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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

As Inovações Autoritárias de Trump

Vale a pena ler aqui o artigo publicado no Project Syndicate, organização internacional de media sem fins lucrativos que publica, investiga e faz comentários e análises sobre vários temas globais.


Dec 5, 2025


Ruth Ben-Ghiat


Ruth Ben-Ghiat


Ruth Ben-Ghiat, professora de História e Estudos Italianos na Universidade de Nova York, é autora de Strongmen: Mussolini to the Present (W.W. Norton & Company, 2020).


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Durante o seu segundo mandato, Donald Trump juntou-se a uma longa linhagem de autocratas que chegam ao poder por meio de eleições apenas para corroer a democracia, com o objetivo final de instalar um regime autoritário. Mas muito no seu primeiro ano e de volta ao governo assemelha-se mais às consequências de golpes.


NOVA YORK – Todo o aspirante a autocrata que assume o poder numa sociedade livre utiliza medidas e métodos testados pelo tempo para deslegitimar e, em última instância, derrotar a democracia. O presidente dos EUA, Donald Trump, não é exceção. Mas a administração Trump também está a dar a sua própria abordagem ao manual autocrático, com três inovações que não têm paralelo entre autocratas contemporâneos que chegaram ao poder por meio de eleições.


Autoritarismo pode ser definido como a expansão da autoridade e do poder pessoal do executivo, em detrimento dos outros poderes do governo, especialmente do judiciário. As instituições estatais tornam-se ferramentas com as quais o líder pune inimigos, lida com problemas financeiros e legais pessoais, acumula riqueza privada e consolida o poder. A primazia desses objetivos explica por que os autocratas valorizam a lealdade em vez da competência ou experiência. Do presidente russo Vladimir Putin e do presidente turco Recep Tayyip Erdoğan ao primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán e Trump, autocratas povoam os seus círculos íntimos com familiares, bajuladores e comparsas, funcionários incapazes.


As cenas que hoje se desenrolam pelos Estados Unidos lembram a história de regimes autoritários, incluindo juntas militares. Tropas percorrem as ruas da cidade, e forças de segurança estaduais mascaradas capturam pessoas e as "desaparecem" para prisões nacionais e estrangeiras. Com unidades da Guarda Nacional estadual criando "forças de reação rápida" para "controle de multidões" a pedido do Pentágono, e o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) a aumentar seus gastos anuais com armas, blindados e armas químicas em 600%, uma "guerra eterna" doméstica contra cidadãos americanos parece provável.


Como qualquer regime autocrático, a administração Trump precisa de medias complacentes para promover narrativas aprovadas pelo governo e minimizar a cobertura desfavorável, incluindo evidências da sua incompetência em políticas económicas. Esse ambiente mediático é criado em parte por meio de colaborações que promovem o processo de captura dos media, como a compra da CBS News por David Ellison, filho do bilionário apoiante de Trump, Larry Ellison.


A intimidação também ajuda: o Washington Post, da propriedade do fundador da Amazon, Jeff Bezos, não publica mais opiniões que não estejam alinhadas com os princípios aprovados pela administração de "liberdades pessoais e mercados livres", e a ABC News desembolsou 15 milhões de dólares para resolver um processo frágil por difamação movido por Trump. Ele continua a criticar e insultar repórteres que o desafiam, e ameaça revogar licenças de transmissão por cobertura pouco lisonjeira. Enquanto isso, o Pentágono cortou o acesso a qualquer jornalista que se tenha recusado a assinar um compromisso de não reportar nenhuma informação "não autorizada".


Outro elemento familiar do projeto autoritário de Trump é a normalização do extremismo e do racismo. Trump recebeu o supremacista branco Nick Fuentes, amante de Hitler, em Mar-a-Lago, em 2022, e colocou um vídeo em 2024 sugerindo que votar nele era um voto pelo estabelecimento de um "Reich unificado". Comparsas de Trump como Elon Musk, o ex-estratéga-chefe da Casa Branca Steve Bannon e o alto funcionário da Patrulha de Fronteira Gregory Bovino realizaram publicamente continências ao estilo nazista.


Líderes emergentes do Partido Republicano estão a assumir com entusiasmo esse plano extremista. Em outubro, o Magazine Politico publicou um grupo no Telegram no qual jovens e funcionários do Partido Republicano no meio de carreira usavam insultos raciais, zombavam sobre estupro e discutiam o envio de opositores políticos para câmaras de gás. O vice-presidente JD Vance descartou as mensagens como "piadas."


Isso é especialmente preocupante porque, enquanto os cultos à personalidade dos homens fortes dependem da ideia de TINA – "não há alternativa" ao líder – a idade avançada de Trump e o seu aparente declínio físico e cognitivo tornaram a sucessão uma questão importante para o seu movimento Make America Great Again (MAGA). Os arquitetos do Projeto 2025, que basicamente delineou a agenda do segundo mandato de Trump, assim como nacionalistas cristãos, o aliado de Musk Peter Thiel e outros interessados, investiram fortemente em Vance, que esperam que possa levar a autocracia americana para o futuro. Mas Vance é impopular além dos fiéis MAGA e parece improvável  vencer uma eleição presidencial livre e justa em 2028 contra um candidato democrata.


