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quinta-feira, 20 de março de 2025

Trump e o controle sobre a liberdade de imprensa

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Em todo o mundo extremas-direita, direitas radicais, autocracias ou outros modelos ditatoriais rejubilam com Trump no poder nos EUA. Há uma reciprocidade neste jubilo estes vêm-no como exemplo a seguir e Trump pretende pertencer a esse grupo.  Quanto aos plutocratas não precisam estar necessariamente dentro do governo para exercer o poder. Praticam-no por meio de grupos de pressão, garantindo leis favoráveis aos seus negócios e prejudiciais a outras pessoas tais como concentração de poder, leis que não protegem o trabalhador, violência ou leis coercivas para garantir o uso do território para determinadas empresas.


O que Trump tem vindo a fazer com as suas ordens executivas é colocar em causa a democracia dos EUA que era vista como um exemplo da democracia para o mundo e contra países com regimes ditatoriais, autocratas, sem esquecermos que, no passado, tiveram um contributo para o derrube de governos que não tivessem assentimento pelo regime americano.


As medidas executivas de Trump, para além de colocarem em causa o regime democrático americano, aproximam-se de pontos de vista ideológico e de atuação das ditaduras, autocracias, plutocracias e, algumas delas, próximo nazismo.


Um artigo publicado hoje no jornal Público relata que tem havido ameaças a juízes. Escreve que: “Confrontado com um número crescente de reveses e entraves à sua Administração nos tribunais, o Presidente norte-americano, Donald Trump, subiu esta semana o tom das suas críticas ao poder judicial, apelando ao Congresso para depor o juiz que decretou a suspensão da deportação de cidadãos estrangeiros à luz de uma lei do século XVIII, o Alien Enemies Act”. Não sei os que pensam disto os senhores apoiantes de Trump e também o partido CHEGA.


Se visitarmos a imprensa online dos EUA, alguns até próximos do Partido Republicano, verificamos que têm vindo a crescer críticas à atuação da presidência Trump conhecida como versão 2.0.


Donald Trump tem uma visão enraizada de que a comunicação social nos EUA é “verdadeiramente inimiga do povo” e que, por isso, deve ser substituída por fontes de informação alinhadas com as suas opiniões pessoais e sob o seu controle dos seus aliados. Disse-o em novembro de 2022, já depois de terminado o seu primeiro mandato.


A censura aos media tem sido um dos seus objetivos. No início de janeiro, por exemplo, a cartunista vencedora do Prémio Pulitzer Ann Telnaes renunciou ao seu cargo de longa data no Washington Post depois que o seu cartum de Bezos, (Jeff Bezos é o empresário fundador da Amazon e dono do The Washington Post), e de outros multimilionários da tecnologia subservientes a Trump foi retirado pelo jornal antes da publicação (ver imagem abaixo).


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Um colaborador freelance do jornal LA Times disse que um seu artigo foi alterado minutos antes da publicação para deturpar as suas opiniões sobre o perigo de Robert F. Kennedy Jr. para liderar o Departamento de Saúde.


É possível que nenhuma dessas decisões reflita a censura do governo, contudo, a censura direta não é a única maneira de minar a imprensa livre. Criar um ambiente no qual os órgãos de comunicação social comecem a fazer autocensura a opiniões sobre os que detêm o poder é uma maneira menos complicada de alcançar o mesmo resultado.


Têm sido significativas as críticas nos meios de comunicação social norte-americanos às ações da atual Presidência dos EUA sobre a liberdade de expressão e o excesso da atuação governamental. Uma preocupação recorrente é a suposta pressão do governo sobre as plataformas das redes sociais para suprimir conteúdo rotulado considerado como desinformação. Os críticos argumentam que esta abordagem infringe os direitos constitucionais visto que esbate a linha que separa o combate aos conteúdos nocivos e a restrição da liberdade de expressão.


Alguns meios de comunicação têm destacado os esforços do governo para regular o discurso online. Sugerem que essas medidas poderão estabelecer um precedente perigoso para o envolvimento do governo nas plataformas privadas. Isto tem gerado debates sobre a questão da garantia da segurança pública como justificação e a preservação das liberdades individuais.


Tudo isto reflete preocupações sobre o papel do governo na formação do discurso público e as potenciais implicações para os princípios democráticos. Além disso, críticos apontam para a intromissão em decisões privadas e apontam para haver um debate sobre o equilíbrio entre a justificação para o combate à desinformação como pretexto e a proteção da liberdade de expressão.


Críticas dos meios de comunicação norte-americanos às ações da atual presidência em matéria de palavras proibidas e remoção de documentos têm sido várias. Relatórios sugerem que agências federais estão a ser orientadas para eliminar dos documentos e sites oficiais certos termos considerados “woke”[i], como “diversidade”, “equidade” e até “mulheres”. O argumento parte do pressuposto de que este tipo de decisões mina a inclusão e a transparência, com alguns rotulando-o como uma tentativa de remodelar o discurso público para se alinhar com visões ideológicas específicas de Trump, e sugerem que são próximas das ditaduras. Estas medidas têm sido descritas como contraditórias entre o compromisso declarado sobre a liberdade de expressão e o equilíbrio que deve existir entre a aplicação de políticas e os princípios democráticos, o que tem originado discussão sobre o tema em vários artigos.


Os EUA que se afirmavam como os grandes defensores da liberdade, criticados pelos extremistas de esquerda, e se apresentavam como sendo o braço das democracias liberais do ocidente estão a caminhar e a aproximarem-se de ditaduras que parece estar a proliferar pelo mundo.


 


[i] «Sinónimo de políticas liberais ou de esquerda, que defendem temas como igualdade racial e social, feminismo, o movimento LGBTQIA+, o uso de pronomes de género neutro, o multiculturalismo, a vacinação, o ativismo ecológico e o direito ao aborto.

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Trump e os regimes totalitários e autoritários

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A comparação entre as políticas de Trump e as do regime nazi de Hitler que levaram à Segunda Guerra Mundial é um tópico sensível, controverso, complexo e sujeito a diferentes interpretações que exige uma análise detalhada e cuidadosa que não cabe neste texto, contudo poderemos fazer só algumas possíveis apreciações, é, por isso, prematuro estabelecer qualquer relação consistente.


O regime nazi, liderado por Hitler, cometeu atrocidades inigualáveis, incluindo o Holocausto, as políticas de Trump, apesar de criticadas por muitos, não alcançam a mesma escala de horror e devastação.


