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sábado, 3 de junho de 2023

Nós, eleitores e crentes

Eleitores e crentes.png


Nós, os eleitores e crentes que temos direito de eleger, somos os cordeiros e o “pau para toda a obra”, nas mãos de obreiros da partidarite e de influencres mais ou menos hábeis, que grassam pelo país cujo objetivo último é atrair o maior número possível de crentes e de votos, o que, na gíria popular, se designa por caça ao voto e à compra. Para este tipo de caça vale tudo o que estiver disponível para persuadir, influenciar e condicionar os eleitores de modo astucioso.


Não é só na política, mas também noutros sentidos, que a caça e a crença se desenrolam, é também no domínio dos “shows” e rituais como os das seitas evangélica ou pró-evangélicas cada uma com os seus séquitos.


A decisão dos eleitores em votarem numa ou noutra força partidária é idêntico ao processo que leva as pessoas a acreditar que mudarão de vida por causa de uma qualquer X-talks (talk-lérias) ou, ainda, pantomimices de palestras de autoajuda e motivação ao vivo assim como as pessoas são levadas a acreditar que um ou outro partido irá resolver os seus problemas ou que um certo líder é que diz as verdades, não obstante ser apanhado a mentir quase diariamente. A sensação para quem está de fora é parecida: uma profunda incredulidade com o que se passa na cabeça dos eleitores que se transformam em crentes irracionais. O oportunismo de imagens religiosas nos fatos e capas que veste são usadas como chamariz são a evidência do apelo à crendice que acarreta.


Introduzo aqui uma analogia entre política e shows pagos para ouvir uma senhora que enriquece à custa da papalvice de alguns que a idolatram e acham que lhes vai melhorar a sua vida com as suas patranhices. Este tipo de palestras descredibilizam o ato político de escolhas porque tornam implícito que a crença neste tipo de negócio para melhorar a vida das pessoas passa por abandonar a escolha política.


Mais grave ainda é haver políticos que já foram aos programas daquela que parece querer identificar-se com uma qualquer “nossa senhora” como o fez o Senhor Presidente   Marcelo Rebelo de Sousa que chegou a telefonar-lhe na estreia de um novo formato (janeiro/2023) quando essa “Nossa Senhora” estava em direto. Este tipo de intervenções de políticos ajuda ao marketing do produto que uma qualquer “guru” com uma capa com a imagem de “Nossa Senhora” pretende vender. Este tipo de intervenções funciona como uma legitimação das qualidades que a apresentadora anuncia ter, assim como a dos produtos que vende.


Os políticos, e muito menos o mais alto dignitário de Portugal, não podem fazer de figurantes publicitários que contribuam para a credibilização de vendas personalizada duma pessoa que anuncia milagres, vende sonhos e ficções perigosas aos clientes que até podem ser perigosos para a própria democracia. Isto reveste-se de gravidade. É pura e simplesmente a negação da política quando se acredita que, o que aquele, ou aquela, pensa contribui para melhores condições de vida e está disposto a lutar por elas individual e coletivamente fazendo-os acreditarem que tudo conseguem.


Nós, os eleitores, somos frágeis e crentes e, por isso, estamos sujeitos a deixarmo-nos enganar por manhas. De acordo com a Bíblia, a serpente ludibriou Eva para enganar Adão e o conduzir à desgraça da perda do paraíso e, daí, o sofrimento ao Mundo. A desculpa de Eva foi simples “foi a serpente que me enganou e eu comi”. Esta resumida passagem da Bíblia serve para mostrar como é a estratégia dos partidos políticos para atrair o voto dos cidadãos. É assim o jogo em democracia. Procuram ganhar eleições fazendo promessas em que os eleitores apostam como se fosse um jogo do poker igual aos que vendem patranhas.


Os eleitores são sujeitos a esta espécie de jogo de caça ao “tesouro do poder” pelo voto. Os bons rapazes são eles, os dos partidos, e nós, os “gajos merdosos”, que nos deixamos enganar.


Nós, os eleitores, somos por natureza volúveis nas nossas opções, ora votamos num partido, ora votamos noutro. Os eleitores pensam que ao mudarem a opção de voto lhes trará vantagens, facto de que os populistas sabem tirar vantagens. Assim, nós os eleitores, devemos estar acima do ruído onde se perde o sentido do que interessa, mas naquilo que tenha impacto na sua vida.


Em todo o mundo partidos e políticos populistas têm mostrado capacidade para usar um discurso forte para atrair adeptos e votos. Quem escreve roteiros para filmes ou gosta de avaliar filmes tem uma regra que é o “KISS” - Keep It Short And Simple, isto é, mantenha a narrativa curta e simples. Esta é uma espécie de fórmula utilizada para quando se está a contar uma história, seja ela verbal, visual ou multimédia para que seja percebida por todos e essa também é a estratégia utilizada pelo populismo. Veja-se, por exemplo, as mensagens colocadas em outdoors dos partidos.