A maioria dos autocratas hoje continua a realizar eleições, mas manipula o sistema de modo que seja difícil para a oposição prevalecer (como na Turquia e na Hungria) ou recusar-se a deixar o cargo caso perca (Venezuela). Mas, dadas as limitações de Trump, os EUA podem experimentar um desentendimento acelerado do eleitorado, ou até mesmo uma suspensão das eleições por meio da declaração de lei marcial ou algum outro estado de exceção. Trump já sugeriu a ideia de acabar com as eleições. "Daqui a quatro anos, você não precisará mais votar", disse Trump a apoiantes cristãos num evento de campanha em 2024. "Vamos consertar tudo tão bem que não vai ser precisar votar mais."


Um ritmo alucinante


Isso leva-nos à primeira das inovações autocráticas de Trump: a velocidade, o desígnio e a escala da transformação dos Estados Unidos. Em questão de meses, Trump fez mudanças abruptas e radicais na política económica e comercial dos EUA; desestabilizou posições de longa data na política externa, alianças e arranjos de inteligência; e desencadeou operações do ICE que atrapalham o cotidiano de cidadãos e imigrantes nascidos nos EUA.


Outros autocratas contemporâneos que chegaram ao poder por meio de eleições, incluindo Erdoğan, Orbán e Putin, não causaram um nível comparável de agitação durante o seu primeiro ano no cargo. Como também observou Anne Applebaum, da The Atlantic (ver) primeiro ano de Trump assemelha-se mais a momentos de mudança de regime, às consequências de golpes bem-sucedidos ou às repressões que se seguiram a golpes fracassados (como a revolta militar de 2016 contra Erdoğan).


Essa Blitzkrieg foi possível em parte graças ao Projeto 2025 da Heritage Foundation. Durante a presidência de Joe Biden, os arquitetos do projeto atuaram como uma espécie de governo sombra, planeando a destruição de instituições democráticas e o recrutamento do governo federal com um "exército" de agentes cuidadosamente selecionados que seriam "ativados" no primeiro dia do segundo mandato de Trump. A sua tarefa: mudar as culturas políticas e de governança dos Estados Unidos para o autoritarismo.


Autoritários pensam grande e pensam no longo prazo. As figuras que agora moldam a política dos EUA – como o principal organizador do Projeto 2025, Russell Vought (agora diretor do Escritório de Gestão e Orçamento), e o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller – sabem que criar um serviço público compatível é essencial. Isso explica as purgas da administração Trump em funcionários federais dos setores militar e civil, incluindo o Departamento de Justiça. Só apagando a experiência profissional e a memória institucional do governo poderão criar um serviço público receptivo a práticas autoritárias – um novo "estado profundo" que permanecerá no poder muito tempo depois da saída de Trump.


O Oligarca no Comando


O ataque de Trump à democracia dos EUA também foi possibilitado pela sua aliança com Musk, o homem mais rico do mundo, e pela criação do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), sob a responsabilidade de Musk. Oligarcas normalmente operam fora do governo, comprando propriedades de media ou de financeiras que podem aproveitar a serviço do autocrata. Mas Trump efetivamente fez de Musk – que havia investido muito para elegê-lo – seu co-líder.


Durante as primeiras semanas da presidência de Trump, Musk falou regularmente em reuniões de gabinete e no Salão Oval, inclusive para a imprensa, e reuniu-se com chefes de Estado estrangeiros, como o primeiro-ministro indiano Narendra Modi. Musk foi tão proeminente nesse período que a revista Time o retratou atrás da Resolute Desk do presidente no Salão Oval numa capa de fevereiro de 2025.


Mas o envolvimento de Musk no governo foi além do espetáculo. Como chefe do DOGE, Musk teve acesso a sistemas de dados dos EUA, com os seus agentes a dotar métodos ilegais que são características da mudança de regime. Como soldados a executar um golpe, ocuparam prédios governamentais, por vezes impedindo a entrada de membros do Congresso; demitiu milhares de funcionários públicos após proibi-los de aceder aos seus próprios sistemas de computador; e removeram fisicamente funcionários que tentavam impedi-los de apreender propriedades digitais.


O verdadeiro objetivo do DOGE nunca foi "aumentar a eficiência", mas sim criar um "banco de dados centralizado único com vastos recursos pessoais sobre milhões de cidadãos e residentes dos EUA", que pudesse ser usado para vigilância governamental e treino em IA. Para Musk, as atividades do DOGE também ofereciam uma oportunidade de desmantelar agências que ameaçavam as suas empresas com investigações e multas, além de direcionar negócios governamentais nacionais e estrangeiros para seus produtos.


