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quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Lisboa em Transformação: Reflexões sobre Políticas Urbanas, Imigração e Identidade

Turismo em excesso.png


Estamos em plena campanha para as eleições autárquicas e, neste contexto, surge a necessidade de refletir sobre o impacto das políticas municipais dos últimos anos em Lisboa. Questiona-se o papel dos apoiantes de Carlos Moedas e dos presidentes de freguesia, desafiando-os a apresentar os reais benefícios trazidos à cidade e aos seus habitantes, para além de uma série de consequências negativas associadas à gestão do turismo, imigração e ordenamento urbano.


Consequências do Turismo e Políticas Urbanas


Durante o mandato atual de Carlos Moedas Lisboa assistiu à continuação e intensificação de um turismo descontrolado, cujos efeitos adversos se fazem sentir tanto na vida dos residentes como na identidade da cidade. O incentivo e manutenção deste modelo têm resultado na proliferação de alojamentos locais, na escassez de habitação acessível para a população e na autorização de mais hotéis, em detrimento da construção ou renovação de edifícios para fins habitacionais não especulativos. As políticas de “licenciamento zero”, por sua vez, facilitam a abertura de atividades sem a devida avaliação técnica prévia, comprometendo a segurança, higiene, mobilidade e bem-estar público, além de sobrecarregarem os serviços de fiscalização e inspeção administrativa.


Imigração e Transformação dos Bairros


Outro ponto crítico refere-se à dispersão desregulada da imigração por vários bairros, excetuando as zonas habitadas pelas elites. Muitos imigrantes, substituindo a mão-de-obra local em setores que oferecem baixo rendimento ou pouca atratividade, abriram pequenos estabelecimentos comerciais — lojas, mercearias, restaurantes — que ocuparam o espaço deixado pelo comércio tradicional, destruído pelas grandes superfícies. Estas lojas, frequentemente de licenciamento duvidoso, apresentam elevada rotatividade, com negócios que abrem e fecham rapidamente, muitas vezes mantendo a etnia entre proprietários e funcionários.


Há também um crescimento visível de cabeleireiros — masculinos, a preços irrisórios, e femininos, geridos sobretudo por brasileiros — em praticamente todas as freguesias exceto nas de maior prestígio, onde o discurso de integração raramente encontra correspondência na vivência quotidiana.


Impacto no Espaço Público e Qualidade de Vida


No dia-a-dia, a experiência de caminhar pela cidade evidencia as consequências destas políticas: ciclovias pintadas de verde tiveram a promessa de Moedas de serem removidas ou alteradas. Foram mantidas porque «Carlos Moedas (PSD), decidiu retirar a proposta para avançar com o projeto de alteração da ciclovia da Avenida Almirante Reis por considerar que “o tema é demasiado relevante para jogos partidários”». Esta ciclovia na referida avenida cria constrangimentos à circulação, inclusive de veículos de emergência. O centro de Lisboa, especialmente áreas como a Praça da Figueira, Martim Moniz e Rossio, transformou-se num “espaço turistificado”, dominado por turistas de classe média-baixa, negócios voltados para o retalho turístico e estacionamentos de tuk-tuks.


O espaço público na Baixa lisboeta é ainda pressionado por grupos de ciclistas turísticos que desrespeitam peões, e pela proliferação desordenada de bicicletas e trotinetas. A sustentabilidade urbana parece reduzida a ciclovias e discursos ambientais, sem um plano coerente que priorize os interesses da população local e a redução efetiva da dependência do automóvel.


Identidade Urbana e Desafios de Integração


O percurso pelo eixo central da cidade, da Avenida Almirante Reis até ao Bairro das Colónias, revela uma mudança significativa no perfil demográfico: imigrantes asiáticos ocupam espaços antes frequentados por africanos, substituindo a mão-de-obra local em setores menos atrativos. Esta transformação ocorre num contexto de ausência de políticas eficazes de integração, o que fomenta uma sensação de transitoriedade e alienação entre novos e antigos moradores.