Para seduzir eleitores, partidos da extrema-direita e também da extrema-esquerda, recorrem ao discurso populista que parece estar a resultar, não apenas em Portugal. Face a isto, os partidos políticos democráticos moderados de direita e de esquerda deixam-se contaminar e passam muitas vezes a seguir o mesmo processo de comunicação com os eleitores.  Para fazerem oposição ao Governo, (qualquer governo), criam no povo a crença errónea de que o país está sob ameaça devido à má governação e corrupção causados por forças que o estão a destruir. Quem esteja na oposição e a concorrer ao poder, aponta ao alvo que, por princípio, é sempre o partido no governo, socialista ou outro qualquer.  O argumento é que o "verdadeiro povo" precisa de ser protegido dos corruptos e da falsidade. Como anseiam o poder recorrem à injuria, à ofensa, censuram e criticam o que está mal e o que está bem, tudo no mesmo saco. Podem ser os partidos políticos, a U.E. os imigrantes, etnias, salários, pensões, etc., estratégia usada sobretudo pelos partidos da extrema-direita.


Nós, os eleitores, devemos ter esperança, dizem-nos alguns. Esperança era uma das palavras preferidas usada pelo PSD na altura da troica (Passos Coelho). Esperança foi recuperada por Luís Montenegro que, motivado por Cavaco Silva, diz que, se o partido for apoiado e chegar ao governo, dará uma nova vida aos portugueses. O líder do PSD acompanha o Professor Aníbal Cavaco Silva no “sinal de esperança para os portugueses.”. Falta clarificar a esperança em quê. Numa nova vida baseada em quê?


A propaganda do PSD avança com um fraseado próximo do populismo: “Quem é o português que não está zangado neste momento, lá em casa, quando vê o dinheiro do PRR a não chegar aos negócios e às famílias, quando vê o caos nas urgências, quando vê greves de professores umas atrás das outras?”, palavras de Cavaco. Fazer chegar o dinheiro do PPR às famílias?!! Não basta dizer ou escrever à toa. Nós, o povo, os eleitores, os crentes em alguma coisa precisamos de saber o quê e como fará o PSD para alterar o que hoje critica. Nós, o povo, os eleitores, os crentes precisamos de conhecer claramente o projeto da direita para o país. Assim o diz Francisco Mendes da Silva (CDS).


O que os portugueses precisam de ouvir é, sobretudo, como é que um governo PSD resolveria para fazer chegar dinheiro às famílias, resolver o problema do “caos” nas urgências, dar resposta às exigências dos professores e à situação da falta de médicos de família.


Veja-se como o discurso de Cavaco Silva se aproxima do populismo que é a estratégia que Luís Montenegro passou a seguir. A ideia é criar algo que todos entendam, fáceis e compreensíveis como os movimentos populistas têm utilizado eficazmente nos últimos tempos. Os “heróis”(!) combatentes patriotas populistas lançam para o “ar” a ideia de que estamos numa desgraça da política e, por isso, lutam por uma espécie de ressurreição dizendo lutar contra uma crise social por eles construída artificialmente ajudados pelos media.


Nas representações típicas dos populistas verificamos que está sempre presente uma evocação de crise ou de declínio das instituições. É um dos elementos básicos das estruturas da sua argumentação, para além do discurso falsamente moralizado e centrado em suspeições e factos hipotéticos. A aproximação à pessoa comum e aos seus problemas individuais é um ardil. Outro ainda é a passagem da noção de pessoas comuns versus os políticos que são uma elite e que o povo tem uma espécie de senso comum implícito nos seus julgamentos. Desenvolvem teorias da conspiração acerca de intrigas malignas sobre os que os criticam e desenvolvem um discurso muito moralizado. Tentam instigar os instintos mais primários das pessoas criando tensões e quebrando as normas e valores, que caracterizam a coesão social.


Os eleitores, o povo em geral, não está ciente de que não está plenamente informado do que se passa no interior dos partidos nem nos corredores da política do país a não ser pelos media. Como os eleitores só recebem fragmentos episódicos de factos, frases bombásticas dos líderes dos partidos, notícias dadas pelos media, as quais não possibilitam conhecer as causas primárias, os potenciais eleitores são confrontados grosseiramente com notícias que lhes impingem por vezes aceitando-as acriticamente.


Os momentos das várias agendas mediáticas e políticas são focados na economia que não chega aos bolsos das pessoas, na crise da habitação que não é resolvida e a que os jovens não tem acesso, na corrupção que grassa, na pessoalização de casos, etc. É isto que diariamente é repetidamente metralhado e chega pela comunicação social aos potenciais eleitores que não sabe o que, entretanto, possa ter sido melhorado e implementado de novo, e, quando o é, é “En Passant”, de forma a passar despercebido.


Os comentários são repetidamente os mesmos: o que se passa com a política e com os políticos, o país não avança, está atrasado, os salários estão baixos, etc. Quem é o culpado? Claro, são os que governam no momento, o socialismo, e, para alguns, o primeiro-ministro, e, em alguns casos, a própria democracia. Os que assim falam julgam-se os representantes executivos, diretos e únicos, da verdadeira vontade do povo. Fingem defendê-lo contra os políticos que veem como sendo todos corruptos e parasitas, exceto eles próprios, claro!


Alguns da direita extrema fazem-nos acreditar que são enviados e apoiados por Deus para defender as pessoas contra as coisas más presentes nos tempos modernos. Daí a necessidade de mostrarem publicamente a sua religiosidade e como são seguidores fiéis da Igreja Católica os órgãos de comunicação, mais ou menos simpatizantes da causa, fazem tornar públicos.


