autocrata que assume o poder numa sociedade livre utiliza medidas e métodos testados pelo tempo para deslegitimar e, em última instância, derrotar a democracia. O presidente dos EUA, Donald Trump, não é exceção. Mas a administração Trump também está a dar a sua própria abordagem ao manual autocrático, com três inovações que não têm paralelo entre autocratas contemporâneos que chegaram ao poder por meio de eleições.


Autoritarismo pode ser definido como a expansão da autoridade e do poder pessoal do executivo, em detrimento dos outros poderes do governo, especialmente do judiciário. As instituições estatais tornam-se ferramentas com as quais o líder pune inimigos, lida com problemas financeiros e legais pessoais, acumula riqueza privada e consolida o poder. A primazia desses objetivos explica por que os autocratas valorizam a lealdade em vez da competência ou experiência. Do presidente russo Vladimir Putin e do presidente turco Recep Tayyip Erdoğan ao primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán e Trump, autocratas povoam os seus círculos íntimos com familiares, bajuladores e comparsas, funcionários incapazes.


As cenas que hoje se desenrolam pelos Estados Unidos lembram a história de regimes autoritários, incluindo juntas militares. Tropas percorrem as ruas da cidade, e forças de segurança estaduais mascaradas capturam pessoas e as "desaparecem" para prisões nacionais e estrangeiras. Com unidades da Guarda Nacional estadual criando "forças de reação rápida" para "controle de multidões" a pedido do Pentágono, e o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) a aumentar seus gastos anuais com armas, blindados e armas químicas em 600%, uma "guerra eterna" doméstica contra cidadãos americanos parece provável.


Como qualquer regime autocrático, a administração Trump precisa de medias complacentes para promover narrativas aprovadas pelo governo e minimizar a cobertura desfavorável, incluindo evidências da sua incompetência em políticas económicas. Esse ambiente mediático é criado em parte por meio de colaborações que promovem o processo de captura dos media, como a compra da CBS News por David Ellison, filho do bilionário apoiante de Trump, Larry Ellison.


A intimidação também ajuda: o Washington Post, da propriedade do fundador da Amazon, Jeff Bezos, não publica mais opiniões que não estejam alinhadas com os princípios aprovados pela administração de "liberdades pessoais e mercados livres", e a ABC News desembolsou 15 milhões de dólares para resolver um processo frágil por difamação movido por Trump. Ele continua a criticar e insultar repórteres que o desafiam, e ameaça revogar licenças de transmissão por cobertura pouco lisonjeira. Enquanto isso, o Pentágono cortou o acesso a qualquer jornalista que se tenha recusado a assinar um compromisso de não reportar nenhuma informação "não autorizada".


Outro elemento familiar do projeto autoritário de Trump é a normalização do extremismo e do racismo. Trump recebeu o supremacista branco Nick Fuentes, amante de Hitler, em Mar-a-Lago, em 2022, e colocou um vídeo em 2024 sugerindo que votar nele era um voto pelo estabelecimento de um "Reich unificado". Comparsas de Trump como Elon Musk, o ex-estratéga-chefe da Casa Branca Steve Bannon e o alto funcionário da Patrulha de Fronteira Gregory Bovino realizaram publicamente continências ao estilo nazista.


Líderes emergentes do Partido Republicano estão a assumir com entusiasmo esse plano extremista. Em outubro, o Magazine Politico publicou um grupo no Telegram no qual jovens e funcionários do Partido Republicano no meio de carreira usavam insultos raciais, zombavam sobre estupro e discutiam o envio de opositores políticos para câmaras de gás. O vice-presidente JD Vance descartou as mensagens como "piadas."


Isso é especialmente preocupante porque, enquanto os cultos à personalidade dos homens fortes dependem da ideia de TINA – "não há alternativa" ao líder – a idade avançada de Trump e o seu aparente declínio físico e cognitivo tornaram a sucessão uma questão importante para o seu movimento Make America Great Again (MAGA). Os arquitetos do Projeto 2025, que basicamente delineou a agenda do segundo mandato de Trump, assim como nacionalistas cristãos, o aliado de Musk Peter Thiel e outros interessados, investiram fortemente em Vance, que esperam que possa levar a autocracia americana para o futuro. Mas Vance é impopular além dos fiéis MAGA e parece improvável  vencer uma eleição presidencial livre e justa em 2028 contra um candidato democrata.


A maioria dos autocratas hoje continua a realizar eleições, mas manipula o sistema de modo que seja difícil para a oposição prevalecer (como na Turquia e na Hungria) ou recusar-se a deixar o cargo caso perca (Venezuela). Mas, dadas as limitações de Trump, os EUA podem experimentar um desentendimento acelerado do eleitorado, ou até mesmo uma suspensão das eleições por meio da declaração de lei marcial ou algum outro estado de exceção. Trump já sugeriu a ideia de acabar com as eleições. "Daqui a quatro anos, você não precisará mais votar", disse Trump a apoiantes cristãos num evento de campanha em 2024. "Vamos consertar tudo tão bem que não vai ser precisar votar mais."


Um ritmo alucinante


Isso leva-nos à primeira das inovações autocráticas de Trump: a velocidade, o desígnio e a escala da transformação dos Estados Unidos. Em questão de meses, Trump fez mudanças abruptas e radicais na política económica e comercial dos EUA; desestabilizou posições de longa data na política externa, alianças e arranjos de inteligência; e desencadeou operações do ICE que atrapalham o cotidiano de cidadãos e imigrantes nascidos nos EUA.


Outros autocratas contemporâneos que chegaram ao poder por meio de eleições, incluindo Erdoğan, Orbán e Putin, não causaram um nível comparável de agitação durante o seu primeiro ano no cargo. Como também observou Anne Applebaum, da The Atlantic (ver) primeiro ano de Trump assemelha-se mais a momentos de mudança de regime, às consequências de golpes bem-sucedidos ou às repressões que se seguiram a golpes fracassados (como a revolta militar de 2016 contra Erdoğan).


Essa Blitzkrieg foi possível em parte graças ao Projeto 2025 da Heritage Foundation. Durante a presidência de Joe Biden, os arquitetos do projeto atuaram como uma espécie de governo sombra, planeando a destruição de instituições democráticas e o recrutamento do governo federal com um "exército" de agentes cuidadosamente selecionados que seriam "ativados" no primeiro dia do segundo mandato de Trump. A sua tarefa: mudar as culturas políticas e de governança dos Estados Unidos para o autoritarismo.


Autoritários pensam grande e pensam no longo prazo. As figuras que agora moldam a política dos EUA – como o principal organizador do Projeto 2025, Russell Vought (agora diretor do Escritório de Gestão e Orçamento), e o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller – sabem que criar um serviço público compatível é essencial. Isso explica as purgas da administração Trump em funcionários federais dos setores militar e civil, incluindo o Departamento de Justiça. Só apagando a experiência profissional e a memória institucional do governo poderão criar um serviço público receptivo a práticas autoritárias – um novo "estado profundo" que permanecerá no poder muito tempo depois da saída de Trump.


O Oligarca no Comando


O ataque de Trump à democracia dos EUA também foi possibilitado pela sua aliança com Musk, o homem mais rico do mundo, e pela criação do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), sob a responsabilidade de Musk. Oligarcas normalmente operam fora do governo, comprando propriedades de media ou de financeiras que podem aproveitar a serviço do autocrata. Mas Trump efetivamente fez de Musk – que havia investido muito para elegê-lo – seu co-líder.


Durante as primeiras semanas da presidência de Trump, Musk falou regularmente em reuniões de gabinete e no Salão Oval, inclusive para a imprensa, e reuniu-se com chefes de Estado estrangeiros, como o primeiro-ministro indiano Narendra Modi. Musk foi tão proeminente nesse período que a revista Time o retratou atrás da Resolute Desk do presidente no Salão Oval numa capa de fevereiro de 2025.


Mas o envolvimento de Musk no governo foi além do espetáculo. Como chefe do DOGE, Musk teve acesso a sistemas de dados dos EUA, com os seus agentes a dotar métodos ilegais que são características da mudança de regime. Como soldados a executar um golpe, ocuparam prédios governamentais, por vezes impedindo a entrada de membros do Congresso; demitiu milhares de funcionários públicos após proibi-los de aceder aos seus próprios sistemas de computador; e removeram fisicamente funcionários que tentavam impedi-los de apreender propriedades digitais.


