Mostrar mensagens com a etiqueta resistência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta resistência. Mostrar todas as mensagens

domingo, 29 de março de 2026

Guerra da informação e da contrainformação

 


A guerra promovida por Israel contra os palestinianos e outros povos não é de agora, mas sem ser tão violenta como a que se desenrola com o beneplácito dos EUA de Trump.

A disputa territorial remonta à criação do Estado de Israel em 1948 que, após a partilha da Palestina pela ONU em 1947, Israel declarou independência em 1948, o que levou à Primeira Guerra Árabe-Israelense. Muitos países árabes vizinhos não aceitaram a presença de Israel, resultando num estado de conflito contínuo.

Os argumentos que Israel tenta passar para a opinião pública internacional são as “ameaças existenciais” a que está sujeito frequentemente e justifica as suas ofensivas militares como medidas de defesa contra grupos militantes como Hamas e o Hezbollah e outras nações que não lhe reconhecem direito à sua existência e, portanto, procuram a sua extinção tornou-se o eixo central da sua comunicação externa. O tipo de coligação EUA-Israel vê como uma ameaça direta o programa nuclear e a influência regional do Irão que há muito financia grupos inimigos de Israel, alguns deles terroristas, o que resulta em ataques a alvos iranianos e a aliados do Irão. Mas, do meu ponto de vista o seu verdadeiro objetivo, o fundamental, é a ganância de espaço vital para a sua expansão e também, se possível, extinguir  povos que lhe possam fazer frente e o ameaçam (pode ler aqui o trauma social da perseguição).

O facto é que estamos em presença de uma guerra, por enquanto regional, que o presidente dos EUA Donald Trump ajudou a iniciar contribuindo previsivelmente para o seu alargamento num curto espaço de tempo. Se estivermos atentos às notícias que nos chegam pelas televisões e pela imprensa as declarações das partes em litígio, e também no interior de cada uma das partes, observamos que são, a maior parte das vezes, contraditórias. É uma espécie de círculo vicioso de informação e contrainformação numa Sequência de eventos negativos que se autorreforça e repete, gerando um impasse, por vezes, de difícil compreensão.

A guerra trava-se também no plano da informação. Num mundo em rede, a velocidade com que os dados circulam transformou-se simultaneamente numa arma e num escudo. A desinformação, a propaganda, as operações psicológicas e a manipulação estratégica deixaram de ser exceções e passaram a integrar, de forma estrutural, a política externa e a gestão, e ou, a má gestão das crises internacionais como temos verificado nas contradições sobretudo do Presidente dos EUA.

O processo “informação-desinformação” e “contrainformação” em tempo de guerra circulam no espaço onde se cruzam no ar plenas de contradições e de negações. Nega-se hoje o que se disse ontem.  A contra informação e a desinformação, assim como a propaganda, as operações psicológicas e a manipulação estratégica tornaram-se parte integrante da política externa e da gestão ou má gestão das crises internacionais. Os conceitos de contra informação e a desinformação são algo distintos. A contrainformação, muitas vezes ligada ao conceito de contra-narrativa ou operações psicológicas defensivas, refere-se às medidas tomadas para combater, negar ou neutralizar a desinformação do inimigo. A desinformação segundo a ONU é a disseminação deliberada de informações falsas, manipuladas ou fora de contexto com o objetivo de enganar, causar danos, manipular a opinião pública ou desmoralizar o inimigo.

Há uma competição informacional entre EUA-Israel e o Irão que se desenrola também ao nível interno de cada país assim, cada governo empenha-se em controlar a narrativa interna, garantir a coesão social e justificar decisões militares perante a população e a gestão das perceções de ameaça.

No caso da teocracia autoritária do Irão o poder político está intrinsecamente ligado à autoridade religiosa xiita. O controle estatal dos meios de comunicação permite uma narrativa homogénea e alinhada com os interesses do regime. Em contraste, tanto em Israel como nos Estados Unidos, a pluralidade mediática, (que nem sempre é plena, pode eventualmente sofrer restrições), podendo fomentar disputas internas e divergências de opinião que podem ser exploradas por adversários externos e até internos para enfraquecer a unidade nacional ou criar instabilidade política.

