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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Reféns do PSD ou a loucura de um ex-primeiro-ministro

Invocar o medo.png


Há uma coisa que sabemos, o CDS-PP está dependente de Passos Coelho e refém do PSD.


O assustado e perplexo Nuno Melo, conservador de ultra direita, adepto duma democracia de partido único no governo, para sempre, quando abre a boca ou escreve não acrescenta nada de novo. Já conhecemos muito bem o seu discurso. Ao criticar a solução de Governo PS, por via do apoio apenas ao nível parlamentar dado pelo PCP, BE e PEV veio agora dizer que "Quem manda hoje no PS é o comité central do PCP".


 


Nuno Melo devia estar calado porque quem manda no seu partido, o CDS-PP, é Passos Coelho que o mantém refém do PSD através dum acordo que, se foi escrito, não se sabe o que dele consta porque nem foi divulgado. O CDS aceitou um acordo (?) apenas para se manter no poder.


 


Todos nos recordamos de em julho de 2013 Paulo Portas ter revogado o irrevogável e ter ultrapassado as linhas vermelhas que dizia não querer ultrapassar. Com que moral vêm agora estes senhores dar lições e tecer comentários, a maior parte das vezes sem fundamento.


 


Tudo o que está em causa é o medo da perda do poder já consumado neste momento. Resta-lhes andar por aí fazendo comícios, dizem de esclarecimento, à porta fechada prestando-se aos mais disparates ditos como o fez hoje o líder da coligação neoliberal Passos Coelho quando se declarou "inteiramente disponível" para apoiar "uma revisão constitucional extraordinária para dissolver a Assembleia e para que seja o povo português a decidir". Passos Coelho falava no encerramento das jornadas "Portugal: Caminhos do futuro", com militantes do PSD e do CDS-PP e, pela primeira vez desde o escrutínio de 4 de outubro, pediu eleições antecipadas.Revisão constitucional.pngRevisão da Constituição da República agora com quem e com que maioria de quatro quintos que seria necessária para uma revisão extraordinária. Nem dois terços, quanto mais! Será que a perda de poder o endoidou?

sábado, 7 de novembro de 2015

Coligações e perdas de identidade política

Coligações.png


Tenho ouvido para aí responsáveis políticos e partidários, acolitados pelos seus comentadores de serviço, dizerem que António Costa tem ambição de poder e quer conquistá-lo a todo o custo. Não sei, e não tenho procuração para a sua defesa ou acusação. É, contudo, muito fácil de constatar que se uns procuram o poder, outros procuram mantê-lo a todo o custo. Num regime parlamentar quem faz ou desfaz governos é o Parlamento. A esquerda tem mais deputados do que a direita. É essa a sua grande angústia e raiva dissimuladas.


Se Passos Coelho quer manter o poder, a que diz ter todo o direito porque ganhou as eleições, o certo é saber como o conseguiria manter quando os deputados eleitos foram insuficientes para uma governação estável e duradoura que não lhe permite sustentar uma maioria na Assembleia da República. Por outro lado, a maioria de deputados são da oposição que, em conjunto, obteve 52,26% dos votos.


A coligação de direita PSD.CDS-PP, após as eleições, ao tomar consciência da situação em que se encontrava precisava duma muleta que lhe validasse as políticas, incluiu no seu programa de governo algumas das medidas do programa do Partido Socialista numa tentativa para o "capturar" politicamente chegando até a propor a sua entrada para o Governo. Aqui está, não convenceu ninguém com a partilha do poder.


O PSD esqueceu-se que, durante quatro anos não fez qualquer cedência nem tentativa de aproximação com o PS e não abandonou a sua posição neoliberal. Durante a campanha eleitoral ouviu-se Passos Coelho dizer que o seu programa seria a continuidade das políticas seguida e ao prever a impossibilidade duma maioria absoluta começou, com algum custo  a fazer algumas promessas para convencer o eleitorado.


Um acordo do PS não seria impossível noutras circunstâncias e com outra liderança no PSD. O que aconteceu foi que, como já o escrevi várias vezes, deu-se um deslocamento do PSD para a direita de tendência neoliberal, deixando para trás qualquer hipótese de negociação ao centro, pelo que, nas atuais circunstâncias, as negociações seriam apenas possíveis à esquerda. O PS não tem quaisquer afinidades com esta direita. Se também não a tem com sua esquerda, pelo menos conseguiu com ela negociar sem quaisquer preconceitos.


Acho que ninguém tem dúvidas de que o Partido Socialista tem uma tradição de fidelidade à democracia, seja em que circunstância for e, por isso, ao contrário de muitos outros não silencia tendências ou sensibilidades internas. Veja-se o caso do PSD que pelo facto de estar no poder as vozes que poderão ter pontos de vista diferentes não se ouvem.


Francisco Assis tem os seus pontos de vista que no interior do PS são duma ala mais à direita que discorda de alianças à esquerda. Está no seu direito. Mas desenganem-se os que pensam que ele seria por uma coligação com a direita. Segundo o seu pensamento, face ao que diz e escreve, seria favorável a que o PS se tornasse um partido do tipos balança parlamentar, deixando a coligação de direita governar e diligenciar ao nível parlamentar, Estando a direita em minoria aqui e ali seria obrigada a uma atitude mais negocial.


Um dos perigos que decorreria duma aliança estrutural com a direita seria o risco de "pasokização" do PS como aconteceu na Grécia, onde o PASOK desapareceu porque fez o que Assis e seus apoiantes defendem agora para o PS, uma aliança estrutural com a direita. 
A política da insegurança, do medo, do regresso ao passado, da instabilidade política, da quebra dos compromissos internacionais foram, durante a campanha eleitoral, e ainda o são, o mainstream (a corrente principal) da direita com que conseguiu manipular o eleitorado.


A coligação de direita PSD.CDS-PP fez perder a identidade política e programática e ideológica ao CDS-PP. Os princípios e programas diferentes fundiram-se num só, PSD e CDS são partidos diferentes mas iguais. Alguém consegue hoje em dia distinguir as diferenças entre o projeto do CDS-PP e o do PSD? A única diferença é Paulo Portas e os deputados que defendem juntamente com os do PSD e em uníssono as mesmas políticas. É bom que se pergunte onde estão as diferenças.   


É isso que muitos dentro do PS temem, que deixe de perder a sua identidade com uma aliança com a direita neoliberal, que se autointitula do centro.


 


 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Cobertor precisa-se

Apesar de continuar no campo a política não me larga. O senhor Presidente da República Cavaco Silva sentiu necessidade de apoiar a decisão da recondução de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal. Mais uma vez demonstrou descaradamente a sua colagem e identificação com o Governo. Se alguma vez alguém teve dúvidas desta vez pôde tirá-las. Já agora poderia confirmar se é apenas Presidente de alguns portugueses.


Conhecendo com certeza as conclusões da comissão de inquérito parlamentar e das posições desfavoráveis tomadas em março por alguns elementos do Governo em relação a Carlos Costa qual terá sido a necessidade de Cavaco Silva vir agora em defesa daquela nomeação. Sendo apenas da competência do Governo nada teria a dizer, e ponto.


Foi ainda mais longe. Qual professor primário do antigamente disse aos “meninos” que não concordaram com a nomeação que estudassem o que se passa noutros países. Pois é, relativamente a muito do que saiu da sua lavra, mais parece que, quem não estudou foi o senhor Presidente.   


Esta imediata tomada de posição por Cavaco Silva “trás água no bico”. Até parece que também precisa dum cobertor para se tapar do frio. Mas querem enganar quem?