Mostrar mensagens com a etiqueta frança. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta frança. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 25 de junho de 2024

Os jovens a extrema-direita e a queda no precipício

Jovens e o precipício.png


Há teses que apontam para que na Europa os jovens têm sido seduzidos para o voto nos partidos populistas da extrema-direita. Um artigo de Albena Azmanova publicado no diário The Guardian defende essa tese e explica os motivos para tal.


A autora refere que nas eleições europeias do dia 9 de junho as ansiedades dos jovens não têm sido ouvidas pelos partidos moderados tradicionais.


Sobre os jovens escrevi dois artigos neste blogue que podem ler e também aqui onde apresentava a minha opinião sobre a perceção sobre os jovens e os partidos que andam em busca do seu voto, e não apenas os da extrema-direita.


A atual geração de jovens que alguns partidos consideram ser até aos 35 anos de idade estão tendencialmente a votar na extrema-direita. Estes jovens europeus que sempre conheceram a paz e a democracia e sem vivências em políticas doutro tipo que não fossem estas, podem estar a enterrar o seu futuro.


O que sabem das ditaduras e das guerras apenas o conhecem pela história e por estórias que leituras revisionistas lhes são contadas com deturpação que lhes chegam via redes sociais e sites da internet que absorvem sem espírito crítico. São narrativas e teorias contadas, recontadas e revertidas de forma aliciante, mas enganadoras.


Nas últimas décadas através de eleições democráticas a direita populista tem estado em ascensão na Europa, e, como se verificou na votação de 2024 é o culminar natural de uma longa tendência, mas, apesar da subida, ainda não conseguiu ter uma maioria no Parlamento Europeu mesmo apesar de ficar a par do maior grupo, o Partido Popular Europeu de centro-direita.


Baixar a idade de voto para os 16 ou 17 anos como aconteceu na Áustria, Bélgica, Alemanha e Malta e para 17 anos na Grécia parece não ser a melhor ideia. A redução da idade de voto para 16 anos só está a aumentar a tendência para o voto nos populistas radicais de direita. Parece haver sinais duma rebeldia dos jovens com menos de 30 anos em prol dos populismos da extrema-direita.  Nas eleições europeias e nacionais, os eleitores com menos de 30 anos deram o seu apoio a partidos de extrema-direita como a Alternativa para a Alemanha (AfD) na Alemanha, o Rassemblement National (RN) em França, o Vox em Espanha, os Irmãos de Itália, o Chega em Portugal, o Vlaams Belang (Interesse Flamengo) na Bélgica e o partido finlandês na Finlândia pode vir a aumentar essa tendência.


A mudança, que ajudou a AfD-Alternativa para a Alemanha, partido de extrema-direita, a alcançar um segundo lugar histórico em todo o país, foi notável porque a decisão da Alemanha de permitir que jovens de 16 a 18 anos votassem pela primeira vez era era na expectativa de favorecer partidos de esquerda. O partido populista de extrema-direita alemão AfD tem um forte foco anti-imigração e está classificada como uma organização extremista de direita. Antes das eleições europeias, o partido enfrentou um escrutínio sobre os seus laços expostos com financeiros russos e espiões chineses.


Um artigo que a Reuters publicou em 13 de junho mostra “Como a extrema-direita ganhou força com a juventude europeia”. Os líderes desses movimento e partidos extremistas de direita estão a utilizar os novos media e as redes sociais para promover falsos prestígios desses seus líderes dominar e aliciar os mais jovens com o objetivo de promoverem uma contracultura subversiva entre alguns jovens.


Também por cá, em novembro de 2022, um projeto do PSD defendia baixar a idade do voto como medida de “equidade intergeracional” e de “combate à sub-representação dos jovens”, medida que, como seria de espera, foi também defendida pelo Bloco de Esquerda, Livre e PAN com forte apoio da Iniciativa Liberal. Não percebi porquê o Chega votou contra esta medida juntamente com o PS e o PCP. Que o PSD e o BE pretendem angaria votos venham eles donde vierem.


Quanto mais jovens mais fáceis de aliciar devido à falta de perceção, da cultura e de literacia política e à falta de leituras que lhes poderiam proporcionar. É nas redes sociais que bebem a informação, a maior parte das vezes deturpada, onde proliferam a tal contracultura que extremistas aproveitam para atrair, com falsas promessas e argumentos falaciosos, os jovens. O resultado daqueles países da redução da idade para o voto ficou evidente nas últimas eleições onde foi um facto o aumento da extrema-direita.   


Em Portugal numa sondagem à boca das urnas do ICS/ISCTE mostravam uma clara viragem à direita dos jovens entre os 18 e os 34 anos, que representaram quase um quarto do total de votantes nas eleições legislativas de março passado. “Partidos como (IL, Livre, Chega e recente, o BE) atraem os mais jovens muito mais que os partidos tradicionais (PS, CDU, AD)”.


O radicalismo dos jovens varia de acordo com vários fatores e com as várias circunstâncias. Uma delas será a rejeição de compromissos ou soluções moderadas porque os radicais acreditam que qualquer forma de compromisso ou meio-termo é ineficaz e não trará as mudanças necessárias. Do meu ponto de vista as redes sociais desempenham um papel significativo para a disseminação de ideias radicais entre os jovens porque são plataformas onde os jovens são expostos a vários pontos de vista muitas vezes enganadores para os quais podem não ter literacia política nem conhecimentos suficientes para poderem refletir sobre eles.


Devido à falta de estímulos socioeconómicos, a falta de integração social e cultural, a falta de oportunidades económicas e a falta dum futuro promissor clamados pelos partidos de direita e de esquerda, os jovens podem ser facilmente aliciados para causas radicais ao que se junta a marginalização social que pode levar ao radicalismo dos jovens.


Há uma preocupação nos jovens devido à incerteza económica manifesta e a insegurança de subsistência. Os mais velhos vivem também com o receio de perda de emprego, os mais jovens temem não conseguir emprego, mas também não estão dispostos aceitar qualquer emprego que lhe propunham refugiando-se nos quantos mestrados ou doutoramentos possuem. Criou-se o temor de não conseguir prosperidade no futuro (seja lá o que eles entendem por isso) e que, por isso, pode impulsionar uma mudança para a extrema-direita. Se o receio da pobreza pode fomentar um desejo de mudança radical e de apoio à esquerda política, o medo da perda de estatuto social alimenta instintos conservadores que o populismo da extrema-direita lhes diz oferecer, como sejam a estabilidade e a segurança.


A observação direta sobre comportamento no dia a dia destes jovens, feita na presença em alguns locais, mostram a ocorrência de situações é contraditória com as suas preocupações. Eles são a geração que mais viaja comparativamente com os seus ascendentes. São o que mais frequentam concertos de música pop, são os que também frequentam discotecas, bares e restaurantes aos fins de semana. Arrisco-me a dizer que atualmente os jovens pretendem muito divertimento, bons empregos, bem pagos e com pouco trabalho, habitação em locais centrais das grandes cidades como muita oferta a que chamam cultural, acesso a carro privado, etc..


Albena Azmanova escreveu que “A redução da idade de voto para 16 anos na Áustria, Bélgica, Alemanha e Malta e para 17 anos na Grécia” está a aumentar a tendência para voto na extrema-direita. “Na Alemanha, a ultradireita AfD goza de popularidade incomparável entre os jovens, ganhando o apoio de 17% dos jovens de 16 a 24 anos que votaram. Os estudantes franceses não têm gritado, como fizeram durante as eleições presidenciais de 2017: “Nem Le Pen nem Macron, nem o Patriota nem o Chefe: merecemos melhor do que isso”. Desta vez, 32% dos jovens franceses, independentemente do género, apoiaram o Rassemblement Nacional. Os ganhos foram tão substanciais que levaram o presidente Emmanuel Macron a convocar eleições antecipadas”.