Enquanto grupos políticos radicais exploram o discurso de que os imigrantes retiram empregos aos autóctones, a realidade é marcada pela recusa de muitos portugueses em aceitar determinados trabalhos, criando uma dependência de mão-de-obra estrangeira — infelizmente, sem o controlo necessário para garantir coesão social e segurança.


Conclusão: Entre Potencial Cosmopolita e Desarticulação Urbana


Lisboa encontra-se num momento de transição, oscilando entre o potencial de uma cidade cosmopolita e os desafios de uma gestão municipal desarticulada. A falta de políticas de integração, o abandono do comércio tradicional, a turistificação desenfreada e a ausência de uma estratégia que valorize a qualidade de vida e o sentido de comunidade minam a confiança dos lisboetas e diluem a identidade da cidade. Sem uma mudança de rumo, Lisboa corre o risco de se tornar um espaço marcado pela insegurança, marginalidade e alienação, onde os interesses económicos se sobrepõem ao bem-estar dos seus habitantes.

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Com Carlos Moedas teremos o paraíso na cidade de Lisboa

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A campanha pré-eleitoral para as autarquias começa a levantar fervura, em Lisboa prevê-se que irá entrar em ebulição com o confronto entre os dois protagonistas, Carlos Moedas e Fernando Medina. O primeiro é o homem das pessoas, o segundo o homem da Lisboa verde centrado nas bicicletas e nas trotinetas.


Desde que Medina resolveu fazer crescer e espalhar bicicletas e trotinetas de aluguer por toda a Lisboa o desregramento e o desrespeito com a circulação das ditas foi aumentando na mesma proporção. É frequente um cidadão ao deslocar-se calmamente pelo passeio que lhe está destinado para circular encontrar uma trotineta abandonada, caída ou estacionada, no meio do passeio na qual se arrisca a tropeçar, caso se distraia.   


O incentivo à deslocação por velocípedes e trotinetas com total desprezo pelas pessoas que não têm possibilidade de pedalar pelas “vias verdes” das duas rodas também tem um objetivo lucrativo para a empresa Gira que pertence à EMEL que oferece esses serviços por esta Lisboa que não é para todos.


Carlos Moedas não nos fala de pedalar por Lisboa, apresentou o programa para a cidade, mas, como os de qualquer outro candidato, o programa é eleitoralista e inexequível num período de um mandato. Moedas promete uma dúzia de medidas (à dúzia é mais barato) que sabe não poder cumprir a curto prazo se, porventura, chegar a ganhar as eleições. Promete a Lua e o Sol às pessoas, vende-lhes esperanças e ilusões.


Faz olhinhos e sorrisos aos idosos, à cultura, aos automobilistas no que se refere ao estacionamento, prometendo diferenciar os moradores na cidade dos não moradores nos preços do estacionamento cobrados pela EMEL que seja 50% mais barato na cidade. Quer fazer a transição para uma cidade verde com a criação de um seguro de saúde para pessoas maiores de 65 anos com dificuldades económicas e tornar os transportes públicos gratuitos para "avós e netos" (maiores de 65 e menores de 23). Será para alimentar as companhias de seguros privadas? Quanto ao Parque Mayer disse que tem de ser um centro nacional de Cultura, que reúna espetáculos profissionais e espaços de aprendizagem artística, chefs a começar e os melhores chefs do país a aprender e a cozinhar e espaços de co-work. Isto tudo em quatro anos?


 Caso seja eleito, promete, irá também reduzir a taxa de IRS na capital, devolvendo aos lisboetas nos primeiros cem dias de mandato os "32 milhões de euros que vão para a Câmara de Lisboa" e propõe isenção de IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) para jovens até 35 anos que comprem habitação própria em Lisboa.  Mas, afinal, não se tem falado na desertificação do interior e proposto incentivos para quem para lá se instalar?


