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segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Jornalismo e cautelas da informação em tempo de guerra



Israel-Hamas.png


Apesar de terem surgido muitas imagens e relatos reais do que se passou, foram misturados com outros conteúdos com afirmações falsas, usando e manipulando vídeos de outros acontecimentos.


Artigo que vale a pena ler com distanciamento que alerta para a veracidade dos factos e as cautelas a ter quando se propaga informação, por vezes falsa, que dizem ser notícia.


Hamas vs Israel vs Verdade









Chamar terrorista a um grupo que usa os métodos e os meios do terrorismo não é perder a objetividade. Ser independente na análise não significa ser neutro.







Não é humanamente possível, nem aceitável, não tomar um lado do conflito, pois devemos estar incondicionalmente a favor do povo palestiniano e do povo israelita, e incondicionalmente contra o Hamas ou qualquer outro grupo terrorista. Assim como, devemos exigir que Israel cumpra as regras do Direito Internacional Humanitário de distinção, proporcionalidade, necessidade militar e humanidade. Esta é a única posição internacional que fará com que este conflito diminua o número de vítimas e que permite manter a nossa humanidade. Não ter esta posição é aceitar sermos controlados pela narrativa do lado errado. De nada serve estar a favor dos palestinianos e não estar contra o Hamas, porque o Hamas não está a proteger os palestinianos. Nunca o fez. Os terroristas precisam de vítimas para continuarem a ser quem são. E os palestinianos são as suas vítimas de eleição.


Esta confirmação está patente nos quartéis em zonas urbanas civis, em armamento guardado em escolas, nas barricadas colocadas na estrada para impedir a fuga dos palestinianos depois dos avisos de Israel, no elogio público ao Egito por não abrir as fronteiras, no incitamento à permanência em Gaza, mesmo com a possibilidade de bombardeamentos e no lançamento de rockets de Gaza que caem em Gaza, culpando Israel.


O Hamas entrincheirou-se em Gaza com mais de dois milhões de reféns palestinianos que são o seu maior escudo. Se os civis saírem, a causa do Hamas fica enfraquecida e é uma enorme desvantagem neste confronto assimétrico. E tendo em conta que é um grupo terrorista, o seu grande objetivo é rentabilizar o máximo possível o número de vítimas e de mortos. Quanto mais mortos houver, mais responsabilidade pode colocar em Israel. O Hamas sabe que tem tanto mais hipóteses de ganhar força quanto mais elevado for o número de mortos palestinos, porque mais comoção causa na opinião pública e mais pressão a comunidade internacional fará sobre Israel.


Chamar terrorista a um grupo que usa os métodos e os meios do terrorismo não é perder a objetividade. Ser independente na análise não significa ser neutro. Porque ser neutro neste caso é ser a favor das atrocidades praticadas. Não é possível aceitar um grupo que tem uma filosofia de extermínio e de aniquilação de um povo, seja ele qual for.


Quem atacou primeiro é, nos dias de hoje, uma sequência irrelevante, porque quem atacou já foi atacado, e quem atacou porque foi atacado também já tinha sido atacado antes. Mas os que estão a atacar e a ser atacados não são os mesmos que estão a ser atacados no sofrimento e no desespero. E é para as vítimas civis dos dois lados que deve ir a nossa indignação e compaixão.


Sabendo que o Hamas e Israel são protagonistas de um dos conflitos mais difíceis do mundo, a imprensa internacional tem a obrigação deontológica de validar as fontes de informação e guiar-se pelo princípio da precaução quando não tem certezas. Porque não é aceitável que o jornalismo sensacionalista noticie as narrativas do Hamas como sendo a verdade dos acontecimentos. Como o que aconteceu com o ataque ao hospital em Gaza.


Quando Israel noticiou o ataque a civis e os raptos feitos pelo Hamas a 7 de outubro, toda a gente pediu provas, mas quando o Hamas noticiou o ataque ao hospital em Gaza a 17 de outubro e responsabilizou Israel, isso foi assumido como uma verdade. E o Hamas foi a única fonte de informação. No decurso da divulgação dessa notícia, as contestações contra Israel estenderam-se perigosamente a vários países e a possibilidade de líderes políticos negociarem uma solução foi mais uma vez adiada. É exatamente a reação de que os terroristas estão à espera.


Neste sentido, a imprensa internacional está a trabalhar pro bono para disseminar a propaganda que o grupo Hamas pretende. Até agora a narrativa do Hamas já venceu, e isto pode ser um enorme problema para todos nós.


A autora escreve segundo o novo acordo ortográfico





 

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

As esquerdas radicais e as narrativas de inversão do contexto

Inversão do contexto e esquerdas.png


"Manifestações pró-Hamas em toda a Europa são horripilantes". "As manifestações pró-Hamas em massa nos Estados Unidos e na Europa são horríveis porque significam que há apoio positivo ao Hamas mesmo nas sociedades ocidentais". Irina Tsukerman


"Israel não está a tentar punir os civis de Gaza, está a tentar derrotar o Hamas e um exército que luta contra outra força pode privá-los de comida". Professor Eugene K..


A dialética do avesso é a dialética dos radicais de esquerda, (auto negação do negativo e negar que o ataque do Hamas não foi terrorista foi ato de libertação), ativando a intencionalidade de propagação do negativo para que se torne positivo. É a culpabilização da vítima e com apologia do agressor.


É a inversão de papéis. É o ato de virar do avesso algo que estava na posição certa. Isto é, “colocar do avesso” os factos é deixar que o que antes estava certo seja colocado de forma contrária. É criar um sentido que é contrário aos dos factos É virar do avesso as posições de cada um dos atores em presença na tentativa de modificar a aparência e a essência enquanto ideia principal da realidade.


Relatar histórias e divulgar factos que se desviam das convenções e expectativas típicas de um determinado acontecimento, sobretudo em situações de guerras ou agressões terroristas são uma forma de narrativa política verificada em contextos de confronto político e ideológico. São narrativas de inversão que visam, frequentemente, desafiar normas estabelecidas, provocar reflexão por mudança de sentido e oferecer perspetivas contrárias ao tema ou facto que se desenrolam.


Uma das formas mais comum de manifestação duma narrativa de inversão por parte da informação por organizações, movimentos ou partidos políticos é a da inversão de papéis. Esta inversão verifica-se sempre que duas fações, uma nação ou povo estão em confronto, sobretudo em situação de guerra, e também quando há uma beligerância que depende dum grupo de rebeldes dotados duma organização que controla parte de um território assim como a sua população e colocam em causa a legitimidade dum governo ou dum povo.


De acordo com os elementos duma narrativa tradicional, escrita ou verbalizada, o protagonista é normalmente o personagem com quem o público simpatiza e apoia, enquanto o antagonista se opõe aos objetivos do protagonista. Estes “atores” em cena, conforme os ângulos e perspetivas político-ideológicas, podem trocar de posições segundo os vários pontos de vista. Considerando o atual contexto de guerra de Israel contra a organização terrorista Hamas esta situação está a verificar-se.


Assim, em política desenvolvida sobretudo em ocasião de guerra, criam-se narrativas de inversão em que os papéis dos “atores” são invertidos. O antagonista (o mau) pode tornar-se o protagonista (o bom) e o protagonista (o bom) pode tornar-se no antagonista (o mau). Isso pode levar a uma mudança na perceção do público orientando-o a reconsiderar as suas noções preconcebidas e a ter empatia pelos personagens que inicialmente consideravam vilões.