Mas, se os jovens não votam à esquerda e está a aumentar  o apoio à extrema-direita parece ser uma contradição já que há sondagens que apontam os temas de justiça social e económica, que são característicos da esquerda, são mais importantes para os eleitores do que a questão emblemática da extrema-direita que é a da imigração. Embora os programas da esquerda possam dar respostas às preocupações de muitos jovens, contudo, a juventude europeia está a abandonar os partidos de esquerda. O mesmo se passa nos Estados Unidos onde se verifica uma tendência dos jovens que apoiam o Partido Democrata para apoiar Donald Trump.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Democracia, anarquia e redes sociais


Coletes amarelos.png


O que se está a passar em França leva-nos a refletir sobre a decisão de voto consciente e informado. Sobre a política interna francesa pouco ou nada sei a não ser a informação que me chega pelos órgãos de comunicação, daí que a minha opinião se centra apenas na forma e não no conteúdo justo ou não das reivindicações aprovadas, apresentadas por meios formalmente pouco democráticos.



Quando Macron foi eleito o povo francês com a experiência que teve com François Holland não quis que o PCF voltasse ao poder e votou no centrista Emmanuel Macron, [República em Marcha, partido de Macron], alguém fora dos partidos convencionais, tendo sido eleito em 2017 com 66,10% dos votos, contra 33,90% da candidata de extrema direita Marine Le Pen, na segunda volta das eleições presidenciais francesas.


Os franceses quando votaram Macron não sabiam ao que iam? Um povo que se diz politizado, e é, foi engando por um político sem experiência governativa? Os franceses escolheram sem saber o que escolhiam, ou foi o desaire do período Holland que os levou a eleger um candidato liberal do centro direita sem saber o que faziam?


Direita é direita seja do centro, ou não, mas há diferenças com a extrema-direita a quem deram 33,9% dos votos e que agora, no Parlamento, incentiva e apoia manifestações violentas.


Esta espécie de rebelião dos autodenominados “coletes amarelos” agrada à extrema-direita e à extrema-esquerda, a cada um por razões diferentes. Para os franceses Macron terá salvo a França dos socialistas, e agora?...


No meio da rebelião de descontentamento generalizado aproveitado por movimentos inorgânicos de cariz caótico, sem liderança efetiva e onde surgem espontâneos representantes ad hoc para dialogar com o Governo, Marine Le Pen faz o seu caminho e apanha a boleia reivindicando eleições antecipadas. É a extrema-direita em oposição com a própria direita que governa o país!


Estas manifestações que se tornaram violentas, sem horizonte de responsabilidade, são uma ameaça democrática à democracia porque apoiadas pela imaturidade, debilidade, incerteza e impaciência de alguns cidadãos. É um paradoxo ter de proteger a democracia dos cidadãos. A democracia é demasiado importante para ser deixada nas mãos de um povo que se deixa conduzir por movimentos sem liderança e destituídos de qualquer ideologia. Uma espécie de anarquismo dos tempos modernos que reivindicam tudo o que lhes passe pela cabeça sem acautelar consequências.


Há quem faça comparações ao maio de 1968. Parece-me que não, o maio de 68 tinha na sua génese princípios e conteúdos ideológicos nos discursos e na liderança. Atualmente este tipo de movimentos, ditos espontâneos que se tornaram violentos, parecem-se mais com os movimentos juvenis que eram estimulados pela extrema-direita nazi na Alemanha no tempo do Hitler, mas, até nesses, existia uma base ideológica.  


Uma das palavras de ordem dos manifestantes é a descrença nas elites e fazem reivindicações que pode ler aqui, muitas delas irrealistas e infantis parecendo redigidas por adolescentes em fase de revolta interior e plenas idealismo.


Para os franceses o palco de violência reivindicativa que se instalou em Paris, causador desta constante insegurança semanal, mostra ser mais importante do que o terrorismo vindo de fora que a França tem que enfrentar e combater, pois, parece que grande parte da população apoia estes distúrbios reivindicativos.


Hoje soube-se que o Governo francês recua e suspende aumento dos combustíveis e um tal Benjamim Cauchy dos coletes amarelos diz como se fosse um adolescente a despertar para a autonomia dos pais diz: "Não somos marionetas de políticos que querem continuar a dar-nos lições. E é isso que nos diz a linguagem dos deputados do República em Marcha [partido de Macron] nas declarações que têm feito aos media". Mas que sabem eles de gerir uma Nação, um Estado? E, claro, ontem, segunda-feira, os partidos da oposição foram dizer ao primeiro-ministro, Édouard Philippe, que é urgente satisfazer algumas exigências das pessoas que protestam nas ruas. A oposição aproveita sem esforço a deixa que lhes foi dada pelo movimento. Só que essa tarefa está a ser dificultada pela falta de uma frente unida de interlocutores no lado dos "coletes amarelos", o que faz com que este movimento se coloque numa posição de anarquia sem objetivos políticos bem definidos.


Como escreve Edgar Morin no jornal Le Monde de hoje:


"Nenhum líder, nenhum chefe, nenhuma estrutura, nenhuma ideologia, que reúna o descontentamento, deceções, frustrações, raiva heterogénea e diversa, do aposentado ao fazendeiro, o membro do Encontro Nacional aos jovens urbanos não subjugados.


Mas essa força inicial tornou-se uma desvantagem no momento em que era necessário anunciar um programa de outra forma, pelo menos, uma orientação para reformas, e não remoções fiscais ou a renúncia do presidente. Certamente, várias alegações formuladas por meio de diversas vozes incluem sugestões relevantes misturadas a ideias improvisadas. Mas carece totalmente de um pensamento orientador e tal pensamento levaria a uma divisão entre os componentes heterogéneos de um movimento onde a raiva unida contra o poder são, na verdade, antagónicas entre si. Portanto, qualquer coisa que poderia ser um movimento bem-sucedido pode levar a uma falha final”.


Veja-se abaixo as reivindicações exigidas do tipo caseiro e alguma difícil execução numa democracia liberal e até mesmo socialista. Que partido acham os ditos “coletes amarelos” poderão satisfazer todas estas reivindicações?


Ignorância a quanto obrigas!



  • Acabar com os sem-abrigo urgentemente

  • Pagamento mais fatiado do Imposto sobre o rendimento

  • Favorecer o pequeno comércio nas vilas e centro das cidades (cessar a construção de grandes áreas comerciais em torno das principais cidades, que prejudicam os pequenos negócios

  • Mais estacionamento gratuito no centro das cidades

  • Que os grandes (MacDonald’s, Google, Amazon, Carrefour...) paguem muito e os pequenos (artesãos, pequenas e médias empresas) paguem pouco

  • Sistema de segurança social igual para todos (incluindo artesãos e empresários). 

  • Fim do aumento do imposto sobre o combustível

  • Nenhuma pensão abaixo dos 1200 euros

  • Os salários de todos os franceses, bem como as pensões e subsídios, indexados à inflação.

  • Proteger a indústria francesa, proibindo as deslocalizações

  • Fim do trabalho desvinculado

  • Limitar mais o número de contratos a termo nas grandes empresas

  • Fim da política de austeridade, interrompendo o pagamento da dívida considerada ilegítima sem fazer cobranças aos mais pobres e arrecadar 80 mil milhões de euros perdidos devido à evasão fiscal.

  • Resolução das causas que geram migrações forçadas

  • Que os requerentes de asilo sejam bem tratados. Colaboração com a ONU para criar centros de acolhimento em todo o mundo para instalar imigrantes e refugiados enquanto o processo de pedido de asilo decorre

  • Implementação de uma política de integração real. Curso de francês, de história de França de educação cívica, com certificação

  • Aumento do salário mínimo para os 1300 euros

  • Criação de empregos

  • Rendas mais baratas, sobretudo para estudantes e trabalhadores precários

  • Mais meios para o sistema judicial, polícia e exército

  • Todo o dinheiro gasto nas portagens deve ser investido na manutenção e desenvolvimento das estradas

  • Como preço do gás e da eletricidade aumentou desde que o sector foi privatizado, pede-se a nacionalização e a redução dos preços

  • Mais meios para a psiquiatria

  • Incluir o referendo na Constituição e consulta mais frequente do povo a nível nacional e regional

  • Voltar ao mandato presidencial de sete anos

  • Idade da reforma a partir dos 60 anos e para todos os trabalhadores com trabalho físico a partir dos 55

  • Fim do imposto retido na fonte

  • Fim dos subsídios vitalícios dos Presidentes

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Cuidado com os despertares emergentes e alianças populistas

movimentos inorgânicos.png


De acordo com o jornal Le Monde  estará marcada um nova manifestação dos “coletes amarelos” em França para sábado 1º de dezembro?