Mas, há mais, pasme-se, um teatro em cada freguesia (porque, segundo o programa do candidato, "o setor cultural em Lisboa tem um problema crónico de falta de espaços acessíveis para quem está a começar").


Moedas disse que quer ainda "ligar a cidade ao Tejo desde Algés até ao Cais do Sodré", o que poderá passar pelo "enterramento parcial da linha ou um metro de superfície". "Sei que o enterramento total daquela linha é impossível, mas também sei que há partes que podem ser enterradas. Este projeto é essencial para a cidade", frisou. Mas atentem: Moedas diz que quer, mas, ao mesmo tempo, diz que o enterramento total daquela linha é impossível. Isto é, quer, mas não pode então não vale a pena prometer se não pode.


O grande banquete que Carlos Moedas oferecerá aos cidadãos da cidade de Lisboa continua e não para quando diz que irá também lançar um programa de apoio monetário à reabertura de empresas encerradas por causa da pandemia: "Os empresários precisaram de ser protegidos e a Câmara Municipal falhou-lhes. Agora, precisam de ter uma oportunidade para se voltarem a pôr de pé. O cheque Recuperar + oferece um apoio a fundo perdido para que quem investe a Lisboa volte a ter uma hipótese de criar valor na cidade, esclareceu.


O programa eleitoral deste candidato encabeça uma coligação com o CDS, PPM, MPT e Aliança, mas o que de Carlos Moedas não disse é com que dinheiro irá fazer frente às promessas e às despesas da Câmara?


O que tenho escrito sobre a candidatura de Carlos Moedas mantem-se, é uma candidatura de algum modo populista nas suas propostas ao mesmo destituída de carisma, vazia e preenchida para o momento de acordo com as necessidades e é previsível que pode mudar. A candidatura é ainda caracterizada por uma miopia no que se refere ao que é gerir uma Câmara como a de Lisboa. Não basta o currículo do candidato e a sua movimentação nos corredores das burocracias e das assessorias, sem contacto com as pessoas, com o povo, para tornar forte esta candidatura. A comunicação social poderá ter um papel num projeto populista. Um líder e o seu programa só é populista se os media lhe derem espaço necessário para a sua construção.

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Lisboa factos associações e outras circunstâncias alheias

Lisboa-Eleições Moedas-4.png


O escrutínio do poder político é básico numa democracia liberal e é uma das mais importantes funções do jornalismo, daqui se infere que a defesa da liberdade de imprensa concomitantemente com os valores e os princípios por que se guia a atividade jornalística não se coadunam com dependências e seguidismos. Contrariamente a estes princípios parece ser o que se está a verificar com a pré-campanha para as eleições autárquicas.


Não tenho informação suficiente para apontar casos concretos e objetivos que fundamentem o não seguimento daqueles princípios, mas ao ler e ver notícias que surgem nos media proliferam situações em que a perceção que eu tenho e, provavelmente, muitos outros terão que são tentativas de conotações de notícias com factos políticos a elas alheias. São, sobretudo, casos pessoais e partidários que só remotamente terão entre eles qualquer associação.


A exploração de factos extrapolíticos associados a outras circunstâncias com objetivos de “facilitação” de campanha partidária, numa espécie de deixa teatral para a atuação político-partidária, são frequentemente alimentados pelos media durante dias com elementos que nada acrescentam aos casos, mas que dão às oposições matéria para os manter vivos na opinião pública.


Tirando Fernando Medina não há outro candidato moderado e do centro político para Lisboa, o que é pena. Para mim, Fernando Medina é o candidato dos quilómetros de ciclovias da pseudo ecologia lisboeta, da liberalização da impunidade dos ciclistas e das trotinetas que passam os semáforos vermelhos, que entram em sentido contrário, que circulam pelos passeios desrespeitando os peões que têm que se afastar pela intromissão abusiva do espaço que lhes está destinado. Quem tem que se afastar é também o automobilista, tal é a força que se lhes dá, até no Código da Estrada.