É com tentativas de inversão que as esquerdas radicais em todo o Mundo, em Portugal representados pelo PCP, pelo BE e outros esquerdistas, pretendem instigar o público a colocar-se em situação crítica para com os israelitas  


Veja-se o caso da guerra da Ucrânia em que a Rússia pela voz do seu presidente Vladimir Putin e dos seus porta-vozes quando atribuem a causa da invasão daquele país ao Ocidente (EU, EUA e NATO) associada à pretensão destes pretenderem invadir e bloquear a Rússia.


As narrativas de inversão desafiam os papéis tradicionais, as normas e as dinâmicas de poder num determinado contexto e ainda subverter as expectativas sociais. Ao fazê-lo, promovem o pensamento crítico e a reflexão sobre estas normas no sentido de incentivarem o público a questionar e, potencialmente, a mudar as suas próprias perspetivas.


As narrativas de inversão podem empregar outras técnicas, como reviravoltas na enredo de opiniões e no desenvolvimentos inesperados de atitudes para desafiar as expectativas e criar surpresa ou tensão.


Os dispositivos para a inversão e adulteração de factos ocorre sob a forma de comentários, opiniões, documentários, peças jornalísticas e manifestações com narrativas que ajudam a envolver o público e a mantê-lo na dúvida sobre a ocorrência. Podem provocar reflexão, encorajar a empatia e promover uma compreensão oposta sobre questões complexas.


No geral, as narrativas de inversão em caso de guerras de agressão pretendem fornecer a visão contrária à veracidade do facto comprovado (inversão) atribuindo aos agredidos a responsabilidade de atos por eles não praticados transformando as vítimas em culpados, subvertendo as expectativas em favor de um dos lados, desafiando as abordagens convencionais. São as guerras paralelas de informação e contra informação no sentido de confundir o público.


Caso típico da inversão da narrativa é o caso do PCP que, sem condenar explicitamente o Hamas pelo ataque terrorista, tenta responsabilizar o ocidente pelo acontecido e reforçando a narrativa dos «crimes de guerra em curso na ação de massacre de Israel à Faixa de Gaza».


Nas redes sociais radicais de esquerda, sectários, antissemitas, falsos apoiantes e defensores dos palestinianos debitam frases hediondas, convocam manifestações anti Israel e clamam morte aos judeus, quais nazis do tempo de Hitler. Nas televisões são emitidos vídeos amadores captados por telemóveis em que se fazem proclamações de vingança e ódio contra Israel e o seu povo, acusando-o de barbárie ao mesmo tempo que esquecem a barbárie terrorista perpetrada pelo Hamas e o ataque ao Hospital Al-Ahli Arabi, na cidade de Gaza, que, supõe-se, terá sido efetuado pela Jihad Islâmica da Palestina, apesar de não haver a certeza de como este último facto aconteceu. A política de inversão de causas é diariamente arquitetada pelas forças hostis a Israel e emitida pelos mais diversos canais.


No dia 16 de outubro o jornal Público noticiou que Paulo Raimundo do PCP «acusa a UE de ‘hipocrisia e cinismo’ no conflito entre Israel e Hamas quando apresentou as conclusões da reunião do comité central. Paulo Raimundo criticou a ‘clamorosa hipocrisia e cinismo’ em torno do conflito entre Israel e o Hamas, considerando que aqueles que ‘estiveram calados anos sucessivos’ sobre a ocupação da Palestina por Israel ‘também se calaram’ agora perante os ‘crimes de guerra em curso na ação de massacre de Israel à Faixa de Gaza’». A pergunta que podemos fazer ao PCP é a de saber e resolver o problema que avançam e tendo a Palestina sido ocupada por Israel e ao mesmo tempo se quer devolver o território às populações originais, o que fazer ao povo de Israel?


Não venham as esquerdas radicais criticar opiniões e comentários que se fazem sobre o conflito israelo-palestiniano e que condenam o atentado terrorista do Hamas apenas porque são feitos por orientações de direita e capitalistas e que apoiam os EUA e o ocidente.  


Maria João Marques, com quem nem sempre estou de acordo escreveu no Público que «A hipocrisia da extrema-esquerda (por cá representada pelos setores ligados ao PCP e ao BE) ficou totalmente exposta. Não é possível passar a vida a gritar com estrépito supostamente em prol dos direitos humanos de minorias cada vez mais exíguas e, logo a seguir, aplaudir e defender todos os regimes onde são terraplanados os mais básicos direitos das mulheres, dos gays e lésbicas e das minorias étnicas ou religiosas. Podem dar as voltas retóricas que entenderem, que a hipocrisia fica com rabo de fora.»


Maria João continua escrevendo que a «Extrema-esquerda, manancial de ódio (e de perigo). É este o padrão da esquerda dita progressista olhando para o resto do mundo fora da Europa e Estados Unidos. Já estamos habituados. Porém, nas reações ao absolutamente desumano e absurdamente cruel ataque terrorista do Hamas a Israel, este viés hiperbolizou-se na esquerda radical para o mais acirrado ódio ao Ocidente, ao nosso modo de vida e aos nossos valores. Incluindo a democracia.»


E acrescenta que «Também percebemos: o que move esta esquerda radical não é a defesa de algo positivo (concorde-se ou não). É o ódio ao Ocidente por aquilo que é: capitalista, iluminista e rico por ser capitalista. E livre. Já dizia Orwell, no mesmo prólogo (traduzo): “A russomania corrente é só um sintoma do enfraquecimento da tradição liberal ocidental.” Não se é liberal nem democrata quando se defende regimes totalitários ou iliberais.», e que: «Em Stanford, um professor chamou aos alunos judeus “colonizadores”​ e menosprezou o Holocausto. Quanto antissemitismo. Associações de alunos de Harvard, em comunicado, culparam Israel pelos assassinatos, violações e raptos do Hamas. Manifestações antissemitas, celebrando até a “criatividade”​ do Hamas, foram avistadas em vários campus».


E termina afirmando «Que somos fracos, claro, e tão imbecis que cantamos louvores a qualquer violência não-branca. Que celebramos e nos aliamos a terroristas. Aplaudimos violência sobre quem tem modo de vida igual ao nosso — quem vai para um festival dançar, ouvir música, divertir-se, namorar, procurar parceiro para umas noites e criar boas memórias. No fundo, que merecemos a mesma violência».


Lendo os comentários ao artigo que criticam a autora ficamos a perceber da parte de onde vêm e que são absolutamente sectários. Esclareço, contudo, que não estou absolutamente do lado da política colonialista e expansionista de Israel, mas tenho em conta que atos de violência terrorista apenas agudizam os problemas. Até podemos considerar que este ato hediondo do Hamas tenha tido outras causas próximas que não tenham somente a ver com a questão israelo-palestiniana, mas que terceiros terão utlizado para gerar outros conflitos regionais para conseguirem os seus objetivos noutras áreas. Esta última parte é apenas uma hipótese, ou, se quiserem, uma espécie de teoria da conspiração que tem o valor que tem.


 

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Os discursos de ódio e apelo à violência propagam-se

Discurso de ódio2.png


O discurso de ódio parece estar a estender-se sem controle. Em 12 de outubro deste ano a GPAHE - Global Project Against Hate and Extremism publicou uma investigação em que verificou que o ódio antissemita e antimuçulmano aumentou online após ataques do Hamas a Israel.


Sobre este assunto podem ler o artigo publicado pelo GPAHE.


 


Violento ódio antissemita e antimuçulmano aumenta online após ataques


do Hamas a Israel


Em 48 horas, o uso de insultos e discursos violentos contra comunidades judaicas e muçulmanas no 4chan cresceu cerca de 500%.


