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terça-feira, 3 de outubro de 2017

A democracia é assim mesmo, dá sempre lugar à regeneração

Miguel Júdice.png


Após estas últimas eleições no seio das direções de informação começaram a perfilar-se novas composições na área do comentário político. A estreia foi iniciada com a TVI. O comentário político que José Miguel Júdice fazia às terças à noite na TVI24 passa a ser agora às segundas feiras no jornal da oito da TVI. Não é por acaso porque neste canal, e a àquela hora, apanha mais audiência a nível nacional. A TVI convidou Miguel Júdice, que andava há alguns anos afastado, para comentador algum tempo após o acordo parlamentar do PS com o PCP e o BE.


Como já várias vezes tenho escrito os comentadores de direita proliferam pelos canais de televisão falando com isenção duvidosa. Basta ver o perfil de Júdice para se compreender esta mudança. Anti esquerda convicto e com ódio às esquerdas mais radicais, talvez porque foram elas que ajudaram a apagar do mapa político português a influência da extrema direita.


Quem consultar documentos da época da revolução do 25 de abril ficará a saber que Júdice, embora não diretamente, esteve envolvido em conspirações antidemocráticas, com gente e partidos da extrema direita no norte do país que arquitetaram a rede bombista de 1976 causando a morte a várias pessoas. A história fará recordar aos mais novos a constituição do ELP (Exército de Libertação de Portugal) e do MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal), o primeiro mais militar do que político. O MDLP, a 17 de fevereiro de 1975, ensaiou um golpe de Estado. A 5 de maio de 1975 era oficialmente constituído o MDLP, uma força política de extrema-direita ficando a área da Política ao cuidado de José Miguel Júdice, na altura saudosista assumido do salazarismo. Em princípios de 1980, José Miguel Júdice aderiu ao PPD hoje PSD, onde militou. Em 2006 desfiliou-se do PSD e apoiou a candidatura de Cavaco Silva a Presidente da República. Em 2007 aceitou ser mandatário da candidatura do Partido Socialista, encabeçada por António Costa, à Câmara Municipal de Lisboa.


É agora comentador prime time na TVI. Nada contra, a democracia é assim mesmo, deve dar oportunidades de regeneração e ainda bem. Nada contra. Mas o que também acho é que devem ser dadas oportunidades para o contraditório a comentadores de esquerda residentes, que são escassos ou até, em alguns canais, muito incipientes ou disfarçadas em debates, aparecendo só em situações especiais.


Imagem tirada de http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/judice-novo-banco-vai-comprado-pelo-preco-da-uva-mijona-90073

quinta-feira, 31 de março de 2016

Plano Nacional de Reformas e parcialidade dos comentadores televisivos

Comentadores_Simpsons.png


 


Foi ontem apresentado na Assembleia da República o PNR – Plano Nacional de Reformas de iniciativa do Partido Socialista no Governo. Claro que, como já tem sido habitual noutras ocasiões idênticas, houve de tudo um pouco, palmas, risos, abanares de cabeças, discursos com notas de humor que visaram adversários que alguns comentadores da televisão (SIC) acharam pouco edificantes. Já se esqueceram das intervenções de Paulo Portas que, de quando, em quando, animava a Assembleia com o seu humor por vezes cáustico e sarcástico quando que se dirigia à oposição.


Mas há comentadores e comentadores. Há os que tentam manter alguma isenção, por vezes sem o conseguir, e outros que não a conseguem nem fazem o distanciamento necessário. Entre estes últimos incluo José Gomes Ferreira da SIC que hoje mais parecia uma versão televisiva dum deputado do PSD destacado opor Passso Coelho para aquele canal. Refiro-me ao seu cometário sobre a discussão do PNR ao qual se referia dizendo que era uma conjunto de ideias generalistas que qualquer governo poderia apresentar. Mais parecia um decalque do que Passos Coelho disse no plenário.


Quereriam que fosse apresentado um dossiê completo e detalhado com centenas de páginas? Quem minimamente conhece a metodologia de projeto sabe que qualquer plano/projeto se inicia por um geral e só depois se avança com o plano detalhado ao que se segue depois para o plano de pormenor todos enriquecidos por propostas de vários setores, porque, um plano que abranja várias áreas de intervenção, deve ter uma componente política multipartidária e técnica multidisciplinar. Será que não estarão ali propostas abertas e sujeitas a discussão pública aptas a poderem ser melhoradas e acrescentadas? Ou queria a oposição um tal documento com centenas de pormenores que depois se tornaria impossível, a tempo, a sua análise e discussão.


O cometário de alguns destes senhores, como aquele que referi, pode indiciar duas perspetivas, a primeira será a ignorância, a outra revela o sectarismo ideológico, partidário e seguidista do regime que apoiaram durante quatro anos.


Gomes Ferreira, comentador que apenas aborda o que vai de acordo com os desígnios que professa, vai mais longe quando se refere à capitalização das empresas dizendo que desconhece se esta capitalização será com dinheiro colocado pelo Estado, omitindo o que está bem claro na intervenção de António Costa quando referiu que a capitalização das empresas é necessária para resolver “um dos maiores bloqueios à atividade e ao crescimento da economia”. E para atingir esse objetivo contará também com o Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (conhecido como o Plano Juncker)” e que este inclui uma linha específica para apoio a empresas, “incluindo a capitalização”, de 75 mil milhões de euros. Nesse sentido, o Plano Juncker foi considerado pelo Governo “como uma fonte complementar à estratégia de capitalização das empresas com vista ao fortalecimento das suas capacidades de investimento, à promoção do crescimento económico e do emprego”.


Abaixo incluo uma síntese dos seis pilares do PNR publicado pelo jornal Público.


 


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Qualificação dos portugueses
Melhorar as qualificações a partir dos 3 anos


É uma das medidas mais concretas entre as que António Costa apresentou esta terça-feira. “Generalizar a todas as crianças de 3 anos o acesso ao pré-escolar”, anunciou, lembrando que as taxas de reprovações são mais altas entre os alunos que não tiveram educação pré-escolar. O objetivo já constava do programa eleitoral do PS e do programa do Governo.


Dessa forma, o executivo espera cumprir o objetivo de redução do insucesso e abandono escolar. Este é um dos eixos em que se desdobra o primeiro pilar do PNR, dedicado à qualificação. Neste âmbito, destaca-se também a necessidade sublinhada pelo executivo de melhoria da qualificação da população que já está no mercado de trabalho, que será concretizada através do Programa Integrado de Educação e Formação de Adultos (herdeiro do programa Novas Oportunidades), cuja criação foi aprovada no último Conselho de Ministros. O PNR aponta ainda para a necessidade de introduzir inovação no sistema educativo, ainda que sem explicitar de que modo, e para a formação de jovens que não estão nem a trabalhar nem a estudar. Samuel Silva


Inovação na economia
Puxar pelo empreendedorismo


Se novidades há neste PNR face ao programa do Governo, elas passam pela definição das metas que vão ajudar a aferir o grau de sucesso das políticas através das quais o executivo quer diversificar as exportações, promover o empreendedorismo e inverter a queda do investimento empresarial em Investigação e Desenvolvimento: 5100 empresas apoiadas pelas medidas de internacionalização, 1500 a beneficiar com medidas de apoio ao empreendedorismo, conseguir que até 2023 existam entre 62 a 67% das empresas com mais de 10 trabalhadores a reportar atividades de inovação e que nesse mesmo ano o peso das exportações nas vendas das empresas atinja os 22% e que o respetivo peso no PIB nacional passe dos atuais 40% para os 47%. Um dos indicadores que o Governo pretende intensificar é o do volume de exportações de produtos de alta tecnologia – apenas 3,6%, enquanto a média dos 28 países da UE chega aos 15,6%. Nas previsões do conselho de finanças públicas até 2019, o aumento da procura externa era expectável apenas a médio prazo: um abrandamento em 2016 (de 5,1% para 4,9%) para crescer nos anos seguintes, com destaque para o contributo do turismo. Luísa Pinto


