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sábado, 22 de novembro de 2025

O carrossel de André Ventura

Ventura nuvem de palavras.png


Nada de novo com o agora candidato à presidência da república André Ventura. A estratégia como líder do partido Chega não se altera, não muda é igual a si mesmo.


Para Ventura ser candidato à Presidência da República é o mesmo que ser candidato a primeiro-ministro ou mesmo como deputado. Nada muda, nem no estilo, nem na atitude, nem no comportamento.


Nas entrevistas e debates, sejam quais e onde forem, a sua atitude mantém-se, manifestando e reagindo a situações e a pessoas conforme o seu modo de sentir ou avaliar algo ou alguém, assim como o seu comportamento expresso por ações observáveis e exteriores às atitudes, mantendo as emoções.


Assim, a disposição interna de André Ventura perante os seus adversários políticos, temas polémicos e o modo como reage emocionalmente e avalia situações nos debates, mantem sempre uma postura combativa e crítica, independentemente do cargo a que se candidata.


Um psicólogo poderia avaliar este estado como uma atitude interna de firmeza e convicção, que não se altera com o contexto. O seu comportamento motor, verbal, cognitivo, emocional e social é denunciado através das suas atitudes e comentários durante entrevistas ou debates. Cite-se, a título de exemplo, factos como interromper adversários, usar um tom assertivo ou desafiar regras dos debates.


A postura de André Ventura, enquanto figura política, revela uma notável constância tanto na sua atitude como no seu comportamento, independentemente do cargo a que se candidata ou do contexto em que participa em debates públicos. Não há alterações visíveis na sua forma de se posicionar perante os adversários políticos, mantendo sempre uma postura combativa, crítica e por vezes provocatória. Seja como candidato à Presidência da República, a primeiro-ministro ou enquanto deputado, Ventura apresenta as mesmas estratégias, o mesmo estilo comunicativo e as mesmas expressões emocionais.


Esta coerência manifesta-se tanto a nível interno, na sua disposição e convicção, como externamente, através de comportamentos nas entrevistas e debates, nomeadamente, a tendência para interromper adversários, adotar um tom assertivo e desafiar as normas dos debates. O seu comportamento motor, verbal, cognitivo, emocional e social mantém-se estável, perante o público e interlocutores, reforçando a imagem de firmeza e convicção, para além das contradições.


Uma das suas estratégias é o uso de soundbites, palavras ou frases que ele sabe que têm impacto em parte do eleitorado e que fazem parte dos trechos do seu discurso que sempre usa para resumir as ideias do seu ponto de vista político.


Outra estratégia adotada por Ventura nos debates consiste em dirigir-se ao interlocutor interrompendo-o de modo que muitas vezes ele não seja escutado pelo público. Típica atitude de forte pressão verbal. Lança mão de estímulos que provocam reações emocionais intensas e frequentemente impulsivas nos seus oponentes, influenciando desse modo o ritmo do debate.


Há palavras que Ventura utiliza para descredibilizar o adversário ou interromper o raciocínio alheio tais como “vergonha”, talvez a palavra mais frequente em expressões como “Tenha vergonha” ou “É uma vergonha”, que servem para reivindicar superioridade moral sobre o seu oponente. A estas junta-se o tema central da sua narrativa que é “Corrupção” que utiliza para colar os adversários especialmente PS e PSD a escândalos passados.


Outras palavras são “Mentira” e “Mentiroso” que emprega sistematicamente para refutar dados apresentados pelos oponentes, muitas vezes sem os contra-argumentar, atacando unicamente a intenção. A sua luta é contra o seu inimigo abstrato que é o “Sistema”! Para André Ventura tudo o que está errado é culpa do “sistema” ou dos “interesses instalados”.


Mas há mais, usa até à exaustão, frases referentes ao apelo identitário do ‘nós’ contra ‘eles’, para criar uma ligação direta com o telespectador, os portugueses e outros políticos. Coloca-se frequentemente como sendo o único intérprete do sentir da vontade dos portugueses, o povo, com palavras com expressões como “Os portugueses sabem”, “Os portugueses sentem “.


Foca-se também no custo de vida para demonstrar empatia com a economia doméstica dos portugueses, falando em “bens de primeira necessidade” e “famílias”.


