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segunda-feira, 18 de março de 2024

A propósito do jornalismo dar a papa à direita-radical

Jornalismo e direita radical.png


Montagem parcial a partir da imagem do Público do artigo "A grande família do Chega"


Os media contribuíram para a importância que hoje tem o partido Chega. Ao ajudarem os partidos direitistas a canalizar o descontentamento para o PS abriram caminho para o crescimento daquele partido. Mas não só, o PCP e o BE com a repetição contínua de palavras de ordem com ataques ao Partido Socialista ajudaram a passar a mensagem do Chega também contra o PS sem que eles próprios se auto questionassem sobre por que os votos de protesto foram para a extrema-direita, Chega. Se houve tantos votos de protesto para a extrema-direita por que apenas ela tirou proveito disso e não também à extrema-esquerda.


O partido Chega estrategicamente passou a simular o jogo democrático como uma obrigação, mas as declarações do seu líder continuarem a mostrar que era contra o sistema. Por entre a extrema-direita existem versões mais moderadas e outras mais extremistas, mas todas elas colocam em causa as conquistas civilizacionais e, em última instância, a democracia.


Já escrevi vários textos neste blogue em que me debrucei sobre os media e o jornalismo como por exemplo “Fugir das Armadilhas” e “Relação Político Mediática e Jornalismo”. No primeiro escrevi que “A dúvida instala-se sobre o que pudemos esperar do verdadeiro jornalismo quando estes, por motivos de interesses vários, se encontram enfeudados a ideologias e partidos” e mais adiante que “o problema verifica-se quando há tendenciosamente critérios de subtil favorecimento a candidatos pela utilização das mais variadas técnicas de abordagens…”. Pacheco Pereira em artigos de opinião tem abordado aquelas mesmas questões de forma clara e com um preciosismo muito próprio.


Quem vê televisão e os seus noticiários, debates e comentários opinativos durante a pré demissão do primeiro-ministro e depois de conhecidos os resultados das últimas eleições pode perceber as causas e possíveis consequências dos resultados que são lançadas para o ar. Refiro-me à televisão por ser o media através do qual a maioria das pessoas toma conhecimento do andamento da política.


Verifica-se uma ininterrupta relação entre a política e os media onde, para além dos políticos, o jornalismo tem uma carga de politização, talvez até uma partidarização subliminar, que servem de veículos de transmissão de políticas de direita através de comentadores que, ao mesmo tempo, são políticos. São os profissionais da contradição consoante os interesses e que, por vezes, agarram o que os seus adversários dizem e o tomam à letra. Tomar à letra o que se diz tem a suas dificuldades interpretativas e dificuldade em discernir pois depende do contexto em que as frases são enunciadas porque podem ser determinadas pela função da pergunta e dos contextos em que se dá a resposta.


Na política, as questões são frequentemente complexas e podem exigir mais do que um simples "sim" ou "não". Embora seja possível dar uma resposta direta, muitas vezes é necessário fornecer contexto ou explicação e depende da situação. Em todo o caso, na minha opinião, em política não pode haver apenas sim ou não!


Por outro lado, jornalistas, quais lobos famintos, procuram encontrar ininterruptamente supostas contradições que dizem ter sido proclamadas pelos políticos para os atacarem e fazerem disso aberturas de noticiários televisivos ou manchete para capa de jornal.


Verifica-se desde alguns anos um crescimento dum jornalismo politizado, maioritariamente de direita e muito, quer nas televisões, quer na imprensa, não sei se na rádio, mas nas rádios dos jornais e nos podcasts que agora estão na moda isso é certo.


