Mostrar mensagens com a etiqueta guerra fria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta guerra fria. Mostrar todas as mensagens

sábado, 30 de julho de 2022

A invasão da Ucrânia de Trump a Putin: contributos para uma teoria da conspiração

Curioso é analisarmos que Joe Biden tomou posse como Presidente dos EUA em 20 de janeiro de 2021. Cerca de um ano e um mês depois de Trump ter saído da cena da presidência Putin invade a Ucrânia. Isto diz-nos alguma coisa.


 


Putin e Trump-capa.png


As circunstâncias criadas pelos atores da política internacional levam-nos por vezes a aventurar-nos em terrenos imprevisíveis da paisagem política em permanente mudança de velocidade e de factos. Ao tentarmos fazer uma interpretação política de factos políticos sem sermos especialistas, vemos que há acontecimentos comprovados que nos levam a estabelecer interpretações e paralelismos por vezes arrojados.


Em política, interpretações e paralelismos não são isentos de ideologias que determinam o contexto do exercício do poder e as abordagens socioeconómicas que fazem parte de ideias e de interesses que ajudam a compreender a criatividade estratégica das ações e, muitas vezes, as obsessões dos atores políticos.


Pode continuar a ler AQUI o artigo: A invasão da Ucrânia de Trump a Putin-contributos para uma teoria da conspiração


 


 

terça-feira, 8 de março de 2022

O que se diz e o que não se diz, o que se escreve e o que não se escreve, o que se ouve e aquilo em que se acredita

Ver ouvir escrever.png


Centremo-nos primeiro no mais recente percurso político da Ucrânia e nas suas tensões com a Rússia que começaram em 2019 com a onda conservadora nas urnas para a presidência em que Zelensky ganhou com 73% dos votos a Poroshenko que concorria à reeleição. Poroshenko, admitiu na altura a derrota após a publicação das primeiras contagens dizendo que não deixaria a política. Zelensky aproveitou a sua popularidade em alta, prometeu reformas no sistema político, dissolveu o parlamento e anunciou a convocação de eleições legislativas.


Ao apresentar um plano de governo levou para a discussão pública as críticas feitas na televisão aos "oligarcas" da política ucraniana e defendeu a entrada da Ucrânia para a União Europeia e para a NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN) que era a questão central e levou ao atual conflito com a Rússia.


Nos dias que se seguiram à invasão muitos que apoiam a agressão bélica utilizaram uma linguagem com uma gíria cujo objetivo é o de confundir as opiniões públicas seguindo o Presidente Vladimir Putin que também tem recorrido a esse processo de utilizar as palavras nacionalistas, neonazistas, libertação do país da extrema direita, limpeza étnica, etc., quando se refere à Ucrânia.


Acusam Zelensky de fomentar o crescimento do neonazismo e da conivência com o grupo neonazi Batalhão de Azov. Este grupo de milícias foi criado em 2014 para conter separatistas russos nas regiões de Donetsk e Lugansk, tendo sido esta milícia de extrema-direita incorporada em 2015 no exército ucraniano que os pró-russos dizem ainda hoje perdura. É por isso que Putin fala em "desnazificação" para justificar as suas metas no avanço militar de ocupação da Ucrânia. Mas essa situação é interna e compete ao povo desse país soberano pressionar o governo se, para tal, quiser resolver o problema.


Mas nesta equação entrou uma nova variável já conhecida que é Donald Trump. No primeiro ano de presidência, Zelensky esteve na base de uma "trapalhada" de Donald Trump que quase levou o então presidente norte-americano a um processo para impeachment. Em 2019, ano de eleições na UJcrânia, Donald Trump ligou para Zelensky a pedir para que o filho de Joe Biden, seu adversário na corrida à eleição, fosse investigado e que na altura fazia parte do conselho de administração numa empresa ucraniana de gás natural. Trump foi então apanhado num telefonema a reter a ajuda militar à Ucrânia, já em curso, dizendo que ("Gostaria que você nos fizesse um favor, no entanto") dizia, em troca de Zelensky comprometer Biden, rival de Trump às eleições. Trump "poluiu a Ucrânia com sua  negociação política" como se pode ler num artigo na revista The Atlantic. Foi acusado de tentar recrutar poder estrangeiro para interferir a seu favor na disputa eleitoral. Trump chegou a ter a interrupção do mandato aprovada pela Câmara, mas foi barrada pelo Senado americano.