Sempre que há conflitos, atos de violência particularmente horríveis, as comunidades atingidas em todo o mundo têm experimentado um aumento do discurso de ódio, incidentes de ódio e a possibilidade de terrorismo impulsionado pelo ódio, muitas vezes por atores individuais. Após os acontecimentos em Israel e Gaza na última semana, extremistas e propagadores de ódio usaram espaços online para atacar judeus e muçulmanos. Ambas as comunidades são alvos frequentes de atos de violência e propaganda de ódio em todo o mundo, e o aumento de incidentes infelizmente não é surpreendente, mas a escala de crescimento na última semana é alarmante.


De acordo com dados recolhidos pelo Projeto Global Contra o Ódio e o Extremismo (GPAHE) da plataforma não regulamentada 4chan, conhecida por seus fóruns preconceituosos, o uso de insultos antissemitas e antimuçulmanos explícitos, juntamente com pedidos para matar ambos os grupos, aumentou de 511 para 2.959 casos entre 6 e 8 de outubro, um aumento impressionante de 479%. Nos dias 9 e 10 de outubro, o ódio não deu sinais de desaceleração, com o uso de insultos e linguagens violentas que surgiam entre 2.537 e 2.550 ocorrências, respetivamente.


O GPAHE escolheu destacar o 4chan devido à sua ligação de longa data com tiroteios em massa com motivação racista e antissemita, como os assassinatos racistas de Buffalo em 2022. Embora esta seja uma pesquisa pouco extensa que não captou todos os insultos imagináveis, os dados demonstram a rapidez com que o ódio prolifera contra as comunidades alvo durante os momentos de conflito.


Os insultos antissemitas e os apelos à violência passaram de 484 ocorrências em 6 de outubro para 2.626 em 8 de outubro, aumentando quase cinco vezes. Os insultos antimuçulmanos e os apelos à violência passaram de 27 casos para 333 no mesmo período, aumentando 11 vezes. E os utilizadores continuaram a sua série de discursos de ódio e de violência nos dias seguintes. Nos dias 9 e 10 de outubro, as mensagens de ódio antissemita e violentas ficaram estáveis em 2.238 e 2.283 ocorrências, respetivamente. O ódio antimuçulmano também se manteve consistente, com 299 e 267 casos no mesmo período. A diferença nesses números pode refletir o nível geralmente alto de ódio antissemita do número considerável de neonazistas encontrados no 4chan.


Está claro nas mensagens no 4chan que os comentadores têm um forte ódio por ambos os grupos, expressando o seu contentamento com o conflito, e com mais muçulmanos e judeus a morrer, "todos os outros no planeta ganham" e que é um "ganha-ganha para os brancos".


Frases com popularidade recente espelham o slogan violentamente racista "TND" ("Total N***** Death") frequentemente usado por pessoas no 4chan, como "TKD" ("Total Kik* Death") e "Total Muzzie (Muslim) Death". Da mesma forma, os utilizadores estão a pedir mais violência por meio de comentários como "Morte aos kik*s. Morte a tel-aviv. Morte a Israel" e "morra por mim infiel" quando se fala em muçulmanos. Previsivelmente, os crimes de ódio contra judeus e muçulmanos estão a aumentar, com a CNN a relatar que houve pelo menos 100 incidentes antissemitas em França desde o fim de semana e relatos de incidentes contra muçulmanos em vários países.


A quantidade de ódio online que se espalhou após a perda indescritível de famílias, amigos e lares é deplorável, mas reflete a crescente onda de extremismo que o mundo enfrenta atualmente. E não é só em plataformas não regulamentadas como o 4chan. Em 11 de outubro, a UE alertou a Meta e o X/Twitter para remover conteúdo terrorista e desinformação relacionados aos eventos no Oriente Médio em 24 horas. As empresas de tecnologia devem seguir as suas próprias políticas e agir imediatamente para retirar conteúdo que inspirem violência para proteger as comunidades marginalizadas.


 


Nota do editor:


Esta matéria foi atualizada em 13 de outubro para incluir um aumento de 479% em insultos e apelos à violência, e não um aumento de 579%.

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Em democracia não pode haver liberdade de expressão sem limites

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Hoje trago para aqui um artigo de JESUS GARCIA publicado  no jornal El Pais em que o autor faz o perfil de Pablo Hasél. O problema que me parece querer evidenciar apenas a questão da liberdade de expressão vai muito para além disso. A liberdade de expressão de pensamento tem os seus limites e não nos podemos refugiar apenas nisso para incitar às maiores atrocidades como aquelas que muitas democracias têm sofrido na pele devido ao terrorismo.


Não devemos por um lado gritar contra o que alguns dizem e não nos agrada, mas, por outro, gritar a favor quando essa liberdade de expressão esteja conforme o nosso pensamento ou nos agrada.


A liberdade de expressão em democracia também deve ter limites. Senão a apologia da violência, do crime, à revolta conta cidadãos ou grupos de cidadãos, ao incitamento para assalto ao poder democrático, e outros sem limites, não poderiam ser criminalizados, entraríamos, então, numa espécie de anarquia comunicacional também ela sem limites. As constituições nos países democráticos também têm isso em conta.


Aqui segue então o artigo traduzido por mim. Por algumas falhas as minhas desculpas. Se quiserem podem ir diretamente à fonte clicando aqui.


Pablo Hasél: rap, raiva e revolução


O rapper, que acaba de entrar na prisão, moveu-se sempre dentro dos limiares da liberdade de expressão. O seu processo judicial não se limita a crimes de opinião: foi condenado por agressão e ameaças


JESUS GARCIA


20 DE FEVEREIRO DE 2021 - 00:30 


Quando os policias entraram no quarto do apartamento onde Pablo Rivadulla Duró (32 anos) morava com os seus pais, em Lleida, encontraram um livro de Che Guevara e uma three shirt  da Fração do Exército Vermelho (RAF), o grupo terrorista de extrema esquerda que colocou a Alemanha Ocidental contra as cordas na década de 1970. Os agentes que detiveram o rapper há 10 anos também localizaram as pastas onde Rivadulla guardava as letras de seus poemas e canções.


Na vida de Pablo Hasél - nome artístico retirado do personagem de um conto árabe que assassinou reis - criação e política, música e luta caminham juntas. Comunista soviético, campeão prematuro da revolução socialista, apaixonou-se pelo rap porque "lhe permitia dizer muitas coisas, mas com raiva". “Ele queria estar naquela trincheira da arte revolucionária”, explica ele numa das extensas entrevistas que deu desde a sua prisão que, em 2014, lhe rendeu a primeira condenação por exaltar o terrorismo .


As canções de Hasél sempre se moveram dentro dos limites permeáveis da liberdade de expressão, direito fundamental da qual, com a sua prisão , ele tornou-se um porta-estandarte. Embora a sua opinião neste campo seja ambivalente. Ele aplaude o que nos Estados Unidos os grupos "falam em matar policiais e até mesmo o presidente e nada acontece com eles"; censura o cantor bachata da República Dominicana Romeo Santos porque as suas letras "ultra-machistas", segundo ele, exaltam as agressões sexuais.


Antes da sua primeira prisão, Hasél era relativamente desconhecido: as suas canções eram ouvidas em círculos undergrounds e minoritários do rap político e o seu horizonte geográfico não se estendia além de Lleida. Ele colocou no YouTube tópicos com frases como "Espero que o Grapo volte", " gora ETA", "O carro de Patxi López merece explodir" ou "Não sinto pena do seu tiro no pescoço, pepero (?)". O tribunal considerou essas expressões um crime de ódio, não a liberdade de expressão. E sentenciou-o a dois anos de prisão. Por ser uma sentença curta e sem antecedentes, evitou a prisão.