Porém, do ponto de vista do líder do Chega, não há um jornalismo politizado maioritariamente de direita. Para ele, no que reporta às redações, o que se passa é o contrário. Leia-se parte da transcrição do discurso de André Ventura no dia das eleições ao festejar os ganhos eleitorais do seu partido: “…hoje houve em Portugal um ajuste de contas com a história, na nossa história do pós 25 de abril. Houve um ajuste de contas com um país que, durante décadas, foi asfixiado, dominado, manipulado, atrofiado, pela extrema-esquerda e pela esquerda que dominou redações, dominou instituições e que dominou a nossa economia…” (itálico da minha autoria). Neste mesmo dia duas militante do Chega já com alguma idade disseram a um jornalista da CNN que “fala a nossa linguagem” e, ainda por cima, “é um borracho”.


Nas agendas dos noticiários e nos seus alinhamentos os indicadores económicos, financeiros e sociais que foram bons em Portugal e foram aplaudidos internacionalmente foram apresentados de maneira fugaz e não entravam como fator importantes nas notícias.


A isto acresce o ambiente mediático negativo, a agressividade de várias ordens e sindicatos profissionais com criação acintosa de modo a criar um contexto social de caos e insegurança. Servem como exemplos as reivindicações dos sindicatos dos professores, dos médicos, dos enfermeiros, dos polícias entre outros. Acrescentemos o Serviço Nacional de Saúde com que diariamente os telespectadores eram bombardeados aquando das situações extraordinárias devidas às doenças de inverno que anualmente acontecem. Recordemos o anterior bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, que fez tudo quanto era possível para subtilmente desacreditar o ministro da saúde e para fazer campanha denegrindo o SNS. Posteriormente, durante a campanha eleitoral da AD várias vezes estava ao lado de Luís Montenegro e foi, e agora é, cabeça de lista da AD pelo Porto.


Num artigo de opinião Pacheco Pereira escreve que após o resultado das eleições “Subitamente, órgãos políticos e de interesses, como a Rádio Observador, cujos orgasmos matinais contra o Governo davam o tom para as notícias de muitos outros órgãos de informação, passaram agora, como era de prever, a ensinar como é que a AD deve governar, quais as prioridades, o estilo e as alianças. Com ironia se pode perceber que o que antes era negro na acção política agora é branco, já não há falta de transparência nos silêncios, e a obrigação de responsabilidade tornou-se a dos “outros”, como mostra a chantagem comunicacional sobre a votação do PS no Orçamento.”


É fácil perceber que vai cair sobre o PS a responsabilidade por tudo o que aconteça de mal à direita. A pergunta que se coloca é a de saber se deve ser o PS a sustentar um Governo cujo partido ganhou as eleições?


De alguns pensamentos provindos de grupos de comentaristas entendedores de política salientam-se opiniões que propõem que o Chega não deve ficar na oposição porque pode crescer ainda mais. Estas razões são simplistas porque há outras razões mais complexas.   Há outras variáveis mais marcantes nos eleitores que que os levaram a presentear o Chega e que têm a ver com aspetos sócio económicos vários que nem sempre são da responsabilidade do PS, mas do jornalismo de influência direitista que preparou a população contra o PS num alinhamento com o Chega e com os partidos da extrema-esquerda.


Parece estar a haver críticas a Montenegro por causa da frase do “não é não” ao Chega, que agora lamentam, porque pôs em causa um possível entendimento com aquele partido. Contudo, do meu ponto de vista, o “não é não” ficou em suspenso para salvaguardar que, numa circunstância como a atual poderia ser adaptado a novas circunstâncias que, entretanto, surgissem. Mas, tal poderá não acontecer pois colocaria face a alguma opinião pública como falta à palavra dada.


É por isso que o “não é não” de Montenegro ao Chega poderá, ou não, ter outras nuances, digamos, mais “flexíveis”. É o mesmo que dizer “Bem, na Assembleia da República falamos o que seria a condensação e ou remoção da frase e de alguns de seus sentidos, com o objetivo de restringir o propósito do pensamento seria uma espécie de “novilíngua” orwelliana) entre todos os deputados”, o que, como é óbvio, todos não significa para a AD falar com o Bloco ou com o PCP, mas com o Chega.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

A propósito dum artigo de opinião de Carmo Afonso

Mentiras de Ventura.png


Ser de extrema-direita, populista e demagogo não significa ser boçal, ser ordinário, ter falta de responsabilidade política, não fazer política com seriedade, ser mentiroso. Ventura é tudo isto, parecendo mais aquilo a que os nossos antepassados designavam por carroceiro, com respeito para com essa extinta profissão.