O alarmismo e o medo são instrumentos usados para instalar o sentimento de insegurança e criar um inimigo comum, justificativo para um governo autoritário que apela à força e à intolerância, tal como o fascismo clássico usa o medo para consolidar o seu poder, e caracterizado pelo seu nacionalismo exacerbado, pelo autoritarismo, anticomunismo e antissocialismo, mesmo o socialismo democrático.


O vocabulário de alarmismo e de medo são referidos para criar um sentido de urgência ou de catástrofe iminente. Palavras como “migração” ,”imigrantes” associados a termos como “descontrolo”, “portas escancaradas” ou “invasão” são usadas para gerar também a ideia de que o país é perigoso e que as forças de autoridade estão desprotegidas. Daí a insistência em palavras que surgem nas narrativas de Ventura como aumento de “Criminalidade”, ausência de “Segurança”, desautorização da “Polícia”.


O estado da saúde e do SNS não ficam de fora do discurso de André Ventura e outros temas que saem dessa perigosa figura Rita Matias. O estado da saúde (SNS) ou da educação são descritos como “caos” recorde-se o caso de Rita Matias ter lido e passado nas redes sociais nomes de crianças estrangeiras matriculadas numa escola em Lisboa, alegando que passam à frente das crianças portuguesas, sem nunca o ter conseguido provar. “Subsídios” e    “Subsídio-dependentes” são os vocábulos usados para criticar quem recebe apoios do Estado (RSI), criando divisão entre “quem trabalha” e “quem não quer trabalhar”.


Rita Matias-perigosa irritante.png.jpg


O termo “limpar” do discurso “Vamos limpar Portugal” concentra a ideia de purificação das instituições.


Vejamos outras frases de André Ventura: “Um presidente não pode achar que um imigrante é igual a um português”


“Quem quiser usar burca não faz cá falta, boa viagem”


 “Montenegro é frouxo e morno”, “Se a polícia tiver de entrar a matar, tem de entrar a matar”, etc..


Muitos outros vocábulos e frases poderíamos encontrar nas narrativas de André Ventura do Chega, mas estes são os principais que identifiquei para usar como a repetição se torna numa espécie de carrocel durante comícios, entrevistas e debates.


Para finalizar vejam este vídeo que sintetiza tudo o que por palavras aqui foi descrito.



Fonte: Youtube-bruttosuave


 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Crescimento dos votos na extrema-direita: causa ou consequência?

Extrema direita cupula patriota.png


Eleição após eleição tem-se sentido cada vez mais os efeitos do aumento da extrema-direita no Mundo e sobretudo no continente europeu onde nos inserimos. Embora os partidos da direita moderada e os denominados conservadores tenham conquistado o apoio do eleitorado os da direita radical ou da extrema-direita populistas, soberanistas ou nacionalistas têm vindo a crescer eleição após eleição. Veja-se o caso da AfD na Alemanha nas últimas eleições.


Estes partidos que estão a evoluir na UE nas intenções de voto. Os líderes dos partidos de extrema-direita do terceiro maior bloco eleitoral do Parlamento Europeu, Patriotas pela Europa, elogiaram o regresso de Donald Trump ao poder num encontro em Madrid, no dia 8/fev/25 realizado sob o lema “Make Europe Great Again”.


Tenho-me questionado sobre o que leva o eleitorado a decidir votar em partidos cujos líderes apresentam tendências autocráticas e radicais de extrema-direita. Não se trata de esquerda ou de direita, trata-se de poderem originar e transformarem-se em ditaduras autocráticas, ou seja, regimes em que o governo está nas mãos de um indivíduo ou grupo com poder que possa vir a ser transformado em absoluto e ilimitado. Temos como exemplo o caso da Rússia de Vladimir Putin e agora o de Donald Trump que parece querer seguir os mesmos passos do primeiro. O caso da Rússia não é o medo dos russos, mas do que Putin representa, pois é sabido que ele tem aliados fiéis nas extremas-direita europeia. Sobre este tema há uma visão histórica interessante A ameaça russa em Notas à Margem.