Se estivermos atentos ao que os media nos colocam à disposição diariamente sentimos que o essencial dos factos não é relevante, não é essencial para as pessoas. O irrelevante dos factos é selecionado e amplificado para que sejam acionadas as críticas que sejam mais compreensíveis pelos potenciais eleitores e se indignem com a situação. Não interessa mostrar o enquadramento da causa que, por vezes, é mais complexa do que nos mostram.


As redes sociais possibilitam a qualquer um fazer comentários sobre a situação política que se tornou, por isso, uma maneira eficaz de promover narrativas oposicionistas de cariz populista assim como a publicação de notícias falsas. Há pessoas e grupos que se organizam de modo a tentarem influenciar a opinião pública sobre temas que lhes interessa. Coloca-se material como sendo notícia acerca de factos que são falsos e que, sem filtro, são assumidos como verdadeiros.


Os eleitores que almejam paraísos fictícios são ludibriados com vãs esperanças de promessas fortuitas vindas de alguns partidos que enchem a sua alma desejosa de melhorias intangíveis.


Os canais televisivos debitam diariamente no noticiários e debates políticos onde, por vezes, é evidente a falta de clareza, a repetição diária e sistemática das mesmas imagens e notícias sobre o mesmo tema transmitidos até à exaustão. A estes acrescem comentários e opiniões que fazem parte da agenda político noticiosa de cada canal construídos para causar nas audiências desorientação e funcionam como uma espécie de lavagem cerebral política induzida pelos media mais consumidos através dos quais os potenciais eleitores absorvem informação.


Saber distinguir o trigo do joio em tudo aquilo que os media e os partidos nos “vendem” é uma arte que deve ser cultivada, sem emoções arrebatadas levantadas pelos contextos políticos e até por opções pessoais de ordem partidária ou ideológica. Nós, os eleitores, não nos podemos deixar levar por crenças misturadas neste caldeirão emocional em que os media e os partidos nos fazem viver sem discernir racionalmente, o que, por vezes, se torna difícil.

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Um artigo de opinião de Carmo Afonso: As Cristina Talks e a contagem dos parvos



As Cristina Talks e a contagem dos parvos









Assim, é difícil acreditar na democracia. Estamos todos à mercê das fraquezas e vulnerabilidades uns dos outros.







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Cristina Ferreira soma e segue enchendo salas com milhares de pessoas para assistirem às Cristina Talks. Depois de Gondomar e Lisboa, foi a vez de Guimarães, e a próxima sala, em Braga, também já esgotou os 7500 bilhetes, a 19 euros, em poucas horas. A este propósito, recomendo a leitura de um artigo neste jornal: Cristina e o seu séquito de levantados do chão.


São eventos onde Cristina Ferreira surge como guru que ensina a superar adversidades – como críticas, insultos ou até a própria pobreza – e onde se propõe fazer a assistência passar por um processo transformador, mediante o qual aquelas pessoas passarão a acreditar em si mesmas e no seu sucesso. A partir daí ficarão mais próximas de alcançar esse sucesso nas suas vidas, ou seja, alcançarão prosperidade material e reconhecimento público.


No seu espetáculo, a apresentadora fala dos que a criticam e chama-lhes "anticristina". Representam a intelectualidade e sobre eles diz: “Quanto mais me põem para baixo, mais eu ganho balanço para ir para cima.” Dá destaque às críticas nas redes sociais e ao desdém com que muitos a tratam, considerando-os mais um impulso para a sua ascensão. O segredo é ser autêntica e acreditar. Tudo o resto virá por acréscimo porque afinal “somos o que quisermos ser” e ela, Cristina Ferreira, está “entre as pessoas mais poderosas do país”.


Reparem que o relambório de publicações nas redes sociais a criticar a seriedade de Cristina Ferreira nesta sua nova atividade é perfeitamente inútil e até faz parte integrante da fórmula mágica que apresenta aos fãs.


Temos aqui um problema: existem dezenas, ou centenas, de milhares de pessoas que estão disponíveis para pagar um bilhete e participar num ritual, presidido por Cristina, que supostamente as transformará em pessoas de sucesso. É difícil perceber qual a escala disto, mas é certo que, onde quer que vá, esta mulher esgota as maiores salas de espetáculo. Temos de reconhecer que são mesmo muitos os portugueses que acreditam que ouvir a Cristina Ferreira vai melhorar as suas vidas.


Isto reveste-se de gravidade. É pura e simplesmente a negação da política. Quem acredita que aquele é o caminho para uma vida melhor está a abandonar a sua condição de sujeito político; o que pensa, reivindica melhores condições de vida e está disposto a lutar por elas individual e coletivamente. As palestras de Cristina Ferreira são uma verdadeira alternativa ao ato político. Porque precisarão os trabalhadores de fazer uma greve pela melhoria das condições de trabalho se basta acreditarem que são bons?


Observar o fenómeno Cristina Ferreira ajuda a perceber outros fenómenos como o das igrejas evangélicas e o da ascensão da extrema-direita. Aqui, justiça seja feita a Cristina Ferreira: não costuma convidar fascistas para os seus programas e para as suas entrevistas. Mas o assunto é outro e há mesmo semelhanças entre o processo que leva as pessoas a acreditar que mudarão de vida por causa de uma talk e o que leva as pessoas a acreditar que o Chega vai resolver os seus problemas ou que o seu líder é que diz as verdades, não obstante ser apanhado a mentir quase diariamente. A sensação para quem está de fora é parecida: uma profunda incredulidade com o que se passa na cabeça daquelas pessoas. Assim, é difícil acreditar na democracia. Estamos todos à mercê das fraquezas e vulnerabilidades uns dos outros.


