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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

A ditadura centralista dos professores

Professores em luta por mais dinheiro3.png


Estamos fartos da ditadura dos professores


Em 2018 escrevi um texto neste blogue sobre os professores também num contexto grevista a que atribuí o título "A ditadura dos professores". Penso ser oportuno inserir novamente o texto com algumas alterações que achei adequadas ao momento com o título "A ditadura dos professores".


Portugal depara-se, mais uma vez, com as reivindicações duma classe, dita de professores da função pública, manipulados já não apenas pelo que era o seu grande educador e líder sindical Mário Nogueira, que já nem se recorda do que é dar aulas, mas que passou a ter um novo competidor ainda mais radical, o S.T.O.P. com o seu líder extremista André Pestana que agem numa espécie de simulacro de união. São exemplos de líderes que conduzem os professores a ser uma espécie de mercenários da educação.  Os sindicatos de professores passaram a ser um monstro de três cabeças que lutam pela manutenção de alguns dos seus privilégios e que têm, aos poucos, vindo a roubar à profissão o prestígio, a autoridade e a simpatia que ela deveria ter junto da comunidade que é suposto servir.


Temos ainda tantos setores sociais, como o da saúde, educação (salários dos professores não incluídos) carenciados que necessitam de verbas e exigem-se agora verbas astronómicas para manutenção de privilégios que poderia ser feita gradualmente.


Professores e sindicatos monstro de 3 cabeças.png


O monstro de três cabeças


Quantas famílias vivem neste país que trabalham com um ordenado mínimo e fazem os possíveis por manter o seu emprego trabalhando horas a fio observam, atónitos, aqueles que deveriam estar mais preocupados e centrados nas aprendizagens e nas avaliações dos alunos do que em reivindicações inexequíveis imediatas como pretendem. O fito é a obtenção de mais dinheiro com a contagem integral do tempo de serviço desde há nove anos, que até poder ser de justiça, mas, esquecem-se estes professores que ainda há muitos outros trabalhadores, não apenas os professores do ensino público que também são sacrificados. Reconheço o valor do trabalho dos professores, os que merecem esse epíteto que são, felizmente, a grande maioria e cujo trabalho não é muitas vezes devidamente reconhecido por alunos e encarregados de educação.


Estávamos em 2007 no governo encontrava-se José Sócrates como primeiro-ministro, que continuou até 2011. De 2011 a 2015 esteve no poder o governo de coligação de direita PSD-CDS chefiado por Passos Coelho e Paulo Portas. Na altura era apenas o senhor Nogueira, (o senhor Pestana ainda andava oculto), tirando uma escaramuça aqui e ali durante todo aquele tempo, não abriu a boca sobre o tempo de serviço que lhes foi retirado, mas apenas agora os professores reclamam. Porque só agora esta luta desenfreada, com greves que nos prejudicam a todos prejuízo da abertura do próximo ano letivo que apenas prejudica alunos, encarregados de educação e famílias?


A classe dos professores é aquela que, quer em regalias, quer em remuneração média, é das mais elevadas na função pública e até no setor privado. O manipulador sindical Mário Nogueira e agora também André Pestana fazem mover os professores acenando-lhe com a possibilidade de mais euros para os seus bolsos e tentam manipular outros pela sua luta de prestígio pessoal e sindical numa espécie de culto da personalidade que os ditos professores ululantes lhe prestam.


A classe sabe que tem um patrão, o Estado, que não os pode despedir por mais que prejudiquem a educação. Os outros patrões, os da política, são o Nogueira e o Pestana, é a eles que prestam vassalagem para os levarem a obter o possível e o impossível. É uma espécie de ditadura de classe que não tem quem lhe faça frente. Quem poderá vir no futuro tirar vantagens com este tipo de movimentações?


Só alunos, pais e encarregados de educação poderão barrar esta ditadura dos professores colocando de lado divergências políticas e partidárias e unindo-se contra o boicote que Mário Nogueira em André Pestana estão a fazer às aprendizagens dos seus filhos e educandos levando atrás de si uma classe que deveria ser um prestígio para o país. Pais e encarregados de educação são os únicos que poderão travar este boicote e acabar de vez com atitudes ditatoriais de líderes sindicais que desprestigiam uma classe.


Embora esteja sempre, ou quase sempre, em desacordo com os pontos de vista e as ideias políticas de João Miguel Tavares vejo que, mais uma vez, estou de acordo com o que escreveu no jornal Público em 2018 e que podem ler aqui.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Professores no que diz respeito ao respeito

Educação-Respeito.png


Os professores precisam de respeito e apoio para se manterem na profissão, mas, com greves e instabilidade permanente, eles e os seus sindicatos estão claramente a prejudicar e a tornar nocivo o ensino público levando a desigualdades várias e de aprendizagens em favor do ensino privado.