Centremo-nos agora em segundo lugar sobre o que se observa nas redes sociais, em artigos de opinião, comentadores, comentários na comunicação social, comunicados de partidos.


Começo com a perturbante reação do PCP que teima em defender um regime que é criminoso à luz do direito internacional. O PCP agarra-se ao passado soviético mantendo uma linha de defesa de Moscovo disfarçada de rejeição do capitalismo de Putin ao mesmo tempo que culpabiliza o capitalismo dos EUA e a NATO pela invasão da Ucrânia. Não se aperceber que a Rússia já não é aquilo que formou o seu ideário, mas que é um projeto de poder de um homem que alimenta e subsidia muitos partidos da extrema-direita europeia ao mesmo tempo que se queixa da extrema-direita na Ucrânia.


Por seu lado o Bloco de Esquerda anda numa roda-viva para ver se consegue distanciar-se das posições do PCP numa dança intermitente que ora critica, ora desvaloriza, ou, a dizer, como ontem aconteceu, que “O Bloco de Esquerda defende que é dever das autoridades portuguesas identificar e investigar os oligarcas russos” e a deputada Mariana Mortágua sublinha que os interesses económicos não podem sobrepor-se às sanções contra Vladimir Putin. Mas, sobre a votação do empréstimo financeiro à Ucrânia, a deputada do Bloco de Esquerda diz que acusar o partido de votar contra é querer confundir o debate”.


Nas redes sociais parece-me que ser-se contracorrente às evidências começa a dar jeito para os que desejam feedbacks a todos o custo aos seus posts e opiniões publicadas na imprensa.


Ser polémico está na moda, “vende”. Falem mal de mim ou sobre mim, mas é preciso que falem. Alguns colocam-se em pontos de vista que tentam contrariar factos e evidências recorrendo aos mais artificiosos argumentos, virando do avesso a realidade dos factos, buscando no passado longínquo as causas para justificar hoje a agressão de Putin contribuindo, assim, para a lavagem da sua imagem. Justificar a agressão à Ucrânia comparando-a com outros casos que se verificaram no passado e noutros contextos parece-me caricato. Também neste domínio há negacionistas da realidade de facto, como os há nas mais absurdas situações e circunstâncias.


Pensamentos apressados que sugerem tomadas de decisões, em momentos de emoção e nervosismo, como apelar à provocação ao adversário, à confrontação e à guerra têm o risco de agravar conflitos em vez de os acalmarem. Recorro a uma frase da radical Ana Gomes, senhora que se candidatou a Presidente da República, que afirmou na SIC Notícias “Para que serve a NATO se não consegue travar massacres contra populações na Europa?” e acrescenta que a zona de exclusão aérea no país invadido pela Rússia “tem de estar em cima da mesa”, mesmo que Vladimir Putin considere isso um ato de guerra. Entrámos na zona da paranoia.


Pensarmos que conhecemos bem e confiamos no adversário que se tem pela frente é no mínimo ingenuidade. Putin não é de confiança recorde-se quando disse que o ocidente estava em histeria quando Biden apontava uma data para a invasão da Ucrânia. Muitos gozaram com a data marcada para início da guerra. Passados dias deu-se a invasão.


Putin deve estar com problemas internos e, por isso, a censura que instituiu na Rússia passou a ser obrigatória e foi agravada.  A censura é necessária como fator para a formação e consolidação do "putinismo”. Putin tem plena consciência da importante função destinada à censura. É a guerra da informação e da contra informação, da opinião e da contraopinião que se agudizam em tempos de guerra.  O controlo da informação e a censura desde sempre desempenharam um papel fundamental na formação e para a consolidação dos estados totalitários.