Hitler implementou um regime totalitário que eliminou brutalmente qualquer oposição e perseguiu sistematicamente minorias. A presidência de Donald Trump foi marcada, (durante o seu primeiro mandato, e parece no atual continuar pela mesma via), por polarização e desconfiança significativas, tanto dentro dos Estados Unidos quanto internacionalmente. Trump minou a confiança nas instituições democráticas e durante a sua última campanha eleitoral fomentou uma atmosfera de desconfiança e polarização.


Embora as ações e consequências das políticas de Trump com as de Hitler sejam substancialmente diferentes, as técnicas de manipulação de massas e de propaganda, (hoje mais sofisticadas e eficazes), demonstram alguns paralelismos históricos que não podem ser ignorados para o que alguns fatores contribuíram para essa atmosfera. O uso por Trump de linguagem e retórica divisionista, particularmente nas redes sociais desempenhou um papel significativo na promoção da polarização. Os seus frequentes ataques à comunicação social, os chamados media, a opositores políticos, até mesmo membros da sua própria administração, criaram um ambiente de conflito constante.


Algumas políticas de Trump foram altamente controversas:


A proibição de viagens a vários países predominantemente muçulmanos, a separação de famílias na fronteira EUA-México e enquanto outras eram alienadas como a reversão das regulamentações ambientais.


A resposta de Trump à pandemia COVID-19 foi, na altura, amplamente criticada por minimizar a gravidade do vírus, promover tratamentos não comprovados e de entrar em conflito com especialistas em saúde pública. Isso levou a uma falta de confiança na forma como o seu governo lidou com a crise.


As repetidas alegações de Trump de fraude eleitoral generalizada nas eleições presidenciais de 2020, apesar da falta de evidências, minaram a confiança no processo eleitoral e contribuíram para o motim do Capitólio em 6 de janeiro.


A abordagem “América Primeiro” de Trump e as suas críticas a alianças e acordos internacionais, como a NATO e o Acordo de Paris, prejudicaram as relações com aliados tradicionais e criaram incerteza no cenário global.


Estes motivos, entre outros, contribuíram para uma atmosfera de desconfiança e polarização durante a anterior presidência de Trump. Veja-se atualmente o que a administração Trump está a fazer com os imigrantes ilegais. Donald Trump, disse na última quarta-feira (26/01/25) que ordenará ao Pentágono e ao Departamento de Segurança Interna que preparem um centro de detenção de imigrantes na Baía de Guantánamo para até 30 mil imigrantes.


É inegável a utilização em ambos de retóricas inflamadas e divisionistas em que se incluem a criação de inimigos comuns, a exploração de medos e ansiedades populares para galvanizar o apoio das suas bases estratagema que Hitler também usou na altura.  Em ambos os casos, essa abordagem teve o efeito de intensificar as divisões sociais e políticas dentro dos seus respetivos países evidentes no uso de retóricas que apelam ao nacionalismo e ao sentimento de frustração existente nos seus respetivos países. Hitler subiu ao poder explorando os medos da Alemanha pós-Primeira Guerra Mundial, enquanto Trump ganhou força política ao apelar para uma base de eleitores desiludidos com slogans como “Make America Great Again” e a sua propaganda anti-imigrantes.


Ambos criaram bodes expiatórios para os problemas dos seus países. Hitler culpou judeus, comunistas, ciganos, homossexuais e outras minorias, enquanto Trump tem como alvo os imigrantes, particularmente os mexicanos, e outras minorias étnicas e religiosas. Uma das políticas de Donald Trump foca-se na deportação de imigrantes ilegais e na implementação de medidas rigorosas para controlar a imigração, o que pode ser positivo, o problema está nas formas.


As perseguições e a forma como a administração Trump está a expulsar os imigrantes ilegais conforme prometeu têm também alguma coisa de desumano, ainda que se possa concordar com a decisão para controlar a população imigrante ilegal. Essas ações anti-imigração ilegais geraram medo e ansiedade entre as comunidades de imigrantes nos Estados Unidos. No entanto, repito, comparar essas políticas com o regime nazi pode ser exagero e até problemático, pois o contexto histórico e as intenções por trás das ações são significativamente diferentes. É crucial abordar essas questões com sensibilidade e uma compreensão clara das diferenças históricas e contextuais. É uma perseguição made soft.


Assim como  Hitler provocou o enfraquecimento das instituições democráticas e transformou a Alemanha num estado totalitário, Trump ataca a imprensa, desacredita o sistema judicial e questionou os resultados das eleições e terá estimulado o assalto ao Capitólio.


É importante lembrar que, embora as políticas de Trump tenham sido criticadas por serem desumanas e severas elas não se comparam diretamente ao genocídio e às atrocidades cometidas pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial.


Outro aspeto onde poderíamos sugerir haver pontos de contacto com a ideologia nazi é que esta tinha um total desprezo pela ciência e pelas artes. A posição de Donald Trump sobre a ciência tem sido um outro tópico de debate significativo. Durante a sua anterior presidência tomou várias decisões que foram percebidas como desdenhosas do conhecimento e das evidências científicas. Por exemplo, a forma como o seu governo lidou com a pandemia de COVID-19 e suas rejeições públicas de recomendações científicas levantaram preocupações entre a comunidade científica.


Apenas alguns dias se passaram desde que Trump voltou à presidência “as suas ordens executivas e nomeações fornecem pistas iniciais sobre como o segundo governo Trump poderá destruir o notável motor de ciência e tecnologia que impulsionou a economia americana por mais de três quartos de século”, escreve o Scientific American.


O ceticismo de Trump em relação às mudanças climáticas é outro exemplo notável. Ele referiu-se repetidamente às mudanças climáticas como uma “farsa” e retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris, que visava combater o aquecimento global. O seu governo também reverteu vários regulamentos ambientais, que muitos cientistas argumentaram serem cruciais para proteger a saúde pública e o meio ambiente.


Essas ações levaram ao sentimento de que como Trump tem desdém pela ciência, particularmente quando as descobertas científicas entram em conflito com seus objetivos e agenda política.


Quanto a medidas expansionistas Donald Trump fez várias declarações controversas sobre adquirir a Gronelândia, tornar o Canadá o 51º estado dos EUA e tomar controle do Canal do Panamá. Ele também mencionou que pretender mudar o nome do Golfo do México para “Golfo da América”. Essas declarações têm gerado preocupações e especulações sobre as suas intenções e o impacto que possa ter nas relações internacionais. Nestes pontos a aproximação é mais com o regime autoritário de Vladimir Putin da Federação Russa.


As comparações que possamos fazer também com o regime autoritário de Vladimir Putin pode ser excessiva, mas ambos os líderes têm mostrado tendências expansionistas e uma abordagem agressiva nas políticas externas. Poderemos considerar, se quisermos ser otimistas, que as declarações de Trump muitas vezes são vistas como táticas de negociação ou estratégias para ganhar influência, enquanto as ações de Putin têm sido mais diretas e militarizadas. Será que poderemos ficar tranquilos quanto a possíveis ulteriores?