André Ventura é o protótipo da boçalidade, da manipulação e da alucinação, epítetos que lhe assentam com mestria. Demonstra ter ambição, sim, isso é o que quer para ele, mas, e os outros? Diz ser contra o sistema ao mesmo tempo que diz querer fazer parte do sistema ao propor alianças com forças do sistema. Pretende desenvolver o país, substituindo o sistema, do qual diz ser contra. Qual outro sistema e por qual? É uma incógnita!


da violência do ódio), A sua ignorância em termos da aplicação prática política das propostas apresentadas confraterniza com a  com ignorância.


Ventura é um sujeito perigoso, capaz até de se fosse caso disso e conseguisse um dia chegar ao poder absoluto e ditatorial, de matar adversários que se lhe opusessem ou lhe fizessem frente. Associo Ventura a uma espécie de Putin. Porque André Ventura nem o seu partido Chega têm nada a ver com os da maioria da extrema-direita europeia.


Hoje incluo abaixo o artigo de opinião de Carmo Afonso publicado hoje no Público com um título de certo modo sarcástico “Não, a culpa não é do TikTok”.


Acho que vale a pena ser lido, mesmo por aqueles que já decidiram votar no partido que lhes dá esperanças sem fundamento, lhes oferece futilidades não exequíveis e que, por isso, nunca as irão conseguir ou alcançar.


Até pode ser que Carmo Afonso seja de esquerda, até pode ser que seja de extrema-esquerda, até pode ser que seja do centro, até pode ser que seja de direita, mas o artigo que escreveu é de uma evidência e clareza que só os empedernidos intelectuais, os ferrenhos clubistas não entendem, ou não querem entender.


Aqui segue então o artigo de Carmo Afonso:


 


Não, a culpa não é do TikTok


Um artigo de Carmo Afonso


In jornal Público, 16 de fevereiro de 2024


Carmo Afonso.png


Aplaudir o líder do Chega e considerá-lo vencedor de debates, sabendo que mentiu e sabendo que está a enganar uma percentagem assustadora de portugueses, é indesculpável.


As audiências indicam que os portugueses têm assistido aos debates entre os candidatos às próximas legislativas. São muitos debates, uma verdadeira maratona em que cada candidato tem a possibilidade, e o dever, de discutir as propostas que apresenta perante cada um dos candidatos a primeiro-ministro das restantes candidaturas. Sabemos que, a menos que nos espere algum terramoto, só existem dois candidatos a primeiro-ministro. E poderia dar-se o caso de os portugueses guardarem a sua atenção apenas para o debate entre ambos. Mas não, numa grande demonstração de vitalidade democrática têm seguido os vários debates.


Ter esta atenção dos eleitores dá aos debates uma importância fundamental. Não é previsível que a maioria se dedique à leitura dos programas eleitorais ou que se desloque a comícios. É nestes duelos que uma parte significativa dos portugueses decidirá em quem votar. Notem que as sondagens indicam que uma percentagem relevante do eleitorado ainda está indecisa. Serão esses os eleitores que decidirão quem ganhará as eleições.


Os debates são curtos e, também por isso, pouco esclarecedores em relação aos programas de cada candidatura. Não há de facto tempo para aprofundar assuntos. Mas não é só por falta de tempo. O formato destes debates promove uma disputa de aspectos da personalidade e de habilidades. Ficamos a saber quem é o mais rápido, o mais felino e o mais confiante. Também notamos quem se preparou melhor e em que medida é capaz de usar esse conhecimento para contraditar o outro e encostá-lo à parede.