O verdadeiro objetivo do DOGE nunca foi "aumentar a eficiência", mas sim criar um "banco de dados centralizado único com vastos recursos pessoais sobre milhões de cidadãos e residentes dos EUA", que pudesse ser usado para vigilância governamental e treino em IA. Para Musk, as atividades do DOGE também ofereciam uma oportunidade de desmantelar agências que ameaçavam as suas empresas com investigações e multas, além de direcionar negócios governamentais nacionais e estrangeiros para seus produtos.


Musk deixou publicamente o DOGE em maio, e o "departamento" centralizado foi recentemente dissolvido. Mas a agência continua operando clandestinamente em centenas de agências, escritórios e departamentos do governo dos EUA. Muitos estados dos EUA possuem uma força-trabalho do DOGE: em Idaho, mais de 70 departamentos, escritórios, programas e comissões estão a ser considerados para cortes a partir de novembro. A Vought, em quem convergem o Projeto 2025 e o DOGE, agora compromete-se a tornar as mudanças do DOGE permanentes.


Esse roubo de dados combinado com infiltração estatal não tem precedentes. Os tiranos atuais e aspirantes ao poder do mundo têm muito a aprender.


Tornando os Adversários da América Grandes


"Se você tem um presidente inteligente, eles não são inimigos", disse Trump sobre a Rússia, China e Coreia do Norte num comício de campanha na Virgínia em junho de 2024. "Você vai fazê-los saírem-se bem." Trump certamente está afazer isso: ao destruir sistematicamente os alicerces da prosperidade, prestígio e boa vontade dos EUA no mundo, ele contribui para um declínio do poder americano, tanto duro quanto brando, que beneficiará as autocracias estrangeiras que ele tanto admira. Aqui reside a terceira inovação autocrática de Trump.


Muitos dos ditadores mais notórios do mundo levaram os seus países à ruína, como o ter cortado a assistência pública (Augusto Pinochet, do Chile), apropriando-se de fundos para si mesmos e para os seus comparsas (Mobutu Sese Seko, no Congo, Muammar el-Qaddafi na Líbia e Putin), ou envolvendo-se em guerras catastróficas ou campanhas revolucionárias (Benito Mussolini, Adolf Hitler e Mao Zedong=Mao Tse Tung). Mas a administração Trump é incomum no seu aparente compromisso de destruir os pilares da prosperidade de longo prazo dos EUA – educação, saúde, pesquisa e política climática – e dizimar a confiança e a boa vontade em relação aos EUA no exterior.


Embora quase todos os autocratas politizem a ciência e a medicina, a maioria avança gradualmente para mudar o arcabouço institucional em que essas disciplinas são praticadas. Os nazis só criaram o Ministério do Reich para Ciência, Educação e Cultura em maio de 1934, mais de um ano após a Lei de Habilitação conceder a Hitler poder irrestrito. Em contraste, Trump destruiu a capacidade científica dos Estados Unidos quase imediatamente ao retornar à Casa Branca, cortando o financiamento federal para pesquisa e restringindo o trabalho das instituições mais prestigiadas do país, como os Institutos Nacionais de Saúde. Até mesmo ao trabalho sobre os cancros infantis foi retirado financiamento.


A determinação fanática demonstrada por oficiais de Trump nesse processo assemelha-se à mentalidade de funcionários fascistas e comunistas, incluindo aqueles que implementaram a devastação da ciência e da medicina chinesas por Mao durante a Revolução Cultural. Robert F. Kennedy Jr., secretário de saúde e serviços humanos de Trump – que frequentemente defende a medicina charlatã em vez da ciência legítima – arquitetou a saída de quase um quarto de seu departamento (20.000 trabalhadores) em apenas alguns meses.


"Em rajadas rápidas", a administração Trump "demitiu grandes equipes de cientistas, encerrou milhares de projetos de pesquisa e propôs cortes profundos nos gastos para novos estudos", informou o The New York Times em agosto, acrescentando que o corte orçamentário proposto de 44 biliões de dólares para o próximo ano seria "a maior queda no apoio federal à ciência desde a Segunda Guerra Mundial." A ciência tem sido "há muito tempo um dos principais motores da preeminência global dos EUA", escreve o jornalista do Guardian Robert Tait, e por isso ela precisa ser destruída.


Essa iniciativa, juntamente com a redução mais ampla da presença de soft power dos EUA e o recuo da liderança global, está a criar as condições para que a doutrina da "multipolaridade" defendida por autocratas como Putin e o presidente chinês Xi Jinping tenha sucesso. A China já está a intervir para preencher as lacunas deixadas pelos EUA como fabricante de energia limpa e parceiro comercial. Nesse sentido, é à China que a MAGA está "a fazer muito bem".


Como outras inovações de Trump, o esforço para desmontar o prestígio e o poder dos EUA parece ser projetado para obter resultados o mais rápido possível, independentemente dos custos humanitários. A destruição pela Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que salvou cerca de 92 milhões de vidas nas últimas duas décadas, mostra o quão altos esses custos podem ser.


Dhruv Khullar, médico e professor da Weill Cornell Medicine, enquadra corretamente os ataques da administração Trump à formação médica e à inovação biomédica como "subversão". Essa é a palavra certa, e deveria ser aplicada de forma mais ampla. Enquanto a administração Trump, os seus apoiantes políticos e o seu aparato ideológico trabalham arduamente para destruir a estabilidade dos EUA e o bem-estar dos americanos, eles não estão apenas a acelerar a transição do país de uma sociedade livre para uma autocracia. O deles é um esforço holístico para derrubar uma superpotência.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

A verdade das mentiras

"Primeiro, eles fascinam os tolos.


Depois, amordaçam os inteligentes!"


 Betrand Russel, filósofo do séc. XX


Temos de abrir caminho para resistir civicamente ao avanço da desumanidade autoritária seja ela extremista de direita ou de esquerda, e os mais jovens que sempre viveram em liberdade nem sempre sabem ao certo qual o seu verdadeiro significado. Não adiante denegrir o Chega porque já vimos que isso apenas o reforçou, mas fazer de conta que não existe e tão-pouco normalizá-lo também não funciona.


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Na última década testemunhámos a ascensão de líderes, movimentos e políticas populistas em muitas democracias liberais pluralistas. Portugal não foi exceção. Este novo populismo é sustentado por uma inventada política de pós-verdade que usa as redes sociais como porta-voz de “notícias falsas” e “factos alternativos” com a intenção de incitar ao medo e ao ódio do “outro”, construções que estão relacionadas ou referidas a circunstâncias nas quais factos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que apelos à emoção e à crença pessoal. Prevalece o apelo à emoção do povo em lugar do racional.  Recorde-se o caso de Donald Trump que afirmou publicamente, num evento realizado em setembro nos EUA, onde disse: “Odeio os meus adversários e não quero o melhor para eles" frase que incita ao ódio sobre quem não o apoia. Não é uma “fake news”  é um facto que revela até onde pode ir o incitamento à emoção e ao ódio. No entanto ainda há quem o admire e até concorde com a política por ele seguida.


O presidente do partido CHEGA, André Ventura, vai novamente candidatar-se à Presidência da República em 2026. Justifica a sua candidatura dizendo que “o espaço de luta contra a corrupção e contra a imigração descontrolada não podia ficar sem candidato”.


Não me causará admiração se ele chegar à segunda volta. Os candidatos que se apresentam com exceção do almirante Gouveia e Melo são fracos e os portugueses estão fartos de comentadores televisivos como presidentes e Luis Marques Mendes é um deles, assim, como outros com perfil de democratas, mas sem força e inseguros tais como como António José Seguro não apresentam grande confiança. Alguém que nunca esteve ao serviço de forças partidárias e apresente características de independência pode ser uma vantagem.


Vamos ao caso que nos interessa neste momento e sair do ruído para analisar as narrativas de André Ventura ao longo dos últimos dois anos e tentar conhecer o que está por de baixo do tom combativo e do padrão que emerge das suas intervenções e textos que se baseiam, fundamentalmente, no endurecimento penal e imigratório, na revisão constitucional como “chave mestra”, e no discurso anticorrupção repetido e baralhado que, no meio da predominância e importância do processo socioeconómico, não tem sustentabilidade e falha em toda a linha.


