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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Juntos pela ira nas perdas eleitorais

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1 - No PSD a pressão dos apoiantes de Passos Coelho, gente neoconservadora e neoliberal, que não pretendem que a social-democracia regresse ao partido e lhes faça perder as oportunidades que lhes foram dadas. São os Passistas que querem manter-se, e manter o passado recente no partido para que a caleira construída não se estrague nem fique a descoberto.


Não é por acaso que o jornal Diário de Notícias coloca em primeira página “Passistas não querem deixar Rui Rio sozinho.”. Daí haver pressões para levar Montenegro a avançar para a liderança. Quem as faz sabe que Montenegro não traz uma regeneração ao partido, mas a mudança (apenas de líder) na continuidade.


2 - Após os resultados das eleições autárquicas há dois desesperados que se vão lançar em fúria e com todas as forças para pressionar o Governo. São eles o PSD e o PCP que se prperam para fazer, ao nível da contestação social, uma “aliança” informal, estratégica, mas não concreta de facto e que se fará sobretudo através dos sindicatos que controlam e onde se encontra a chamada mão de obra elitista, bem paga e com direitos que sobram, que, qual gula, querem sempre mais e já esqueceram as perseguições que o governo de direita PSD/CDS lhes fez. São elas as classes da área da saúde, nomeadamente os enfermeiros e na da educação, os professores, esta última à qual pertenço.


Serão eles os veículos da instabilidade social manobrados por aquelas duas forças partidárias. Os primeiros, a classe dos enfermeiros de sindicatos afetos ao PSD através da UGT e o dos professores com a sua maioria afeta à CGTP controlada pelo PCP começaram a ser mobilizados para possíveis reivindicações irrealistas.


Vai ser uma aliança entre inimigos não concretizada com negociações, mas simultânea, com objetivos idênticos e com causas diferentes. Estão juntos pela ira das perdas eleitorais. Mas a responsabilidade da instabilidade vai ser sobretudo apontada ao PCP que, se trair o seu acordo parlamentar, venha a querer prejudicar o país dará razões à direita, e não seria a primeira vez. A desforra do PCP vai em direção ao partido do Governo como se as culpas das perdas fossem da exclusiva responsabilidade do partido que, de algum modo, tem apoiado ao nível parlamentar e mediante negociações.


Se assim for o PCP faz o jogo da direita, atributo com que ele mesmo ao longo dos anos caracterizava outros partidos. Se o comité central não sabe, talvez atordoado por uma cegueira radical, mas que deveria saber, é que quem terá mais a perder será o próprio PCP que captará contra si grande parte do povo pelos prejuízos eventualmente causados e que lhe poderão a vir ser imputados juntamente com os da direita.


Ver outra opinião segundo Daniel Oliveira.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Uma opinião sobre o protesto dos enfermeiros

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Os enfermeiros são uma classe necessária e imprescindível em todo e qualquer serviço de saúde. São eles que fazem a manutenção médica diária dos doentes, apoiam-nos e tratam-nos seja nos hospitais públicos seja nos privados, casas de saúde etc. Eu diria mais, sem eles a saúde colapsava já que os médicos não poderiam responder a tudo. Têm a formação adequada para as tarefas que desempenham, mas não são médicos. Mas, por outro lado, se questionássemos pessoas que estão ou estiveram internada nos hospitais públicos sobre a forma como os enfermeiros lidam com os doentes ouvir-se-iam de certeza muitas razões de queixa nomeadamente as atitudes que tomam para com os doentes. Todavia tenho consciência de que as generalizações podem ser injustas para muitos.


Os que hoje são enfermeiros devem ter optado pela enfermagem por vocação, por gosto, seja lá pelo que for, caso contrário teriam optado por medicina. Podem dizer que não tinham média para entrar e que, por isso, escolheram o curso superior de enfermagem. Seja, mas não são médicos. Não tiraram um curso de medicina e sim de enfermagem. Não podem agora através de formas de pressão tentarem administrativamente equalizar-se aos médicos cuja formação é em teoria e na prática muito diferente. Se não o fosse então os médicos teriam tirado o curso de enfermagem com menos custos financeiros e de saberes. Um médico pode fazer o serviço dum enfermeiro o contrário já não é verdadeiro.