Musk deixou publicamente o DOGE em maio, e o "departamento" centralizado foi recentemente dissolvido. Mas a agência continua operando clandestinamente em centenas de agências, escritórios e departamentos do governo dos EUA. Muitos estados dos EUA possuem uma força-trabalho do DOGE: em Idaho, mais de 70 departamentos, escritórios, programas e comissões estão a ser considerados para cortes a partir de novembro. A Vought, em quem convergem o Projeto 2025 e o DOGE, agora compromete-se a tornar as mudanças do DOGE permanentes.


Esse roubo de dados combinado com infiltração estatal não tem precedentes. Os tiranos atuais e aspirantes ao poder do mundo têm muito a aprender.


Tornando os Adversários da América Grandes


"Se você tem um presidente inteligente, eles não são inimigos", disse Trump sobre a Rússia, China e Coreia do Norte num comício de campanha na Virgínia em junho de 2024. "Você vai fazê-los saírem-se bem." Trump certamente está afazer isso: ao destruir sistematicamente os alicerces da prosperidade, prestígio e boa vontade dos EUA no mundo, ele contribui para um declínio do poder americano, tanto duro quanto brando, que beneficiará as autocracias estrangeiras que ele tanto admira. Aqui reside a terceira inovação autocrática de Trump.


Muitos dos ditadores mais notórios do mundo levaram os seus países à ruína, como o ter cortado a assistência pública (Augusto Pinochet, do Chile), apropriando-se de fundos para si mesmos e para os seus comparsas (Mobutu Sese Seko, no Congo, Muammar el-Qaddafi na Líbia e Putin), ou envolvendo-se em guerras catastróficas ou campanhas revolucionárias (Benito Mussolini, Adolf Hitler e Mao Zedong=Mao Tse Tung). Mas a administração Trump é incomum no seu aparente compromisso de destruir os pilares da prosperidade de longo prazo dos EUA – educação, saúde, pesquisa e política climática – e dizimar a confiança e a boa vontade em relação aos EUA no exterior.


Embora quase todos os autocratas politizem a ciência e a medicina, a maioria avança gradualmente para mudar o arcabouço institucional em que essas disciplinas são praticadas. Os nazis só criaram o Ministério do Reich para Ciência, Educação e Cultura em maio de 1934, mais de um ano após a Lei de Habilitação conceder a Hitler poder irrestrito. Em contraste, Trump destruiu a capacidade científica dos Estados Unidos quase imediatamente ao retornar à Casa Branca, cortando o financiamento federal para pesquisa e restringindo o trabalho das instituições mais prestigiadas do país, como os Institutos Nacionais de Saúde. Até mesmo ao trabalho sobre os cancros infantis foi retirado financiamento.


A determinação fanática demonstrada por oficiais de Trump nesse processo assemelha-se à mentalidade de funcionários fascistas e comunistas, incluindo aqueles que implementaram a devastação da ciência e da medicina chinesas por Mao durante a Revolução Cultural. Robert F. Kennedy Jr., secretário de saúde e serviços humanos de Trump – que frequentemente defende a medicina charlatã em vez da ciência legítima – arquitetou a saída de quase um quarto de seu departamento (20.000 trabalhadores) em apenas alguns meses.


"Em rajadas rápidas", a administração Trump "demitiu grandes equipes de cientistas, encerrou milhares de projetos de pesquisa e propôs cortes profundos nos gastos para novos estudos", informou o The New York Times em agosto, acrescentando que o corte orçamentário proposto de 44 biliões de dólares para o próximo ano seria "a maior queda no apoio federal à ciência desde a Segunda Guerra Mundial." A ciência tem sido "há muito tempo um dos principais motores da preeminência global dos EUA", escreve o jornalista do Guardian Robert Tait, e por isso ela precisa ser destruída.


Essa iniciativa, juntamente com a redução mais ampla da presença de soft power dos EUA e o recuo da liderança global, está a criar as condições para que a doutrina da "multipolaridade" defendida por autocratas como Putin e o presidente chinês Xi Jinping tenha sucesso. A China já está a intervir para preencher as lacunas deixadas pelos EUA como fabricante de energia limpa e parceiro comercial. Nesse sentido, é à China que a MAGA está "a fazer muito bem".


Como outras inovações de Trump, o esforço para desmontar o prestígio e o poder dos EUA parece ser projetado para obter resultados o mais rápido possível, independentemente dos custos humanitários. A destruição pela Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que salvou cerca de 92 milhões de vidas nas últimas duas décadas, mostra o quão altos esses custos podem ser.


Dhruv Khullar, médico e professor da Weill Cornell Medicine, enquadra corretamente os ataques da administração Trump à formação médica e à inovação biomédica como "subversão". Essa é a palavra certa, e deveria ser aplicada de forma mais ampla. Enquanto a administração Trump, os seus apoiantes políticos e o seu aparato ideológico trabalham arduamente para destruir a estabilidade dos EUA e o bem-estar dos americanos, eles não estão apenas a acelerar a transição do país de uma sociedade livre para uma autocracia. O deles é um esforço holístico para derrubar uma superpotência.

