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terça-feira, 12 de novembro de 2024

EUA empresa unipessoal com autocracia no poder

Trump eleições 2024-autocracia no poder.png


Início este texto com uma notícia que todos os jornais do EUA e também na Europa divulgaram em maio de 2024. O jornal inglês The Guardian notava que “Donald Trump compartilhou um vídeo na sua conta Truth Social fazendo referência a um ‘reich unificado’ se Trump vencer a eleição presidenciais em novembro”. Depois de ser criticado por isso em alguns setores por mais de meio-dia foi removido. Várias justificações foram dadas para tal pelos elementos da campanha.


O vídeo colocado na segunda-feira 22 de maio permaneceu no ar por 15 horas na manhã de terça-feira, apesar da referência ter sido apontada pelos meios de comunicação. Foi removido da conta do ex-presidente por volta das 10h do Leste EU na terça-feira.


Há quem critique os que não veem na vitória de Trump bons prenúncios para os EUA e para parte do resto do Mundo. Um deles é Jaime Nogueira Pinto que numa entrevista ao jornal SOL em modo de crítica escreveu: “Tive de ter paciência para ouvir teorias espantosas sobre o mal que vem ao Mundo com Trump”. Hoje mesmo (8/11) o Diário de Notícias publicou um artigo de opinião (ainda bem que é apenas uma opinião) onde ele defende o que para a maioria dos comentadores é mau porque na sua perspetiva não vai ser assim tão mau.


A culpa é da esquerda, diz ele, porque a “Esquerda conseguiu que Hitler e do Holocausto ficassem eternamente colados à “Direita”. Logo, parece que o mau apenas o é porque a esquerda assim o disse. Claro que, também classificou como muito mau, e bem, que são maus “os horrores do comunismo, ou os absolvesse como parte dos danos colaterais do Bem e da Virtude – das Fomes da Ucrânia ao Arquipélago de Goulag, dos massacres de Budapeste ao Grande Salto em Frente da China”. E conclui: “todo o líder que começa a ensombrar o domínio da Esquerda passa automaticamente a “fascista” e a “novo Hitler”. A culpa é da esquerda que assim os denomina, porque se não fosse isso não eram maus seriam até bons! E, pondo de lado a esquerda ou a direita, face à objetividade dos factos para Nogueira Pinto a maldade dos fascistas e autocratas é tudo invenção dos media?


Para Nogueira Pinto as ideias e os pensamentos expressos que conduzem a ilações de fascista ou de “novo Hitler” ditas pelos interlocutores, neste caso Trump, é a Esquerda que fica perturbada pela sua perda de influência, logo os classifica daquele modo.


Para ele os media são facciosos porque os media de referência nos impõem “ad nauseam” como única referência, como única causa moralmente superior, verdadeira, democrática, virtuosa... um dos lados.”. Jaime Nogueira Pinto só tem um olho, porque o outro está obscurecido, se assim não fosse teria visto o que os media laçam cá para fora sobre as atrocidades discursivas “trumpianas”. Nogueira Pinto passa ao lado do que Trump disse durante a campanha o que parece não ter apreciado.


Vamos agora analisar possíveis consequências e receios da vitória de Donald Trump. Uma primeira vantagem para Trump segundo o Euronews foi a fortuna pessoal de Trump ter aumentado com a subida das ações da sua empresa de comunicação social após terem saído os resultados.


Por outro lado, Trump parece ter lido o compêndio resumido do “Mein Kampf” já que muitas das suas afirmações durante a campanha assim o mostram como se verá adiante.


O que de facto preocupa a maior parte do Mundo é a resposta à questão:  o que espera o Mundo de Donald Trump? Ao analisarmos as palavras que Trump disse nos comícios e se avaliarmos o que isso sugere e pode significar perceber-se-á sem esforço.


Recordemos e comparemos alguma palavras que ditadores do passado e do presente utilizaram e utilizam para atrair os sem escrúpulos, os plenos de egoísmo que vêm naquele tipo de linguagem a salvação dos problemas que os afligem e ao povo.


Se tivermos atenção as intervenções de Trump nos comícios perceberemos como palavras sensíveis e carregadas de “História” como “deportação”, “países de merda”, “vermes” ou “miseráveis” foram pronunciadas sem escrúpulo. Isto encontra-se em alinhamento com o pensamento de que “Se deseja a simpatia das grandes massas, deve dizer-lhes as coisas mais grosseiras e estúpidas.”(Adolfo Hitler)


Isto leva-nos a refletir sobre as semelhanças de pensamento de Trump com muitas das afirmações escritas no livro anteriormente referido,“Mein Kampf”. Repare-se numa das frases do discurso de vitória de Trump: “Muitos dizem que Deus me poupou a vida por um motivo”. Compare-se com o que Hitler terá escrito ou dito: “Quem disse que não estou sob a proteção especial de Deus?”.