Isto leva-me à chamada luta dos enfermeiros reivindicando carreiras, altos salários e o mesmo estatuto dos médicos. Na minha opinião foi uma manobra política de oposição contra o Governo utilizando as reivindicações laborais. Como se sabe na central sindical UGT existem duas correntes uma delas do TSD (Trabalhadores Sociais Democratas). Há um dos Sindicatos dos Enfermeiros que pertence àquela central sindical. Parece-me que é este o grupo que mais se tem salientado na luta por salários chorudos e em ações de rua. Oportunisticamente utiliza problemas ditos laborais para fazer pressão política sobre o Governo diria mais, fazer oposição já que o PSD tem falhado.


O que me parece ser mais estranho é que, se não me engano, foi esta a mesma classe que não se mobilizou para se manifestar com tanta perseverança e persistência quando o anterior Governo PSD/CDS lhes cortou direitos e salários, aumentou-lhes as horas de trabalho e retirou as horas extraordinárias e muitos tiveram que emigrar. Nessa altura a classe dos enfermeiros estava caladinha exceto um ou outro protesto sem significado e amochava.


Os enfermeiros querem o sol e a lua mesmo que impossível. Querem mais dinheiro, carreira fácil, estatuto e tudo o que mais vier do saco, e tudo o mais que lhes vier à cabeça que seja reivindicativo. Não sabem eles que quem depois pagará a fatura somos todos e eles também. Não se percebe a violência com que o protesto é feito o que me leva a crer que o ódio e a exaltação que se verifica nas atitudes deve ter influência de origem política e partidária.


Não são os únicos licenciados deste país, mas os enfermeiros com as greves estão indiretamente a utilizar os doentes, que deles necessitam e sofrem por esses hospitais, para fazerem valer as suas reivindicações exageradas relativamente a outros trabalhadores. É humanamente imoral e oportunisticamente político.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Votos de sucesso

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Embora contrariado, o Presidente da República Cavaco Silva, finalmente, indigitou António Costa como primeiro-ministro do novo Governo de Portugal.


A responsabilidade é enorme. Ninguém lhe vai perdoar se falhar e voltar a défices excessivos que eventualmente possam dar lugar a novos resgates. Os partidos que se comprometeram dar apoio parlamentar ao governo PS não podem falhar. A direita que perdeu votos vai andar por aí atenta a tudo e tudo sirva para fazer oposição, por mais sórdida que seja. Aliás, como já tem vido a ser seu hábito.


Logo que a decisão do Presidente da República foi conhecida alguns partidos, nomeadamente o BE através de Catarina Martins perfilou-se frente às câmeras das televisões falando como se o seu partido fosse o principal e único protagonista das mudanças que constam do programa de Governo do Partido Socialista, esquecendo-se que houve outros parceiros na negociação. Nesse aspeto o PCP foi mais comedido. Esperemos que isto não sirva para começar a gerar conflitos tendo como base a propaganda partidária, que a oposição de direita irá aproveitar em pleno. Não é estratégico os partidos que assinaram o acordo iniciarem uma competição onde cada um pretende chamar a brasa à sua sardinha, o que apenas servirá para dar argumentos e razão à direita.


Das centrais sindicais e dos sindicatos nelas filiados espera-se uma contenção reivindicativa responsável.


Ao presidente da CGTP, Arménio Carlos, pede-se uma outra atitude e contenção verbal e parar com a contínua guerra aberta respeitando os outros dirigentes quer da UGT quer das associações patronais, da mesma forma que o respeitam a ele. Refiro-me, neste caso, ao presidente da CIP.


Arménio Carlos, quando fala, parece estar sempre em guerra aberta com todo e qualquer representante das confederações patronais quando em negociação ou em debates. Não negoceia, exige, reivindica, vendo apenas e só um lado da questão, esquecendo-se que existe uma economia para crescer e gerar postos de trabalho. Torna-se por vezes inconveniente, o que pode conduzir a ruturas que, nem agora, nem num futuro próximo, interessam a qualquer das partes, nem aos portugueses. Gerar conflitos apenas ajuda a direita. Não é o momento de vanguardismos de esquerda, mas de calma e consensos. Se assim não for quem ganha sempre é a direita. E, nas próximas eleições, se a direita volta a ganhar, as vítimas serão sempre os mesmos, os que afinal pretendem defender!


Pensem nisto.


 


 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A Deus o que é de Deus e a César o que é de César

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É uma leitura possível de um acontecimento que parece tornar evidente a promiscuidade entre alguns sindicatos, nomeadamente com a central sindical UGT, Passos Coelho e o governo. Pela primeira vez assisti pela televisão em 28 deste mês a uma sessão do seminário "Diálogo Social pela Educação e Formação - estratégias de intervenção e concertação para o desenvolvimento e o emprego", por ocasião do 36.º aniversário da UGT, para o qual foi convidado Passos Coelho que, pela primeira vez, foi aplaudido pela assistência. Resta saber que assistência. É tão mais patético quanto foi este primeiro-ministro que destruiu e contribuiu para o desnível das relações laborais em benefícios das empresas. Esclareça-se que nada tenho contra as empresas privadas, antes pelo contrário, o que acho é que cada qual no seu galho.