O jornal Público publica hoje extratos de uma entrevista do jornalista russo Pavel Zarubin, que publicou no seu canal de Telegram excertos de uma entrevista que vai ser transmitida este domingo à noite na televisão estatal russa. Ainda nessa entrevista, conforme o Público, Vladimir Putin, Presidente da Federação Russa, afirmou que “o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, vai «restabelecer» a ordem no mundo de forma rápida e vai conseguir subjugar facilmente as «elites europeias» que, refere líder russo e segundo o mesmo diário, “tentaram boicotar «ativamente» o seu regresso à Casa Branca”. Tece ainda elogios a Trump dizendo que “os líderes europeus vão acabar por «abanar a cauda» e obedecer a Trump com o seu carácter e a sua perseverança, Trump restabelecerá rapidamente a ordem. Em breve, todos se colocarão ficarão do lado do mestre a abanar a cauda carinhosamente”.


 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

A presidência do sobressalto ou o perigoso mandato do narcisismo?

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O século XXI tem trazido à superfície líderes cujos comportamentos, atitudes e decisões parecem desafiar os princípios fundamentais da liderança democrática, da ética e da moral. Estes líderes, na sua procura por incessante poder e reconhecimento, muitas vezes procura formas de governo ditatoriais e autocráticas e exibem características narcisistas que prejudicam não apenas os indivíduos em seu redor, mas também as instituições que governam.


Procurei nos meus manuais de psicologia educacional dos meus tempos de professor, em qualquer deles se caracteriza o conceito narcisismo como sendo uma forma de transtorno de personalidade. É uma condição de saúde mental na qual as pessoas têm um senso excessivamente alto de sua própria importância. Eles precisam e buscam muita atenção e querem que as pessoas os admirem. As pessoas com esse transtorno podem não ter a capacidade de entender ou se preocupar com os sentimentos dos outros.


Os populismos e os partidos de extrema-direita vão-se instalando progressivamente gerando-se no seio das democracias liberais e aproveitando-se delas. Os políticos que as lideram parecem não dar importância ao fenómeno, considerando-o como normal, e atribuindo-lhe pouco valor, apesar do seu crescimento, sem tentarem procurar as causas que o alimentam. Algumas forças mais à esquerda têm alertado para a situação de que as democracias, mesmo as aparentemente mais consolidadas, são frágeis.


Autocracias, oligarquias, cleptocracias e ditaduras têm vindo a ser estabelecidas em países por todo o Mundo e, cujos líderes ocupam o poder e tendem a manter-se pela repressão das oposições e pelo controle da informação. São membros de redes que se encontram interligados apenas no interior das autocracias, mas com redes existentes noutros países.


Estes autocratas têm a convicção de que o mundo exterior não lhes pode tocar, que as opiniões de outras nações são irrelevantes e que nunca serão julgados pela opinião pública. Eles não pretendem defender mais nada do que o seu próprio enriquecimento e a manutenção do poder.


Várias interpretações podem alguns tirar da afirmação que foi feita por Trump durante a campanha eleitoral quando disse que “Daqui a quatro anos, não terão de votar novamente. Vamos ter tudo tão bem arranjado que não vão ter de votar”.


Atualmente, 34% da população mundial vive num país com regime autoritário. Segundo o Índice da Democracia, 52 países são classificados como autocracias, incluindo Venezuela, Rússia, China, Coreia do Norte, Síria, Irão e Arábia Saudita. Além disso, um estudo do Instituto V-Dem da Universidade de Gotemburgo mostra que cerca de 5,7 biliões de pessoas, ou 72% da população mundial, vivem em autocracias eleitorais ou autocracias fechadas. Países como a Índia, Paquistão, Bangladesh, Rússia, Filipinas e Turquia são exemplos de autocracias eleitorais.


Segundo um artigo do jornal Público o relatório do IDEA, “as ameaças abarcam desde democracias tradicionalmente fortes a outras bem mais frágeis os riscos mantêm-se concretos. Em matéria de credibilidade das eleições, liberdades civis e igualdade política, o relatório mostra que os números ainda não chegam aos anteriores a 2016, a primeira vez que Trump concorreu à presidência e ganhou as eleições a Hillary Clinton.


Os ditadores sempre estiveram contra a democracia com formas parlamentares. Aliás um dos piores ditadores da humanidade escreveu no seu único livro conhecido, referindo-se ao parlamentarismo, que “A sua participação em uma tal instituição só pode ter o objetivo de destruir o parlamento, que deve ser visto como um dos mais graves sintomas da decadência da humanidade” (Mein Kampf).


O que conheço da política dos EUA é apenas pela imprensa estrangeira e também pela nacional, mas cruzando vários artigos e opiniões, tiro as minhas ilações. Muitos artigos de opinião e artigos sobre política podem ser considerados para alguns como desfavoráveis e para outros como favoráveis conforme o que cada um pensa e nem sempre podem estar de acordo com o que pensamos. Há opiniões para todos os gostos que podem ser favoráveis ou desfavoráveis, concordantes ou discordantes consoante cada pessoa como é no caso das decisões tomadas pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump, por mais disparatadas, contraditórias, inconcebíveis e até ameaçadoras que elas sejam.


As táticas dos potenciais ditadores são convergentes, pregam valores liberais nos seus países recorrendo a slogans da democracia enquanto sorrateiramente edificam regimes iliberais como Putin fez na Rússia. O regime político atual da Rússia é amplamente considerado uma autocracia. Embora o presidente Vladimir Putin tenha feito declarações sobre a importância da democracia e dos direitos humanos, as suas ações e políticas, como a implementação de leis restritivas e repressão à dissidência, indicam uma prática que não se alinha com esses princípios democráticos.


 Leia-se um dos discursos de Vladimir Putin em que disse que “Só um Estado democrático pode assegurar um equilíbrio entre os interesses da personalidade e da sociedade, e conjugar a iniciativa privada com as tarefas nacionais.” (julho de 2000).


Em 2002, Vladimir Putin fez declarações salientando que um Estado democrático deve centrar-se no “primado do direito, eleições livres e a prioridade aos direitos humanos”, isto é, a importância do Estado de Direito, eleições livres e direitos humanos. No entanto, as suas ações e políticas têm sido frequentemente criticadas por não se alinharem com esses princípios. Por exemplo, houve posteriormente inúmeros relatos de leis restritivas e repressão à dissidência na Rússia. A situação levantou preocupações sobre o estado da democracia e dos direitos humanos no país.