Valorização de recursos
Aposta na reabilitação urbana 


Quatro mil edifícios públicos e privados e três milhões de metros quadrados de espaços públicos serão alvo de reabilitação ou de intervenção apoiada, de acordo com a meta anunciada pelo primeiro-ministro. A aposta na reabilitação urbana estava já clara no programa do Governo. Aliás, o tema, consensual, anda há muito no discurso de vários governos, mas ainda não ganhou no terreno a expressão que os agentes económicos reivindicavam – sobretudo o sector da construção civil que hoje depende muito deste segmento. Ainda não foi diferente com Costa: os instrumentos já foram anunciados, falta a sua operacionalização. O Ministério do Ambiente, que tutela esta área, está a criar o Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas (IFRRU 2020), tendo como ponto de partida 250 milhões de fundos comunitários a que se somam 140 milhões do empréstimo contraído junto do BEI. Com estes 390 milhões como base, o Governo pretende lançar um concurso para a participação da banca comercial e com ele assegurar, até ao fim do ano, cerca de 780 milhões para financiar operações de reabilitação urbana. Mas a valorização do território também passa pela mobilidade. Pretende-se construir 214 quilómetros de ferrovia, e requalificar mais de 40% da rede. Quanto à eficiência energética, o compromisso é reduzir em 25% o consumo de energia primária em todos os sectores económicos. Luísa Pinto


Capitalização das empresas
Transferir 2,8 mil milhões


Primeiro, um elevado ritmo de endividamento. Depois, um congelamento de novos empréstimos, que ditou um bloqueio à atividade. Este é o retrato do sector empresarial nacional nas últimas duas décadas. Só entre 2000 e 2012 o endividamento subiu de 98% para mais de 150% do PIB, muito suportado pelo sector bancário. Com a crise financeira, e especialmente a partir de 2011, o crédito tornou-se algo raro, e muito mais caro. Empresas, mais ou menos viáveis, fecharam portas, enquanto outras sobreviveram mas a custo.


Aliás, parte da descida geral do endividamento (o rácio está agora em 144% do PIB) advém do facto de muitas empresas terem encerrado (obrigando os bancos a assumir o impacto negativo), e da redução forçada de diminuição da dívida, por falta de novos empréstimos. Este último fator levou a menor competitividade (ao nível dos preços), despedimentos ou bloqueio de novas contratações e adiamento de investimentos. As empresas precisam de se capitalizar, e de preferência diminuir a dependência da banca (algo que o anterior executivo já identificara).


O que o Governo vem agora sugerir é a aplicação de medidas no terreno que ajudem a esse processo. Os fundos “Capitalizar” serão orientados para a “generalidade das empresas”, e para os vários ciclos: desde a sua criação ao desenvolvimento/criação, passando pela reestruturação. Aqui, a Instituição Financeira para o Desenvolvimento (vulgo “banco de fomento”) teria um papel operacional, através de dois fundos (um ligado a capital e outro a dívidas e garantias).


Esta terça-feira, António Costa afirmou que a ideia é apoiar, através dos fundos “Capitalizar”, 9300 empresas, prevendo-se a transferência de 2,78 mil milhões de euros para esse objetivo, no quadro do Portugal 2020. De acordo com fonte oficial do Governo, o número de empresas que se prevê apoiar “decorre, no essencial, do compromisso já assumido no âmbito do quadro Portugal 2020 para a utilização de instrumentos financeiros de capitalização”. O reforço de capitais próprios, diz a mesma fonte, “teve em consideração a avaliação prévia das necessidades de financiamento demonstradas pelas empresas que compõem o tecido empresarial português (gap de financiamento referente a necessidades de capitalização), designadamente tendo em conta os níveis de autonomia financeira desejáveis para estas empresas, bem como as falhas de mercado atualmente existentes ao nível do investimento (gap de investimento) ”.


Na sua intervenção, António Costa referiu que a capitalização das empresas é necessária para resolver “um dos maiores bloqueios à atividade e ao crescimento da economia”. E para atingir esse objetivo contará também com o Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (conhecido como o Plano Juncker).


Ao PÚBLICO, fonte do Governo clarificou que este inclui uma linha específica para apoio a empresas, “incluindo a capitalização”, de 75 mil milhões de euros. Nesse sentido, o Plano Juncker foi considerado pelo Governo “como uma fonte complementar à estratégia de capitalização das empresas com vista ao fortalecimento das suas capacidades de investimento, à promoção do crescimento económico e do emprego”.


Nas próximas semanas, a estrutura de missão para a capitalização das empresas, criada pelo Governo e presidida por José António Barros (gestor e ex-responsável máximo da AEP) deverá apresentar as primeiras conclusões do seu trabalho. A ideia é avançar com algumas medidas que sejam aplicáveis no imediato, havendo depois uma segunda fase com instrumentos financeiros mais complexos, a olhar para o médio e longo prazo. Luís Villalobos


Modernização do Estado
Reduzir pendências em 20% até 2020


António Costa deixou claro que a simplificação administrativa é, a par da capitalização das empresas, um ponto essencial para dotar o tecido empresarial de condições para melhorar a sua produtividade e criar emprego.


Os problemas estão há muito identificados e o primeiro-ministro espera que estejam criadas condições para simplificar os processos de licenciamento e pôr a justiça ao serviço da competitividade. Num contexto em que os recursos são escassos, o primeiro-ministro falou na importância de um Estado “que se concentra em acrescentar valor à vida dos cidadãos, das empresas e da sociedade”.


No sector da justiça, o Governo quer reduzir em 20% o número de pendências na ação executiva cível ao longo dos próximos cinco anos. Na calha está também a entrada em funcionamento de um interface que ligue o Sistema de Suporte à Atividade dos Agentes de Execução à plataforma informática Citius e a disponibilização de um site para consulta de informação processual.


Na área empresarial o Governo compromete-se a concentrar todos os processos de licenciamento no Balcão do Empreendedor e a pôr, finalmente, no terreno o licenciamento único ambiental (integrando 11 regimes jurídicos). O objetivo é reduzir em 30% os prazos médios deste licenciamento e em 25% os seus custos. Raquel Martins


Coesão e Igualdade Social
Mais 23 mil idosos com apoio extra


Mais 23 mil idosos abrangidos pelo Complemento Solidário para Idosos — chegando-se aos 200 mil beneficiários deste apoio para quem tem pensões muito baixas. Mais crianças com abono de família. Mais pobres com Rendimento Social de Inserção. A síntese do Programa Nacional de Reformas estabelece, no capítulo da “Coesão e Igualdade Social”, três objetivos — que, de resto, já estavam bem expressos no programa do Governo: por um lado, “elevar gradualmente os rendimentos dos portugueses, em particular das populações mais atingidas pela pobreza e exclusão social”, por outro, “restabelecer os mínimos sociais”, revendo condições de acesso a prestações. E por fim, “promover a saúde”. Sobre este último define-se que haverá uma “redução global do valor das taxas moderadoras”, de “22% a 24%, em 2016”, e também “100% das consultas realizadas em tempo adequado” e “100% das cirurgias realizadas dentro do tempo máximo previsto”. Ao plano junta-se o objetivo já anunciado de oito mil camas à rede de cuidados continuados. Garantir que a tarifa social de energia chega a todos os potenciais beneficiários é outra meta inserida no PNR, que acrescenta que “medidas fiscais para promover maior justiça social” serão igualmente adotadas para atingir o objetivo da coesão social. Andreia Sanches

sábado, 11 de julho de 2015

De Vossas Excelências Muito Atentamente Venerandos e Obrigados


Na maior parte dos órgãos de comunicação social, imprensa e televisão, a toxicidade mediática tem vindo progressivamente a causar preocupação. Transformaram-se em medio tóxicos cuja função é mais a de manipulação do que a de informação.


Assiste-se a uma intoxicação informativa por parte da comunicação social. As televisões mais perecem órgãos de comunicação do Governo à boa maneira dos tempos soviéticos.


O Presidente terá parte da responsabilidade a partir do momento em que a sua estratégia singrou no caminho do prolongamento por mais três meses do mandato do Governo em funções que terminaria em junho e a campanha eleitoral andaria a decorrer dentro do período legal. O que está a acontecer é que já está a decorrer e prolongar-se-á até outubro provocando uma saturação na população.


Não é inocentemente que Cavaco Silva ainda não marcou a data exata para as eleições legislativas deste ano. O adiamento justifica-se como forma de dar mais tempo ao seu partido na coligação para não se refletir muito na votação dos portugueses o efeito causado pelos estragos da governação e ao mesmo tempo fazer prolongar por mais algum tempo a intoxicação comunicacional em curso.