 


Do meu ponto de vista, para além da confusão reivindicativa explicita o que estará implicitamente a decorrer é uma greve política. Este tipo de greves são feitos com o objetivo de provocação ao Governo ou de influenciar a sua política.  São greves de protesto em larga escala com a finalidade de poderem para influenciar o processo legislativo.


Os professores precisam de respeito e apoio para se manterem na profissão, mas, com greves e instabilidade permanente, eles e os seus sindicatos estão claramente a prejudicar e a tornar nocivo o ensino público levando a desigualdades várias e de aprendizagens em favor do ensino privado.


Nas manifestações, concentrações e greves reivindicativas, convocadas pelos vários sindicatos, podemos ver professores empunhando cartazes que se multiplicam e onde se lê a palavra “RESPEITO” isolada, e sem qualquer contexto explícito. As pessoas menos avisadas não percebem o que pretendem os manifestantes grevistas devido à polissemia da palavra.  


Genericamente podemos definir respeito como uma maneira de observar e tratar as outras pessoas com cortesia, dar especial atenção ou consideração a outro(s), valorizar os seus pontos de vista, estabelecer as bases para interações respeitosas.


Do ponto de vista filosófico não vou tecer considerações por não ser a minha área, ou seja, não é minha praia. O conceito “respeito” também pode ser analisado dos pontos de vista sociológicos e psicológicos, como tal, limitar-me-ei a defini-lo numa perspetiva social e pessoal.


Quando crianças somos ensinados a respeitar os nossos pais e professores, as regras da escola, as regras sociais e de trânsito, o ambiente, as tradições familiares e culturais de outras pessoas, os sentimentos e direitos e as opiniões divergentes das pessoas ainda que não concordemos com elas. Isto seria o esperado, mas, na realidade, surgem distorções de vária ordem de causa.


O senso comum considera que o respeito e o autorrespeito estão ligados por ser difícil respeitar os outros se nós não nos respeitarmos a nós mesmos e se os outros não nos respeitarem. Há uma distinção geral que diz respeito simplesmente ao comportamento e respeito como atitude ou sentimento que pode, ou não, ser expresso num comportamento, por exemplo quando se fala dos motoristas que respeitam o limite de velocidade, ou forças hostis contra um país que não respeitem um acordo de cessar-fogo. Nestes casos estamos estou a referir-me a um comportamento que evita a violação ou a interferência de limites ou regras que nada têm a ver com atitudes, sentimentos ou intenções.


O discurso habitual sobre o respeito responde e identifica vários elementos-chave que incluem (dar)atenção, deferência, juízos, valorização e comportamento. Parece-me ser por aqui que se deve olhar para a reivindicação de “Respeito” pelos professores.


Parece-me que ao reivindicarem uma atitude de respeito, não sabemos por parte de quem, as pessoas que os observam não entendem ao que, objetivamente, se referem. Poderão estar a referir-se aos alunos que não respeitam os professores e que sentem que os não respeitam a eles. Tal poderá ser devido à falta de construção de relacionamentos com os alunos, o que leva tempo e que não encontram tempo dentro da sala de aula para fazer inter-relações com eles.


Os professores precisam de respeito e apoio para se manterem na profissão, mas exige-se também que devem mostrar respeito pelas instituições onde exercem a profissão. Se houve períodos no processo político-governativo que contribuiu para o desrespeito dos professores e para a sua desvalorização esta não passou por questões salariais, mas por formas de pressão ao nível do seu exercício profissional provenientes do ministério da tutela desde o tempo do Governo PSD-CDS.


Tem-se verificado nas últimas décadas o desrespeito aos professores por alunos e até por encarregados de educação proporcionados pela intervenção dos sindicatos que propagandeiam a participação das comunidades junto das escolas sem uma prévia formação dessas mesmas comunidades para a sua intervenção nas escolas. Em resumo, o poder dos encarregados da educação nas escolas e no seu projeto educativo e, não raras vezes, a interferência no processo educativo nas escolas e por críticas ao modo como os professores dão as suas aulas.


A democracia ao possibilitar aquelas intervenções das comunidades no campo da educação por participação dos encarregados de educação veio desencadear novos desafios de comunicação com os intervenientes no processo causando um novo tipo de stress para além das aulas e do contacto com os alunos. É passível, portanto, que os professores se confrontem com atitudes menos respeitosas.


Os professores podem exigir atitude de respeito às instituições políticas, ao Governo, e, especificamente, ao Ministério da Educação, porque não os ouvem ou porque não lhes satisfazem as reivindicações imediatas levadas até ao exagero.