A eleição de Trump em 2016 foi um marco significativo na política americana e suscitou debates acalorados sobre a direção que os Estados Unidos poderiam tomar sob a sua administração, e trouxe à discussão várias questões controversas.


A reeleição de Trump em 2024 reacendeu o debate sobre a zona cinzenta das autocracias. A jornalista Anne Applebaum, (Anne Applebaum, Autocracia, Inc, - “Os ditadores que querem governar o mundo”), destacou que muitos países vivem na zona cinzenta entre democracias e ditaduras, e a vitória de Trump define onde os Estados Unidos ficam nesse espectro.


Anne Applebaum escreveu “Quem não conseguir entender o que se passa no mundo que o rodeia não se vai juntar a grandes movimentos pró-democracia, nem seguir um líder que diga a verdade, nem prestar atenção quando alguém lhe falar de mudanças políticas positivas. Em vez disso, vai-se afastar da vida política. A propagação deste cinismo e desânimo é do maior interesse para autocratas, não só nos seus países, mas também no resto do mundo.”.


Agora, novamente, a ascensão ao poder de Donald Trump é um tema que tem gerado e continuará a gerar muitos debates e análises. A administração de Trump já provocou controvérsia e preocupação significativas. Alguns dos aspetos mais controversos e potencialmente perigosos incluem: políticas de imigração em que Trump tem uma atitude agressiva incluindo deportações em massa e militarização da fronteira que levantam preocupações humanitárias; o negacionismo e a sua ignorância aceite subservientemente pelos seus acólitos escolhidos à medida, por medo, ou também por ignorância, em vários pontos nomeadamente quanto às mudanças climáticas leva-o aos seus planos de se retirar do Acordo Climático de Paris e a reverter as regulamentações climáticas que podem vir a agravar os impactos ambientais; iniciativas como a Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) que Trump reverteu e que atraiu críticas por minar a diversidade no local de trabalho e as oportunidades económicas. O DEI foi criado porque as comunidades marginalizadas nem sempre tiveram oportunidades iguais de emprego ou sentiram um sentimento de pertencimento em ambientes corporativos de maioria branca; intervenções económicas radicais, como a imposição de altas tarifas e a deportação de milhões de imigrantes que podem desestabilizar a economia; a política externa segundo a abordagem “America First” de Trump, inclui a retirada de acordos internacionais e a reformulação de alianças, pode vir a ter implicações globais significativas.


Estes são apenas alguns exemplos das controvérsias em torno da administração de Trump que têm sido noticiados. Os impactos totais dessas políticas só se vislumbrarão ao longo do tempo.


Nunca na história dos EUA se viu um presidente malcriado e narcisista patológico como Donald Trump o que é demasiado perigoso para todos, para o mundo, e muitos colocam-se descaradamente ao seu lado por medo ou por subserviência.


Trump emergiu da política vindo do mundo dos negócios e dos reality shows televisivos e a sua ascensão à política, e depois à presidência, desafiou todos os pressupostos da sabedoria convencional e da opinião pública.


Algumas personalidades do media, sobretudo da Fox como Tucker Carlson tem uma relação significativa e influente com Donald Trump. Carlson, ex-apresentador da Fox News, continua a ser uma figura-chave nos bastidores da política republicana, mesmo após a sua saída da emissora. Ele tem o ouvido de Trump e a capacidade de influenciar posições-chave, como a escolha de JD Vance que tomou posse como vice-presidente dos Estados Unidos nesta segunda-feira como amigo próximo de Trump.


Carlson também desempenhou um papel importante na exclusão de Mike Pompeo e Nikki Haley de cargos no governo de Trump, mostrando sua influência nas decisões de pessoal. Além disso, ele tem se envolvido em uma espécie de diplomacia paralela, entrevistando figuras proeminentes da direita em todo o mundo e mantendo uma linha direta com Trump.


O que se conhece sobre Trump e o que a sua prática tem demonstrado tem sido frequentemente criticado pelas suas relações e simpatias com regimes autoritários, autocracias e oligarquias. É do conhecimento público que durante seu mandato anterior, ele expressou admiração por líderes como Vladimir Putin, da Rússia, e Kim Jong-un, da Coreia do Norte e foi também acusado de tentar transformar os Estados Unidos em uma oligarquia, especialmente com as suas políticas e nomeações que favorecem os ricos e poderosos, aliás como se tem constatado logo após ter ganho as eleições em 2024 e aos a tomada de posse.


Durante a sua anterior presidência, Trump foi também frequentemente criticado pela suas atitudes e declarações que pareciam apoiar líderes autoritários e regimes não democráticos. Tem demonstrado simpatia por ditaduras e apoio a líderes autoritários como Vladimir Putin entre outros.


Durante seu mandato, Trump elogiou Putin em várias ocasiões, chamando-o de “inteligente” e “pragmático”. As táticas dos potenciais ditadores são convergentes, pregando valores liberais enquanto edificam o que poderá vir a ser uma ditadura, como Putin fez na Rússia.


Para além disso Trump tem sido criticado por estar associado a práticas autocráticas, como a tentativa de minar a confiança nas eleições e a promoção de teorias da conspiração através das redes sociais, pela sua retórica de divisão e por tentar consolidar o poder de maneira que alguns consideram antidemocrática.


“Acho que vamos fazer coisas que deixariam as pessoas chocadas”, declarou o presidente Donald Trump no seu segundo dia no cargo. Foi uma das poucas coisas verdadeiras que ele disse durante toda a semana, escreveu The Washington Post.


Trump tem um projeto de poder ilimitado que se alimenta do ressentimento e da vingança. O movimento de Trump MAGA - Make America Great Again poderá vir a ser o projeto MAGA - Make Authoritarianism Great Again.

terça-feira, 12 de novembro de 2024

EUA empresa unipessoal com autocracia no poder

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Início este texto com uma notícia que todos os jornais do EUA e também na Europa divulgaram em maio de 2024. O jornal inglês The Guardian notava que “Donald Trump compartilhou um vídeo na sua conta Truth Social fazendo referência a um ‘reich unificado’ se Trump vencer a eleição presidenciais em novembro”. Depois de ser criticado por isso em alguns setores por mais de meio-dia foi removido. Várias justificações foram dadas para tal pelos elementos da campanha.


O vídeo colocado na segunda-feira 22 de maio permaneceu no ar por 15 horas na manhã de terça-feira, apesar da referência ter sido apontada pelos meios de comunicação. Foi removido da conta do ex-presidente por volta das 10h do Leste EU na terça-feira.