Pergunto: serão estas características as mais relevantes para sabermos qual dos candidatos será o melhor primeiro-ministro? E respondo: não. Ter a arte de dar baile é um detalhe menor, eventualmente dispensável, nas capacidades de um bom político. Os debates, por si, não conseguem ser esclarecedores.


É também por isso que os comentários que se seguem aos debates são tão importantes como os próprios debates. Notem que o tempo concedido aos comentadores excede o tempo concedido aos candidatos. É como assistir a uma curta-metragem seguida de uma extensa discussão entre críticos de cinema.


Nestes debates destaca-se a participação de um candidato que recorre insistentemente à mentira deliberada e à deturpação dos factos. Além disso apresenta propostas não exequíveis e que estão em absoluta contradição com outras propostas que defendeu anteriormente. Tem também o hábito de insultar, interromper e de fazer uma espécie de bullying aos adversários. Suponho que ninguém desconheça a quem me refiro. É o rei dos falsos no fact checking, título que já detinha antes do início destes debates. Isto é ponto assente e todos os comentadores o reconhecem.


Qualquer jogo ou combate tem regras. O incumprimento dessas regras tem consequências e determina penalizações. Os golos marcados por jogadores que estão fora de jogo não são considerados. Se não existissem sanções os jogadores prevaricadores, e as respetivas equipas, seriam beneficiados. Mas é precisamente isso que muitos comentadores estão a fazer.


Ventura acusou o PCP de ter cometido assassinatos no pós-25 de Abril. É difícil imaginar uma mentira mais gravosa. Dita por quem tem no seu partido Diogo Pacheco Amorim, que pertenceu ao MDLP. Esta organização foi responsável por ações violentas no pós-25 de Abril, onde se incluíram ataques bombistas. Morreram pessoas como resultado dessas ações, como o padre Max e a estudante Maria de Lurdes.


Mas houve comentadores que deram a vitória a Ventura no debate com Paulo Raimundo e que voltaram a fazê-lo no debate com Pedro Nuno Santos, onde Ventura voltou a mentir. São, mais coisa menos coisa, os mesmos que acusaram Mariana Mortágua – que deu o verdadeiro baile a Ventura – de ter mentido a propósito do assassinato do padre Max ou a propósito da carta recebida pela avó. Ui, aí rasgaram as vestes. Mas Mariana Mortágua não mentiu e não costuma mentir.


Estamos conscientes de que André Ventura está a enganar milhares de portugueses, pessoas que confiam na sua seriedade. Não me parece que seja o caso de algum comentador. Aplaudir o líder do Chega e considerá-lo vencedor de debates, sabendo que mentiu e sabendo que está a enganar uma percentagem assustadora de portugueses, é indesculpável. Estes comentadores também não cumprem as regras. Depois não digam que a culpa é do TikTok.


A autora é colunista do PÚBLICO e escreve segundo o novo acordo ortográfico

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Eles não são todos iguais - Um artigo de Opinião de Amílcar Correia



Eles não são todos iguais


 











A divisão entre o povo e a elite, na qual se insere a classe política, entre os “portugueses de bem” e os outros, é a redução da política a uma falácia.






Um primeiro-ministro que se demite por estar sob investigação e cujo chefe de gabinete escondia dinheiro na porta ao lado, um ex-primeiro-ministro que vai ser julgado por suspeitas de ter sido corrompido, numa contradição judicial que provoca perplexidade, e um presidente do Governo Regional da Madeira constituído arguido por alegada corrupção.


A escolha dos nomes a figurar nas listas para a Assembleia da República também não abona muito a favor da classe política e das forças partidárias. A forma como deputados do PSD e da IL, sobretudo do primeiro, se prontificaram a integrar as listas do Chega não dignifica ninguém. A mudança de bancada não se deveu a nenhuma mudança ideológica. Deveu-se, simplesmente, ao facto de não serem reconduzidos, em parte por terem sido indicados por Rui Rio, e quererem, a todo o custo, manter-se no Parlamento.