Caso lamentável também é a ciclovia da Av. Almirante Reis a partir da Alameda Afonso Henriques em direção à baixa que obrigou ao estreitamento das faixas de rodagem dos automóveis tornando impossível a circulação de viaturas de emergência como ambulâncias e carros de bombeiros que têm que subir para a faixa da ciclovia para poderem passar a fila imensa de viaturas. É no que dá a obsessão pelas bicicletas. Gostaria de saber em quanto contribuíram as ciclovias para a redução de viaturas automóveis, quando há cada vez mais jovens a pedir para tirar a carta de condução automóvel. Ou será para conduzirem bicicletas, trotinetas e até skates, como já de tem visto por esta cidade?


Todavia não se pense que alguma coisa irá mudar votando em Carlos Moedas e nos seus associados da direita. Não, não vai!


Situemo-nos agora na interação da Câmara Municipal de Lisboa com as embaixadas no que diz respeito às intenções de realização de manifestações que eram entregues nos governos civis e a partir de 2011, e que, com a sua extinção, passaram a ser entregues nas câmaras municipais.


A circunstância do grave incidente do envio dos nomes de promotores de manifestação às embaixadas veio imediatamente parar aos media. Desconhece-se através de que canais, mas sabe-se que, até aqui, mal ou bem, eram efetuados os mesmos procedimentos desde há muito.


Como é conhecido, na grande maioria dos casos a informação sobre o que envolve figuras públicas resulta de fugas de informação e de outras formas de acesso privilegiado concedido a jornalistas que cultivam fontes bem colocadas em diversas instituições.  São relações alimentadas durante muito tempo, criando cumplicidades e interesses comuns. A notoriedade e visibilidade que se quer dar a algumas personalidades deve-se sobretudo ao apoio que conseguem dos media. Alguns deles tornam-se depois colaboradores de órgãos de comunicação social que alimentaram antes enquanto fontes.


Porquê agora a questão da informação às embaixadas? Parece evidente que a razão parece ser óbvia: prende-se com o aproximar das eleições autárquicas e da respetiva campanha eleitoral que a pedra no sapato da oposição de direita é Fernando Medina.  


Por causa de um caso que saiu pela porta das traseiras da Câmara para entrar pela porta dianteira dos media, a oposição a Fernando Medina que devia ser feita enquanto debate entre candidatos autarcas também passou para os deputados da Assembleia da República.   É fácil de perceber. Quem tem esse papel da oposição em Lisboa, Carlos Moedas, ainda não conseguiu fazer. A sua candidatura que junta a direita tresmalhada e desorientada não se tem conseguido afirmar.


O problema de Carlos Moedas para ser eficaz na oposição é desconfiar-se se ele conseguiria mandar numa estrutura das dimensões da Câmara Municipal de Lisboa? Se Moedas lá estivesse teria notado o referido procedimento para o alterar ou teria ele tomado alguma iniciativa? Cá por mim duvido!


A fraqueza de um candidato também se pode avaliar pelos seus argumentos sólidos que não apenas os casuais que os media lhe colocam na mão e ficar-se por aí. Que iniciativas, que projetos, ou pelo menos um, que pretenda realizar e o coloque, se for eleito, como promessa ao eleitorado para Lisboa. Moedas pode ser uma boa pessoa e bom um político, mas de interiores.


Como escreveu Daniel Oliveira, com quem raramente concordo, não há comparação entre um autarca e um ministro em caso de demissão, “Os ministros não são eleitos. Como tal, não é perante os eleitores que respondem. É perante primeiro-ministro. E ele responde perante o parlamento. O Presidente da Câmara é eleito – é, seja qual for a maioria existente, o primeiro da lista mais votada. Em caso de crime, responde perante os tribunais. Em caso de responsabilidade política, só pode responder perante os que o elegeram. Isso não os torna inamovíveis. Mas torna as consequências das suas demissões diferentes das de um ministro.”