Por outro lado, as frases ditas e mentiras mil vezes repetidas, propagadas nas redes sociais vieram a tornar-se realidades aceites por impreparados dos mais diversos matizes sociais que as aceitam irrefletidamente sem ponderarem nas respetivas consequências.


O populismo terminou com os princípios burgueses da decência, da retidão, da palavra ou da honra que eram também contestados pelos radicais da esquerda.


Temos de reaprender a ler, a interpretar e a viver neste novo mundo à luz da reflexão e da razão. Temos de abrir caminho para resistir civicamente ao avanço da desumanidade autoritária seja ela extremista de direita ou de esquerda, e os mais jovens que sempre viveram em liberdade nem sempre sabem ao certo qual o seu verdadeiro significado.


Não adiante denegrir o Chega porque já vimos que isso apenas o reforçou, mas fazer de conta que não existe e tão-pouco normalizá-lo também não funciona.


A resistências tem de ser a desmontagem de todas as suas contradições. As formações cívicas e políticas não se ajustam a “leituras” escritas e imagéticas assimiladas sem critério e sem reflexão que proliferam nas redes sociais onde as máquinas de propaganda e de desinformação são destinadas, sobretudo, para convencer os mais jovens politicamente inexperientes.


Para análise dos eixos temáticos recorrentes na retórica e narrativas de André Ventura, porque é deste que falamos, utilizei uma metodologia baseada em excertos de três tipos das suas intervenções públicas:



  • Debates televisivos (2019–2024) analisados pela Renascença

  • Discurso no Conselho Nacional do Chega (12 set 2025)

  • Discurso de abertura da V Convenção Nacional do Chega (27 jan 2023)


As intervenções de Ventura baseiam-se num tom combativo quer nos debates e discursos partidários quer em assembleias públicas. Torna-se evidente o modo como Ventura estrutura a sua argumentação e constrói a sua imagem política com discursos que recorrem frequentemente à repetição de temas-chave, polarização nos debates e utilização de exemplos concretos através de imagens ou dados, cuja veracidade é por vezes discutível, para dramatizar questões sociais.


A sua abordagem, emocionalmente mobilizadora, aposta na simplicidade das soluções apresentadas e na clara distinção entre “nós” e “eles”, fomentando uma identidade de grupo entre apoiantes e tenta promover a perceção de rutura face ao sistema vigente. Contudo faz questão de mostrar que pretende ganhar o que, afinal, mostra uma vontade de fazer parte do sistema. Que diz querer mudar.


O recurso a slogans e ideias força como por exemplo “tolerância zero”, “Portugal primeiro”, “fim da impunidade” que serve uma retórica que privilegia a clareza e o impacto mediático sem atender à complexidade dos problemas e das soluções.


A estratégia comunicacional de André Ventura é marcada pela presença ativa nas redes sociais e pela aposta em formatos de comunicação direta, como vídeos curtos, sessões ao vivo e fóruns abertos, onde a mentira e a produção de notícias falsas ou truque amplificadas pelo exagero das situações escolhidas. A estratégia dos vídeos e cassetes foi utilizada por Silvio Berlusconni, bilionário, empresário e político italiano que foi Primeiro-ministro da Itália durante vários anos que, antes da popularização das redes sociais, enviou uma cassete de vídeo para todos os canais de televisão de Itália e poucos meses depois estreou-se como primeiro-ministro após  a astúcia da cassete que, sem intermediários falou ao povo através de monólogo emocional uma espécie do que políticos atuais populistas, ou não, fazem usando as redes sociais.


Esta estratégia tem como objetivo criar uma proximidade com o eleitorado, contornar filtros mediáticos tradicionais e estabelecer um canal de comunicação onde a mensagem seja transmitida sem intermediários, fora da comunicação social corrente, em redes sociais, nas quais se manipula o modo emotivo, que hoje é o mecanismo dominante do discurso nesses locais, consolidando, assim, uma base de seguidores altamente envolvida.


André Ventura explora as vulnerabilidades da opinião pública, recorrendo a uma lógica de simplificação binária de dois polos opostos, por vezes contraditórios, e à exploração de medos difusos. Estas dinâmicas, aliadas à eficácia da máquina de propaganda partidária, contribuem para a sedimentação das principais narrativas que sustentam a sua candidatura e reforçam o posicionamento do Chega enquanto força política de contestação, Ventura “foi capaz de instituir a perceção generalizada de um país corrupto, liderado por políticos infames, analisado por cientistas e jornalistas vendidos, colonizado por imigrantes oportunistas e criminosos, até porque casos como o das multas dos bancos, dos prémios do Novo Banco ou a história da Spinumviva lhe facilitam a vida.”, de acordo com um artigo de opinião de Manuel Carvalho no jornal Público.


Devo aqui acrescentar que tudo que que se possa fazer, dizer ou escrever sobre André Ventura seja em artigos de opinião, vídeos, mensagens, comentários, livros, televisão ou análises como esta que realizei, nos quais ele seja protagonista, facilitam-lhe a vida da sua propaganda. Mas, citando uma frase do livro a Arte da Guerra de Sun Tsu, “Se conhece o inimigo e se conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.”


**********


Uma análise de conteúdo das intervenções de André Ventura (últimos 2 anos)


O que está por baixo do tom combativo de André Ventura e o padrão que emerge nos discursos e textos nos últimos dois anos?


Estratégias retóricas e estilo


Anticorrupção palavra de ordem como apoio discursivo



  •  Há uma discrepância intencional entre a sua atitude quando fala para uma assistência a partir do seu “palco” e o programa do partido. Discurso para mobilizar, mas sem proposta de governabilidade ou pouco coerente no programa.

  •  A palavra “corrupção” surge repetida no texto programático (45 vezes), mas é sinalizada como um apoio emocional/moral do discurso com o registo oral incendiário, mesmo quando a proposta escrita assume tom mais tecnocrático.


Polarização moral e nacional



  • Para justificar a prioridade aos nacionais agita uma hierarquia afetiva como a de “amamos primeiro os nossos”, estabelecendo medidas restritivas de imigração não apenas securitárias, mas também culturalmente de proteção.

  • Propõe soluções fortes para casos simples que exagera com penas máximas, metas absolutas como “tolerância zero”. O léxico que utiliza privilegia a emoção à qualidade jurídica da atuação, depois reformatado em propostas com linguagem de reforma “estrutural”.


Observa-se, portanto, uma evolução discursiva marcada pela adaptação estratégica do vocabulário e pela mudança de abordagem, sem abandonar a intensidade dos temas de modo a adaptar-se a uma linguagem aceite por algumas faixas de população e pelos grupos mais jovens como se verá mais adiante.


Este percurso revela uma transição de uma comunicação polarizador, identitária e de rutura para uma abordagem mais racionalizada em propostas institucionais e promessas de eficiência.


A linguagem torna-se, assim, não só um instrumento de mobilização, mas também de legitimação perante o eleitorado, refletindo a tentativa de ocupar novos espaços no debate político e conquistar legitimidade governativa, o que pode ser observado no seguinte quadro.


 



Domínios do discurso



Itens de uma determinada sequência de texto e palavras mais salientes



Função retórica


Técnicas e estratégias utilizadas para persuadir o público, moldar a sua mensagem e alcançar um objetivo comunicativo específico



Justiça/segurança



prisão perpétua;


castração química



Severidade punitiva



Constituição



revisão constitucional;


Tribunal Constitucional



Reconfigurar regras



Imigração



controlos fronteiriços; residência ilegal



Ordem/controlo



Corrupção



enriquecimento ilícito;


confisco de bens



Limpeza do sistema



Cultura/educação



ideologia de género; educação parental



Guerra cultural



 


Vejamos agora a estratégia discursiva de André Ventura para mobilizar os mais jovens, (e não apenas), que combina elementos populistas, digitais (utilização de redes e comunicação vídeo) e identitários que, afinal, não diferem muito da sua narrativa habitual dos quais se destacam alguns dos seguintes pontos-chave:


 


 



  • Linguagem simples, direta e emocional



  • Evita tecnicismos e usa frases curtas e fortes, que apelam mais ao sentimento do que à racionalidade.

  • O uso de polarizações claras (concentração de forças num determinado ponto por oposição a outro “nós contra eles”, “os jovens esquecidos vs. a elite política”)  que cria um sentimento de pertença e urgência.



  • Narrativa de exclusão e oportunidade



  • Apresenta os jovens como uma geração sacrificada: precariedade laboral, dificuldades no acesso à habitação, falta de futuro em Portugal.