Há quem critique os que não veem na vitória de Trump bons prenúncios para os EUA e para parte do resto do Mundo. Um deles é Jaime Nogueira Pinto que numa entrevista ao jornal SOL em modo de crítica escreveu: “Tive de ter paciência para ouvir teorias espantosas sobre o mal que vem ao Mundo com Trump”. Hoje mesmo (8/11) o Diário de Notícias publicou um artigo de opinião (ainda bem que é apenas uma opinião) onde ele defende o que para a maioria dos comentadores é mau porque na sua perspetiva não vai ser assim tão mau.


A culpa é da esquerda, diz ele, porque a “Esquerda conseguiu que Hitler e do Holocausto ficassem eternamente colados à “Direita”. Logo, parece que o mau apenas o é porque a esquerda assim o disse. Claro que, também classificou como muito mau, e bem, que são maus “os horrores do comunismo, ou os absolvesse como parte dos danos colaterais do Bem e da Virtude – das Fomes da Ucrânia ao Arquipélago de Goulag, dos massacres de Budapeste ao Grande Salto em Frente da China”. E conclui: “todo o líder que começa a ensombrar o domínio da Esquerda passa automaticamente a “fascista” e a “novo Hitler”. A culpa é da esquerda que assim os denomina, porque se não fosse isso não eram maus seriam até bons! E, pondo de lado a esquerda ou a direita, face à objetividade dos factos para Nogueira Pinto a maldade dos fascistas e autocratas é tudo invenção dos media?


Para Nogueira Pinto as ideias e os pensamentos expressos que conduzem a ilações de fascista ou de “novo Hitler” ditas pelos interlocutores, neste caso Trump, é a Esquerda que fica perturbada pela sua perda de influência, logo os classifica daquele modo.


Para ele os media são facciosos porque os media de referência nos impõem “ad nauseam” como única referência, como única causa moralmente superior, verdadeira, democrática, virtuosa... um dos lados.”. Jaime Nogueira Pinto só tem um olho, porque o outro está obscurecido, se assim não fosse teria visto o que os media laçam cá para fora sobre as atrocidades discursivas “trumpianas”. Nogueira Pinto passa ao lado do que Trump disse durante a campanha o que parece não ter apreciado.


Vamos agora analisar possíveis consequências e receios da vitória de Donald Trump. Uma primeira vantagem para Trump segundo o Euronews foi a fortuna pessoal de Trump ter aumentado com a subida das ações da sua empresa de comunicação social após terem saído os resultados.


Por outro lado, Trump parece ter lido o compêndio resumido do “Mein Kampf” já que muitas das suas afirmações durante a campanha assim o mostram como se verá adiante.


O que de facto preocupa a maior parte do Mundo é a resposta à questão:  o que espera o Mundo de Donald Trump? Ao analisarmos as palavras que Trump disse nos comícios e se avaliarmos o que isso sugere e pode significar perceber-se-á sem esforço.


Recordemos e comparemos alguma palavras que ditadores do passado e do presente utilizaram e utilizam para atrair os sem escrúpulos, os plenos de egoísmo que vêm naquele tipo de linguagem a salvação dos problemas que os afligem e ao povo.


Se tivermos atenção as intervenções de Trump nos comícios perceberemos como palavras sensíveis e carregadas de “História” como “deportação”, “países de merda”, “vermes” ou “miseráveis” foram pronunciadas sem escrúpulo. Isto encontra-se em alinhamento com o pensamento de que “Se deseja a simpatia das grandes massas, deve dizer-lhes as coisas mais grosseiras e estúpidas.”(Adolfo Hitler)


Isto leva-nos a refletir sobre as semelhanças de pensamento de Trump com muitas das afirmações escritas no livro anteriormente referido,“Mein Kampf”. Repare-se numa das frases do discurso de vitória de Trump: “Muitos dizem que Deus me poupou a vida por um motivo”. Compare-se com o que Hitler terá escrito ou dito: “Quem disse que não estou sob a proteção especial de Deus?”.


Sobre a imprensa Trump expressou também a sua opinião sem embaraço sobre os media que não o apoiavam. Afirmou que os media davam notícias falsas e ameaçou destruir a imprensa e ameaçou jornalistas. Durante aa campanha e em entrevistas, Trump sugeriu que, se recuperar a Casa Branca, se vingará dos meios de comunicação que o irritam. Mais especificamente, Trump prometeu colocar repórteres na cadeia e retirar as principais redes de televisão de suas licenças de transmissão como retribuição pela cobertura de que não gostou.


Veja-se o que Hitler escreveu sobre a imprensa à época quando cumpria pena de prisão (1924): “Comecei também a examinar debaixo do mesmo ponto de vista a grande imprensa de minha predileção. À proporção que o meu exame se aprofundava diminuía o motivo de minha antiga admiração por essa imprensa. O estilo desses jornais era insuportável, as ideias eu repelia-as por superficiais e banais e as afirmações pareciam aos meus olhos conter mais mentiras do que verdades honestas.” (Mein Kampf, p. 58, tradução).


Assim, a reeleição de Trump pressagia um novo período de hostilidade com os principais meios de comunicação que buscam a imparcialidade, bem como com os meios de comunicação partidários que se lhe opõem. Isso leva-nos ainda a outro tipo de questões. O governo Trump transformará as suas palavras contra a imprensa em ações? Irá revogar as licenças das emissoras de televisão, como sugeriu várias vezes?


Porque há a promessa de Trump de limitar o acesso da imprensa à Casa Branca, impedindo repórteres de que não gosta. De facto, em 2023, horas antes dos seus comentários terem sido divulgados, segundo a AP (Associated Press), um aliado de longa data que deve ocupar um cargo de alto escalão na segurança nacional se Trump voltar à Casa Branca prometeu atacar jornalistas num segundo mandato de Trump.


Assim, os eleitores americanos votaram em alguém como Donald Trump que sobreviveu a uma condenação criminal, a acusações, a um atentado (?), a acusações de autoritarismo e a uma mudança sem precedentes de seu oponente. E, mesmo assim, numa surpreendente reviravolta política, será o próximo presidente dos Estados Unidos.


Parece que os potenciais planos desafiadores de Trump para derrubar o sistema político do país atraíram dezenas de milhões de eleitores. Conseguiu conquistar apoio entre os eleitores latinos e afro-americanos da classe trabalhadora, que deu ao Partido Republicano esperança de uma nova maneira de vencer em uma nação polarizada.


Os especialistas em política dos EUA apontam para que alguns eleitores viam Trump como a sua única opção para combater o que percecionavam como imigração descontrolada e para impulsionar a economia. Outros apontam para que alguns eleitores foram compelidos pelo poder de sua campanha. Mas muitos americanos acharam-no desagradável, e sua vitória pode dizer mais sobre a insatisfação do país os candidatos do Partido Democrata.