A oposição de direita, que tem agora Fernando Medina como alvo tratando-o como se fosse um perigoso denunciante e aleado secreto de Putin ou de um outro qualquer populista autocrático por causa do caso das embaixadas, pede a sua demissão a três meses das eleições que não tem qualquer significado, o que seria até um pouco mais plausível exigir se estivéssemos a meio do mandato perante um acontecimento grave, mas não se está a exigir nada que tivesse resultados objetivos, a não ser que isso implicasse ou evitasse a sua recandidatura.


A perda de mandato e interdição de candidatura conforme estipulado pela Lei Eleitoral dos Órgãos das Autarquias Locais atualizada em 2013, o que não está em causa. Quem exige que Medina não se recandidate por causa deste caso apenas quer tirar aos eleitores o poder democrático de avaliar as suas responsabilidades políticas. E essas, ao contrário das criminais, só eles podem avaliar.


Então o pedido de demissão de Medina pela oposição não é mais do que a mostra das fragilidades do candidato da oposição porque o que seria de esperar era que Fernando Medina se recandidatasse para ir a votos fragilizado facilmente era enviá-lo para o escrutínio e responsabilização política e consequente derrota eleitoral. O que a desorientada associação de direita sabe é que a única candidatura que o poderia vencer tem baixíssimas probabilidades de sucesso e por isso explora a situação até ao seu extremo folego admitindo a sua incompetência para o fazer.

terça-feira, 14 de março de 2017

Pontos de vista

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  1. Em países da Europa os centros históricos das capitais são os locais onde se concentra a maior para do turismo. Não é preciso ir mais longe, basta conhecer as cidades da vizinha Espanha sobretudo as “plazas mayores” que ficam entupidos de turistas em algumas épocas do ano. Em Portugal, nomeadamente em Lisboa, quando o turismo diminui divaga-se sobre as causas responsabilizando a autarquia. Quando, pelo contrário o turismo cresce divaga-se sobre as dificuldades que o turismo causa à cidade culpabilizando a mesma autarquia. Falava-se da desertificação da baixa. Há certos especialistas que surgem da sombra lamentando que a ”Baixa tenha passado de desertificada a estranha aos lisboetas”. Afinal em que ficamos? Algumas almas lamentam certos espaços terem fechado na Baixa Pombalina. De certo que sim, mas esses lamentam o acontece designando-o como o "último exemplo da barbárie" que, segundo certo sociólogo, “foi o encerramento do restaurante Pessoa”. "… um restaurante típico de Lisboa, aberto desde 1800 que foi remodelado no ano de 1950. Tinha azulejos típicos da época, tinha clientes e, de repente, no verão fechou e não voltou a abrir", descreve o dito. Continua escrevendo que “em frente às portas fechadas e ao prédio em obras na esquina da Rua dos Douradores”. Mas então a decisão de fechar ou não um negócio não depende da iniciativa privada? Os clientes que diz que tinha seriam os suficientes para manter o negócio? Deveria ter sido proibido de encerrar? Ou achará ele, sociólogo, que deveria ser nacionalizado? A câmara de Lisboa subsidiar este tipo de negócios.? O que é de facto uma pena é perderem-se o património dos tais azulejos antigos.   Que solução propõe? Eleições autárquicas da direita a quanto obrigas! Ainda me recordo de quando Nuno Abecassis do CDS, presidente da Camara de Lisboa em coligação com o PSD entre 1979 e 1985 permitiu a demolição da fachada do histórico edifício do teatro e cinema Monumental.