Lá estavam presentes, também, dirigentes sindicais que se dizem defender os trabalhadores que representam. Lá estava Carlos Silva ao lado de Passos e, pasme-se, também de Nuno Crato, claro, ou não se denominasse o seminário “Diálogo Social pela Educação e Formação”. Se foi o primeiro que convidou os segundos ou os segundos que convidaram o primeiro, para o caso é indiferente. Eu sou dos que acham que, nestas situações, a Deus o que é de Deus e a César o que é de César.


Os trabalhadores de qualquer setor, seja público ou privado, podem confirmar agora com que contar durante as negociações e que confiança podem ter naquela gente que diz defender os seus interesses. Terá sido um agradecimento ao primeiro-ministro pela voluntariedade que demonstrou pelo aumento do salário mínimo? Agora se percebe que, quando o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, diz que se opõe ao Governo de Passos Coelho não é mais do que fachada para enganar quem trabalha. Cortes, redução de férias, pagamento de horas extraordinárias em dias de descanso a metade do seu valor hora entre outras amabilidades em benefícios tudo foi negociado com a UGT em troca de um pseudo manutenção e criação de postos de trabalho, em empresas que acabam por fechar as portas, e posto de trabalho que não se criam ou então são precários.


Desde quando sindicatos convidam membros de um governo ou primeiros-ministros para atividades comemorativas seja do que for? Quando isso acontece não é mais do que um aval ao governo para a tomada de quaisquer decisões futuras. Com que cara se apresentará Carlos Silva?


Tendo em conta que Carlos Silva da UGT foi apoiante incondicional de António José Seguro durante as primárias no PS podemos fazer uma outra leitura para esta promiscuidade e que passa de uma certa forma por uma atitude provocatória  de desforra política normalmente designada por revanchismo tendo na mira António Costa. Ficámos agora a saber para onde José Seguro e Carlos Silva se encaminhavam conjuntamente.


À margem do seminário o secretário-geral da UGT veio tenta redimir-se ou, quiçá, assumido por um arrependimento súbito diz à lusa que “Achamos estranho que o secretário-geral da OCDE venha sustentar as teses que levam o Governo a continuar a apostar em políticas de austeridade para 2015, nomeadamente, para nossa estranheza e profunda crítica e desacordo, quando decidem suscitar a questão dos tetos para as prestações sociais que, pessoalmente, acho completamente estapafúrdio.”.


Será este o homem das duas caras do sindicalismo?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A representatividade da UGT



imagem de http://paginaglobal.blogspot.pt


Nuno Magalhães chefe, ou líder como queiram chamar, da bancada parlamentar do CDS/PP disse, e passo a citar, que “Era importante que o PS tivesse o mesmo sentido de compromisso, o mesmo sentido de responsabilidade e de Estado que a UGT e os eu secretário-geral, João Proença”. Estamos mesmo a ver o porquê deste elogio a uma organização sindical e ao seu secretário-geral. Como todos sabemos, a UGT tem validado a maior parte das medidas prejudiciais ao mundo do trabalho propostas pelo governo. A postura do seu secretário-geral parece ser mais a de um empresário a defender os seus interesses do que um representante dos trabalhadores.


Se a CGTP tende a radicalizar posições opondo-se sempre a toda e quaisquer alterações e medidas sobre a área do trabalho, rompendo todo e qualquer diálogo, por vezes sem quaisquer justificações válidas, a UGT, por seu lado, aprova/”negoceia” tudo o que sejam propostas que venham do executivo com a alegação de que são as menos gravosas para os trabalhadores, muitas das vezes com o consentimento tácito do PS.


Não é por acaso que o governo quer “segurar” a UGT. Esta tem um peso que é meramente político e porque a CGTP coloca-se sempre fora, algumas vezes bem, das negociações.


Mas, numa apreciação mais objetiva, a UGT representava em 2010 apenas 2,2% dos trabalhadores do sector privado num conjunto superior a mais de 3 milhões de pessoas no ativo, de acordo com estudo efetuado pela Industrial Relations in Europe 2010 da Comissão Europeia.