No New York Times num artigo de opinião do correspondente da Casa Branca escrevia que “Com sua vitória de regresso para recuperar a presidência, Trump estabeleceu-se agora como uma força transformacional remodelando os Estados Unidos à sua própria imagem.”.


Veremos como será, mas algo de bom não se espera para a América e para o Mundo.

sábado, 30 de julho de 2022

A invasão da Ucrânia de Trump a Putin: contributos para uma teoria da conspiração

Curioso é analisarmos que Joe Biden tomou posse como Presidente dos EUA em 20 de janeiro de 2021. Cerca de um ano e um mês depois de Trump ter saído da cena da presidência Putin invade a Ucrânia. Isto diz-nos alguma coisa.


 


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As circunstâncias criadas pelos atores da política internacional levam-nos por vezes a aventurar-nos em terrenos imprevisíveis da paisagem política em permanente mudança de velocidade e de factos. Ao tentarmos fazer uma interpretação política de factos políticos sem sermos especialistas, vemos que há acontecimentos comprovados que nos levam a estabelecer interpretações e paralelismos por vezes arrojados.


Em política, interpretações e paralelismos não são isentos de ideologias que determinam o contexto do exercício do poder e as abordagens socioeconómicas que fazem parte de ideias e de interesses que ajudam a compreender a criatividade estratégica das ações e, muitas vezes, as obsessões dos atores políticos.


Pode continuar a ler AQUI o artigo: A invasão da Ucrânia de Trump a Putin-contributos para uma teoria da conspiração


 


 

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Afinal as cassetes ainda existem

“A conversa dos políticos ocidentais sobre liberdade e democracia é pura conversa”. (Palavras do líder do Partido Comunista da Federação Russa, numa reunião dos ativistas do partido realizada em Moscovo a 3 de abril de 2022)


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O grande perigo para a Europa e para o Mundo não vem da NATO, nem dos EUA, mas do presidente Vladimir Putin. A pergunta que se coloca é a de saber se a Suécia e a Finlândia teriam pedido com brevidade a entrada na NATO caso Putin não tivesse invadido a Ucrânia. Putin passou a ser um fator de instabilidade também para a União Europeia que, segundo ele, teria a pretensão de desagregar.


Agora um ditador candidato a “imperador” quer pressionar a Finlândia, país autónomo, soberano e independente, a não aderir à NATO e, por isso, ameaça tudo quanto mexe. Desde quando um país obriga outro a seguir os seus ditames com a justificação de se sentir ameaçado. Por aqui vê-se quem ameaça o Mundo e qual a sua estratégia para o enfraquecimento dos mecanismos de proteção e defesa dos países que os rodeiam.


Putin nunca viu com bons olhos que Helsínquia aderisse em 1995 e encontrasse na União Europeia o seu espaço estratégico preferencial. A questão da adesão à NATO nunca se tinha colocado apesar de ser essa a preferência de grande maioria dos finlandeses.


Vamos ver se a Turquia deixará, ou melhor, não se oporá!


Putin, em vez de fazer uma aproximação à Europa e ao ocidente optou por se dispersar com divagações pouco credíveis conforme é citado no Kremlin: "O nosso dever comum é impedir o renascimento do nazismo, (o sublinhado é meu), que trouxe tanto sofrimento aos povos de vários países. É necessário preservar e transmitir (...) a verdade sobre os acontecimentos da guerra, valores espirituais comuns e tradições de amizade e irmandade". Palavras vazias sem sentido e que contrariam as suas ações pois atua pior do aqueles que diz estar a combater.


No dia 8 de maio Vladimir Putin, por ocasião do 77º aniversário da “Vitória na Grande Guerra Patriótica”, enviou mensagens de congratulações para vários países onde declarava, repetindo qual cassete gravada, que "Hoje, o dever comum é evitar o renascimento do nazismo, que trouxe tanto sofrimento para as pessoas de diferentes países. É preciso preservar e passar aos descendentes a verdade sobre os acontecimentos dos anos de guerra, valores espirituais comuns e tradições de amizade fraterna".


Que valores são estes a que se refere vindos de quem agride, ameaça, causa sofrimento com falsas justificações através de uma retórica mentirosa como a de “impedir o renascimento do nazismo” quando os seus atos, práticas e discursos contradizem o que ele diz querer evitar?


A utilização de forma genérica, mas específica, das palavras nazismo e desnazificação aplicados ao caso da Ucrânia não surgem por acaso. Foram escolhidas porque ele sabe que a nível mundial, estas palavras estão ainda bem presentes nas memórias coletivas dos povos e têm uma carga muito negativa. Daí a insistência no apelo demagógico contra o renascimento do nazismo passando a mensagem de que ele é o libertador das nações oprimidas pelo nazismo.


Falar de desnazificação e acusar a NATO de ser a responsável pela agressão à Ucrânia é, pelo menos, risível. São estratégias de desvirtuar informação apontando a outros, erros, falhas, atitudes e intenções que não servem senão para ocultar as do agente emitente. Como em qualquer totalitarismo, na Rússia de Putin a desinformação, a mentira, a mentira por omissão e a deturpação de factos são a regras aplicadas ao povo.


Porém, podemos questionar em que diferem as atuações de Putin daqueles que ele diz querer libertar os povos.  Nazismo é um tipo de fascismo totalitário com forte natureza nacionalista, agravado por radicalismos racistas, étnicos e xenófobos. A Rússia do presidente Vladimir Putin é uma autocracia com uma forte componente totalitária que se estende à regulação de todos os aspetos da vida pública e privada da Rússia, conforme informações que vão chegando ao nosso conhecimento. A Rússia é governada, na prática, pelo poder de uma única pessoa política e de fação personalizado em Vladimir Putin cuja autoridade não tem limites. A Duma (câmara baixa da Assembleia Federal da Rússia), não passa de um conjunto de deputados que são uma espécie de “Yes men”, até mesmo o Partido Comunista da Federação Russa, de que irei escrever mais adiante.


Como nos regimes totalitários e no nazismo Vladimir Putin tem implementado no seu país, repressão, perseguição a opositores, censura obstinada que proíbe publicação de informação que lhe seja desfavorável tornando-a inacessível às populações, etc.. Por outro lado, Putin tem apoiado financeiramente partidos xenófobos e racistas da extrema-direita na Europa. O que é isto afinal?


Lamentável é também haver em alguns países do ocidente partidos e pessoas que, dizendo-se democratas, apoiam ditaduras e um ditador que invade um país soberano. Neste alinhamento também se encontram os que dizem estar a favor do povo e da cultura russa, o que é indubitavelmente aceitável, mas são também esses os que defendem, tipo "copy paste", o pensamento presente nos argumentos discursivos de Vladimir Putin.