Apesar do discurso de Emmanuel Macron em 27 de novembro, apesar da reunião de representantes do movimento com o ministro da transição ecológica François de Rugy (27 de novembro) e depois com o primeiro-ministro Edouard Philippe (30 de novembro), mais um dia de a mobilização está planeada em toda a França.


Marine Le Pen líder do partido União Nacional, ex FN, sob a capa da moderação, provoca implicitamente o confronto quando disse na Europe 1, segundo o jornal FranceSoir,  "Se os Champs Elysees forem interdito aos “coletes amarelos” eles sentirão isso como um ato de  mais humilhação, mais uma forma de desprezo", argumentou o Marine Le Pen. "Os Champs-Élysées é uma avenida que é o símbolo da França, ora os “coletes amarelos” são o povo francês…” Eles consideram isso como como sendo seu.”, afirmou Le Pen. Pode conferir aqui.


Segundo uma sondagem  em França que pode ver aqui são cada vez mais os franceses que apoiam os “coletes amarelos” e os protestos pela redução de impostos e reposição do poder de compra: 84%,. Os eleitores da União Nacional de Le Pen, antiga FN, são os que mais apoiam a contestação com 92%. Os apoiantes de Macron dividen-se: 50% apoiam e 50% não.


Isto leva-nos a refletir sobre este tipo de movimentos. As manifestações são ações democráticas em que se pretende expressar coletiva e publicamente um sentimento ou uma opinião podendo ser



 





por parte de um grupo social em particular ou pela a sociedade em geral. Surgiram, entretanto, manifestações convocadas por novos movimentos sociais e políticos de contestação que mostram que a cidadania ainda existe e que as pessoas ainda reagem e que contestam a democracia tal como a conhecemos na expectativa de que se que se discuta alternativa ao modelo dominante são os movimentos ou manifestações inorgânicas sem dono e à revelia de qualquer organização democrática.


Estas manifestações inorgânicas são promovidas através das redes sociais e são por vezes aproveitadas por partidos que não se enquadram dentro da legalidade democrática como são os movimentos extremistas de direita que utilizam palavras de ordem populistas e também por partidos da extrema-direita alguns com assento parlamentar.


A extrema direita está em crescimento na Europa aproveitando o descontentamento da população derivado problemas relacionados com a austeridade, migrações, fecho de fronteiras que dizem conseguir poderem resolver e ultrapassar e utilizam slogans anti União Europeia e de nacionalismos exacerbados.


O discurso antieuropeu não é exclusivo da extrema-direita, a extrema-esquerda também o alimenta, cada um com argumentos diferentes, mas com vetores orientados e convergentes, diferindo apenas no sentido e posição ideológicos, mas da mesma intensidade e aceleração.


Estas forças que utilizam a democracia para se afirmarem posteriormente como partidos capazes de resolver tudo quanto os países e a U.E. não conseguiram resolver. Com demagogia e populismo, vão penetrado ao poucos, com a sedução de ideias e princípios já bem conhecidos no passado, mas que, os mais jovens, por ignorância da história dos seus países, assimilam sem espírito crítico. Os povos apenas veem o imediatismo das propostas que aqueles partidos lhes dizem poder oferecer. Um dos argumentos populistas mais utilizados por esses partidos que se dizem democráticos é a utilização do medo de tudo: dos mercados, dos migrantes, da insegurança, do desemprego, etc., etc...


No passado, não muito longínquo, as democracias morreram com os mesmo argumento: nacionalismos extremados, procura e utilização de causadores da crise nos países, culpabilizar os órgãos de informação de muitas das causas de que enferma a política….


Não nos enganemos, há uma relação entre populismo e autoritarismo.  Steven Levitsky, e Daniel Ziblatt no seu livro como morrem as democracias «How Democracies Die: What History Reveals About Our Future», «Como Morrem as Democracias: O que a História Revcela sobre a Nossa Democracia», defendem a tese de que as democracias atualmente já não morrem em decorrência de ações armadas ou golpes militares.


Se estivermos atentos veremos que, atualmente, podem surgir movimentos que, sob a capa da democracia, pretendem pôr em causa a autoridade do Estado e as decisões de governos que foram democraticamente eleitos o que de certo modo é legítimo quando os governos que saiam das eleições não respondem às espectativas das populações e é nesse contexto emocional que a extrema direita aproveita para se fazer ouvir.


Veja-se o caso que se passa em França com a convocação dos chamados coletes amarelos através redes sociais, manifestação inorgânica marcada fora de qualquer quadro político ou sindical que se iniciou contra o imposto ecológico lançado sobre os combustíveis alargado depois ao  aumento fiscal generalizado e aumento do custo de vida.   Com o apoio implícito de partidos da extrema direita, avançam com outro tipo de reivindicações e protestos pediram já a demissão do presidente Macron de centro direita.


Não é por acaso que hoje, 26 de novembro, Benjamin Cauchy, (não eleito como líder do dos coletes amarelos), a principal mediática figura desde o início do movimento de coletes amarelos, que teve início no passado sábado 17 de novembro se distanciou do movimento.


"Há uma radicalização que é extremamente danosa e da qual eu me destaco. Sei que centenas de pessoas querem ficar longe de coletes amarelos. Convido-os a participar de um movimento chamado Lemons. Já estamos cansados ​​de estar com pressa, não queremos falhas e somos amarelos.”, disse Benjamim Cauchy à emissora francesa de notícias RTL.


Também é claro o apoio implícito e oportunista e de intromissão naquele movimento de Marine Le Pen, líder do partido da extrema direita RN - Rassemblement National (União Nacional) a ex FN - Frente Nacional, mas que pessoalmente não se manifestou no dia 17 de novembro. Segundo a emissora EUROPE 1 Marine Le Pen acusou na quinta feira o governo francês de querer "minimizar o movimento". Terá dito que, para as eleições europeias, vai adotar a linhas políticas de Matteo Salvini, ministro do Interior italiano, tendo em vista "uma revolução democrática" na Europa (que espécie de democracia será para a extrema-direita??).


Em alguns países da União Europeia a extrema direita, eurocética e contra a U.E., tem-se insinuado aos povos com populismo e demagogia de tal modo que não estamos longe, no futuro próximo, de ver partidos extremistas de direita virem a ser a terceira força política no Parlamento Europeu.


Numa entrevista à Fundação FHC no Brasil, Levisky explica que “Nos dias de hoje, a subversão da democracia ocorre de maneira lenta e incremental. Um dos primeiros passos é controlar o Judiciário. Em seguida vem a perseguição aos media independentes e aos opositores políticos, intelectuais e lideranças sociais, assim como o progressivo controle do Estado e até mesmo de setores da economia. Quando as pessoas percebem o que está a acontecer, já é tarde demais”.


Não é por acaso que surge ao debate proposto pela direita a questão da revisão constitucional. O estado da democracia na Europa Central e de Leste é cada vez mais preocupante. Vejam-se, por exemplo, o caso da Polónia e da Hungria países tidos como casos de sucesso da transição do comunismo para a democracia, mas que estão a tornar-se regimes cada vez mais autoritários e menos democráticos segundo o relatório da Nations in Transit 2018.


O relatório mostra que a União Europeia - e o grupo do Partido Popular Europeu no Parlamento Europeu - deve assumir a responsabilidade pelo confronto com o anti liberismo do governo Fidesz - União Cívica Húngara (em húngaro: Fidesz – Magyar Polgári Szövetség) é um partido húngaro de direita populista e nacional-conservador liderado por Viktor Orbán.


Mapa_democracias.png


Com uma maioria absoluta muito confortável no parlamento, o Fidesz conseguiu rever a Constituição e a estrutura legislativa de forma formalmente legal, apesar da clara violação dos princípios da democracia liberal. As esperanças da U.E. de que Orbán e o seu partido se afastassem das orientações não liberais por ele próprio provaram ser irrefletidas.