Face à opinião pública os sindicatos parece levarem os professores ao desrespeito pela norma mais básica que lhes foi confiada quando optaram pela profissão professor/educador. Com efeito, um sindicato tem por objeto a regulamentação das relações entre empregadores e empregados e o estudo, defesa e desenvolvimento dos interesses económicos, sociais e morais dos seus membros, com respeito pela lei e autoridade. Portanto, um sindicato não é um organismo político. Seu objeto é o estudo, defesa e desenvolvimento de interesses profissionais. Contudo, devido à ocasião em que estas greves surgem parece-me que estas greves terão uma natureza política e até partidárias. Estas greves podem ser tomadas com o objetivo explícito de desafiar o governo ou influenciar sua política educacional em favor de ideologias professadas pelos sindicatos de várias tendências. As greves políticas possibilitam aos sindicatos a utilização de greves de protesto em larga escala para influenciar o processo legislativo num determinado sentido. Assim, enquanto negoceiam com o Governo empregam estratégias de pressão e várias outras para impulsionarem as suas agendas, quase nunca aceitando as propostas do Governo nem dando nada em troca.


Por mais que os sindicatos se designem como apartidários não são apolíticos. São por demais conhecidas as estratégias políticas utilizadas pelos sindicatos tais como associações pontuais com posições de partidos políticos, e a utilização/aproveitamento dos meios de comunicação.


Quando sindicatos de professores alinham com políticas de partidos, e reciprocamente, ganham mais credibilidade e empatia dos associados e das pessoas o que contribui para exercer pressão para o Governo ceda às reivindicações. Por outro lado, partidos políticos, eventualmente envolvidos e apoiantes das reivindicações, podem captar futuros potenciais eleitores, caso os sindicatos sejam bem-sucedidos com espécie de simbiose.


Com os alunos em casa e os professores nas ruas a população não pode ficar apática em relação a esta falta de respeito pelos educandos que estão a ser prejudicados. Mais uma vez podemos levantar o problema do respeito que os professores exigem seja qual for o âmbito como interpretam esse conceito, mas são eles que faltam ao respeito aos seus alunos e aos encarregados de educação que também lho podem exigir pela falta de consideração que estão a ter com aqueles que os devem atender enquanto educadores, desrespeitando o impacto que estão a ter na educação das crianças que dizem estar também a defender.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Serão os professores os inúteis mais bem pagos deste país?

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A inutilidade não é, portanto, dos professores, mas de quem, demagogicamente, os agita e incita, e que, muitas vezes, se encontra em desespero de causa pessoal que contribui para transformar a profissão numa coletividade profissional enferma que, confusa, acabará por perder o sentido de si mesma e da utilidade da sua indispensável profissão.


Em novembro de 2013 escrevi um texto que, erradamente seria uma afirmação que Miguel de Sousa Tavares que seria uma frase contida numa das suas crónicas que pode ler aqui. Passados estes anos vim a saber que, afinal, o referido cronista não terá escrito tal coisa. Erro meu! Na altura deveria ter confirmado a fonte onde me baseie. Isto porque me baseei num comentário de alguém que li no Facebook e que dizia ser professora e que citei na íntegra.


Apesar da frase que foi grandemente ofensiva para os professores, e que Sousa Tavares disse não ser da sua autoria, vem mesmo a propósito e encaixa-se na atualidade. Passados todos estes anos a frase parece-me agora fazer algum sentido no contexto daquilo a que chamam luta e que mais parece ser dirigido por um sindicato anarquista.


Há que esclarecer, contudo, que os professores não são inúteis, bem pelo contrário, pois a inutilidade remete à falta de qualificação e de finalidade do trabalho, entre outros, e eles são parte integrante na formação pessoal e social, das nossas crianças e jovens que são o futuro do país, por vezes boa, por vezes má.


Os professores trabalham não apenas em nome do conhecimento e da educação em geral, tanto quanto médicos trabalham em nome da saúde, agricultores em nome da produção de alimentos, motoristas em função de transportes, advogados em nome de direitos, jornalistas em nome da informação, neste último caso deveria ser assim. Há profissões dedicadas a urgências ou emergências, outras que se dedicam a entretenimento e lazer.  Em todas as profissões existe a razão de uma necessidade que as justificam. No caso dos professores os que se desenvolvem e giram à sua volta são improdutivos pela sua própria natureza. Ou melhor, eles produzem inutilidades e incitam à inutilidade.


A inutilidade não é, portanto, dos professores, mas de quem, demagogicamente, os agita e incita, e que, muitas vezes, se encontra em desespero de causa pessoal, e que contribui para transformar a profissão numa coletividade profissional enferma que, confusa, acabará por perder o respeito e o sentido de si mesma e da utilidade da sua indispensável profissão.