Longe de dissuadi-lo, esse obstáculo com a justiça o ancorou nas suas convicções e, apesar da timidez declarada, elevou-o à popularidade. Ele sentiu-se (ainda se sente) chamado para uma missão: despertar a consciência cidadã e “derrubar a ditadura capitalista”, diz ele numa linguagem marxista em desuso. Uma música intitulada Juan Carlos el Bobón—No qual apresenta o rei emérito como “mafioso” e “prostituta” - e 64 tweets - nos quais elogia a trajetória de integrantes do Grapo e do ETA – levaram-no de volta à bancada do Tribunal Nacional. A sentença inicial foi de dois anos, mas finalmente foi reduzida para nove meses de prisão por exaltação do terrorismo. Por insultos à Coroa e às instituições do Estado, foi também condenado na multa de 38 mil euros. Como não pagou - recusou-se a pagar - essa multa e estende a sua pena para dois anos e quatro meses. Hasel queixa-se de que foi condenado por "ter factos objetivos , " referindo-se aos escândalos de corrupção que afetam Juan Carlos I .


Filho do empresário que presidiu a Unió Esportiva Lleida, Hasél ingressou ainda adolescente nos círculos antissistema da cidade. Ele esteve em todos os grupos, lembram fontes da Câmara Municipal, que destacam que o seu compromisso não é com a galeria: Hasél está convicto do que faz. O mesmo foi visto apoiando um grupo pelo direito à moradia no bairro degradado de La Mariola de Lleida como em protestos contra a sentença do procésDesabafou contra o prefeito socialista Àngel Ros: "Você merece um tiro, eu te apunhalo", escreveu ele, entre outras coisas, em 2014, o que lhe rendeu uma multa de 540 euros. A violenta acusação dessas cartas, concluiu um juiz, não está amparada pela liberdade de expressão.


O seu processo judicial não se limita aos crimes de opinião, embora sempre apareça vinculado a um ativismo insaciável. Acumulou três outras condenações: por empurrar e jogar limpador de vidros em uma camara da TV3 durante o despejo de um confinamento na Universidade de Lleida; por ocupar a sede do PSC num protesto e por coagir uma testemunha (a quem chamou de "delator policial") num julgamento. No meio aos protestos que exigem a sua libertação , o Tribunal de Justiça de Lleida confirmou esta última sentença, de dois anos e meio, nesta quinta-feira.


Mas o que inicialmente o levou à prisão foram os seus tweets elogiando terroristas e suas canções contra o ex-monarca. A ordem de admissão à prisão, um breve internamento na reitoria da Universidade de Lleida e a sua posterior detenção pelos Mossos catapultaram-no. Vê-se como vítima de uma “operação estatal” porque faz “as pessoas pensarem”. "Mais cedo ou mais tarde, vamos devolver os anfitriões", disse profeticamente, após ouvir a sua condenação: as manifestações para exigir a sua liberdade seguiram-se, por vezes com motins, em várias cidades espanholas. Da sua cela na prisão de Ponent, onde garante que receberá o tratamento “correto”, Hasél se sente forte e satisfeito com a resposta popular, explica o seu advogado, Diego Herchhoren, que o define como “um bom amigo, mas um mau cliente”.


Rap e raiva alinharam-se. Hasél só carece da revolução.


 

domingo, 21 de julho de 2019

Terrorismo incendiário

Terrorismo incendiário.jpg


 


Assim como temos a época do natal, a época da páscoa, a época de férias passou a haver também a época dos incêndios, nome pomposo com que, desde maio, os noticiários anunciam pomposa e anualmente o flagelo antecipado.


 


É uma espécie de publicidade de aviso aos incendiários e aos pirómanos que alguns insistem ser os maluquinhos das aldeias, e aos outros, os que, inadvertidamente e sem querer, fizeram queimadas, lá no alto dos montes circundantes, em locais afastados das suas terras donde retiraram os entulhos secos.


 


Desde os incêndios na zona de Papilhosa e Pedrógão Grande no distrito de Leiria em 2017 que na “época dos incêndios” as ignições se iniciam estrategicamente em pontos para que, auxiliados pelo tipo de tempo, se encaminhem para locais onde possam por em perigo povoações e pessoas.


 


Sempre tive uma teoria sobre os incêndios em Portugal. Na sua maioria os incêndios, talvez mais de 90%, são estrategicamente colocados e obedecem a regras e orientações muito bem delineadas no espaço, no tempo, na estratégia e cujo móbil é a desestabilização e a insegurança com intenções pró-política. 


 


Segundo o jornal Público o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, registou este domingo a “estranheza” das autoridades e dos autarcas face à ignição de cinco incêndios “separados por poucos minutos”.


 


Para os casos em Portugal deve haver uma rede criminosa com objetivos delineados. Terrorismo é, para mim, o termo adequado. Terrorismo não é apenas executado pelos que disparam indiscriminadamente ou os que se fazem explodir com um engenho junto a locais públicos movimentados. Este tipo de terrorismo é uma espécie de guerra de guerrilha que raramente é ganha por quem a combate devido à rapidez dos ataques e da mobilidade dos atacantes.


 


Podemos considerar o tipo de terrorismo incendiário e em termos mais amplos como um ato de violência com o objetivo de produzir reações emocionais desproporcionais generalizadas, como o medo e ansiedade, que provavelmente influenciam atitudes e comportamentos. Tem uma violência sistémica e bastante imprevisível e geralmente é dirigida contra alvos simbólicos. É uma a violência destinada a transmitir mensagens e ameaças como forma de comunicação para poder ganhar controle social. Estes não são pirómanos, são terroristas incendiários.


 


Acho que, quer à esquerda, quer à direita do espetro político se sabe que assim é, mas ninguém na política teve ainda a coragem para o denunciar. Será que não seria a altura de colocar alguns incêndios fora do âmbito da negligencia e passar a considerar estes como crime organizado contra a segurança do Estado e da Nação?

domingo, 14 de agosto de 2016

Perigosos incendiários florestais

Incendios_4.JPG


Saído do algarve viajo em direção ao norte. Acima da linha do rio Tejo os cheiros do mar substituem-se ao odor a esturro das florestas queimadas.


Os incêndios devastam serras, florestas, perigam povoações, casas, animais e pessoas que vivem nas redondezas por onde o fogo se propaga sem contemplações iniciado por mãos criminosa aliciadas por dinheiro fresco, ganho apenas com o trabalho de riscar um fósforo destruindo bens e vidas de quem se sustenta com trabalho duro.  


Nesta época do ano, parca em acontecimentos políticos que não possibilitam a captação de audiências os órgãos de comunicação social televisivos não têm mãos a medir e as redações aproveitam este filão noticioso.


As notícias sobre a destruição de património florestal pelos incêndios substituem-se aos comentários especulativos e às notícias sobre política tendenciosamente desestabilizadoras. 


Na época de incêndios, como se estes fossem uma época, como pomposamente os canais de televisão denominam os incêndios logo no início da primavera e do verão, na sua ânsia de informação, e de “serviço público como tão bem sabem fazer”, convidam toda a espécie de sumidades e personalidades entendidas sobre florestas, incêndios, ordenamentos, para entrevistas e debates sobre o tema. Todos os anos dizem o mesmo, especulam, peroram, defendem, atacam.


Ao longo de mais de trinta anos os incêndios passaram a ser a regra e não exceção. A partir de maio, assim que a meteorologia prevê aquecimento estão eles, os diligentes e atentos das redações dos canais de televisão antecipando notícia do que preveem irá ser notícia. Isto é, preveem aquilo que vai acontecer sem saberem se vai de facto acontecer. Há uma estranha sensação de que preparam, estimulam, aliciam para que aconteça, para que haja notícia.