Para termos uma ideia do que significam 2,2% dos trabalhadores daquele universo, podemos afirmar que esta percentagem corresponde aproximadamente a 70 mil sindicalizados, o que quer dizer que o Estádio da Luz daria para receber a quase totalidade de toda a UGT, ficando apenas de fora 5 mil pessoas. Por estimativa, em 2012 aquele número será ainda menor. Este é um caso concreto da representatividade da UGT no mundo do trabalho.

A representatividade da UGT



imagem de http://paginaglobal.blogspot.pt


Nuno Magalhães chefe, ou líder como queiram chamar, da bancada parlamentar do CDS/PP disse, e passo a citar, que “Era importante que o PS tivesse o mesmo sentido de compromisso, o mesmo sentido de responsabilidade e de Estado que a UGT e os eu secretário-geral, João Proença”. Estamos mesmo a ver o porquê deste elogio a uma organização sindical e ao seu secretário-geral. Como todos sabemos, a UGT tem validado a maior parte das medidas prejudiciais ao mundo do trabalho propostas pelo governo. A postura do seu secretário-geral parece ser mais a de um empresário a defender os seus interesses do que um representante dos trabalhadores.


Se a CGTP tende a radicalizar posições opondo-se sempre a toda e quaisquer alterações e medidas sobre a área do trabalho, rompendo todo e qualquer diálogo, por vezes sem quaisquer justificações válidas, a UGT, por seu lado, aprova/”negoceia” tudo o que sejam propostas que venham do executivo com a alegação de que são as menos gravosas para os trabalhadores, muitas das vezes com o consentimento tácito do PS.


Não é por acaso que o governo quer “segurar” a UGT. Esta tem um peso que é meramente político e porque a CGTP coloca-se sempre fora, algumas vezes bem, das negociações.


Mas, numa apreciação mais objetiva, a UGT representava em 2010 apenas 2,2% dos trabalhadores do sector privado num conjunto superior a mais de 3 milhões de pessoas no ativo, de acordo com estudo efetuado pela Industrial Relations in Europe 2010 da Comissão Europeia.


Para termos uma ideia do que significam 2,2% dos trabalhadores daquele universo, podemos afirmar que esta percentagem corresponde aproximadamente a 70 mil sindicalizados, o que quer dizer que o Estádio da Luz daria para receber a quase totalidade de toda a UGT, ficando apenas de fora 5 mil pessoas. Por estimativa, em 2012 aquele número será ainda menor. Este é um caso concreto da representatividade da UGT no mundo do trabalho.

A representatividade da UGT



imagem de http://paginaglobal.blogspot.pt


Nuno Magalhães chefe, ou líder como queiram chamar, da bancada parlamentar do CDS/PP disse, e passo a citar, que “Era importante que o PS tivesse o mesmo sentido de compromisso, o mesmo sentido de responsabilidade e de Estado que a UGT e os eu secretário-geral, João Proença”. Estamos mesmo a ver o porquê deste elogio a uma organização sindical e ao seu secretário-geral. Como todos sabemos, a UGT tem validado a maior parte das medidas prejudiciais ao mundo do trabalho propostas pelo governo. A postura do seu secretário-geral parece ser mais a de um empresário a defender os seus interesses do que um representante dos trabalhadores.


Se a CGTP tende a radicalizar posições opondo-se sempre a toda e quaisquer alterações e medidas sobre a área do trabalho, rompendo todo e qualquer diálogo, por vezes sem quaisquer justificações válidas, a UGT, por seu lado, aprova/”negoceia” tudo o que sejam propostas que venham do executivo com a alegação de que são as menos gravosas para os trabalhadores, muitas das vezes com o consentimento tácito do PS.


Não é por acaso que o governo quer “segurar” a UGT. Esta tem um peso que é meramente político e porque a CGTP coloca-se sempre fora, algumas vezes bem, das negociações.


Mas, numa apreciação mais objetiva, a UGT representava em 2010 apenas 2,2% dos trabalhadores do sector privado num conjunto superior a mais de 3 milhões de pessoas no ativo, de acordo com estudo efetuado pela Industrial Relations in Europe 2010 da Comissão Europeia.


Para termos uma ideia do que significam 2,2% dos trabalhadores daquele universo, podemos afirmar que esta percentagem corresponde aproximadamente a 70 mil sindicalizados, o que quer dizer que o Estádio da Luz daria para receber a quase totalidade de toda a UGT, ficando apenas de fora 5 mil pessoas. Por estimativa, em 2012 aquele número será ainda menor. Este é um caso concreto da representatividade da UGT no mundo do trabalho.