As greves, quase selvagens, mobilizadas por alguns sindicatos que têm por detrás direções, algumas duvidosas no que respeita à ética que deve gerir este tipo de movimentos. Um destes sindicatos, o S.T.O.P. sem história sindical, formou-se a partir dum movimento de geração espontânea na rede social Facebook que dizia lutar contra a prova de avaliação de capacidade e conhecimento dos professores, (diga-se necessária, mas mal formulada de cujo critério era duvidoso para o efeito), criada pelo anterior Governo PSD-CDS. Já na altura a liderança daquele movimento, tal como a avaliação que o ME pretendia impor, era, demonstrativa da inutilidade da classe que seria avaliada, mas que o não queria ser, colocaria os seus interesses pessoais à frente do interesse coletivo dos professores e da sua qualidade pondo em último lugar o interesse de alunos e famílias, estes, sim, o fim primeiro, e último, da utilidade dos professores.


O sindicato radical extremista S.T.O.P. que se diz apartidário, nasceu originário daquele movimento tipo anarquista em 2018. O apartidarismo que o dirigente daquele sindicato proclama levanta-me dúvida e coloca-me numa situação de desconfiança e de alerta. Apartidarismo não significa apolítico, portanto, há uma ideologia oculta por detrás. Na apresentação do sindicato a palavra mais repetida do seu dirigente era “Vamos fazer luta a sério” e que, diz ele, o da direção, estar farto da “luta mansinha” das estruturas congéneres.


Recorrendo ao Público podemos traçar um resumo do perfil da direção daquele sindicato. Parece-me ser alguém que sentindo falta de reconhecimento, apesar do doutoramento em bioquímica que conseguiu. Professor contratado, e também na altura a trabalhar na Grande Lisboa tinha sido delegado sindical da Fenprof, de onde saiu desiludido com a falta de abertura à renovação da estrutura.


Dizia o próprio, em fevereiro de 2011, que “após o doutoramento teve de aceitar um horário numa escola de seis horas semanais, em Serpa, a ganhar 360 euros. Não dava para pagar a renda em Lisboa, tão pouco para as deslocações.” Sendo doutorado estranhamente não se percebe porque concorreu ao ensino básico, quando poderia candidatar-se ao superior. Terá tido razões para isso.


Numa breve análise a esta declaração podem tirar-se algumas ilações e levantar algumas dúvidas. Terá a luta desencadeada partido duma posição pessoalizada que conseguiu transformar em coletiva? Claro que este ponto de vista se encontra no domínio dos juízos de intenção, mas este é o meu juízo como espectador e não como político, isto por que é proferido por um observador que não participa no evento político, por outro lado o juízo político não me seria possível fazê-lo por não estar envolvido diretamente no processo.


A professora anteriormente referida escreveu no Facebook naquele ano o que pensava sobre o autor da frase e que passo a citar: “O que escreveu é um atentado à cultura portuguesa, à educação e aos seus intervenientes, alunos e professores”. Hoje podemos dizer que tem razão, mas noutra perspetiva. O que se tem passado com as greves quase selváticas, agressivas, é prova suficiente para que situem os professores como um atentado à digníssima profissão, à educação e aos seus intervenientes, alunos, pais, encarregados de educação em geral, colocando-os em situação desvantajosa nas suas profissões devido à leviandade de um senhor que não tem qualquer consideração pelo respeito que aos professores é devido.


Fui professor de alunos no ensino superior que lá chegaram para serem professores, para não serem inúteis e que vieram das mãos de professores que não eram inúteis. A inutilidade está, mais uma vez, em quem, demagogicamente, os agita e incita, e que, contribui para a transformar uma profissão digna, imprescindível, mesmo tendo como auxiliar as tecnologias disponíveis, numa profissão enferma que, confusa, acabará por perder o sentido de si mesma e da utilidade da sua indispensável profissão.


A senhora do referido texto escreveu também que: “Tenho contra pseudojornalistas, que são, juntamente com os políticos, ‘os inúteis mais bem pagos do país’, que se arvoram em salvadores da pátria, quando o que lhes interessa é o seu próprio umbigo.”.


Vemos como esta senhora dá o seu contributo para a democracia, desacreditando-a com ataque aos políticos. Como julgará ela, a senhora professora, a democracia sem políticos e sem jornalistas? E não estaria ela a olhar para o seu umbigo quando escreveu o texto?


Serão os professores os mais bem pagos deste país? Não são. Como não o são os trabalhadores de muitas outras profissões tão dignas como a dos professores, como médicos, enfermeiros e tantos outros; como não são bem pagos os elementos das famílias dos alunos que perdem aulas; como não o são outros trabalhadores do setor público e do setor privado; como não o são os professores das escolas privadas que não têm segurança de emprego para toda vida e cuja possibilidade de fazerem greve causadora de instabilidade do seu emprego; como não o são as pensões dos reformados que vivem com reformas baixas.