Sobre a imprensa Trump expressou também a sua opinião sem embaraço sobre os media que não o apoiavam. Afirmou que os media davam notícias falsas e ameaçou destruir a imprensa e ameaçou jornalistas. Durante aa campanha e em entrevistas, Trump sugeriu que, se recuperar a Casa Branca, se vingará dos meios de comunicação que o irritam. Mais especificamente, Trump prometeu colocar repórteres na cadeia e retirar as principais redes de televisão de suas licenças de transmissão como retribuição pela cobertura de que não gostou.


Veja-se o que Hitler escreveu sobre a imprensa à época quando cumpria pena de prisão (1924): “Comecei também a examinar debaixo do mesmo ponto de vista a grande imprensa de minha predileção. À proporção que o meu exame se aprofundava diminuía o motivo de minha antiga admiração por essa imprensa. O estilo desses jornais era insuportável, as ideias eu repelia-as por superficiais e banais e as afirmações pareciam aos meus olhos conter mais mentiras do que verdades honestas.” (Mein Kampf, p. 58, tradução).


Assim, a reeleição de Trump pressagia um novo período de hostilidade com os principais meios de comunicação que buscam a imparcialidade, bem como com os meios de comunicação partidários que se lhe opõem. Isso leva-nos ainda a outro tipo de questões. O governo Trump transformará as suas palavras contra a imprensa em ações? Irá revogar as licenças das emissoras de televisão, como sugeriu várias vezes?


Porque há a promessa de Trump de limitar o acesso da imprensa à Casa Branca, impedindo repórteres de que não gosta. De facto, em 2023, horas antes dos seus comentários terem sido divulgados, segundo a AP (Associated Press), um aliado de longa data que deve ocupar um cargo de alto escalão na segurança nacional se Trump voltar à Casa Branca prometeu atacar jornalistas num segundo mandato de Trump.


Assim, os eleitores americanos votaram em alguém como Donald Trump que sobreviveu a uma condenação criminal, a acusações, a um atentado (?), a acusações de autoritarismo e a uma mudança sem precedentes de seu oponente. E, mesmo assim, numa surpreendente reviravolta política, será o próximo presidente dos Estados Unidos.


Parece que os potenciais planos desafiadores de Trump para derrubar o sistema político do país atraíram dezenas de milhões de eleitores. Conseguiu conquistar apoio entre os eleitores latinos e afro-americanos da classe trabalhadora, que deu ao Partido Republicano esperança de uma nova maneira de vencer em uma nação polarizada.


Os especialistas em política dos EUA apontam para que alguns eleitores viam Trump como a sua única opção para combater o que percecionavam como imigração descontrolada e para impulsionar a economia. Outros apontam para que alguns eleitores foram compelidos pelo poder de sua campanha. Mas muitos americanos acharam-no desagradável, e sua vitória pode dizer mais sobre a insatisfação do país os candidatos do Partido Democrata.


No New York Times num artigo de opinião do correspondente da Casa Branca escrevia que “Com sua vitória de regresso para recuperar a presidência, Trump estabeleceu-se agora como uma força transformacional remodelando os Estados Unidos à sua própria imagem.”.


Veremos como será, mas algo de bom não se espera para a América e para o Mundo.

sábado, 7 de novembro de 2020

Faço figas para que os EUA sejam normais outra vez

 


Trump_Biden-eleiçõesEUA (3).png


Em Portugal fazer figas simboliza os desejos de boa sorte e afastar o azar. No último texto que coloquei no blog atribui o título de “Façamos figas a Trump ou virá aí uma trumpestade que levará o Mundo a entrar nas trevas”. Parece que as figas terão funcionado, mas não foram as que lhe fiz foram as dos milhões de americanos que lhas fizeram.


Na passada quinta feira quinta-feira na Foreign Affairs o economista Daron Acemoglu, autor do livro “Por que as Nações Fracassam” colocava no título seu artigo que “Trump não será o último populista americano” e desenvolvia o tema escrevendo que “O populismo de direita não emergiu nos Estados Unidos graças ao tresloucado carisma de Trump. (…) Está estreitamente ligado a tendências económicas e políticas que afetam grande parte do mundo. Trump e o trumpismo são fenómenos americanos, mas o contexto em que cresceram é inegavelmente global.”


Trump poderá, como já prometeu, contestar nos tribunais os resultados e até pode fazê-lo nas redes sociais, nas ruas, seja lá onde for. Como tem sido o normal funcionamento da democracia nos EUA a vontade soberana dos americanos acabará por se impor e este país e o mundo ver-se-ão livres de um Presidente que tem o culto de si próprio como qual ditador que se preze, mentiroso, sectário e a quem lhe falta o perfil e  a compostura digna para liderar a maior potência do mundo. Apesar da derrota de Donald Trump ser uma boa notícia para o mundo resta saber, como alguns especialistas em política dizem, se o “trumpismo” não irá custar a ser erradicado do país. Biden não terá uma tarefa nada fácil para fazer a América outra vez normal. Eu, cá por mim, faço figas para afugentar o trumpismo e os trumpistas que irão com certeza tentar bloquear todo o processo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Façamos figas a Trump ou virá aí uma trumpestade que levará o Mundo a entrar nas trevas

 


Trump_eleiçõesEUA-3.png


Quando leio afirmações de chefes de partidos populistas da extrema direita a dizer que pretendem mudar o sistema e, para isso, servirem-see da democracia e das suas instituições, que dizem estar contaminados e corruptas para os seus objetivos, lembro-me de Donald Trump que durante a campanha presidencial em 2016 que falou do pântano da Casa Branca, não consigo evitar um sorriso de gozo e, ao mesmo tempo, de inquietação ao saber o que se passou posteriormente quando chegou à Casa Branca, chegou-se à oposição entre a decência e a falta de escrúpulo. Também não é por acaso que partidos da direita xenófoba europeia vêm na vitória de Trump um bom augúrio.