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Trump e os regimes totalitários e autoritários

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A comparação entre as políticas de Trump e as do regime nazi de Hitler que levaram à Segunda Guerra Mundial é um tópico sensível, controverso, complexo e sujeito a diferentes interpretações que exige uma análise detalhada e cuidadosa que não cabe neste texto, contudo poderemos fazer só algumas possíveis apreciações, é, por isso, prematuro estabelecer qualquer relação consistente.


O regime nazi, liderado por Hitler, cometeu atrocidades inigualáveis, incluindo o Holocausto, as políticas de Trump, apesar de criticadas por muitos, não alcançam a mesma escala de horror e devastação.


Hitler implementou um regime totalitário que eliminou brutalmente qualquer oposição e perseguiu sistematicamente minorias. A presidência de Donald Trump foi marcada, (durante o seu primeiro mandato, e parece no atual continuar pela mesma via), por polarização e desconfiança significativas, tanto dentro dos Estados Unidos quanto internacionalmente. Trump minou a confiança nas instituições democráticas e durante a sua última campanha eleitoral fomentou uma atmosfera de desconfiança e polarização.


Embora as ações e consequências das políticas de Trump com as de Hitler sejam substancialmente diferentes, as técnicas de manipulação de massas e de propaganda, (hoje mais sofisticadas e eficazes), demonstram alguns paralelismos históricos que não podem ser ignorados para o que alguns fatores contribuíram para essa atmosfera. O uso por Trump de linguagem e retórica divisionista, particularmente nas redes sociais desempenhou um papel significativo na promoção da polarização. Os seus frequentes ataques à comunicação social, os chamados media, a opositores políticos, até mesmo membros da sua própria administração, criaram um ambiente de conflito constante.


Algumas políticas de Trump foram altamente controversas:


A proibição de viagens a vários países predominantemente muçulmanos, a separação de famílias na fronteira EUA-México e enquanto outras eram alienadas como a reversão das regulamentações ambientais.


A resposta de Trump à pandemia COVID-19 foi, na altura, amplamente criticada por minimizar a gravidade do vírus, promover tratamentos não comprovados e de entrar em conflito com especialistas em saúde pública. Isso levou a uma falta de confiança na forma como o seu governo lidou com a crise.


As repetidas alegações de Trump de fraude eleitoral generalizada nas eleições presidenciais de 2020, apesar da falta de evidências, minaram a confiança no processo eleitoral e contribuíram para o motim do Capitólio em 6 de janeiro.


A abordagem “América Primeiro” de Trump e as suas críticas a alianças e acordos internacionais, como a NATO e o Acordo de Paris, prejudicaram as relações com aliados tradicionais e criaram incerteza no cenário global.


Estes motivos, entre outros, contribuíram para uma atmosfera de desconfiança e polarização durante a anterior presidência de Trump. Veja-se atualmente o que a administração Trump está a fazer com os imigrantes ilegais. Donald Trump, disse na última quarta-feira (26/01/25) que ordenará ao Pentágono e ao Departamento de Segurança Interna que preparem um centro de detenção de imigrantes na Baía de Guantánamo para até 30 mil imigrantes.


É inegável a utilização em ambos de retóricas inflamadas e divisionistas em que se incluem a criação de inimigos comuns, a exploração de medos e ansiedades populares para galvanizar o apoio das suas bases estratagema que Hitler também usou na altura.  Em ambos os casos, essa abordagem teve o efeito de intensificar as divisões sociais e políticas dentro dos seus respetivos países evidentes no uso de retóricas que apelam ao nacionalismo e ao sentimento de frustração existente nos seus respetivos países. Hitler subiu ao poder explorando os medos da Alemanha pós-Primeira Guerra Mundial, enquanto Trump ganhou força política ao apelar para uma base de eleitores desiludidos com slogans como “Make America Great Again” e a sua propaganda anti-imigrantes.


Ambos criaram bodes expiatórios para os problemas dos seus países. Hitler culpou judeus, comunistas, ciganos, homossexuais e outras minorias, enquanto Trump tem como alvo os imigrantes, particularmente os mexicanos, e outras minorias étnicas e religiosas. Uma das políticas de Donald Trump foca-se na deportação de imigrantes ilegais e na implementação de medidas rigorosas para controlar a imigração, o que pode ser positivo, o problema está nas formas.


As perseguições e a forma como a administração Trump está a expulsar os imigrantes ilegais conforme prometeu têm também alguma coisa de desumano, ainda que se possa concordar com a decisão para controlar a população imigrante ilegal. Essas ações anti-imigração ilegais geraram medo e ansiedade entre as comunidades de imigrantes nos Estados Unidos. No entanto, repito, comparar essas políticas com o regime nazi pode ser exagero e até problemático, pois o contexto histórico e as intenções por trás das ações são significativamente diferentes. É crucial abordar essas questões com sensibilidade e uma compreensão clara das diferenças históricas e contextuais. É uma perseguição made soft.