Mas a classe que se diz indispensável coloca-se radicalmente numa perspetiva umbilical; querem mais, querem muito mais do que será possível; querem tudo, mesmo para além do respeito que não é mais do que a fachada do edifício que os líderes sindicais, com exigências demagógicas, os iludem, os conduzem para lutas insensatas que prejudicam mais, e apenas, os que, dizem, defender, os alunos e suas famílias que tentam captar para lhes darem apoio.

sábado, 28 de janeiro de 2023

Má governação, maioria absoluta ou os professores em greve

Governação maioria e professores.png


A pergunta coloca-se com algum espanto: será que tudo acontece após a maioria absoluta do Partido Socialista é meramente coincidente ou advém da má governação?


A resposta não a tenho e duvido que alguém, fora dos corredores da política, por vezes obscuros, a tenha. Quem vê o que é fornecido pelos noticiários das televisões e os bebe voluptuosamente sem acesso a outra fonte de informação, perceciona a política do país como caótica, como estando restringida aos casos diários pessoalizados sobre elementos do governo, autarcas e suas ligações a empresas e por aqui fora, diariamente os mesmos numa constante repetição.


Os cães pisteiros chamadas fontes direcionam-se para tipos de busca muito específicos e bem definidos, num sentido único, rebuscando, à falta de melhor, processos há muito não falados, alguns deles, ainda em investigação que fazem regressar pela mão dos noticiários como se fosse novos factos. Também, por coincidência, as greves oportunistas mobilizadas por sindicatos dos professores que aproveitam a onda induzida pela direita unida à esquerda, única coisa que têm para fazer oposição e desviar as atenções do que realmente o Governo está a fazer e que mereça de facto oposição.


No portal do PSD, pode ler-se numa espécie de propaganda para captar votos, a posição de Luís Montenegro a considerar que “a política de educação do Governo merece a reprovação, o chumbo”, numa semana em que os professores prosseguem com a contestação e iniciaram uma greve nas escolas de todo o país.  Defendendo implicitamente uma greve que prejudica os alunos e as suas famílias, mas que, durante anos da sua governação, em nada contribuiu para o que agora defende.


A acrescentar trazem para controvérsia um novo agora emergente devido à Jornada Mundial da Juventude e os orçamentos exorbitantes para a construção dos altar e bancadas para o evento onde o Papa Francisco irá celebrar a missa final. Visto a tendência ser de ataques sistemáticos sobre casos vários para atingirem o PS e o Governo, este poderá vir a ser, se o conseguirem, mais uma acha para a fogueira, daí se dedicaram só agora o valor exorbitante.  


O esquema poderá ser furado porque se poderá virar o feitiço contra o feiticeiro. Recordemos onde assenta a base orçamental para a tal construção por ajuste direto e cuja notícia tem sido divulgada com uma narrativa confusa nas explicações e pouca clara eventualmente com o intuito de confundir o espectador que absorve tudo sem reserva o que a televisão diz. Até ao momento temos ouvido apenas as justificações do Presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas. O Presidente da República Marcelo e o bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Fundação Jornada Mundial da Juventude, D. Américo Aguiar confessou sentir-se “magoado” com os cerca de 5 milhões de euros destinados ao altar-palco do Parque Tejo e o Presidente diz ser muito, ambos tentam colocar-se fora do enredo dos cinco milhões.


Vejamos alguns antecedentes. Quando foi votado na especialidade o Orçamento do Estado para 2022, no ponto que dizia respeito à formação de contratos no âmbito da já referida Jornada Mundial da Juventude, o PS e o PSD foram os únicos a aprovar. O PCP, BE e PAN abstiveram-se e o IL e o Chega votaram contra.


Na votação do mesmo Orçamento para 2023, o partido Iniciativa Liberal alterou a sua posição e votou favoravelmente o artigo que visava a formação dos tais contratos.


O BE responsabilizou na passada quinta feira responsabilizou o PSD, PS e IL pela "decisão política" de terem votado favoravelmente no orçamento o aumento dos limites dos ajustes diretos para a Jornada Mundial da Juventude, que tem agora como consequência um "altar vergonhoso". O BE, que se tinha abstido em 2022, Mortágua defendia que os ajustes diretos tivessem limites maiores. PCP e PAN mantiveram a abstenção, enquanto o BE votou contra, assim como o Chega. Por seu lado, os deputados do PS, PSD e IL votaram a favor.


O Chega votou contra, ao lado de um partido da extrema-esquerda. Será que a sua postura contra um evento que envolve altos custos, mas é importante para a Igreja Católica em Portugal o poderá favorecer face ao eleitorado profundamente católico? A Igreja Católica, o Patriarcado, o presidente da Fundação Jornada Mundial da Juventude e o Presidente Marcelo estão implicitamente envolvidos e com os mesmos pontos de vista em relação à verba.