Putin pretende mostrar que só existe politicamente o que o público sabe que existe. Daí as mentiras, os cortes e as inversões dos factos à boa maneira estalinista. Serve-se da guerra para controlar ainda mais o espaço da informação e bloquear os principais meios de comunicação independentes que possam gerar movimentos que, normalmente, levam a grandes protestos.‎


Seis dias depois das tropas russas atacarem a Ucrânia, a Rússia (leia-se Putin) bloqueou a Dozhd TV e a Ekho Moskvy por supostamente espalharem, segundo ele, "informações deliberadamente falsas" sobre a invasão da Ucrânia por Moscovo tendo ficado indisponíveis na Rússia logo após o anúncio.


‎‎A Echo of Moscow, uma estação de notícias russa independente que transmite desde 1991, anunciou que encerraria na quinta-feira depois de se recusar a cumprir as regras de censura exigida em reportagens sobre a guerra na Ucrânia sendo obrigada a utilizar apenas fontes militares oficiais do Kremlin.‎ Outra estação foi a TV Rain, a principal emissora de televisão independente do país que encerrou temporariamente também na quinta-feira as suas transmissões em desacordo com regras semelhantes.‎


Nos jornais russos, talvez a maior parte, os artigos publicados são um vómito de inverdades de propaganda. E só acredita neles quem quiser acreditar. Como não vivenciamos os momentos "in loco" podemos ser tentados a acreditar que a comunicação do ocidente é que está errada e que a verdade, a dele (a de Putin), é que está certa. Foi assim no passado com Hitler, com Estaline e também o foi com Salazar aqui, no nosso canto junto ao mar.


Não se compreende porque um grupo de pessoas, felizmente pequeno, se tenha colocado do lado de Putin contra a Ucrânia apenas com o argumento de serem contra a NATO, os U.E. e os EUA. Dizem que são pela paz, mas não dizem em que termos. Falam em negociação, mas que negociação? O que pretendem será a capitulação incondicional da Ucrânia, país soberano, para que fique na órbitra da Rússia de Putin? Será a dissolução da NATO deixando Putin livrfe para o controle total da Europa? Se assim não é então que manifestem sobre qual será para eles a alternativa para a paz.


 

domingo, 6 de março de 2022

A guerra da comunicação que agora também começou

Guerra Ucrania.png


Na guerra da informação, das opiniões, comentários e outras emotivas representações escritas começam a desabrochar na imprensa, nos blogs, nas redes sociais. A dicotomia “putinsófilos” e “ucranisófilos” juntam-se, por um lado os pró NATO, EUA e U.E. e, por outro, os do anti NATO, EUA e U.E. E assim se vai lançando a confusão no espírito das massas, nome dileto que líderes bolcheviques como Lenin davam ao povo.


Depois do primeiro impacto devido à surpresa comentadores, desenhadores de opiniões, jornalista e especialistas em política internacional que a tudo estão atentos e que de tudo sabem recuperaram da surpresa e, cá vai disto, lançam artigos desde os mais curtos aos mais extensos, recorrem à história que escrevem à sua maneira com propaganda contra a NATO, a União Europeia, o regime ucraniano que dizem sustentado por esquadrões da morte nazis saudosos de Hitler. Seguem a nomenclatura lexical de Putin desculpabilizando-o. Muito deles com afinidades com as extremas-esquerdas que, dizendo-se contra o capital e o imperialismo ocidental, apoiam o capitalismo-imperialista-autocrático de Putin e que nada tem a ver com o povo russo.  Para estes senhores parece que, quem estiver a apoiar a Ucrânia são uma cambada de nazis.