Assim como  Hitler provocou o enfraquecimento das instituições democráticas e transformou a Alemanha num estado totalitário, Trump ataca a imprensa, desacredita o sistema judicial e questionou os resultados das eleições e terá estimulado o assalto ao Capitólio.


É importante lembrar que, embora as políticas de Trump tenham sido criticadas por serem desumanas e severas elas não se comparam diretamente ao genocídio e às atrocidades cometidas pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial.


Outro aspeto onde poderíamos sugerir haver pontos de contacto com a ideologia nazi é que esta tinha um total desprezo pela ciência e pelas artes. A posição de Donald Trump sobre a ciência tem sido um outro tópico de debate significativo. Durante a sua anterior presidência tomou várias decisões que foram percebidas como desdenhosas do conhecimento e das evidências científicas. Por exemplo, a forma como o seu governo lidou com a pandemia de COVID-19 e suas rejeições públicas de recomendações científicas levantaram preocupações entre a comunidade científica.


Apenas alguns dias se passaram desde que Trump voltou à presidência “as suas ordens executivas e nomeações fornecem pistas iniciais sobre como o segundo governo Trump poderá destruir o notável motor de ciência e tecnologia que impulsionou a economia americana por mais de três quartos de século”, escreve o Scientific American.


O ceticismo de Trump em relação às mudanças climáticas é outro exemplo notável. Ele referiu-se repetidamente às mudanças climáticas como uma “farsa” e retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris, que visava combater o aquecimento global. O seu governo também reverteu vários regulamentos ambientais, que muitos cientistas argumentaram serem cruciais para proteger a saúde pública e o meio ambiente.


Essas ações levaram ao sentimento de que como Trump tem desdém pela ciência, particularmente quando as descobertas científicas entram em conflito com seus objetivos e agenda política.


Quanto a medidas expansionistas Donald Trump fez várias declarações controversas sobre adquirir a Gronelândia, tornar o Canadá o 51º estado dos EUA e tomar controle do Canal do Panamá. Ele também mencionou que pretender mudar o nome do Golfo do México para “Golfo da América”. Essas declarações têm gerado preocupações e especulações sobre as suas intenções e o impacto que possa ter nas relações internacionais. Nestes pontos a aproximação é mais com o regime autoritário de Vladimir Putin da Federação Russa.


As comparações que possamos fazer também com o regime autoritário de Vladimir Putin pode ser excessiva, mas ambos os líderes têm mostrado tendências expansionistas e uma abordagem agressiva nas políticas externas. Poderemos considerar, se quisermos ser otimistas, que as declarações de Trump muitas vezes são vistas como táticas de negociação ou estratégias para ganhar influência, enquanto as ações de Putin têm sido mais diretas e militarizadas. Será que poderemos ficar tranquilos quanto a possíveis ulteriores?


O jornal Público publica hoje extratos de uma entrevista do jornalista russo Pavel Zarubin, que publicou no seu canal de Telegram excertos de uma entrevista que vai ser transmitida este domingo à noite na televisão estatal russa. Ainda nessa entrevista, conforme o Público, Vladimir Putin, Presidente da Federação Russa, afirmou que “o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, vai «restabelecer» a ordem no mundo de forma rápida e vai conseguir subjugar facilmente as «elites europeias» que, refere líder russo e segundo o mesmo diário, “tentaram boicotar «ativamente» o seu regresso à Casa Branca”. Tece ainda elogios a Trump dizendo que “os líderes europeus vão acabar por «abanar a cauda» e obedecer a Trump com o seu carácter e a sua perseverança, Trump restabelecerá rapidamente a ordem. Em breve, todos se colocarão ficarão do lado do mestre a abanar a cauda carinhosamente”.


 

domingo, 20 de março de 2022

Por Putin com amor ou os nossos agentes de Moscovo

Ucrânia e Putin-2.png


Facciosos que pretendem desviar as atenções das responsabilidades de Putin nesta guerra insistem no que os EUA e a NATO fizeram no passado, mas omitem que o presidente russo já foi acusado de financiar vários partidos da extrema-direita na Europa; omitem ter interferido nas eleições norte-americanas, procurando beneficiar Donald Trump; omitem que Putin não esconde as suas preferências na Europa por Órban, Le Pen, Salvini, Santiago Abascal.


Nas últimas semanas tem-se multiplicado uma infinidade de artigo de opinião e de comentários numa dicotomia entre os que revelam claramente estar contra a invasão e os outros, os pró Putin.


Antes de continuar, e porque parece estar a haver alguma animosidade contra os russos, devo esclarecer que nada tenho contra o povo russo nem contra a sua cultura, a minha opinião é a de estar contra as políticas de um líder autocrático e oligárquico que impôs ao povo russo uma democracia(?) iliberal belicista.