Tudo isto conduz-me, mais uma vez, aos argumentos do PCP em relação à invasão da Ucrânia. Em primeiro lugar, é preciso também que se entenda o pensamento do PCFR - Partido Comunista da Federação Russa que “aplaude” a decisão de Putin sobre a “intervenção militar” na Ucrânia, basta ler os discursos de Gennady Zyuganov, líder daquele partido.


Recuemos então seis anos, 2016, e recordemos o que o líder do PCP disse no discurso de abertura do XX Congresso do PCP, em Almada, acerca da União Europeia e do Euro a quem não poupou críticas por serem, segundo ele, a “fonte dos maiores males dos portugueses”. Dizia então Jerónimo de Sousa, referindo-se a um discurso feiro no Parlamento Europeu sobre o Estado da União Europeia que, segundo ele, não se tratava de "maquilhar, refundar ou democratizar" a União Europeia (UE). Nem "mudar alguma coisa para ficar tudo na mesma". Disse que os comunistas não estão aqui para isso. Querem mesmo mudar o mundo e, quanto à UE, "articular ruturas que permitam construir uma outra Europa". Isso mesmo, mudar o mundo para que lado? O que pretenderia ele dizer na altura com a construção de uma nova Europa? Seria uma espécie de premonição do que se iria passar?


Mesmo com uma pequena margem de erro é o que, atualmente, o presidente Vladimir Putin e o seu partido Rússia Unida acolitado pelo Partido Comunista da Federação Russa, têm afirmado. Cada um que tire as ilações que entender.


Recentemente as palavras de Jerónimo de Sousa também não levantam dúvidas sobre o seu alinhamento com o seu congénere da Rússia, o PCFR,  e com Putin ao considerar que não houve uma invasão nem que há uma guerra na Ucrânia causada pela Rússia, mas sim “uma operação militar” embora acrescente que o PCP “condena”.


A subtileza passa a  evidência quando se refere a “operação militar” em vez de guerra (de facto, não houve formalmente uma declaração de guerra),  mas enfileira com a retórica de Putin apesar de, como disse, ser capitalista, única verdade.


Jerónimo de Sousa, no entanto, admite, contradizendo-se, que “Há uma guerra, isso é incontornável”, e esclarece que “é claro para o PCP que estamos perante uma Rússia capitalista” da qual “o PCP claramente se demarca”, “não tendo nada a ver” com Putin. Jerónimo de Sousa é muito hábil só que, por acaso, não deve ter lido os discursos de Putin e do secretário-geral do PCFR, ou, se os leu, fez-se de esquecido.


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Vamos lá ver então se eu entendo: “não houve uma invasão”; “houve uma operação militar”; “há uma guerra e isso é incontornável”.


Analisemos então qual a aproximação das narrativas do PCP com a intervenção do líder do PCFR - Partido Comunista da Federação Russa, Gennady Zyuganov, em 3 de abril de 2022 numa reunião dos ativistas do partido realizada em Moscou sob o tema “Temos que resistir e vencer.”, onde o líder do Partido Comunista da Federação Russa recordou a solidariedade das forças patrióticas de esquerda do mundo. A ortodoxia no seu melhor.


Gennady Zyuganov tem a certeza de que o objetivo “é derrotar o nazismo e o fascismo, caso contrário, se espalhará por toda a Europa "e muitos jovens terão que usar sobretudos". Nazismos e fascismo são palavras coincidentes nos discursos de Putin e de Zyuganov. O chefe da fação comunista afirmou ainda na Duma do Estado da Federação Russa que "Se todos nós – a Duma, o Conselho da Federação e o Conselho de Segurança – apoiamos a operação especial, devemos explicar às pessoas o que estamos a perseguir, por que é que apoiamos ativamente os que defendem fielmente o mundo russo, a nossa língua, dignidade e Donbass, e a nossa amizade com a Ucrânia."


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Em 19 de abril já tinha afirmado algo sobre a “mentalização” pró militarista agressiva dos jovens russos ao dizer que "acreditava que nas escolas e nas universidades haveria muito trabalho para explicar a situação em que todos nós nos encontramos. Mas não vejo e não sinto isso nem nas atividades de ministros, professores, diretores de escolas ou figuras culturais", disse Gennady Zyuganov.


Zyuganov chega a lembrar as palavras do presidente Putin numa reunião com jornalistas estrangeiros em outubro de 2021 onde disse, (no contexto dos problemas socioeconómicos da humanidade que pioraram e que houve turbulências em escala global) que "O modelo existente de capitalismo na grande maioria dos países esgotou-se". Zyuganov acrescenta ainda que "Olhando para Biden, esta múmia ambulante, que ameaça todos, torna-se assustadora para a América". O líder do PCFR disse ter tirado uma conclusão ao observar que a Alemanha começou novamente a apoiar o nazismo, e a França está totalmente dançando ao som americano. O segredo foi revelado, é o ódio aos EUA. É assim que as coisas começam, agressões imaginárias, ódios, seja ao que for, como etnias, raças, nações, países que servem como bodes expiatórios para justificarem agressões e perseguições. É assim o nazismo!


Zyuganov afirmou ainda que “vamos ter de lidar com todos os desafios, porque, na sua maioria, os cidadãos do espaço pós-soviético já entenderam quem é o organizador da nova agressão. E toda a conversa dos políticos ocidentais sobre liberdade e democracia é pura conversa”. "Estamos presentes no final do conto de fadas sobre o mercado, sobre o livre comércio, sobre a liberdade de expressão", continuou o líder comunista (os sublinhados são meus). Sobre política externa da Rússia Zyuganov observou ainda a importância da interação da Rússia com a China, Índia, Vietname, Irão, Paquistão e Turquia.


Terminou prometendo que “Faremos de tudo para trazer paz à Ucrânia fraternal. Faremos tudo para desenvolver a nossa união", e que "vem uma nova etapa no processo de integração. E tenho certeza de que o Partido Comunista e as forças patrióticas de esquerda estarão na vanguarda deste trabalho, preparando-se para o centenário da formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas", concluiu o líder do Partido Comunista da Federação Russa. A mensagem de agressividade deste senhor líder de um partido que fala em paz, amizade e fraternidade está patente no seu discurso no “Dia da Vitória na Grande Guerra Patriótica”.


A razão por que inclui estas passagens do discurso de Zyuganov é por que, nas entre linhas, encontram-se pontos de vista aproximados aos de Putin que o PCP parece perfilhar fazendo-o através de narrativas travestidas que não evidenciam substância e cuja conversa é apenas o que está na superfície para convencerem e apelar a potenciais adeptos.