Quase todos os políticos portugueses já foram aos programas da Cristina Ferreira e Marcelo Rebelo de Sousa chegou a telefonar-lhe na estreia de um novo formato quando a apresentadora estava em direto. Este histórico funciona como uma legitimação das qualidades que a apresentadora anuncia ter e é também isto que vende. Não deve voltar a acontecer. A classe política tem obrigação de não contribuir para a credibilização de quem anuncia milagres e vende fantasias perigosas para quem as compra e para a própria democracia.


Cristina Ferreira sonha ser Presidente da República. Temos razões para não querer que ponha esse plano em ação. Não que seja previsível que ganhe, mas é certo que de cada vez que contamos quantos de nós puseram a cruz numa opção que demonstra que se perdeu o juízo e o bom senso chegamos a números astronómicos. Está aqui uma coisa boa que Cristina Ferreira pode fazer por Portugal: não nos obrigar a saber exatamente quantos portugueses desejam que seja presidente. Já mereceria um agradecimento.


A autora é colunista do PÚBLICO e escreve segundo o novo acordo ortográfico





 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Fazer gala da violência e muito mais

Escrevi no Facebook: "E se eu especular dizendo que tudo o que se viu foi muito bem orquestrado para depois ser aproveitado para subir audiências, como escreveu Fernanda Câncio?


Este artigo de opinião vale mesmo a pena ser lido.


 


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Fernanda Câncio


in Diário de Notícias 15 Fevereiro 2022


Fazer gala da violência


Para esplendor da audimetria, a TVI decidiu fazer render uma acusação de violência doméstica sobre uma mulher confrontando, ao vivo e a cores, acusado e vítima. E, claro, teve nessa degradação o que queria - o programa mais visto do dia. Isto na era do "politicamente correto", do metoo e da "cancel culture". Olha se fosse na das cavernas.


"Alguma vez tiveste medo?"


A pergunta é de Cristina Ferreira, a diretora de programas da TVI e apresentadora da "gala" deste domingo do programa Big Brother, a uma concorrente. Em causa a sua relação com outro concorrente que fora nesse mesmo dia alvo de uma queixa pelo crime de violência doméstica contra ela - um crime público, o que significa que qualquer um que não apenas a vítima o pode denunciar às autoridades.


No caso, a denúncia foi apresentada pelo organismo público encarregado de promover a igualdade de género - a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género - , num duplo simbolismo: o de frisar o dever de reporte de um crime com esta tipificação, responsável por grande parte dos homicídios cometidos em Portugal, e de este ter sido publicamente e publicitadamente cometido, já que foi através das imagens da interação dos dois concorrentes, divulgadas pela TVI, que dele se tomou conhecimento.


Cristina Ferreira, que várias vezes invocou, no passado recente, o feminismo a propósito de críticas e ataques de que tem sido alvo, frisando que muitos deles ocorrem por ser mulher - o que é verdade -, e que no programa garantiu até acaloradamente "lutar contra a violência doméstica", entendeu encenar, na dita gala, um tribunal, confrontando agressor e vítima com as imagens das suas interações, para a seguir lhes perguntar o que achavam do que viam. A inquirição foi precedida por um discurso inicial da apresentadora/diretora no qual anunciou que considera ter face aos concorrentes "um dever de imparcialidade e de não julgamento de qualquer tipo de comportamento". Esse dever, explicou, deriva da situação de exposição em que aquelas pessoas vivem, ao admitirem ser filmadas 24 sobre 24 horas.


Caberia perguntar se esse "dever de não julgamento" se aplicaria também a crimes, se em causa não estivesse precisamente a acusação de um crime - o que nos leva a concluir que sim, ela quer que concluamos que se aplica. Sucede que é difícil acreditar que Cristina Ferreira, que ali está na quádrupla condição de apresentadora, diretora, administradora e acionista do canal, se afirmasse imparcial e se eximisse de julgamentos caso um concorrente degolasse outro. Pelo que se calhar temos de admitir que ou não leva assim tão a sério o crime de violência doméstica ou acha que no caso não há crime nenhum. O que significa que, longe de ser imparcial e de não julgar, já julgou e decidiu, juíza na causa própria que é o seu programa no seu canal.


Só ter assim decidido explica que considerasse aceitável submeter às perguntas a que submeteu, e perante tão vasta audiência, uma mulher que pessoas muito mais habilitadas que ela (Cristina Ferreira) a reconhecer o crime em causa consideram estar a ser vítima de violência doméstica. Isto se se quiser partir do princípio - é aquele de que quero partir - de que Cristina Ferreira não está tão e apenas somente ralada com as audiências que mesmo admitindo ter ali uma vítima a quereria submeter, sob o álibi da "liberdade total" no contexto de um programa em que está 24 horas fechada com ele, à degradação de a colocar ainda mais sob o domínio do seu agressor ao afirmar publicamente que as suas manobras de controlo, a sua manipulação e agressividade física são manifestações de amor - submetendo-nos assim a todos à banalização e à desculpabilização do crime e à entronização do criminoso.