Uma democracia iliberal visa um poder executivo forte, controlando e manipulando os limites das instituições garantes da democracia tais como tribunais e outras instituições democráticas do estado. Para o justificar argumentam que essas instituições, garantes dos valores democráticos e de liberdade não possuem atribuições eleitorais e, como tal, impedem a vontade da soberania do povo. Desta forma a narrativa social é construída ganhando, assim, legitimidade dentro do cenário democrático. Sobre democracia iliberal ver aqui.


Ao escrever este texto veio-me à memória “From Russia with Love” com a tradução em português “Da Rússia com Amor”, filme de espionagem lançado em 1963 que permanece relativamente fiel ao romance de Ian Fleming, escritor britânico e autor do livro com o mesmo nome.


Questionei-me sobre o porquê deste filme surgir na minha memória. A memória recente deu-me a resposta: foi o nome do comentador Alexandre Guerreio que ouvi recentemente seguir o mesmo relato da propaganda de Putin e dos seus mandatários que podem ver aqui.


Em tempos de guerra surge sempre quem se colocam de um lado, ou de outro, dos intervenientes do conflito. Foi assim também na segunda guerra mundial quando, por estranho que pareça, também houve quem estivesse do lado III Reich, no início não só os alemães.


Instalou-se com esta guerra um conjunto de gente, felizmente pouca, antiamericana e anti NATO às quais acrescentam o seu antieuropeísmo irracional. Os apoiantes desta corrente não são recentes, agitaram-se a pretexto da invasão da Ucrânia por Putin e colocam-se do lado de um Estado que agride militarmente outro povo soberano e que o massacra. Esta é a realidade e não há argumentos que o justifiquem por mais rebuscados que sejam.


Esta gente reanima ódios antigos que vêm do tempo da URSS e da Guerra Fria que agora estão a ser aproveitados para a sua ressurreição com novos contornos. Daí as teses do PCP contra os EUA, a NATO e a União Europeia em favor da defesa das posições do Kremlin.


O colapso da URSS que foi recalcado por uma espécie de catarse saiu do seu subconsciente ideológico. A retórica da paz que proclamam, com omissões de princípio, em relação à invasão da Ucrânia, vem das palavras de Jerónimo de Sousa que vinculam o PCP e está nas críticas feitas ao governo ucraniano em linha com as de Moscovo. Ao mesmo tempo que diz apoiar o apelo “à solidariedade e ajuda humanitárias às populações”, acusa a Ucrânia de dar apoio a grupos fascistas ou neonazis, alinhando com uma das narrativas usadas por Putin para justificar a invasão daquele país.


Os argumentos recorrem a históricos condenatórios de outras guerras em que intervieram outros Estados, mas cujos contornos e circunstâncias não se encaixam com as atuais. Seria bom que o PCP em vez de falar em golpes recordasse o que se passou na Ucrânia.


Sem me alargar em história porque isso compete a outros debruço-me apenas sobre alguns factos da atualidade da última década para nos situarmos.


Yanukovych foi presidente da Ucrânia de 25 de fevereiro de 2010 a 22 de fevereiro de 2014 que formalmente rejeitou um acordo de cooperação com a União Europeia que há muito tinha sido negociado e que poderia, no futuro, fazer passar a Ucrânia a ser um dos seus membros e integrar o bloco dos 28 países. Este mesmo presidente, na mesma altura, terá recebido uma série de empréstimos oferecidos pelo governo russo de Putin iniciando um processo de aproximação política com o Kremelin. Esta situação levou a uma série de protestos no oeste da Ucrânia denominados "Euromaidan" que já tido início em 21 de novembro de 2013. Protestos públicos que evoluíram para apelos à renúncia do presidente Viktor Yanukovych e do seu governo.


Além da questão da integração com a Europa havia ainda acusações de corrupção contra elementos do governo, pró-Rússia, que também motivou os protestos.


A análise da situação concluiu que Yanukovych estaria sob pressão direta da Rússia e que o anúncio brusco de que o acordo com a União Europeia não seria assinado por os russos de Putin ameaçarem impor sanções à Ucrânia tendo sido Yanukovych chamado de urgência para um encontro em Moscovo com o presidente Vladimir Putin.


Mas voltemos à atualidade recente. O estilo fascizante de Putin está presente na organização de um comício político disfarçado de concerto no passado 18 de março do corrente que e cujo seu discurso podemos considerar como sendo para a obtenção de apoio à guerra, de exaltação patriótica e de celebração dos feitos militares da Federação Russa na Ucrânia ao velho estilo nazi.


Do meu ponto de vista há os que dizem defender a paz e ao mesmo se colocam do lado de Putin. Esses que dizem defender a paz são os que sustentam que a culpa da guerra é de outros. Sem o dizerem claramente alinham com o pensamento do presidente Vladimir Putin que, em dezembro de 2021, lamentou o colapso da União Soviética há três décadas a que ele chamou "Rússia histórica", conforme noticiou na altura a agência Reuters.