  2. Quando não há nada que valha a pena para criticar o Governo o seu apoio parlamentar inventam-se focos de tensão entre os partidos da esquerda que o apoiam nas circunstancias justificáveis. Esta é a última: “Há um foco de tensão crescente entre o governo e os partidos à esquerda que o apoiam no Parlamento. BE, PCP e verdes querem aprofundar o debate sobre a reestruturação da dívida... O governo não tem sinalizado vontade em escavar o assunto… O PCP marcou para 23 de março um debate ‘urgente’ sobre o tema”. Estes são os factos, a questão é a de saber onde é que está a grande divergência que é, há muito, é conhecida. Todos sabemos que o BE e o PCP têm posições diferentes do governo naquela matéria. Conclusão: quando nada há de novo sobre o tema fala-se de velhos casos como se fossem a grande notícia. Assim funciona a direita!

  3. Saiu um livro que ensina a detetar mentirosos. O autor diz que aprendeu a detetar mentirosos com a CIA e o FBI. Ponham-se a pau políticos e comentaristas da política porque podem agora ser apanhados a mentir quando aparecerem nos ecrãs da televisão. Basta que toque na cara, esfregue as mãos devagar, afasta e cruza os braços nos primeiros quatro minutos de uma conversa, para que muito provavelmente esteja a mentir. A base científica poderá ser válida, mas cuidado com as falsas interpretações dos princípios científicos. Ah! Há mais, para o autor “Existe uma grande probabilidade de ser assim, mas existe uma probabilidade mínima de não ser". A ideia não é julgar as pessoas pelos sinais, mas "criar um caminho de investigação". Boa!

  4. Assunção Cristas parece ter procuração para a lavagem dos meandros de Paulo Núncio. E, sobre a resolução do BES, pasme-se, disse ao jornal Público, sobre a resolução tomada no caso que “nós não discutimos os cenários possíveis no Conselho de Ministros. Aliás, a resolução do BES foi tomada pelo BdP e depois teve de ter um diploma aprovado pelo Conselho de Ministros.”, e continua, “Esse decreto-lei foi aprovado com uma possibilidade regimental que era à distância, eletrónica. Eu estava no início de férias e recebi um telefonema da ministra das Finanças a dizer: “Assunção, por favor vai ao teu email e dá o OK, porque isto é muito urgente, o BdP tomou esta decisão e temos de aprovar um decreto-lei.” Como pode imaginar, de férias e à distância e sem conhecer os dossiers, a única coisa que podemos fazer é confiar e dizer: “Sim senhora, somos solidários, isso é para fazer, damos o OK.” Mas não houve discussão nem pensámos em alternativas possíveis — isto é o melhor ou não —, houve confiança no BdP, que tomou uma determinada decisão.”.

  5. Paulo Baldaia o elo de ligação da direita com o Diário de Notícias, disse que um ano depois mudou tudo para ficar tudo na mesma. E, e o mesmo que terá apoiado Marcelo diz que leva ao colo o Governo e que mais tarde cobrará. Tipo cobrador de fraque pergunto eu? Não conseguindo elogiar Passos Coelho pela oposição que faz Baldaia lá vai dizendo que “deve ser tido em conta a sua larga experiência política que lhe tem permitido manter mais ou menos unido…”. Vimos nos quatro anos que esteve no governo! Via lançando achas entre o BE e o PCP elogiando Catarina como “forte líder sozinha… atuando de fora tem uma grande influência no governo.” Força Baldaia!

  6. Para Baldaia “amortizar a dívida continuou a ser uma miragem”, disse a 13 de março. Ou se enganou ou foi intencional porque Portugal pagou 1.700 milhões de euros ao FMI que permitiram baixar a dívida em mais um ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB)na segunda semana de fevereiro de 2017.

  7. Baldaia acusa o país, ou serão os portugueses de não “cuidarmos de perceber que geringonça não é apenas a coligação parlamentar, é todo o país e a economia que o sustenta”. “Se eu fosse de esquerda estaria decidido a entregar o poder à direita para ela endireitar o país” diz este diretor do Diário de Notícias, acrescentando ainda que “continuamos sem fazer as reformas estruturais do país”. Mas o que são afinal para esta gente reformas estruturais. A direita que ele defende também não diz o que são nem tão pouco as aponta e propõe objetivamente as potenciais reformas que faria se voltasse ao poder. Talvez nem seja necessário porque todos já as conhecemos. É a raiva da direita traduzida sob a forma de jornalismo.