Poderá haver vantagens e ou desvantagens para a data que está prevista para a marcação de eleições (setembro/outubro). Recorde-se que as eleições legislativas de 2009, também marcadas por Cavaco Silva realizaram-se em 27 de setembro tendo a campanha eleitoral decorrido entre os dias 12 e 25 do mesmo mês.


Que razões terão havido para este ano serem marcadas tardiamente. Uma das desvantagens pode ser considerada técnica como seja a preparação tardia do Orçamento de Estado para 2016 que terá de ser feito apressadamente, qualquer que seja o governo que tome posse. Outra também técnica será a de evitar coincidência com o período de férias reduzindo assim uma possível maior abstenção.


Vantagens, posso incluí-las no âmbito da oportunidade e do oportunismo políticos do Governo e do Presidente da República em conjunto:



  1. Forma do Presidente dar ao seu partido mais algum um tempo para poder legislar e fazer propaganda.

  2. Dar mais tempo, é dar espaço na comunicação social para preparar informação para desinformar a população.

  3. Dar mais tempo para comentários dos comentadores a solo, afetos ao Governo que proliferam nas televisões, para fazerem propaganda sem que haja contraditório.

  4. Esperar pelo desenrolar de eventuais acontecimentos que venham oportuna e atempadamente para a opinião pública de modo a facilitar, de forma subtil, a tarefa propagandística do Governo com prejuízo e ofuscação da oposição.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Dois pesos e duas medidas ou a falta de ética na televisão pública





Comentadores políticos na RTP1 têm formatos diferentes nos seus comentários consoante os seus quadrantes políticos.


 


Penso que seja de divulgar este comentário sobre a última edição de 25 de março na RTP1 dos comentários de José Sócrates.


Nunca tive muita apreciação por José Sócrates enquanto primeiro-ministro. Muitas vezes teci comentários e opiniões sobre ele e o seu governo que podem ser vistos no blog antinomias em http://antinomias.blogs.sapo.pt. Todavia, tendo assistido aos últimos programas concordo com o que Daniel Oliveira diz, pelo que o insiro aqui.


 


A cilada da RTP a Sócrates


Daniel Oliveira 8:00 Terça feira, 25 de março de 2014 / EXPRESSO online


 


Não tenho qualquer problema com espaços de comentário televisivo de pessoas que tenham tido responsabilidades governativas. Tenho dúvidas da sua utilidade informativa, mas parece indiscutível que têm saída. Entre os comentadores políticos temos quatro ex-líderes do PSD, um ex-líder do PS, um ex-líder do BE, dois ex-primeiros-ministros e muitos ex-ministros. Por uma qualquer razão que me escapa, apenas um levantou grande celeuma, com petições e protestos. Mas adiante.


 


O modelo usado na maioria dos espaços ocupados por estes comentadores é o mesmo: um jornalista lança os temas, eles comentam. Não é uma entrevista, que seria absurdo, já que teria de se repetir todas as semanas e a coisa acabaria por se esgotar. Também não é um modelo de confronto. Marcelo comentou anos na RTP, tendo até, durante algum tempo, uma excelente jornalista (Flor Pedroso) a chamar-lhe a atenção para alguma contradição no seu comentário, sem que nunca se tivesse chegado ao ponto dum enfrentamento ou duma entrevista. O que é natural: ou bem que se tem um comentador que comenta e o registo é amistoso, ou bem que se tem um entrevistado que se entrevista e o registo é um pouco mais distanciado, ou bem que se tem um opositor com que se debate, para o qual se chama um debatente qualificado, e o registo é mais crispado. Até se pode arriscar, mudar as coisas e ter comentadores que são tratados com agressividade. Em todos os casos, mandam as regras que quem ali vai saiba o que o espera. Se não se montam armadilhas a entrevistados, por maioria de razão não se faz tal coisa a um comentador da estação. E os telespetadores também é suposto saberem o que é aquilo a que estão a assistir.


 


No último domingo assistimos a um dos momentos mais bizarros do jornalismo nacional. A jornalista que costuma acompanhar o espaço de comentário de José Sócrates foi substituída por José Rodrigues dos Santos (e, alternado, João Adelino Faria). Pelo menos de quinzenalmente, um espaço de comentário passou a ser um espaço de entrevista agressiva. Mudança para qual o entrevistado evidentemente não tinha sido prevenido. As coisas não foram tomando esse caminho. Foram planeadas. Era evidente que o "entrevistador" se tinha preparado, estando munido de material do "seu arquivo", disse este autor de tantos trabalhos jornalísticos sobre a política nacional (ironia), que não lhe caiu na mesa à última da hora. E que não deu ao comentador transformado em entrevistado a mesma possibilidade de preparação. É que (sei o que digo) a preparação para fazer um comentário é diferente da preparação para uma entrevista.


 


Nunca, em anos e anos de comentário político de Marcelo Rebelo de Sousa ou qualquer outro ex-dirigente partidário transformado em comentador, tal aconteceu. Muito mais grave: nunca o atual primeiro-ministro foi entrevistado com tanta agressividade na RTP. Muito menos foi confrontado, de forma tão sistemática, com as inúmeras contradições entre o que disse no passado e o que diz agora. Mais estranho ainda: nunca o anterior primeiro-ministro, o mesmíssimo José Sócrates, foi entrevistado com esta agressividade na RTP quando exercia funções. O que só pode querer dizer que a RTP tem mais respeito pelos primeiros-ministros em funções do que pelas pessoas que convida para ter espaços de comentário na estação. Mesmo quando a pessoa é a mesma.


 


Não me custa nada ver um jornalista a confrontar José Sócrates com as suas incoerências. Com o que disse no passado e diz no presente, que muitas vezes é diferente. Pelo contrário, acho muitíssimo justo que isso seja feito. Se lamento alguma coisa, é não ver o mesmo exercício experimentado com outros ex-políticos comentadores. E preferia que fosse feito por jornalistas com mais preparação política do que o cidadão comum, para não passarem pelo desnecessário enxovalho que passou Rodrigues dos Santos. Até porque algumas dúvidas eram pertinentes. Só faltava o jornalista conseguir perceber o que estava a perguntar. Sócrates quis regressar para se bater pelo seu legado político, não vejo mal nenhum que seja confrontado com ele. O que me parece um pouco estranho é que a RTP o convide para fazer comentário político - quando era necessário ensombrar Seguro com a anterior liderança - e, sem aviso nem razão aparente, esse espaço passe a ser, quando essa função deixa de ser útil ao governo, de julgamento político do comentador.


 


Sabendo alguma coisa de jornais e televisões, não tenho qualquer dúvida que José Rodrigues dos Santos não agiu espontaneamente nem sequer por decisão individual. Tratou-se, vamos chamar as coisas pelos nomes, de uma encomenda. Basta ver Rodrigues dos Santos com Morais Sarmento para saber que não se trata de um "estilo". Mas ainda que se tratasse, esse estilo tem um problema: o debate agressivo exige muita preparação política. E, quando de um dos lados está um jornalista, exige uma enorme habilidade para que este não passe a ser visto pelos telespetadores como uma das partes. No fim, depois de várias semanas a que Sócrates, com bastante experiência de debate, resistirá facilmente, será Rodrigues dos Santos que ficará a perder na sua própria imagem de insenção. Foi ele que subiu a parada. Parece-me que não percebeu bem em que jogo perigoso se meteu.


 


Estou-me nas tintas para a facilidade ou dificuldade que aquele momento teve para Sócrates. Estou-me ainda mais nas tintas para os amores e ódios que o homem provoca em tanta gente. Confesso que esta relação passional com os políticos me deixa sempre indiferente. Interessam-me, isso sim, os jogos políticos que se fazem na televisão pública nacional. Tenho as minhas teorias. O objetivo do convite feito a Sócrates para ter um espaço de comentário era fragilizar Seguro o suficiente para que a sua liderança nunca se impusesse no PS. Era garantir, através da sombra do ex-primeiro-ministro, um líder fraco na oposição. Não era dar a Sócrates a oportunidade de ser o ator político com mais influência na base eleitoral socialista, capaz de dificultar futuros entendimentos do PS com o PSD.


