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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Telhados de vidro e chuva em casa




É costume o povo dizer que "enquanto o pau vai e vem folgam as costas", acrescento, do Governo, o que poderá ser traduzido por: o Partido Socialista, especialmente os adeptos de António José Seguro, estão a dar uma ajudinha aos partidos do Governo para que ganhem as eleições legislativas em 2015.


Só faltava agora quatro ex-dirigentes do PS virem também contribuir para a divisão do partido com um manifesto em defesa de Seguro adotando os mesmos argumentos que o PSD e o CDS utilizam como oposição aos socialistas. Não sei como é que aquelas individualidades querem que o partido ganhe as próximas eleições. Entrando no jogo dos partidos do Governo talvez…


As declarações daqueles socialistas são tiros nos pés do próprio partido e são o replay do que temos ouvido por elementos do PSD e comentadores da sua proximidade. Afirmações como "os mesmos que conduziram Portugal para o desastre" que têm sido pronunciadas pelo PSD para atacar o PS são agora proferidas por alguns, poucos, dos seus militantes como arma de arremesso a António Costa. É de lamentar.


Por sua vez José Seguro, atual Secretário-geral do PS, faz afirmações que são do domínio da impossibilidade. Como é que pode garantir que não teria assinado em 2011 o memorando de assistência externa, sabendo ele, se é que alguma vez soube, das pressões exercidas sobre o governo na altura. Ou será que, se fosse primeiro-ministro na altura, faria o mesmo que Passos Coelho fez até agora?


Atirar pedras ao telhado de quem vive na mesma casa em nada resolve qualquer problema e apenas serve para deixar entrar água na própria casa.


segunda-feira, 24 de março de 2014

Viva a alegria dos números e a campanha eleitoral do Governo





Tenho andado atento ao vários noticiários das televisões e, estou muito enganado ou a maior parte dos canais está num alinhamento pró-governo, com algumas exceções, não estivesse já a preparar o caminho para as eleições. Por todo os canais proliferam notícias otimistas de sucessos do Governo no que respeita a índices macroeconómicos que, dizem, estão a revelar a recuperação económica.


Os dados são de otimismo e, como é costume dizer, os números não mentem, o que podem é estar enviesados, não premeditadamente mas conjunturalmente. Mas de qualquer forma o que pretendem é mostrar que se deu nestes últimos meses um "autêntico milagre", pelo menos no que respeita aos anúncios dados pela comunicação social.


Alguns canais de televisão e comentadores políticos parece que foram tomados por vigor apologético pró-governamental, muito bem encoberto de isenção, como preparação para a campanha eleitoral.


Penso que nenhum canal salientou, não sei se intencionalmente, uma frase da intervenção do primeiro-ministro hoje, salvo erro, em Viseu, que se referia a Portugal e aos portugueses e passo a citar: “Estão a falar de uma Europa que não existe, nem existirá e ainda bem, porque ninguém aceitaria uma Europa em que uns poupam para que outros possam gastar”. 


Por acaso alguém se apercebeu da gravidade do que disse hoje o primeiro-ministro, colando-se nitidamente à linha da direita mais radical da Europa. Analise-se a frase e vejam o desrespeito pelos portugueses e a falta de patriotismo. No meu entender é estar a comunicar para o exterior que os portugueses são gastadores ao lado dos outros países, conhecendo ele os dados que saíram sobre a pobreza em Portugal. Sobre isto os mercados já não o preocupam.  


Um primeiro-ministro que expõe e difama o povo que governa perante o estrangeiro e que, em vez de o defender, alinha com as críticas que têm sido feitas aos portugueses do exterior, não merece ser ministro de um país, como afirmou Constança Cunha e Sá na TVI24.


É por estas e por outras que, nas eleições europeias, todos em conjunto devemos bater-nos para que a direita mais radical saia derrotada a fim de que todos possamos, na UE,  ter uma esperança no futuro.  


segunda-feira, 18 de março de 2013

Os partidos também têm a sua zona de conforto



Imagem de: http://www.ctvclic.com/cccss/blog-21.05.2009.htm




 


Começa a ouvir-se e a escrever-se por aí contra o sentimento anti partidos e anti políticos que se está a gerar na sociedade sustentando que não há democracia sem partidos. Não haver democracia sem partidos é um facto pelo que, não devemos deixar que esse sentimento alastre por ser terreno propício ao estabelecimento de ideias mais ou menos populistas que, posteriormente, poderão gerar ditaduras ou “democracias musculadas”(?).


 


Tem-se desde há muito divulgado a ideia de que há partidos a mais, que os partidos não se entendem, etc.. Mas, por outro lado, avançam com a ideia contraditória de que estes partidos não nos representam e que nos enganam. Quanto à ideia de que os partidos não se entendem parece ser um pouco anedótico, pois se eles existem é porque têm princípios, propostas e programas diferentes de governo, caso contrário entraríamos num conceito de “união partidária” do tipo quase união nacional. Outra coisa são alianças partidárias pontuais por vizinhança ideológica, como é a do caso que nos governa. Mais difícil é fazer alianças quando há antagonismos ideológicos e programáticos mas, mesmo assim, é provável.


