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terça-feira, 25 de junho de 2024

Os jovens a extrema-direita e a queda no precipício

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Há teses que apontam para que na Europa os jovens têm sido seduzidos para o voto nos partidos populistas da extrema-direita. Um artigo de Albena Azmanova publicado no diário The Guardian defende essa tese e explica os motivos para tal.


A autora refere que nas eleições europeias do dia 9 de junho as ansiedades dos jovens não têm sido ouvidas pelos partidos moderados tradicionais.


Sobre os jovens escrevi dois artigos neste blogue que podem ler e também aqui onde apresentava a minha opinião sobre a perceção sobre os jovens e os partidos que andam em busca do seu voto, e não apenas os da extrema-direita.


A atual geração de jovens que alguns partidos consideram ser até aos 35 anos de idade estão tendencialmente a votar na extrema-direita. Estes jovens europeus que sempre conheceram a paz e a democracia e sem vivências em políticas doutro tipo que não fossem estas, podem estar a enterrar o seu futuro.


O que sabem das ditaduras e das guerras apenas o conhecem pela história e por estórias que leituras revisionistas lhes são contadas com deturpação que lhes chegam via redes sociais e sites da internet que absorvem sem espírito crítico. São narrativas e teorias contadas, recontadas e revertidas de forma aliciante, mas enganadoras.


Nas últimas décadas através de eleições democráticas a direita populista tem estado em ascensão na Europa, e, como se verificou na votação de 2024 é o culminar natural de uma longa tendência, mas, apesar da subida, ainda não conseguiu ter uma maioria no Parlamento Europeu mesmo apesar de ficar a par do maior grupo, o Partido Popular Europeu de centro-direita.


Baixar a idade de voto para os 16 ou 17 anos como aconteceu na Áustria, Bélgica, Alemanha e Malta e para 17 anos na Grécia parece não ser a melhor ideia. A redução da idade de voto para 16 anos só está a aumentar a tendência para o voto nos populistas radicais de direita. Parece haver sinais duma rebeldia dos jovens com menos de 30 anos em prol dos populismos da extrema-direita.  Nas eleições europeias e nacionais, os eleitores com menos de 30 anos deram o seu apoio a partidos de extrema-direita como a Alternativa para a Alemanha (AfD) na Alemanha, o Rassemblement National (RN) em França, o Vox em Espanha, os Irmãos de Itália, o Chega em Portugal, o Vlaams Belang (Interesse Flamengo) na Bélgica e o partido finlandês na Finlândia pode vir a aumentar essa tendência.


A mudança, que ajudou a AfD-Alternativa para a Alemanha, partido de extrema-direita, a alcançar um segundo lugar histórico em todo o país, foi notável porque a decisão da Alemanha de permitir que jovens de 16 a 18 anos votassem pela primeira vez era era na expectativa de favorecer partidos de esquerda. O partido populista de extrema-direita alemão AfD tem um forte foco anti-imigração e está classificada como uma organização extremista de direita. Antes das eleições europeias, o partido enfrentou um escrutínio sobre os seus laços expostos com financeiros russos e espiões chineses.


Um artigo que a Reuters publicou em 13 de junho mostra “Como a extrema-direita ganhou força com a juventude europeia”. Os líderes desses movimento e partidos extremistas de direita estão a utilizar os novos media e as redes sociais para promover falsos prestígios desses seus líderes dominar e aliciar os mais jovens com o objetivo de promoverem uma contracultura subversiva entre alguns jovens.


Também por cá, em novembro de 2022, um projeto do PSD defendia baixar a idade do voto como medida de “equidade intergeracional” e de “combate à sub-representação dos jovens”, medida que, como seria de espera, foi também defendida pelo Bloco de Esquerda, Livre e PAN com forte apoio da Iniciativa Liberal. Não percebi porquê o Chega votou contra esta medida juntamente com o PS e o PCP. Que o PSD e o BE pretendem angaria votos venham eles donde vierem.