Segundo um artigo de opinião da Nations in Transit “a Polónia a seguir o mesmo caminho que da Hungria, a U.E. deve tomar urgentemente em ambos os países medidas coordenadas. Em primeiro lugar, deve basear-se no seu processo de sanções contra a Polónia ao abrigo do artigo 7º, abrindo também uma contra a Hungria. Em segundo lugar, para os dois países, a U.E. deve dar seguimento a investigações anticorrupção que envolvam a utilização indevida de fundos da U.E. e condicionar o acesso aos fundos dando cumprimento de critérios rigorosos de um Estado de direito. Do mesmo modo, a deve levar a sério o comportamento não liberal de potenciais Estados-Membros nos Balcãs Ocidentais, incluindo os chamados líderes, Sérvia e Montenegro. O desejo de uma “estabilidade” superficial nos Balcãs não deve sobrecarregar a necessidade de usar a influência considerável da UE para melhorar o estado de direito.


Uma das grandes diferenças entre a Hungria e a Polónia é o facto de Viktor Orbán ser o primeiro-ministro eleito da Hungria e Jaroslaw Kaczynsky ser apenas o líder do Partido Lei e Justiça (PiS) - uma condenação por fraude eleitoral impede-o de ocupar cargos públicos -, mas controla governo e presidente.


As Constituições, sendo garantes de que algum partido ou pessoa com tendências autoritárias não ultrapasse a linha vermelha e possa comprometer a democracia através de certas regras que fazem parte do jogo democrático, se não forem expressas, podem ser facilmente manipuladas. Políticos sem escrupulosos podem explorar entrelinhas de uma Constituição para minar o seu espírito como, por exemplo, nomeações para certos lugares e instituições quem seja considerado leal às suas ideias e ao seu campo político, colocando em xeque o equilíbrio a médio e longo prazo noutros órgãos do poder.


Como exemplos recentes de governantes legitimamente eleitos que trilharam essa trajetória, Levitsky citou o venezuelano Hugo Chávez (que governou durante 14 anos, de 1999 até sua morte em 2013, e foi sucedido por Nicolás Maduro), o turco Recep Tayyip Erdoğan (eleito primeiro-ministro da Turquia em 2003, mudou a Constituição para instalar o presidencialismo e fez-se eleger como presidente em 2014) e o russo Vladimir Putin (que governa a Rússia desde 1999, inicialmente como primeiro-ministro, depois como presidente, novamente como primeiro-ministro e que recentemente foi reeleito com folga para um quarto mandato presidencial).


“Devemos fazer todo o possível para evitar que um candidato antidemocrata conquiste o poder, pois, ao chegar lá, não tenha dúvida de que ele colocará em prática suas ideias autoritárias. Para impedir que isso ocorra, vale até mesmo se aliar a adversários políticos com opiniões diversas, desde que firmemente comprometidos com a democracia”, afirmou Levitsky.


Quando se organizam movimentos emergentes ou criam partidos de caráter populista ou a representantes de alguma elite económica e acriticamente os apoiamos pode estar-se a abrir portas do poder para radicais com pendor autoritário imaginando que depois da eleição será possível mantê-los sob controle. A história mostra que isso pode ter graves consequências, como foi o caso da ascensão de Adolf Hitler na Alemanha, em 1933.


Devemos refletir sobre o que Daniel Ziblatt, um dos autores do livro anteriormente referido, afirmou, numa entrevista ao jornal Público, que “No século XX americano, houve sempre políticos demagogos: nos anos 1920 tivemos Henry Ford, o magnata dos automóveis, um famoso antissemita que foi citado no Mein Kampf, de Adolf Hitler, como um exemplo e um modelo a seguir — Ford considerou seriamente candidatar-se à presidência dos EUA e era muito popular nas sondagens, sobretudo no Midwest; nos anos 1930, tivemos Huey Long, senador e governador do Luisiana que dizia que o Estado de direito não tinha importância, dizia “eu sou a lei”, que também pensou candidatar-se à presidência, mas acabou por não o fazer; depois tivemos o senador Joe McCarthy, que fez a campanha anticomunista; a seguir tivemos George Wallace, o governador do Alabama racista que se candidatou à Casa Branca. Há uma longa tradição. Podemos aprender com a nossa História, a começar pelos nossos sucessos: como é que nenhum destes homens conseguiu ser Presidente?”.


 



 



 

domingo, 14 de agosto de 2016

Perigosos incendiários florestais

Incendios_4.JPG


Saído do algarve viajo em direção ao norte. Acima da linha do rio Tejo os cheiros do mar substituem-se ao odor a esturro das florestas queimadas.


Os incêndios devastam serras, florestas, perigam povoações, casas, animais e pessoas que vivem nas redondezas por onde o fogo se propaga sem contemplações iniciado por mãos criminosa aliciadas por dinheiro fresco, ganho apenas com o trabalho de riscar um fósforo destruindo bens e vidas de quem se sustenta com trabalho duro.  


Nesta época do ano, parca em acontecimentos políticos que não possibilitam a captação de audiências os órgãos de comunicação social televisivos não têm mãos a medir e as redações aproveitam este filão noticioso.


As notícias sobre a destruição de património florestal pelos incêndios substituem-se aos comentários especulativos e às notícias sobre política tendenciosamente desestabilizadoras. 


Na época de incêndios, como se estes fossem uma época, como pomposamente os canais de televisão denominam os incêndios logo no início da primavera e do verão, na sua ânsia de informação, e de “serviço público como tão bem sabem fazer”, convidam toda a espécie de sumidades e personalidades entendidas sobre florestas, incêndios, ordenamentos, para entrevistas e debates sobre o tema. Todos os anos dizem o mesmo, especulam, peroram, defendem, atacam.


Ao longo de mais de trinta anos os incêndios passaram a ser a regra e não exceção. A partir de maio, assim que a meteorologia prevê aquecimento estão eles, os diligentes e atentos das redações dos canais de televisão antecipando notícia do que preveem irá ser notícia. Isto é, preveem aquilo que vai acontecer sem saberem se vai de facto acontecer. Há uma estranha sensação de que preparam, estimulam, aliciam para que aconteça, para que haja notícia.


No calor dos incêndios, as populações acodem, socorrem, apoiam quem acorreu em seu auxílio, os incansáveis bombeiros, quando podem. Os canais informativos primeiro, depois os generalistas, repetem até a exaustão notícias cada vez mais assustadoras e, para acalmar a raiva dos que por toda a parte clamam por justiça avançam com progressos efetuados pelas várias polícias na detenção de presumíveis incendiários. Falam em culpados, suspeitos, indiciados, fazem prisões preventivas, informam sobre números de suspeitos e que as polícias detiveram ou que se encontram em averiguação. Divulgam o perfil dos potenciais incendiários, inimputáveis, uns, outros são geralmente novos ou idosos, desempregados, alcoólicos oue toxicodependentes e, caso estranho, utilizam isqueiros ou fósforos para iniciar o incendio. Estranho seria que utilizassem lança-chamas!


Fazem-se petições para agravamento de penas para incendiários. Juízes sentenciam que os reincidentes pirómanos retornem à prisão durante a época estival. Mas não será isto apenas para acalmar a voz do povo que especula nas ruas, nos cafés, nos bairros que, sem compreender, atribui e aponta as mais diversas as causas para estes atos criminosos?


Na voz de alguns países, nossos parceiros da U.E., somos quase uma espécie de párias, não o dizem, mas de forma mais diplomática lá o vão dizendo de modo a ser politicamente correto. Agora somos um povo de perigosos de incendiários e, neste ponto, temos que lhes dar razão se nos chamarem PIF’s, povo de Perigosos de Incendiários Florestais. Custa-me dizê-lo mas a evidência confirma-o, diariamente, nas últimas três semanas.


Surgem notícias rebuscadas com imagens que mostram incêndios noutros países como em Espanha e em França. É como quem diz: veem não é só cá! E o povo reproduz. Funciona como uma espécie de purga para as consciências face aos desastres premeditadamente provocados por indivíduos ou grupos de incendiários. Não se queira comparar o que é incomparável. Uns, são casos pontuais, outros, os nossos, em Portugal, são sistemáticos, organizados e de cariz marcadamente criminoso. Especula-se sobre as causas que motivam estes atos criminosos que terminam quase sempre em culpados cujo perfil atrás referi.