Disse Trump na altura da campanha presidencial de 2016 que iria “Secar” ou “drenar o pântano”. O sentido era acabar em Washington com os lóbis, com a troca de favores e misturas de interesses públicos e privados em Washington, dizia querer limpar o sistema.


No dia 10 de outubro do corrente ano o conceituado diário Newyork Times, jornal preferido pelos liberais, num jornalismo de investigação colocava em título “O pântano que Trump construiu” e em subtítulo “Um presidente-empresário transplantou a busca de favores em Washington para os hotéis e resorts de sua família - e ganhou milhões como guardião de sua própria administração”. O facto era sustentado pela investigação do jornal referindo-se aos antecedentes do império de Trump esclarecia que, quando ainda não era presidente, o império empresarial de Trump era bem mais frágil do que parecia: hotéis, resorts e outras propriedades a passar severas dificuldades financeiras, em muitos casos com perdas acumuladas de várias décadas.


Com a chegada à Casa Branca do presidente Trump foi ótima para a sobrevivência do empresário Trump. Depois das eleições, os negócios familiares passaram a ter uma fonte de receita até então inexistente: o dinheiro de todos aqueles que queriam algo do líder do mundo livre.


Segundo o Newyork Times assim que Trump chegou à Casa Branca, a empresa da sua família descobriu um novo e lucrativo fluxo de receita: eram pessoas que queriam algo do presidente. Uma investigação do The Times encontrou mais de 200 empresas, grupos de interesses especiais e governos estrangeiros que patrocinavam as propriedades de Trump enquanto colhiam benefícios dele e da sua administração.


Não se consegue perceber o que está a acontecer quando vemos um Presidente da maior potência do mundo decide de forma errática e oportunística. Donald Trump “já antes tinha atacado as instituições americanas, mas nunca tão abertamente Trump atacou as instituições da democracia, mas nunca tão abertamente como fez durante a noite, diz o Washington Post.


Sua falsa alegação de vitória, grito de “fraude” e ameaça de ação legal atingem o coração das eleições livres.


Será isto que o povo americano irá querer para seu Presidente?

Façamos figas a Trump ou virá aí uma trumpestade que levará o Mundo a entrar nas trevas

 


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Quando leio afirmações de chefes de partidos populistas da extrema direita a dizer que pretendem mudar o sistema e, para isso, servirem-see da democracia e das suas instituições, que dizem estar contaminados e corruptas para os seus objetivos, lembro-me de Donald Trump que durante a campanha presidencial em 2016 que falou do pântano da Casa Branca, não consigo evitar um sorriso de gozo e, ao mesmo tempo, de inquietação ao saber o que se passou posteriormente quando chegou à Casa Branca, chegou-se à oposição entre a decência e a falta de escrúpulo. Também não é por acaso que partidos da direita xenófoba europeia vêm na vitória de Trump um bom augúrio.


Disse Trump na altura da campanha presidencial de 2016 que iria “Secar” ou “drenar o pântano”. O sentido era acabar em Washington com os lóbis, com a troca de favores e misturas de interesses públicos e privados em Washington, dizia querer limpar o sistema.


No dia 10 de outubro do corrente ano o conceituado diário Newyork Times, jornal preferido pelos liberais, num jornalismo de investigação colocava em título “O pântano que Trump construiu” e em subtítulo “Um presidente-empresário transplantou a busca de favores em Washington para os hotéis e resorts de sua família - e ganhou milhões como guardião de sua própria administração”. O facto era sustentado pela investigação do jornal referindo-se aos antecedentes do império de Trump esclarecia que, quando ainda não era presidente, o império empresarial de Trump era bem mais frágil do que parecia: hotéis, resorts e outras propriedades a passar severas dificuldades financeiras, em muitos casos com perdas acumuladas de várias décadas.


Com a chegada à Casa Branca do presidente Trump foi ótima para a sobrevivência do empresário Trump. Depois das eleições, os negócios familiares passaram a ter uma fonte de receita até então inexistente: o dinheiro de todos aqueles que queriam algo do líder do mundo livre.


Segundo o Newyork Times assim que Trump chegou à Casa Branca, a empresa da sua família descobriu um novo e lucrativo fluxo de receita: eram pessoas que queriam algo do presidente. Uma investigação do The Times encontrou mais de 200 empresas, grupos de interesses especiais e governos estrangeiros que patrocinavam as propriedades de Trump enquanto colhiam benefícios dele e da sua administração.