Ser-se anticapitalista e anti-imperialista e, ao mesmo tempo, defender outro tipo de capitalismo e de imperialismo como o de Putin, apenas, porque ideologicamente se é contra organizações e uniões que apenas servem para defesa de países que se sentem ameaçados por outros imperialismos, isso é prevenção contra-ataques de outros. São pelo regresso de uma nova e mais complicada guerra fria que ninguém quer. Defendem a paz sem entenderem a incoerência porque, ao mesmo tempo parecem estar do lado do que recorrem à guerra para ocupação do povo da Ucrânia personalizados pelo tirano Putin. Esses bem podem cantar hinos à paz que ninguém os ouve porque a alternativa que eles apoiam é a guerra. Ainda há muitos que preferem a guerra, que nunca viveram, na expectativa de que Putin possa eliminar o eixo do mal a que chamam NATO, EUA e a União Europeia.


Será o capitalismo russo de esquerda? O PCP parece achar que sim, embora no seu comunicado tente enganar o povo, assim como Putin tem feito com as suas intervenções. Segundo se pode ler num comunicado do PCP “a Rússia é um país capitalista, o seu posicionamento é determinado no essencial pelos interesses das suas elites e dos detentores dos seus grupos económicos”, mas apesar disso o PCP defende que a Rússia não é um agressor, mas uma vítima para a qual não é aceitável que um inimigo “esteja acampado nas suas fronteiras” que faz “um cerco militar por via de um ainda maior alargamento da NATO”. Já que o PCP gosta tanto do passado o que dizia na altura quanto ao Pacto de Varsóvia, uma aliança militar firmada entre os países comunistas do leste europeu ocupados (Hungria, Roménia, Alemanha Oriental, Albânia, Bulgária, Checoslováquia e Polónia) com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).


Aliás o PCP deve estar no mesmo registo de “Os países ocidentais que tentam implementar sanções contra a Rússia são um "império de mentiras", disse o presidente Vladimir Putin numa reunião dedicada à crise económica na Rússia segundo o PRAVDA.


A perda de alguns países chamados do Leste após a queda do regime soviético está atravessada na garganta de Putin e de alguns partidos comunistas. Esses países passaram a ser livres e, como tal, puderam fazer as suas opções de aderiram á U.E e à NATO, até como defesa para sua própria sobrevivência enquanto países e nações.


Putin com a sua ânsia de poder absoluto que carateriza os ditadores, não terá percebido que teria mais a ganhar negociando antes da guerra. Como ele já houve outros que também quiseram ser donos da Europa e do Mundo, mas acabaram por finar.


Numa entrevista ao “Politico” Fiona Hill, uma das mais claras especialistas russas, que estudou Putin ao longo de vários anos trabalhou com administrações republicanas e democratas afirmou que “Putin esteve nos arquivos do Kremlin durante a Covid a olhar para mapas e tratados antigos e todas as diferentes fronteiras que a Rússia teve ao longo dos séculos. Ele disse, repetidamente, que as fronteiras russas e europeias mudaram muitas vezes. E nos seus discursos, ele foi verificar vários ex-líderes russos e soviéticos, assim como Lenin e dos comunistas, porque na sua opinião eles romperam com o império russo, perderam terras russas na revolução, e sim, Estaline trouxe de volta alguns deles novamente para o grupo como os Estados Bálticos e algumas das terras da Ucrânia que haviam sido divididas durante a Segunda Guerra Mundial, mas que foram novamente perdidos com a dissolução da URSS. A opinião de Putin é que as fronteiras mudam, e assim as fronteiras do antigo império russo ainda estão em jogo para Moscou dominar agora.”


A questão que se coloca é a de saber se alguma vez se esperaria que países da NATO fossem alguma vez atacar a Rússia? O que está em causa é o ocidente poder defender-se do imperialismo expansionista russo, ou melhor, de Putin, porque o povo não entra nessas aventuras. 