No calor dos incêndios, as populações acodem, socorrem, apoiam quem acorreu em seu auxílio, os incansáveis bombeiros, quando podem. Os canais informativos primeiro, depois os generalistas, repetem até a exaustão notícias cada vez mais assustadoras e, para acalmar a raiva dos que por toda a parte clamam por justiça avançam com progressos efetuados pelas várias polícias na detenção de presumíveis incendiários. Falam em culpados, suspeitos, indiciados, fazem prisões preventivas, informam sobre números de suspeitos e que as polícias detiveram ou que se encontram em averiguação. Divulgam o perfil dos potenciais incendiários, inimputáveis, uns, outros são geralmente novos ou idosos, desempregados, alcoólicos oue toxicodependentes e, caso estranho, utilizam isqueiros ou fósforos para iniciar o incendio. Estranho seria que utilizassem lança-chamas!


Fazem-se petições para agravamento de penas para incendiários. Juízes sentenciam que os reincidentes pirómanos retornem à prisão durante a época estival. Mas não será isto apenas para acalmar a voz do povo que especula nas ruas, nos cafés, nos bairros que, sem compreender, atribui e aponta as mais diversas as causas para estes atos criminosos?


Na voz de alguns países, nossos parceiros da U.E., somos quase uma espécie de párias, não o dizem, mas de forma mais diplomática lá o vão dizendo de modo a ser politicamente correto. Agora somos um povo de perigosos de incendiários e, neste ponto, temos que lhes dar razão se nos chamarem PIF’s, povo de Perigosos de Incendiários Florestais. Custa-me dizê-lo mas a evidência confirma-o, diariamente, nas últimas três semanas.


Surgem notícias rebuscadas com imagens que mostram incêndios noutros países como em Espanha e em França. É como quem diz: veem não é só cá! E o povo reproduz. Funciona como uma espécie de purga para as consciências face aos desastres premeditadamente provocados por indivíduos ou grupos de incendiários. Não se queira comparar o que é incomparável. Uns, são casos pontuais, outros, os nossos, em Portugal, são sistemáticos, organizados e de cariz marcadamente criminoso. Especula-se sobre as causas que motivam estes atos criminosos que terminam quase sempre em culpados cujo perfil atrás referi.


Se pudéssemos ao longo dos últimos trinta anos, cartografar os dados de áreas ardidas, para um analisar e comparar as suas localizações, dias e horas do início das ignições e dos alertas, a importância económica e ecológica das áreas incendiadas, os locais de importância paisagística para o turismo, a proximidade de reservas naturais para uma análise temporal daquela informação cartografada provavelmente mostraria um padrão que indiciaria que não há aleatoriedade e ocasionalidade dos incêndios mas um planeamento prévio que pressupõe a existência de uma rede de terrorismo incendiário, cobarde e sem rosto, muito bem organizada com objetivos definidos a médio e longo prazo. A média e grande extensão dos incêndios incontroláveis, como o foram os deste verão, mostra exatidão nos locais, a utilização das previsões meteorológicas relevantes para a prática deste terrorismo, o conhecimento da impossibilidade da plena eficácia de meios no combate ao incêndio nas áreas escolhidas a que se junta a seleção de indivíduos que são facilmente aliciados com motivações que vão para além das aparências apontadas ou o maluquinho da aldeia ou o sujeito ou sujeita que resolveu fazer um fogacho para uma sardinhada e que não teve cuidado. Como ouvi dizer o presidente da Cáritas portuguesa, há forças ocultas que estarão por detrás disto.


Funcionam como máfias organizadas onde quem está no terreno desconhece quem é o mandatário do crime ou até a motivação para tal. Um desconhece o agente imediatamente anterior, Não é justificável qualquer que seja a motivação para que portugueses destruam o país onde vivem.


Na Europa temos a fama de sermos um povo que vive acima das suas possibilidades, gastador, acusação que é, como se sabe, falaciosa, agora de sermos considerados um povo perigosamente incendiário é que já não nos livramos.


Hoje é o dia em que o querido líder do PSD Passos Coelho vai dizer as balelas do costume no Pontal o que centrará as atenções dos órgãos de comunicação social que aproveitarão para o “puxar para cima”, e os incêndios passaram à história.

Perigosos incendiários florestais

Incendios_4.JPG


Saído do algarve viajo em direção ao norte. Acima da linha do rio Tejo os cheiros do mar substituem-se ao odor a esturro das florestas queimadas.


Os incêndios devastam serras, florestas, perigam povoações, casas, animais e pessoas que vivem nas redondezas por onde o fogo se propaga sem contemplações iniciado por mãos criminosa aliciadas por dinheiro fresco, ganho apenas com o trabalho de riscar um fósforo destruindo bens e vidas de quem se sustenta com trabalho duro.  


Nesta época do ano, parca em acontecimentos políticos que não possibilitam a captação de audiências os órgãos de comunicação social televisivos não têm mãos a medir e as redações aproveitam este filão noticioso.


As notícias sobre a destruição de património florestal pelos incêndios substituem-se aos comentários especulativos e às notícias sobre política tendenciosamente desestabilizadoras. 


Na época de incêndios, como se estes fossem uma época, como pomposamente os canais de televisão denominam os incêndios logo no início da primavera e do verão, na sua ânsia de informação, e de “serviço público como tão bem sabem fazer”, convidam toda a espécie de sumidades e personalidades entendidas sobre florestas, incêndios, ordenamentos, para entrevistas e debates sobre o tema. Todos os anos dizem o mesmo, especulam, peroram, defendem, atacam.


Ao longo de mais de trinta anos os incêndios passaram a ser a regra e não exceção. A partir de maio, assim que a meteorologia prevê aquecimento estão eles, os diligentes e atentos das redações dos canais de televisão antecipando notícia do que preveem irá ser notícia. Isto é, preveem aquilo que vai acontecer sem saberem se vai de facto acontecer. Há uma estranha sensação de que preparam, estimulam, aliciam para que aconteça, para que haja notícia.


No calor dos incêndios, as populações acodem, socorrem, apoiam quem acorreu em seu auxílio, os incansáveis bombeiros, quando podem. Os canais informativos primeiro, depois os generalistas, repetem até a exaustão notícias cada vez mais assustadoras e, para acalmar a raiva dos que por toda a parte clamam por justiça avançam com progressos efetuados pelas várias polícias na detenção de presumíveis incendiários. Falam em culpados, suspeitos, indiciados, fazem prisões preventivas, informam sobre números de suspeitos e que as polícias detiveram ou que se encontram em averiguação. Divulgam o perfil dos potenciais incendiários, inimputáveis, uns, outros são geralmente novos ou idosos, desempregados, alcoólicos oue toxicodependentes e, caso estranho, utilizam isqueiros ou fósforos para iniciar o incendio. Estranho seria que utilizassem lança-chamas!


Fazem-se petições para agravamento de penas para incendiários. Juízes sentenciam que os reincidentes pirómanos retornem à prisão durante a época estival. Mas não será isto apenas para acalmar a voz do povo que especula nas ruas, nos cafés, nos bairros que, sem compreender, atribui e aponta as mais diversas as causas para estes atos criminosos?


Na voz de alguns países, nossos parceiros da U.E., somos quase uma espécie de párias, não o dizem, mas de forma mais diplomática lá o vão dizendo de modo a ser politicamente correto. Agora somos um povo de perigosos de incendiários e, neste ponto, temos que lhes dar razão se nos chamarem PIF’s, povo de Perigosos de Incendiários Florestais. Custa-me dizê-lo mas a evidência confirma-o, diariamente, nas últimas três semanas.