Para tal há diversas razões complexas e interrelacionadas. Há muito a considerar e a entender sobre o contexto e a mentalidade dos eleitores em cada situação específica. Frequentemente, líderes autocráticos provenientes de partidos, ou não, possuem personalidades carismáticas que podem criar uma forte ligação emocional com os eleitores, fazendo-os sentir que esse líder é alguém que compreende os seus problemas e representa os seus interesses.


A técnicas de manipulação emocional usando a retórica nacionalista para mobilizar apoio e influenciar os seus seguidores, sobretudo os potenciais seguidores, podem incluir apelos ao medo, à esperança e à identidade nacional, contra ameaças, internas e externas por vezes infundadas tornando as pessoas mais suscetíveis para acreditar nas palavras que ouvem.


Muitas pessoas tendem a confiar em figuras de autoridade se um líder é percebido como forte e decisivo, pode atrair eleitores que anseiam por estabilidade e ordem. Esta opção pode ser devida a diversos contextos culturais e história política dum país que podem favorecer uma liderança centralizada, tornando as ideias autocráticas mais aceitáveis.


Outro fator pode ser devido a tempos de crise económica, social ou política, os eleitores aceitem apoiar representantes políticos que prometem soluções rápidas e decisivas, mesmo que isso signifique uma concentração de poder.


Há ainda fatores menos evidentes que tem a ver com equações pessoais dos eleitores. Concordar com os líderes pode ser visto como um sinal de lealdade e identidade do grupo a que pertencem ou a que julgam pertencer. Há uma necessidade de pertencimento a algo que pode levar as pessoas a aceitar opiniões e afirmações dos líderes do seu grupo social, político ou religioso (pode até ser um clube de futebol ou qualquer outro tipo de associação) e, por isso, buscam informações que se alinhem com as suas crenças preexistentes ignorando contradições.


O efeito de grupo, de bando ou de rebanho (o termo anglo-saxónico é bandwagon effect) por vezes também referido como “efeito de contágio”. Este termo denota um fenómeno de impacto da opinião pública sobre um ou vários sujeitos. Com as suas preferências e posições políticas, as pessoas juntam-se ao que consideram ser maiorias ou posições dominantes existentes ou esperadas na sociedade. Isso implica que o sucesso gera mais sucesso, e os parecem gozar de um amplo apoio popular provavelmente ganharão um apoio ainda mais forte. Tal pode conduzir a que alguns eleitores votem no candidato com maiores chances de vitória, com o objetivo de não desperdiçar o seu voto, o chamado voto útil. Temos também o voto baseado no comportamento direcionado para o candidato com menores perspetivas de ser eleito, muito devido ao “vou votar nele só por votar”.


A opinião pública percebida ganha assim a qualidade de poder e ser realizada, tal como uma espécie de vagão que carrega uma banda num desfile e atrai uma grande multidão de seguidores que marcham atrás dela para apreciar a música. Em síntese, trata-se de o eleitor decidir votar num partido ou candidato que ainda em sondagens considera apresentar valores que na sua perspetiva são injustamente baixos, ao contrário do anterior efeito que é o de votar em quem vai à frente.


As técnicas de manipulação emocional para influenciar os seus seguidores, sobretudo os potenciais seguidores, podem incluir apelos ao medo, à esperança e à identidade nacional, tornando as pessoas mais suscetíveis para acreditar nas palavras que ouvem.


As palavras e as frases simples vão de encontro ao desejo de simplicidade das pessoas que geralmente preferem explicações simples e claras em vez de frases muito complexas. As pessoas preferem a certeza à dúvida e assim acreditam em quem simplifica questões complexas e em quem oferece soluções fáceis para problemas complexos que podem parecer mais convincentes, tal é o caso de Trump nos EUA que a eliminação de tratados, a ocupação de territórios e a eliminação das teses sobre as alterações climáticas são tratados com apenas com uma assinatura de eliminação ou de abolição. Em Portugal temos o caso André Ventura quando apresenta propostas e soluções para casos complexos cuja exequibilidade seria impraticável se os quisesse colocar em prática caso estivesse no poder.