Não; acredito que simplesmente Cristina Ferreira não saiba o que é a violência doméstica, e, que como tantas outras pessoas, incluindo até, como é conhecido, juízes, ache que se não houver ossos partidos, hematomas e hemorragias, e se a vítima disser que está tudo bem, está tudo bem e não há crime algum. Que não saiba, como tão bem explicou o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em alguns acórdãos recentes, que a violência doméstica é tortura porque visa a humilhação, o rebaixamento e o controlo absoluto da vítima, transformando-a em objeto à sua disposição.


Aliás, a apresentadora/diretora fez questão de afirmar, para justificar o facto de o acusado de violência doméstica não ter sido, como era exigido pela CIG e por tantos outros, retirado do programa, que todos os concorrentes estão a ser "avaliados diariamente" por uma equipa de médicos. Com esta afirmação, que repetiu por duas vezes, Cristina Ferreira quis certificar que não houve crime, que nenhum mal estava ali a ser causado à concorrente em causa, e que é tudo macaquinhos no sótão e "ódio" - usou esta palavra - de quem denunciou.


Para além de levantar assim uma questão deontológica interessantíssima à Ordem dos Médicos - quem raio são estes clínicos aos quais a produtora Endemol e o canal TVI imputam a decisão sobre a manutenção ou não de um acusado de violência doméstica num programa - Cristina Ferreira tornou assim claras, clarividentes, várias coisas.


Uma é que tudo o que disse sobre não se arrogar "julgar" é mesmo uma grande treta. Tão grande a treta que quem como eu seguiu ontem - por uma vez na vida, por razões profissionais, e para nunca mais, tal o nó nas tripas - toda a emissão da "gala" até ao fim teve oportunidade de ouvir a voz que faz de "grande irmão", ou seja, de ente que tudo vê e ouve, assegurar aos concorrentes que restaram após a expulsão ritual do acusado "por vontade do público" (claro, era preciso "entregar a decisão aos portugueses" para fazer render o suspense) que a concorrente alegadamente vítima estaria "com certeza" disponível para testemunhar a favor do expulso no eventual inquérito criminal.


O que nos leva a outra das evidências: ao questionar a concorrente sobre se se considera vítima, Cristina Ferreira sabia o que ela ia responder - jamais correriam, ela e o canal, o risco de serem acusados em direto de propiciarem, com a sua inação, um crime continuado.


E, por fim, que, alinhando com o discurso habitual dos agressores - que se queixam sempre de serem uns inocentes incompreendidos alvo de vinganças ou conspirações - Cristina Ferreira quis transformar a denúncia de que o concorrente e portanto o programa foram alvo numa questão de "ódio". Só faltou dizer a quem. Mas basta dar uma volta pelas redes sociais e ver as respostas dadas a quem denunciou para perceber: claro que é "ódio aos homens", "falta de peso", "frustração de mal amadas" - os insultos de sempre às feministas. "De puta para baixo", diria a Cristina Ferreira que vende livros à que faz gala da violência doméstica. Alguma vez terão falado?


 


 

sábado, 5 de dezembro de 2020

Pra cima de puta ou do oportunismo com oportunidade

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O que vou escrever não foi movido pela inveja porque nada tenho a invejar a Cristina Ferreira, não sou da profissão, nem que o fosse, não  pertenço ao seu grupo de amizades, não a conheço pessoalmente o que dela sei é somente e apenas pelos programas que ela protagoniza e o que a comunicação social vai dizendo sobre o que se passa nos bastidores dos canais onde trabalhou ou trabalha.


Pacheco Pereira pessoa que considero ser séria como escritor e que também admiro pelo seu estilo de comentário de opinião escreveu no jornal Público um artigo em defesa de Cristina Ferreira. Em epígrafe escreve “O ódio dos covardes que anda por aí” e “Sim, este elogio da denúncia de Cristina Ferreira é para vosso escarmento, vosso opróbrio, vosso desluzimento, vossa vergonha e, se tiverem de ir ao dicionário para perceber algumas palavras, ao menos ganha-se alguma coisa.”


Concordo com Pacheco Pereira unicamente enquanto elogio da denúncia que Cristina Ferreira faz no seu livro do esterco de comentários por alguma gente que se movimenta pelas redes sociais. Devemos, todavia, separar algumas águas quando se trata de pessoas a que se resolveu chamar figuras públicas, que, por princípio, têm mais visibilidade através dos canais televisivos porque a carência de protagonismo que é o seu alimento poderá conduzi-las aos mais variados e falsos altruísmos que, apesar de tudo não deixam de ser altruísmos quando praticados.


Pacheco Pereira elogia Cristina pelo seu livro porque também se indigna, com plena razão e direito, com os discursos de ódio, grosseria, de ameaças, de violência que passam impunemente pela rede sociais


O título deste meu texto “Oportunismo com oportunidade” vem mesmo a propósito e vem a propósito da publicação do livro “Pra Cima de Puta” da autoria de Cristina Ferreira, (tê-lo-á escrito?), editado em novembro de 2020 pela Contraponto Editores. A esta publicação seguiu-se, quase de imediato, a petição contra o cyberbullying para levar à Assembleia da República o que ao mesmo tempo veio servir de marketing para a promoção do livro e, sobretudo, da sua autora. Parece-me ser uma motivação exclusivamente pessoal, mas que pretende transvasar para a generalidade. Enfim, coincidências! O título do livro é sugestivo e pode levar muita gente não apenas as que frequentam as redes sociais a comprá-lo, e é isso que interessa.