Quanto mais jovens mais fáceis de aliciar devido à falta de perceção, da cultura e de literacia política e à falta de leituras que lhes poderiam proporcionar. É nas redes sociais que bebem a informação, a maior parte das vezes deturpada, onde proliferam a tal contracultura que extremistas aproveitam para atrair, com falsas promessas e argumentos falaciosos, os jovens. O resultado daqueles países da redução da idade para o voto ficou evidente nas últimas eleições onde foi um facto o aumento da extrema-direita.   


Em Portugal numa sondagem à boca das urnas do ICS/ISCTE mostravam uma clara viragem à direita dos jovens entre os 18 e os 34 anos, que representaram quase um quarto do total de votantes nas eleições legislativas de março passado. “Partidos como (IL, Livre, Chega e recente, o BE) atraem os mais jovens muito mais que os partidos tradicionais (PS, CDU, AD)”.


O radicalismo dos jovens varia de acordo com vários fatores e com as várias circunstâncias. Uma delas será a rejeição de compromissos ou soluções moderadas porque os radicais acreditam que qualquer forma de compromisso ou meio-termo é ineficaz e não trará as mudanças necessárias. Do meu ponto de vista as redes sociais desempenham um papel significativo para a disseminação de ideias radicais entre os jovens porque são plataformas onde os jovens são expostos a vários pontos de vista muitas vezes enganadores para os quais podem não ter literacia política nem conhecimentos suficientes para poderem refletir sobre eles.


Devido à falta de estímulos socioeconómicos, a falta de integração social e cultural, a falta de oportunidades económicas e a falta dum futuro promissor clamados pelos partidos de direita e de esquerda, os jovens podem ser facilmente aliciados para causas radicais ao que se junta a marginalização social que pode levar ao radicalismo dos jovens.


Há uma preocupação nos jovens devido à incerteza económica manifesta e a insegurança de subsistência. Os mais velhos vivem também com o receio de perda de emprego, os mais jovens temem não conseguir emprego, mas também não estão dispostos aceitar qualquer emprego que lhe propunham refugiando-se nos quantos mestrados ou doutoramentos possuem. Criou-se o temor de não conseguir prosperidade no futuro (seja lá o que eles entendem por isso) e que, por isso, pode impulsionar uma mudança para a extrema-direita. Se o receio da pobreza pode fomentar um desejo de mudança radical e de apoio à esquerda política, o medo da perda de estatuto social alimenta instintos conservadores que o populismo da extrema-direita lhes diz oferecer, como sejam a estabilidade e a segurança.


A observação direta sobre comportamento no dia a dia destes jovens, feita na presença em alguns locais, mostram a ocorrência de situações é contraditória com as suas preocupações. Eles são a geração que mais viaja comparativamente com os seus ascendentes. São o que mais frequentam concertos de música pop, são os que também frequentam discotecas, bares e restaurantes aos fins de semana. Arrisco-me a dizer que atualmente os jovens pretendem muito divertimento, bons empregos, bem pagos e com pouco trabalho, habitação em locais centrais das grandes cidades como muita oferta a que chamam cultural, acesso a carro privado, etc..


Albena Azmanova escreveu que “A redução da idade de voto para 16 anos na Áustria, Bélgica, Alemanha e Malta e para 17 anos na Grécia” está a aumentar a tendência para voto na extrema-direita. “Na Alemanha, a ultradireita AfD goza de popularidade incomparável entre os jovens, ganhando o apoio de 17% dos jovens de 16 a 24 anos que votaram. Os estudantes franceses não têm gritado, como fizeram durante as eleições presidenciais de 2017: “Nem Le Pen nem Macron, nem o Patriota nem o Chefe: merecemos melhor do que isso”. Desta vez, 32% dos jovens franceses, independentemente do género, apoiaram o Rassemblement Nacional. Os ganhos foram tão substanciais que levaram o presidente Emmanuel Macron a convocar eleições antecipadas”.