  • Posiciona-se como o político que “diz o que ninguém diz” e que pode devolver oportunidades e esperança.



  • Apelo à rebeldia e ao inconformismo



  • O discurso funciona como um convite à “rebeldia contra o sistema”.

  • A narrativa é construída como antissistema porque se diz contra as instituições oficiais, sejam elas políticas, económicas ou sociais, da forma vigente da sociedade,  o que atrai jovens que se sentem distantes da política tradicional.



  • Uso estratégico das redes sociais



  • Forte presença em TikTok, Instagram e YouTube, com vídeos curtos, memes e transmissões em tempo real.

  • Conteúdo feito para ser facilmente partilhado, usando humor, provocação e linguagem próxima da gíria jovem.

  • Estilo “influencer político”, aproximando-se das práticas comunicacionais dos jovens.



  • Temas com apelo juvenil



  • Habitação: dificuldade em sair da casa dos pais.

  • Emprego: salários baixos, instabilidade e emigração forçada.

  • Justiça social seletiva: “os jovens portugueses são esquecidos em detrimento de minorias ou imigrantes”.

  • Segurança e identidade: discurso nacionalista que cria a sensação de proteger o futuro dos jovens “do seu próprio país”.


Note-se que muitos destes temas são comuns de partidos de extrema-esquerda até aos de direita “normalizada”.



  • Criação de comunidade e identidade



  • Usa slogans e símbolos fáceis de apropriar (“Chega” como sinónimo de basta e “Portugal Primeiro”).

  • Gera sentimento de pertença, quase tribal, em que o jovem passa a sentir que faz parte de um movimento maior. Este tribalismo político no seu nível mais básico, é a divisão do mundo político em grupos opostos impulsionados por uma forte lealdade e identidade de grupo. Estes aspetos negativos do tribalismo são frequentemente alimentados pela competição e pela perceção de uma ameaça comum, através do medo, ansiedade e preconceito, tornando as pessoas mais suscetíveis a notícias falsas, propaganda e conflito.



  • Estilo performativo de André Ventura



  • Aposta em debates televisivos, confrontos diretos e frases “virais”.

  • Essa teatralização política agrada a jovens que consomem política como espetáculo e entretenimento.


Em síntese: a estratégia para os jovens combina emoção, rebeldia, identidade nacional e linguagem digital, criando uma narrativa de rutura com o sistema e de esperança num futuro “roubado” aos jovens.


 Eixos temáticos recorrentes



  • Família e demografia: A família é erguida como solução ao “inverno demográfico”, com incentivos fiscais (ex.: isenção de IRS para mulheres com 3 ou mais filhos), alargamento de licenças parentais e apoios na saúde materna. Nota-se a retirada, desde propostas antigas, de retirar aborto e cirurgias de transição de género da saúde pública, sinalizando uma adaptação tática. O programa evita quantificar impactos financeiros destas medidas.

  • Justiça e crime: Centralidade em “acabar com a brandura” da justiça: prisão perpétua com revisão, castração química para reincidentes sexuais, agravamento de penas para violência doméstica, e apertos processuais para acelerar megaprocessos de corrupção. Isto exige revisão constitucional é tratada pelo próprio partido como prioridade. Há também reforço de meios (PJ, magistrados), apreensão de bens antes da sentença e crime de enriquecimento ilícito.

  • Imigração: Passagem de quotas “culturais” (antigas) para endurecimento amplo: controlos fronteiriços, crime de residência ilegal, recondução a países de origem se não houver prova de autossustento em 6–12 meses, exigência de português no trabalho, restrição de apoios sociais a quem tenha 5 anos de contribuições, revogação do acordo de mobilidade da CPLP e recomposição da AIMA com funções policiais à la SEF.

  • Revisão constitucional: Objetivo estruturante que viabiliza o pacote penal. Pretende “limpar carga ideológica” do preâmbulo, permitir prisão perpétua e castração química, reduzir e alterar composição do Tribunal Constitucional, voto obrigatório, referendos vinculativos sobre qualquer matéria, reduzir deputados e limitar ministérios. A conjuntura parlamentar recente tornou este objetivo menos hipotético.

  • Economia e fiscalidade: Centra-se na retórica liberal de direita: baixar IRS/IRC/IMI, eliminar derrama e pagamentos por conta; isenção de IRS para jovens até 100 mil de rendimento acumulado, depois taxa plana de 15%; isenções na primeira habitação; incentivos a contratação jovem. Em paralelo, medidas de tributação extraordinária sobre banca/petrolíferas e uma lista extensa de promessas sociais sem envelope orçamental explícito, estimadas em mais de 5% do PIB, expondo tensão entre ambição e sustentabilidade.

  • Educação: Defesa de “autonomia da família versus escola”; combate à chamada “ideologia de género” com direito de veto parental; oposição a casas de banho neutras como única opção; Cidadania e Desenvolvimento apenas opcional; reintrodução de exames em todos os ciclos e “tolerância zero” à indisciplina. Reposição integral do tempo de serviço dos professores e revisão do ECD-Estatuto da Carreira Docentes.


Se analisarmos à lupa verificamos que muitas destas medidas servem apenas para captar potenciais eleitores sem garantia de que numa situação de governo muitas dessas medidas sejam sustentáveis ou até exequíveis a prazo.


 


 


Fontes:


Lessard-Hébert, Michelle, Investigação Qualitativa; Fundamentos e Práticas, Instituto Piaget.


José Raul de Sousa; Simone Cabral Marinho dos Santos; Análise de conteúdo em pesquisa qualitativa. https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&ved=2ahUKEwjXg-norvmPAxUYUKQEHfGUG184FBAWegQIMBAB&url=https%3A%2F%2Fperiodicos.ufjf.br%2Findex.php%2FRPDE%2Farticle%2Fdownload%2F31559%2F22049%2F134370&usg=AOvVaw3qBWRai0qz1Bqbg0p36NMV&opi=89978449


 


https://ojs.letras.up.pt/index.php/re/article/view/13182/12192


Como o discurso do Chega mudou e o que isso diz da sua estratégia: https://rr.pt/fotoreportagem/politica/2024/03/05/como-o-discurso-do-chega-mudou-e-o-que-isso-diz-da-sua-estrategia/368696/


Desafios e Oportunidades da imigração em Portugal, revelados no Dia Internacional dos Migrantes: https://pessoas2030.gov.pt/2024/12/20/desafios-e-oportunidades-da-imigracao-em-portugal-revelados-no-dia-internacional-dos-migrantes/


https://linguateacher.com/pt-pt/glossary/vocabulario-para-contextos-politicos-e-governamentais-em-portugues/


André Ventura quer o Chega a liderar oposição e "preparado para governar": https://cnnportugal.iol.pt/chega/andre-ventura/sangue-suor-lagrimas-e-muita-fe-andre-ventura-quer-um-chega-preparado-para-governar/20230127/63d44cef0cf2c84d7fc54165


O Chega é o futuro, mudámos o sistema político português para sempre: https://expresso.pt/podcasts/legislativas-2025-todos-os-debates/2025-05-19-andre-ventura-o-chega-e-o-futuro-mudamos-o-sistema-politico-portugues-para-sempre-609d2d4f


Discurso de André Ventura no 25 de novembro: https://www.youtube.com/watch?v=pvdm8YIqmJ8


Chega promete programa eleitoral para a próxima segunda-feira com foco em corrupção e imigração: https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/chega-promete-programa-eleitoral-para-a-pr%C3%B3xima-segunda-feira-com-foco-em-corrup%C3%A7%C3%A3o-e-imigra%C3%A7%C3%A3o


O que defende mesmo o Chega? As convicções e contradições do partido de André Ventura:     https://rr.pt/fotoreportagem/politica/2025/05/20/o-que-defende-mesmo-o-chega-as-conviccoes-e-contradicoes-do-partido-de-andre-ventura/426219/https://www.publico.pt/2025/09/11/politica/noticia/chega-recrutar-futuros-votantes-2146881


Como é que o Chega está a recrutar futuros votantes https://www.publico.pt/2025/09/11/politica/noticia/chega-recrutar-futuros-votantes-2146881


Entrevista ao jornal Público, fevereiro 2024, https://www.publico.pt/2024/02/13/politica/entrevista/andre-ventura-so-crescimento-economico-casa-3-5-podemos-aumentar-pensoes-2080089

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Dize-me com quem andas dir-te-ei quem tu és

Trump e amigos.png


Não ocupo cargos públicos nem políticos e não tenho responsabilidades diplomáticas, assim sendo, posso expressar opiniões sem poder ser acusado duma tremenda irresponsabilidade diplomática, assim, posso criticar Trump como entender ao contrário do Presidente Marcelo que foi censurado por ter classificado publicamente o Presidente dos Estados Unidos da América como um “ativo soviético da Rússia”.