As intenções expansionistas de Putin estão claras.  Segundo a Rus-News de 1 de março de 2022 o presidente Vladimir Putin disse em 5 de dezembro do ano passado que “Nas próximas décadas, a Rússia crescerá, é claro, com o Ártico e os territórios do Norte, são coisas completamente óbvias” o que incluía a exploração mineira. O anúncio foi feito durante uma reunião com voluntários e finalistas do concurso “Voluntário da Rússia”. Salientou ainda que mais de 70% do território da Rússia está localizado nas latitudes do Norte e tudo o que acontece no Norte é de "interesse e valor especial". “Nem estou a falar o desenvolvimento da Rota do Mar do Norte”, acrescentou. O Norte para Putin é indefinido pode ir até ao norte da Finlândia. O desenvolvimento nessa direção, segundo o presidente, é o futuro da Rússia em termos de extração de recursos naturais para o país. Só não ouve e não percebe quem não quer.


Parece não haver dúvidas de que Putin está a ser apoiado por grupos de extrema-direita


Putin não tem aliados só à esquerda. Na Europa, há partidos que podem ter recebido financiamento por investidores russos ligados a Putin. Marine Le Pen, líder da Frente Nacional francesa da extrema-direita francesa foi recebida pelo Presidente russo Vladimir Putin, encorajando a sua candidatura às presidenciais para a primeira volta a 23 de Abril de 2017. É acusada de ter recebido fundos de um banco russo para financiar a sua campanha eleitoral.


Matteo Salvini, líder da Lega, partido italiano de extrema-direita, é também apoiante de Putin, surgindo numa ocasião com uma t-shirt vestida que ilustrava a cara do Presidente russo. O mais recente é o do aliado nos tempos é Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, que se reuniu com Putin no mês passado, em Moscovo, e que não condenou, tanto quanto se saiba, as ações do presidente russo face à Ucrânia.


Todavia, Europa alguns partidos da mesma extrema-direita ficaram numa situação desconfortável pelo ataque de Vladimir Putin à Ucrânia. A líder do RN - Rassemblement National, antiga FN - Front National (Frente Nacional), e Matteo Salvini, da Liga de direita da Itália, que passaram anos a divulgar a sua afinidade com o presidente russo, aceitando empréstimos russos à medida que a Rússia reunia tropas ao redor das fronteiras da Ucrânia, alguns desses amigos de Putin minimizaram a ameaça ou acusaram o Ocidente de aumentar as tensões. Ainda outros como o Presidente da República Checa, o primeiro-ministro da Hungria, quando Putin declarou guerra à Ucrânia e mísseis balísticos caíram sobre alvos ucranianos, essa atitude tornou-se mais difícil o que levou muitos a recuar a sua simpatia e apressaram-se com declarações a condenar o ataque.


As dúvidas se é que as havia no apoio e simpatias das extremas direitas por Putin e pela invasão da Ucrânia foi dissipada. “A imagem de "homem forte" do presidente russo e o desdém pelos liberais transformaram-no num herói para os nacionalistas brancos”, escreve Sergio Olmos no The Guardian em 5 de março de 2022.


Num evento nacionalista realizado na semana passada na Florida, EUA, um organizador e líder supremacista branco pediu “uma salva de palmas para a Rússia", no meio de um rugido de aplausos para o presidente russo, poucos dias depois de este invadir a Ucrânia e muitos participantes responderam gritando: "Putin! Putin!".


A WABE uma estação de televisão pública de Atlanta na Georgia no dia 1 de março de 2022 pode ler-se que líderes republicanos no Congresso estão divididos sobre o que fazer com a deputada Marjorie Taylor Greene depois desta congressista ter discursado num evento de fim de semana organizado por um nacionalista branco em que se dizia maravilhada com a invasão da Rússia à Ucrânia enquanto a multidão eclodiu em cânticos de "Putin!”


A guerra na Ucrânia expôs a afinidade da extrema-direita americana com Putin. Como também já escrevi no anterior blogue, aquela afinidade é complicada e mostra a dificuldade que os líderes republicanos têm para combater a tendência do partido em direção ao autoritarismo ao estilo de Trump em abraçar o extremismo de direita.