Há um outro fenómeno conhecido como efeito de ilusão de verdade em que a repetição constante de uma afirmação, mesmo que falsa, pode fazer com que ela pareça verdadeira, mesmo que o não seja. Veja-se o caso exemplar do atual presidente dos EUA Donald Trump que durante a campanha eleitoral muitas vezes usou esta técnica e ainda hoje a utiliza. Mais próximo de nós temos André Ventura do partido Chega.


Nem todos têm acesso a informações imparciais ou as competências para avaliá-las criticamente. A propaganda e o controle dos media podem moldar narrativas para fazer com que perspetivas alternativas pareçam falsas ou perigosas.


Em alguns casos as pessoas podem não ter acesso a informações alternativas ou a meios de verificar o que os políticos candidatos dizem. Isso pode ser exacerbado em regimes onde a comunicação social é controlada ou censurada.


Mas, há um outro ponto muito importante que será desenvolvido noutra ocasião e que tem a ver com desinformação, o controle dos media e com campanhas de desinformação via redes sociais que podem influenciar significativamente a opinião pública, suprimindo críticas e promovendo uma imagem positiva ou negativa dos candidatos a líderes ou até de produtos e de pessoas que são promovidas.  


Notas sobre a imagem:



  1. Apesar do objetivo declarado dos Patriotas de unificar os conservadores nacionalistas da Europa, alguns dos partidos mais influentes da UE nesse campo - como os Irmãos da Itália da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, a Alternativa para a Alemanha e o Lei e Justiça da Polônia – recusaram-se a participar.

  2. O líder do partido político de extrema-direita português Chega, André Ventura, o líder holandês de extrema-direita Geert Wilders, o líder do partido de extrema-direita espanhol Vox, Santiago Abascal, e a líder e deputada francesa de extrema-direita Marine Le Pen, o presidente do grupo parlamentar francês de extrema-direita Reunião Nacional (Rassemblement National - RN), o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban, o vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini e o líder grego do partido "Voz da Razão", Afroditi Latinopoulou, estão no palco do O partido espanhol de extrema-direita VOX reúne-se com outros líderes europeus de extrema-direita, em Madrid, Espanha, em 8 de fevereiro de 2025. REUTERS/Ana Beltran

quarta-feira, 17 de abril de 2019

A União Europeia pode estar em perigo - II

(Continuação)


Extrema direita_lideres2.png


A extrema-direita e a estratégia para a obtenção de votos


Primavera europeia? Qual primavera? 


Extrema direita_Le PenSalvini.png


Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro e líder da extrema-direita italiana, repete-as cada vez com mais enfase à medida que se aproximam as eleições de 26 de maio para o Parlamento Europeu.


Diz o líder da extrema-direita italiana querer uma “primavera europeia” contra “o eixo franco-alemão” dominante, um “renascimento dos valores europeus” contra os burocratas, uma rede pan-europeia de partidos nacionalistas. Segundo o jornal Expresso estas que não são ideias novas, são enunciadas pelo menos desde que o Governo italiano de coligação entre a Liga, partido de extrema-direita, e o Movimento Cinco Estrelas (M5E), populista, foi formado, em junho do ano passado.


Extrema direita_Grécia.png


Na Grécia o partido da extrema-direita neonazi consegui 18 lugares no parlamento nas eleições de 2015 apesar de ser um partido de características violentas. No final da campanha o partido neonazi grego Aurora Dourada fez uma afirmação insólita: aceitou a “responsabilidade política” do assassínio do rapper e ativista de esquerda Pavlos Fyssas, quase exatamente no segundo aniversário da sua morte e argumentou que “Enquanto falarmos de responsabilidade política, aceitamo-la, mas não há responsabilidade criminal”, disse o líder do partido, Nikos Michaloliakos, numa entrevista radiofónica. “Só porque um membro do partido teve uma ação errada, isso não quer dizer que todo o partido deva pagar”.


Até finais do século XX e princípio do século XXI o sucesso eleitoral dos partidos da direita radical autoritária e populista dependeu da combinação de nacionalismo com o neoliberalismo e com uma postura culturalmente autoritária, mas também com políticas que visavam menos redistribuição, menor tributação e redução dos gastos sociais.