 

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Garimpeiros

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O Natal já lá vai e a política da oposição de direita é a de continuar à procura de prendinhas preciosas para oferecer a si própria. Mas não é só a oposição, são também alguns que, não sendo da oposição de direita e considerando-se do PS, fazem oposição ajudando a meter golos na baliza do “clube” a que dizem pertencer.


A pesquiza de preciosidades e a procura de brechas insipientes na política do Governo são a oportunidade que resta à direita para fazer oposição fácil porque oposição afirmativa séria e alternativa, não sabem como fazê-la.


A oposição a Passos Coelho dentro do PSD começa a borbulhara e a fazer sair da penumbra a que se votaram, depois da perda do poder, alguns senhores que então o apoiavam.  Saltitam alguns reagindo a uma possível aliança do partido com o CDS para a Câmara de Lisboa. Autarcas e ex-autarcas sugerem um congresso extraordinário do PSD.  


Seguem-se outros de direita, nomeadamente colunistas de jornais diários que aproveitam para pegar em tudo quanto o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, diz ou possa ter dito para fazer manchetes e para o criticar oraculizando esboços de divergência institucionais com o Governo.


Há ainda outros, os que escrevem em editoriais que  o “Presidente não é o menino Jesus e que  por muita fé que tenha, o boletim meteorológico continua a apontar para mau tempo.” Fazem parte do grupo que, entrando na carruagem de Passos Coelho, esperam ansiosos pela paragem onde entra o diabo. Estes eram os defensores das políticas de Passos Coelho no passado.


Vão escavando, garimpam aqui e ali, em tentativas de procurar algo fazendo uma oposição sem consistência. Primeiro foi a CGD, agora são os lesados do GES para os quais Passos, enquanto esteve no Governo, não conseguiu, não quis ou não soube arranjar uma solução. Surgem como senhores das trevas que dizem defender o interesse de Portugal.


Timidamente vão saindo da nebulosidade outros comentadores e opositores vindos duma direita  enfezada, porventura devido a estarem próximo do diabo que dizem estar para vir. Tecem estes críticas veladas ao Presidente da República, ainda de forma comedida, mas que, entre linhas, vão insinuando que o Presidente está em consonância com o Governo por estar a fazer discursos pacificadores. Estes são os mesmos que, durante a campanha eleitoral, faziam campanha e elogiavam Marcelo. Anseiam agora por conflitos institucionais, querem instabilidade porque é isso que os torna vivos.


Estou à vontade para escrever porque sempre critiquei Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente. Reconheço o meu erro, apenas, e só, porque, ao contrário do que pensava na altura, ele veio trazer um contributo para a paz social com uma atitude contrária ao passadista Passos Coelho que, durante o seu mandato, criou feridas, crispações e instabilidade sociais dividindo o que deveria unir, até porque Portugal estava confrontado com dificuldades a ultrapassar que necessitavam de união e não de divisão. Sobre esse tempo e essa atitude, neste mesmo sitio, várias vezes manifestei-me contra.


É mais do que certo que, nem tudo o que o Governo fez, ou se proponha fazer, está isento de críticas, nem tudo tem sido perfeito, mas qual foi a perfeição do Governo da passada legislatura. Aqui entram, mais uma vez, os que exaltam o que bom fez o Governo de Passos que preparou o terreno do que, dizem, estar o atual a aproveita-se.


Não falemos agora da saída limpa e do que, para isso, esconderam sobre o estado da banca!…


Garimpam desesperadamente em terrenos onde nada existe para garimpar.