Surgem notícias rebuscadas com imagens que mostram incêndios noutros países como em Espanha e em França. É como quem diz: veem não é só cá! E o povo reproduz. Funciona como uma espécie de purga para as consciências face aos desastres premeditadamente provocados por indivíduos ou grupos de incendiários. Não se queira comparar o que é incomparável. Uns, são casos pontuais, outros, os nossos, em Portugal, são sistemáticos, organizados e de cariz marcadamente criminoso. Especula-se sobre as causas que motivam estes atos criminosos que terminam quase sempre em culpados cujo perfil atrás referi.


Se pudéssemos ao longo dos últimos trinta anos, cartografar os dados de áreas ardidas, para um analisar e comparar as suas localizações, dias e horas do início das ignições e dos alertas, a importância económica e ecológica das áreas incendiadas, os locais de importância paisagística para o turismo, a proximidade de reservas naturais para uma análise temporal daquela informação cartografada provavelmente mostraria um padrão que indiciaria que não há aleatoriedade e ocasionalidade dos incêndios mas um planeamento prévio que pressupõe a existência de uma rede de terrorismo incendiário, cobarde e sem rosto, muito bem organizada com objetivos definidos a médio e longo prazo. A média e grande extensão dos incêndios incontroláveis, como o foram os deste verão, mostra exatidão nos locais, a utilização das previsões meteorológicas relevantes para a prática deste terrorismo, o conhecimento da impossibilidade da plena eficácia de meios no combate ao incêndio nas áreas escolhidas a que se junta a seleção de indivíduos que são facilmente aliciados com motivações que vão para além das aparências apontadas ou o maluquinho da aldeia ou o sujeito ou sujeita que resolveu fazer um fogacho para uma sardinhada e que não teve cuidado. Como ouvi dizer o presidente da Cáritas portuguesa, há forças ocultas que estarão por detrás disto.


Funcionam como máfias organizadas onde quem está no terreno desconhece quem é o mandatário do crime ou até a motivação para tal. Um desconhece o agente imediatamente anterior, Não é justificável qualquer que seja a motivação para que portugueses destruam o país onde vivem.


Na Europa temos a fama de sermos um povo que vive acima das suas possibilidades, gastador, acusação que é, como se sabe, falaciosa, agora de sermos considerados um povo perigosamente incendiário é que já não nos livramos.


Hoje é o dia em que o querido líder do PSD Passos Coelho vai dizer as balelas do costume no Pontal o que centrará as atenções dos órgãos de comunicação social que aproveitarão para o “puxar para cima”, e os incêndios passaram à história.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Adia, adia, que o teu adiar tem graça

Os últimos acontecimentos têm sido dominados por atos de terrorismo assassino relegando para segundo plano, e temporariamente esquecidas, outras notícias, o que é compreensível.


Assim recordo que na passada semana não foi por acaso que alguns órgãos de comunicação social, nomeadamente televisões, voltaram na passada semana ao caso Sócrates.


Quem tem feito o frete de ler, mesmo que de passagem, os escritos que aqui coloco terá constatado que raramente abordei o tema Sócrates e a dita Operação Marquês. Não comentei nem emiti qualquer opinião a favor ou contra Sócrates pelo desconhecimento que tenho dos reais contornos do processo judicial e, o que é publicado pela comunicação social, posso apenas considerá-las como especulações oriundas de informações dum processo judicial inacabado. A isto acrescento que também não acredito em santidades tendo em conta o que, se tem visto por aí ao longo dos anos ao nível da corrupção.


Mas há uma coisa que sei, é que, em certos momentos estrategicamente escolhidos, seja por artes mágicas ou quaisquer outras formas de ilusionismo, são lançadas para a opinião públicas “novidades” travestidas de narrativas do género faz de conta.


Quem está a dirigir o processo mais parece um salta-pocinhas que vai saltitando de charco em charco de águas estagnadas para se refrescar. Fará algum sentido para o comum dos cidadãos como eu que, passado todo este tempo, se vão fazer buscas na PT e noutros locais para arranjarem matéria sabe-se lá de quê e porquê? Esperará por acaso quem está à frente da investigação que ao fim deste tempo todo, o material comprometedor estivesse à espera que chegassem buscas para o arranjo de novas provas? Isto mais parecem manobras de diversão dos chamados empata f…


Coincidentemente, ou não, o dia 15 de setembro foi anunciado há meses pelo diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, Amadeu Guerra, como prazo limite para a conclusão da investigação do processo "Operação Marquês" e a acusação contra o antigo primeiro-ministro José Sócrates. Mas, lá vamos nós, mais uma vez, em março de 2016 “admite, num despacho, que aquele prazo pode ser alterado por ‘razões excecionais, devidamente fundamentadas’". Aproximando-se o prazo, e já la vão quatro meses, vêm ao de cima novas investigações.


O labirinto é tão confuso que já nem eles (os da investigação) se entendem. Não me admiraria que viessem dizer que este processo tem contornos mundiais na China, Rússia, e de espionagem a favor da Coreia do Norte e que, por isso, é necessário mais tempo. Sarcasmo claro!


Ao fim de tanto tempo, mesmo que não queiramos, podemos começar a desconfiar de que algo não está a bater muito certo.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

A politiquice patética e o videirinho

Passos Coelho continua na senda da política patética e da parvoíce. Ganhou eleições sem maioria absoluta e formou um Governo minoritário instável que foi derrubado na Assembleia da República. Agora vem dizer numa entrevista que lhe roubaram o poder. Deixe-se de brincar à política do disparate. Demita-se com a sua trupe da liderança do PSD a quem causaram males que chegue.


Pacheco Pereira diz que há um neo PSD. Até concordo. É um PSD de características neoliberais que se desvirtuou. O PSD necessita duma reconstrução correndo o risco de ficar sempre a ser considerado como um partido fora do centro radicalizando-se para o lado da direita donde até o CDS, mimeticamente, se esforça por afastar embora nem sempre o conseguindo.


Será que procura uma carreira profissional como Durão Barroso. Desengane-se Passos porque mesmo na arte do engano, da patranhice e do mimetismo Passos não consegue igualá-lo.


A tragédia de Nice, perpetrada seja lá por que for está no grupo das patologias sociopatas não genéticas, induzidas por influência do ambiente social e exploradas por extremismos religiosos, e o golpe na Turquia, ainda com contornos desconhecidos, vieram abafar o caso Durão Barroso.


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O ex-presidente da Comissão Europeia José Manuel Barroso enfrentou uma onda de críticas após conhecimento de que irá ser conselheiro o banco de investimento norte-americano Goldman Sachs sobre o Brexit.


Barroso um videirinho, (classificação interessante de Pedro Marque Lopes), foi primeiro-ministro de Portugal que, depois de assustar o país com o célebre “o país está de tanga”, (não está em causa o facto mas a forma) colabora com a falcatrua de G. W. Bush que deu lugar à guerra no Iraque, abandona o barco, qual ratazana, seguindo célere para ocupar o lugar de Presidente da Comissão Europeia entre 2004-2014 que lhe foi oferecido de bandeja fosse lá porque motivo fosse. Agora vai tornar-se um presidente não-executivo da Goldman Sachs International (GSI), braço internacional do banco, com sede em Londres.


A Goldman Sachs esteve fortemente envolvida na venda de produtos financeiros complexos, incluindo hipotecas de alto risco que contribuíram para a crise financeira mundial em 2008.


A conversa promocional costumeira surge: "José Manuel traz imensos conhecimentos e experiência para Goldman Sachs, incluindo uma compreensão profunda da Europa," disseram num comunicado os executivos, Michael Sherwood e Richard Gnodde Resta saber conhecimentos e experiência de quê?…


Durão Barroso não hesitou mas sua nomeação atraiu críticas de todo o espectro político, exceto do PSD em Portugal.