O Chega começou a distribuir tachos nos passos perdidos da Assembleia, tachos que ainda não tem, confiante no seu crescimento e impaciente para fazer upgrade dos seus quadros. O processo de recrutamento de deputados do PSD e da IL — que lideram seis listas do partido de André Ventura — é tudo menos higiénico. O caso de Maló de Abreu, que se contradisse sem qualquer escrúpulo, é patético e contraproducente para a valorização de quem exerce cargos políticos. A sua desfaçatez transforma um lugar no Parlamento num emprego sem sentido.


Não interessa qual é a bancada. Só é necessária uma vaga. É irónico que o Chega tenha sido apresentado como resultado de uma rebelião interna do PSD, protagonizada por André Ventura contra Rui Rio. São os deputados escolhidos por este e não reconduzidos por Luís Montenegro que o Chega recrutou.


Não é preciso muito mais para reforçar a percepção popular de que a política corrompe e de que os políticos são corruptos, a argamassa de que se alimenta a demagogia mais rasteira. Estão criadas as condições para fazer da corrupção o tema principal da campanha que se avizinha e para que o Chega ludibrie o eleitorado com mentiras em nome da verdade e da limpeza do país. É fácil generalizar uma opinião corrosiva sobre a classe política, como se ela fosse toda igual e desprezível, o que está longe de ser verdade. Não é.


A dignidade de Duarte Cordeiro, ao rejeitar a possibilidade de ser candidato num lugar destacado a deputado, porque a Operação Influencer ainda não esclareceu o seu papel neste processo, e porque a justiça portuguesa é tudo menos célere, prova-o. Apesar de não ser arguido, o ministro do Ambiente tomou a opção ética de se resguardar, a si e ao partido, uma vez que o seu ministério foi alvo de buscas e foi citado nos autos como tendo participado em reuniões e jantares nos quais esteve, por exemplo, o administrador da Start Campus.


Os casos que ensombram a classe política, na qual a justiça tem tido um papel ambíguo e, por vezes, espalhafatoso, afectam a dignidade das instituições democráticas, mas não são estas que estão em causa. O discurso dicotómico entre nós e eles tem sido eficaz, apesar da sua boçalidade, no jargão populista por quase toda a Europa.


A divisão entre o povo e a elite, na qual se insere a classe política, com o Chega a fingir nada ter que ver com o assunto, entre os “portugueses de bem” e os outros, é a redução da política a uma falácia. A popular expressão do “eles são todos iguais” tanto pode ser usada para sublinhar as semelhanças entre PS e PSD, o bloco da alternância, quer para enfiar no mesmo saco todos os eleitos.


O povo puro e virtuoso não é homogéneo. A classe política e os partidos também não. Todos estes casos que têm alimentado a discussão pública são suficientemente preocupantes para gerar uma sensação de pântano, mas são insuficientes para lançar um anátema sobre toda a gente que faz parte dessa classe que nos querem apresentar como uma oligarquia sem vergonha.


Mas se o povo não é assim tão puro e os políticos não são todos oligárquicos, isso não quer dizer que os partidos não necessitem de mais exigência nas suas escolhas e de prestarem atenção aos problemas que sustentam o voto de protesto primário. Talvez a adopção de círculos uninominais obrigasse os partidos a uma escolha mais apurada dos seus candidatos.


O Parlamento sairia mais dignificado com a entrada de novos protagonistas, nomeadamente de independentes, o que não parece que aconteça num contexto como o actual, como se pode concluir das listas anunciadas e das transferências conhecidas, marcadas mais pela continuidade do que pela renovação. Sobra-nos a campanha, as várias campanhas que teremos pela frente, ameaçadas pela turbulência dos argumentos maldosos. É desejável evitá-la, mas nada nos garante que assim seja.