Apenas como uma nora final tomem nota senhores autarcas do PS, atuais, futuros ou recandidatos, os garimpeiros da política andam por aí e a caça ao nepotismo e a outras atividades menos éticas já começou com a aproximação das eleições autárquicas.  Essas vão ser duras, mais do que se estivéssemos num Governo do PSD onde muita coisa seria ocultada, desculpada e dada sombria visibilidade.


 

sábado, 10 de novembro de 2012

Mais cargos políticos para sobrecarregar a despesa do Estado e os nossos impostos




Depois dizem que se está sempre a dizer mal de tudo. Pois claro, o caso não é para menos. Quando tanto se fala em cortar nas despesas que dizem respeito aos cidadãos, como SNS, e apoios sociais e despedimentos na função pública, criam-se novos cargos nas autarquias. No Jornal Expresso desta semana, 10 de novembro, última página, vem uma notícia com o título “Relvas cria “jobs” para ex-autarcas da qual passo a transcrever alguns passos.


O “lead” da notícia informa: “Vai nascer uma nova classe de dirigentes a nível intermunicipal. Serão mais de uma centena, remunerados


A notícia refere que o Governo aprovou uma proposta de lei em que autoriza um novo nível na Administração Publica” em que mais cem cargos remunerados vão nascer. Todos eles com vencimentos ilíquidos de 4000 euros, mais do que ganha um deputado. As remunerações dos restantes membros daqueles órgãos vão ser equiparadas a vereadores a tempo inteiro. Há algumas dúvidas quanto aos poderes daqueles órgãos. A notícia do Expresso continua dizendo que “numa altura em que se fala da racionalização da despesa, a criação da figura do "primeiro secretário" das comissões executivas é vista em meios políticos da oposição como "um fato à medida" de autarcas impedidos de se candidatarem a novo mandato.


Cortam no Estado Social e cada vez impõem mais austeridade aos portugueses para isto. Todos nós estamos a pagar isto, mas os senhores comentadores comprometidos não comentam estas notícias. Pois, não convém que se faça muito alarido. Quanto à oposição PS nem um comentário sobre isto, porque também lhe vai interessar para as suas clientelas partidárias já na expetativa das próximas eleições.


Mais cargos políticos para sobrecarregar a despesa do Estado e os nossos impostos




Depois dizem que se está sempre a dizer mal de tudo. Pois claro, o caso não é para menos. Quando tanto se fala em cortar nas despesas que dizem respeito aos cidadãos, como SNS, e apoios sociais e despedimentos na função pública, criam-se novos cargos nas autarquias. No Jornal Expresso desta semana, 10 de novembro, última página, vem uma notícia com o título “Relvas cria “jobs” para ex-autarcas da qual passo a transcrever alguns passos.


O “lead” da notícia informa: “Vai nascer uma nova classe de dirigentes a nível intermunicipal. Serão mais de uma centena, remunerados


A notícia refere que o Governo aprovou uma proposta de lei em que autoriza um novo nível na Administração Publica” em que mais cem cargos remunerados vão nascer. Todos eles com vencimentos ilíquidos de 4000 euros, mais do que ganha um deputado. As remunerações dos restantes membros daqueles órgãos vão ser equiparadas a vereadores a tempo inteiro. Há algumas dúvidas quanto aos poderes daqueles órgãos. A notícia do Expresso continua dizendo que “numa altura em que se fala da racionalização da despesa, a criação da figura do "primeiro secretário" das comissões executivas é vista em meios políticos da oposição como "um fato à medida" de autarcas impedidos de se candidatarem a novo mandato.


Cortam no Estado Social e cada vez impõem mais austeridade aos portugueses para isto. Todos nós estamos a pagar isto, mas os senhores comentadores comprometidos não comentam estas notícias. Pois, não convém que se faça muito alarido. Quanto à oposição PS nem um comentário sobre isto, porque também lhe vai interessar para as suas clientelas partidárias já na expetativa das próximas eleições.