Não se consegue perceber o que está a acontecer quando vemos um Presidente da maior potência do mundo decide de forma errática e oportunística. Donald Trump “já antes tinha atacado as instituições americanas, mas nunca tão abertamente Trump atacou as instituições da democracia, mas nunca tão abertamente como fez durante a noite, diz o Washington Post.


Sua falsa alegação de vitória, grito de “fraude” e ameaça de ação legal atingem o coração das eleições livres.


Será isto que o povo americano irá querer para seu Presidente?

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Fazer dos EUA uma democracia outra vez

Trump_eleiçõesEUA.png


Se é isto que os americanos pretendem para o seu país que foi considerado a maior democracia do mundo, o país das liberdades e diziam lutar pela liberdade dos povos, então, terão a oportunidade para isso nas eleições do dia 3 de novembro. Mas depois não nos digam que não sabiam.  Fazer dos EUA novamente grande outra vez é voltar à real democracia.


Raramente tenho dedicado neste blogue espaço para falar sobre Donald Trump, calha agora dias antes das eleições nos EUA.


O que se sabe sobre a presidência de Trump é o que a comunicação social nos vai informando e pelos jornais de referência dos EUA. As redes sociais o lá encontramos na sua maioria é apenas lixo desinteressante que nem para reciclagem serve.


Donald Trump é um autocrata, uma espécie de soberano absoluto e torna- se necessário que a américa o trave. Tem havido a tendência para um candidato a ditador autocrata, a exemplo de Donald Trump, seja apenas ridicularizado, como um palhaço político que não deve ser levado a sério. Será que há que veja a diferença entre os democratas e Donald Trump?


As ditaduras são construídas sobre o negacionismo. Atualmente os ditadores, sejam de esquerda, sejam de direita, assumem o poder gradualmente. Às vezes, um candidato a ditador é ridicularizado como um palhaço político que não deve ser levado a sério. Enquanto isso acontece, ninguém consegue acreditar que está a caminho da estrada da ditadura, algo que até agora seria impossível acontecer nos EUA.  


Os autocratas geralmente gozam de amplo apoio público para as suas medidas repressivas. Inicialmente, eles visam “outros”, enquanto a maioria aplaude. O público apenas reconhece a ameaça quando seja tarde demais. Os partidários que mais aplaudiram o autocrata são frequentemente sujeitos a expurgos ideológicos e tornam-se algumas das primeiras vítimas do regime.


Pelo que nos chegou ao fim de quatro anos no cargo, é impossível não perceber o que Trump realmente é. Ele é um sujeito que deseja poderes ditatoriais manifesta-se através de comportamentos antissociais, egocentrismo extremo, instabilidade e impulsividade, que são características da psicopatia, talvez congénita, como Mary Trump por meias palavras o classificou no seu livro “Demasiado e nunca Suficiente”.


Trump retirou do governo todos as que poderiam atrapalhar o seu caminho. Está agora rodeado por entusiastas como o procurador-geral William Barr e o secretário de Estado, Mike Pompeo, Secretário de Estado dos Estados Unidos desde 2018.


O general Mark Milley, que afirma ser oficial militar americano, caminhou pelas ruas de Washington, D.C. na noite da primeira segunda-feira de junho com Trump e Barr, enquanto militares dos EUA eram usados ilegalmente para atacar manifestantes e afastá-los para que Trump pudesse posar para uma foto segurando uma Bíblia em frente à Igreja Episcopal St. John’s, pensando que possuir uma Bíblia seria suficiente para reunir a sua base evangélica branca o que demonstrou ser um homem sem convicções morais.


 Segundo a imprensa americana na altura das manifestações contra a brutal morte de Floyd pela polícia de Minneapolis helicópteros militares voavam baixo sobre Washington, logo acima das cabeças dos manifestantes que protestavam contra o assassinato em 25 de maio. O barulho e as explosões aéreas vindas dos helicópteros foram usados para dispersar multidões (a presidente da autarquia de Washington, Muriel Bowser, disse que o Pentágono pediu tropas a Maryland e Virgínia sem o conhecimento do governo local.


Ainda segundo a imprensa america Trump revelou suas intenções autoritárias em uma teleconferência com os governadores estaduais, na qual os repreendeu por serem fracos diante dos protestos, exigindo que eles “dominassem” os manifestantes, ameaçando enviar tropas para seus estados se não atendessem às suas demandas. Trump também conversou naquele dia por telefone com o presidente russo Vladimir Putin; talvez ele estivesse recebendo dicas sobre como esmagar os dissidentes.


Num artigo de James Risen,  ex-repórter do New York Times e prémio Pulitzer de Reportagem Nacional de 2006, numa revista norte americana pode ler-se que “Trump a acelerar para um caminho em direção a uma ditadura porque o que resta do Partido Republicano está ansioso para que ele assuma cada vez mais poder. Trata-se, neste momento, de um partido identitário branco, cheio de velhos brancos que temem as tendências demográficas do aumento da diversidade. Eles não gostam da América como ela é agora e querem que Trump destrua as regras e leis que protegem as minorias, os pobres e os menos favorecidos”.