O Presidente distancia-se e coloca-se dum ponto de vista austero no que se refere às despesas orçamentadas e pede altar adequado aos tempos de crise e à “visão simples” do Papa e envia recado a autarquias, Estado e Igreja Católica, mas segundo o DN o “Patriarcado diz que Marcelo sabia dos custos do palco. PR nega ter sido informado.” O jornal Observador apresenta uma versão idêntica ao escrever que o “Presidente diz que soube "informalmente", através de jornalistas, dos custos do altar-palco e que não recebeu qualquer informação”.  Foi muito evidente na altura que o Presidente foi um dos que mais entusiasmo mostrou pela vinda deste evento.


Não há almoços grátis e a segurança e a dignidade da mais alta individualidade da instituição Igreja Católica no evento deviam saber teriam de ser asseguradas.


Pois bem. Agora temos declarações, atrás de declarações, pedidos de assinaturas contra os gastos, espera-se que seja só do lado das esquerdas cujo argumento é que estas despesas não devem ter o contributo num Estado que é laico.


Como na aprovação do Orçamento do Estado para 2023 a verba para o evento também teve aprovação da direita talvez o ataque ao PS não siga por aí, mas como o projeto foi entregue à Mota-Engil, vamos ver o que virá por aqui!

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A ditadura do professorado

Professores e pedestal.png


1. A educação, com a participação de todos os seus agentes e atores, especificamente os professores, é o eixo fundamental para a continuidade dos valores e da cultura de uma sociedade democrática em que a relação professor-aluno, em parceria com as famílias, é geradora de responsabilidades mútuas no desenvolvimento das crianças e jovens.


A escola é corresponsável pela educação global dos alunos desenvolvendo-lhes competências, de participação democrática, responsabilidades coletivas e pela organização de funções pedagógicas e sociais que se projetam na área envolvente, isto é, a comunidade enquanto conjunto dos pais, famílias, encarregados de educação, juntamente com instituições locais e globais ao nível país. É neste meio que a escola executa a sua ação educativa, e a sua imagem projeta-se através dos professores; são eles que lhe dão visibilidade, a valorizam ou descredibilizam.


O modelo de escola democrática não é o conjunto das salas de aula, vai mais longe na sua dimensão, traz à luz novas e inesperadas dimensões e características nas práticas quotidianas do professor. Assim, é importante refletir sobre o paradigma que defende que o professor deve ocupar-se exclusivamente dos conteúdos programáticos deixando o desenvolvimento das competências sociais para momentos isolados da prática letiva e/ ou para outros profissionais, separando-os do conjunto das competências que são parte integrante do processo de desenvolvimento do aluno.


A crescente complexidade da profissão docente não se compadece com a enunciação sindical do papel do professor com o risco da normalização que não se adequa à complexidade das mudanças sociais que se operam.


O professor é confrontado com dificuldades da sua realização profissional e pessoal, condição base para o exercício da profissão e do sentido da sua ação, (preocupação canalizada pelos sindicatos apenas para o nível financeiro por si só mobilizador).


A complementaridade da ação educativa dos professores com outros profissionais da educação (psicólogos educacionais, assistentes sociais educacionais, entre outros) é a chave para a reorientação do papel do professor.


Aqui parece-me poder haver espaço para uma contribuição positiva por parte dos sindicatos que, nas últimas décadas, apenas se preocupam e mobilizam os professores para reivindicações desapropriadas e desajustadas através de movimentos grevistas de diferentes tipos que prejudicam a comunidade educativa no seu todo. 


Considera-se que o sistema de ensino, nomeadamente o ensino básico e secundário, pode constituir-se como um “campo social”, ou seja, um sistema onde se confrontam oposições entre diferentes classes e frações de classe que concorrem entre si e desenvolvem práticas que visam defender ou conquistar lugares na estrutura social operando através de “condutores sociais” de características reivindicativas para materializar a recomposição social desse campo.


A classe dos professores é um campo recetivo a lutas sociais e de reivindicações salariais, regalias, direitos, carreiras e outras de vária ordem de interesse corporativo que oneram o Estado desajustando-se de outros campos sociais do trabalho pela fatia do bolo do Orçamento que pretendem lhes seja distribuído.


Como deixei inicialmente transparecer a profissão professor não pode simplesmente ter por missão transmitir conhecimentos aos discentes e, por isso, é exigível uma formação profissional e avaliações adequados que deva passar apenas pela obtenção de uma licenciatura que lhe confere um posto de trabalho no Estado garantido para toda a vida.


2. Após o 25 de Abril de 1974, nomeadamente nos anos 80 e 90 do século passado, a mobilidade social ascendente intergeracional pelos descendentes de classes sociais e profissionais mais baixas realizou-se pela via da obtenção de um diploma de um curso superior que, aparentemente, fosse fácil e desse rendimento, status e consequente prestígio: ser professor (a) ou educador (a) de infância era passar a fazer parte duma classe média adquirida via profissão e, muitas vezes, complementada pelo casamento. É evidente que a partir desta análise não podemos generalizar.