 


O que não é democrático é que partidos instalados, ou os seus elementos, venham opor-se publicamente, através de órgãos de comunicação, à constituição de novos partidos ou movimentos organizados de cidadãos , como se tem visto recentemente, com as ofensivas despropositadas a um manifesto subscrito de 60 cidadãos bem conhecidos que foram ou são de partidos diferentes.


 


Para vermos o que se está a passar com a democracia até o Tribunal Constitucional invalidou duas propostas para criação de partidos. Marinho Pinto, pessoa com cujas posições nem sempre concordo, também se insurgiu.  


 


Apesar de ser apenas um manifesto, acusam os seus promotores de se “aproveitarem da angústia e desespero das centenas de milhares de pessoas que têm vindo a manifestar-se contra este sistema… para proveito próprio”. Esta citação é de um elemento do PCP que, decerto, receia que alguém “fuja” para apoiar o manifesto.  


 


Os senhores que se levantam e indignam com este manifesto e com outros partidos e movimentos que possam surgir tendem logo a compará-los, sem qualquer argumento válido, a um partido que surgiu em Itália, liderado por um comediante que dá pelo nome de Beppe Grillo. Mas a realidade é que, não é apenas em Itália que há comediantes políticos, em Portugal existem há muito, e andam por aí.


 


Porque será que manifestos, movimentos e novos partidos assustam os já instalados que têm partilhado o poder e, também, os que, sistematicamente, se encontram na oposição? O receio da perda e dispersão de votos dos eleitores é a resposta. Novos partidos ou movimentos não são bem-vindos pelos partidos quer de direita, quer de esquerda, que se encontram mais ou menos na sua zona de conforto, (pegando na frase do malquisto Passos Coelho). Por fim, e é apenas uma constatação, enquanto a direita tende a unir-se a esquerda tende a dividir-se.




Os partidos também têm a sua zona de conforto



Imagem de: http://www.ctvclic.com/cccss/blog-21.05.2009.htm




 


Começa a ouvir-se e a escrever-se por aí contra o sentimento anti partidos e anti políticos que se está a gerar na sociedade sustentando que não há democracia sem partidos. Não haver democracia sem partidos é um facto pelo que, não devemos deixar que esse sentimento alastre por ser terreno propício ao estabelecimento de ideias mais ou menos populistas que, posteriormente, poderão gerar ditaduras ou “democracias musculadas”(?).


 


Tem-se desde há muito divulgado a ideia de que há partidos a mais, que os partidos não se entendem, etc.. Mas, por outro lado, avançam com a ideia contraditória de que estes partidos não nos representam e que nos enganam. Quanto à ideia de que os partidos não se entendem parece ser um pouco anedótico, pois se eles existem é porque têm princípios, propostas e programas diferentes de governo, caso contrário entraríamos num conceito de “união partidária” do tipo quase união nacional. Outra coisa são alianças partidárias pontuais por vizinhança ideológica, como é a do caso que nos governa. Mais difícil é fazer alianças quando há antagonismos ideológicos e programáticos mas, mesmo assim, é provável.


 


O que não é democrático é que partidos instalados, ou os seus elementos, venham opor-se publicamente, através de órgãos de comunicação, à constituição de novos partidos ou movimentos organizados de cidadãos , como se tem visto recentemente, com as ofensivas despropositadas a um manifesto subscrito de 60 cidadãos bem conhecidos que foram ou são de partidos diferentes.


 


Para vermos o que se está a passar com a democracia até o Tribunal Constitucional invalidou duas propostas para criação de partidos. Marinho Pinto, pessoa com cujas posições nem sempre concordo, também se insurgiu.  


 


Apesar de ser apenas um manifesto, acusam os seus promotores de se “aproveitarem da angústia e desespero das centenas de milhares de pessoas que têm vindo a manifestar-se contra este sistema… para proveito próprio”. Esta citação é de um elemento do PCP que, decerto, receia que alguém “fuja” para apoiar o manifesto.  


 


Os senhores que se levantam e indignam com este manifesto e com outros partidos e movimentos que possam surgir tendem logo a compará-los, sem qualquer argumento válido, a um partido que surgiu em Itália, liderado por um comediante que dá pelo nome de Beppe Grillo. Mas a realidade é que, não é apenas em Itália que há comediantes políticos, em Portugal existem há muito, e andam por aí.


 


Porque será que manifestos, movimentos e novos partidos assustam os já instalados que têm partilhado o poder e, também, os que, sistematicamente, se encontram na oposição? O receio da perda e dispersão de votos dos eleitores é a resposta. Novos partidos ou movimentos não são bem-vindos pelos partidos quer de direita, quer de esquerda, que se encontram mais ou menos na sua zona de conforto, (pegando na frase do malquisto Passos Coelho). Por fim, e é apenas uma constatação, enquanto a direita tende a unir-se a esquerda tende a dividir-se.