No início do mês, o congressista Matt Gaetz, seguidor de Trump, sugeriu uma resposta republicana aos protestos quando “pediu que todas as armas letais da guerra global contra o terror fossem trazidas para a américa e se voltassem contra manifestantes americanos. Gaetz colocou no Twitter a ameaça “Agora que vemos os grupos de oposição ao fascismo (Antifa) claramente como terroristas, podemos caçá-los como fazemos com aqueles no Oriente Médio?” Parece que o Twitter restringiu o acesso ao tuite de Gaetz, designando-o como como glorificação da violência. Republicanos como Gaetz que defendem o fim do estado de direito, vão acabar vendo a sua sobrevivência depender dos caprichos de Trump.


Se é isto que os americanos pretendem para o seu país que foi considerado a maior democracia do mundo, o país das liberdades e diziam lutar pela liberdade dos povos, então, terão a oportunidade para isso nas eleições do dia 3 de novembro. Mas depois não nos digam que não sabiam.  Fazer dos EUA novamente grande outra vez é voltar à real democracia.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

A propósito de Trump e das eleições nos Estados Unidos da América

Trump_Presidente6.png


Consideram-se deuses na terra, abençoados por Deus ou, ainda, profetas conduzidos por Deus para salvarem o povo. Donald Trump insere-se ele próprio neste perfil para poder iludir o povo dos Estados Unidos da América e os evangélicos dão-lhe também uma mãozinha.


Numa peça de reportagem televisiva após ele ter saído do hospital onde presumivelmente terá estado ou ainda está com a covid-19 ouve-se alguém, uma voz de homem a gritar vivas a Tump e a dizer “eu dava a vida por este homem!”. A onde chegou o povo e o desespero que leva os homens a acreditar em algo tão abjeto.  


A presidência de Donald Trump nos Estados Unidos da América tem sido, e ainda é, um pesadelo para a maioria real dos cidadãos americanos. Foi, de certo modo, um choque social explorado para obter vantagens sobre uma população desorientada pelos discursos populistas de quem escolheram para os liderar.


Em livros, documentários, artigos de opinião, notícias factuais e reportagens de investigação podem observar-se várias tendências como imposição de marcas, ascendência e influência de grandes fortunas sobre o sistema político e imposição global do neoliberalismo servindo-se do racismo e do espetro do medo do “outro”, causador da insegurança.


Trump é uma espécie



de monstro contruído com diversos pedaços de várias tendências perigosas de cariz racista e extremista fazendo uma espécie de guerrilha a tudo o que seja benéfico para a sociedade americana e global como sejam as leis antipoluição e programas humanitários que são trocadas pelo poder e a liberdade para as grandes empresas num sistema corrupto que é implantado à custa do dividir para reinar e através de espetáculos sistemáticos de distração mediática.


Não é desconhecido que o governo de Trump é formado por multimilionários proprietários de grandes empresas multinacionais assim como sujeitos da Goldman Sachs, o que é revelador dos objetivos pretendidos que era desconstruir o Estado administrativo que tem função proteger os cidadãos e os seus direitos. A obsessão pelo lucros levou Trump a nomear como vice-ministro da Defesa Patrick Shanahan que entretanto se demitiu do cargo e que era um alto executivo da Boeing que foi responsável pela venda de dispendioso material de guerra às forças armadas dos EUA e também dirigiu o programa de mísseis balísticos da Boeing cujos lucros subiriam se se fizesse subir as tenções internacionais aumentassem sob a presidência de Trump.


Trump nomeou após a tomada de posse Steven Mnuchin para secretário do Tesouro, entregando outro cargo importante na administração cuja principal qualificação é a lealdade pessoal a Donald Trump. Mnuchin é um banqueiro que trabalhou para a Goldman Sachs e não tem experiência em política ou política. Suas opiniões sobre as questões são um mistério total e completo e, de facto, a sua própria nomeação foi contra grande parte da retórica de Trump durante a campanha. Gary Cohn ex-diretor de operações do Goldman Sachs foi nomeado para diretor do Conselho Económico Nacional da Casa Branca pata iniciativas económicas, que   em março de 2018 renunciou ao cargo  de principal conselheiro económico de Trump, após discordar da decisão do presidente de impor tarifas sobre as importações de aço e alumínio.


Os pilares do projeto político de Trump são a destruição do papel regulador do Estado, o ataque ao Estado-providência e serviços sociais (Estado Social), supressão e descrédito da ciência climática, guerra contra imigrantes, incitamentos belicosos ao medo racial. É um projeto destinado a criar ondas de crise e de choque. Não estão excluídos os pretextos para a declaração de alguma espécie de estado de exceção ou de emergência para restringir as regras habituais que deixariam de vigorar. Projeto inserido numa agenda de Trump que requerem suspensões de normas democráticas fundamentais tais como as ameaças por ele já declaradas de chamar o exército para dominar a violência nas ruas, e o seu desejo de impor restrições à imprensa.   