Se pudéssemos ao longo dos últimos trinta anos, cartografar os dados de áreas ardidas, para um analisar e comparar as suas localizações, dias e horas do início das ignições e dos alertas, a importância económica e ecológica das áreas incendiadas, os locais de importância paisagística para o turismo, a proximidade de reservas naturais para uma análise temporal daquela informação cartografada provavelmente mostraria um padrão que indiciaria que não há aleatoriedade e ocasionalidade dos incêndios mas um planeamento prévio que pressupõe a existência de uma rede de terrorismo incendiário, cobarde e sem rosto, muito bem organizada com objetivos definidos a médio e longo prazo. A média e grande extensão dos incêndios incontroláveis, como o foram os deste verão, mostra exatidão nos locais, a utilização das previsões meteorológicas relevantes para a prática deste terrorismo, o conhecimento da impossibilidade da plena eficácia de meios no combate ao incêndio nas áreas escolhidas a que se junta a seleção de indivíduos que são facilmente aliciados com motivações que vão para além das aparências apontadas ou o maluquinho da aldeia ou o sujeito ou sujeita que resolveu fazer um fogacho para uma sardinhada e que não teve cuidado. Como ouvi dizer o presidente da Cáritas portuguesa, há forças ocultas que estarão por detrás disto.


Funcionam como máfias organizadas onde quem está no terreno desconhece quem é o mandatário do crime ou até a motivação para tal. Um desconhece o agente imediatamente anterior, Não é justificável qualquer que seja a motivação para que portugueses destruam o país onde vivem.


Na Europa temos a fama de sermos um povo que vive acima das suas possibilidades, gastador, acusação que é, como se sabe, falaciosa, agora de sermos considerados um povo perigosamente incendiário é que já não nos livramos.


Hoje é o dia em que o querido líder do PSD Passos Coelho vai dizer as balelas do costume no Pontal o que centrará as atenções dos órgãos de comunicação social que aproveitarão para o “puxar para cima”, e os incêndios passaram à história.

Perigosos incendiários florestais

Incendios_4.JPG


Saído do algarve viajo em direção ao norte. Acima da linha do rio Tejo os cheiros do mar substituem-se ao odor a esturro das florestas queimadas.


Os incêndios devastam serras, florestas, perigam povoações, casas, animais e pessoas que vivem nas redondezas por onde o fogo se propaga sem contemplações iniciado por mãos criminosa aliciadas por dinheiro fresco, ganho apenas com o trabalho de riscar um fósforo destruindo bens e vidas de quem se sustenta com trabalho duro.  


Nesta época do ano, parca em acontecimentos políticos que não possibilitam a captação de audiências os órgãos de comunicação social televisivos não têm mãos a medir e as redações aproveitam este filão noticioso.


As notícias sobre a destruição de património florestal pelos incêndios substituem-se aos comentários especulativos e às notícias sobre política tendenciosamente desestabilizadoras. 


Na época de incêndios, como se estes fossem uma época, como pomposamente os canais de televisão denominam os incêndios logo no início da primavera e do verão, na sua ânsia de informação, e de “serviço público como tão bem sabem fazer”, convidam toda a espécie de sumidades e personalidades entendidas sobre florestas, incêndios, ordenamentos, para entrevistas e debates sobre o tema. Todos os anos dizem o mesmo, especulam, peroram, defendem, atacam.


Ao longo de mais de trinta anos os incêndios passaram a ser a regra e não exceção. A partir de maio, assim que a meteorologia prevê aquecimento estão eles, os diligentes e atentos das redações dos canais de televisão antecipando notícia do que preveem irá ser notícia. Isto é, preveem aquilo que vai acontecer sem saberem se vai de facto acontecer. Há uma estranha sensação de que preparam, estimulam, aliciam para que aconteça, para que haja notícia.


No calor dos incêndios, as populações acodem, socorrem, apoiam quem acorreu em seu auxílio, os incansáveis bombeiros, quando podem. Os canais informativos primeiro, depois os generalistas, repetem até a exaustão notícias cada vez mais assustadoras e, para acalmar a raiva dos que por toda a parte clamam por justiça avançam com progressos efetuados pelas várias polícias na detenção de presumíveis incendiários. Falam em culpados, suspeitos, indiciados, fazem prisões preventivas, informam sobre números de suspeitos e que as polícias detiveram ou que se encontram em averiguação. Divulgam o perfil dos potenciais incendiários, inimputáveis, uns, outros são geralmente novos ou idosos, desempregados, alcoólicos oue toxicodependentes e, caso estranho, utilizam isqueiros ou fósforos para iniciar o incendio. Estranho seria que utilizassem lança-chamas!


Fazem-se petições para agravamento de penas para incendiários. Juízes sentenciam que os reincidentes pirómanos retornem à prisão durante a época estival. Mas não será isto apenas para acalmar a voz do povo que especula nas ruas, nos cafés, nos bairros que, sem compreender, atribui e aponta as mais diversas as causas para estes atos criminosos?


Na voz de alguns países, nossos parceiros da U.E., somos quase uma espécie de párias, não o dizem, mas de forma mais diplomática lá o vão dizendo de modo a ser politicamente correto. Agora somos um povo de perigosos de incendiários e, neste ponto, temos que lhes dar razão se nos chamarem PIF’s, povo de Perigosos de Incendiários Florestais. Custa-me dizê-lo mas a evidência confirma-o, diariamente, nas últimas três semanas.


Surgem notícias rebuscadas com imagens que mostram incêndios noutros países como em Espanha e em França. É como quem diz: veem não é só cá! E o povo reproduz. Funciona como uma espécie de purga para as consciências face aos desastres premeditadamente provocados por indivíduos ou grupos de incendiários. Não se queira comparar o que é incomparável. Uns, são casos pontuais, outros, os nossos, em Portugal, são sistemáticos, organizados e de cariz marcadamente criminoso. Especula-se sobre as causas que motivam estes atos criminosos que terminam quase sempre em culpados cujo perfil atrás referi.


Se pudéssemos ao longo dos últimos trinta anos, cartografar os dados de áreas ardidas, para um analisar e comparar as suas localizações, dias e horas do início das ignições e dos alertas, a importância económica e ecológica das áreas incendiadas, os locais de importância paisagística para o turismo, a proximidade de reservas naturais para uma análise temporal daquela informação cartografada provavelmente mostraria um padrão que indiciaria que não há aleatoriedade e ocasionalidade dos incêndios mas um planeamento prévio que pressupõe a existência de uma rede de terrorismo incendiário, cobarde e sem rosto, muito bem organizada com objetivos definidos a médio e longo prazo. A média e grande extensão dos incêndios incontroláveis, como o foram os deste verão, mostra exatidão nos locais, a utilização das previsões meteorológicas relevantes para a prática deste terrorismo, o conhecimento da impossibilidade da plena eficácia de meios no combate ao incêndio nas áreas escolhidas a que se junta a seleção de indivíduos que são facilmente aliciados com motivações que vão para além das aparências apontadas ou o maluquinho da aldeia ou o sujeito ou sujeita que resolveu fazer um fogacho para uma sardinhada e que não teve cuidado. Como ouvi dizer o presidente da Cáritas portuguesa, há forças ocultas que estarão por detrás disto.


Funcionam como máfias organizadas onde quem está no terreno desconhece quem é o mandatário do crime ou até a motivação para tal. Um desconhece o agente imediatamente anterior, Não é justificável qualquer que seja a motivação para que portugueses destruam o país onde vivem.


Na Europa temos a fama de sermos um povo que vive acima das suas possibilidades, gastador, acusação que é, como se sabe, falaciosa, agora de sermos considerados um povo perigosamente incendiário é que já não nos livramos.


Hoje é o dia em que o querido líder do PSD Passos Coelho vai dizer as balelas do costume no Pontal o que centrará as atenções dos órgãos de comunicação social que aproveitarão para o “puxar para cima”, e os incêndios passaram à história.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Síntese duma ida e dum regresso ou a política nunca se esquece

Viagem a França.pngApós semanas de silêncio por ter andado por terras de Espanha e França do sudoeste volto aos comentários habituais sobre política já que a ausência da falta de imprensa e televisões nacionais foram um intervalo desintoxicante e porque o Euro 2016 parece ter-se sobreposto a tudo quanto é política. Mas a este ponto voltaremos no próximo comentário.