A esperança do ocidente, Europa e EUA, de que após a queda do regime soviético e do muro de Berlim tudo iria ser um mar de rosas foi um erro tremendo. A desmilitarização do ocidente leia-se U.E. foi um erro de cálculo e de estratégia de que Putin, após ter tomado o poder, veio a aproveitar-se. O autoritarismo e as ambições imperialistas de Putin surgidas após a queda do regime soviético podem agravar-se. 


Putin com o êxito da tomada da Ucrânia que irá ser seguido pela substituição de um governo fantoche a soldo de Moscovo, não irá parar. Países que saíram do domínio soviético e que aderiram á U.E. estarão na mira de um autocrata com a paranoia do poder e da riqueza.


O ceticismo deve ser nestas alturas a atitude mais sensata. O comentário político nos órgãos de comunicação, podem não ser absolutamente credíveis porque há muitos comentadores políticos e personagens muito conhecidas que publicam na Internet informações que não são propriamente mentiras, mas imprecisas, e cabe a quem as lê abordar cada mensagem com cuidado.


Recorre à evocação da história e a outros contextos para justificar a ação de Putin de hoje de invadir a Ucrânia, ou apara atacar os imperialistas do ocidente, os EUA, a NATO e a U.E. Num desvario sectário alegam com o belicismo do ocidente justificações para de agressões e da guerra desde tudo seja contra o ocidente. Recorrem a outros conflitos descontextualizados para o justificarem. Nãoo compreendo estes pontos de vista.


Na verdade, o Partido Comunista Português (PCP) à semelhança de Putin ainda não conseguiu ultrapassar, e acho que jamais ultrapassará, o trauma do fim da União Soviética e vai morrer com esse pesar. Por outro lado, já alguém do PCP, há muito tempo, classificou a Coreia do Norte como uma democracia. Também sabemos que Hitler e Estaline fizeram um pacto por via do qual invadiram e dividiram entre eles países como a Polónia. Mas os tempos passaram, a História condenou essas atitudes e hoje as atitudes das nações e dos povos são outras, mas neste outro contexto surgiu, qual reencarnação, um novo apocalíptico que pretende restaurar os velhos tempos da guerra. Apesar disso, alguns como o PCP, nada mudaram e, mesmo às portas da morte, dá-nos este espetáculo.


 

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Uma ainda guerra fria que procura o atalho da Ucrânia para a guerra quente

Ucrânia e Putin.png


Nunca escrevi sobre política internacional a não ser no tempos de Trump, mas a perigosidade do conflito e os jogos de guerra com ameaças de Biden e Putin a isso me estimularam, por isso aqui vai.


“Putin dividido entre a guerra total e o longo jogo de nervos” é o título de um artigo publicado hoje no jornal Público sobre a crise na Ucrânia que me fez recordar os tempos da Guerra fria.


As tensões entre os EUA e a Rússia, reatadas pela questão ucraniana, despertaram-me a atenção para o tempo da URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e da Guerra Fria travada principalmente nas frentes políticas, económicas e de propaganda que durou até 1991.


Quando a URSS se desmoronou com o movimento da Perestroika muitas das repúblicas que se encontravam sobre o seu domínio foram libertadas da influência soviética e os regimes comunistas nesses países entraram em colapso no final de 1989, levando ao poder governos democraticamente eleitos tendo o que conduziu à retirada gradual das tropas soviéticas desses países.


Em meados de 1980 o programa Perestroika procurava levar a União Soviética à igualdade económica com países capitalistas como Alemanha, Japão e Estados Unidos entre outros. Em 1988 foi criado na ainda URSS um novo parlamento, o Congresso Soviético dos Deputados do Povo, pela primeira vez através de eleições para esses órgãos com uma escolha de candidatos que, pela primeira, vez incluía não-comunistas, mas o Partido Comunista continuava a dominar o sistema. Gorbachev foi o iniciador mais importante de uma série de eventos no final de 1989 e 1990 que transformaram o tecido político da Europa e marcaram o início do fim da Guerra Fria.