No antigo regime, não havia a massificação do ensino e à profissão de professor apenas tinham acesso os oriundos das classes superiores. Após os anos 80 e 90 o acesso a esta profissão passou a ter acesso qualquer classe por mecanismos de condições salariais e sociais. Dado o aumento dos níveis de escolaridade e a antecipação de risco de potencial desemprego a estes fatores podemos acrescentar ainda uma potencial apetência pela profissão de professor(a), nomeadamente por parte do sexo feminino que, devido a uma tacanhez cultural socialmente herdada do passado se adequava mais a esta profissão. Não é por acaso que o sexo feminino é quem domina a profissão de docência no ensino básico.


Tudo isto me leva a refletir sobre as autodenominadas lutas dos docentes do básico e secundário do ensino público que se agravaram na altura do ministério de Maria de Lurdes Rodrigues em 2008 quando Mário Nogueira, o líder da Fenprof, iniciou o seu protagonismo contra a avaliação dos professores que aquela ministra queria introduzir. E, como outra coisa não seria de esperar, a classe colocou-se contra a medida. Afinal quem gosta de ser avaliado? Os professores acham que a obtenção dum curso, mesmo que para a docência, estão avaliados por natureza para toda a vida e que a avaliação foi feita na devida altura (argumento ouvido na altura por sindicalistas), como se nada evoluísse. O que estava em causa era a insegurança gerada pela avaliação devido às frágeis competências dos professores em vários domínios. As progressões nas carreiras e os salários têm de ser obtidos por mérito. Os professores não devem, não podem ser um bando de irresponsáveis que apenas olham para o que recebem e, se possível, sem esforço.


Se recordarmos as razões das greves estas têm sido contra os despedimentos (emprego no Estado, quais?), contra o horário de trabalho de 40 horas. Pelo direito ao emprego (reivindicação abstrata e subjetiva). Pela dignificação da aposentação. A estas misturam-se, para dissimular interesses corporativos, a luta pela qualidade do ensino e pelo futuro dos alunos, como se estes dependessem daquelas reivindicações e pela defesa da Escola Pública.  Uma amálgama de reivindicações que se cingem apenas às que aos professores interessam: mais dinheiro, menos trabalho e menos responsabilidades.


3. Os professores têm como missão muito especial a educação de gerações de crianças que é de grande responsabilidade e, mais do que qualquer outra profissão, exige sacrifício e dedicação, coisa que os líderes sindicais esqueceram há muito: estar à frente dos alunos. O seu intuito é terem  sempre à mão massas de professores contestatárias com promessas de aumentos salariais e redução de responsabilidades.


Os professores têm uma responsabilidade acrescida, e a mensagem que devem passar aos alunos não é o da defesa dos seus interesses, mas a da qualidade do serviço público que não é consentânea com boicotes a avaliações e faltas às aulas. Haverá, com certeza, outras formas de luta sem prejuízo dos alunos. Eles não são “patrões” são formandos em aprendizagem, também social.


As crianças em idade escolar para além das matérias reportadas às disciplinas estão também a fazer uma aprendizagem social por modelagem. Assim, quando o observador tem um modelo que, no caso, é o professor trata as pessoas que estão ao seu redor com respeito e consideração, o observador mesmo em situações novas irá apresentar comportamentos idênticos ao do seu modelo, tratando todos com respeito e consideração.


A aprendizagem por observação permite a aquisição de regras, conceitos e estratégias de seleção. Os professores são modelos para as crianças. As crianças ao observarem modelos de comportamento e atitudes inferem as regras de classificação e as generalizam em novos estímulos.


Os alunos avaliam o seu modelo enquanto professor: faltou às aulas para fazer greve; a nossa professora fala, durante as aulas, na defesa dos seus direitos; não tenho avaliação porque o professor faltou porque está em greve às avaliações por mais direitos e salários. E têm o direito de questionar se também podem fazer greve quando a professora falta aos seus compromissos. E o meu pai que faz sacrifícios para me manter na escola e não tem possibilidades de pedir aumento nem restrição de obrigações? O pai comentará lá em casa: é uma imoralidade!


Desta forma a modelação vai gerar um comportamento de respostas apropriadas quando o observador se encontrar em situações de padrões semelhantes. Demonstrou-se que a modelação no ensino de regras pode ser maior que a experiência direta.


4. O que está em causa não é o direito à greve a que os professores devem ter, mas não como quaisquer outros porque o prejuízo cai sempre nos alunos. Estes não são os patrões e não podem servir de meio de pressão. Os alunos não podem ser o meio pelo qual os professores se servem para atingir objetivos de classe e exercer “força” sobre a sua entidade patronal que é o Ministério da Educação.


Uma greve terá de causar prejuízo sem o qual não terá o efeito pretendido, mas no caso dos professores prejudica terceiros que nada tem a ver com a reivindicação. Em vez de se atingir a entidade com quem o sindicato está em luta atinge ainda mais os que se encontram à margem da greve, como é o caso dos alunos e das famílias, cujos elementos são trabalhadores e que também são os prejudicados.