Em Espanha, antes das eleições, debates e mais debates televisivos entre os líderes dos quatro principais partidos encheram-me o papo com argumentos sem novidade.


Jajoy, do PP, defendendo uma direita desgastada, mantendo o mesmo estilo de velho conservador sem novidades e sem rumo, mas que fazia suspeitar ao que viria se ganhasse as eleições e que, de facto, veio a ganhar sem maioria absoluta.


O PSOE com Pedro Sanchez mais parecia uma balança desequilibrada cujo fiel da balança não conseguia encontrar. O PODEMOS é uma dose esquerda enfezada cujo receituário de algumas vitaminas que Jajoy lhe proporcionou e que lhe permitiu alcançar algum espaço desocupado pelo PSOE. Prometia referendos de independência para regiões que podem vir a ser caixas de Pandora. Pablo Iglésias apresentava propostas boas se não fossem desadequadas ao momento que a UE atravessa. Iglésias é um líder cujo carisma, postura e imagem foram criadas para ficar mais ajustado a um estereótipo da classe trabalhadora. Bem poderia ser um líder dum partido que poderia fazer história juntamente com o PSOE, mas a embriaguez do crescimento rápido conduziu-o a um certo radicalismo de esquerda que parece preferir que a direita esteja no poder a fazer cedência para mudança de rumo. É isto que tem prejudicado a esquerda em Espanha com sorrisos de contentamento da direita.


O PSOE lá conseguiu, afinal, o segundo lugar nas eleições, imediatamente à frente do PODEMOS. Em conjunto obtiveram nas cortes espanholas uma maioria de deputados superior ao PP. Porém para o PODEMOS a teoria do comportamento operante de Skinner parece não se aplicar, ao contrário dos ratinhos da investigação que, face a um reforço negativo encontram sempre a solução para sair do labirinto.


Em França na região onde me encontrava não se sentiu o efeito dos movimentos e greves da CGT contra a reforma da lei laboral. Aparentemente a política passa despercebida na azáfama dos enormes TIR que circulam sem parar fazendo filas imensas. Um trânsito intenso nas autoestradas, talvez devido ao Euro 2016, tornava as viagens cansativas para as quais o tempo também não ajudava, passando de violentas chuvadas que transmitiam insegurança para quem quisesse, mesmo a sol aberto, pôr o pé na praia de Biarritz onde surfistas faziam a rotina do vai e vem constante para tentarem apanhar a onda perfeita, à altura de cada um claro está, mas que nunca chegava. Era uma espécie de mito de Sísifo aplicado, sem desistência, até ao pôr-do-sol.


Finalmente, cheguei ao nosso Portugal. Com grande espanto ouço, sobre a questão das penalizações da UE por causa do não cumprimento dos dois décimos do défice, os disparatados argumentos de Passos Coelho e de alguns dos seus mais fiéis acólitos (ditos patriotas) que fazem parte do calhambeque que é hoje a oposição. Mas sobre isto irei escrever proximamente.


Quanto à saída do Reino Unido da UE como resultado do referendo outro espanto: a desresponsabilização e abandono de três influentes políticos como se nada tivesse acontecido por culpa deles e fogem como ratazanas dum navio que está prestes a afundar-se.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Seguidistas, colaboracionistas e os Pétain do século XXI

EURO_troika.png


Pétain foi o chefe do regime que executou as ordens de Hitler na França durante a ocupação militar da 2ª guerra, é o símbolo de uma humilhação, uma cicatriz na consciência nacional francesa. Philippe Pétain é condenado à morte por um tribunal de guerra francês, por colaboração com a Alemanha nazista, pena depois comutada em prisão perpétua. O colaboracionismo é assim uma política de colaboração com forças ocupantes.


O projeto da construção de uma união europeia teve como objetivo inicial criar uma relação forte entre a Alemanha e a França e reunir os restantes países europeus a fim de se construir uma comunidade com um destino comum. Isto foi o projeto que, a partir aproximadamente 2008, começou a ter um enviesamento que partiu do poder e dos interesses alemães na europa aos quais se associaram países do norte ricos e excedentários.


 


Após setenta anos encarregaram-se, alguns países, de fazer em paz o que não conseguiram fazer com a guerra. O colaboracionismo do tempo da guerra deu lugar ao seguidismo, procedimento daqueles que seguem uma ideia, teoria, autoridade ou um partido sem questionar ou fazer qualquer juízo crítico. O seguidismo pela solução política e financeira radical germânica para a gestão da crise veio da parte daqueles que cooperaram e cooperam por afinidade ideológica, simpatia, coincidência nos objetivos, medo ou, até, por coação de quem quer impor, com proveito próprio, políticas de quebra da soberania a países que devem ser livres e independentes.


 


O seguidismo é também traição porque tende a colaborar voluntariamente com quem impõe uma ordem, regras e normas contrários aos interesses de um país, seja por que forma for.


Por esta ótica e do ponto de vista político e social pode exemplificar-se em Portugal com o "grito" do primeiro-ministro, Passos Coelho, quando afirmou que queria "ir mais longe do que o imposto pela troika".  


 


Este tipo de seguidismo político, ideológico e económico tornou-se  mais evidente ao longo dos últimos anos. Basta recordarmos declarações do secretário de Estado dos Assuntos Europeus Bruno Maçães quando da visita deste germanista à Grécia em 30 de novembro de 2013 e lhe valeu o epíteto de "o alemão" na imprensa helénica. Isto é uma vergonha. É necessário que o povo deixe de ter a fama de memória curta.


 


No atual contexto da União Europeia, confrontada com uma quase declaração de guerra económica e financeira contra países que, encontrando-se numa situação de fragilidade financeira, foram, apesar disso, aceites na U.E. e na adesão ao Euro. As posições alemãs e dos seus aliados do norte eram mais do que evidentes: submeter à força da austeridade e de enormes sacrifícios sociais povos soberanos retirando-lhes força e vitalidade para os poderem subjugar à sua vontade. Os próprios tratados europeus são os contratos assinados da submissão. O caso português é um dos casos mais evidente de seguidismo, o caso da Grécia é outro caso especial porque a partir do momento em que em eleições livres laçaram um grito de libertação para contrariar as políticas seguidas pela Alemanha estão a ser cercados por um círculo de fogo lançado pelos seus parceiros europeus.


 


Pode sempre dizer-se que, no nosso caso, ninguém nos obrigou, nós é que, por força das circunstância, fomos pedir socorro e, daí, vir a troika tão desejada e elogiada pela direita. Isso é um facto, daí ao seguidismo de Governo subserviente como tem sido o atual foi um passo. Uma coisa é necessitarmos de ajuda numa emergência, outra é a intromissão abusiva sobre o que devemos fazer para podermos cumprir os compromissos assumidos. Obrigarem-nos a tomar medidas para, dizem, cumprir compromissos assumidos é a passagem de um certificado de desconfiança, incapacidade e incompetência de quem nos governa e nisso fomos iguais à Grécia.  


 


Baseiam-se no cumprimento dos acordos e compromissos para a imposição de condições unilaterais. Quem conhece alguma coisa sobre as máfias e sobre os compromissos referentes a empréstimos sabe que o não pagamento de dívidas, sem ser nos termos e condições impostas inicialmente, corriam o risco de lhe partirem braços, pernas e não raras vezes ameaçavam com a morte os devedores.


A morte física é um processo irreversível num ser vivo quando finalizam as atividades biológicas que caracterizam a vida. Um morto não paga dívidas por isso há todo o interesse em não matar o devedor.


O que está a acontecer na europa é uma morte lenta das economias mais frágeis com dívidas a aumentar a cada mês que passa e sem crescimento económico devido à austeridade férrea e teimosa com a intervenção opressiva de uns, a cumplicidade ativa de outros e, ainda, a complacência de mais uns tantos, fazendo com que a recuperação seja difícil e o retorno a uma dinâmica económica de crescimento torne ainda mais difícil e tardio o cumprimento dos compromissos assumidos.