As audiências dos programas por ela geridos, e alguns também apresentados, estão em baixa,  pelo que todo este movimento marketing à volta de Cristina possa vir a exercer uma espécie de alavancagem para os seus programas televisivos na TVI que  tem vindo a ter maus resultados devido à sua interferência e que, por isso, encontra-se fragilizada segundo consta nos bastidores da estação televisiva.


Os seus sorrisos para as câmaras e a aparente simpatia, que seduzem muitos espectadores, não são mais do que mera representação porque, dizem, ao vivo e em trabalho de bastidores é do piorio gritando e insultando os seus colaboradores.  


O livro, ao transcrever comentários a ela dirigidos e por ela transcritos para o seu livro poderá ser uma forma de Cristina Ferreira se vitimizar perante o público. Transformar ameaças e crises numa boa oportunidade de negócio é atributo de empreendedorismo e praticado em algumas empresas, e Cristina é uma empresa. É isso que Cristina Ferreira tenta fazer.


As ameaças que advêm da utilização imprópria das redes sociais não é de hoje, embora se tenha agravado, vem desde o seu lançamento. Ameaças, ciberbullying, notícias falsas, difamação, falsidades, maledicências, maldade, machismo, mulheres que rebaixam mulheres e outros impropérios idênticos, para tal a imaginação não falta têm sido várias vezes denunciados e objeto de debate. Esta situação tem vindo a gravar-se e o exemplo é encorajado por alguns altos responsáveis de alguns países bem conhecidos de muitos.


Não é de hoje que as redes sociais têm sido utilizadas para fazer ataques pessoais em que as emoções, boas ou más, extravasam o limite do possível. O tema ciberbullying não é novo e tem sido debatido internacionalmente, nomeadamente na União Europeia cujo Parlamento tem abordado. Tentar resolver ou mitigar o problema dos conteúdos nocivos ou ilegais online e, ao mesmo tempo, proteger a liberdade de expressão é uma das questões fundamentais que os eurodeputados querem abordar assim como a da proteção dos utilizadores contra aquele tipo de conteúdos.


A legislação sobre a informação que circula pelas redes sociais vai apresentar até final do ano uma nova legislação (‘Digital Services Act’ – Lei de Serviços Digitais) para regulamentar melhor os gigantes tecnológicos, em termos de gestão de dados, desinformação e discurso do ódio, em particular.


A Comissão Europeia está a trabalhar numa legislação para garantir que os conteúdos ilegais sejam retirados com as salvaguardas necessárias para proteger a liberdade de expressão porque o ódio não conhece fronteiras. A União Europeia tem, desde 2016, um código de conduta contra o discurso do ódio, de base voluntária, que foi assinado pelos grupos e redes sociais Facebook, Microsoft, Twitter, Youtube, Instagram, Snapchat, Dailymotion, Jeuxvideo.com e Tiktok.


Na Internet e nas redes sociais há gente infame ou que sofre de alguma psicose que difama e se alimenta destilando ódio, agredindo com facilidade e sem pudor pessoas que consideraram tomar como alvo, quer sejam políticos, quer sejam outros que se expões publicamente e Cristina Ferreira é uma dessas muitas pessoas que se expõe assumida e publicamente nas redes sociais.


Fico perplexo quando famílias e muita outra gente que, mesmo não sendo figuras públicas, se expõem através de imagens em família estimulando até os filhos a promoverem-se através de fotografia nas redes sociais. Assusta-me perceber que isso acontece sem qualquer controlo e autocrítica e que depois de serem alvos lamentam-se e julgam-se agredidos.


Não sei se o que mais preocupa Cristina se será sentir-se “Pra cima de Puta” ou se é sentir que está abaixo de puta nas redes sociais. Não percebo a metáfora, mas eis que descobri uma interpretação. Ao escrever aqui abaixo de puta, pensei que teria sido original, mas não fui porque há quem já utilizasse o termo no mesmo contexto que passo a citar e que também podem ler aqui:


 “I. Que Cristina Ferreira use a expressão como título de um livro seu, eis uma escolha inevitavelmente curiosa, tendo em conta que a autora quer evitar qualquer arbitrariedade metaforizante, esclarecendo que se trata de uma "provocação", no sentido em que o seu objetivo primordial é uma "chamada de atenção". Atenção para quê? Para uma "análise sociológica" das "agressões" nas "redes sociais" — a começar por aquelas a que ela tem sido sujeita, incluindo a classificação "pra cima de puta". 


III. Somos todos pavlovianos, eis a questão. Por um lado, Cristina Ferreira é uma personalidade pública do espaço televisivo, em grande parte apoiada nas chamadas redes sociais, o que ajudará a explicar o seu natural interesse pela sociologia. Identidade, sistema moral e estratégia empresarial, tudo nela existe arquitetado e exponenciado através de tais circuitos. Por outro lado, pressente agora que a utopia "social" que tão empenhadamente tem protagonizado pode ser uma ilusão cruel, convocando os seus seguidores "para percebermos que mulheres e homens atacam ferozmente".