Quando nos encontramos num estado de choque intencionalmente provocado em que há uma lacuna entre os acontecimentos e a nossa capacidade imediata de os explicar e à falta de uma narrativa explicativa as pessoas tornam-se vulneráveis e a autoridade de liderança nos dizem para termo medo e desconfiarmos uns dos outros aceitamos a pedido que abdiquemos dos nossos direitos em nome de todos e de um bem maior a segurança.


Trump "transformou o discurso retórico em uma forma de arte" e usa muitas palavras e palavras curtas para transmitir seu ponto de vista, é esse para alguns o seu segredo comunicativo, pessoas incultas e pouco exigentes apreciam um discurso “oco”, simples com palavras curtas e repetitivas.


Não é difícil reconhecer as marcas de um discurso do presidente Trump. Ele adota frases e repete-as indefinidamente. Ele marca frases com um punhado de superlativos e adjetivos exclamativos como “Ótimo!”, “Errado!” “TRISTE!”, “Fantástico”, “Formidável”, “Fake News”, “Embuste (hoax), mais de 250 vezes este ano”, faz promessas e garantias que não são mais do que verbalizações.


O palavreado de Trump é muito forte apesar de nem sempre ser apreciado por alguns setores do seu público, mas que tem um certo impacto. De certo modo porque esses mesmo setores pensam que ele “é igual a todos nós”, isto porque tem um repertório de palavras que aparece sempre na sua linguagem cotidiana.


A presunção de Trump ou, se quiserem, fanfarronice, é tal que afirmou em determinada altura que: “Só eu posso consertar” e não consigue admitir que não seja ele a pessoa que ajudará a superar a pandemia. Mesmo com a vacina para a qual tantos trabalharam e trabalham, Trump fabricou um argumento para tentar demonstrar que é ele quem merece o crédito.


A Revista Science de 1 de outubro de 2020 publicou um editorial onde recorda as palavras destrutivas de Trump quando os cientistas tentaram dizer-lhe que uma crise estava a aproximar-se quando disse que “eles preparam uma nova farsa". Quanto ao número extraordinário de vidas perdidas, afirmou que: “é o que é”. O plano de Trump para vencer o vírus era simplesmente dizer que “como um milagre, ele desaparecerá”. E quanto ao seu papel como líder de um país em crise, ele disse: “Não, eu não assumo nenhuma responsabilidade”. É seguro dizer que os presidentes Roosevelt, Kennedy e Reagan teriam dito algo mais reconfortante e profundo do que coisas como estas.


Mary Trump no seu livro “Demasiado e Nunca Suficiente – Como a minha família criou o homem mais perigoso do mundo”, publicado recentemente, afirma que a eventual reeleição de Donald Trump, nas eleições de 3 de novembro, significará o fim da democracia nos Estados Unidos. Numa entrevista ao jornal Público a esta questão a autora do livro, afirma que “Para eles, não existe nenhum limite. O Partido Republicano, tal como está actualmente constituído, não tem sentido de decência nem de honra. Se eles sentirem que é do interesse deles apoiar as queixas do Donald, vão fazê-lo. Tudo se resume à manutenção do poder pelo poder.”


Se combinarmos as psicopatologias do Donald e o acesso que ele tem ao poder, temos uma situação muito perigosa. Ele não tem qualquer controlo sobre os seus impulsos e não tem empatia. É mesmo muito assustador.


Os eleitores quando vão às urnas colocar o seu voto preocupam-se pouco em saber qual o perfil da pessoa em quem votam. Apenas sabem que é um fulano que fala bem e diz o que nós queremos ouvir. Este desinteresse pode fazer toda a diferença nos anos seguintes à sua eleição.


Há várias análises e estudos psicológicos do perfil de um ditador e todos apontam para os mesmos sintomas.  O ditador tem tendência para se agarrar ao poder. Tenta por todos os meios calar os críticos imprensa,  televisão e opositores ameaçando-os com demissões, encerramento mas, por outro lado, financia tudo quanto faça propaganda do regime, veja-se o caso de Donald Trump nas conferências de imprensa quantas vezes deixou de responder às perguntas dos jornalistas e até mandar estarem calados e acusando órgãos de comunicação social credenciados e de referência de lançarem para o ar notícias falsas.


Um ditador julga-se perfeito, nunca assume os seus erros culpa outros do tudo o que de mal acontece. Faz discursos empolgantes de dedo em riste apontando em todas as direções, culpabilizando todos menos ele para assim provocar a revolta das massas a seu favor. Não perde uma oportunidade de lançar ameaças quando alguém, mas pelo contrário quando a decisão lhe é desfavorável é a justiça que não presta.


Enleva a população com os seus discursos inflamados de ódio dividindo para tê-la sempre à mão, esquecendo o povo quando está a gozar dos privilégios que o cargo lhe confere. Perde, por vezes, o controle ameaçando todos os que não lhe prestam vassalagem, podendo de seguida dar o dito por não dito.


Tenho a convicção de que apesar de Trump ter tendências para o poder absoluto e para o autoritarismo e de o podermos incluir no perfil de um ditador  pelo seu ego estar próximo de alguns do passado, mesmo que apoiado pelos republicanos  os EUA têm mecanismo da defesa democrática mesmo que debaixo de um neoliberalismo feroz e não estou a vê-los a enveredarem pelo caminho de ditaduras ou sequer do fascismo.