Mais recentemente numa intervenção num comício no dia 1º de Maio de 2022 o líder do PCFR, Gennady Zyuganov, afirmou que “agora na Ucrânia, a Rússia está a lutar principalmente por um mundo multipolar. “Estamos lutando pelo mundo russo, porque o mundo russo não está nos planos deles”.


A propaganda de Putin tem conseguido ter eficácia junto dos seus agentes e adeptos no ocidente e tem como grande aliado o Partido Comunista de Federação Russa. Comparando tantas opiniões, até da esquerda, que se indignam contra a incapacidade de alguns em condenar uma agressão imperialista assinada por um regime autocrático, verifica-se de facto quem está a fazer uma “tentativa de impor, à escala do povo, um pensamento único”, na Rússia e também aqui em Portugal.


Há pessoas que parecem ser crédulas por vontade própria que se deixam contaminar por invenções demasiado extraordinárias para que sejam autênticas veiculadas pelos canais de propaganda de Putin, tais como a da necessidade de desnazificar a Ucrânia, os laboratórios onde se preparam armas químicas na proximidade da Rússia, o genocídio dos que falam russo. O que está a acontecer é que, na minha opinião, a invasão da Ucrânia, serviu para mascarar as fraquezas internas da Rússia por ele causadas. Quem nos pode garantir que os que escrevem contra o ocidente apoiando as retóricas de Putin é que estão na posse da verdade e que todas as outras são mentiras?

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

PSD uma vergonha nacional

 


 



 


Estes senhores têm-nos mostrado que apenas sabem governar sem instituições democráticas, caso contrário não mostrariam tanta incompetência nas decisões que tomam. Será ainda possível que alguém acredite que a incompetência deste governo e deste primeiro-ministro sejam tantas que desconheçam a inconstitucionalidade de que enfermam os diplomas que enviam para promulgação?




Há uma premeditação nisto tudo com o objetivo de fazerem desacreditar as instituições democráticas e para colocar a população contra a Constituição da República e o Tribunal Constitucional que, para esta gente, são uns empecilhos à governação caótica que têm feito. Servem-se de tudo para dividir os portugueses. Tudo deveria ser permitido para eles próprios se poderem governar sem críticas e obstruções da justiça. É um governo e um partido que o sustenta que apenas sabe governar em autocracia. Para eles as instituições democráticas deviam ser dispensadas. Como não sabem o que fazer enviam propositadamente leis inconstitucionais para posteriormente poderem vir a público dizer que não os deixam governar.


Basta ler nas entrelinhas as afirmações dessa cambada, perdoem-me a expressão, a que chamam juventude social-democrata que, se os deixassem, extravasariam toda uma verborreia idêntica que caracterizavam as juventudes hitlerianas. A última que estes emplastros ouviram foram as afirmações, desta vez proferidas por um parente de Relvas, Alexandre Relvas, na fantochada da universidade de verão do PSD, foi a inteligente afirmação de que neste país são os filhos que estão a sustentar os pais. Mas, todos eles se perfilam para num futuro tomarem de “assalto democrático” o poder para lá conseguirem os cargos políticos que o dinheiro dos impostos dos pais deles e de todos nós lhes paga. 


Afirmações como esta diz Carlos Barbosa no seu blog “acirram o combate intergeracional inqualificável, própria de um escroque, mas explica a razão de haver cada vez mais filhos a bater/ matar os pais” ou abandoná-los nos hospitais digo eu. Só lhes falta afirmar que, em consequência, matem-se os pais e avós. E abrem estes indivíduos a boca para formar uma juventude destruindo valores universalmente reconhecidos. São uns parasitas e oportunistas que, com certeza, são eles que viveram à custa de pais e avós ou deles herdaram o que têm. Esta gentalha de juventude que bate palmas a afirmações como estas, quando forem eles mesmo pais e avós, se algum dia o forem, saberão, oportunisticamente, fazer leis que os protejam, como aliás atualmente já o fazem.


Será esta gente que os portugueses querem que nos governem? Será esta gente que os portugueses querem ver nas autarquias? Se assim for então Portugal anda totalmente perdido e desorientado!

PSD uma vergonha nacional

 


 



 


Estes senhores têm-nos mostrado que apenas sabem governar sem instituições democráticas, caso contrário não mostrariam tanta incompetência nas decisões que tomam. Será ainda possível que alguém acredite que a incompetência deste governo e deste primeiro-ministro sejam tantas que desconheçam a inconstitucionalidade de que enfermam os diplomas que enviam para promulgação?




Há uma premeditação nisto tudo com o objetivo de fazerem desacreditar as instituições democráticas e para colocar a população contra a Constituição da República e o Tribunal Constitucional que, para esta gente, são uns empecilhos à governação caótica que têm feito. Servem-se de tudo para dividir os portugueses. Tudo deveria ser permitido para eles próprios se poderem governar sem críticas e obstruções da justiça. É um governo e um partido que o sustenta que apenas sabe governar em autocracia. Para eles as instituições democráticas deviam ser dispensadas. Como não sabem o que fazer enviam propositadamente leis inconstitucionais para posteriormente poderem vir a público dizer que não os deixam governar.


Basta ler nas entrelinhas as afirmações dessa cambada, perdoem-me a expressão, a que chamam juventude social-democrata que, se os deixassem, extravasariam toda uma verborreia idêntica que caracterizavam as juventudes hitlerianas. A última que estes emplastros ouviram foram as afirmações, desta vez proferidas por um parente de Relvas, Alexandre Relvas, na fantochada da universidade de verão do PSD, foi a inteligente afirmação de que neste país são os filhos que estão a sustentar os pais. Mas, todos eles se perfilam para num futuro tomarem de “assalto democrático” o poder para lá conseguirem os cargos políticos que o dinheiro dos impostos dos pais deles e de todos nós lhes paga. 


Afirmações como esta diz Carlos Barbosa no seu blog “acirram o combate intergeracional inqualificável, própria de um escroque, mas explica a razão de haver cada vez mais filhos a bater/ matar os pais” ou abandoná-los nos hospitais digo eu. Só lhes falta afirmar que, em consequência, matem-se os pais e avós. E abrem estes indivíduos a boca para formar uma juventude destruindo valores universalmente reconhecidos. São uns parasitas e oportunistas que, com certeza, são eles que viveram à custa de pais e avós ou deles herdaram o que têm. Esta gentalha de juventude que bate palmas a afirmações como estas, quando forem eles mesmo pais e avós, se algum dia o forem, saberão, oportunisticamente, fazer leis que os protejam, como aliás atualmente já o fazem.


Será esta gente que os portugueses querem que nos governem? Será esta gente que os portugueses querem ver nas autarquias? Se assim for então Portugal anda totalmente perdido e desorientado!