Cristina é em grande parte apoiada nas chamadas redes sociais, mas desconhecem tudo quanto faz a não ser os risos e sorrisos para as câmaras, mas, do que tem vindo a público (consultar revista Sábado de 25 de novembro), é sintoma nítido de megalomania egocentrismo.


Pegar no que lhe chamam nas redes sociais, convencida, traidora, vergonhosa, manipuladora, exibicionista, gananciosa e tentar colocá-los como vantagem para si própria é o objetivo de Cristina para se vitimizar. A vitimização por vezes dá resultados face à queda das audiências.


Quem frequenta redes sociais como o Instagram pode confirmar que Cristina se expõe a tudo quanto sejam abutres do cyberbullyng e ela sabe disso porque não é nem parva, nem estúpida.


O discurso de ódio algumas vezes tem motivações induzidas por quem é o alvo movidas por comportamentos, atitudes, opções partidárias e ideológicas e que se revelam em ataques de todas as espécies que servem aos seus autores de escape que a liberdade de expressão das redes sociais proporciona.


O que me parece estranho é que Cristina Ferreira só agora tenha descoberto os ataques verbais de que tem sido alvo ache também agora que vem em auxílio de outros estão a ser alvos da mesma situação. Estranho é ainda que só ao fim alguns anos venha a insurgir-se contra as injurias, e muitas outras formas de ódio de que tem sido vítima através do cyberbullying e se atribua a si própria a grande defensora de todos e todas que dele têm sido vítimas quando o tema na sua generalidade tem sido abordado não raras vezes.


Há pelas redes sociais milhares de figura públicas, ou não, que são insultadas, enxovalhadas e vilipendiadas que não se queixam e que, com elevação moral não dão resposta a essas provocações que circula nas redes sociais, em vez de se focarem e darem valor a essa gente abjeta que se embrenha no anonimato. Todavia não são apenas insultos há também manifestações de indignação.


Há os que se põem a jeito e Cristina põe-se demais a jeito. O que dizer de quem publica vídeos e fotografias no seu Instagram fotografias com um seu protegido por ela relançado passeando-se num iate apresentando a ideia de alguma cumplicidade entre ambos para alimentar a imprensa. “Na montra do Instagram apresenta sorrisos e uma vida despreocupada financeiramente que contradiz o que se passa nos bastidores. Quem tem contacto com ela na estação descrevem a tensão que se vive na estação. Em público Cristina disfarça a desolação com as derrotas e não baixa a guarda… As fúrias são à porta fechada, fora dali…” Ler aqui.


A megalomania e declarações de “eu é que mando”, “eu é que escolhi” é uma necessidade de transmitir para se auto compensar revelam um egocentrismo patológico. Aquando da XXIV cerimónia dos Globos de Ouro da SIC recorde-se o seu discurso que recebeu críticas vindas de vários setores: "Cristina, a rainha da humildade"; "Presunção e água benta..."; "Que convencida e arrogante", foram alguns dos comentários ao discurso da apresentadora, que ganhou o prémio 'Personalidade do Ano' na área do Entretenimento.


Num fragmento do discurso que não está descontextualizado afirmava que "Eu dizia não quero, isto não faz sentido nenhum, estou lá a apresentar e depois vou lá receber o prémio... e depois percebi que quero. E quero, porque é justo", afirmou, como autoelogio e arrogância que lhe é habitual.


Ser figura pública e ambicionar por visibilidade e protagonismo para benefício próprio tem, e sempre teve os seus riscos, mesmo antes das redes sociais. Publicações como tabloides e revistas cor de rosa e outras lançavam para o público, amores, casamentos, escândalos e outros “tesourinhos” sobre vedetas ou personalidades mais conhecidas.


Portanto, não nos admiremos, Cristina Ferreira não é a vacina que vai salvar o “mundo” do discurso de ódios nas redes sociais.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Mediatismo tagarela à presidência

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Recordem-se que o segredo para vender é "sinceridade". Assim que a conseguirem imitar venceram!


 


É só seguir as instruções



 


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Marcelo Rebelo de Sousa é um candidato produzido nos mediam e por eles apoiado. Não fosse a sua visibilidade televisiva e estaria ao mesmo nível de todos os outros. Marcelo pode ser um estudo de caso da influência dos mediam nas opções de voto. Marcelo é um "show men" da política. Marcelo responde ao que os portugueses mais apreciam na política a capacidade de serem conduzidos por alguém que os consiga iludir com traços de credibilidade, seja ele quem for.


Marcelo tem tudo aquilo que a maioria dos portugueses gosta num político, conversa fiada, mediatismo, popularucho e vendedor de falsa política e que lhes transmitam empatia, ou seja, com quem se identifiquem emocionalmente. Os portugueses têm necessidade de alguém que percebam e que os conduza a um rumo, não interessa qual, desde que de acordo com o seu conservadorismo atávico. Dito de outra forma, precisam de alguém que exprima o reaparecimento de caracteres que pertenciam a gerações antepassadas e que tinham já deixado de se manifestar.


Marcelo Rebelo de Sousa, quer se queira ou não, é um político que não se distanciará do seu perfil ideológico na política. Aparentemente poderá mostrar-se como sendo um candidato de todos os quadrantes, com "savoir faire", com capacidade comunicacional e que diz não fazer o mesmo que fez Cavaco Silva. É tudo uma questão de forma.  