 


O papel de Sócrates está cumprido. Depois de lhe facilitar a vida, agora trata-se de a dificultar. Há que o empurrar para fora da RTP. Apenas se esquecem de uma coisa: se há político que não é fácil empurrar é este. Esse é, aliás, um dos segredos da sua popularidade e da sua impopularidade. E não me parece que Rodrigues dos Santos chegue para tal empreitada. Mesmo quando o tenta através de uma inaceitável cilada, oferecendo-se a si próprio a vantagem de não ter previamente dado ao entrevistado a relevante informação de que iria estar numa entrevista.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

A conversa da treta de José Luís Arnaud


Os comentadores políticos afetos aos PDS, nomeadamente José Luís Arnaud, no meio da tempestade governativa tentam manter a cabeça à tona da água refugiando-se sempre nos mesmos argumentos de sempre que já não convencem ninguém, a não ser a eles próprios.


Passado e mais passado, são os argumentos já falhos de consistência, esquecendo-se, eles, que foram eleitos porque o Governo anterior tinha começado a sacrificar os portugueses. E foi a isto que Passos Coelho juntou falsas promessas que lhe deram a vitória eleitoral, assim como a Cavaco Silva. Os portugueses foram enganados e continuam a querer enganá-los. Por isso os argumentos da legitimidade do Governo são discutíveis devido ao incumprimento a todos os níveis, económico, financeiro e social.


A maioria dos portugueses não se opunha a uma austeridade que compreendiam e achavam que deveria existir. Todavia os excessos “tatcherianos” e de para além da “troika” que fazem parte do programa que Passos Coelho tem imposto têm sido a sua ruína.


As provas estão no braço de ferro com os sindicatos dos professores nas últimas semanas que não resultou, na greve geral que juntou centrais sindicais e que associações de empresários, ao seu jeito, de certo modo validaram.


Isto porque já não estamos nos anos oitenta nem no Reino Unido. Entretanto muita coisa mudou no mundo e porque as políticas de Thatcher e de Reagan não se aplicam como se de papel químico se tratasse.

A conversa da treta de José Luís Arnaud


Os comentadores políticos afetos aos PDS, nomeadamente José Luís Arnaud, no meio da tempestade governativa tentam manter a cabeça à tona da água refugiando-se sempre nos mesmos argumentos de sempre que já não convencem ninguém, a não ser a eles próprios.


Passado e mais passado, são os argumentos já falhos de consistência, esquecendo-se, eles, que foram eleitos porque o Governo anterior tinha começado a sacrificar os portugueses. E foi a isto que Passos Coelho juntou falsas promessas que lhe deram a vitória eleitoral, assim como a Cavaco Silva. Os portugueses foram enganados e continuam a querer enganá-los. Por isso os argumentos da legitimidade do Governo são discutíveis devido ao incumprimento a todos os níveis, económico, financeiro e social.


A maioria dos portugueses não se opunha a uma austeridade que compreendiam e achavam que deveria existir. Todavia os excessos “tatcherianos” e de para além da “troika” que fazem parte do programa que Passos Coelho tem imposto têm sido a sua ruína.


As provas estão no braço de ferro com os sindicatos dos professores nas últimas semanas que não resultou, na greve geral que juntou centrais sindicais e que associações de empresários, ao seu jeito, de certo modo validaram.


Isto porque já não estamos nos anos oitenta nem no Reino Unido. Entretanto muita coisa mudou no mundo e porque as políticas de Thatcher e de Reagan não se aplicam como se de papel químico se tratasse.

Marcelo: o comentador


 


Ah! É melhor do que na altura, mas é um PREC!  Não, não é um PREC, mas é quase um PREC.




E andam para aí a dizer que o Prof. Marcelo pretende candidatar-se à Presidência da República.


Seria mais um idêntico a Cavaco Silva.


Deus nos livre!


 


Um dos comentadores oficiosos do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, continua no seu BLA…, BLA…,BLA…, NÃO BLA… BLA…, NÃO BLA…, BLA… costumeiro. Desta vez teceu disparates comparativos entre o PREC (Processo Revolucionário em Curso) que decorreu entre 1974 e 1975 até à aprovação da Constituição da República. Na maior parte das vezes criou, é certo, situações anárquicas que nada têm a ver com as manifestações de descontentamento e de oposição ao atual Governo.


Rebelo e Sousa disse, num encontro, que “Portugal está a viver um período, num contexto melhor, mas está a viver, do ponto de vista sociopolítico, um período que me faz lembrar, de repente, a ressaca do PREC.”




Ah! É melhor do que na altura, mas é um PREC!  Não, não é um PREC, mas é quase um PREC.




Quem viveu aquele período histórico sabe bem que não tem comparação possível! Onde estão as ocupações de empresas? Onde estão as nacionalizações das empresas? Onde estão as ocupações de casas? E as ocupações de terras? Ainda bem que não estamos num PREC!




Ao mesmo tempo o Prof. não diz que é igual, mas que lhe faz lembrar! Pode fazer lembrar-lhe muita coisa mas, daí até fazer aquele tipo de associação vai longe. Mas ele esclarece-nos e, logo de seguida, ficamos então a saber que a comparação é devida aos malvados da esquerda. E porquê? Porque, diz ele, em Portugal a composição parlamentar tem “um peso da esquerda radical que não é usual nas democracias europeias” e que somando “a essa esquerda uma fração do Partido Socialista, pequena que seja, temos uma realidade que faz lembrar a divisão na altura doutrinária e ideológica da ressaca da revolução.”


Para o Prof. os portugueses são uns malvados que se atrevem a votar em partidos de esquerda indo contra a corrente europeia, em vez de votarem à direita. Que tipo de raciocínio é este estranho à democracia pluralista.


Os portugueses não votam à direita porque a direita que ele apoia não governa para as populações. Por outro lado, a direita que temo nada tem a ver com a direita europeia cujas populações têm um nível de vida superior ao nosso, que a tal direita, presumivelmente lhes terá dado. Mas o Prof. Marcelo não refere que a direita que hoje está no poder, que ele apoia, foi lá colocada pelos portugueses e que a maior parte deles já estão mais do que arrependidos de o terem feito. E, a continuar assim, será até possível que tenha alguma surpresa da “tal” esquerda aumentar.


E andam para aí a dizer que o Prof. Marcelo pretende candidatar-se à Presidência da República. Seria mais um idêntico a Cavaco Silva. Deus nos livre!

Marcelo: o comentador


 


Ah! É melhor do que na altura, mas é um PREC!  Não, não é um PREC, mas é quase um PREC.




E andam para aí a dizer que o Prof. Marcelo pretende candidatar-se à Presidência da República.


Seria mais um idêntico a Cavaco Silva.


Deus nos livre!


 


Um dos comentadores oficiosos do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, continua no seu BLA…, BLA…,BLA…, NÃO BLA… BLA…, NÃO BLA…, BLA… costumeiro. Desta vez teceu disparates comparativos entre o PREC (Processo Revolucionário em Curso) que decorreu entre 1974 e 1975 até à aprovação da Constituição da República. Na maior parte das vezes criou, é certo, situações anárquicas que nada têm a ver com as manifestações de descontentamento e de oposição ao atual Governo.


Rebelo e Sousa disse, num encontro, que “Portugal está a viver um período, num contexto melhor, mas está a viver, do ponto de vista sociopolítico, um período que me faz lembrar, de repente, a ressaca do PREC.”




Ah! É melhor do que na altura, mas é um PREC!  Não, não é um PREC, mas é quase um PREC.




Quem viveu aquele período histórico sabe bem que não tem comparação possível! Onde estão as ocupações de empresas? Onde estão as nacionalizações das empresas? Onde estão as ocupações de casas? E as ocupações de terras? Ainda bem que não estamos num PREC!




Ao mesmo tempo o Prof. não diz que é igual, mas que lhe faz lembrar! Pode fazer lembrar-lhe muita coisa mas, daí até fazer aquele tipo de associação vai longe. Mas ele esclarece-nos e, logo de seguida, ficamos então a saber que a comparação é devida aos malvados da esquerda. E porquê? Porque, diz ele, em Portugal a composição parlamentar tem “um peso da esquerda radical que não é usual nas democracias europeias” e que somando “a essa esquerda uma fração do Partido Socialista, pequena que seja, temos uma realidade que faz lembrar a divisão na altura doutrinária e ideológica da ressaca da revolução.”


Para o Prof. os portugueses são uns malvados que se atrevem a votar em partidos de esquerda indo contra a corrente europeia, em vez de votarem à direita. Que tipo de raciocínio é este estranho à democracia pluralista.