Quanto às afirmações de Marcelo sobre o presidente Trump, parece que há muito medo de chatear Trump, muito medo de chatear Israel e muito pouco medo de ficar do lado errado da história. O que Marcelo disse foi numa sessão dum curso de verão partidário para jovens, não foi em nenhum ato oficial nem público, foi público porque a comunicação social o assim tornou. E se fosse numa aula privada já não haveria problema?


O Presidente Marcelo pode ter um enorme ego, mas não se aproxima, nem um pouco, do enormíssimo ego de Donald Trump. Talvez, por isso, cada um deles diga disparates à sua medida. Considero, no entanto, sem quaisquer constrangimentos que, sem dúvida, Trump aparenta ser, de facto, um ativo soviético da Rússia, conforme afirmou publicamente o Presidente.


Recordemos que os discursos de Vladimir Putin e as suas intervenções não escondem o objetivo da sua política internacional para reconquista das antigas zonas de influência que a ex-União Soviética que, tendo perdido a Guerra Fria adota agora uma política revisionista.


Margarida Mota escreveu no semanário Expresso que “O Presidente dos Estados Unidos é um confesso admirador do líder da Federação Russa. Donald Trump não enjeita usar o exemplo de Vladimir Putin para diminuir governantes norte-americanos ou desautorizar instituições do país como por exemplo os serviços secretos.


A frustração provocada pelo arrastar da guerra na Ucrânia, que ele prometeu resolver ‘em 24 horas’, levou Trump a considerar que “o problema de Putin é ter um ego muito grande que o está a tornar mais impaciente”. Diz o roto ao nu, digo eu, servindo-me do provérbio que expressa a pouca moralidade do acusador respetivamente ao acusado.


Já que falo de provérbios “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”, é o título e que serviu de motivação para este artigo, significa que as pessoas que escolhemos para acompanhar e conviver revelam muito sobre os próprios valores. A ideia central deste provérbio é que as companhias de uma pessoa servem como um reflexo de quem ela é, pois, o meio em que vivemos e as amizades têm um forte poder de influência e contribuem para moldar a forma como nos tornamos e vem a propósito do presidente Trump que parece conviver bem com ditadores e autocratas. “Tudo bons rapazes é um filme de Martin Scorsese” poderia ser tabém um título adequado devido á “simpatia” de Trump por ditadores e autocratas.


A afinidade de Donald Trump com figuras autoritárias tem sido amplamente notada. Durante a sua primeira presidência e mesmo depois, elogiou frequentemente homens fortes e sem consideração pelas suas ações para com os direitos humanos, descrevia as relações pessoais com eles em termos de quase aceitação.


Para começar veja-se uma lista destes relacionamentos países e respetivos líderes e elogios feitos por Donald Trump:



  • Coreia do Norte, Kim Jong Un: «Kim escreveu-me lindas cartas e são ótimas cartas. Nós ‘apaixonamo-nos’». Elogiou ainda o potencial económico da Coreia do Norte.

  • Rússia, Vladimir Putin: Brincou com Putin à frente da imprensa sobre ‘livrar-se das fake news’; e chamou a Putin “génio” após a invasão da Ucrânia.

  • China, Xi Jinping: Descreveu Xi como um «grande amigo» e alegou que quer que “a China se saia bem”.


O elogio de Trump a Xi é de longa data e faz parte de um padrão que é o de lisonjear ditadores e líderes de braço forte durante eventos políticos e entrevistas. No ano passado, Trump chamou ao líder chinês “inteligente, brilhante, tudo perfeito”, e que governa com “punho de ferro”.


 


O que conheço da política dos EUA através da comunicação social imprensa estrangeira e também da nacional e cruzando vários artigos e opiniões vou tiro as minhas ilações.


Muitos artigos de opinião e notícias sobre política podem ser favoráveis ou desfavoráveis consoante as ideologias de cada um que as lê ou vê e conforme o que pensam e nem sempre podem estar de acordo. Assim, há opiniões para todos os gostos, concordantes ou discordantes, sobre o perfil e políticas adotadas pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump, por mais disparatadas, contraditórias, inconcebíveis e até ameaçadoras que elas sejam.


Há críticos e observadores nos EUA que argumentam que elogiar ditadores mina os compromissos dos EUA com a democracia e os com os direitos humanos, sugerindo que Trump trata esses líderes como aliados pessoais e não como adversários. Isto pode ser um alerta para as retóricas que encorajam regimes autoritários, evidenciando que a lealdade pessoal não pode servir para superar as divergências políticas em questões como liberdade de imprensa, e dos media em geral, ou mesmo agressão territorial.


Alguns parceiros dos EUA perceberam, e foi público, que viram a abordagem de Trump na política externa como um enfraquecimento das alianças uma vez que parecia estar a valorizar o relacionamento pessoal com adversários acima dos compromissos de segurança coletiva.


Podemos colocar a seguinte pergunta: como é possível que num país que dizia ser um exemplo de democracia e de liberdade no Mundo haja uma equipa que apoia um presidente como Trump e não sinta tais afirmações como ofensas à dita liberdade dos EUA.


Não sabemos objetivamente em que moldes se efetuaram este tipo de relações que Trump fomentou com esses líderes porque o que passa para a comunicação social não conferirá exatamente com as conversas privadas que teve com eles. Essas relações poderão, ou não, afetar áreas políticas específicas tais como a coesão da NATO e as negociações comerciais. Questionou se terá havido, ou não, paralelos históricos nas relações externas como estas nos EUA? Surge então a dúvida que se pode é se a afinidade de Trump com aqueles autocratas e ditadores poderá moldar a unidade e a eficácia da NATO como foi no seu primeiro mandato e se continuará neste segundo mandato.


Segundo The Conversation, principal editora mundial de notícias e análises baseadas em pesquisas e órgão de comunicação que faz parte duma cooperação entre professores universitário e jornalistas, Donald Trump enquadrou repetidamente a adesão à NATO como uma série de transações financeiras e não como um pacto de segurança coletiva. Ele colocou publicamente a questão de os Estados Unidos se poderiam honrar os compromissos do Artigo 5 se os aliados não cumprissem as metas de gastos com defesa. O Artigo 5 da NATO, Tratado do Atlântico Norte, consagra o princípio da defesa coletiva, estipulando que um ataque armado contra um ou mais dos seus membros, na Europa ou América do Norte, é considerado um ataque contra todos os Aliados. Esta postura de “América em primeiro lugar”, com ameaças de retirada dos EUA, perturbou, para não dizer chocou, a UE e rompeu com décadas de liderança inabalável dos EUA na cooperação multilateral em matéria de defesa. Aliás os seus ataques verbais à UE quase replicam a narrativa anti UE de Putin. Basta percorrer as várias notícias dessa altura.


Para Putin estratégia seria planear antecipadamente uma “jogada” de longo prazo que procuraria o enfraquecimento dos laços dos EUA com a Europa, o desagregar da União Europeia e, por consequência, desfazer a NATO para o que, como se verá adiante, Donald Trump estava também a contribuir. A posição de Trump é que “vê a expansão da NATO como uma provocação à Rússia e um fardo para os recursos de defesa dos EUA”.


O contexto da cordialidade de Trump em relação a Vladimir Putin e Kim Jong Un e outros ditadores enviou sinais contraditórios sobre a confiabilidade dos EUA que geraram dúvidas sobre os acordos bilaterais feitos com ditadores que poderiam sobrepor-se ao consenso da NATO. Isso alimentou a suspeita de que o relacionamento pessoal com autocratas poderia superar os compromissos multilaterais.


Tal como Putin, Trump não gosta da UE. Consideram ser uma força que os impede dos seus intentos, por isso, poderia potencialmente não estar fora de causa haver uma cooperação oculta para a sua desagregação, mas seguindo estratégias diferentes. E nisso ambos poderão estar empenhados mais tarde ou mais cedo.