As clientelas tradicionais atraídas por esses partidos eram a pequena burguesia que se dizia anti estado e a classe trabalhadora, tradicionalmente de esquerda. Nos últimos quinze ou 20 anos, aproximadamente, as suas estratégias eleitorais foram mascaradas de democratas e os partidos da extrema-direita autoritária e populista conseguiram estar representados no Parlamento Europeu e em alguns dos governos de países da U.E., alguns deles em coligação com a direita moderada. As suas posições sobre os reais pontos de vista ideológicos revelam-se e tornam-se muito mais difíceis de obscurecer quando, nos parlamentos, as leis têm de ser votadas e os orçamentos aprovados no espaço parlamentar.


Para apresentarem trabalho preparam então estratégias de distorção da sua posição político-ideológica que traduzem em propostas de reformas políticas socioeconómicas inconsistentes. Por exemplo, misturando liberalização geral com medidas protecionistas específicas (não raras vezes puramente simbólicas) e novos programas para grupos selecionados (proprietários de pequenas empresas, famílias com crianças e assim por diante) consideradas vitais para o sucesso político do governo que são um disfarce para o povo acreditar nas suas boas intenções, basta ler as intervenções dos seus líderes nos respetivos países.


Outras vezes muitos dos partidos da extrema-direita populista apresentam-se às eleições como sendo novos partidos da classe trabalhadora e, em alguns casos, estes eleitores já são, em alguns países da U.E., o grupo mais importante destes partidos. Afirmam então que o apoio da classe trabalhadora à direita radical está a aumentar constantemente, isto porque, aqueles partidos, abandonaram as suas antigas posições liberais de mercado em favor de agendas mais centristas, em consonância com as preferências de seus apoiantes mimetizando-se e virando um pouco para políticas mais à esquerda.


O caso português do recém-constituído partido “Chega”, que é agora a coligação “Basta” pode ser visto com um caso de contradições entre o que é dito pelo seu líder André Ventura e o que a sua declaração de intenções diz: “o partido Chega declara como fundamental “proteger a dignidade da pessoa humana, contra todas as formas de totalitarismo”, assim como “a promoção do bem comum”, a “defesa do Estado laico” e de “uma justiça efetiva”. O Chega defende “um Estado mais reduzido”, rejeita o “racismo, xenofobia e qualquer forma de discriminação”, quer “igualdade de oportunidades” para os portugueses e aposta no “combate à corrupção” e “numa economia forte”. Contradições e populismo verbalizados por André Ventura que até chega a defender a pena de morte.


Os partidos radicais da extrema-direita populista reorientaram-se para se expressarem de forma mais favorável, especialmente em relação às políticas sociais redistributivas, porque a classe trabalhadora, à qual pretendem conquistar votos, ainda tem um forte interesse na preservação de esquemas tradicionais de segurança social (Röth, Afonso, Spies ; 2018).


(Continua...)

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

A única coisa pior do que ser falado é não ser falado

Mário Machado2.png


Imagens TVI24 e jornal i


A frase do título deste post que penso ter sido atribuída a Óscar Wilde fez-me recordar Donald Trump que, para uns, sofre de autoritarismo, é fascizante e tem falta de senso político, e, para outros, é o melhor político como, por exemplo, para Bolsonaro no Brasil que gosta de o imitar o que me levou a refletir sobre os avanços na U.E. da extrema-direita e dos seus tentáculos. O crescimento destas ideologias é um dos assuntos mais sérios que tem vindo a público e não pode ser desvalorizado pela U.E. apesar de que alguns em Portugal digam estarmos livres. Não, não estamos livres. Não há dúvidas do começo do seu despontar embora que, ainda, timidamente.


São as tendências autoritárias e extremistas que vivem sob a capa de democratas no seio da própria democracia que a estão a minar. São os nacionalismos exacerbados, as xenofobias, os racismos, o ódio, o apelo à segurança por causa da insegurança, o ser contra tudo quanto é diferente que se vai amplificando no seio das democracias.


Por cá, invocam-se recordações saudosistas dos tempos de Salazar que alguns, os mais velhos, na sua instabilidade e insegurança que a idade avançada lhes vai trazendo, recordam e acham que um regresso a esse espírito lhes faz falta. Outros, os mais novos, eventualmente angariados por estes extremismos, os que não viveram aqueles tempos e que dizem não haver agora liberdade de expressão por não poderem clamar hinos rácicos e xenófobos, reclamam por novos tempos que acabam por trazer, novamente, a falta dela como se pode confirmar por afirmações de André Ventura (ainda no PSD?) ao semanário Sol.