Os portugueses não votam à direita porque a direita que ele apoia não governa para as populações. Por outro lado, a direita que temo nada tem a ver com a direita europeia cujas populações têm um nível de vida superior ao nosso, que a tal direita, presumivelmente lhes terá dado. Mas o Prof. Marcelo não refere que a direita que hoje está no poder, que ele apoia, foi lá colocada pelos portugueses e que a maior parte deles já estão mais do que arrependidos de o terem feito. E, a continuar assim, será até possível que tenha alguma surpresa da “tal” esquerda aumentar.


E andam para aí a dizer que o Prof. Marcelo pretende candidatar-se à Presidência da República. Seria mais um idêntico a Cavaco Silva. Deus nos livre!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Se estes políticos não servem. Inventem-se outros

Se estes políticos não servem. Inventem-se outros.


 



Só quem nunca viveu em ditadura é que não conhece o verdadeiro significado do que é viver em democracia. Quem já nasceu e viveu em democracia não lhe dá o real valor. É, portanto, legítimo que muitos se desiludam com o seu exercício tal e qual se vive atualmente culpabilizando os políticos e os partidos.


 


É frequente ouvirmos por aí divulgar a ideia de que os partidos não se entendem. Isto é um erro de princípio visto que os partidos, divergindo quer nas suas ideologias, quer na forma de aplicação de modelos e políticas à governação, não se constituíram para se entender. Se assim fosse teríamos uma espécie de partido único ou uma espécie de “União Nacional” como no tempo da ditadura.


 


Quando alguns comentadores políticos, alguns bem pagos para isso, e, a maior parte das vezes, da mesma corrente partidária, falam em governos patrióticos de emergência nacional ou de salvação nacional, através de entendimentos partidários, apenas têm um objetivo: salvar o partido do governo da má governação implicando outros para que depois também se lhes possa atribuir responsabilidades pelos eventuais fracassos protegendo, assim, a sua imagem da exclusividade das medidas. A unanimidade de partidos no que se refere a medidas a tomar e políticas a seguir em tempo de crise, são uma espécie de convergência mascarada de sentido patriótico para reduzir e minimizar as vozes discordantes que se possam levantar contra um governo de maioria absoluta.


 


Que não existe democracia sem partidos e sem políticos deve ser um dado adquirido. Mas, se não devemos, nem queremos, terminar com a democracia podemos sempre, através de movimentos cívicos, provocar a saída dos políticos que se aproveitam da democracia para seu benefício pessoal.


 


Tenham sido bons ou maus os políticos de craveira chegaram, na sua maior parte, ao fim da sua carreira política deixando os portugueses à mercê de governantes e de políticos jovens oriundos das “Jotas” das quais se aproveitam para, no seu interesse pessoal e carreirista, conseguirem um emprego numa bancada parlamentar ou num emprego público que o seu partido se encarregará de arranjar através do que vulgarmente se chama “Jobs for the Boys”. Assim se conseguem lugares, por vezes criados à medida, numa carreira pública onde o serviço prestado é, por si mesmo inútil, mas que os nossos impostos se encarregarão de pagar.


 


Será então que os jovens não terão direito a ingressar numa carreira que os prepare para a governação futura do país? Claro que sim. O que é inadmissível é que jovens com pouco mais de 30 anos, saídos das universidades, sem experiência da vida pública, sem conhecimento concreto da sociedade em que vivem, com ideias e modelos sociais e económicos pré-concebidos que teorias, e em alguns casos professores, ajudaram a construir e incutir em mentes entusiásticas mas que se refletem posteriormente em experiências socialmente desastrosas.


 


Imagine-se um primeiro-ministro ou um ministro de uma qualquer pasta, vindo de uma qualquer empresa sem história e com uma carreira política mais ou menos desconhecida. Cabe-nos perguntar que competências governativas e credibilidade poderão ter para governar um país e que confiança pode transmitir? Uma carreira pública e política vai-se construindo, não aparece por uma qualquer nomeação para um cargo no governo, usufruindo de um salário que, na melhor das hipóteses, nunca sonhou vir a ter, não fosse o partido onde se filiou.  


 

Se estes políticos não servem. Inventem-se outros

Se estes políticos não servem. Inventem-se outros.


 



Só quem nunca viveu em ditadura é que não conhece o verdadeiro significado do que é viver em democracia. Quem já nasceu e viveu em democracia não lhe dá o real valor. É, portanto, legítimo que muitos se desiludam com o seu exercício tal e qual se vive atualmente culpabilizando os políticos e os partidos.


 


É frequente ouvirmos por aí divulgar a ideia de que os partidos não se entendem. Isto é um erro de princípio visto que os partidos, divergindo quer nas suas ideologias, quer na forma de aplicação de modelos e políticas à governação, não se constituíram para se entender. Se assim fosse teríamos uma espécie de partido único ou uma espécie de “União Nacional” como no tempo da ditadura.


 


Quando alguns comentadores políticos, alguns bem pagos para isso, e, a maior parte das vezes, da mesma corrente partidária, falam em governos patrióticos de emergência nacional ou de salvação nacional, através de entendimentos partidários, apenas têm um objetivo: salvar o partido do governo da má governação implicando outros para que depois também se lhes possa atribuir responsabilidades pelos eventuais fracassos protegendo, assim, a sua imagem da exclusividade das medidas. A unanimidade de partidos no que se refere a medidas a tomar e políticas a seguir em tempo de crise, são uma espécie de convergência mascarada de sentido patriótico para reduzir e minimizar as vozes discordantes que se possam levantar contra um governo de maioria absoluta.


 


Que não existe democracia sem partidos e sem políticos deve ser um dado adquirido. Mas, se não devemos, nem queremos, terminar com a democracia podemos sempre, através de movimentos cívicos, provocar a saída dos políticos que se aproveitam da democracia para seu benefício pessoal.


 


Tenham sido bons ou maus os políticos de craveira chegaram, na sua maior parte, ao fim da sua carreira política deixando os portugueses à mercê de governantes e de políticos jovens oriundos das “Jotas” das quais se aproveitam para, no seu interesse pessoal e carreirista, conseguirem um emprego numa bancada parlamentar ou num emprego público que o seu partido se encarregará de arranjar através do que vulgarmente se chama “Jobs for the Boys”. Assim se conseguem lugares, por vezes criados à medida, numa carreira pública onde o serviço prestado é, por si mesmo inútil, mas que os nossos impostos se encarregarão de pagar.


 


Será então que os jovens não terão direito a ingressar numa carreira que os prepare para a governação futura do país? Claro que sim. O que é inadmissível é que jovens com pouco mais de 30 anos, saídos das universidades, sem experiência da vida pública, sem conhecimento concreto da sociedade em que vivem, com ideias e modelos sociais e económicos pré-concebidos que teorias, e em alguns casos professores, ajudaram a construir e incutir em mentes entusiásticas mas que se refletem posteriormente em experiências socialmente desastrosas.


 


Imagine-se um primeiro-ministro ou um ministro de uma qualquer pasta, vindo de uma qualquer empresa sem história e com uma carreira política mais ou menos desconhecida. Cabe-nos perguntar que competências governativas e credibilidade poderão ter para governar um país e que confiança pode transmitir? Uma carreira pública e política vai-se construindo, não aparece por uma qualquer nomeação para um cargo no governo, usufruindo de um salário que, na melhor das hipóteses, nunca sonhou vir a ter, não fosse o partido onde se filiou.  


 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Os judas da política


 


Ao aproximarmo-nos da Páscoa vem a propósito recordar o símbolo da amizade falsa, da hipocrisia e da traição que é representado na cultura judaico-cristão por Judas, que entregou Jesus Cristo aos romanos a troco de “trinta dinheiros”.


Na política encontramos vários “judas”, que sendo militantes bem colocados no aparelho dos partidos, espreitam a cada passo a ocasião oportuna para trair, normalmente os seus líderes com o objetivo de, posteriormente, virem a receber os “trinta dinheiros” que serão o pagamento pela traição.