Sabemos que foi no seio das democracias que nasceram e se reproduziu em alguns países o fascismo, o nazismo e a autocracia que atribui o poder absoluto e ilimitado a quem detém o poder. Estas conceções de poder estão de regresso renovadas no populismos e aproveitando as liberdades possibilitadas pelas democracias para novamente emergirem, nus casos de forma subtil, noutros vão sendo aceites, não sem revolta dos seus povos em países que, no passado, se insurgiam contra o totalitarismo leninista-estalinista sob domínio da ex-união soviética.


Há países que se apresentam como exemplos da defesa das liberdades e da democracia, mas que, ao mesmo tempo, apoiaram ditaduras selvagens noutros países com intuitos de defesa dos seus interesses económicos e geoestratégicos, muitas vezes até desencadeando e dando apoio a fações em guerra regionais. Os Estados Unidos da América é o país que mais se exemplifica como o espaço é vivido em liberdade e em democracia liberal.


Em época da proximidade de eleições nos EUA e durante os últimos quatro anos o que verificámos foi a tentativa de cavalgamento da autocracia e dos interesses individuais de um presidente para impor a sua vontade e o culto da personalidade sobre a democracia.


Este pressuposto conduz-nos por associação a regressar ao passado desconhecido dos mais jovens a quem na prática lhes é restringido o acesso à história dos finais do século XX, quando a Europa ficou sujeita a ditaduras totalitárias.  


As organizações totalitárias de governo são ditaduras impostas por um só partido, nacionalista, racista, militarista e imperialista. São consideradas como formas de política a ser exercida por um Estado com o objetivo da sua expansão através de captura territorial ou pelo domínio económico, político e social sobre uma população ou sobre outros Estados.


A primeira nação a tornar-se fascista na Europa foi a Itália em 1922 a que seguiu a Alemanha em 1933 altura em que nos EUA governava o presidente Franklin Roosevelt que teve como objetivo recuperar e reformar a economia norte-americana, após a grande depressão.  


Uma ditadura pode estar apoiada no prestígio pessoal do ditador que pode ter ou não o apoio do povo que pode não ser a maioria. Um sistema deste tipo pode nascer num país com ou sem qualquer experiência democrática.


A experiência do passado demonstrou que, quanto mais violentos e de aplicação do terror forem os movimentos fascistas mais existe a tendência para terem um grande apoio popular. Na sua altura e de início o nazi/fascismo na Alemanha foi o mais brutal e o mais popular. Na Itália menos brutal e menos popular, com Mussoli. As ditaduras de Espanha e de Portugal foram as mais tradicionais e moderadas e assentavam nas forças da burocracia e do exército.


As sociedades mais desenvolvidas e industrializadas provocam tensões económicas e sociais que normalmente são tratadas por um processo liberal ou por um processo totalitário. O fascismo é o método totalitário de resolver conflitos dentro de uma sociedade evoluída que, atualmente, voltam a ser sujeitas a pressões económicas e sociais contraditórias.


O totalitarismo nazi na Alemanha não chegou ao poder por um golpe de estado ou militar. No partido nazi entre 1919 e 1932 havia filiados de todos os grupos sociais. Entretanto os votos no partido nazi cresceram entre 1932 e 1933 levando o nazismo ao poder através de eleições.


Questiona-se como foi possível tal subida e a chegada ao poder do partido nazi. Havia um terreno fértil para o crescimento das ideologias totalitárias e dos partidos nacionalistas devido a uma profunda crise económica. O partido nazi, criado em 1920 começou como um pequeno partido sem expressão eleitoral, apelava ao nacionalismo através de um discurso xenófobo, populista e autoritário aproveitado pelo crescente descrédito dos partidos tradicionais incapazes de resolver os graves problemas do país. Após sucessivas eleições e crises políticas marcadas por uma crescente instabilidade e violência, o partido de Hitler conseguiu finalmente uma posição de vantagem eleitoral, afirmando-se como a principal força política da Alemanha. (Para saber mais consulte 2019, James Hawes, A Mais Breve História da Alemanha e Jason P. Coy, A Brief History of Germany, 2011).


Em países com experiência democrática implantada há um longo período não havia a probabilidade de um qualquer triunfo de partidos fascista e de extrema-direita, mas estes começaram a surgir nas últimas décadas à luz da democracia apresentando-se a concorrer às eleições em alguns países da Europa.  São exemplos a França (Rassemblement National de Le Pen), Suécia (extrema-direita, representada pelos Democratas Suecos, partido com raízes neo-nazis), Holanda, com Fórum pela Democracia (FVD), Reino Unido, Itália com o Liga, Alemanha com a AfD, e o Estados Unidos da América, entre outros,


Nos países de fortes tradições liberais e democráticas surgem quando a democracia está em risco de se tornar mais fraca e bastam o poder financeiro e económico, proprietários de grandes grupos económicos, para fornecerem fundos para movimentos fascistas ou pró-fascistas.