Contudo, é expectável que a tendência de autonomia estratégica da Europa irá durar mais do que qualquer presidência dos EUA, assim como irá remodelar o panorama de segurança transatlântica durante décadas desde que, ‘toupeiras’ como Órban da Hungria não boicotem a estratégia seguida que tem sido lenta e com avanços e recuos, porque ora está do lado russo, ora se coloca do lado da UE. Ao consultarem-se algumas notícias publicadas sobre este tema poderemos ler:


“O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, afirmou que a Europa corre o risco de ser ‘posta de lado’ se se realizar uma cimeira entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin, para discutir o fim da guerra na Ucrânia.” (08/08/2025 euro news);


“O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, voltou a rejeitar a adesão da Ucrânia à União Europeia e alertou para o impacto económico e os riscos de guerra.” (04/07/2025 semanário Expresso);


“O presidente norte-americano, Donald Trump, questionou o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, sobre as razões da sua oposição à adesão da Ucrânia à União Europeia (UE)” (20/08/2025 Agência Bloomberg).


Podemos mesmo especular sobre qual será a estratégia para o relacionamento pessoal de Trump com autocratas que serviu de marca estratégica nas suas negociações comerciais, mais concretamente através do uso seletivo de tarifas e de elogios públicos aos referidos ditadores, como anteriormente referi que serviam como moeda de troca. Para Trump parece quer a política é uma arte do negócio e não de negociação com conversações diplomáticas entre estados.


Os elogios e bajulações que enumerei anteriormente, especificamente no caso de Xi Jinping, a quem Trump repetidamente chamou ‘muito bom amigo’, mas a quem também, segundo analistas políticos, ameaçou e lançou abruptamente tarifas elevadas sobre produtos chineses quando as negociações estagnaram.


Esta mistura de elogios públicos, ameaças punitivas com taxas aduaneiras permitiu que Trump reivindicasse ‘vitórias’ fugazes ao rescindir ou reduzir tarifas depois de garantir concessões económicas ou financeiras, não sabemos se para ele ou se para os EUA.


Donald Trump faz uma diplomacia de natureza errática orientando uma propaganda para o público e muitas vezes conduzida através das redes sociais, contrastando fortemente com a política mais previsível de outros presidentes, não apenas os doa EUA.


O tipo de política de imprevisibilidade e ‘caótica’ tem sido alvo dos críticos que observaram que não foi um passo em falso tático, mas uma característica de um sistema de política externa centralizado em torno dos instintos e vinganças pessoais do presidente.


Sobre o encontro da semana de 3 a 5 de setembro entre os líderes Xi, Putin e Kim em Pequim, com direito a parada militar, Donald Trump publicou uma mensagem na sua rede social Truth Social, “Por favor, dêem os meus mais calorosos cumprimentos a Vladimir Putin e a Kim Jong Un, enquanto vocês conspiram contra os Estados Unidos da América”, escreveu Trump numa mensagem a Xi.


A CNN Politics, em 3 de setembro, declarou que aquela mensagem no Truth Social, lida em todo o mundo, significava uma coisa: se as duas grandes reuniões de líderes autoritários, adversários dos EUA e antigos aliados da China nesta semana foram planeadas como uma afronta pessoal ao presidente dos EUA, funcionou perfeitamente.


Segundo um analista do mesmo órgão de comunicação “Algumas das conversas alarmistas sobre a China e a Rússia que estariam a construir um novo eixo de resistência aos EUA são exageradas. As nações representadas numa cúpula da Organização de Cooperação de Xangai na cidade de Tianjin, no norte da China, carecem de acordos formais de defesa ou soberania económica compartilhada para comparar a grupos como a NATO ou a União Europeia.”


O certo é que Donald Trump ficou perturbado com o espetáculo que lhe foi oferecido por Xi Jinping diretamente da Praça Tiananmen, em Pequim.  Na sequência da cimeira do Alasca semanas antes, Teresa de Sousa escreveu num artigo de opinião que “tudo aquilo que Trump anunciou na cimeira do Alasca e as promessas que terá feito quando recebeu os principais líderes europeus na Casa Branca alguns dias depois esfumaram-se no ar. Putin nunca manifestou qualquer intenção de desistir da continuação da guerra. Pelo contrário, intensificou os ataques às cidades ucranianas, na mesma orgia de destruição e de morte que desencadeou com a invasão.”


O Times of India escrevia também a 3 de setembro  que “A Rússia rejeitou a alegação do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o presidente russo, Vladimir Putin, e o líder norte coreano, Kim Jong Un, estavam ‘conspirando’ contra os Estados Unidos ao lado China XI Jinping durante um grande desfile militar em Pequim. O Kremlin esclareceu que Putin não estava envolvido em nenhuma conspiração e sugeriu que Trump pode ter falado ‘ironicamente’.


As relações do presidente Donald Trump com líderes autocráticos, segundo analistas políticos dos EUA, não foram por acaso, mas sim um “resultado consistente, lógico e previsível de uma ideologia de política externa profundamente estabelecida”. Essa política externa, tanto quanto se soube ao longo dos anos pelas comunicação social americana e europeia, durante e após a guerra fria, rejeita sistematicamente a estrutura multilateral baseada em valores que sempre nortearam a política americana por quase um século.


A aparente afinidade com autocratas é um reflexo direto da  doutrina trumpista, que vê a diplomacia como uma série de acordos, tipo negócios ad hoc para dar resposta a interesses imediatos, em vez dum meio de sustentar uma ordem global baseada em valores e instituições democráticas compartilhadas.


Parece ser uma experiência de forma de governo que aplica os princípios de engrandecer o executivo e desconsiderar os controles e legalidades institucionais, tanto no âmbito nacional quanto internacional. Os acordos internacionais e regionais foram quebrados, veja-se como exemplo próximo a invasão da Ucrânia.


Pesquisas que efetuei em documentos abaixo mencionados, revelaram uma estrutura ideológica coesa com as mesmas táticas usadas para consolidar o poder interno do tipo ditatorial que se refletem numa política externa que ignora alianças tradicionais e normas internacionais.


Este tipo de abordagem parte da premissa de que a ação unilateral e a retirada da liderança global fortalecerão os EUA ou seja a dita MAGA que, como sabemos está a ser a utilizadas por Trump, é minada pelas evidências que mostram que um há um vácuo na liderança dos EUA. Como se tem verificado esse lugar está a ser preenchido por potências que sempre foram rivais dos EUA e têm mostrado ter levado à constituição mais consolidada dum poderoso bloco antiocidental pela já referidas potencias rivais.


Trump narcisista.png


Torna-se evidente que, se esta política se mantiver e for permanente da política externa levada a cabo por Donald Trump, as implicações dessa mudança na política externa dos EUA podem conduzir à erosão contínua das alianças americanas.


Existe a perseção de que há uma  convergência entre a ‘Pessoa’ de Donald Trump e a ‘Política’, que pode ser um prenúncio do desmantelamento dos sistemas que sustentaram a estabilidade global após o fim da Segunda Guerra Mundial voltando ao  enaltecimento do culto da personalidade, como o foram líderes ditatorias Mussolini, Hitler e Estaline. Já anos antes Bertie Wai num artigo de opinião escrevia no South China Morning Post em 3 de outubro de 2020: “A noção popular de que os narcisistas são dotados de um reservatório extraordinário de confiança, auto-importância e auto-estima incondicional é enganosa. Narcisistas como Trump tentam mascarar as suas deficiências e constantemente atacam os outros para proteger os seus próprios egos frágeis de serem expostos e colapsarem.”


Para finalizar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu na segunda-feira 1 de setembro de 2025 que talvez os americanos gostassem de ter um ditador, após assinar ordens que endurecem a repressão federal em Washington e permitem processar quem queimar a bandeira do País... Num evento de mais de uma hora no Salão Oval, Trump reclamou que nem a comunicação social nem seus críticos lhe reconhecem mérito suficiente pela sua ofensiva contra o crime e a imigração, agora apoiada pela Guarda Nacional dizendo que: “dizem que: ‘Não precisamos dele. Liberdade, liberdade. É um ditador. É um ditador’. E comentou de seguida à imprensa o que muita gente diz “Talvez gostemos de um ditador”.