 


Alguns, "furiosos", outros, desorientados, outros ainda receosos pelo que se passou com as últimas eleições na Grécia desejam que falhe redondamente qualquer política que possibilite o crescimento da economia naquele país e acrescentam, repetidamente, que Portugal não é a Grécia. É a única verdade que dizem. De facto não somos a Grécia. Somos um povo medroso, oprimido, temeroso, encolhido e incapaz de tomar posições perante quem nos pretende impor a sua vontade sem atender mais nada. Se é difícil para a Alemanha recuar na sua política porque seria admitir, perante os seus eleitores, o seu falhanço da política de austeridade imposta até agora, em Portugal é satisfação do "ego" de quem nos governa que está em causa, o seguidismo acrítico e a intenção de demonstrar falaciosamente aos outros a eficácia da receita que matou o doente. Veja-se o último relatório do FMI que, apesar das contradições, insiste na aplicação da mesma receita, se possível agravada. 


 


Há comentadores, destituídos de qualquer espírito crítico e seguidistas de algo que falhou, que tudo aquilo que fazem não é mais do que espalhar mensagens negativas sobre o processo grego com o intuito de, por cá, amedrontar o povo. Lá fora o processo é idêntico mas com as mais altas individualidades europeias no sentido de atemorizar o povo grego e boicotar quaisquer alternativas mesmo que tenham em vista possibilitar o cumprimento dos compromissos assumidos.


É uma espécie de vingança porque a Grécia não quis votar de acordo com que aqueles, os outros, queriam.


 


Nota: Em maio de 2013 era a seguinte posição de Schauble:


Quinta-feira, 16 de maio, durante um fórum europeu em Berlim, Wolfgang Schäuble, ministro alemão das Finanças – próximo de Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional -, criticou fortemente o trabalho da Comissão Europeia. A fragmentação das responsabilidades em Bruxelas teria, segundo ele, estado na origem dos bloqueios do dossiê grego.


Talvez seja uma forma de este responsável político tentar contrariar a escalada do sentimento anti-alemão. Mas também é uma tentativa de encontrar os culpados da falha de um resgate que, três anos depois, está a deixar Atenas de rastos e cada vez mais atolada em dívidas.


Qualquer que fosse o objetivo, as afirmações de Schäuble fizeram eco da exasperação cada vez maior do FMI em relação a Bruxelas. “O FMI está farto e acha que na Europa é sempre tudo “too little, too late” (muito pouco, tarde demais)”, resumiu uma fonte próxima da liderança das conversações acerca do resgate de Chipre, em março.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A chantagem da europa

 


 


Eleições_UE_2.jpg

Eleições_UE.jpg



A europa atravessa tendências radicais nos países que vão a eleições este ano, daí a aflição de alguns setores europeus, nomeadamente da Alemanha de Merkel e do seu ministro das finanças Schäuble que inauguraram as pressões e a chantagem sobre a Grécia, face às previsões das próximas eleições de janeiro coadjuvados pelo assustado Holland e outros. Antecipam as maiores desgraças, anteveem a catástrofes, obrigam a condições, ameaçam com sanções, chantageiam e atemorizando os povos. Fazem reinar o medo. Aliás, parece ser esta a política seguida na União Europeia com a Alemanha a comandar o que, a nós, portugueses, já não é estranho porque Passos Coelho também utilizou e ainda utiliza o método da chantagem e do medo não apenas relativo ao passado com projeção no futuro.


A possibilidade do Syriza, partido  da esquerda radical da Grécia, poder vir a ganhar as eleições assim como o Podemos em Espanha poder obter um grande votação põe a direita europeia nervosa. Esta é a grande preocupação da Alemanha e de outros países lacaios que vêm a democracia como válida apenas e só se os partidos que eles entendem ganharem as eleições. Caso isso não suceda apontam a povos soberanos a arma do medo.


A democracia passará a estar em perigo na Europa se aceitarmos que, em eleições livres, devam ganhar apenas os partidos que outros achem devam ganhar.


Veremos se a mesma atitude, face aos partidos extremistas da direita de Marine le Pen em França, se levantarão vozes ameaçadoras na Europa caso a tendência, em altura própria, seja a de poder vir a ganhar eleições.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Geronto-nazismo

 



A intolerância, a perseguição e a discriminação de quaisquer grupos específicos seja por motivos rácicos, políticos ou outros entram no campo da ideologia neonazi. A estes movimentos neonazis são atribuídos crimes que, em certos casos, se podem classificar como genocídios. Apenas como curiosidade veja-se apenas um pequenino extrato da doutrina nazi: “… algumas culturas… eram vistas como parasitária ( Subhumans ), principalmente judeus, mas também ciganos, homossexuais, deficientes e os chamados antissociais, os quais foram considerados lebensunwertes Leben (indignos da Vida), devido à sua deficiência percebida e inferioridade.” A isto faltaria, talvez, acrescentar os idosos.


 


Há um aumento generalizado da extrema-direita na Europa ao qual as notícias em Portugal não têm dado muita relevância a não ser por altura de eleições ou quando há sondagens em alguns países europeus como, por exemplo, em França com o crescimento do partido Frente Nacional da extrema-direita. Nem sempre alguma direita radical estará conotada com os movimentos neonazismo mas, na sua maior parte, muitos destes grupos formados essencialmente por jovens têm vindo a infiltrar-se naqueles partidos mais à direita. 


 


Uma eurodeputada holandesa do grupo dos Socialistas e Democratas afirmou à Euronews que “Estes grupos antigamente marginais estão a crescer cada vez mais. O que é assustador é o facto de os partidos de direita se apropriam desse discurso e o colocam em prática”.


 


Em Portugal, nos últimos meses, o Governos e os seus apoiantes têm fomentado uma animosidade relativamente ao vasto grupo de idosos reformados e pensionistas. As abordagens neonazis podem começar, por exemplo, com afirmações como as do deputado do PSD, Carlos Peixoto, (para quem não o conhecer basta clicar no nome), ao dizer ou escrever que: “A nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha." E acabou assim: "Se assim não for, envelhecemos e apodrecemos com o País.". É este o pensamento de um deputado do PSD. Digam-me se isto tem ou não contornos de um neonazismo que, com mais propriedade, qualifico com um novo léxico: geronto-nazismo.


 


A exaustão pela asfixia financeira dos idosos, obrigados a descontar, enquanto no ativo, durante dezenas de anos para terem direito a uma reforma proporcional aos seus rendimentos, não se verifica somente pela obrigação de descontos para o IRS (coisa nunca vista em nenhum país), taxas especiais de solidariedade (inversão dos fatores!), cortes nas reformas e outras que seguirão, levando ao empobrecimento progressivo. Acresce a tudo isto o aumento do IMI, das rendas de casa, da eletricidade, do gás, da água, dos transportes, dos bens de primeira necessidade que, para quem defende tudo isto, acham que são supérfluos, mesmo a alimentação. Até parece que se pretende que este grupo social já não precise de se alimentar convenientemente para morrem mais rápido. É este o pensamento de quem nos está a governar e que, por lapso, muitos colocaram no poder porque fizeram crer que iriam salvar os portugueses, sabe-se lá de quê, e cada vez mais os afundam sem retorno.


 


Pretendem os que nos governaram e governam, assim como certo capital financeiro, colocar a culpa do infortúnio da situação portuguesa sobre os reformados, isentando-se das causas que nos conduziram a esta situação.   


 


São jovens (pelos quais tenho e sempre tive muita estima visto que também sou pai e professor) são agora a classe suprema e especial que se deve sobrepor a tudo e que se incentivam a culpabilizar os mais velhos por serem os causadores do desemprego dos jovens, entre outro disparates, como em tempo disse um senhor que, bem-vinda a hora, já saiu do Governo, para provocar divisões e rutura na coesão social.


 


Os senhores que defendem aquele tipo de ideias, não vão com certeza encontrar a fonte da eterna juventude, mas saberão na altura, quando chegar a vez deles, tomar medidas para se protegerem.


 


A tudo isto resta apenas acrescentar o que alguns poderão estar a pensar: Temos que arranjar para os velhos uma solução final, natural e subtil, através da exaustão por asfixia financeira até à morte, porque não polui o ambiente.