Em novembro de 1989 deu-se a queda do muro de Berlim e no verão de 1990, deu-se a reunificação da Alemanha do Leste com a Alemanha Ocidental. Foi acordado então que a nação unificada se tornaria um membro da NATO - Organização do Tratado do Atlântico Norte, inimiga de longa data da União Soviética.


A Guerra Fria começou após a rendição da Alemanha nazi em 1945, quando a ex-União Soviética começou a estabelecer governos comunistas nos países da Europa Oriental, com o pretexto de se proteger contra uma possível ameaça renovada da Alemanha, e de que a dominação soviética no leste da Europa pudesse ser permanente. A Guerra Fria foi materializou-se entre 1947 e 1948, derivada da ajuda dos EUA na guerra e deixou alguns países ocidentais sob influência americana. Por outro lado, os soviéticos estabeleceram regimes abertamente comunistas no leste da Europa.


No entanto, na altura, fazia-se muito pouco uso de armas em campos de batalha durante a Guerra Fria por foi travada principalmente em frentes políticas, económicas e de propaganda e durou até 1991 como anteriormente referi.


Nesta segunda década do século XXI com as redes de computadores e meios de comunicação mais eficazes, mais ativos e acessíveis tudo se complicou e, para além da chamada guerra eletrónica com a pirataria informática, as movimentações no terreno de material bélico a guerra podem tomar proporções mais gravosas do que apenas da propaganda.


Putin descreveu na altura a desintegração soviética como uma catástrofe que roubou a Rússia do seu lugar de direito entre as grandes potências mundiais e a colocou à mercê de um Ocidente predatório. Ele passou os seus 22 anos no poder reconstruindo os militares russos e reafirmando sua influência geopolítica.


Um imprevisível líder russo acumulando tropas e tanques na fronteira de um país vizinho que gostaria estivesse debaixo da sua influência política e geoestratégica ameaça uma conflagração este-oeste. O que parecia ser mais um episódio perigoso idêntico ao de uma era passada está agora no centro dos assuntos globais.


Depois do colapso da União Soviética a NATO expandiu-se para o leste, acolhendo a maioria das nações europeias que antes estavam na esfera comunista. As repúblicas bálticas da Lituânia, Letónia e Estónia, que eram partes da União Soviética, juntaram-se à NATO, assim como a Polónia, a Roménia e outros. Como resultado a NATO que foi criada para combater impedir o expansionismo soviético do pós-guerra, com a adesão de países do leste europeu à organização, aproximou-se para centenas de quilómetros de Moscou, e diretamente na fronteira com a Rússia.


Putin chama à expansão da NATO ameaçadora, e a perspetiva de a Ucrânia passar a fazer parte desta organização é uma ameaça real ao seu país. À medida que a Rússia se tornou mais assertiva e militarmente mais forte, as suas queixas sobre a NATO tornaram-se mais estridentes. Ele invocou repetidamente o espectro de mísseis balísticos americanos e forças de combate na Ucrânia, embora autoridades dos EUA, ucranianos e da NATO insistam que não há nenhum. Para além disto Putin também insiste em que a Ucrânia é parte integrante da Rússia, cultural e historicamente.


A coisa está de facto agreste. As informações que se dispõem não possibilitam saber exatamente onde está a verdade, embora saibamos que Putin tem razão quanto à cada vez maior proximidade da NATO a Moscovo e que, para alguns, é uma organização bélica agressiva conforme se faz constar pela propaganda da Rússia, dos seus aliados e simpatizantes. No entanto também podemos considerar que a NATO é uma organização defensiva e que os países de leste que a ela aderiram foi por vontade própria e são soberanos e independentes, ao contrário de quando estavam na alçada da extinta União Soviética da qual Putin parece ser um saudosista.