Pedro Filipe Soares, líder em Bloco de Esquerda disse: "Esta nomeação mostra que a elite europeia de que Barroso faz parte não conhece a vergonha."


O ministro de comércio exterior da França Matthias Fekl escreveu no Twitter que "Servir o povo mal, servindo-se do Goldman Sachs. Barroso é uma representação obscena de uma velha Europa que o nosso representante diz mudar".


Colegas de Fekl no Parlamento Europeu também condenaram a chamada de Durão Barroso denominando-a de "escandalosa".


É um “Boom para euro-fóbicos” dizem outros.


Ao mesmo tempo, franceses, membros socialistas do parlamento europeu pediram mudanças legais para bloquear a possibilidade de utilizar os cargos como "porta giratória" para se lançarem para empregos lucrativos no setor privado depois de os deixarem. Num comunicado conjunto afirmaram: "Fazemos um apelo para as regras serem alteradas para impedir a nomeação do ex-comissário europeu," e acrescentam que "no sistema de porta giratória parece haver muito de conflito de interesses".


Durão Barroso, disse ao jornal Expresso que "Depois de ter passado mais de 30 anos na política e na administração pública, é um desafio interessante e estimulante que me permite usar as minhas competências para uma instituição financeira global".


O jornal de esquerda francês Libération descreveu a nomeação de Barroso como "o pior momento para a União e uma benção para os euro-fóbicos”.


Até Marine Le Pen, líder do partido francês da extrema-direita Frente Nacional (FN), aproveita o caso para atacar a Europa, escreveu no Twitter que a nomeação não era "nada de surpreendente para as pessoas que sabem que a UE não serve as pessoas, mas a alta finança".


São sujeitos como este que se infiltram na vida política e dizem defender os interesses do seu país mas que apenas se servem dele para construir a sua carreira. São os videirinhos. E ainda há quem não quer abrir o olhos apoiando este tipo de gente.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Parcialidade de um presidente

Parcialidade.png


 


Uma breve referência ao que se passou em Paris. Foi um exemplo lamentável do terror praticado contra a democracia e as culturas europeias que causou indignação mundial. Que mais se pode esperar de quem não respeita a sua própria cultura e regressa a um estado de barbárie? Esperemos que estes atos de extrema violência não sirvam de pretexto para que alguns ditadorzecos que por aís andam comecem a gritar aos quatro ventos, agitando os papões da segurança, dando oportunidade para porem em causa a liberdade democrática.


*


*   *


Vamos então voltar à nossa República começando pela expressão "ter dois pesos e duas medidas" segundo os Novos Dicionários de Expressões Idiomáticas – Português, Lisboa, Edições João Sá da Costa, 2006, «diz-se de pessoa que não usa de imparcialidade, isenção, equidade em seus juízos, atos, decisões», isto é, julgar de forma parcial duas situações iguais. Aquela expressão aplica-se na íntegra ao atual Presidente da República que tem demonstrado a sua aplicabilidade na prática corrente da sua política.


É o exemplar perfeito da falta de carácter político. Revanchista, tendência para ditador que, infelizmente para ele, não pode exercer como acha que deveria. Utiliza o poder que lhe foi concedido pelos eleitores para impor a sua vontade e do seu partido.


Nas suas intervenções proclamava a instabilidade governativa como prejudicial a Portugal sugerindo esse facto como prejudicial caso a coligação de direita não ganhasse maioria absoluta que agora parece ter deixado de ter qualquer importância. Num regresso ao passado relembra agora que ele, quando primeiro-ministro, e que no tempo de José Sócrates, que agora já serve de exemplo, também houve governos de gestão.


Ainda hoje numa missão de propaganda do ex-governo que protegeu voltou a elogiá-lo e regressou mais uma vez ao passado. Este Presidente não é mais do que uma pouca-vergonha para Portugal. Uma mancha na história da nossa democracia.


Os mercados, os credores já não são relevantes. Provavelmente, Cavaco Silva estaria interessado em que reconhecessem que havia instabilidade governativa para poder justificar as decisões políticas mal-amanhadas que viesse a tomar. Parece que os tais mercados não até hoje não o demonstram porque Lisboa dispara 2,5%. A melhor sessão desde as eleições. Isto também foi devido ao anterior Governo ou ao de gestão de Passos Coelho?


 Onde estão agora os superiores interesses da nação? O que diz e o que faz são antagónicos. "Agrei sempre…, mas sempre de acordo com os interesses superiores de Portugal...", proclama. Mas será? A prática não o confirma.


Cavaco Silva, enquanto Presidente, diz que não é político. Mas que afirmação mais disparatada. Não terá a função de Presidente da República, um dos órgãos de soberania, uma função também política. É um político até de mais agravado pelo seu partidarismo porque age como um Presidente partidário.  

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

O disparate devia pagar imposto

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Os disparates de responsáveis políticos têm proliferado por aí, os meus também, mas tenho desculpa porque não desempenho qualquer função política nem exerço qualquer cargo nessa área, pelo menos até ver… Nunca digas desta água não beberei.


Comentando o hediondo crime praticado em Paris perpetrado por assassinos a soldo de "seitas" que dizem praticar ideais muçulmanos que, neste e noutros casos de impulso jihadista ou semelhante, revelam são ser mais do que assassínios.


A este propósito veio uma deputada europeia do PS, Ana Gomes, afirmar no Twitter que "o terrorismo é um dos resultados da austeridade". Criando polémica, esta afirmação veio logo a ser por ela "explicada" tentando justificar o injustificável.


Apenas lhe faltou associar a austeridade à criação de um pseudo estado islâmico  (EIIL-Estado Islâmico do Iraque e do Levante) e do seu líder califa Abu Bakr al-Baghdadi  que veio ressuscitar a idade média dos califados, e, já agora ao que se está a passar no Iraque e na Síria.


O disparate não paga imposto mas devia, e bem alto.


¿Por qué no te callas


 


 


 


 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Universidades de verão ou em vão?




Este mês de agosto tenho andado arredado da política nem sei bem porquê talvez desiludido com uma direita que nada resolveu, mas antes agravou os problemas que diz serem sempre e todos dos outros e de uma esquerda receosa de propostas e estacionada para ver em que param as modas.


Entretanto vários diplomas têm vindo a ser preparados enquanto os portugueses embriagados pelo sol e pelos banhos talvez como preparação para as banhadas que irão apanhar até final do ano vindas a todos o vapor por esta direita desgovernada por um primeiro-ministro também ele com os comandos desgovernados.


Veio agora o tempo das universidades de verão do PS e do PSD. Fantochadas que, sob o pretexto de aulas, não são mais do que meras propagandísticas partidárias, está bem de ver. O título de universidade de verão com que aqueles partidos resolveram pomposamente designar os seus comícios restritos que nada têm a ver com o trabalho isento e metodologicamente científico que se faz nas universidades. Dali nada sai como contributo válido para a resolução dos problemas do país e obviamente das pessoas que nele vivem. São meras lavagens inconsequentes que apenas servem para regar as cabeças dos que ainda têm paciência para tomar a injeção ideológica vinda especificamente de uma direita neoliberal que, desastrosamente, nos tem desgovernado e que servem apenas para comunicação social divulgar.


Quanto ao PCP e ao BE continuam com o seu já habitual discurso panfletário e comicieiro este, diga-se, mais do lado do BE na voz da sua cabeça feminina.