Se ouvirmos falar alguns nomes relevantes desses partidos, e deixemo-nos de metáforas, nomeadamente do Partido Socialista, ficamos estarrecidos quando os vemos colocarem-se numa postura de falsa independência, democracia e do tudo a bem dos portugueses. Em vez de uma oposição ao Governo, fazem ante uma tentativa de colagem. Vou ser mais claro; não fazem nem colaboram com unanimidade numa oposição ao Governo, antes tentam mostrar que, em vez de oposição, o que se deve fazer é um entendimento estratégico com o PSD em nome, dizem, do interesse nacional. O que se espera disto será talvez o posterior recebimento dos tais “trinta dinheiros” pagos em cargos políticos ou outros com que, esperam, alguém os recompensará mais tarde! E isto, numa altura em que este Governo está a ser cada vez mais contestado e é necessária uma oposição forte de alternativa convicta e sistemática e, ao mesmo tempo, responsável em vez de tentar desgastar a pouca que se lhe faz.


São eles alguns senhores do PS, anteriormente apoiantes de José Sócrates, que se transformaram e agora, de forma subtil, vão lançando para opinião pública a ideia de que nem tudo está mal, que o Presidente da República faz bem em não falar muitas vezes, que talvez o que seja necessário seja uma cooperação com o Governo em várias matérias, porque é necessária para a coesão nacional e para o bem de Portugal, etc., etc.. Estamos já mesmo a ver o que isto nos traria. Estamos fartos de boas intenções, enganos e de promessas não cumpridas. A quem me estou a referir? A ninguém especialmente. No PS cada um que enfie a carapuça que lhe couber.

Os judas da política


 


Ao aproximarmo-nos da Páscoa vem a propósito recordar o símbolo da amizade falsa, da hipocrisia e da traição que é representado na cultura judaico-cristão por Judas, que entregou Jesus Cristo aos romanos a troco de “trinta dinheiros”.


Na política encontramos vários “judas”, que sendo militantes bem colocados no aparelho dos partidos, espreitam a cada passo a ocasião oportuna para trair, normalmente os seus líderes com o objetivo de, posteriormente, virem a receber os “trinta dinheiros” que serão o pagamento pela traição.


Se ouvirmos falar alguns nomes relevantes desses partidos, e deixemo-nos de metáforas, nomeadamente do Partido Socialista, ficamos estarrecidos quando os vemos colocarem-se numa postura de falsa independência, democracia e do tudo a bem dos portugueses. Em vez de uma oposição ao Governo, fazem ante uma tentativa de colagem. Vou ser mais claro; não fazem nem colaboram com unanimidade numa oposição ao Governo, antes tentam mostrar que, em vez de oposição, o que se deve fazer é um entendimento estratégico com o PSD em nome, dizem, do interesse nacional. O que se espera disto será talvez o posterior recebimento dos tais “trinta dinheiros” pagos em cargos políticos ou outros com que, esperam, alguém os recompensará mais tarde! E isto, numa altura em que este Governo está a ser cada vez mais contestado e é necessária uma oposição forte de alternativa convicta e sistemática e, ao mesmo tempo, responsável em vez de tentar desgastar a pouca que se lhe faz.


São eles alguns senhores do PS, anteriormente apoiantes de José Sócrates, que se transformaram e agora, de forma subtil, vão lançando para opinião pública a ideia de que nem tudo está mal, que o Presidente da República faz bem em não falar muitas vezes, que talvez o que seja necessário seja uma cooperação com o Governo em várias matérias, porque é necessária para a coesão nacional e para o bem de Portugal, etc., etc.. Estamos já mesmo a ver o que isto nos traria. Estamos fartos de boas intenções, enganos e de promessas não cumpridas. A quem me estou a referir? A ninguém especialmente. No PS cada um que enfie a carapuça que lhe couber.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Os porta-vozes




Os homens de mão do governo ocupam tempos de antena das televisões como comentadores políticos autênticos porta-vozes do governo. Quem tiver paciência para os ouvir facilmente constatará a forma subtil como eles fazem análise política na base da lavagem das declarações do primeiro-ministro fazendo interpretações mais ou menos adocicadas das suas palavras. O mais caricato é que umas vezes critica Passos, noutra defendem-no acerrimamente. São uma espécie de cataventos, ao sabor dos interesses do momento, desejando um mudar de vida para um país mais justo para eles.


Interrogo-me como é possível que haja de facto isenção nestes senhores sendo eles defensores e apoiantes do partido no governo. Nas suas análises mostram gráficos cujas leituras e interpretações podem ser várias em função das variáveis e dados apresentados. Como exemplo bastaria assistir na TVI24 aos comentários de Marques Mendes, sobre as declarações do primeiro-ministro, em que desculpabilizava, deturpando completamente o seu sentido, transformando as suas declarações divisionistas, de quebra da coesão social e lançando gerações contra gerações em boas intenções.


De facto, passámos a ter nos canais de televisão comentários monolíticos de senhores que pretendem lavar-nos o cérebro e fazer pedagogia à boa maneira da ex-soviética e da Coreia do Norte. 

Os porta-vozes




Os homens de mão do governo ocupam tempos de antena das televisões como comentadores políticos autênticos porta-vozes do governo. Quem tiver paciência para os ouvir facilmente constatará a forma subtil como eles fazem análise política na base da lavagem das declarações do primeiro-ministro fazendo interpretações mais ou menos adocicadas das suas palavras. O mais caricato é que umas vezes critica Passos, noutra defendem-no acerrimamente. São uma espécie de cataventos, ao sabor dos interesses do momento, desejando um mudar de vida para um país mais justo para eles.


Interrogo-me como é possível que haja de facto isenção nestes senhores sendo eles defensores e apoiantes do partido no governo. Nas suas análises mostram gráficos cujas leituras e interpretações podem ser várias em função das variáveis e dados apresentados. Como exemplo bastaria assistir na TVI24 aos comentários de Marques Mendes, sobre as declarações do primeiro-ministro, em que desculpabilizava, deturpando completamente o seu sentido, transformando as suas declarações divisionistas, de quebra da coesão social e lançando gerações contra gerações em boas intenções.


De facto, passámos a ter nos canais de televisão comentários monolíticos de senhores que pretendem lavar-nos o cérebro e fazer pedagogia à boa maneira da ex-soviética e da Coreia do Norte. 

Os porta-vozes




Os homens de mão do governo ocupam tempos de antena das televisões como comentadores políticos autênticos porta-vozes do governo. Quem tiver paciência para os ouvir facilmente constatará a forma subtil como eles fazem análise política na base da lavagem das declarações do primeiro-ministro fazendo interpretações mais ou menos adocicadas das suas palavras. O mais caricato é que umas vezes critica Passos, noutra defendem-no acerrimamente. São uma espécie de cataventos, ao sabor dos interesses do momento, desejando um mudar de vida para um país mais justo para eles.


Interrogo-me como é possível que haja de facto isenção nestes senhores sendo eles defensores e apoiantes do partido no governo. Nas suas análises mostram gráficos cujas leituras e interpretações podem ser várias em função das variáveis e dados apresentados. Como exemplo bastaria assistir na TVI24 aos comentários de Marques Mendes, sobre as declarações do primeiro-ministro, em que desculpabilizava, deturpando completamente o seu sentido, transformando as suas declarações divisionistas, de quebra da coesão social e lançando gerações contra gerações em boas intenções.


De facto, passámos a ter nos canais de televisão comentários monolíticos de senhores que pretendem lavar-nos o cérebro e fazer pedagogia à boa maneira da ex-soviética e da Coreia do Norte. 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Comentadores, analista políticos e banqueiros do aguenta, aguenta.



 


Quem tiver a disponibilidade e a paciência para ver e ouvir os comentadores políticos, analistas de economia e um novo grupo, a que alguns “pivots” da televisão resolveram dar o pomposo nome de “senadores”, que proliferam pelos vários canais de televisão, poderá, facilmente, tirar algumas conclusões. A primeira é que, todos eles, quase sempre os mesmos, pertencentes ou simpatizantes de uma determinada ala político-partidária, tecem de cima da sua cátedra,  sapiência sobre as medidas que se tomaram e que se devem ou não tomar.


Como se tem reparado, este jogo de xadrez de comentadores está à partida viciado. Porquê? Porque, salvo raras exceções, são conhecidos militantes de topo dos partidos atualmente no governo, pelo que, estamos no direito, de em princípio pôr em causa a sua isenção. Claro que mau seria que por vezes não fizessem críticas ao executivo em pontos demasiado evidentes. Mas se num dia o fazem noutro dia apontam logo no sentido contrário.