É muito fácil fugir a perguntas, ao diálogo e à controvérsia com mensagens curtas e inteligíveis, com frases e discursos redondos e bacocos, feitos à medida, sem coerência argumentativa, convencer um povo e desencadear as suas emoções mais primárias. Um povo menos culto, com algum défice de literacia política, impreparado e desavisado, recebe e assimila rápida e facilmente essas mensagens e dá-lhes crédito. É o endeusamento dos que falam direto e fácil, por serem compreendidos com um mínimo esforço.


Aqueles que anseiam por um novo homem ele aí esteve, na televisão, identificando-se como sendo uma nova pessoa, um novo homem após libertação, terminada a prisão por violência racista. Se a prisão recupera aí está a prova manifestada pelo arrependido. O passado de violência e assassinatos por motivos raciais, as cruzes gamadas tatuadas nos braços, as saudações nazis, nada disso interessa, foram coisas do passado, coisas de juventude. Mas esse novo homem diz precisarmos de um Salazar que nada teve a ver com fascismo e que no seu tempo havia liberdade de expressão coisa que atualmente não existe. Salazar salvou Portugal da guerra e recebeu judeus fugidos dos nazis, não era fascista e nessa altura havia segurança.


Hoje, que já não há um Salazar precisarmos de um, ou mais do que um. Quem o diz é o novo homem que saiu da prisão e é contra a imigração e os negros porque a violência vem dos africanos, provado que está nas prisões, onde se encontram em maioria, devido a crimes violentos. Compreende-se, é uma nova pessoa, um novo homem como afirma categoricamente, talvez escondendo tatuagens reveladoras dessa nova pessoa debaixo da manga comprida do casaco que traz vestido.


Claro que já adivinharam de quem estou a falar. É desse novo homem, Mário Machado, líder do movimento Nova Ordem Social, várias vezes condenado por crimes de ódio racial, mas que não tem nada contra os homossexuais. Quando no programa "Você na TV", Manuel Luís Goucha lhe perguntou no final da entrevista:


- Vivo há vinte anos com um homem, tem alguma coisa contra mim?  - perguntou Luís Goucha a Mário Machado.


A resposta veio de imediato:


- Claro que não, senão não estaria aqui - responde o entrevistado.


Esta foi mais uma novidade que nos trouxe este novo homem!! 


Goucha levanta-se muito rápido e, com uma expressão de regozijo por esta afirmação, sentindo-se talvez “aliviado” dos ataques que lhe terão feito nas redes sociais pelo convite dirigido àquele novo homem, encaminha-se, porventura envaidecido, para o ecrã gigante onde passa uma mini reportagem, espécie de vox populi. Foi, porventura, a sua forma de vingança.


Gostava que me explicassem por desenhos este fenómeno de recuperação que levou Mário Machado a transformar-se num novo homem uma vez que, em 2016, apenas há dois anos, foi noticiado que “Comunistas, negros, muçulmanos e homossexuais foram violentamente espancados por skinheads entre 2013 e 2015, no centro de Lisboa. A motivação político-ideológica das cabeças rapadas, que pertencem à fação mais perigosa do movimento internacional de extrema-direita Hammer Skin Nation, levou à intervenção da Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da PJ, que deteve ontem 20 suspeitos.”. “Os cabecilhas do grupo agora detido fizeram parte do núcleo duro do ex-líder dos Portuguese Hammer Skins (PHS), Mário Machado, detido desde 2007, data da última megaoperação da UNCT contra os crimes deste movimento neonazi.”, que pode ler aqui.


Esses, como Mário Machado, que falam em censura e em falta liberdade de expressão que dizem atualmente não existir, cortariam, sem hesitação, este texto se fosse escrito, sob um regime como o que ele defende.