Mas, se os jovens não votam à esquerda e está a aumentar  o apoio à extrema-direita parece ser uma contradição já que há sondagens que apontam os temas de justiça social e económica, que são característicos da esquerda, são mais importantes para os eleitores do que a questão emblemática da extrema-direita que é a da imigração. Embora os programas da esquerda possam dar respostas às preocupações de muitos jovens, contudo, a juventude europeia está a abandonar os partidos de esquerda. O mesmo se passa nos Estados Unidos onde se verifica uma tendência dos jovens que apoiam o Partido Democrata para apoiar Donald Trump.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Visão da comoção e do cinismo

Visão da comoção e do cinismo.png


João Miguel Tavares escreveu no jornal Público que acha “comovente que tanta gente de esquerda se espante com o posicionamento do Bloco e do PCP nestas presidenciais francesas, por se recusarem a apoiar, à imagem de Jean-Luc Mélenchon, Emmanuel Macron contra Marine Le Pen comovente que tanta gente de esquerda se espante com o posicionamento do Bloco e do PCP nestas presidenciais francesas, por se recusarem a apoiar, à imagem de Jean-Luc Mélenchon, Emmanuel Macron contra Marine Le Pen”. Também eu me comovo com o que ele, de forma cínica, escreve. Ele é como um cínico picador de toiros que gosta do animal, mas pica-o para o enraivecer para que a lide seja mais conseguida para o toureiro.


Pretende acicatar o PCP e o BE para que, aqui dentro, aqui em Portugal, e contra António Costa e o seu Governo, ajam com o espírito revolucionário, desestabilizador e extremado que, para ele, deveria ser peculiar. A Miguel Tavares assoma desejos não explicitamente manifestos, de desestabilização da solução governativa apoiada parlamentarmente pela esquerda. Assume-se como sendo um grande educador virtual daqueles dois partidos que, para ele, deveriam ser preferencialmente mais revolucionários cá dentro como o são quando olham para a política internacional.


Por estas, e por outras, é que ainda fico mais comovido quando leio artigos de opinião e comentários provenientes de fontes que se situam entre a extrema-direita, que se diz não existir em Portugal, e a direita dos autointitulados liberais.


O PCP e o BE, ao darem apoio parlamentar ao Governo, passaram a ser para Miguel Tavares, e para a direita, uma espécie de dentes do siso que lhe nasceram na dentadura e já se encontram cariados, e lhe doem muito, mas estão a custar-lhe a arrancar.


No momento em que decorreram eleições em França (primeira volta), e está a decorrer a campanha eleitoral para a segunda volta o que tenho visto e lido vai no sentido de a direita, cá dentro, através dos seus artigos e comentários, não se pronunciar claramente sobre os candidatos em presença. Se, por um lado, fazem criticas moderadas a Macron, já quanto a Le Pen há “nins” que sobram. A suas manifestações públicas, quando são de oposição a Le Pen são contidas, palavras muito escolhidas para não assustar potenciais fãs. Assim como os liberais da direita portuguesa quando da eleição de Trump foram de crítica contida, moderada. Vamos ver o que dirão sobre a tomada de posição de Obama ao apoiar Macron nas eleições francesas. É claro o “namoro” ideológico entre Le Pen e Trump.


Em Portugal a direita e os seus liberais, e a extrema-direita que anda por lá diluída, têm vestido até hoje peles de cordeiro. Será que os radicais, neste caso a extrema-direita de Le Pen, se porventura chegasse ao poder, deixaria de o ser, ou faria o que fez Erdogan na Turquia?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A chantagem da europa

 


 


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A europa atravessa tendências radicais nos países que vão a eleições este ano, daí a aflição de alguns setores europeus, nomeadamente da Alemanha de Merkel e do seu ministro das finanças Schäuble que inauguraram as pressões e a chantagem sobre a Grécia, face às previsões das próximas eleições de janeiro coadjuvados pelo assustado Holland e outros. Antecipam as maiores desgraças, anteveem a catástrofes, obrigam a condições, ameaçam com sanções, chantageiam e atemorizando os povos. Fazem reinar o medo. Aliás, parece ser esta a política seguida na União Europeia com a Alemanha a comandar o que, a nós, portugueses, já não é estranho porque Passos Coelho também utilizou e ainda utiliza o método da chantagem e do medo não apenas relativo ao passado com projeção no futuro.