Quando se referem, por exemplo, à necessidades de mais austeridade, aos cortes de subsídios e de pensões, aos cortes na saúde e na educação como soluções inevitáveis, medidas que afetam a maior parte das populações, podemos pensar, e o pensamento ainda é livre, que se estão a defender a eles próprios porque sabem que ficarão em certa medida salvaguardados e, por isso, os “outros” que somos nós, o povaréu, como alguns já chamaram, que paguem a crise.


Se nos dermos ao trabalho de pesquisar quem é esta elite de comentadores, facilmente chegaremos à conclusão de que estão todos bem instalados, sem preocupações de desemprego, com remunerações mensais que ultrapassam em muito as dezenas de milhares de euros mensais, e a saúde e as reformas estão mais do que garantidas. Poderá dizer-se que eles também são afetados pelos impostos, pois também era o que mais faltava! Mas, como todos sabemos, há sempre formas de minimizar esse efeito, coisa que qualquer vulgar trabalhador por conta de outrem, que recebe o seu salário mais do que controlado, não consegue.


Coloquemos como hipótese que um de nós concorria a um emprego, éramos selecionados e a proposta contratual remuneratória era a seguinte: um valor base de remuneração que seria 1000€, com direito a viatura própria, pagamento mensal de gasolina pela empresa, pagamento de parte da habitação própria através de despesas, cartão de crédito da empresa com permissão de despesas pessoais, seguro de saúde pago pela empresa, entre outras regalias. Vejamos agora qual seria o valor que iria declarar para o IRS. Fazendo as contas teríamos 1000€X14 meses seria igual a 14000€ anuais e seria isso que declarava como rendimento. Comparemos agora com outro trabalhador que recebia também e apenas um salário mensal dos mesmos 1000€ sem quaisquer outras regalias. A sua declaração para o IRS seria 14000€ de rendimento anual. Para bom entendedor meia palavra basta. O que está em causa é a facilidade com que alguns e não tão poucos como se pensa, contornam os impostos.


Também não está em causa o valor salarial recebido que pode ser maior ou menor pois tem que ser de acordo com a sua formação, responsabilidades, experiência profissional, grau de exposição pública, etc., etc.. Um administrador de uma grande empresa ou um governante têm que ser bem remunerados, pois que ninguém aceitaria um ordenado, por exemplo, de 1000€ mais ajudas de custo para ter determinada responsabilidade, preocupações e o ritmo de trabalho que se lhe exige. A grande vantagem não está apenas na remuneração, mas nas portas que se lhe abrem, posteriormente, para o domínio privado. São contra o aumento de impostos mas, por outro lado, defendem a austeridade ma para os “outros”, porque da austeridade estão mais ou menos a salvo.


Ainda em 30 de outubro deste ano pudemos ouvir um banqueiro defender publicamente que ainda há espaço para mais austeridade e, comparando Portugal com a Grécia dizia que lá fazem umas revoluções, “partem umas montras”, mas “lá continuam vivos”. Que conclusões se podem tirar destas afirmações? Que interesses poderão existir por detrás delas ao apoiar o orçamento? Que interesses estarão em jogo? Que promessas terão sido feitas à banca? Perante as afirmações do referido senhor banqueiro, se tivesse dinheiro em tal banco correria a tirá-lo de lá nem que, para isso, tivesse de sacrificar os juros.


Não sou contra os bancos, longe disso. Que se deve tentar baixar o défice e diminuir a despesa e que para isso deva haver austeridade é um facto, contudo há limites.


Os bancos estão a ganhar com a dívida pública. Estão a financiar-se junto do banco central europeu a uma taxa baixíssima, cerca de 0,75%, e estão a emprestá-lo ao estado português a 7% ou 8%. Que grande negócio está a ser a nossa dívida.


Portugal perdeu a sua soberania face à Alemanha e tenta uma aproximação ao nível da educação e, internamente, o Estado perdeu a autoridade face aos grandes grupos financeiros que o controlam e dele tentam obter o maisque podem. Ainda esta tarde foi divulgada uma notícia pelo Correio da Manhã de que Nuno Crato “assinou um memorando de entendimento com a Alemanha para a cooperação na área do ensino profissional”.



Podem dizer que este é m texto populista e demagógico, talvez, mas não digam que não é realista.

Comentadores, analista políticos e banqueiros do aguenta, aguenta.



 


Quem tiver a disponibilidade e a paciência para ver e ouvir os comentadores políticos, analistas de economia e um novo grupo, a que alguns “pivots” da televisão resolveram dar o pomposo nome de “senadores”, que proliferam pelos vários canais de televisão, poderá, facilmente, tirar algumas conclusões. A primeira é que, todos eles, quase sempre os mesmos, pertencentes ou simpatizantes de uma determinada ala político-partidária, tecem de cima da sua cátedra,  sapiência sobre as medidas que se tomaram e que se devem ou não tomar.


Como se tem reparado, este jogo de xadrez de comentadores está à partida viciado. Porquê? Porque, salvo raras exceções, são conhecidos militantes de topo dos partidos atualmente no governo, pelo que, estamos no direito, de em princípio pôr em causa a sua isenção. Claro que mau seria que por vezes não fizessem críticas ao executivo em pontos demasiado evidentes. Mas se num dia o fazem noutro dia apontam logo no sentido contrário.


Quando se referem, por exemplo, à necessidades de mais austeridade, aos cortes de subsídios e de pensões, aos cortes na saúde e na educação como soluções inevitáveis, medidas que afetam a maior parte das populações, podemos pensar, e o pensamento ainda é livre, que se estão a defender a eles próprios porque sabem que ficarão em certa medida salvaguardados e, por isso, os “outros” que somos nós, o povaréu, como alguns já chamaram, que paguem a crise.


Se nos dermos ao trabalho de pesquisar quem é esta elite de comentadores, facilmente chegaremos à conclusão de que estão todos bem instalados, sem preocupações de desemprego, com remunerações mensais que ultrapassam em muito as dezenas de milhares de euros mensais, e a saúde e as reformas estão mais do que garantidas. Poderá dizer-se que eles também são afetados pelos impostos, pois também era o que mais faltava! Mas, como todos sabemos, há sempre formas de minimizar esse efeito, coisa que qualquer vulgar trabalhador por conta de outrem, que recebe o seu salário mais do que controlado, não consegue.


Coloquemos como hipótese que um de nós concorria a um emprego, éramos selecionados e a proposta contratual remuneratória era a seguinte: um valor base de remuneração que seria 1000€, com direito a viatura própria, pagamento mensal de gasolina pela empresa, pagamento de parte da habitação própria através de despesas, cartão de crédito da empresa com permissão de despesas pessoais, seguro de saúde pago pela empresa, entre outras regalias. Vejamos agora qual seria o valor que iria declarar para o IRS. Fazendo as contas teríamos 1000€X14 meses seria igual a 14000€ anuais e seria isso que declarava como rendimento. Comparemos agora com outro trabalhador que recebia também e apenas um salário mensal dos mesmos 1000€ sem quaisquer outras regalias. A sua declaração para o IRS seria 14000€ de rendimento anual. Para bom entendedor meia palavra basta. O que está em causa é a facilidade com que alguns e não tão poucos como se pensa, contornam os impostos.


Também não está em causa o valor salarial recebido que pode ser maior ou menor pois tem que ser de acordo com a sua formação, responsabilidades, experiência profissional, grau de exposição pública, etc., etc.. Um administrador de uma grande empresa ou um governante têm que ser bem remunerados, pois que ninguém aceitaria um ordenado, por exemplo, de 1000€ mais ajudas de custo para ter determinada responsabilidade, preocupações e o ritmo de trabalho que se lhe exige. A grande vantagem não está apenas na remuneração, mas nas portas que se lhe abrem, posteriormente, para o domínio privado. São contra o aumento de impostos mas, por outro lado, defendem a austeridade ma para os “outros”, porque da austeridade estão mais ou menos a salvo.


Ainda em 30 de outubro deste ano pudemos ouvir um banqueiro defender publicamente que ainda há espaço para mais austeridade e, comparando Portugal com a Grécia dizia que lá fazem umas revoluções, “partem umas montras”, mas “lá continuam vivos”. Que conclusões se podem tirar destas afirmações? Que interesses poderão existir por detrás delas ao apoiar o orçamento? Que interesses estarão em jogo? Que promessas terão sido feitas à banca? Perante as afirmações do referido senhor banqueiro, se tivesse dinheiro em tal banco correria a tirá-lo de lá nem que, para isso, tivesse de sacrificar os juros.