Os comentários de Putin, em tempo divulgados pela TV do Estado Russo (RT-Russia Today), terão provavelmente alimentado ao que chamaram especulação sobre as suas intenções em política externa que os críticos internos, (não sei se hoje ainda existem), aproveitaram para o acusar de projetar a recriação da União Soviética e de contemplar um ataque à Ucrânia, ação que na altura o Kremlin de Putin considerou como sendo ousada.


 Não há dúvida de que a Rússia de Putin é uma democracia iliberal autocrática tendencialmente expansionista que parece estra a pretender provocar uma crise idêntica à que a Alemanha Nazi colocou em prática em 1938. Há mesmo quem chame a Putin czar e o compare a Stalin e a Ivan, o Terrível, quando na Polónia em 2009 falavam de Putin.


Escrevia-se então em setembro de 2009 aquando das comemorações do início da Segunda Guerra Mundial em Gdansk que “Putin passou a última década a procurar restaurar a grandeza russa, em parte através da reabilitação de Josef Stalin e a encorajar uma narrativa heroica e nacionalista dentro do país”.


Estas afirmações são preocupantes pela tentativa de recuperar um passado tenebroso utilizando táticas semelhantes através da utilização de armamento mais sofisticados e com novas estratégias.


Há um erro quando se pensa que a Rússia, em 1939, trouxe a liberdade à Europa central. Estaline atraiçoou a Polónia depois da invasão nazi invadindo-a pelo Leste. Hoje as ambições imperiais de Putin continuam a ser um perigo, como foi demostrado pela guerra contra a Geórgia em 2008.


Foi em Gdansk onde começou a invasão da Polónia pela Alemanha de Hitler.  No dia 1 de setembro de 1939 iniciou uma guerra de seis anos. A Polónia foi dividida em 1939 pelas tiranias gémeas de Hitler e Estaline e foi onde ocorreu o assassinato em massa de judeus no Holocausto nazi e terá sido o principal alvo de campanhas de propaganda concertada russa do Kremlin.


Relativamente à Ucrânia podemos supor que todas as tentativas para chegar a um acordo de paz com Putin serão do ponto de vista moral do direito internacional e do ponto de vista prático e político serão infrutíferos, prejudiciais e perigosos tal e qual o foram todas as tentativas de apaziguar as nazis realizadas entre 1934 e 1939 ao fazer vários acordos e pactos que resultaram em fracassos e não foram respeitados.


Elísio Estaque, sociólogo, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra escreveu num artigo de opinião mo jornal Publico que “O facto de a NATO ter sido criada como força de oposição à URSS num contexto de Guerra Fria, de profunda divisão ideológica no mundo ocidental (capitalismo versus socialismo), associado à imagem do exército soviético no pós-guerra, visto como força libertadora no confronto contra a Alemanha nazi, contribuiu para perpetuar a simpatia das “vanguardas” com a “pátria do socialismo” durante décadas. Desde a Revolução de Outubro, com Lenine e Trotsky, passando por Estaline, Krushtchov, Brejnev, etc, mesmo após a implosão do regime, muitos continuaram a ver no poder russo a força capaz de se opor aos EUA, o locus do poder hegemónico num mundo unipolar.


Na sua cegueira dogmática já veem nesta guerra as trombetas a anunciar o fim do capitalismo ocidental e a consequente queda do império americano.


Fazer comparações com outras ações belicistas da NATO, no passado, ou apresentar contabilidades da mortandade em várias outras latitudes que não a Europa, são de uma insensatez intolerável. Nenhuma ação bélica desta natureza pode ser relativizada, seja onde for e por quem for”.


Facciosos que pretendem desviar as atenções das responsabilidades de Putin nesta guerra insistem no que os EUA e a NATO fizeram no passado, mas omitem que o presidente russo já foi acusado de financiar vários partidos da extrema-direita na Europa; omitem ter interferido nas eleições norte-americanas, procurando beneficiar Donald Trump; omitem que Putin não esconde as suas preferências na Europa por Órban, Le Pen, Salvini, Santiago Abascal.


Há quem esteja com uma venda nos olhos espreitando por alguns orifícios causados pelo desgaste ou que não queira ver por néscia teimosia, e menos por ignorância, e que, por isso, insistem na retórica discursiva do prisioneiro inocente que se defende dizendo que foram outros que o quiseram tramar. 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

PSD uma vergonha nacional

 


 



 


Estes senhores têm-nos mostrado que apenas sabem governar sem instituições democráticas, caso contrário não mostrariam tanta incompetência nas decisões que tomam. Será ainda possível que alguém acredite que a incompetência deste governo e deste primeiro-ministro sejam tantas que desconheçam a inconstitucionalidade de que enfermam os diplomas que enviam para promulgação?