Fontes:


Arab Center DC, Trump Administration Guts State’s Human Rights Reports.  https://arabcenterdc.org/resource/trump-administration-guts-states-human-rights-reports/


The Economic Times, Guerra comercial: Trump começa com a China e depois atinge muitos no mundo. https://economictimes.indiatimes.com/news/international/global-trends/trade-war-trump-starts-with-china-and-then-hits-many-in-the-world/articleshow/123597132.cms


Impakter Bussinesse sustentainability, Toward Global Instability and Autocracy? A Critical Examination of the Trump Regime’s Global Impact, https://impakter.com/em-direção-à-instabilidade-global-e-à-autocracia-um-exame-crítico-do-impacto-global-dos-regimes-de-trump/


Teresa de Sousa, Make China Great Again, https://www.publico.pt/2025/09/07/mundo/analise/make-china-great-again-2146237

segunda-feira, 21 de julho de 2025

A sério? MAGA! Make America Great Again?

A sério? – MAGA!


Make America Great Again?


Trump-MAGA.png


O slogan Trumpista MAGA-Make America Great Again é uma cópia do que a Grã-Bretanha utilizou quando, em 5 de junho de 1975, realizou um referendo sobre a permanência do país no que era então o Mercado Comum. Bastou-lhe trocar o “B” pelo “A” e está feito.


A pergunta era na altura, em 1975: “Você acha que o Reino Unido deveria permanecer na Comunidade Europeia (Mercado Comum)?” como se pode ver na imagem abaixo.


Curiosamente, slogans semelhantes ressurgem ao longo da história, adaptando-se a diferentes contextos políticos e culturais, mas sempre evocando um sentimento de retorno a um passado idealizado. No caso do Reino Unido em 1975, a campanha refletia tanto incertezas quanto aspirações de renovação nacional - uma dinâmica recorrente em debates sobre identidade e pertença coletiva.


O MAGA de Trump que é uma cópia do passado da Inglaterra (ou ver imagem diretamente) está a falhar a vários níveis porque segundo analistas muitas das políticas de Donald Trump enraizadas numa retórica nostálgica que têm lutado, até agora, sem conseguirem concretizar as amplas melhorias por ele prometidas. Os críticos apontam para divisões sociais persistentes, resultados económicos mistos e desafios no cenário mundial como evidência de que o retorno previsto a um passado idealizado permanece indefinido. Em vez disso, estas políticas destacaram frequentemente as complexidades de governar num mundo em rápida mutação, onde simples slogans raramente se traduzem em soluções eficazes.


Segundo uma sondagem da NORC em 17 de julho,  apenas cerca de um quarto dos adultos dos EUA dizem que as políticas do presidente Donald Trump os ajudaram desde que assumiu o cargo, com notas abaixo do esperado em questões-chave, incluindo economia, imigração, gastos do governo e saúde.


O presidente republicano não consegue obter a aprovação da maioria em nenhuma das questões incluídas na pesquisa da NORC. Sobre o seu extenso projeto de lei orçamentária, poucos acreditam que ele entende os problemas enfrentados por pessoas como ele.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Crescimento dos votos na extrema-direita: causa ou consequência?

Extrema direita cupula patriota.png


Eleição após eleição tem-se sentido cada vez mais os efeitos do aumento da extrema-direita no Mundo e sobretudo no continente europeu onde nos inserimos. Embora os partidos da direita moderada e os denominados conservadores tenham conquistado o apoio do eleitorado os da direita radical ou da extrema-direita populistas, soberanistas ou nacionalistas têm vindo a crescer eleição após eleição. Veja-se o caso da AfD na Alemanha nas últimas eleições.


Estes partidos que estão a evoluir na UE nas intenções de voto. Os líderes dos partidos de extrema-direita do terceiro maior bloco eleitoral do Parlamento Europeu, Patriotas pela Europa, elogiaram o regresso de Donald Trump ao poder num encontro em Madrid, no dia 8/fev/25 realizado sob o lema “Make Europe Great Again”.


Tenho-me questionado sobre o que leva o eleitorado a decidir votar em partidos cujos líderes apresentam tendências autocráticas e radicais de extrema-direita. Não se trata de esquerda ou de direita, trata-se de poderem originar e transformarem-se em ditaduras autocráticas, ou seja, regimes em que o governo está nas mãos de um indivíduo ou grupo com poder que possa vir a ser transformado em absoluto e ilimitado. Temos como exemplo o caso da Rússia de Vladimir Putin e agora o de Donald Trump que parece querer seguir os mesmos passos do primeiro. O caso da Rússia não é o medo dos russos, mas do que Putin representa, pois é sabido que ele tem aliados fiéis nas extremas-direita europeia. Sobre este tema há uma visão histórica interessante A ameaça russa em Notas à Margem.


Para tal há diversas razões complexas e interrelacionadas. Há muito a considerar e a entender sobre o contexto e a mentalidade dos eleitores em cada situação específica. Frequentemente, líderes autocráticos provenientes de partidos, ou não, possuem personalidades carismáticas que podem criar uma forte ligação emocional com os eleitores, fazendo-os sentir que esse líder é alguém que compreende os seus problemas e representa os seus interesses.


A técnicas de manipulação emocional usando a retórica nacionalista para mobilizar apoio e influenciar os seus seguidores, sobretudo os potenciais seguidores, podem incluir apelos ao medo, à esperança e à identidade nacional, contra ameaças, internas e externas por vezes infundadas tornando as pessoas mais suscetíveis para acreditar nas palavras que ouvem.


Muitas pessoas tendem a confiar em figuras de autoridade se um líder é percebido como forte e decisivo, pode atrair eleitores que anseiam por estabilidade e ordem. Esta opção pode ser devida a diversos contextos culturais e história política dum país que podem favorecer uma liderança centralizada, tornando as ideias autocráticas mais aceitáveis.


Outro fator pode ser devido a tempos de crise económica, social ou política, os eleitores aceitem apoiar representantes políticos que prometem soluções rápidas e decisivas, mesmo que isso signifique uma concentração de poder.


Há ainda fatores menos evidentes que tem a ver com equações pessoais dos eleitores. Concordar com os líderes pode ser visto como um sinal de lealdade e identidade do grupo a que pertencem ou a que julgam pertencer. Há uma necessidade de pertencimento a algo que pode levar as pessoas a aceitar opiniões e afirmações dos líderes do seu grupo social, político ou religioso (pode até ser um clube de futebol ou qualquer outro tipo de associação) e, por isso, buscam informações que se alinhem com as suas crenças preexistentes ignorando contradições.


O efeito de grupo, de bando ou de rebanho (o termo anglo-saxónico é bandwagon effect) por vezes também referido como “efeito de contágio”. Este termo denota um fenómeno de impacto da opinião pública sobre um ou vários sujeitos. Com as suas preferências e posições políticas, as pessoas juntam-se ao que consideram ser maiorias ou posições dominantes existentes ou esperadas na sociedade. Isso implica que o sucesso gera mais sucesso, e os parecem gozar de um amplo apoio popular provavelmente ganharão um apoio ainda mais forte. Tal pode conduzir a que alguns eleitores votem no candidato com maiores chances de vitória, com o objetivo de não desperdiçar o seu voto, o chamado voto útil. Temos também o voto baseado no comportamento direcionado para o candidato com menores perspetivas de ser eleito, muito devido ao “vou votar nele só por votar”.


A opinião pública percebida ganha assim a qualidade de poder e ser realizada, tal como uma espécie de vagão que carrega uma banda num desfile e atrai uma grande multidão de seguidores que marcham atrás dela para apreciar a música. Em síntese, trata-se de o eleitor decidir votar num partido ou candidato que ainda em sondagens considera apresentar valores que na sua perspetiva são injustamente baixos, ao contrário do anterior efeito que é o de votar em quem vai à frente.


As técnicas de manipulação emocional para influenciar os seus seguidores, sobretudo os potenciais seguidores, podem incluir apelos ao medo, à esperança e à identidade nacional, tornando as pessoas mais suscetíveis para acreditar nas palavras que ouvem.


As palavras e as frases simples vão de encontro ao desejo de simplicidade das pessoas que geralmente preferem explicações simples e claras em vez de frases muito complexas. As pessoas preferem a certeza à dúvida e assim acreditam em quem simplifica questões complexas e em quem oferece soluções fáceis para problemas complexos que podem parecer mais convincentes, tal é o caso de Trump nos EUA que a eliminação de tratados, a ocupação de territórios e a eliminação das teses sobre as alterações climáticas são tratados com apenas com uma assinatura de eliminação ou de abolição. Em Portugal temos o caso André Ventura quando apresenta propostas e soluções para casos complexos cuja exequibilidade seria impraticável se os quisesse colocar em prática caso estivesse no poder.