Não sou contra os bancos, longe disso. Que se deve tentar baixar o défice e diminuir a despesa e que para isso deva haver austeridade é um facto, contudo há limites.


Os bancos estão a ganhar com a dívida pública. Estão a financiar-se junto do banco central europeu a uma taxa baixíssima, cerca de 0,75%, e estão a emprestá-lo ao estado português a 7% ou 8%. Que grande negócio está a ser a nossa dívida.


Portugal perdeu a sua soberania face à Alemanha e tenta uma aproximação ao nível da educação e, internamente, o Estado perdeu a autoridade face aos grandes grupos financeiros que o controlam e dele tentam obter o maisque podem. Ainda esta tarde foi divulgada uma notícia pelo Correio da Manhã de que Nuno Crato “assinou um memorando de entendimento com a Alemanha para a cooperação na área do ensino profissional”.



Podem dizer que este é m texto populista e demagógico, talvez, mas não digam que não é realista.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

As promessas do primeiro ministro Passos Coelho

Não é corrente neste blog colocar "posts" com o objetivo de difamar ou caluniar seja quem for. Se, por vezes, se criticam posições, afirmações e decisões políticas, estas têm o intuito de comentar o que, no nosso entender, consideramos estar mal para os cidadãos e não com o objetivo, como alguns comentadores fazem, de ficar bem com o poder. Comentadores que pertencem ao partido da área da governação e que, por isso, não se podem considerar comentadores isentos ficam-se muitas vezes pelo "nim" não abordando com coragem questões essenciais para as ppulações que denominam de baixa política. Será baixa política denunciar o que está mal. O que está bem não necessita de ser comprovado ele deve ser uma evidência para todos. Por isso, hoje não resisti a uma maldadezinha que é colocar um video do Blog Aventar que mostra a realidade e a desfaçatez a que chegam alguns politicos fazendo afirmações para convecer as populações a votarem neles e, consequentemente, chegarem ao poder e depois não cumprirem com o que prometeram. Todos não cumprem, mas, como este não tenho lembrança.


Vejam até ao fim porque vale bem a pena. É na parte final que se encontram com mais evidência as contradições, depois, cada um, face ao que conhece, tire as suas conclusões.


 


 



 


Fonte: Blog Aventar e Garatujar

As promessas do primeiro ministro Passos Coelho

Não é corrente neste blog colocar "posts" com o objetivo de difamar ou caluniar seja quem for. Se, por vezes, se criticam posições, afirmações e decisões políticas, estas têm o intuito de comentar o que, no nosso entender, consideramos estar mal para os cidadãos e não com o objetivo, como alguns comentadores fazem, de ficar bem com o poder. Comentadores que pertencem ao partido da área da governação e que, por isso, não se podem considerar comentadores isentos ficam-se muitas vezes pelo "nim" não abordando com coragem questões essenciais para as ppulações que denominam de baixa política. Será baixa política denunciar o que está mal. O que está bem não necessita de ser comprovado ele deve ser uma evidência para todos. Por isso, hoje não resisti a uma maldadezinha que é colocar um video do Blog Aventar que mostra a realidade e a desfaçatez a que chegam alguns politicos fazendo afirmações para convecer as populações a votarem neles e, consequentemente, chegarem ao poder e depois não cumprirem com o que prometeram. Todos não cumprem, mas, como este não tenho lembrança.


Vejam até ao fim porque vale bem a pena. É na parte final que se encontram com mais evidência as contradições, depois, cada um, face ao que conhece, tire as suas conclusões.


 


 



 


Fonte: Blog Aventar e Garatujar

sábado, 14 de julho de 2012

Os comentadores, os políticos e o dinheiro dos outros


http://umpovoarasca1.blogs.sapo.pt/282163.html


Alguns artigos de opinião e comentários políticos que leio na imprensa e os comentadores que vejo na televisão e, com menos frequência, na rádio dariam para um sem fim de artigos.


Vou tentar ser mais claro. Esta coisa de escrever para pessoas muito diversificadas nos gostos, interesses e culturas deve ter o seu quê de simplicidade na objetividade, sem pompa e pedantismo e não ser demasiado técnica. Mas o que se verifica é que muitas das vezes se dirigem apenas a alguns iluminados que, para além do mais, acabam por confundir o leitor, o ouvinte e o telespetador, levando-o a desinteressar-se do assunto.


Muitos são especialistas em retórica construída de tal modo para confundir o ouvinte/telespetador através de uma persuasão sofística e aliciante. É exemplo deste caso as intervenções do Eng. Ângelo Correia quando é convidado para debates televisivos. Tem aparentemente um discurso conciliador, pleno de artifícios filosóficos e dialéticos.  


Tento compreender e colocar-me no papel, sem o conseguir, dos que defendem certos pontos de vista no que respeita a medidas financeiras, económicas, sociais e reformas estruturais das quais, em princípio, pensam vir a ser excluídos. Isto é, os governos que reformem, estruturem, cortem, aumentem e cobrem impostos desde que alguns (entre os quais eu) não sejam incluídos, quer por estatuto, quer por regime de exceção. Defendem pontos de vista e medidas consequentes como se tratasse de verdades absolutas como se não houvesse alternativas para além daquelas que apresentam. Sócrates, não o filósofo, mas o outro, também dizia em certa altura quando da tomada de medidas penalizadoras, que ou isto ou o caos!


Para esclarecer, como exemplo do que acabo de afirmar, vou citar uma passagem do artigo de Fernando Madrinha, no Jornal Expresso de 23 de junho de 2012, onde salienta algumas afirmações do antigo ministro das finanças Miguel Cadilhe.


Diz Fernando Madrinha que paso a citar: “…uma taxa de 4% sobre a riqueza, não só dos ricos, mas de todos os portugueses. Haveria isenções: por exemplo, uma família com casa própria, vivendo só do seu salário. Supõe-se que essa família, se tivesse 500 euros no banco, já pagaria 4% da sua poupança. Ouvindo os iluminosos economistas que falam de impostos quando não falam de reduzir salário, ficamos com dúvidas sobre se terão a noção do valor do dinheiro. Pelo menos para aqueles que têm pouco, já que não deve ser o caso deles.”.


Aqui está um exemplo do que eu pretendi dizer quando escrevi o terceiro parágrafo uma frase clara e objetiva e que todos compreendem.


Mas este é apenas um caso muitos outros haveria a dizer quando se referem aos salários, aos cortes nos subsídios, aos cortes nas reformas dos nossos pais e avós…. É fácil gerir com o dinheiro dos outros, especialmente com o dos mais indefesos. O dinheiro desses comentadores políticos, autodenominados isentos, que apoiam tudo aquilo que não os prejudique a eles, já cá não se encontra.


A isto acresce ainda as escandalosas exceções nos cortes (caso do Banco de Portugal entre muitos outros) que foram consentidas, para que não se levantassem ainda mais vozes de contestação. Pelo menos alguns setores ficaram controlados.


As medidas de austeridade e os sacrifícios, sendo excecionais como dizem, devem ser distribuídos por todos e atingir os rendimentos, independentemente de quem os aufere, e não serem apenas algumas classes sociais e profissionais a serem penalizadas. Nunca fui funcionário público sempre estiv no setor privado, mas não concordo que sejam apenas alguns a ter que ser responsabilizados e penalizados pelos desmandos concentidos pelos governos que foram eleitos por todos, pressupostamente para nos governarem bem! O que este governo está a fazer com o appoio de cometadores do seu leque ideologico, parece vingança soez para com determinadas classes sociais e profissionais, com o argumento de que são despesa do Estado. Não foram todos os governos sem exceção que para isso contribuiram através dos gastos incontrolados! Quem afinal era despesista e queria viver acima das suas possibilidades?  


Arranjam-se legalmente medidas de exceção para benefício de alguns prejudicando outros, os mesmos de sempre. Por aqui se vê que muitas das medidas são mais de opção ideológica e política do que económica. Não me venham falar da isenção dos comentadores e analistas que defendem alguns pontos de vista mais do que neoliberais e dos que defendem o seu contrário. Todos tomaram a sua opção no leque ideológico e político  e daqui não saem, por mais claras e objetivas que sejam as evidências contrariamente ao que defendem!