Geronto-nazismo

 



A intolerância, a perseguição e a discriminação de quaisquer grupos específicos seja por motivos rácicos, políticos ou outros entram no campo da ideologia neonazi. A estes movimentos neonazis são atribuídos crimes que, em certos casos, se podem classificar como genocídios. Apenas como curiosidade veja-se apenas um pequenino extrato da doutrina nazi: “… algumas culturas… eram vistas como parasitária ( Subhumans ), principalmente judeus, mas também ciganos, homossexuais, deficientes e os chamados antissociais, os quais foram considerados lebensunwertes Leben (indignos da Vida), devido à sua deficiência percebida e inferioridade.” A isto faltaria, talvez, acrescentar os idosos.


 


Há um aumento generalizado da extrema-direita na Europa ao qual as notícias em Portugal não têm dado muita relevância a não ser por altura de eleições ou quando há sondagens em alguns países europeus como, por exemplo, em França com o crescimento do partido Frente Nacional da extrema-direita. Nem sempre alguma direita radical estará conotada com os movimentos neonazismo mas, na sua maior parte, muitos destes grupos formados essencialmente por jovens têm vindo a infiltrar-se naqueles partidos mais à direita. 


 


Uma eurodeputada holandesa do grupo dos Socialistas e Democratas afirmou à Euronews que “Estes grupos antigamente marginais estão a crescer cada vez mais. O que é assustador é o facto de os partidos de direita se apropriam desse discurso e o colocam em prática”.


 


Em Portugal, nos últimos meses, o Governos e os seus apoiantes têm fomentado uma animosidade relativamente ao vasto grupo de idosos reformados e pensionistas. As abordagens neonazis podem começar, por exemplo, com afirmações como as do deputado do PSD, Carlos Peixoto, (para quem não o conhecer basta clicar no nome), ao dizer ou escrever que: “A nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha." E acabou assim: "Se assim não for, envelhecemos e apodrecemos com o País.". É este o pensamento de um deputado do PSD. Digam-me se isto tem ou não contornos de um neonazismo que, com mais propriedade, qualifico com um novo léxico: geronto-nazismo.


 


A exaustão pela asfixia financeira dos idosos, obrigados a descontar, enquanto no ativo, durante dezenas de anos para terem direito a uma reforma proporcional aos seus rendimentos, não se verifica somente pela obrigação de descontos para o IRS (coisa nunca vista em nenhum país), taxas especiais de solidariedade (inversão dos fatores!), cortes nas reformas e outras que seguirão, levando ao empobrecimento progressivo. Acresce a tudo isto o aumento do IMI, das rendas de casa, da eletricidade, do gás, da água, dos transportes, dos bens de primeira necessidade que, para quem defende tudo isto, acham que são supérfluos, mesmo a alimentação. Até parece que se pretende que este grupo social já não precise de se alimentar convenientemente para morrem mais rápido. É este o pensamento de quem nos está a governar e que, por lapso, muitos colocaram no poder porque fizeram crer que iriam salvar os portugueses, sabe-se lá de quê, e cada vez mais os afundam sem retorno.


 


Pretendem os que nos governaram e governam, assim como certo capital financeiro, colocar a culpa do infortúnio da situação portuguesa sobre os reformados, isentando-se das causas que nos conduziram a esta situação.   


 


São jovens (pelos quais tenho e sempre tive muita estima visto que também sou pai e professor) são agora a classe suprema e especial que se deve sobrepor a tudo e que se incentivam a culpabilizar os mais velhos por serem os causadores do desemprego dos jovens, entre outro disparates, como em tempo disse um senhor que, bem-vinda a hora, já saiu do Governo, para provocar divisões e rutura na coesão social.


 


Os senhores que defendem aquele tipo de ideias, não vão com certeza encontrar a fonte da eterna juventude, mas saberão na altura, quando chegar a vez deles, tomar medidas para se protegerem.


 


A tudo isto resta apenas acrescentar o que alguns poderão estar a pensar: Temos que arranjar para os velhos uma solução final, natural e subtil, através da exaustão por asfixia financeira até à morte, porque não polui o ambiente.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Revista SÁBADO. Gonçalo Bordalo Pinheiro – As perguntas da semana

 

 


 


Gonçalo Bordalo Pinheiro na Revista Sábado de 11 de Outubro de 2012 na rubrica da semana voltou ao tema da TSU. Independentemente de termos opiniões de esquerda ou de direita, que valem o que valem, há uma questão ética que deve ser salvaguardada, que é a primazia da explicação quando se fazem comparações, especialmente quando se entra em conta com números.


Muito haveria a dizer sobre as opiniões acerca da TSU que o sr. Bordalo Pinheiro tece, não o do manguito, mas o da Revista Sábado que normalmente leio. Como cidadão comum vou localizar-me apenas num ponto que ele refere e que passo a transcrever: “Foi isso que a Alemanha e a Dinamarca fizeram ao baixar a TSU das empresas no passado e é isso que a França se prepara para fazer ao baixar a TSU das empresas agora…”. Pois diz muito bem, a Alemanha e a Dinamarca fizeram-no no passado, mas progressivamente e ajustado ao longo do tempo. Progressivamente digo e não atabalhoadamente e à pressa como em Portugal se queria fazer. Não, a desculpa da troika não serve! Por outro lado, o sr Bordalo Pinheiro não refere que, naqueles países, o aumento tenha sido efetuado através do aumento da taxa que cabe ao trabalho. Seria bom que se informasse que, na Dinamarca, as empresas não pagam uma taxa para segurança social, pagam-na sobre a forma de imposto na globalidade e a TSU do trabalho é idêntica à de Portugal (10,7%), apesar de ter um nível de vida superior ao nosso. Mas mais, não sei se sabe que a França tem uma TSU das empresas muito alta 41,6% e, sobre o trabalho, 13,7%, apenas 1,3% acima da portuguesa, e também neste país o nível de vida é muito superior ao nosso. Ao fazermos comparações temos que ter em conta várias variáveis sem as quais os números servem apenas para enganar incautos.


Quanto ao resto, com já disse, abstenho-me de comentar porque nem vale a pena.


Vamos ser claros, ter opções de direita ou de esquerda é uma coisa, enganar e confundir deliberadamente quem nos lê é outra.


 

Revista SÁBADO. Gonçalo Bordalo Pinheiro – As perguntas da semana

 

 


 


Gonçalo Bordalo Pinheiro na Revista Sábado de 11 de Outubro de 2012 na rubrica da semana voltou ao tema da TSU. Independentemente de termos opiniões de esquerda ou de direita, que valem o que valem, há uma questão ética que deve ser salvaguardada, que é a primazia da explicação quando se fazem comparações, especialmente quando se entra em conta com números.


Muito haveria a dizer sobre as opiniões acerca da TSU que o sr. Bordalo Pinheiro tece, não o do manguito, mas o da Revista Sábado que normalmente leio. Como cidadão comum vou localizar-me apenas num ponto que ele refere e que passo a transcrever: “Foi isso que a Alemanha e a Dinamarca fizeram ao baixar a TSU das empresas no passado e é isso que a França se prepara para fazer ao baixar a TSU das empresas agora…”. Pois diz muito bem, a Alemanha e a Dinamarca fizeram-no no passado, mas progressivamente e ajustado ao longo do tempo. Progressivamente digo e não atabalhoadamente e à pressa como em Portugal se queria fazer. Não, a desculpa da troika não serve! Por outro lado, o sr Bordalo Pinheiro não refere que, naqueles países, o aumento tenha sido efetuado através do aumento da taxa que cabe ao trabalho. Seria bom que se informasse que, na Dinamarca, as empresas não pagam uma taxa para segurança social, pagam-na sobre a forma de imposto na globalidade e a TSU do trabalho é idêntica à de Portugal (10,7%), apesar de ter um nível de vida superior ao nosso. Mas mais, não sei se sabe que a França tem uma TSU das empresas muito alta 41,6% e, sobre o trabalho, 13,7%, apenas 1,3% acima da portuguesa, e também neste país o nível de vida é muito superior ao nosso. Ao fazermos comparações temos que ter em conta várias variáveis sem as quais os números servem apenas para enganar incautos.


Quanto ao resto, com já disse, abstenho-me de comentar porque nem vale a pena.


Vamos ser claros, ter opções de direita ou de esquerda é uma coisa, enganar e confundir deliberadamente quem nos lê é outra.