A tagarelice de Rebelo de Sousa tem sido mais do que óbvia viu-se na entrevista que deu na televisão. Foi a entrevista dum comentador da política que comenta a sua candidatura política. As televisões apoiam a sua candidatura sem qualquer espécie de preconceito no sentido da relevância que lhe atribuem em detrimento de outras candidaturas.


Segundo as últimas sondagens (15 de dezembro), Rebelo de Sousa, ao estar à frente nas sondagens mostra que o comentador político entra em todos os eleitorados e é o candidato mais nomeado entre os eleitores do PS, BE e CDU, o que parece irrealista, demonstra que os portugueses preferem à frente da Presidência da República uma figura mediática que venda comentários políticos.


Há figuras que são criadas, produzidas e gratuitamente vendidas pelos media, Marcelo Rebelo de Sousa é uma delas. Não fosse o mediatismo que a TVI lhe proporcionou e não estaria agora à frente das sondagens.  


Já disse em tempo, neste blog, que, se Cristina Ferreira da TVI se candidatasse à Presidência da República teria probabilidade de ganhar. Os portugueses são assim…


Não é por acaso que a direita decidiu apoiar a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, eles sabem que irá estar ao seu lado como Cavaco Silva sempre fez mas com estilo diferente.


A direita tendo perdido o poder que pensava garantido para sempre segura agora Marcelo como uma hipótese de, a prazo, voltar novamente ao poder. Aliás, o discurso da direita tem vindo a mudar, inclina-se mais para o centro e já utiliza ideias perfilhadas pela esquerda, quer agora mostrar que é um partido social democrata que perdeu e que se voltar ao podder voltará à senda do neoliberalismo.


À primeira oportunidade o candidato Marcelo, se for eleito, tenderá a conduzir os processos da política ao seu modo, isto é, para o lado da direita. O candidato Marcelo pisca o olho a todos os quadrantes partidários, da direita à esquerda radical. Tudo lhe dá jeito, depois se verá…


Na passada sexta feira Passos Coelho no Conselho Nacional do PSD destacou o mandato "apartidário" de Cavaco Silva (hilariante!) e afirmou querer que Marcelo Rebelo de Sousa seja um Presidente como Cavaco Silva e apelou a que os eleitores e militantes votem em Marcelo tendo o PSD aprovou apoio a Marcelo por unanimidade e aclamação. Está tudo dito! A perda de poder pelo PSD, que lhe soube a pouco, leva-o a recorrer a todos os meios que lhe possam garantir a volta à cadeira dos privilégios governativos. A direita quer agora, através de Marcelo, ganhar nas presidenciais como forma de revalidar e justificar o ganho que obteve nas eleições legislativas mas perdeu na Assembleia da República.


Para quem tenha sido fã do Presidente da República Cavaco Silva terá em Marcelo Rebelo de Sousa o seu presidente. Mas Marcelo já disse que não será como Cavaco Silva, e não será. Ninguém é igual a outro, o estilo pode mudar mas as opções e as decisões, essas é que importam.


Por sua vez, Paulo Portas também apoia Marcelo. "Não precisamos de um Presidente também socialista" disse ele. Pois claro, precisam de um que seja de direita e bem!

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Frases à solta

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  • Passos faz lembrar aqueles que para se safarem de penas maiores dizem que estão arrependidos mas à primeira oportunidade fazem o mesmo ou pior.

  • Ricardo Salgado disse mal do Passos e do Presidente da República e o juiz Carlos Alexandre colocou-o de seguida em prisão preventiva domiciliária. Quem se mete com eles apanha.

  • Há quem por aí quem surgira que algumas figuras mediáticas e comentadores políticos do PSD na televisão (exemplo Marcelo Rebelo de Sousa) deviam candidatar-se à Presidência da República. Será que não se poderão candidatar também outras vedetas da televisão como Manuel Luís Goucha e, porque não, Cristina Ferreira? Pelo menos uma mulher para variar e sempre dava gargalhadas estridentes quando discursasse. Seria uma lufada de ar fresco após termos aturado por quatro anos a monotonia dos discursos apáticos do atual presidente.

  • Chove dinheiro a rodos. Agora mais 53 milhões para escola privadas. Alguém vai sofrer para se recuperar esse dinheiro, e serão os suspeitos do costume.

  • A distribuição a rodos de dinheiros pelo Governo de Passos Coelho pode ter duas saídas:


Se a coligação PSD/CDS for governo vai buscá-lo aos mesmos.


Se for o PS governo vai ficar entalado porque vai encontrar os cofres vazios.



  • Pedro Passos Coelho parece um catavento. Tirou a alma a Portugal. Até agora não deu qualquer sinal de que vai alterar um milímetro que seja as políticas que tem vindo a seguir. Depois do “que se lixem as eleições”, na festa do Chão da Lagoa, na Madeira pediu “humildemente” para governar mais quatro anos para poder “dar uma outra alma a Portugal”. Ele há cada um! Brinca connosco! Só pode!

  • Alguém disse que “fazer todos os dias as mesmas coisas e esperar resultados diferentes é a maior prova de insanidade” e aqui entra Passos e o seu parceiro da coligação Portas porque, a não ser que esteja guardada alguma enorme surpresa, parece surpreendente que seja Passos a propô outra alma para Portugal. Mentiras e promessas não cumpridas do costume. Mostra-se uma cenoura a um burro para que siga sempre o mesmo caminho.