Onde a pressão da opinião pública é fortemente democrática e liberal os grandes proprietários de grupos económicos acham que não é boa estratégia apoiar grupos fascistas, mas quando as tradições e instituições democráticas forem frágeis esses mesmos líderes acham que é possível colocarem-se ao lado de causas fascistas.


O fascismo e a extrema-direita jogam habilmente com a inveja entre classes e grupos sociais (idêntico aos partidos comunistas radicais) e, ao mesmo tempo, fazem propaganda contra as grandes empresas, contra a corrupção, imigrantes, políticos, etc. Uma segunda origem importante para o surgimento e apoio ao fascismo, e numericamente a mais importantes, está nas camadas mais baixas das classes médias que detestam a possibilidade de se juntarem ou aproximarem aos assalariados das classes mais baixas e consideram o fascismo a salvação dos seu prestígio e situação na hierarquia social.


O empregado assalariado sente “inveja” das grandes empresas onde ele gostaria de subir a um degrau mais elevado da escala salarial e de chefia que seria um elevador social receando ao mesmo tempo a descida ao mundo do assalariado mais baixo para onde receia de descer.


Pelo que vamos observando na Europa e nos EUA não é desproporcionado o receio pelo que está a acontecer, embora em contexto socio políticos muito diferentes dos casos surgidos nas primeiras décadas do século XX.


Na Europa recente vemos governos democráticos cujos líderes enveredam por atitudes políticas com proximidades que denotam influência ou carácter fascista, como é o caso da Hungria de Viktor Orbán que, desde 2010, é primeiro-ministro e líder do Fidesz, um partido nacional-conservador de direita ou como a Bielorrússia de Aleksandr Lukashenko  talvez o último ditador da Europa no poder há cerca de 26 anos. Das cinco eleições vencidas por Lukashenko, apenas a primeira foi considerada livre e justa por monitores internacionais. Há ainda nos países da União Europeia partidos da extrema-direita nacionalista e populista que na última década do século XXI têm vindo a crescer e outros que têm surgido como novos partidos cuja lema está situado no espetro com franjas aparentadas às defendidas pelo nazismo. 


O caso dos EUA é sui generis, a ansiedade de preservar a posição social ameaçada é utilizada como a força psicológica mais explorada pela direita republicana e pelos grupos radicais extremistas e racistas da extrema-direita (grupos mais ou menos fascistas e fascizantes). A exploração dessa ansiedade concentra-se no poder do trabalho organizado que é considerado uma ameaça para o status quo existente.


 Na sensação de ser inútil em situação de desemprego ou por qualquer outro motivo, como por exemplo a aposentação e a de estarem fora das camadas respeitáveis da sociedade, é onde os radicais extremistas vão recrutar elementos oferecendo-lhes algo que os faça sentir iguais entre os iguais, dizendo-lhes que é membro de uma raça ou país superior devolvendo-lhe a ficção de alguma dignidade que sentiram perder. O sentimento de frustração, ressentimento e insegurança é onde os de pretensões mais ou menos totalitárias podem transformar com facilidade a desilusão em ódio e agressão quer contra inimigos externos como internos.


A propaganda republicana dos EUA atualmente apoiada a descoberto pelos partidos de extrema-direita, xenófobos e racistas concentram as suas atenções no receio dos brancos pela subida dos negros na escala social. A atual presidência tem-se concentrado e explorado a hostilidade racista que é mais forte nos grupos cujo sentimento de insegurança das camadas mais baixas da classe média do que nas classes média e superior de nível de instrução mais elevado e melhor nível de vida.


Presentemente nos EUA há milícias armadas em espera de organização que se podem assemelhar às SA , "Divisão de Assalto", utilizadas no tempo do nascimento do nazismo na Alemanha na década de 1920 e 1930 que eram uma  organização paramilitar cujos métodos de intimidação violenta desempenharam um papel fundamental em fornecer proteção aos comícios e assembleias nazis.


Aliás a melhor prova é a que foi veiculada pelo próprio Donald Trump no debate de 29 de setembro ao Trump ameaçar atiçar extremistas nas eleições caso perdesse as eleições. O presidente, em vez disso, usou o tempo que lhe foi concedido para culpar o que chamou de "antifa e a esquerda" pela violência e para dizer aos Proud Boys para "recuarem e aguardarem".


Membros do grupo de extrema direita os Proud Boys de seguida celebraram com comentários feitos pelo presidente Donald Trump depois de ele ter sido instado  a condenar os supremacistas brancos, e recusou fazê-lo, durante o debate presidencial.


Segundo o jornal francês Figaro os Proud Boys são uma organização americana de extrema-direita, que se autodenomina uma fraternidade, que assume posições pró-Trump". A organização foi descrita como “um grupo de ódio” pelo Southern Poverty Law Center, uma associação que monitoriza grupos de extrema-direita".


A esperança é que os EUA continuam como até à chegada ao poder de Trump continue a ser um país de democracia liberal e defensores das liberdades, embora que sobre estes aspetos as ideologias tenham ainda muito a dize e a discutir.