A possibilidade do Syriza, partido  da esquerda radical da Grécia, poder vir a ganhar as eleições assim como o Podemos em Espanha poder obter um grande votação põe a direita europeia nervosa. Esta é a grande preocupação da Alemanha e de outros países lacaios que vêm a democracia como válida apenas e só se os partidos que eles entendem ganharem as eleições. Caso isso não suceda apontam a povos soberanos a arma do medo.


A democracia passará a estar em perigo na Europa se aceitarmos que, em eleições livres, devam ganhar apenas os partidos que outros achem devam ganhar.


Veremos se a mesma atitude, face aos partidos extremistas da direita de Marine le Pen em França, se levantarão vozes ameaçadoras na Europa caso a tendência, em altura própria, seja a de poder vir a ganhar eleições.

domingo, 5 de janeiro de 2014

A intensificação da extrema-direita na Europa


Aproveitando-se da crise no espaço da União Europeia, especialmente nos países intervencionados, sem que muitos se deem conta, a extrema-direita está a ficar cada vez mais presente e a capitalizar apoiantes. Chegou-se ao ponto de, sem qualquer discrição, se exibirem símbolos fascistas e nazis tal como em Espanha onde símbolos franquistas são exibidos sem quaisquer complexos.


Casos concretos deste tipo de exibições em Espanha têm vindo da Juventude do Partido Popular, partido conservador que está no poder. Muitos destes jovens têm-se feito fotografar com símbolos nazis e franquistas que colocam no Facebook e no Twitter o que levou a que representantes do Partido Popular viessem desdramatizar falando de “infantilidades” e desculpabilizando-os ao dizerem paternalisticamente que aos jovens são desculpadas determinadas atitudes que são “imperdoáveis aos mais velhos”. 


Há sinais de alarme que provêm do Reino Unido, França, (veja o caso da Frente Nacional de Marine le Pen), Itália, Grécia, República Checa, Hungria e Eslováquia, todos países pertencentes à União Europeia. Em Portugal ainda se verifica uma certa contenção, talvez porque à esquerda do Partido Socialista há alguns partidos que, apesar de não terem uma elevada expressão eleitoral, ainda têm uma base de apoio social muito maior do que os seus equivalentes no resto da Europa.


O ambiente político, financeiro e económico internacional favorece os extremismos de direita que se alimentam da crise. De acordo com o jornal El País de Novembro passado, no Partido Popular de Espanha nenhum dirigente exibia símbolos franquistas nem nazis mas exibiam as cores do partido e da bandeira nacional. Atualmente, tudo mudou. Agora alguns jovens militantes daquele partido já se aventuram a mostrar publicamente símbolos franquistas.


Muitos destes movimentos extremistas surgem do interior dos partidos de direita, onde se encontram camuflados à espera de oportunidade para se manifestarem a descoberto. O curioso é que a maior parte deles são oriundos das juventudes partidárias de direita.


Já escrevi várias vezes neste blog que, em Portugal, nos partidos de direita, nomeadamente no PSD, se encontram no seu interior elementos que se denunciam pelas suas declarações públicas e na Assembleia da República que podem ser interpretadas como posições ideológicas de natureza pró nazi e segregacionista.


Não é de admirar que haja pontos comuns na origem destes grupos da extrema-direita europeia porque na prática estes grupos são oriundos dos partidos liberais, ou, no mínimo, provenientes ideologicamente deles mas que radicalizaram as suas posições.  Veja-se o caso do holandês Geert Wilders, antieuropeísta, do grupo dos partidos chamados Tea Party, líder da oposição holandesa que teve origem nos liberais e que conseguiu ser o terceiro partido mais votado nas últimas eleições.


Não é por mero acaso que está em negociação uma aliança entre o político da extrema-direita holandês Geert Wildess e o de Marine le Pen antes das eleições de maio de 2014 com o objetivo de “perturbar o funcionamento do Parlamento Europeu e destruir a EU a partir de dentro”. Esta aliança poderá incluir também partidos idênticos da Itália, Suécia e Bélgica.


Será esta também uma oportunidade para os partidos antieuropeístas de esquerda aproveitarem e darem, como habitualmente, uma mãozinha de abertura à extrema-direita?


Nas próximas eleições para o Parlamento Europeu devemos estar muito atentos e votar no sentido de que em Portugal não se venha a verificar o mesmo.