Na questão do Médio Oriente, que é ao nível regional a informação é usada como instrumento estratégico para influenciar aliados e rivais, por isso os três intervenientes procuram moldar perceções sobre a legitimidade dos ataques e operações militares através de narrativas da “resistência” ou da “segurança” numa competição por uma liderança simbólica. Esta guerra de informação, desinformação e contrainformação serve para consolidar ou desafiar alianças, ampliar influência política e militar, e promover ao nível das populações interpretações que favoreçam os respetivos interesses estratégicos.

Cada um dos intervenientes tenta enquadrar o conflito em distinções conforme o seu interesse para justificarem as suas ações bélicas usando vocábulos como “defesa”, “resistência”, “terrorismo”, “agressão” ou “direito internacional” a fim de legitimarem as suas ações e deslegitimar as do adversário. O impacto desta disputa ultrapassa fronteiras, influenciando decisões diplomáticas, sanções, apoios internacionais e a própria percepção do conflito por parte de audiências globais, tornando a gestão da informação um elemento central da estratégia de cada interveniente.

Na guerra entre Israel-EUA e o Irão ainda, e por enquanto, predominantemente regional, foi claramente agravado pela ação política dos Estados Unidos, contribuindo para uma rápida escalada das tensões. A informação que chega ao público através dos meios de comunicação é frequentemente contraditória, não apenas entre as partes em litígio, mas também no interior de cada uma delas. Declarações são desmentidas, versões são revistas e o discurso oficial adapta se ao ritmo dos acontecimentos, criando um círculo vicioso de informação e contrainformação que dificulta qualquer leitura consistente da realidade. Mais do que uma guerra aberta, trata-se dum confronto permanente onde a ambiguidade estratégica é deliberadamente cultivada.

Fazendo uma breve síntese podemos afirmar que a guerra entre Israel-EUA e o Irão não se trava apenas com drones, mísseis, bombardeamentos ou sanções. Trava-se também com palavras, imagens, símbolos e interpretações. A informação tornou-se um recurso estratégico tão importante quanto o poder militar.

Num mundo saturado de informação, a capacidade de a distinguir da contrainformação é um exercício que também nos compete a nós que diariamente vemos e ouvimos as notícias nos canais dirigidas ao grande público, mas também nas redes sociais que nos mentem a cada instante com informações deturbadas e enganadoras. A disputa pela narrativa continuará a moldar não apenas a percepção do conflito, mas também as condições para a sua escalada em vez da resolução.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Humilhação ou o prenúncio da morte da democracia na Europa

Humilhação.png


O que ontem e hoje se passou com a Grécia foi uma derrota e a tristeza da humilhação dum povo e a vitória de todos os que não gostam da democracia tal qual como ela existe. Isto é, obrigam a que a democracia e a governação de países soberanos sejam obrigatoriamente governados por de um só, ou dois partido em unicidade, normalmente sempre os mesmos.


Foi uma guerra, primeiro pela interferência no processo democrático interno da Grécia e segundo foi a ocupação de um país sem utilização de armas.


Tsipras foi, e é, um exemplo da resistência política e ideológica contra poderes dominantes que odeiam a democracia e a prática do voto tal e qual como existe.  


O que é estranho é que a dívida da Grécia é impagável e os credores sabem que o é. Todavia aceitam emprestar mais dinheiro, mesmo mediante condições, sabendo que a economia não vai resistir e que a dívida continuará a ser cada vez mais impagável.


Será que os prestamistas entraram numa crise de estupidez grosseira? Deixa-nos a pensar!


A partir de hoje a União Europeia passou a estar em perigo. Está em curso a falência democrática e aberto caminho para o seu défice democrático. Neste contexto considero défice democrático a ocorrência que se dá quando organizações ou instituições, aparentemente democráticas, elas mesmas constituídas por governos aparentemente democráticos, ficam aquém de cumprir princípios da democracia nas suas práticas ou operações que digam respeito aos povos.      


É a morte da democracia na sua plenitude promovida por países cuja ambição é a de submeter outros que não sigam as suas regras ditas democráticas por via de pressões económicas e de dependência financeira.


Agora foi a Grécia a ser submetida por países cujos regimes se dizem democráticos mas que, afinal, por preconceito ideológico, fazem exercícios de ditadura.


O senhor que se segue por favor!