Há um outro fenómeno conhecido como efeito de ilusão de verdade em que a repetição constante de uma afirmação, mesmo que falsa, pode fazer com que ela pareça verdadeira, mesmo que o não seja. Veja-se o caso exemplar do atual presidente dos EUA Donald Trump que durante a campanha eleitoral muitas vezes usou esta técnica e ainda hoje a utiliza. Mais próximo de nós temos André Ventura do partido Chega.


Nem todos têm acesso a informações imparciais ou as competências para avaliá-las criticamente. A propaganda e o controle dos media podem moldar narrativas para fazer com que perspetivas alternativas pareçam falsas ou perigosas.


Em alguns casos as pessoas podem não ter acesso a informações alternativas ou a meios de verificar o que os políticos candidatos dizem. Isso pode ser exacerbado em regimes onde a comunicação social é controlada ou censurada.


Mas, há um outro ponto muito importante que será desenvolvido noutra ocasião e que tem a ver com desinformação, o controle dos media e com campanhas de desinformação via redes sociais que podem influenciar significativamente a opinião pública, suprimindo críticas e promovendo uma imagem positiva ou negativa dos candidatos a líderes ou até de produtos e de pessoas que são promovidas.  


Notas sobre a imagem:



  1. Apesar do objetivo declarado dos Patriotas de unificar os conservadores nacionalistas da Europa, alguns dos partidos mais influentes da UE nesse campo - como os Irmãos da Itália da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, a Alternativa para a Alemanha e o Lei e Justiça da Polônia – recusaram-se a participar.

  2. O líder do partido político de extrema-direita português Chega, André Ventura, o líder holandês de extrema-direita Geert Wilders, o líder do partido de extrema-direita espanhol Vox, Santiago Abascal, e a líder e deputada francesa de extrema-direita Marine Le Pen, o presidente do grupo parlamentar francês de extrema-direita Reunião Nacional (Rassemblement National - RN), o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban, o vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini e o líder grego do partido "Voz da Razão", Afroditi Latinopoulou, estão no palco do O partido espanhol de extrema-direita VOX reúne-se com outros líderes europeus de extrema-direita, em Madrid, Espanha, em 8 de fevereiro de 2025. REUTERS/Ana Beltran

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Discurso de Vance em Munique: Críticas à Democracia Europeia

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Ontem na Conferência de Segurança de Munique é um evento anual onde líderes mundiais, ministros e outros decisores políticos se reúnem para debater os principais desafios globais. Este ano de 2025 teve como objetivo abordar questões urgentes de segurança global, incluindo a guerra em curso na Ucrânia, a crise em Gaza e a dinâmica de mudança das alianças internacionais. Serviu de plataforma para o diálogo e a cooperação de alto nível entre líderes mundiais, decisores políticos e peritos.


O discurso de JD Vance em Munique parece ter revelado o colapso da aliança transatlântica. Para o The Guardian, o discurso foi “cheio de hipocrisia risível, retratos distorcidos da democracia europeia e insensibilidade em relação ao trauma da Europa com o fascismo”.


JD Vance, o vice-presidente dos EUA, fez um discurso na conferência onde criticou a abordagem dos governos europeus à democracia. Vance criticou a abordagem dos governos europeus à democracia e disse temer que a liberdade de expressão no continente esteja a “recuar” criticou os líderes europeus e a democracia da U.E. porque não alinharem com as extremas-direitas e radicais em vez de se focar que estava em discussão que eram para a paz na Ucrânia.


Ele expressou preocupações sobre a liberdade de expressão na Europa, afirmando que muitos americanos veem na Europa “interesses entrincheirados” que se escondem atrás de termos como desinformação para suprimir pontos de vista alternativos. Fez críticas à abordagem dos países europeus à democracia e à liberdade de expressão e manifestou preocupação com o recuo da liberdade de expressão na Europa e criticou os governos europeus por lidarem com a imigração e os valores democráticos


Vance também mencionou que a maior ameaça à Europa não é externa, como a Rússia ou a China, mas sim interna, com a Europa se afastando de alguns de seus valores fundamentais compartilhados com os Estados Unidos.


Está mais do que provado que o que ele denomina pontos de vista alternativos, isto é, verdades não evidenciadas por factos, muito ao gosto de Donald Trump, como se verificou do seu anterior mandato. dar algum sentido à distopia desorientadora da pós-verdade que parece ter envolvido os Estados Unidos desde o primeiro mandato mantendo-se, agora novamente com Donald Trump na presidência americana.


A propósito do que eles chamam “pontos de vista alternativos” ou “factos alternativos” como em 2017 os seus conselheiros de Donlad Trump (ou acólitos)?) contestavam a realidade como já escrevi noutro texto. Um deles, “Kellyanne Conway, diretora de campanha presidencial de Donald Trump em 2016 e conselheira do presidente até agosto de 2020, alegava, na altura, a existência de haver “factos alternativos” para  ajudar Sean Spicer, assessor político e Secretário de Imprensa e Diretor de Comunicações interino do presidente Donald Trump que, no mesmo ano, usou seu primeiro encontro na Casa Branca para protestar contra os jornalistas devido ao que ele incorretamente chamou “reportagem deliberadamente falsa” sobre a posse de Trump na altura”.


Ainda sobre a liberdade de expressão em perigo cito as palavras de


Mas regressemos ao discurso de Vance, uma hipócrita “lição” de democracia como escreveu hoje no Público Andreia Sanches, mas, para mim, foi claramente desagregador duma aliança e, ao mesmo tempo, da democracia europeia.


Andreia Sanches escreveu ainda “Vance disse que a Europa está a suprimir a liberdade de expressão e a ignorar quem pensa diferente. Estamos a falar do vice de um país onde universidades e variadíssimas organizações financiadas pelo Estado estão, de há semanas a esta parte, a expurgar dos seus documentos oficiais palavras que se tornaram proibidas com a Administração Trump, como "diversidade", "desinformação", "activismo", "racismo" ou "género"”.


Vance afirmou que “enquanto o governo Trump está muito preocupado com a segurança europeia e acredita que podemos chegar a um acordo razoável entre a Rússia e a Ucrânia – e também acreditamos que é importante nos próximos anos que a Europa se esforce em grande escala para fornecer sua própria defesa – a ameaça que mais me preocupa em relação à Europa não é a Rússia, não é a China, não é nenhum outro ator externo. O que me preocupa é a ameaça interna. O recuo da Europa em relação a alguns dos seus valores mais fundamentais: valores partilhados com os Estados Unidos da América.”


Que ameaça interna na Europa preocupa Vance? Penso ser a democracia. O descaramento deste senhor é tal que afirmou que “Fiquei impressionado com o facto de um antigo comissário europeu ter ido recentemente à televisão e parecer satisfeito com o facto de o Governo romeno ter acabado de anular uma eleição inteira. Ele alertou que, se as coisas não saírem conforme o planejado, a mesma coisa pode acontecer na Alemanha também.” Tem memória curta porque apagou a cena que o seu líder Trump fez quando perdeu as eleições nos EUA e promoveu indiretamente o assalto ao Capitólio.


Sobre os principais partidos democratas não trabalharem com a extrema-direita, referindo-se à Alemanha, Vance defendeu que “não há espaço” (aplicou o termo firewalls-aplicar uma política de segurança a um determinado ponto, geralmente associados a redes) para cordões sanitários seja a quem for. Atente-se a isto: “But what no democracy, American, German or European will survive, is telling millions of voters that their thoughts and concerns, their aspirations, their pleas for relief, are invalid or unworthy of even being considered.


Democracy rests on the sacred principle that the voice of the people matters. There is no room for firewalls. You either uphold the principle or you don’t. Europeans, the people have a voice. European leaders have a choice. And my strong belief is that we do not need to be afraid of the future”.


Foi um discurso demagógico, de falsos valores, sobre o que ele(s) e o que entende(m) por liberdade de expressão (que, para ele e para o seu chefe Trump) deve servir para tudo inclusivamente para motivar o ódio, a promoção de fascismos, nazismos, autocracias, e outras ditaduras. Vance sabe que isso lhes interessa. Isto é, “autocratas e ditadores de todo o Mundo uni-vos”.