Há uma premeditação nisto tudo com o objetivo de fazerem desacreditar as instituições democráticas e para colocar a população contra a Constituição da República e o Tribunal Constitucional que, para esta gente, são uns empecilhos à governação caótica que têm feito. Servem-se de tudo para dividir os portugueses. Tudo deveria ser permitido para eles próprios se poderem governar sem críticas e obstruções da justiça. É um governo e um partido que o sustenta que apenas sabe governar em autocracia. Para eles as instituições democráticas deviam ser dispensadas. Como não sabem o que fazer enviam propositadamente leis inconstitucionais para posteriormente poderem vir a público dizer que não os deixam governar.


Basta ler nas entrelinhas as afirmações dessa cambada, perdoem-me a expressão, a que chamam juventude social-democrata que, se os deixassem, extravasariam toda uma verborreia idêntica que caracterizavam as juventudes hitlerianas. A última que estes emplastros ouviram foram as afirmações, desta vez proferidas por um parente de Relvas, Alexandre Relvas, na fantochada da universidade de verão do PSD, foi a inteligente afirmação de que neste país são os filhos que estão a sustentar os pais. Mas, todos eles se perfilam para num futuro tomarem de “assalto democrático” o poder para lá conseguirem os cargos políticos que o dinheiro dos impostos dos pais deles e de todos nós lhes paga. 


Afirmações como esta diz Carlos Barbosa no seu blog “acirram o combate intergeracional inqualificável, própria de um escroque, mas explica a razão de haver cada vez mais filhos a bater/ matar os pais” ou abandoná-los nos hospitais digo eu. Só lhes falta afirmar que, em consequência, matem-se os pais e avós. E abrem estes indivíduos a boca para formar uma juventude destruindo valores universalmente reconhecidos. São uns parasitas e oportunistas que, com certeza, são eles que viveram à custa de pais e avós ou deles herdaram o que têm. Esta gentalha de juventude que bate palmas a afirmações como estas, quando forem eles mesmo pais e avós, se algum dia o forem, saberão, oportunisticamente, fazer leis que os protejam, como aliás atualmente já o fazem.


Será esta gente que os portugueses querem que nos governem? Será esta gente que os portugueses querem ver nas autarquias? Se assim for então Portugal anda totalmente perdido e desorientado!

PSD uma vergonha nacional

 


 



 


Estes senhores têm-nos mostrado que apenas sabem governar sem instituições democráticas, caso contrário não mostrariam tanta incompetência nas decisões que tomam. Será ainda possível que alguém acredite que a incompetência deste governo e deste primeiro-ministro sejam tantas que desconheçam a inconstitucionalidade de que enfermam os diplomas que enviam para promulgação?




Há uma premeditação nisto tudo com o objetivo de fazerem desacreditar as instituições democráticas e para colocar a população contra a Constituição da República e o Tribunal Constitucional que, para esta gente, são uns empecilhos à governação caótica que têm feito. Servem-se de tudo para dividir os portugueses. Tudo deveria ser permitido para eles próprios se poderem governar sem críticas e obstruções da justiça. É um governo e um partido que o sustenta que apenas sabe governar em autocracia. Para eles as instituições democráticas deviam ser dispensadas. Como não sabem o que fazer enviam propositadamente leis inconstitucionais para posteriormente poderem vir a público dizer que não os deixam governar.


Basta ler nas entrelinhas as afirmações dessa cambada, perdoem-me a expressão, a que chamam juventude social-democrata que, se os deixassem, extravasariam toda uma verborreia idêntica que caracterizavam as juventudes hitlerianas. A última que estes emplastros ouviram foram as afirmações, desta vez proferidas por um parente de Relvas, Alexandre Relvas, na fantochada da universidade de verão do PSD, foi a inteligente afirmação de que neste país são os filhos que estão a sustentar os pais. Mas, todos eles se perfilam para num futuro tomarem de “assalto democrático” o poder para lá conseguirem os cargos políticos que o dinheiro dos impostos dos pais deles e de todos nós lhes paga. 


Afirmações como esta diz Carlos Barbosa no seu blog “acirram o combate intergeracional inqualificável, própria de um escroque, mas explica a razão de haver cada vez mais filhos a bater/ matar os pais” ou abandoná-los nos hospitais digo eu. Só lhes falta afirmar que, em consequência, matem-se os pais e avós. E abrem estes indivíduos a boca para formar uma juventude destruindo valores universalmente reconhecidos. São uns parasitas e oportunistas que, com certeza, são eles que viveram à custa de pais e avós ou deles herdaram o que têm. Esta gentalha de juventude que bate palmas a afirmações como estas, quando forem eles mesmo pais e avós, se algum dia o forem, saberão, oportunisticamente, fazer leis que os protejam, como aliás atualmente já o fazem.


Será esta gente que os portugueses querem que nos governem? Será esta gente que os portugueses querem ver nas autarquias? Se assim for então Portugal anda totalmente perdido e desorientado!