A próxima greve está prevista para os dias 1 a 4 de outubro. Nada mais conveniente, já que o dia 5 é feriado e coincide com uma sexta feira. Uma semana inteira sem aulas sendo-lhes descontados apenas 4 dias devido à greve. Mas salve-se a situação nesse dia há manifestações! Para a maioria dos alunos, nesta fase inicial do ano letivo a falta dos professores às aulas pode ser uma festa, o mesmo não o será para as famílias que terão de arranjar soluções para que os seus filhos não fiquem á “solta” fora das escolas, com os consequentes prejuízos nos locais onde trabalham e onde terão de pedir dispensas.


O que os professores pretendem no que se refere à contabilização dos tempos de serviço é uma medida que, pelas contas do Ministério das Finanças - contestadas pelos sindicatos - implicaria um aumento de 31% na massa salarial dos docentes até 2023, ano em que os custos com os vencimentos seriam superiores em 635 milhões de euros aos atuais. O sindicato diz fazer outras contas, mas o que sabem eles sobre as finanças públicas no seu todo?  Terão eles a noção do impacto financeiro na despesa pública do eventual reposicionamento dos professores do tempo que lhe foi retirado por anteriores governos, mas que até agora mantiveram em silêncio absoluto? Ainda não fez quatro anos que estivemos sobre pressão duma troika imposta e colaboracionista com os neoliberais do PSD e CDS e, por isso, ainda não estamos a fim de libertar recursos financeiros sem controle.


5. O último número junho/julho da revista do SGPL - Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, Escola Informação, apresenta um extenso dossier sobre a greve às avaliações. Os artigos são uma espécie de panfletários de inspiração leninista aplicados à atualidade. Esta gente parece não entender o problema que existe em Portugal saído de uma grave crise financeira da qual está ainda longe de ser debelada. Os professores parece não quererem entender que ainda há uma larga maioria de portugueses que vive em situação difícil e que, indiretamente, estão a prejudicá-los com as suas reivindicações.


Os sindicatos e a Fenprof não ajudam com a procura dum remédio. Querem a cirurgia mesmo que ela possa vir, a prazo, causar a morte do paciente. Para a Fenprof e para Mário Nogueira tudo se resume à questão de poderem vir a gritar vitória aos quatro ventos.


A Fenprof faz comunicados tentando responsabilizar os partidos através de avisos ao exemplo de ultimato alertando que os professores estão atentos à postura que os partidos vierem a assumir no futuro próximo. Escreve-se no comunicado: “será com expetativa que, agora, os olhos dos professores se dirigirão para os partidos políticos, tanto os que negociaram e votaram o orçamento do Estado do ano em curso, como os que, não o tendo feito, têm assumido posições que reconhecem as razões da reivindicação dos professores." Isto é, vejam lá que as eleições estão á porta e nós somos muitos a votar.


Talvez os professores votem todos á direita para que ela lhes resolva o problema umbilical.


6. Já é bem conhecida a política do fartar vilanagem de partidos como o PCP e o BE quando se trata de distribuir dinheiro, com o pretexto da defesa dos trabalhadores. É a política do tudo pode ser dado e tudo é possível. Sabem que nunca terão responsabilidades governativas e, como tal, sacodem os pingos da chuva do capote quando calha. Todavia, no que se refere a este caso, parece haver por parte daqueles partidos alguma lucidez. Resta-nos esperar que sim.   


7. Não era necessário o estudo da OCDE para sabermos que os professores, são das profissões mais bem pagas e valorizadas face à riqueza do país.  Os salários dos docentes portugueses estão abaixo dos colegas estrangeiros, mais ricos e cujo nível de vida é bastante superior, mas acima dos outros trabalhadores nacionais com cursos superiores. Bem podem os sindicatos e Mário Nogueira fazer ginástica com os números, rebuscando aqui e ali aquele dado que está fora por baralho que são exceções que já não convencem ninguém.


As vozes de professores ululantes, atiçadas pelo seu líder Mário Nogueira, far-se-ão ouvir sem a tomada de consciência dos prejuízos causados que, com intransigência, querem ver satisfeita com avidez.


O que Mário Nogueira está a ver colocado em causa não são os direitos dos professores, mas ele próprio e a sua credibilidade. Daí a insistência no que ele sabe ser impossível de obter pelo menos no seu todo. Como já referi ele gostaria de cantar vitória porque isso iria colocá-lo-ia num pedestal esquecendo-se de que há outros milhares de trabalhadores, aposentados e reformados que aguentam em silêncio as mais variadas injustiças. Para os sindicalistas da Fenprof e para Mário Nogueira quando lhes convém o Estado somos nós (frase de Lenine), noutras circunstâncias o Estado é o patrão explorador.