E assim vai a política nacional num final de verão com Portugal dominado por terroristas incendiários, que ceifaram várias vidas no combate às chamas e aos quais o Presidente República não ser referiu tal qual fossem gente sem a importância que lhe merecesse. Ninguém tem a coragem de investigar a fundo e de apontar o dedo aqueles terroristas incendiários, limitando-se as autoridades a prender os suspeitos do costume como sejam o bêbado do lugar, o idoso que se quer vingar do vizinho, o maluquinho da aldeia que sobe encostas íngremes de uma serra para lançar fogos em várias frentes coincidentemente na mesma área, e outros que tais.


Houve ainda o infeliz desaparecimento do Dr. Borges que lamentamos apesar de em nada concordarmos com o seu contributo com pontos de vista radicais que, enquanto conselheiro, muito ajudaram Passos Coelho a destruir o tecido social fazendo-nos aproximar a passos largos de alguns países do leste europeu para, segundo eles, podermos ser competitivos. O que não podemos esquecer é que, quando aí chegarmos, os investimentos por que tanto ansiamos partirão para outros locais ainda mais competitivos.

Universidades de verão ou em vão?




Este mês de agosto tenho andado arredado da política nem sei bem porquê talvez desiludido com uma direita que nada resolveu, mas antes agravou os problemas que diz serem sempre e todos dos outros e de uma esquerda receosa de propostas e estacionada para ver em que param as modas.


Entretanto vários diplomas têm vindo a ser preparados enquanto os portugueses embriagados pelo sol e pelos banhos talvez como preparação para as banhadas que irão apanhar até final do ano vindas a todos o vapor por esta direita desgovernada por um primeiro-ministro também ele com os comandos desgovernados.


Veio agora o tempo das universidades de verão do PS e do PSD. Fantochadas que, sob o pretexto de aulas, não são mais do que meras propagandísticas partidárias, está bem de ver. O título de universidade de verão com que aqueles partidos resolveram pomposamente designar os seus comícios restritos que nada têm a ver com o trabalho isento e metodologicamente científico que se faz nas universidades. Dali nada sai como contributo válido para a resolução dos problemas do país e obviamente das pessoas que nele vivem. São meras lavagens inconsequentes que apenas servem para regar as cabeças dos que ainda têm paciência para tomar a injeção ideológica vinda especificamente de uma direita neoliberal que, desastrosamente, nos tem desgovernado e que servem apenas para comunicação social divulgar.


Quanto ao PCP e ao BE continuam com o seu já habitual discurso panfletário e comicieiro este, diga-se, mais do lado do BE na voz da sua cabeça feminina.


E assim vai a política nacional num final de verão com Portugal dominado por terroristas incendiários, que ceifaram várias vidas no combate às chamas e aos quais o Presidente República não ser referiu tal qual fossem gente sem a importância que lhe merecesse. Ninguém tem a coragem de investigar a fundo e de apontar o dedo aqueles terroristas incendiários, limitando-se as autoridades a prender os suspeitos do costume como sejam o bêbado do lugar, o idoso que se quer vingar do vizinho, o maluquinho da aldeia que sobe encostas íngremes de uma serra para lançar fogos em várias frentes coincidentemente na mesma área, e outros que tais.


Houve ainda o infeliz desaparecimento do Dr. Borges que lamentamos apesar de em nada concordarmos com o seu contributo com pontos de vista radicais que, enquanto conselheiro, muito ajudaram Passos Coelho a destruir o tecido social fazendo-nos aproximar a passos largos de alguns países do leste europeu para, segundo eles, podermos ser competitivos. O que não podemos esquecer é que, quando aí chegarmos, os investimentos por que tanto ansiamos partirão para outros locais ainda mais competitivos.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Terrorismo e incêndios florestais


Considero qualquer tipo de terrorismo cobarde, criminoso, abjeto e outros adjetivos similares. A morte de pessoas e a destruição de bens pelo terrorismo é lamentável e os culpados deveriam ser exemplarmente punidos. Este tipo de terrorismo a que me refiro, quando tem fins políticos, religiosos e ideológicos é, por norma, reivindicado por organizações clandestinas que querem ter protagonismo pensando assim que defendem causas. É como se dissessem, somos de tal organização, defendemos isto, estamos aqui e fizemos aquilo.


Todavia há outro tipo de terrorismo que prolifera no nosso país que é o dos incêndios das nossas florestas na época de verão, alguns cobardemente provocados, outros por negligência que não deixa de ser também criminosa.


Do meu ponto de vista estes incêndios são também atos de terrorismo premeditado tanto ou mais cobarde do que os anteriormente referidos porque destroem riquezas florestais colocam em risco pessoas e bens, não são reivindicados por ninguém, desconhecem-se quais os objetivos ou quaisquer organizações a que eventualmente pertençam. É um terrorismo sem rosto sobre o qual se tem especulado muito e descoberto pouco. Que tipo de gente é esta que obtém vantagens com este tipo de terrorismo cujas causas e origens não são conhecidas nem identificáveis, que destroem o país onde os seus filhos e netos irão viver, condenando-os a um deserto de montanhas e áreas escalavradas e onde irão surgir eucaliptos e outros “projetos” destruidores do ambiente? Afinal o que pretendem? Quem pretendem atingir?


Portugal é o quinto país do mundo com a maior área de eucalipto plantada. Esperemos, já agora, que a “fúria” das exportações, nomeadamente as da madeira para pasta de papel e o incentivo à plantação de eucaliptos que o Ministério da Agricultura, Mar e Ordenamento do Território, pela mão da sua ministra, não vá estimular os incêndios de matas de pinheiros onde depois se plantarão eucaliptos que crescem rapidamente com o consequente lucro rápido e fácil, porque este é o país do vale tudo!

Terrorismo e incêndios florestais


Considero qualquer tipo de terrorismo cobarde, criminoso, abjeto e outros adjetivos similares. A morte de pessoas e a destruição de bens pelo terrorismo é lamentável e os culpados deveriam ser exemplarmente punidos. Este tipo de terrorismo a que me refiro, quando tem fins políticos, religiosos e ideológicos é, por norma, reivindicado por organizações clandestinas que querem ter protagonismo pensando assim que defendem causas. É como se dissessem, somos de tal organização, defendemos isto, estamos aqui e fizemos aquilo.


Todavia há outro tipo de terrorismo que prolifera no nosso país que é o dos incêndios das nossas florestas na época de verão, alguns cobardemente provocados, outros por negligência que não deixa de ser também criminosa.


Do meu ponto de vista estes incêndios são também atos de terrorismo premeditado tanto ou mais cobarde do que os anteriormente referidos porque destroem riquezas florestais colocam em risco pessoas e bens, não são reivindicados por ninguém, desconhecem-se quais os objetivos ou quaisquer organizações a que eventualmente pertençam. É um terrorismo sem rosto sobre o qual se tem especulado muito e descoberto pouco. Que tipo de gente é esta que obtém vantagens com este tipo de terrorismo cujas causas e origens não são conhecidas nem identificáveis, que destroem o país onde os seus filhos e netos irão viver, condenando-os a um deserto de montanhas e áreas escalavradas e onde irão surgir eucaliptos e outros “projetos” destruidores do ambiente? Afinal o que pretendem? Quem pretendem atingir?


Portugal é o quinto país do mundo com a maior área de eucalipto plantada. Esperemos, já agora, que a “fúria” das exportações, nomeadamente as da madeira para pasta de papel e o incentivo à plantação de eucaliptos que o Ministério da Agricultura, Mar e Ordenamento do Território, pela mão da sua ministra, não vá estimular os incêndios de matas de pinheiros onde depois se plantarão eucaliptos que crescem rapidamente com o consequente lucro rápido e fácil, porque este é o país do vale tudo!