A polémica e os protestos instalados sobre o dito programa da TVI, na rubrica "Diga de Sua (In)Justiça" da autoria de Bruno Caetano, deu lugar a uma quantidade de artigos de opinião que talvez tenham sido exagerados, porque "a única coisa pior do que ser falado é não ser falado". E Mário Machado foi falado, e até de mais! Neste preciso momento ele está a ser falado e você está a ler. Terá sido esse o objetivo que a TVI teve em mente?!. . . 


Para além da tentativa de branqueamento do seu passado, a TVI ofereceu ao nazi que agora diz ser nacionalista e um outro homem, a publicidade gratuita que intentou elevar os telespectadores ao nível de consumidores do produto enganoso que é Mário Machado.


E termino com uma citação de Vasco M. Barreto no jornal Público:


“Independentemente do que possamos pensar sobre a liberdade de expressão, qualquer texto que mencione o mais famoso neonazi da pátria deve incluir uma referência a Alcindo Monteiro, Manuel Domingos Silva, Contreiras Ferreira, Alberto Adriano, Fausto Soares, João Soares e Matias de Almeida, entre outros, que a 10 de Junho de 1995 foram agredidos à paulada e aos pontapés no corpo e na cabeça por skinheads.”.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Mais papões



 


Muito se tem falado da incompetência e na queda deste Governo para dar lugar a outro de iniciativa presidencial, caso não se fosse para eleições antecipadas. Não será necessário reclamar esse tal governo de iniciativa presidencial, ele já foi empossado por Cavaco Silva como de iniciativa presidencial.


 



Imagem de: 

http://rendezvous.blogs.nytimes.com/2012/02/15/the-decline-and-fall-of-greece/


 


No meu “post” anterior referia-me ao papão das ameaças que grassam em Portugal. Pois, agora temos a prova concreta de que o papão não é apenas interno, vem agora também da Europa, como que uma força para apoiar este Governo. Dizem que Portugal tem que agora arranjar alternativas para substituir o chumbo de alguns pontos pelo Tribunal Constitucional. Mas que novidade, isso já nós sabemos o primeiro-ministro já o disse. O que qualquer português não quer é que estes senhores venham interferir nas nossas questões internas, porque isso, faz parte nas nossas decisões e responsabilidades e, por isso, dispensamos recados como aqueles.


 





Até na nossa Constituição e nas decisões do Tribunal Constitucional querem interferir. Como diretamente não o podem fazer ameaçam, como já o tem feito o traidor de Portugal Durão Barroso, que, sem um mínimo de independência, está na Comissão Europeia a defender os interesses da Alemanha contra Portugal e contra outros países.  


 


Nunca fui muito dado a nacionalismos bacocos, mas cada vez mais o nacionalismo deve ser uma palavra de ordem para todos os portugueses.


 



 



Mais papões



 


Muito se tem falado da incompetência e na queda deste Governo para dar lugar a outro de iniciativa presidencial, caso não se fosse para eleições antecipadas. Não será necessário reclamar esse tal governo de iniciativa presidencial, ele já foi empossado por Cavaco Silva como de iniciativa presidencial.


 



Imagem de: 

http://rendezvous.blogs.nytimes.com/2012/02/15/the-decline-and-fall-of-greece/


 


No meu “post” anterior referia-me ao papão das ameaças que grassam em Portugal. Pois, agora temos a prova concreta de que o papão não é apenas interno, vem agora também da Europa, como que uma força para apoiar este Governo. Dizem que Portugal tem que agora arranjar alternativas para substituir o chumbo de alguns pontos pelo Tribunal Constitucional. Mas que novidade, isso já nós sabemos o primeiro-ministro já o disse. O que qualquer português não quer é que estes senhores venham interferir nas nossas questões internas, porque isso, faz parte nas nossas decisões e responsabilidades e, por isso, dispensamos recados como aqueles.


 





Até na nossa Constituição e nas decisões do Tribunal Constitucional querem interferir. Como diretamente não o podem fazer ameaçam, como já o tem feito o traidor de Portugal Durão Barroso, que, sem um mínimo de independência, está na Comissão Europeia a defender os interesses da Alemanha contra Portugal e contra outros países.  


 


Nunca fui muito dado a nacionalismos bacocos, mas cada vez mais o nacionalismo deve ser uma palavra de ordem para todos os portugueses.